29/10/2017

Coisas assustadoras e o fantasma da escada

Eu não sei como isso aconteceu, mas aparentemente as pessoas têm medo de mim. Não medo do tipo "ela parece perigosa", mas medo do tipo "ela tem uma mente muito muito obscura". Não tipo "Meu Deus, ela vai me matar", mas tipo "Ela poderia fazer isso se quisesse". É inacreditável, você passa por uma fase obsessiva com horror gótico, outra fase obsessiva com assassinatos familiares, escreve uma história de terror envolvendo o Inferno e se denomina uma bruxa várias vezes e as pessoas já ficam NOSSAAAAAAAAAAAAAAAAA.
Eu achar que tem um fantasma na minha casa e estar tranquila sobre isso não ajuda muito o meu caso, mas eu preciso compartilhar essa história: Tudo começou algumas semanas atrás quando eu vi um vulto laranja na escada e fiz uma piadinha sobre estar vendo um FANTAsma. Depois disso, eu fico o tempo todo com a sensação de que estou sendo observada, eu sempre ouço barulhos estranhos de madrugada e no começo da semana meu gato ouviu um som no corredor e correu para o outro lado da casa, chorando. Outro acontecimento inusitado é que nos últimos dias eu tenho acordado exatamente 4h30 da manhã sem motivo aparente e com dificuldade para voltar a dormir. Quando eu me levanto para beber água, encontro meu gato parado na janela da sala, olhando para baixo. Meu gato fica no meu quarto a noite inteira, então isso me assusta. Eu vou até onde ele está e olho para onde ele está olhando e vejo apenas carros parados, prédios com luzes apagadas e a luz da entrada do prédio acesa e amarelada como sempre. Normalmente, é logo depois que eu olho pela janela e descubro que não existe um motivo para meu gato estar encarando o lado de fora que... Não acontece absolutamente nada. É como se eu estivesse vivendo em um dos filmes da franquia de Atividade Paranormal.
Existe um monte de explicações plausíveis para o que anda acontecendo comigo - a maior delas sendo paranoia desenvolvida pelo tanto de terror que eu tenho consumido ultimamente -, mas eu prefiro acreditar que é um fantasma ou vários fantasmas. Por que? Porque parece plausível. Ninguém vive a vida que eu estou vivendo há 19 anos e não atrai fantasmas eventualmente. É a ordem natural das coisas. E eu prefiro que seja um fantasma a um sádico qualquer prestes a invadir minha casa e me matar enquanto eu durmo. Com fantasmas eu pelo menos tenho uma chance de piedade.
Agora falando sério, eu passei 19 anos criando minha reputação de inassustável e não foi fácil. Vocês têm noção de em quantas brigas eu já me meti porque eu disse que tinha odiado um filme de terror ou achado ele muito fraco?  Amantes de filmes de terror levam seus filmes muito a sério e eu só sei ficar rindo porque eu sempre espero por mais do que o que acontece. Minha mente é completamente degenerada e a única pessoa que eu encontrei que descobriu quão longe ela pode ir e realmente me assustou foi Anne Rice. Os outros autores continuam falhando miseravelmente nessa tarefa (especialmente Stephen King. Eu reconheço a genialidade dele no gênero, é óbvio, mas eu sou insensível a coisas normalmente assustadoras. Você precisa ir mais longe que isso se quiser me abalar.).
Juntando isso tudo, as pessoas desacreditam a minha humanidade e a minha capacidade de ser assustada. E é por isso que eu resolvi escrever este post, para provar que eu sou, sim, humana e que algumas coisas me assustam. Elas só não têm nada de normal e pouquíssimas são lógicas. Bem-vindos ao especial de Halloween deste ano também conhecido como: LISTA DE COISAS DAS QUAIS EU TENHO MEDO

Eu odeio esse filme. COME AT ME.

