26/11/2014

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 2: 1ª entrevista para a TV, o jantar de despedida e outras milhas a percorrer...

Eu estava na aula de espanhol, tentando terminar a tarefa e treinando para a prova oral quando a monitora do corredor veio na sala me avisar que a diretora estava me chamando. A diretoria é meio que uma central de acontecimentos na minha escola, tudo e qualquer coisa acontece lá, por isso eu quase sempre estava envolvida em alguma coisa na diretoria. Chegando lá, havia outro aluno esperando pela minha chegada para que nós três pudéssemos conversar sobre o mesmo assunto. Quando eu percebi que era a diretora queria conversar comigo, eu fiquei com um pouco de medo. Um milhão de coisas passaram pela minha cabeça, uma pior que a outra porque eu tenho a habilidade de sempre imaginar o pior cenário possível. Então ela explicou: a afiliada da Rede Globo aqui da região havia ligado para a escola dizendo que queriam fazer uma matéria com jovens conquistenses que fossem envolvidos com cultura. Vitória da Conquista - a cidade em que eu moro e que nasci - fez 174 anos no dia 9 de novembro e a TV queria celebrar isso lembrando as figuras importantes da cidade e apresentando alguns jovens que darão prosseguimento à cultura conquistense. Minha diretora sabe que eu escrevo e conhece o blog, então ela recomendou a mim e a um garoto do primeiro ano que também escreve, principalmente crônicas. Ela avisou que a TV me ligaria naquela tarde e que marcaria um ponto de encontro, provavelmente no dia seguinte à tarde. E foi assim que começou a saga Giulia entre Estrelas. 

ERA MEU SONHO, SER UMA ARTISTA, MAS SÓ CONSEGUE QUEM SE ARRISCA. TIVE UMA CHANCE, EU NÃO VOU VACILAR, ÉÉÉÉÉ. QUERO SER UMA ESTRELA TÃO LONGE POSSO VÊ-LA VOU ENCARAR SEM MEDO OU TRISTEZA. EU TOCAREI A ESTRELA A CHANCE ESTÁ COM ELA EU VOU BRILHAR, VÃO CONHECER A ESTREEEELA QUE EU VOU SER, QUE EU VOU SER (pa-para-rara-pa-pa-rarara YEAH)

Isso já faz três semanas, mas eu precisei desse tempo todo para escrever sobre por vários motivos que eu vou explicar depois. Eu saí da sala da diretora saltitando e com o sorriso de uma orelha a outra. A coisa era bem simples para mim: eu teria a chance de falar sobre o que eu escrevo para a televisão. E foi isso que eu cheguei falando para minha gangue - ou seja, as duas meninas que mais me aguentavam naquela turma (Sara e Mari s2). Bem, na verdade foi mais algo do tipo EU VOU TER A CHANCE DE FALAR DO MEU LIVRO NA TELEVISÃO seguido por gritos de animação e abraços, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Depois eu saí correndo e contando para todo mundo da escola, inclusive para os professores... Mas parei por aí.
Eu tenho uma mania horrível de sair contando quando coisas legais acontecem na minha vida, porque eu falo demais quando eu fico animada, mas eu não gosto muito disso. Eu acho errado contar meus sonhos para todo mundo a menos que sejam situações concretas e já realizadas. Além disso, eu não sabia se eu realmente seria entrevistada e mesmo que fosse se realmente iria aparecer, então eu fiz um trato comigo mesma que não contaria para ninguém até ter uma noção concreta do que iria acontecer. Na verdade, eu dei a maior sorte de meu celular estar descarregado na hora que me deram a notícia ou eu tenho certeza de que eu teria contado tudo aos berros via Twitter. De qualquer forma, quando eu cheguei em casa eu deixei apenas essa nota no Facebook, que, na verdade foi superdramatica já que uma entrevista para uma rede de TV local que atende apenas 64 municípios baianos (meu Deus, isso é gente pra caramba) não vai decidir minha carreira daqui para frente (eu acho) (talvez defina né).
Quando eu cheguei em casa eu fui resolver os detalhes da ligação, da permissão dos meus irresponsáveis e isso deu um pouco de problema por diversos motivos, mas não vou falar disso, quero focar no fato de ter dado tudo certo. Pediram apenas que eu levasse o máximo de material escrito que eu pudesse e a entrevista foi marcada para o dia seguinte (05/11), na biblioteca municipal da cidade. Eu nunca tinha ido lá, porque eu tenho a estranhíssima habilidade de nunca ir em bibliotecas municipais de cidades que eu moro (mais sobre isso depois), mas em minha defesa o lugar não só é extremamente contra mão como é extremamente escondido. Fica no fim de uma rua sem saída, em um bairro puramente residencial. Quando você olha pela rua, vê um portão no fim que parece a entrada de um condomínio ou de uma vila. Siga descendo a rua inteira e atravesse o portão; só depois disso é possível ver o prédio cor de rosa que fica do lado esquerdo, recuado em relação à rua. Basicamente, você só encontra a biblioteca se souber o endereço e estiver realmente disposto a procurar. Graças a Deus, eu tinha o endereço e estava mais do que disposta a procurar.
Minha irmã foi junto para me ajudar e tirar fotos e eu cheguei cedo, estranhamente.. A entrevista estava marcada para 16h15 e eu cheguei às 16h10. O problema foi que os entrevistadores atrasaram uma hora. Eu tinha um livro para ler, mas fiquei meio desconfortável de ler meu próprio livro estando em uma biblioteca (vai que achavam que eu tinha pego o livro lá e estava saindo com ele?) então peguei uma edição de 92 de um livro sobre a História do Brasil no século XIX e praticamente engoli ele até chegarem (porque socializar com os outros entrevistados pra quê né?). Lá para umas 17h30, a repórter e o camera man chegaram, pedindo perdão pelo atraso que aconteceu por causa de problemas no Conservatório de Música, onde eles gravaram a primeira parte da matéria.
Bem, primeiro emprestaram um poeta consagrado e depois partiram para a gente. Acho que foi nessa primeira entrevista que eu comecei a tremer. Eu tentei muito prestar atenção no que o poeta estava dizendo e sei que ele disse muita coisa legal e que eu concordo, mas eu não conseguiria lembrar tudo que ele disse nem se me pagassem. Eu estava muito nervosa e muito mais ansiosa do que eu imaginava ser possível, o que me deixa extremamente desajeitada e boba, mas eu não paguei nenhum mico sério (foco no sério - mais sobre isso depois) então eu estou orgulhosa de mim mesma por esse dia. Quando o Jehovah, o poeta em questão, (leia mais sobre ele clicando aqui) terminou a entrevista, ele passou por nós e perguntou se a gente escrevia há muito tempo. Eu disse que escrevia desde os 9 anos (quando eu comecei a fazer poesia - sim, eu comecei com poesia e só escrevi fanfic depois de 6 anos), e ele pediu para contar isso na entrevista.
Passaram, então, aos jovens escritores - que se resumia em eu, meu colega de escola de 15 anos e mais uma garota que escreve maravilhosamente bem de 17 - primeiro gravaram imagens da gente conversando. Foi só aí que eu socializei. Era estranho porque eu sou péssima falando com pessoas e só para piorar a situação tinha uma câmera apontada para mim, mas ao mesmo tempo eu estava com pessoas com idade próxima a minha e que estavam passando pela mesma coisa que eu e que também tinham suas próprias ansiedades sociais (eu realmente acho que Deus, antes mesmo de dar o talento de escrever a alguém, resolve que essa pessoa será tímida em algum nível), então foi mais fácil conversar com eles. Falamos sobre o que já havíamos escrito, o que nos inspirava, coisas assim. Depois nos filmaram escrevendo coisas aleatórias no papel, só para usar na matéria mesmo. Em seguida filmaram a gente lendo nossos textos. Eu fui primeiro; li um pedaço de Plenitude, um poema que eu publiquei aqui em fevereiro de 2013. Eu fiquei supertensa, comecei a achar problemas onde não tinha e acabei não lendo a última estrofe do poema por achar que estava péssimo. Mas minha irmã disse que todo mundo que estava ouvindo ficou quase babando e pensando bem, realmente me aplaudiram depois de ler. Mas deixando minha insegurança de lado, depois de mim meus colegas de entrevista (isso existe?) leram seus textos. Foi quando eu descobri que a Amanda (a garota de 17 anos que foi entrevistada comigo) escrevia maravilhosamente bem... A história dela é daquele tipo que começa cativante e vai tomando forma, te prendendo, te conquistando e aí... Você simplesmente PRECISA saber o final. Eu estou nessa vontade há 19 dias, já que a interromperam a leitura dela justo na melhor parte! Depois foram para a entrevista em si. Enquanto descrevo isso, eu vou revelar os segredos da televisão para vocês, então vou colocar um gif para vocês se prepararem.

