26/05/2015

Ainda há tanto para se ver no mundo.

Considerando que eu estou em uma contagem regressiva para a maior aventura do meu recesso (pra não usar o termo greve) - minha viagem de 6 dias (contando ida e volta de ônibus) ao Rio de Janeiro para o acampamento da igreja, que no momento parece o maior evento da história dos eventos - nada mais justo do que falar sobre um sentimento que tem me perseguido há pelo menos 3 meses, já que faz 4 que eu não saio dessa cidade: a minha vontade de viajar, já que a língua portuguesa não tem um termo correspondente a wanderlust. Este é, tipo, o terceiro post onde eu falo sobre o assunto, mas esse desejo está tão presente agora que eu não estou fazendo nada que eu preciso falar outra vez.
Mas antes de eu começar a falar da minha necessidade de conhecer o mundo e da minha alma de cigana, eu quero deixar duas coisas claras: Primeiro, eu amo o Brasil. Sério. Eu amo a cultura, amo as pessoas, amo a comida (principalmente a comida) (eu trabalho com a verdade aqui). Todas as críticas que eu tenho a fazer a este país são feitas por amor e eu nunca deixaria ninguém de fora tecer suas próprias críticas porque é o meu país, e eu tenho orgulho de ter nascido aqui. (Eu me sinto da mesma forma sobre o nordeste e a Bahia, apesar de não amar com tanta vontade a cidade onde nasci - mas isso é outra história). E segundo, eu tenho vários amigos que não sonham com uma vida longe de casa. Nem pensam na possibilidade de viajar para fora do país. E eu respeito isso muito, muito mesmo. Esse post todo é sobre como eu me sinto e se você não concorda comigo, eu não acho que sua vida será menos plena por isso. (Apesar de o uso da imagem abaixo fazer parecer que eu acho que isso) (Eu só gostei dessa citação, gente).
"O mundo é um livro e aqueles que não viajam leem apenas uma página" Santo Agostinho
Tudo isso tendo sido dito, deixem eu resumir meus sentimentos: a superfície deste planeta tem cerca de 510.072.000 km² e eu só estarei por aqui uma vez, durante toda existência deste lugar maravilhoso, como eu posso não aproveitar essa chance única para conhecer cada centímetro? Existem 7 bilhões e 125 milhões de almas completamente diferentes uma da outra lá fora, cada uma podendo me ensinar uma coisa, marcar minha vida de uma forma diferente, como eu posso não tentar conhecer o máximo possível delas? Toda a cultura, toda a arte, toda a história, como eu posso ignorar tudo que está gritando pra ser descoberto? E eu sei que eu sou jovem e que ainda vou ter tempo de conhecer muita coisa, mas a questão é que a ideia de que estou no mesmo país, convivendo com as mesmas pessoas e lidando diariamente com a mesma cultura há DEZESSETE ANOS me deixa ansiosa de uma forma nada saudável.
Faz todo sentido quando você pensa que eu sou inquieta e não consigo me concentrar em nada por mais de 4 segundos. Eu tenho uma mente hiperativa e meu corpo está desesperado para acompanhar esse ritmo. E ao contrário de muita gente, eu não gosto de ir para outros lugares, eu gosto do caminho também. Eu não me importo de não ter nada pra fazer por 18 horas dentro de um ônibus, ficar 7 horas esperando a conexão de um voo ou viajar 2 dias de carro atravessando 3 estados (já fiz todas essas coisas). Eu até meio que amo isso. Esperar pra mim significa a desculpa perfeita para não fazer nada além de ler e/ou ouvir música ou apenas observar o ambiente à minha volta e ficar inspirada. Você nunca vai me ver reclamar de ter chances de fazer isso. (Sim, eu sei que ter dito que sou inquieta e depois que não ligo de ficar parada por 18 horas não fez o mínimo sentido, mas é assim que eu funciono, o que eu posso fazer?) (Além disso, essa nem é a única declaração antitética desse post. Apenas tentem me entender, okay?).