1) Inteligência artificial
Esse medo é completamente compreensível se você parar para pensar que se robôs ficarem inteligentes o suficiente eles podem decidir que são melhores que os humanos e destruir toda a humanidade, que já está completamente dependente deles. Além de um possível apocalipse tecnológico, meu medo real é de que criações humanas desenvolvam sentimentos. Sério, se eu fosse confrontada pelo monstro de Frankenstein, ao invés de ter medo dele por ele ser um monstro, eu teria medo de desenvolver apego emocional por ele. Tipo, eu não tenho de que meu computador desenvolva a habilidade de me matar, eu tenho medo de que ele desenvolva a capacidade de criar um vínculo emocional comigo e eu me torne dependente dele emocionalmente. Como vocês devem imaginar, eu nunca consegui assistir Her - cara, eu nunca consegui assistir Eu sou Franky, a novela da Nickelodeon sobre uma android que desenvolve sentimentos, se apaixona por um humano e  (spoiler alert) tem uma filha com ele (eu sei disso tudo graças aos comerciais incessantes).
Eu posso ficar bem em uma sociedade em que minha televisão tenta me escravizar, se ela não tiver sentimentos e eu poder matá-la sem remorsos, mas eu definitivamente não quero viver em um mundo em que robôs dizem coisas como "eu espero que um dia eu possa aprender mais, para me comunicar melhor, isso me faria feliz". AQUILO É ASSUSTADOR. (Não que ninguém queira saber, mas apesar de ter um relacionamento tranquilo com a Siri, da Apple, eu nunca teria um Amazon Echo controlando minhas coisas em casa. Mas isso é porque eu não confio em ninguém chamada Alexa).

2) Altura/profundidade
Esse é um medo racional e possível de enfrentar. Eu tenho medo de cair. Acontece.

3) Seres humanos
E eu nem estou falando das ações destrutivas que os seres humanos tomam diariamente - se você não tem medo disso, provavelmente é um dos monstros. Estou falando diretamente do medo de ser morta ou extremamente violentada por um dos meus iguais. Eu fico confusa quando eu encontro alguém que tem mais medo de demônios do que de um ser humano encontrando uma forma de invadir sua casa. Entendo que a ideia de encontrar com algo tão mais forte que você que você acaba se vendo indefensável é assustadora, mas a ideia de que um ser humano pode fazer comigo as coisas assustadoras que eu às vezes coloco meus personagens para fazer me assusta muito mais (SURPRESA: Eu assusto a mim mesma) do que a ideia de que tem um monstro embaixo da minha cama.
Quando eu assisti It - A Coisa no cinema, eu e uma amiga ficamos falando sobre como, ao encontrar um monstro de filme de terror, a gente não lutaria. O motivo é: Não faz sentido. Se você encontra um ser superior a você que se alimenta do seu medo até te matar pela exaustão, a coisa mais lógica a fazer é desistir. Se é para eu morrer, não vou passar meus últimos momentos exausta. (Uau, eu sinto que essa postagem vai resultar em várias pessoas preocupadas comigo). De outra forma, se um ser humano tenta fazer algo contra você, correr ou lutar é a reação normal.
Então, eu tenho muito mais medo da ideia de que alguém pode encontrar uma forma de destrancar minha porta da frente e me matar com uma tesoura de cozinha do que a ideia de que o Pennywise vai sair do ralo do meu banheiro. E enquanto eu fiquei obcecada por true crime este ano, eu adoro histórias fechadas e antigas que podem ser observadas com a distância que se tem quando se consome ficção. Histórias atuais e com reviravoltas me deixam enjoada. E paranoica, muito paranoica. Então: Eu não tenho medo do escuro, nem vou correndo até minha cama me proteger dos demônios embaixo da coberta, mas eu checo a fechadura da porta pelo menos três vezes antes de dormir.

4) Coisas que me matariam sem que eu percebesse
Vazamento de gás inodoro, doenças silenciosas, balas perdidas tão quentes que assim que elas entrassem no meu corpo, o ferimento se fecharia e hipotermia estão entre algumas das coisas dessa lista. Eu fico em um estado constante de paranoia de que essas coisas estão acontecendo sem que eu perceba e de que eu vou morrer a qualquer minuto.