Juntem-se crianças, é hora de saber o MISTÉRIO POR TRÁS DA ENTREVISTAS DA GLOBO.
Primeiro, a repórter anota nome e idade (que aparece naquele bannerzinho da entrevista), depois ela confere umas ideias de perguntas criadas previamente e faz todas elas. Isso tudo é com a câmera ligada, mas sem o microfone. Essa parte serve para algumas coisas: tirar a tensão do entrevistado, ajudar a entrevistada a definir quais perguntas irão para a entrevista oficial e para ter ainda mais imagens de pano de fundo (o que nunca é demais). Aí era a hora da entrevista com o microfone ligado. Ela testou o microfone dizendo algo como "Áudio amostra: Giulia Santana" (side note: quase todas as minhas amigas me xingam por eu usar Santana na assinatura ao invés de Duplat, mas é que, gente, Santana combina mais com Giulia), mas não exatamente essas palavras. O que eu gostei nessa entrevista foi que ela não fez só perguntas normais. Claro que rolou aquele clichê de "o que te inspira para escrever?" (que para falar a verdade eu nem lembro o que respondi) e "o que escrever é para você?", mas ela perguntou outras coisas mais interessantes, que eu não lembro agora porque minha mente foi totalmente contaminada pelo fato de eu já ter visto a entrevista.
Deixa eu explicar: a matéria foi ao ar dia 8/11, sábado de Enem, logo, eu não assisti. Nesse dia, o jornal passou mais cedo e o pessoal de casa não estava ciente disso e também não assistiu. Algumas pessoas conhecidas viram e até me avisaram que tinha ficado ruim o corte que a TV Sudoeste fez. Eu pedi para meus contatos conseguirem a entrevista pra mim e conseguiram, mas passar esse arquivo pra mim foi o maior suplício porque ele era grande demais para ser enviado por meios comuns - e foi por isso que eu demorei tanto para publicar o post sobre isso. Quando eu comecei a escrever esse post, eu era uma simples garota que passou por uma experiência incrível com a primeira entrevista e queria contar cada detalhe da experiência... Só que noite passada, minha amiga me enviou o vídeo e eu assisti. E fiquei meio decepcionada...
Eu apareci, falei e tive até certo destaque. Meu nome foi falado corretamente, eles mostraram ângulos legais de mim e eu acho até que escolheram minha melhor resposta. Eu não sei o que exatamente estava esperando e admito que meu maior medo era não aparecer, mas eu fiquei tão decepcionada. Achei que fossem destacar mais a gente falando do que essa narração, sabe mostrar a gente lendo nossos textos, respondendo a mais perguntas, que fossem dizer o nome de todo mundo... Ao invés disso pegaram algumas coisas que a gente disse e amplificaram, e usaram uma espécie de superlativo ao dizer que nós preferimos caneta e papel às tecnologias do século (o que é a mentira do século, já que todo mundo estava com papéis impressos e fizeram a gente transcrever depois). Quer dizer, eu sei que a TV é uma máquina manipuladora (e eu vou parar por aqui para não soar como um daqueles anti-alienação do Facebook), mas, caramba gente, é uma matéria minúscula do canal regional, que ninguém assistiu porque passou em horário diferente, qual a necessidade de alterar o que a gente disse e fez desse jeito só para parecer que a gente está de acordo um padrão definido sei lá por quem? Se  bem que eu não sei o que estava esperando de uma TV que fez uma matéria de 5 minutos (em um jornal de 15) sobre uma árvore que caiu no centro da cidade quando estava rolando uma onda de estupros na cidade. (Sim, árvores são importantes, mas aquela ia ser replantada e OITO PESSOAS HAVIAM SIDO ESTUPRADAS EM SEIS DIAS).
Enfim, apesar de minhas impressões sobre a entrevista em si tenham sido destruídas pela edição final, eu ainda estou muito feliz de ter atingido esse marco na minha vida. E aquele dia foi incrível e maravilhoso de muita formas então eu não vou deixar que nada tire isso de mim. Eu conheci pessoas novas e legais naquele dia, me diverti com meu próprio nervosismo e faria isso mais um milhão de vezes mesmo que todas as minhas entrevistas sejam manipuladas e mal interpretadas. Além disso, eu tive ainda mais vontade de cursar Jornalismo, mesmo que não siga carreira. Se quiser assistir à matéria da qual fiz parte, dê play no vídeo abaixo (eu apareço a partir dos 2 minutos):