E falando em reclamar, eu sei que no fim das minhas férias eu estava desesperada para voltar pra casa, mas é justamente disso que eu estou falando aqui: eu não consigo ficar muito tempo no mesmo lugar e passar um mês no Rio fez com que eu me acostumasse e ficar sem fazer nada em um mesmo lugar é a pior coisa do mundo pra mim (prova disso é o fato de eu estar sem aula há exatas 3 semanas e estar mais estressada que muito empresário por aí). Não me entendam mal, eu gosto da ideia de ter um "lar", um lugar para onde voltar, um endereço. Eu nem gosto de mudar de casa o tempo todo e até gosto de ter uma rotina (e tenho sentido muita falta da minha, inclusive). Só que eu ainda não encontrei o lugar onde eu quero fazer minha morada definitiva, por assim dizer, e mesmo que uma parte enorme de mim acredite que este lugar possa ser New York (sim, sou clichê pra caramba e não estou nem aí), eu preciso sair para explorar. E até depois que encontrar esse lar, ele será apenas meu porto, de onde eu vou sair para explorar e voltar apenas quando quiser segurança e calmaria. (Porque muitas vezes isso é tudo que eu preciso).
Eu sei que já falei sobre ter herdado a alma de cigana da minha mãe, mas essa vontade de desbravar o mundo se tornou muito mais profunda este ano do que costumava ser. Eu tenho descoberto muito sobre mim mesma ultimamente. Sobre meus sonhos, meus desejos, sobre quem eu quero ser quando crescer. É bem estressante o fato de eu só ter 17 anos e não poder deixar tudo pra trás e ir pra Romênia com passagem só de ida, mas eu já cansei de ficar olhando posts no Tumblr e pensando "Queria que minha vida fosse assim", agora minha linha de pensamento é "O que eu posso fazer para minha vida ser assim?". Então eu tenho criado objetivos simples e básicos que vão me ajudar quando eu realmente puder viajar tanto quanto quero, como por exemplo: comprar guias de viagens de lugares que eu amo, voltar a praticar meu francês, guardar dinheiro em um cofre que só será aberto em 5 anos. É muito mais simples e bonito na teoria do que na prática, mas como eu também já eu disse anteriormente, o pensamento de que onde eu estou no momento (tanto figurativa, quanto literalmente) não é onde eu passarei o resto da minha vida, é o que tem me movido.
Os meus desejos para a vida continuam os mesmos que fizeram todo mundo revirar os olhos ano passado: morar um ano em cada capital européia, fazer missões em países do terceiro mundo, conhecer todas as cidades históricas do Brasil, passar férias em todas as ilhas da América Central, aprender a me comunicar em alguma linguagem nativa africana direto da fonte e escrever um livro em cada um desses lugares, entre outras coisas. Talvez eu não consiga fazer isso tudo, mas não é o objetivo que me motiva, é o processo de tentar. Quero que minha vida seja sobre aproveitar o caminho, não o destino final.
G.