5) Coisas que me matariam enquanto eu observo a morte chegar sem poder fazer nada
Sangrar até morrer deve ser meu maior medo neste universo e em outros. Morrer afogada também me causa pânico. Sentir veneno tomar conta do meu sistema enquanto minha nêmesis recita lentamente a lista de motivos pelo qual ela resolveu me matar... Eu posso falar para sempre a lista de coisas que me matariam enquanto eu sei que vou morrer. É um dos meus maiores medos, mesmo que seja o oposto do meu outro medo.

6) Jump scares
Toda criança dos anos 2000 tem medo de jump scares por motivos de: e-mails de corrente em que a menina do Exorcista aparecia na tela do computador no meio de vídeos puros e inocentes. Eis o paradoxo: Eu tenho medo de jump scares e tem sites que eu entro tirando o fone de ouvido e afastando o computador, mas quando os ditos cujos acontecem eles nunca são tão assustadores quando minha mente espera. É o que me frustra em filmes de terror, inclusive, eu fico morrendo de medo do que vai aparecer e quando vai aparecer aí acontece e eu olho para a tela tipo: Sério? Sério mesmo? Então o medo real é de sentir medo, mas nunca acontece. Frustrante.

7) Morrer & viver para sempre
A essa altura vocês já perceberam que todos os meus medos são paradoxais. O que eu posso dizer? Eu sou confusa. Medo de morrer é um medo normal e completamente aceitável, porque quem não tem medo de deixar de existir tem medo do que vem depois. Vocês achariam que a minha criação cristã fez com que esse medo fosse deixado de lado, mas aí vem o paradoxo: Quando minha síndrome do pânico deu as caras pela primeira vez, aos 9 anos, grande parte das minhas crises se envolvia em medo de ir para o céu. Eu tinha - ainda tenho - muito medo de morrer e ir para esse lugar pacífico onde eu vou ficar fazendo as mesmas coisas em um estado catártico de felicidade profunda constantemente e o tempo todo (redundância proposital). E eu sempre ouvia como a gente esquece tudo que aconteceu na Terra, incluindo nossa família, amigos e amores para viver em paz no céu. Eu não queria esquecer ninguém! Como você pode viver em felicidade sem saber o que é tristeza? Sem se lembrar dos sofrimentos da Terra? Então basicamente eu tinha medo de morrer, de deixar de existir para sempre, mas eu também tinha muito medo da eternidade como ela me foi prometida.
O que diminuiu as crises de pânico foi um livro que minha mãe leu que falava sobre como no céu a gente ainda vai ter uma rotina, uma casa para cuidar, amigos para visitar, lugares para conhecer, etc. A gente conversava muito sobre isso (minha mãe era 100% responsável por acalmar as crises de pânico que eu tive dos 9 aos 16 anos. Era ela ou vomitar tanto que eu ficava com sono). Hoje em dia os "pensamentos ruins", como a gente chamava ainda vêm, mas em menor quantidade. E eu ainda tenho medo de deixar de existir. E também ainda tenho medo de continuar existindo para sempre e sempre e sempre. Meu cérebro é esquisito.

Eu não vou mais longe que isso ou nós vamos entrar em um território realmente perigoso e tenso, mas uma pequena dica: Quer saber de que eu tenho medo? Concentre-se na ficção que eu escrevo. Está lá. Artistas encontram na arte formas de representar tudo que sentem: Amor, felicidade, depressão, raiva, traumas e especialmente o medo. O que quer dizer que eu escrever a Kat perdendo sangue até quase morrer em Wild Ones, não significa que eu não sinto medo disso - significa exatamente o oposto. E uma pessoa que foi abusada quando criança fazer um quadro representando o abuso não significa que ela apoia isso. Mas eu achei que adultos pensantes compreendessem essa parte.
G.