Começando, então, a segunda parte do post (que está enorme): no mesmo dia em que eu fui entrevistada aconteceu o Chá de Fraldas do meu professor de matemática, que foi a primeira festa de despedida da turma, que eu citei na primeira parte do Diário de Bordo e que cuja foto pode ser encontrada no meu Instagram. Depois disso, tivemos mais dois dias e aula, quatro dias de prova espaçados e finalmente as aulas acabaram. Pegamos nosso boletim no sábado, 22 (maior nota: 9,5 - em inglês, biologia e em inglês de novo - e menor nota: 4,9 - em física) e quase todo mundo foi no mesmo horário, mesmo sem combinação (que eu saiba), mas antes mesmo disso nós tivemos, no dia 20, o jantar de despedida, o qual eu também havia citado no post anterior.
O plano original era simples: eu e Sara - que não bebemos - iríamos só para comer e assim que o povo começasse a ficar bêbado a gente correria para a casa dela e faríamos uma festa do pijama. Porque o que o resto da turma queria era isso: ficar bêbado. Eu nunca vou pra nada assim, justamente porque eu não bebo e tudo fica desinteressante tão rápido nessas festas, mas terceiro ano acontece só uma vez na vida, eu queria uma despedida, eu tinha alguém para passar por isso comigo e eu amo a minha turma, precisava me despedir deles. Era só seguir o plano e tudo daria certo... Né?
No dia anterior ao jantar de despedida, meu celular quebrou. Bem, ele já estava quebrado (eu havia rachado a tela dele pela quarta vez, no sábado do Enem), mas dessa vez a queda foi tão feia que o software parou de funcionar. Depois de horas tentando consertar via iTunes (quem tem iPhone velho sabe como é), o programa simplesmente me mandou procurar a Apple Store mais próxima e levá-lo a assistência técnica. Óbvio que eu desisti ali, porque eu precisava do celular no próprio dia 20 e eu iria ganhar um celular novo na semana seguinte (o que, por acaso, é hoje). Tive que ficar no celular da minha irmã o dia todo, confirmando horários, marcando ponto de encontro, esse tipo de coisa. Marquei com minha amiga pra eu ir na casa dela, deixar a mochila e depois nós irmos para o jantar que aconteceu num barzinho da cidade porque minha turma votou esse lugar ao invés do restaurante mexicano da cidade.
Acabamos chegando uma hora depois porque Sara demorou para se arrumar, mas ao contrário do que ela disse pra todo mundo, eu não fiquei brava com ela porque quase ninguém chega na hora para um evento assim, teve bastante gente que chegou depois de nós e como eu sempre digo, eu prefiro ser a última a chegar do que a primeira. Enfim, lá nós estávamos e mandaram a gente pedir muita comida porque esse valor já estava quase pago pela grana que a turma tinha juntado durante o ano. Como adolescente não diz não pra comida, pedimos batata frita, quibe, carne (muita carne) e eu pedi até bolinho de abóbora com camarão, mas por algum motivo aquele pedido nunca chegou à minha mesa (boatos de que alguém disse que não precisava trazer) (e eu sei quem foi) (vai ter volta).
O legal da festa é que foi bem diferente do que eu imaginava. Eu pensava que fosse ficar bem chato quando todo mundo bebesse, mas teve gente que não bebeu ou bebeu muito pouco, então a mesa ficou separada entre quem tava bêbado e quem não tava. E também foi legal zoar quem tava (importante: grande parte da minha turma é maior de idade). De início, eu fiquei encarando a TV e de vez em quando tentando me envolver nas conversas, mas parecia que todos os meus assuntos e tudo que acontecia na minha vida era muito chato, considerando que a gente estava em um passeio de adolescentes normais (sim, eu me lembro que eu disse que todos os adolescentes são normais, e eu realmente acho que todos são - menos eu), mas chegou um momento em que todo mundo tava conversando sobre vários assuntos e rindo uns dos outros porque, cara, eu vi aquelas pessoas mais do que eu vi minha família esse ano, então é óbvio que a gente tem muito assunto. Tirámos várias fotos aquela noite, mas nenhuma ficou muito boa, por causa da luz. Em determinado momento, começou a tocar música ao vivo e a gente cantou todas que sabíamos. Nunca vou esquecer da galera berrando "I don't believe that anybody, feels the way I do, about you now" quando o cara cantou Wonderwall e depois, quando a gente pediu uma música (graças a Sara), todo mundo cantando Ana Julia (e apontando pra mim no final quando ele repete "Julia, Julia, Julia" - a pronuncia é a mesma mesmo).
Saímos à 00h30, depois de uma despedida lacrimosa e eu fui para a mini-festa do pijama que consistiu em Sara me entupindo de comida, me mantendo acordada até as 02h e depois o mundo inteiro reclamando quando eu acordei às 14h.

Dormir é tipo uma festa pra mim, fo realz.
Antes de terminar, uma explicação sobre o Diário de Bordo 4: Apesar de fazer 2 férias desde que eu fiz algo de interessante nas férias (o que quer dizer que os dois últimos Diário de Bordo foram pura encheção de linguiça) esse ano minha agenda está superlotada. Além da festa e da dormida na casa da amiga (coisa que eu não fazia há séculos), no momento eu estou em Salvador, curtindo quatro dias na casa da minha irmã mais velha e vendo a parte da família que eu não via há 7 anos (tudo sobre isso na próxima parte do Diário de Bordo). Dia 29, eu vou para o Rio de Janeiro fazer a última prova do vestibular da faculdade que eu realmente quero entrar (a UERJ) *dedos cruzados e muita oração*. No dia 03 eu volto para a casa, para resolver os últimos problemas e no dia 16 eu volto pro Rio para a minha viagem de férias oficial. Eu já estou meio maluca com isso tudo. E eu vou aproveitar cada segundo disponível para escrever (como estou fazendo agora) porque eu sinto que vou ficar ainda mais sem tempo agora do que o tempo que eu não tinha quando estava tendo aula. Eu vou enlouquecer, mas eu quero curtir essas férias como nunca, porque são minhas últimas antes da faculdade e de me tornar uma jovem adulta.
Por isso mesmo, como eu disse no Facebook no início do mês, o Diário desse ano, ao invés de focar no 3 tops 25 de férias como nos últimos terá como foco, uma lista de coisas que eu nunca fiz e que quero fazer antes de me tornar responsável. Será uma lista pequena, de só 10 itens, e bem simples (até boba) porque eu estou cheia de fazer lista de metas malucas que eu nunca consigo cumprir, mas ao mesmo tempo eu gosto de listas de metas. Eu também não vou terminar a lista assim, de uma vez, vou acrescentar itens que eu for pensando durante os posts. Por enquanto ela tem 3 itens. Super estou aceitando dicas de outras coisas para colocar aqui.

