13/02/2018

20 antes dos 20 e outras coisinhas mais

Este é o primeiro ano, desde que eu criei a "É só uma fase" (que literalmente começou com um post chamado "Sobre não querer fazer 14 anos"), que eu estou entrando na minha nova idade sem medo. Que eu não hesito de jeito nenhum. Na verdade, eu só quero fazer 20 anos de uma vez. Considerando como eu me sinto no momento, se eu acordasse no dia 18 de fevereiro e tivesse 25 anos, eu não surtaria tanto quanto eu surtei antes do meu aniversário nos últimos seis anos. E é a melhor sensação do mundo! É como se eu finalmente tivesse crescido e aceitado quem eu sou. Um neném, para sempre, mas minhas ações infantis são só parte de quem eu sou e não me prendem à minha infância. Eu não tenho mais tanto medo, porque cara, eu já fiz cada coisa que eu nunca pensei que eu poderia fazer. Eu sou muito grata pelos anos da minha adolescência e tudo que eles me ensinaram. Estou mais do que pronta para estar nos meus 20 anos.

"Sim para o amor, sim para a vida, sim para ficar em casa mais!!"
Um ano atrás, eu estava apavorada. Existiam todas essas coisas que eu queria estar fazendo, momentos que eu queria estar vivenciando, padrões que eu queria estar seguindo. Toda essa pressão que eu estava colocando em mim mesma para ser o que eu esperava de mim aos 19 anos. Eu não acho que eu estava errada, o que eu sentia um pouco antes de fazer 19 anos era indispensável para que eu fizesse todas as coisas que eu fiz aos 19 anos. E eu não me arrependo de um dia desses quase 365. Ou me arrependo, mas aprendi que arrependimentos fazem parte.
Eu não sei porque eu me sinto tão positiva agora. Sei que se eu me encontrasse dois meses atrás, eu daria um soco na minha própria cara, porque esse positivismo todo das outras pessoas estava me enlouquecendo. Eu passei a maior parte de 2017 doente, deprimida ou ansiosa. No ano novo, quando eu esqueci meus remédios em casa e passei quatro dias terríveis viajando, a animação com a qual as outras pessoas estavam falando sobre o ano que passou e o ano que chegava me fazia gritar. Eu não conseguia ver o lado bom das coisas. Entrei em 2018 desse jeito e durante as primeiras semanas, eu estava menos do que disposta a fazer 20 anos. Para oficialmente estar no começo dos meus 20 e ter todo o novo tsunami de aventuras pela minha frente. Eu acho que as coisas começaram a mudar quando eu percebi que Eu Consigo. Eu sou incrível.
Eu tenho ansiedade e síndrome do pânico desde os 9 anos e meus primeiros sintomas de depressão surgiram entre 13 e 14. Isso quer dizer que eu sobrevivi a doze mudanças e quatro cidades. Que eu sobrevivi ao Colégio Militar, ao fim do ensino fundamental, ao ensino médio inteiro, aos vestibulares e à maior parte da faculdade. Sobrevivi ao divórcio complicado dos meus pais e à morte da minha mãe. Sobrevivi a amizades abusivas, à insegurança com meu corpo, ao contemplar suicídio. Sobrevivi a escrever cinco livros, às recusas de editoras e três concursos literários, sobrevivi a trabalhar com algo que eu odeio. Sobrevivi a 4 anos de tratamento psiquiátrico, a indas e vindas de terapia e quatro terapeutas. Passei por cada uma dessas coisas, doente. Eu sobrevivi. E eu vivi. Cara, como eu vivi.
No ano passado, eu queria fazer coisas incríveis e me divertir também. Eu queria experimentar o mundo. Citando a mim mesma parafraseando Phoebe Thunderman em "O colapso nervoso de 19 anos": "Eu serei uma super-heroína e também dançarei em telhados". E foi o que eu fiz. Eu saí para dançar e quanto mais eu faço isso, menos eu me importo com quão estranha eu pareço quando estou dançando perto de outras pessoas. Eu bebi, descobri que eu realmente odeio o gosto de álcool, mas isso faz com que eu beba rápido. E eu perco o resto de cara de pau que tenho quando estou bêbada. Eu quis uma tatuagem e fiz uma tatuagem. Eu disse a mim mesma que sou boa o suficiente e fiz meu currículo, passei em uma seleção de estágio. Eu disse a mim mesma que valia a pena tentar e consegui uma credencial de profissional do livro para entrar na Bienal do Livro. Eu disse a mim mesma que se eu queria que algo acontecesse eu deveria fazer eu mesma, e eu organizei um evento de escritores, prestei o TOEFL, imprimi cópias físicas de As Crônicas de Kat e recebi uma demonstração efusiva de amor. Eu prometi que não importava o que acontecesse, eu não deixaria a literatura de lado, editei dois livros e enviei eles para editoras. E eu sei que já falei sobre todas essas coisas, mas vocês entendem meu estado retrospectivo dias antes do meu aniversário, não entendem? Eu amei, eu odiei, eu realizei alguns dos meus maiores sonhos e alguns dos meus piores pesadelos também se tornaram realidade. Não interessa o que os 20 anos me tragam. Eu consigo. Eu estou MUITO pronta.
Algo que eu vejo na internet o tempo inteiro são imagens com perguntas como "Quem você é hoje, deixaria quem você era aos 8 anos orgulhosa?" e a resposta é "Provavelmente não", mas eu era uma criança aos 8. Aos 15, eu já sabia muito mais sobre quem era. E se eu tivesse uma máquina do tempo, eu queria voltar aos meus 15 anos para contar a mim mesma sobre quem eu sou agora. Contar a mim mesma os meus planos e as coisas que já viraram realidade. A Giulia de 15 anos está pulando de felicidade agora.