21/05/2015

Esta sou eu, tentando compensar pelo sumiço com ações irrelevantes.

Eu sei, eu seeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei, eu sou a pior pessoa da face da terra. Esse post tá tão atrasado que chega a doer. Era para ele ter sido postado no dia 7, quando a greve foi realmente deflagrada, ou pelo menos semana passada já que meu objetivo é postar uma vez por semana e a última vez que eu postei foi duas semanas e três dias atrás. A questão é que eu tenho andado muito estressada ultimamente e sempre que eu resolvo escrever, eu bloqueio ou fico frustrada com cada palavra que digito (e eu sei que muita gente não precisa de inspiração para escrever sobre a própria vida, mas eu ainda preciso), então só pude realmente parar e escrever aqui direito esta semana - e aí comecei a procrastinar com muita vontade. Porém, já que eu levei tanto tempo para postar, resolvi atualizar o blog inteiro e vou falar mais sobre isso no fim do post (para que vocês continuem lendo, é claro).
Lembram que no último post eu tinha dito que estava esperando notícias da faculdade? A razão era essa, a greve. Este é um daqueles posts de update onde eu simplesmente quero deixar vocês informados sobre o que está rolando na minha interessantíssima (ha) vida, mas também é um post do "Procrastinando em classe" (coluna sobre estudar) já que ele fala sobre a faculdade. No dia 7 de maio, à tarde, foi votada e deflagrada greve dos professores na universidade onde eu estudo, por tempo indeterminado. A greve pode durar um semestre inteiro ou acabar esta semana mesmo o que significa que eu estou em um limbo sem saber quando terei aula ou quanto preciso adiantar meus trabalhos e avaliações. Eu já disse adeus às minhas férias de inverno e estou fazendo de tudo para aproveitar o tempo que tenho, mas é quase impossível considerando que eu não consigo parar de pensar que eu deveria estar estudando e em como toda minha matéria está atrasada já que a gente teve mais paralisação do que aula. E ainda tem gente agindo como se a culpa da greve fosse minha, sendo que nem a favor dela eu sou. (Sim, eu sou contra a greve. Explicar porque evocaria traumas antigos e eu respeito a opinião da maioria de ser a favor dela. Além disso, eu raramente estou envolvida em algum movimento da universidade então seria muita cara de pau falar algo de ruim sobre a greve aqui.). A situação inteira é extremamente estressante pra mim. E eu estou sem aulas desde o dia 5, já que antes da greve ser votada e começar de vez houveram algumas paralisações dos agentes administrativos. Eu realmente acho que nenhum dos meus amigos me aguenta mais falando que eu queria estudar, mas vocês provavelmente continuarão ouvindo isso até essa maldita greve acabar.
Eu realmente queria que esse post tivesse uma imagem e essa estava largada aqui, então YEY.
A questão é: eu me sinto meio perdida sem a faculdade. Eu nunca pensei que fosse me tornar o tipo de universitária que adora tudo sobre a universidade, mas eu acabei me tornando sem nem perceber. Quer dizer, eu ainda acho que não estou pronta para tudo que envolve cursar Humanas, mas até de não me sentir pronta eu estou sentindo falta. Eu sinto falta dos textos gigantescos, de tentar virar a noite fazendo trabalhos, dos meus colegas de turma, até de pegar ônibus seis e meia da manhã! Era uma rotina bem cansativa, mas era minha rotina, eu já estava acostumada a ela e gostava disso. Eu sei que passei muito tempo querendo que o semestre acabasse, mas não porque eu queria férias, porque eu queria que o semestre acabasse. E eu sei que eu to soando tão dramática quanto se eu tivesse me formado, e não como se ainda tivesse mais de 3 anos e meio de faculdade pela frente, mas pelo menos se eu tivesse me formado eu teria algo para fazer! E eu realmente estava me apaixonando por ser universiotária, quer dizer, universitária: Algumas semanas atrás eu precisei terminar um boletim de notícias para a aula de Redação Jornalistica o que foi completamente estressante, mas de uma forma boa. Como fim de NaNoWriMo, quando o níveis de estresse estão altíssimos, mas ainda assim a sensação é ótima, porque eu estou fazendo algo que eu amo. E quando você termina tudo, o orgulho de si mesmo é tão grande. É exatamente isso que diferencia a faculdade do ensino médio, eu acho, mesmo que nem tudo sejam flores, no fim eu estou estudando algo que amo e que escolhi.