Lista de coisas que eu quero fazer antes de entrar na faculdade e me tornar oficialmente uma "jovem adulta".

1. Publicar meu livro. Bem, essa primeira não é bem uma obrigação, porque eu sei que se eu me pressionar para terminar esse livro logo eu só vou ficar frustrada e não vai ficar do jeito que eu queria, mas a verdade é que eu realmente queria terminar Mais Uma Vez nessas férias. Eu provavelmente não vou ter tanto tempo disponível para fazer isso, mas é bom ter uma meta assim estabelecida.
2. Ir ao teatro. Todas as cidades em que eu morei tem teatro e todas elas tem peças pelo menos uma vez por ano e ainda assim eu nunca fui ao teatro. Eu sou uma vergonha aos artistas da minha geração.
3. Passar um dia na Biblioteca Nacional. Outro lugar que eu nunca fui, mesmo tendo morado 4 anos no Rio de Janeiro. Shame on me.
4. 
 

É isso. Esse post ficou enorme, então se você leu até aqui, já te amo.
G.

22/11/2014

Ensino Médio no Brasil: A hora da verdade.

E é chegado o dia que todos estavam esperando pelos últimos 104 dias. Ok, tá, nem toooodos. Muitas pessoas. Beleza, quase ninguém. ENFIM, é chegado o grande momento em que todos saberão o resultado da primeira pesquisa de opinião lançada pelo Quebrei a máquina de escrever. Eu digo primeira porque grande parte das pessoas que responderam pediram que eu fizesse outras pesquisas assim no futuro e vai que eu tenho tempo... E eu digo grande momento porque esse post tá enorme.
A pesquisa foi lançada no dia 11 de agosto - dia do estudante - através deste post (Estudar ou viver? A questão é essa aqui) e passou 100 dias rodando o Brasil inteiro. 24 pessoas responderam. Pausa para os leitores absorverem essa informação. "Mas Giuliaaaaaa, você não disse que dezenas de pessoas tinham respondido?" Disse. E foram duas dezenas, uai. Eu sei que o número de participantes foi bem baixo e inclusive foi bem menor do que eu esperava (principalmente considerando que eu enchi o saco de Deus e o mundo),  mas eu fiquei bem satisfeita porque mesmo que poucas pessoas tenham respondido, respondeu gente do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul e só as regiões Norte e Centro-Oeste não tiveram representantes entre os participantes da pesquisa. Além disso, eu amei como as pessoas foram bastante sinceras e abertas em seus depoimentos.
Antes de falar do resultado, eu quero comentar sobre a área do formulário onde os entrevistados podiam deixar sua opinião sobre o próprio formulário. A maior crítica feita foi que o formulário era muito grande. Realmente era (96 questões) e eu entendo que quase nenhum estudante de Ensino Médio tem tempo para responder tudo como gostaria, então eu queria pedir desculpas por esse incômodo e avisar que em uma próxima pesquisa eu estarei pensando nas necessidades do grupo entrevistado e farei um formulário do tamanho adequado para que a tempo para responder não seja maior que 10 minutos. Em minha defesa, eu realmente queria que o maior número de aspectos do Ensino Médio fossem abrangidos na pesquisa e dei 100 dias para que a pesquisa fosse respondida. Além disso, nem todas as perguntas eram obrigatórias. (Nota: Eu notei tarde demais que algumas foram marcadas como obrigatórias erroneamente, outro aspecto pelo qual peço perdão). Outra crítica feita foi o fato de pessoas que terminaram o EM antes de 2014, não poderem responder à pesquisa, a justificativa era que a pesquisa serviu para descobrir os aspectos sobre do Ensino Médio em 2014. A impressão de uma pessoa que terminou o Ensino Médio 16 anos atrás pode ser, e provavelmente é, bem diferente de uma que está no Ensino Médio agora. A última crítica foi o vocabulário difícil usado no formulário. Justificativa: eu não percebo quando eu uso "palavras difíceis" e eu tenho medo de tentar me controlar e acabar sem ideias de palavras complexas para as redações dos vestibulares da vida. Mas de uma próxima eu usarei um vocabulário mais coloquial... anh, quer dizer, informal. (A pessoa que disse isso não estava falando tão sério assim, mas eu fiquei pensando que eu faço isso mesmo e não deveria fazer, ainda mais em algo direcionado ao público). Fechando essa parte eu gostaria de agradecer de todo meu coração às pessoas que divulgaram a pesquisa, após responder ou mesmo que não tenham respondido. Vocês são zica. Agora vamos ao resultado da pesquisa.

Clique nas imagens para ver os detalhes.
As respostas foram transcritas para esse post assim como estavam na resposta do formulário.
 As perguntas subjetivas terão apenas as respostas mais completas divulgadas para evitar supersaturação.

Informações básicas
A idade média dos participantes da pesquisa é de 16,4 anos.

Divisão por sexo:



Por estados:
Alagoas (1) 4%
Bahia (8)  33%
Pernambuco (1) 4%
Rio de Janeiro (8) 33%
Rio Grande do Norte (1) 4%
Rio Grande do Sul (2) 8%
São Paulo (3) 13%
Os estados restantes não foram representados.

Por série:

Por formação:


Por instituição:




4 entrevistados (17%) mudaram de escola durante o curso do Ensino Médio. 1 (4%) mudaram de cidade e de estado.

Conteúdo.
As seguintes perguntas obtiveram as seguintes respostas.

Nota da desenvolvedora: WHO RUN THE WORLD? HUMANAS!



Da sua matéria preferida: qual o assunto que você MAIS gostou?
"Não tem nada que eu mais tenha gostado. Eu sou apaixonada por sociologia, e tudo nela. Mas se for pra escolher mesmo uma coisa, acho que foi a matéria desse bimestre, porque falou sobre preconceitos e discriminações." Anônimo, 15, Rio de Janeiro.

Da sua matéria preferida: qual o assunto que você MENOS gostou?
"Acho que nenhum, gosto de história de modo geral, todos assuntos se encaixam como peças de um quebra cabeça, então me encanto por todos sem distinção." Iana de Assis, 18, Bahia.

Da matéria que você menos gosta: qual o assunto que você MENOS gostou?
"Metafísica e quase tudo de filosofia.... Pra que estudar tanta frescura que esse povo que já morreu inventou? Pra mim isso é falta do que fazer..."os objetos sensível.. O mundo das ideias..." e eu gastando minhas vistas lendo essas coisas que não se aplicam na vida...não na minha...kkkkk" Sara Carvalho, 17, Bahia.