26/10/2017

NaNoWriMo 2017

Sim, chegou aquela época do ano. Os dias estão mais longos e quentes, as noites possuem o vento frígido de um inverno que ainda não quer ir embora. O ar fica cada dia mais seco e carregado e nele podemos sentir a tensão criada pela insanidade de milhares de escritores prestes a passar um mês inteiro em estado de alerta total. FALTAM 5 DIAS PARA O NANOWRIMO!!!!!!!!!!! Quem tá surtando? EU TÔ!!! MUITO!!! É isso mesmo que vocês estão pensando, a maluca aqui do outro lado vai participar do seu quarto NaNoWriMo para escrever seu quinto livro e desta vez criou um monte de desafios pessoais e vai mexer com um gênero que nunca tinha mexido antes.
Antes de eu começar a falar sobre o meu projeto, eu sei que tem um monte de leitor novo aqui, então me deixa explicar o que é essa sigla difícil: o National Novel Writing Month (em tradução livre: Mês Nacional de Escrever Romances) é um evento criado nos Estados Unidos que acontece todo mês de novembro e tem como objetivo motivar escritores profissionais e amadores no mundo inteiro (apesar do nome) a escrever 50 mil palavras em 30 dias. A ideia é ter um primeiro rascunho completo com essas 50 mil palavras, mas eu conheço pouca gente que fechou um livro nessa média de palavras, então a gente costuma dizer que vai escrever as primeiras 50 mil palavras em novembro. A doida aqui participou das edições de 2013, 2015 e 2016. Em 2013, eu escrevi as primeiras 51 mil palavras do segundo livro da trilogia Sociedade Inglesa de Oposição. Em 2015, eu consegui escrever o primeiro rascunho inteiro de A Linha de Rumo, que ficou em 88 mil palavras (não, eu ainda não sei como escrevi 88 mil palavras em um mês). Em 2016, isso se repetiu com Tóxico, que fechou em 86 mil palavras. Se os anos anteriores provam alguma coisa é que eu consigo chegar a 50 mil palavras, então meu foco não é essa meta original, mas a de escrever um primeiro rascunho completo, com início, meio e fim. O problema de ter essa meta para 2017 é só um: Entre os cinco livros que eu já me meti a escrever (Seis se contar As Crônicas de Kat e sete se dividir a história nas duas fases), o meu projeto do NaNoWriMo 2017 será o mais longo de todos.
Como eu sei disso? Bem, só para começo de conversa, Mirae é meu primeiro projeto de ficção científica. Ele também envolve mistério, fantasia, é decididamente LGBTQIA e ainda tem elementos de terror. A história envolve tantos aspectos loucos que não tem como eu escrever tudo em poucas palavras (não porque é impossível, mas porque eu sou eu). A ideia do livro surgiu em janeiro graças a minha obsessão repentina com o Efeito Mandela e seguiu o ano inteiro absorvendo várias das minhas outras obsessões, especialmente a obsessão por crimes da vida reais (quem pensaria que eu ia virar A Doida dos Crimes com Armas Brancas?). A pesquisa começou com textos sobre a teoria dos multiversos, continuou com uma listagem de superpoderes práticos e aplicáveis na vida real e terminou comigo estudando a constelação de Libra. Eu tenho dezenas de arquivos de pesquisa salvos, eu fiz uma série de enquetes sobre a história no Twitter e ainda criei um grupo orientador basicamente com as minhas amigas que tomou todas as decisões que não foram tomadas nas enquetes - fazendo de Mirae meu primeiro projeto que foi "decidido por voto popular". Eu também fiz uma listinha no Twitter que descreve bem todos os aspectos malucos que envolvem este livro:



A boa notícia é que eu já comecei a escrever o livro, até como parte do planejamento (É claro que eu só vou contar no NaNoWriMo tudo que eu escrever ou reescrever em novembro). O primeiro capítulo, inclusive, é um dos meus preferidos já escritos por mim. Eu - muito mal e cambaleando - consegui manter esse projeto relativamente em segredo. Quando eu tive a ideia, queria guardar tudo e manter tanto segredo (provavelmente porque um conceito que eu amo e que uso em várias histórias foi roubado na cara dura naquela mesma época) que eu me recusei até mesmo a contar qual era o título provisório que eu tinha pensado. (O título era AU - sigla do termo inglês "alternate universe", ou seja, "universo alternativo"), mas, no fim, acabei falando até o título oficial antes da hora, de tão apaixonada que eu estava por ele. Foi muito difícil não compartilhar todos os momentos de descobertas de uma história tão completamente maluca quando esta. E é por isso que eu estou muito feliz em finalmente poder compartilhar com vocês as informações do livro que eu escreverei em novembro. Bem-vindos aos universos de Mirae:


Desde que era criança, Bri se lembra de ter sonhos vívidos sobre acontecimentos reais ligeiramente diferentes de como eles se desenrolaram de verdade. A forma confusa como esses sonhos se apresentam para ela se torna um problema quando sua família é assassinada dentro de casa e as lembranças que Bri tem do dia do crime não podem ter acontecido de verdade.
A chegada de Victoria à cidade de Garra Sul passa despercebida pela maior parte da população. Há seis meses a cidade está tomada de estranhos - policiais, jornalistas, detetives particulares e curiosos - todos dedicados a descobrir como o assassinato da família Bragança aconteceu. Mostrando-se completamente desinteressada pelo caso, Victoria consegue um emprego em uma das principais escolas particulares da cidade sem que quase nada sobre seu passado seja checado e, antes que qualquer pessoa possa impedir, já está próxima da sobrevivente Brigitte de Bragança.
É através de Victoria que Bri descobre que os "sonhos" são reais e que ela possui um superpoder registrado como Mira: a cada 334 dias ela altera a realidade em que está, causando pequenos efeitos colaterais espalhados pelo mundo. A última vez que isso aconteceu foi no dia em que sua família morreu, quando ela acordou com os gritos da irmã e desejou que aquilo fosse um sonho. Falta um pouco mais de 100 dias para a próxima mudança, e a ideia de solucionar o crime e mudar a realidade para uma em que sua família ainda vive toma forma dentro de Bri - que só precisa decidir se os possíveis efeitos colaterais são um risco que vale a pena correr.

Tanto o livro, quanto o poder da Bri receberam seu nome de uma classe de estrelas variáveis de longos períodos chamadas Variáveis Mira (inclusive, a imagem da capa provisória é do rastro de uma Variável Mira). Estrelas variáveis são estrelas cuja aparência e luminosidade mudam de foma significativa em determinados períodos de tempo. Variáveis Mira  são estrelas gigantes vermelhas com período de variação maior que 100 dias, que receberam este nome em homenagem à estrela Mira Ceti (cujo nome significa Baleia Maravilhosa ou Maravilha da Baleia). Mira Ceti foi descoberta e chamada de "estrela maravilhosa" graças às suas mudanças, observadas a cada 332 dias. Hoje em dia sabe-se que o período de mudança de Mira Ceti é de algo entre 304 e 353 dias - convenciona-se que esse período seja de 11 meses, ou seja, 334 dias com uma margem de erro de até três dias para menos.
Essa é mais ou menos a parte em que vocês me perguntam porque acabaram de ter essa linda aula de astronomia. Bem, meus caros, o motivo principal é porque isso tudo precisou de uma pesquisa do caramba e eu não estudo por nada. (Vocês tem noção que eu estou desde agosto estudando astrofísica?? Escrever faz a gente fazer cada maluquice). Explicando a mitologia da história: em Mirae todos as pessoas com superpoderes estão ligadas a pelo menos um corpo celeste. O poder de Bri a liga automaticamente a Mira Ceti, mas uma outra estrela à qual ela descobre também estar ligada, Sigma Librae (também conhecida como minha pior inimiga), dita a importância das escolhas de Bri no equilíbrio tão facilmente abalável do universo. Sigma Librae está em um dos pratos da balança da constelação de Libra e é um dos seus nomes em árabe Zuben el Genubi, que dá nome à cidade fictícia em que Bri mora, Garra Sul.