De qualquer forma, eu sozinha não posso fazer nada a respeito disso e tenho que tenta usar o tempo que tenho de forma útil. Eu tenho saído de casa mais do que tudo, tentado colocar minhas séries em dia e ler bastante (esses dois últimos são mais complicados já que quando eu estou estressada eu não consigo parar quieta). Tenho uma lista mental de coisas que quero fazer nesse tempo, mas não quero me cobrar muito porque prometi que não faria mais isso. Queria adiantar a revisão de MUV, mas anteontem descobri que minha assinatura de teste do Office expirou de uma vez por todas, e como semana passada foi aniversário da minha irmã eu não tenho mais um centavo para comprar renovar nada. (Além disso, 280 reais pelo pacote do Office 365? É justamente por isso que a galera recorre a métodos ilegais, Microsoft). A essa altura eu já estou de volta ao "modo férias": dormindo depois das 2 da manhã, me agarrando a qualquer oportunidade de sair, não tendo noção de que dia da semana é. A vida anda tão parada que o que tem me deixado mais animada é que eu vou voltar ao Rio de Janeiro no feriadão de Corpus Christi (4 a 7 de junho) para um acampamento da igreja de lá. Já que dinheiro no momento é problema, eu e minha irmã vamos de ônibus, mas isso pra mim parece que será a maior aventura da história. Eu to tão animada para passar 20 horas em um ônibus atravessando 3 estados que chega a ser patético. Estou deprimida pelo fato de que ainda faltam 13 dias até a viagem. Ridículo. Mas chega de autodepreciação nesse blog, vamos às pequenas atualizações que eu fiz:
Um novo widget de redes sociais que agora inclui We Heart It e Tumblr: E apesar de meu We Heart It ter poucas fotos e meu Tumblr não estar arrumado (precisa-se desesperadamente do um novo theme), vocês deveriam seguir os dois. Meu Tumblr é interessante de vez em quando e a Mandy Lee hearteou uma foto do meu WHI, então CLARAMENTE, vocês estão perdendo. E eu sei que o outro costumava ter meu canal do YouTube, mas não é como se vocês fossem querer se inscrever lá.
O blog finalmente está conectado ao Google+: Eu sinto que fui a única pessoa com blog do Blogger a atualizar isso, mas é que eu estava insegura sobre as mudanças. O que me fez decidir fazer isso de vez foi o fato de que meu perfil no G+ tem mais de 100 mil visualizações. Como? Também não faço a mínima ideia. Na prática, a única diferença para vocês é que agora dá para acompanhar as atualizações via Google+, clicando no "Seguir" no meu perfil no sidebar.
Novos marcadores: Eu adicionei e atualizei alguns marcadores/tags do blog. Podem conferir aqui do lado.
"A máquina quebrada": Atualizei a página de apresentação com explicações sobre cada marcador, para ninguém ficar perdido enquanto lê. Na verdade, eu fiz isso há algumas semanas, mas agora tá tudo revisado e arrumadinho.
"As Crônicas de Kat": Atualizei a página da webnovella com links para download que funcionam e informações atualizadas sobre o Exército. Desculpem ter levado tanto tempo para fazer isso.
"Sociedade Inglesa de Oposição": Nova sinopse para Mais Uma Vez, link para excerto de Não Quebre Meu Coração & link para minha página de escritora no Skoob, que eu criei há meses, mas não contei a ninguém porque fiquei com vergonha contar que eu tinha criado uma página de escritora no Skoob, mesmo sem ter publicado livro ainda. Apenas me sigam, por favor? Obrigada.
"Parcerias": Banners atualizados dos parceiros e links que funcionam. De novo, desculpem ter levado tanto tempo para fazer isso.
"Downloads": Essa eu não atualizei, mas me sinto na obrigação de explicar porque ela existe: Eu tenho essa ideia de revisar todos os contos postados no blog e os disponibilizar para download em PDF. A questão é que eu sou enrolada, então eu não revisei quase nada a essa altura do campeonato, por isso a página ainda está vazia.
"Extras": Atualizei a playlist com as músicas que eu mais tenho ouvido de verdade (E estou super orgulhosa dela, apesar de não ter achado nenhum vídeo legal de uma das músicas que queria colocar lá) e também as "palavras da semana" com apenas palavras em português e que nem são tão bonitas, porque as vezes eu tenho momentos assim. Postarei a imagem das últimas palavras da semana mais tarde na página.
E eu acho que é só isso. Só queria dizer duas coisas sobre o dia de hoje: primeiro, não sei se vocês sabem (se você veio ver esse post através ao Instagram, sabe), mas hoje é dia do meu nome. Alguns países europeus celebram nomes em dias específicos, por diversos motivos: nesse caso, hoje é dia de Santa Giulia, a Virgem, martirizada por se recusar a participar de um ritual pagão, então foi o dia em que a Itália escolheu para celebrar o nome Giulia. E eu estou comemorando este dia e educando todo mundo a respeito PORQUE EU NÃO VIVI 17 ANOS DA MINHA VIDA VENDO AS PESSOAS ESCREVEREM MEU NOME ERRADO PARA NÃO CELEBRAR UM DIA INTEIRO DEDICADO A ELE!! Desculpa, me exaltei. Segundo, hoje faz 2 anos que "you shouldn't be here tonight", o conto que introduziu Kat à minha vida e a vida de vocês, foi postado no blog. Não que isso seja superimportante, mas eu estou comemorando também.
Prometo dar o meu melhor para não demorar tanto para postar outra vez,
Giulia.