Da matéria que você menos gosta: qual o assunto que você pelo menos considerou APRENDÍVEL?
"Adição e subtração! hahaha (divisão ainda é difícil pra mim :\ )" Tatiana Alves, 18, São Paulo.
Nota da desenvolvedora: I feel you, colega, I feel you.

Existe algum assunto que você tentou muito, mas não conseguiu aprender de jeito nenhum?
"Quase tudo relacionado à Química, e não foi por falta de esforço. Tenho muita dificuldade nessa matéria." Anônimo, 17, Rio de Janeiro.

Qual assunto você aprendeu quase automaticamente?
"As leis, o direito de processar ou não alguém, e o porque, e as multas, essas coisas, na matéria de Direito e Legislação." Luiza Brito, 15, Rio de Janeiro.




A média de horas de estudo em casa é de 2h20min. A maioria dos entrevistados (10 ou 42%) prefere estudar a noite, seguido dos que (8 ou 33%) preferem estudar a tarde e então o que prefere estudar só nos fins de semana (1 ou 4%).



Experiências
Você repetiu algum ano do Ensino Médio? Se sim, qual? E por causa de qual(is) matéria(s)? Ou foi por causa de faltas?
"Sim, o primeiro ano do Ensino Médio. Entrei em uma fase difícil particularmente e me afetou nos estudos, acabei ficando de recuperação em todas as matérias e acabei repetindo." Tatiana Alves, 18, São Paulo.

Qual a pior parte do Ensino Médio para você?
"O foco apenas no vestibular, a perda de tempo com tantas coisas que nunca mais usarei na vida, e sim, exclusivamente pra uma prova imparcial. Fora que mesmo estudando na escola, ainda sim tenho que estudar sozinha, afinal as matérias que estou aprendendo na escola não são aprofundadas em matérias que preciso para o vestibular que prestarei como primeira opção." Anônimo, 17, São Paulo.

Seus melhores amigos estudavam com você? Se sim, você os conheceu no Ensino Médio ou antes disso? O Ensino Médio e suas aventuras os aproximou ou não?
"Sim, estou há quase cinco anos na mesma escola e com o passar do tempo, para mim, sobrou apenas uma amiga. De certa forma, as aventuras acabou nos afastando, mas no caso de minha única amiga, só nos uniu mais." Lívya, 15, Alagoas

Qual a coisa mais engraçada que aconteceu na sua escola durante o Ensino Médio?
"Tinha um menino bonitinho na escola, e eu estava se olho nele. Aí, eu sempre tive mania de gritar, por qualquer coisa. Aí eu tava mexendo no celular, e vi que uma pessoa tinha me stalkeado e curtido uma foto minha de 2010. Aí eu gritei pra comentar com minha colega na época, e foi imediatamente no momento em que eu gritei que o menino bonitinho pisou no meu pé, sem querer. Aí ele pensou que eu tivesse gritado porque ele pisou no meu pé. Foi constrangedor." Anônimo, 15, Rio de Janeiro.

Qual a maior fofoca/polêmica que você enfrentou durante o Ensino Médio? Que diferenças ela causou no convívio com seus colegas de escola?
"O boato de que eu ficava com um garoto da minha sala. Arghh, período dark, o garoto era meu amigo e o pior? Minha amiga gostava dele. O professor de inglês criou shipper pra gente e ficava fazendo brincadeirinhas idiotas. Foi muito dificil provar pra todos que eu e ele não tínhamos nada além de amizade, mas pelo bem da minha amiga eu lutei até que consegui e isso não mudou em nada no convívio da gente." Iana de Assis, 18, Bahia.

Algum professor disse alguma frase que te marcou? Se sim, qual?
NdD: Eu precisei separar várias porque tem muitas interessantes.
"Minha professora de literatura disse que as pessoas não devem se martirizar, "não chorem, atuem. Mostrar seu sofrimento aos outros não ajuda em nada."" Adriana, 15, Rio Grande do Sul.
"Amor não põe mesa." Mariana, 17, Bahia.
"Sim, "Quando te conheci- você estava a anos-luz de poder tentar medicina, hoje está a metade desses anos-luz"" Kaíque, 17, Bahia.
"Na verdade não foi bem uma frase, foi uma história. "Um soldado estava voltando da guerra em outro país e estava morrendo de saudade da família, mas tinha um problema, o avião que o levaria para casa tinha combustível suficiente para apenas uma viagem. Ele rumou sua casa, mas viu um rato (e ele morria de medo de rato), e tinha apenas duas opções: voltar para não ter que enfrentar o rato ou continuar a viagem e subir o avião, ele escolheu a segunda lembrando do que lhe foi ensinado que subindo o rato morreria com a pressão. Ele subiu, matou o rato e chegou em casa." Moral da história: nunca desista dos seus sonhos, sempre aparecerá ratos na sua vida para te fazer desistir, mas você tem que continuar tentando se isso for realmente o que você quer. Muitas vezes até você pode ser o rato da história." Ana Katarina, 16, Pernambuco.
"Sim, meu professor de filo/socio nas primeiras semanas do Ensino Médio citou uma frase do Racionais MCs, "A preguiça é inimiga da vitória, o fraco não tem espaço, e o covarde morre sem tentar"." Jenny Ramos, 16, São Paulo.

Você se apaixonou por algum colega de escola durante Ensino Médio? Conte algo de interessante que aconteceu.
"Sim, esse ano, que basicamente se resumiu nessa paixão. Eu me apaixonei pela minha amiga, que é hétero(o choro é livre). E foi muito forte essa paixão, apesar de ser somente uma paixão de colégio, foi muito forte e reveladora para mim. Eu sofri muito, assim como me diverti muito com isso. Quando eu fui me declarar para ela, ela foi a pessoa mais compreensiva possível, e não mudou nada com isso, porque ela sabe que isso é somente um sentimento. Ás vezes eu acho que apenas me apaixonei por ela, por ela ser uma daquelas pessoas raras que são lindas fisicamente, com a mente formada, e ainda assim, ter um coração muito bom. Aquele tipo de pessoa que você só encontra uma vez na vida." Jenny Ramos, 16, São Paulo.

Você namorou algum colega de escola? Se sim, o namoro tá de pé ou acabou durante o curso? O que achou dessa experiência?
"Sim. Namoro com ela até hoje. Ele só não sabe disso ainda. Vou ver se eu conto qualquer dia desses." Anônimo, 15, Rio de Janeiro.
NdD: Eu também não entendi se é um Ele ou um Ela, galere e talvez o objetivo seja esse mesmo. Mistério... Gostei de você, anônimo.