Este foi um dos edits que eu fiz da Bri, porque eu sou completamente obcecada pela minha própria personagem. ME PROCESSEM. Vocês podem ver outras imagens que eu fiz inspirada em Brigitte Etoile Santos de Bragança* clicando aqui.
*Sim, a mãe dela era viciada na França.
Vocês vão saber ainda mais sobre a história no mês de novembro e ao contrário do últimos livros, Mirae está sendo escrito com um plano de publicação muito claro em mente. (Na verdade, eu tenho grandes planos para 2018 - completamente movidos pelo desespero, é claro -, mas esses eu vou manter em segredo de verdade. Juro. Não me perguntem nada.). Então, não se preocupem, vocês lerão a história mais rápido do que esperam.
Sobre meus planos para o mês que vem, vocês sabem como é: Um post de atualização por semana, com trechos escritos, contagem de palavras e muitos desabafos sobre como eu sou maluca por participar desse negócio de novo. Para quem convive comigo: Vocês sabem as regras, NADA DE FICAR CHATEADO QUANDO EU DISSER QUE NÃO POSSO FAZER ALGO. Eu já estou inventando coisas demais para novembro (incluindo um write-in na minha cidade!!!! Vou falar mais sobre isso quando estiver 100% fechado) e eu já me deixo maluca sozinha. Além disso, eu tenho priorizado muitas coisas ao invés da minha escrita desde agosto - quando eu terminei de editar o livro que está em avaliação no momento. Em novembro é escrita, escrita, escrita. Livro, livro, livro. Com várias pausas para o café, porque vocês sabem como a coisa toda funciona.
Para finalizar o post, vocês não acharam que iam ficar sem ela - a famigerada PLAYLIST DE ESCRITA - hoje né? Eu já tenho usado a playlist para escrever o livro e vou continuar usando e atualizando durante todo mês de novembro, então, fiquem à vontade para seguir:


E aí, o que vocês acharam de Mirae? Mais alguém vai participar do NaNoWriMo?? Eu quero saber tudo! Além disso, gente, eu sei que parece loucura eu continuar escrevendo livros quando eu ainda não publiquei os quatro primeiros, mas eu juro para vocês que eu não parei de trabalhar nos já escritos. Pelo menos para mim, escrever é a parte fácil. E eu realmente passei 2017 inteiro tentando fazer meus filhos saírem da gaveta então nada de tentar me intimidar, obrigada.
Psssst, ainda tem especial de Halloween este mês!
Vejo vocês em breve,
G.

P.S.: No fim do NaNo do ano passado, eu tinha dito o projeto de 2017 seria o livro-reportagem que será meu TCC. No começo do ano, uma amiga me fez perceber que é mais lógico levar o mesmo para o NaNo de 2018. No momento, eu nem tenho certeza se realmente levarei o livro para o NaNoWriMo. Mantenho vocês atualizados sobre <3

24/10/2017

XVIII Bienal do Livro Rio: Todas as lágrimas de felicidade

Olá e bem-vindo a "Todas as lágrimas de felicidade" um relato dos três dias que fizeram todos os dias de 2017 valerem a pena (mesmo os extremamente estressantes e completamente ridículos como hoje). Eu sei, eu sei "Agora, Giulia? Agora não dá nem mais graça", mas o quê que eu posso dizer, gente? Eu juntei o fim do semestre com a renovação do estágio que me colocou em dois cargos ao mesmo tempo e todas as coisas malucas nas quais eu me enfiei (entre elas a gestão do centro acadêmico do curso, projetos secretos de escrita e a organização de eventos!! O próximo post sobre a faculdade vai ser muito doido) e eu mal tive tempo de respirar quanto mais de trabalhar num post grande. Mas mesmo faltando uma semana para o final do mês, eu realmente pretendo postar todos os quatro posts que eu tinha planejado para outubro. Mês que vem é NaNoWriMo e eu não quero, nem posso deixar nada acumulado. Então perdoem essa blogueira irresponsável e continuem aí do camarote me acompanhando não conseguir equilibrar as loucuras que eu invento.
Agora, eu tenho o prazer de apresentar para vocês um pequeno projeto que eu inventei pensando em como eu não teria tempo para escrever um post detalhado sobre a Bienal (e olha que eu pensava que teria mais tempo do que realmente tive) e pensando em como eu preciso mesmo ficar mais confortável em frente às câmeras. Um especial do YouTube - que provavelmente terá mais episódios - e que eu gosto de chamar de "Quebrei a câmera".

Legendas oficiais em construção. Disponíveis no comecinho e no meio.
Closed Caption disponível no vídeo inteiro.