P.S.: Assinei Giulia só porque hoje é hoje, no próximo post voltarei ao G, prometo.

04/05/2015

Sim, crescer é uma droga, maaaaaaas

Podemos fazer isso de postar segundas de manhã uma tradição? Eu não faço a mínima ideia de porque estou me sentindo inspirada de manhã cedo, mas sinto que posso fazer isso funcionar. Eu sei que só faz 2 meses que completei 17 anos, mas o post de hoje é justamente sobre como é ter 17 anos. É tradição do blog que eu fale depois de alguns meses e 2015 tem sido um ano em que cada semana parece ter o significado de um ano inteiro, então, mesmo tendo adiado esse post um pouco, resolvi falar disso logo.

Aviso: O post abaixo pode conter muita amargura direcionada a todos os adultos existentes no universo. Com "adultos" eu me refiro a qualquer um acima dos 21 anos que lida com "problemas reais" e acha que os "problemas de adolescente" são estupidez. Também contém muitas aspas porque eu pretendo fazer toda a minha ironia ser compreendida. Vocês foram avisados.

Todo mundo sabe que estereotipicamente falando adolescentes de 17 anos passam praticamente o ano inteiro querendo ter 18 anos (eu digo estereotipicamente falando, porque na realidade, nem todas as minhas amigas querem ser legalmente adultas logo). Você já se sente "adulto" e quer ser tratado como "adulto" e não pode ser tratado como "adulto". É frustrante! E piora muito se você já está na faculdade. Eu odeio o fato de ter que carregar adultos para cima e pra baixo só para assinar papéis, quando no fim eu terei que ficar com todo o trabalho de organizar documentos, ler contratos, toda a parte chata. Odeio também não poder nem trabalhar sem a maior burocracia do universo, só porque eu ainda sou "jovem". Mas pra mim a pior parte mesmo é ouvir o tempo todo dos adultos próximos a mim coisas como "só quando você tiver 18 anos você poderá decidir o que fazer da sua vida", como se magicamente, às 20h do dia 18 de fevereiro de 2016, eu fosse ficar mais sábia, mais madura, como se todos mistérios do universo fossem ser esclarecidos para mim. Quer dizer, para de fingir que você confiará em mim quando eu fizer 18 anos. Nós dois sabemos que você não vai. E foi justamente por isso - porque todo mundo decidiu me tratar como criança até os 18 - que eu decidi que os 17 anos seriam a idade das últimas chances. O último ano em que eu agiria como uma criança e não me sentiria mal por isso. É a hora de ser irresponsável e só me importar com as consequências disso no ano que vem!
Só que essa coisa toda de "o ano das últimas chances" é muito mais complicado na prática porque, na verdade, eu tenho muitas obrigações que me impedem de ser tão sem responsabilidades quanto eu quero. Nem sempre, porém, isso me impede de ser tão criança quanto eu gostaria. Faz algum sentido? Eu quero dizer que eu não posso evitar o fato de que vou ter que ir ao banco hoje pela 5ª vez em menos de um mês, mas eu posso ficar ouvindo Against The Current na maior altura enquanto espero e cantando junto pra irritar todos os presentes na fila. (Vou deixar vocês se recuperarem do choque por eu não ter dito MisterWives). Eu já me peguei pensando "eu estou velha demais para esta merda" tantas vezes. Mas logo em seguida eu penso: Não, eu não estou. Eu só tenho 17 anos. Eu tenho o direito de passar o dia inteiro vendo séries e fangirlando por causa de bandas e escrevendo no meu diário. Porque daqui a alguns anos - bem mais rápido do que eu desejo - eu estarei cheia de responsabilidades de verdade e sentindo falta de uma época