Você se apaixonou por um professor? Se sim, conte a história.
"Sim, pelo meu professor de física. Essa é uma das matérias que eu mais gosto, e ele explica muito bem. E é bem bonito, então isso foi como unir o útil ao agradável. Lindo, inteligente e gosta da mesma coisa que eu." Anônimo, 17,  Bahia.


Perguntas extremamente pessoais: Você perdeu a virgindade durante o Ensino Médio? Seus colegas de turma sabiam disso? Isso de alguma forma mudou a forma como viam você ou a forma como você os via? Caso a resposta seja negativa: Você tem alguma história sobre o assunto que quer compartilhar?
"Não perdi a virgindade no E.M., mas tive uma suspeita de gravidez. Isso me marcou muito, pois mexeu comigo emocionalmente, e isso resultou nas notas." Anônimo, 17, Bahia.

Existe algo que você se arrepende de ter feito na escola? E algo que você se arrepende de NÃO ter feito?
"Entrado nela. Ainda não ter saído." Luiza Brito, 15, Rio de Janeiro.

O que de mais importante você descobriu sobre si mesmo durante esses anos?
"Nem sempre tenho que depender do professor para aprender o assunto, (pois se eu fosse esperar ele conseguir me explicar de forma que eu entendesse... ai ai) às vezes tenho que dar um esforço extra e pesquisar na internet, falar com alguém que entenda e passar horas fazendo e refazendo uma questão só para aprender. Aprendi que não posso deixar de lado, quando não entender o assunto. Tenho que dar mais que 100% de mim." Lívya, 15, Alagoas.

Se você fosse começar o Ensino Médio hoje, sabendo tudo que você sabe agora sobre as dificuldades e desafios do curso, o que você faria de diferente?
"Não faria o ensino médio. Tentaria uma forma alternativa de concluí-lo (ENEM, supletivo...)" Anônimo, 17, São Paulo.
NdD: A maioria das pessoas disse "estudaria mais" como resposta a essa pergunta. Bem, é uma lição para levar para a faculdade, né? Não? Ok.

Educação brasileira


Qual, na sua opinião, é o maior deficiência no sistema de ensino brasileiro?
"Impossível definir um único problema, mas de um modo geral e sem medir palavras, a escola no Brasil é chata. A falta de atividades de artes e esportes (essenciais para o desenvolvimento de talentos e valores, embora não sejam valorizadas) e também a forma como os conteúdos são passados aos alunos, ou seja,sem uma aplicação prática, tornam a escola desmotivadora." Sara Carvalho, 17, Bahia.

Você tem alguma ideia que acredite que mudaria a situação da educação no Brasil atualmente? Se sim, descreva essa ideia aqui.
"Minhas ideias soam mais como utopia. Tipo, por que não investir mais na educação dos próprios professores? Por que não criar projetos objetivos para os estudantes? Por que não melhorar as estruturas das escolas de modo geral? São muitas ideias, no entanto, pra mim, tudo soa muito artificial e quase impossível. Digo quase, pra não parecer tão pessimista." Iana de Assis, 18, Bahia.

Vida além da escola


Você acredita que a pressão do Ensino Médio muda as pessoas?
"Sim, em diferentes aspectos. Não só em questão de personalidade, em que as pessoas muda seu jeito para agradar as demais, mas como também na escolha de uma profissão. Com a aproximação da época de vestibular e escolha de carreira, os adolescentes se sentem, inevitavelmente, pressionados à encontrar um rumo. Pressão familiar também é bem comum em boa parte das famílias, o que pode prejudicar bastante na hora de tomarem uma decisão." Anônimo, 17, Rio de Janeiro.


Ensino Médio no Brasil vs Ensino Médio no exterior



Uniformes e vestiário


Você gosta de seu uniforme ou preferia que ele fosse diferente?
A maioria dos entrevistados gosta de seu uniforme. (QUE?)

Futuro

Considerações finais


Gostaria de acrescentar alguma coisa?
"Gostaria de dizer: ''você que é ensino fundamental e acha que a vida no ensino médio é um mar de rosas, não se engane, não é a saga PJO, mas consegue ser um mar de monstros, desculpa se destruí seus sonhos, mas é a vida, beijos.''" Iana de Assis, 18, Bahia.

Sobre o desenvolvimento da pesquisa

Por favor, reporte erros encontrados.
G.

18/11/2014

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 1: Formatura da Turma de 2014

Sempre gostei do dia 18 de novembro... Ok, essa é uma forma boa de começar a 4ª edição do Diário de Bordo. Dia 18 de novembro: faltam 3 meses para o meu aniversário, foi o dia em que eu me viciei oficialmente na Miley Cyrus (não perguntem como eu sei) (apenas não) (eu imploro) e é o aniversário da personagem principal do meu primeiro livro... E agora, esse dia tem um significado totalmente novo: hoje foi meu último dia como escrava adolesce... quer dizer, estudante do Ensino Médio. SOLTA A MÚSICA DE FORMATURA! Não? Ok, um gif serve.

ADIÓS QUÍMICA, ADIÓS FÍSICA, ADIÓS TRIGONOMETRIA!
 (ou hasta la vista se eu não passar no vestibular)