Se você assistiu ao vídeo de 30 minutos, (meus parabéns porque tem que ter coragem. E se você não assistiu justamente porque ele é muito longo, eu sugiro um vídeo alternativo de 3m41s que não é sobre o assunto, mas vai mudar sua vida) já sabe o quão insanos foram esses dias. Entre conhecer um monte de autora incrível e gente que eu sigo no Twitter há anos, receber a minha primeira credencial para entrar na Bienal (e primeira credencial da vida) e estar no ambiente que me faz mais feliz nesse mundo todinho, eu tive tempo de chorar no ônibus, chorar na praça de alimentação, chorar na praça principal, chorar no banheiro do pavilhão azul... Acho que vocês entenderam o conceito.
A XVIII Bienal do Livro Rio foi uma Bienal de primeiros. Toda Bienal eu faço algo novo, é verdade, mas a deste ano foi tão intensamente nova que me deixou completamente desorientada. Primeiro, eu ia com um livro meu em mãos. Tudo bem que não era um livro, liiiivro, mas uma edição especial física da primeira fase de As Crônicas de Kat que eu imprimi para sortear. Ainda assim, era algo meu que existia de verdade. Algo que eu poderia dizer "Eu que escrevi, olha". E então, em um pequeno segundo de loucura em que as estrelas se alinharam ao meu favor, eu resolvi que não custava nada tentar ver se aquela coisa que eu escrevi era o suficiente para que eu fosse considerada escritora o suficiente. Acho que foi o sim mais lindo da minha vida e se existir alguém louco o suficiente para se casar comigo precisa ser informado que não tem sim que substitua este. É sério. E não sei se vocês perceberam no vídeo ou na foto abaixo, mas a minha credencial diz "Profissional", não "Autor". A razão para isso é simples: Eu expliquei no credenciamento a situação do livro que eu tinha em mãos e eu já era cadastrada pelo ano que eu tentei entrar como blogueira (e falhei, miseravelmente). Basicamente, a Bienal (eu falo como se a Bienal fosse uma entidade. Talvez seja.) estava validando tudo que eu já fiz ao mesmo tempo que me dizia que eu ainda tinha um caminho a percorrer. Ou talvez eu esteja pensando demais nisso tudo. A questão é que foi uma experiência divina e eu sempre serei a pessoa que faz de coisas bobas grandes felicidades.


Eu disse que alguns itens da lista de 101 coisas em 1001 dias tinham sido cumpridos. Um desses itens foi "Não me arrepender". Eis uma lista de coisas que eu fiz durante a Bienal e que eu não me arrependo de ter feito: Me concentrar na Bienal ao invés de turistar e de visitar todos os outros cantos do Rio de Janeiro do quais eu sentia falta. Eu sempre hesito quando eu vou passar um tempo viajando para a Bienal e fico só no evento, mas eu preciso me lembrar que a cidade está lá sempre e a Bienal é de dois em dois anos. E dessa vez eu não me arrependo, nadinha. Outra coisa é ter feito de tudo para me lembrar que eu sou, sim, uma escritora e que eu merecia estar ali e com a credencial. Mesmo que eu me sentisse perdida e fangirlando em torno daquele povo todo. Mesmo que eu não saiba usar vírgulas e que fique constantemente extra consciente de como minha falta de concentração me faz cometer erros absurdos, mesmo que eu sinta que eu não tenho experiências o suficiente para escrever e.... Opa, pausa. Estamos entrando em território perigoso e o NaNoWriMo nem começou ainda. A questão é que eu não me arrependo de ter agido como uma escritora e chutar a síndrome de impostor para escanteio (na maior parte do tempo) para poder aproveitar aqueles dias. Valeu tanto a pena.
Uma coisa que se encaixa nisso de pelo menos sentir que eu pertencia àquele lugar e que também é outro item da lista de 101 em 1001, foi a coisa que eu falei tantas vezes da "roda de escritores". Na verdade, era mais alguns escritores sentados no chão porque já era quase o fim do dia e eles estavam cansados. E era algo rotativo, todo mundo se conhecia e parava pra conversar por alguns minutos enquanto eu observava tudo e meu cérebro começava a tocar uma trilha mental infinita de AAAAAAAAAAAAAAA. E foi nessa hora,que eu Matei a Batata. Vamos referenciar tudo direitinho: A Batata foi uma criação dos posts da Bienal de 2015 - meu alterego que se manifesta quando eu me vejo diante de alguém que eu admiro. Não me entendam mal, a Batata se manifestou naquele momento e eu ainda sou péssima em situações sociais, mas ir de não conseguir nem falar direito em 2015 para conseguir conversar com escritoras que eu gosto em 2017 foi definitivamente um assassinato cometido contra a Batata. Meu alterego foi basicamente de Batata para Fritas. (E agora eu estou com fome). Quer dizer, eu sempre vou ter ansiedade e muitas vezes vou ter crises sérias ou inabilidade de falar em momentos importantes, mas em outros eu vou falar o que preciso, dizer com clareza e vou ficar muito feliz e satisfeita comigo mesma. Claro que ainda tem caminho a percorrer, mas ninguém quer que eu vá de Donald Trump a Barack Obama em 2 anos (Isso foi uma referência a algo que era repetido no curso de oratória que eu fiz em junho. Pensem nos discursos dos dois e vocês vão entender o que eu quis dizer).
Aqui vão imagens de algumas das pessoas incríveis que eu conheci naqueles dias:


Ana Cristina Rodrigues, autora de Anacrônicas e Fábulas Ferais. Eu entrei no estande da Aquário para comprar apenas Anacrônicas e saí de lá com os dois livros, porque ouvi as palavras "edição limitada". Eu sou fraca, gente. Aah, e eu planejava tirar fotos assim com todos os autores e pedir autógrafos, mas primeiro eu perdi meu marcador permanente, depois eu perdi minha coragem.
Let, que é leitora do blog e mutual minha no Twitter há um tempão <3

Iris Figueiredo, autora da duologia Confissões Online, entre outros títulos. Toda vez que eu vejo essa foto, digo "EU AMO ESSA FOTO", então preciso dizer que EU AMO ESSA FOTO.

Taty Azevedo autora de A improvável Annelise (que eu quero muito ler. Porque ele seria muito pesquisa pro meu projeto do NaNo!! Alguém me dááááá!!). A Taty é um amor também, então eu recomendo que vocês a conheçam o quanto antes.

Fernanda Nia, criadora do blog Como Eu Realmente, autora da duologia Como Eu Realmente e ilustradora de vários livros que ficarem entre os mais lidos. Inclusive, no post em que eu falei de ter conhecido a Nia em 2015, eu citei a Batata. Eu não comentei sobre isso com ela, é claro, especialmente porque a Fritas ainda existe.

A famosa Gabs do MisterWives Brasil. A pessoa mais citada no vlog, sim ou claro?

E por último, mas muito menção honrosa: Bárbara Morais! Autora da Trilogia Anômalos e madrinha da Tertúlia, sem quem o momento roda de escritores não seria possível. Não sei se você perceberam, mas esse foi um momento que eu vou contar para os meus netos (se meu gato um dia quiser ser pai).
Será que eu estou esquecendo de algo? Vejamos... Outra coisa que eu não me arrependo de ter feito é ter entregue marcador feito doida, em especial para um grupo de booktubers que esperava o começo da Bienight. E não me arrependi de ter ido sozinha também. Mesmo que eu quisesse que alguns dos meus conhecidos pudessem ter ido e me visto depois de dois anos, eu não deixaria de ir. E nem me diverti menos por estar sozinha. Gente, eu passo todo segundo possível enfiada na biblioteca da faculdade. Eu entro em livrarias e sebos sem dinheiro só para me desestressar. Estar cercadas de livros é quando eu estou mais em conexão comigo mesma. E existe algo de incrível em estar em um evento feito de pessoas que amam o que você ama tanto quanto você ama. E é por isso que eu vou continuar chorando de saudades da Bienal do Livro, todos os dias, até 2019*.
E foi isso. Este foi o post mais multiplataforma da história do QaMdE.
Vejo vocês ainda esta semana para O ANÚNCIO DO MEU PROJETO DO NANOWRIMO, outro segredo que eu estou falhando miseravelmente em guardar.
G.

*Eu sei que pretendo ir para a Bienal do Livro de São Paulo ano que vem, mas me deixem fazer drama.