incrível onde simplesmente ouvir uma música me fazia bem para caramba. (Na verdade, minha habilidade de me distrair de coisas ruins com facilidade e ter meu dia salvo por coisas simples - menção de ídolo, a música certa começar, um comentário positivo de alguém - é uma característica que eu nunca quero perder). E eu quero aproveitar isso enquanto ainda posso. Porque deixa eu dizer para vocês: eu perdi minha mãe ano passado e ganhei responsabilidades que quase ninguém da minha idade tem, e eu posso dizer que eu quase sinto falta de quando brigar com uma amiga parecia o fim do mundo. Porque agora eu brigo com uma amiga e são grandes as chances de eu até esquecer que briguei porque todas essas outras merdas estão nas minhas costas. (Sim, eu sei que sou uma péssima amiga).
O fato de eu ter chegado a conclusão de que preciso aproveitar minha idade enquanto ainda há tempo só agora me deixa frustrada. A gente passa a adolescência inteira se sentindo como se todas as decisões que você toma naquele momento fossem definir o resto da sua vida. "Para sempre" é uma sensação tão constante. Você acha que vai se sentir como se sente para sempre. Que suas loucuras, seu humor aquilo tudo será assim sempre. Adolescente é um ser extremamente imediatista e eu não culpo a gente. A sociedade - eu odeio usar esse termo, mas fazer o quê? - deseja que a gente escolha uma profissão aos 17 anos, e para pessoas que ainda estão se descobrindo isso é assustador para caramba. Mas chega um momento em que você percebe que sua adolescência não vai definir o resto da sua vida. Que todos esses anos loucos em que - venhamos e convenhamos - a gente erra mais que acerta, não fazem de você uma pessoa ruim. Porque os primeiros 20 anos de vida são 1/4 da expectativa de vida de um ser humano saudável. Um quarto! Vocês tem noção? Você ainda terá outros 3/4 de vida para fazer outras merdas e se reinventar quantas vezes quiser.
Esse pensamento é o que tem me mantido. Se eu continuar pensando que o lugar onde eu estou no momento durará para sempre, eu vou perder toda a vontade de continuar. Eu já me mudei tantas vezes, já me refiz de tantas formas diferentes. A forma como eu estou me sentindo, o lugar onde eu moro, as obrigações que tenho, as pessoas com as quais eu preciso conviver,  nada disso vai durar para sempre. Na verdade, é tudo um caminho, uma rota, uma construção que leva até a vida que eu vou construir um dia. E até mesmo essa vida construída, eu vou poder mudar e reconstruir quantas vezes eu quiser, às vezes com mais dificuldade, às vezes com menos. Então chega de me sentir mal pelos dias em que eu não sinto vontade de fazer nada e pelas noites em que eu prefiro só ouvir música. No quadro maior, elas não significam muita coisa. A única coisa que posso cobrar de mim mesma é que eu faça o melhor com o que tem me sido dado.
G.

P.S.: Esqueci completamente de dizer no último post que eu agora faço parte da equipe do MisterWives Brasil. O site é pequeno, no momento está em manutenção e eu ainda não fiz muita coisa porque meu tempo basicamente é inexistente (porque dias de 30 horas ainda não foram inventados?), maaas vocês podem encontrar informações sobre minha banda preferida curtindo a página do Facebook. E vocês deveriam curtir mesmo.
P.S. 2: Estou esperando notícias da faculdade essa semana e isso pode significar tanto que eu aparecerei aqui novamente no fim da semana, quanto que eu sumirei completamente até da página do Facebook até o dia 12. Vocês saberão o que eu quero dizer no futuro.