O ENSINO MÉDIO ACABOU! A escola acabou! Ok... Está muito difícil de absorver esse fato. Eu não sou mais uma estudante de colégio, minha escolaridade é Ensino Médio completo. Desde a quinta série (atual 6º ano) (já era 6º ano na minha época, mas ninguém chamava assim) eu venho esperando por esse momento. Foi quando entrei no ginásio que eu comecei a contagem regressiva. 6 anos... 3 anos.. 1 ano... acabou. Esses seis anos não foram suficientes para me preparar para o fim.
Inicialmente, o primeiro post do Diário de Bordo 4 seria um post super amargo sobre todas as coisas que eu queria ter tido durante o 3º ano e não tive. Eu, na verdade, comecei a escrevê-lo há mais de um mês e já tinha várias partes prontas sobre como eu queria que fosse meu baile de formatura ou até a própria formatura. Mas, recentemente, eu fiz uma revisão mental de como minha turma comemorou e ainda está comemorando o fim do Ensino Médio e percebi que agora eu tenho lembranças exclusivas que já me rendem e ainda vão me render muitas risadas.
Bem, simplificando, minha turma era a mais inconstante de todas. Começaram juntando dinheiro para fazer uma festa, mas durante o ano a ideia foi murchando e desistiram. Houveram boatos sobre uma formatura, mas era caro demais e como quase ninguém da turma queria participar ficaria mais caro ainda. No fim, resolveram marcar um jantar de despedida (que será na próxima quinta, 20) para que a gente use o dinheiro que foi juntado (é juntado né? acho que é juntado). Mas, apesar de ser diferente, essa não é uma ideia assim tão original. Original mesmo foram os dois últimos dias de aula, quando resolveram fazer o Chá de Fraldas que vinham prometendo ao professor de matemática o ano inteiro. Eu achei a ideia mais criativa do universo. Um Chá de Fraldas de despedida! Ninguém mais teve um desses! Foi um evento superbobinho que ninguém achou tão importante quanto eu, mas foi ele que me fez pensar em todo Ensino Médio e na dimensão de todas as coisas que aconteceram.
Como todo mundo sabe (porque é um daqueles assuntos sobre os quais eu nunca calo a boca) meus dois primeiros anos de Ensino Médio foram péssimos. O primeiro ano não foi tão ruim na escola, mas eu estava tão mal na minha vida pessoal (2012 foi o ano em que minha depressão ficou mais séria) que nem sei direito como consegui sobreviver àquele ano - e ainda passar direto. O segundo foi péssimo na escola, na vida, em tudo. Eu também não sei como sobrevivi ao segundo ano, quando estive tão perto da exaustão física e mental, mas eu criei a teoria de que se sobrevivi ao segundo ano, eu sobrevivo a qualquer coisa e tudo que aconteceu esse ano, só confirmou essa teoria. No terceiro ano, eu tive duas turmas. Uma no Rio de Janeiro de 10 de fevereiro a 9 de abril, e outra aqui na Bahia entre 9 de maio e hoje. As duas turmas foram incríveis; aliás, todas as turmas com que eu já estudei foram incríveis, mas o 3º A sempre vai ter um lugar especial no meu coração, porque eles me receberam em um momento péssimo da minha vida e direta ou indiretamente me ajudaram muito a lidar bem com uma série de situações terríveis. Eu não sei se teria sobrevivido em uma turma que não fosse tão diva (ou professores tão divos, porque esse foi o ano em que eu tive os melhores professores. Em especial o de literatura - que divulgou o blog para a turma inteira em uma aula que eu não fui - o de história e o de inglês - coincidentemente ou não, minhas matérias preferidas) e por isso os amarei para sempre.
Mas eu não quero me focar nisso o post inteiro até porque eu estava conversando agora mesmo, com minha colega sobre como eu não passei mais de dois anos na mesma escola e que por isso nunca criei raízes suficientemente fortes e isso me deu a maior vontade de chorar. NÃO! Esse post não é sobre o 3º A, o 3º E.M. ou a 201/101. O resto desse post é dedicado a todas as pessoas que terminaram ou terminarão o Ensino Médio este ano.

Obrigada Disney por ter criado material suficiente para 1000 posts sobre o Ensino Médio.

Esse post é para você que passou os últimos três anos da sua vida em salas cinzentas estudando matérias que você odiava com assuntos que você nunca vai usar na vida real (exceto em uma prova que vai definir sua vida profissional) (mais ou menos) (sempre existe a chance de se matar pro vestibular, entrar na faculdade, descobrir que você vai ter que se matar mais ainda e acabar desistindo) (sem querer assustar vocês) e ainda assim chora quando pensa que o Ensino Médio acabou. Porque chato ou não, complicado ou não, te deixando com vontade de se matar ou não, o Ensino Médio era um lugar seguro onde nós sabíamos o que estava para acontecer e podíamos fazer algumas coisas quase automaticamente. Agora que acabou, estamos nos jogando no mar revolto à meia noite sem saber o que vai acontecer e com grandes chances de morrer.. Tá, exagerei. Eu quero dizer que: acabou a farra, agora a gente é adulto.
Apesar disso, eu não estou tão triste quanto a maioria das pessoas estão. Na verdade, eu to superfeliz por ter acabado o Ensino Médio. "Ah, mas você não vai sentir falta da turma?" Depois que acabarem as 50 saídas que minha turma marcou eu respondo essa. "Você não tem medo de como é a vida lá fora?" Só MUITO MUITO MUITO MESMO! A ideia de ir para a faculdade, adentrar um mundo totalmente novo para mim, ter mais responsabilidades (Admitamos: eu não sou responsável. Até meu primo de 12 anos me disse isso) me dá pânico, mas eu estava pensando e 5 anos atrás a ideia de me mudar me causava pânico e eu fiz isso outras quatro vezes depois disso. Daqui a 5 anos outras coisas vão me causar pânico e se até lá eu não fizer as coisas que me causam pânico agora, eu vou me achar muito idiota por ter perdido chances únicas. Entenderam minha lógica?
Meu ponto é: o Ensino Médio foi um evento de três anos cheio de altos e baixos e de certezas incertas. Eu sinto, sim, que aproveitei cada segundo (tá, talvez não caaaaaada segundo, mas foi) e mesmo que metade da ficha ainda não tenha caído, eu mal vejo a hora de começar a vida com Ensino Médio completo de escolaridade.

G.

NÃO ESQUEÇAM DE RESPONDER À PESQUISA DE OPINIÃO DO BLOG SOBRE O ENSINO MÉDIO PARA TODAS AS PESSOAS QUE ESTÃO/ESTIVERAM NO ENSINO MÉDIO NO ANO DE 2014. A PESQUISA TERMINA AMANHÃ E O RESULTADO SAI NO SÁBADO.

16/11/2014

O livro sobre o qual eu poderia escrever outro livro, uma resenha de Fangirl da Rainbow Rowell

Bem-vindos ao post em comemoração às 200 curtidas na página do blog.
Aviso: esse post não tem spoiler, mas tem vários trechos do livro.

É o segundo livro da Rainbow Rowell que eu leio e o segundo que me deixa com uma vontade absurda de escrever sobre ele. E com Fangirl foi ainda pior do que com Eleanor & Park até porque eu comecei a escrever esta resenha dias atrás, quando eu só tinha lido um terço do livro. Eu só queria fazer um comentário enorme no Skoob para descarregar todos os meus sentimentos, mas o site estava em manutenção no dia (12/11, mesmo que eu saiba que ninguém está se perguntando) para terminar o novo layout e eu continuei sofrendo, sem conseguir me concentrar em nada que não fosse o livro e sem querer voltar a lê-lo porque eu saiba que se fizesse isso eu ia ficar grudada nele o dia todo até acabar e eu não queria que acabasse tão rápido... Enfim, onde eu estava mesmo? Ah é, a manutenção do Skoob me forçou a procurar outro lugar para escrever e eu pensei: porque não começar a resenha de uma vez? Logo, grande parte dessa resenha foi escrita enquanto eu ainda estava lendo o livro.
"Eu tenho medo de tudo. E sou maluca. Tipo, talvez você ache que eu sou um pouco maluca, mas eu só deixo as pessoas verem a ponta do meu iceberg de maluquice. Por baixo dessa aparência de um pouco maluca e levemente retardada socialmente, eu sou um completo desastre." (p. 181) 
Se é que existe uma única coisa que eu mais ame em literatura jovem (aka young adult) (eu comecei a chamar assim graças a Fangirl mesmo) provavelmente é todo a naturalidade com a qual são tratados temas que todo jovem conhece. Ok, eu não conheço ninguém que seja tão profundo quanto a maior parte dos personagens desses livros e também nunca vi uma história de amor tão bonitinha quanto a maioria dessas histórias, mas não é disso que estou falando. Estou falando de temas como drogas, sexo e problemas familiares serem tratados, não como foco principal da história, mas com naturalidade. É como se o autor dissesse "Esse é um livro sobre jovens. Essas são as coisas que jovens fazem e pensam. Supere.". Não que, tipo, eu concorde com todas as coisas que um jovem clichê (Porque "jovem normal" não existe.. Todo jovem é normal, só que uns agem dentro de um padrão pré-estabelecido pela sociedade e outros, não. E eu também não estou dizendo que ser clichê é ruim, porque eu realmente não acho que seja) faz, mas a realidade é simplesmente assim e eu acredito que a literatura nunca deve maquiar a realidade, mesmo que seja ficção.
Essa lenga lenga do parágrafo anterior foi para explicar que a Rainbow manteve seu padrão na escrita: Cath, a personagem principal de Fangirl, não é uma jovem clichê, mas está cercada de jovens clichês. Ela acabou de entrar na faculdade, uma experiência que já a deixaria muito ansiosa mesmo se sua irmã gêmea não tivesse preferido ter outra colega de quarto, para viver novas aventuras. Aliás, é isso que todo mundo parece estar fazendo na faculdade, vivendo aventuras, se embebedando, se pegando.. Exceto por Cath, naturalmente, cujas maiores preocupações parecem ser quanto tempo ela passará sem precisar ir ao refeitório e como ela conseguirá tempo e foco para escrever sua fanfic, já que seu novo "lar" é habitado por estranhos.
"Às vezes, escrever é como descer um morro, seus dedos tocam o teclado do mesmo modo que suas pernas pisam o chão quando não conseguem lutar contra a gravidade" (p. 413)
Agora eu acho que a maior parte dos meus amigos entendeu porque eu gostei tanto desse livro: A Cath sou eu!! Ou melhor, será eu quando eu entrar na faculdade. Ou talvez nem tanto... Existem vários aspectos sobre a Cath que eu adoro, mas não sei se compartilho. Metade de mim é a Cath e a outra metade quer ser, tipo muito. Porque o problema dela não é falta de incriveldade, é só insegurança mesmo. O fato é que toda escritora tímida e que tem ansiedade social (o que é tipo 90% das escritoras) vai se identificar com a Cath. E se já escreveu fanfic e tinha/tem fãs dedicados mais ainda!
"- Eu conheço Simon e Baz. Sei o que pensam, o que sentem. Quando estou escrevendo-os, me perco neles completamente, e fico feliz. Quando escrevo minhas próprias coisas é como nadar contra a correnteza. Ou... despencar de um penhasco, se agarrando nos galhos, tentando inventar os galhos enquanto se cai.
- Isso. - disse a professora, estendendo a mão para agarrar o ar, como se quisesse pegar uma mosca - É assim mesmo que você deve se sentir.
Cath balançou a cabeça. Tinha lágrimas nos olhos.
- Bom, eu odeio.
- Você odeia? Ou só está com medo?" (p. 257)
Em se tratar de livros da Rainbow Rowell é sempre importante lembrar que a melhor síntese do livro é a frase que a editora resolveu locar na capa dele. Esse diz "Uma terna e divertida história sobre amadurecimento, que é também a história de uma escritora encontrando sua voz." o que é uma frase da resenha que o Publishers Weekly fez.  livro ainda é extremamente inspirador no que diz respeito a escrever. A Cath escreve tanto e quase todo dia que me deixava indecisa se eu deveria continuar lendo ou deixar o livro de lado e ir escrever.
Todos os sentimentos dela, todas as coisas que ela pensa são velhos conhecidos de muitas adolescentes por aí. E eu não sei vocês, mas eu realmente amo ler livros onde eu consigo me identificar com a personagem principal. Todo desenvolvimento da história consiste em uma alteração do ponto de vista da Cath, do amadurecimento dela como pessoa e como escritora. E também, ela é tão obcecada pelos livros do Simon Snow que eu passei o livro todo meio que "eu te entendo, colega, eu te entendo". E, claro, tem a história de amor, tão linda, tão inesperada, tão incrível, tão... Rainbow Rowell.
"Saber que estavam novamente na mesma cidade fez a saudade arder dentro dela. No estômago. Porque as pessoas falam tanto do coração? Quase tudo de Levi acontecia no estômago de Cath." (p. 354)
Terminar esse livro foi o maior suplício de todos e eu ainda estou no primeiro estágio do luto (negação). É maravilhoso saber que algo tão simples e tão encantador pode ser escrito.
Antes de terminar, eu só queria contar a cena muito fofa que aconteceu aqui em casa agora: eu estava supertriste por ter que ir guardar Fangirl na minha estante (só os livros que eu já li ficam na minha estante, os que eu estou lendo/vou ler ficam na minha "mesa de trabalho") e disse "Não acredito que já acabou, tão lindo, tão maravilhoso" ao que minha irmã respondeu "Mas você pode ler ele quantas vezes você quiser, ele é seu" e isso foi tão lindo porque ela nem gosta de ler e entendeu a magia da coisa.

G.

P.S.: O livro que eu vou começar a ler agora é Horizonte, o último livro da minha saga preferida (The Soul Seekers) então se preparem para surtos ainda maiores.
P.S. 2: O próximo post já é do Diário de Bordo 4 (até porque minhas férias começam na terça).
P.S. 3: Lembram da surpresa que eu falei na página há alguns dias? Vocês já sabem que foi uma entrevista que eu dei para uma afiliada da Rede Globo aqui. A entrevista já saiu, mas foi no sábado do Enem e quase ninguém assistiu. Eu vou pegar a gravação essa semana e vou falar dela na segunda parte do Diário de Bordo 4.
P.S. 4: Essa semana também é a última para responder à pesquisa "Ensino Médio no Brasil: a hora da verdade"cujo resultado sai em post especial no sábado, dia 22.