"E eu posso fazer qualquer coisa que eu queira. Porque eu sou uma adulta."
Antes de eu entrar em "O que eu espero dos 20 anos" existe uma lista de coisas que em setembro, eu disse que completaria antes dos 20 anos. E EU CONSEGUI. Não sem dar uma mexida nas regras, mas às vezes é necessário. Vamos à lista, lembrando que ela é uma tradução do site "Her Campus":

  1. Encontre um hobby que você ama. ✓
  2. Crie um truque para festas.✓ Aparentemente o meu truque é beber tequila sem fazer careta. Eu realmente gosto de tequila, gente. Mais do que eu gosto de vinho. E ninguém que bebe me entende nisso. What can I say?
  3. Crie controle das suas finanças.✓
  4. Conheça uma receita de cor.✓ 
  5. Saiba dizer quais são seus filmes preferidos. ✓ Eu só consegui fazer isso depois que criei uma conta no Letterboxd.
  6. Tenha um bom visual para entrevistas. ✓  Chama jeans e camiseta. E cabelinho de Day After (ou seja, sempre lavar o cabelo no dia anterior a uma entrevista de emprego).
  7. Tenha um bom linkedin/currículo. ✓  Meta de 2017 completa com sucesso. A coisa é tão séria que parece que meu currículo está desatualizado o tempo inteiro. No momento, inclusive, ele está. Especialmente o Lattes.
  8. Voluntarie-se.✓ 
  9. Tenha fotos físicas das suas memórias preferidas.✓ 
  10. Saiba como trocar um pneu. ✓  Eu cheguei a mandar mensagem para a Kira (porque ela é o pilar do que é ter 20 anos para mim) perguntando se ela sabia trocar pneu para tentar descobrir se valia a pena aprender isso, quando eu me dei conta de que: Estamos em 2018, é a era da internet. Então, eu li a página do Wikihow sobre como trocar um pneu. TADÃ.
  11. Tenha uma caixa de ferramentas. ✓  Então, eu pensei bastante e me dei conta de que ter uma chave de fenda e coisas que podem servir de martelo já é o suficiente. E eu posso não ter uma caixa inteira de ferramentas, mas eu tenho uma caixa organizadora cheia de materiais artísticos. Mesma coisa.
  12. Tenha morado com uma colega de quarto. ✓ 
  13. Envie cartões de agradecimento.✓
  14. Faça uma roadtrip.✓ 
  15. Vire a noite.✓ 
  16. Se livre das (ou conserte) suas roupas rasgadas.✓ 
  17. Tenha um plano de 5 anos mais ou menos montado.✓ 
  18. Faça uma limpeza de amigos.✓ 
  19. Vá a um show.✓ 
  20. Tenha pelo menos um aniversário memorável.✓ 
Eu pensei bastante no que escrever sobre o que eu espero dos meus 20 anos. Não é mais a mesma coisa dos anos anteriores, porque não sendo mais adolescente, as coisas não mudam tão rápido e tão constantemente. Ou mudam, mas não é mais a mesma coisa da adolescência, onde cada ano significa uma coisa diferente. Eu pensei em escrever o que eu espero para os próximos 5 anos ou para os próximos 10 e eu vou fazer isso: Pela primeira vez em 5 anos, eu vou postar algo no dia do meu aniversário e vai ser sobre quem eu sou aos 20 anos e quem eu quero ser aos 25 ou aos 30. Mas eu também sei que tem coisas que eu quero fazer dentro do próximo ano e é sobre elas que eu vou falar neste post.
Todo ano eu dou um nome para a idade que eu vou fazer e acabo me amaldiçoando com isso. Os 14 foram "a idade problemática", os 15 "a idade clichê", os 16 "a idade de ser jovem adulto", os 17 a "idade das últimas chances", os 18 "a idade da coragem" e os 19 "a idade das experiências". Pois bem, seguindo essa lógica aleatória de nomeação e sabendo que tudo que eu digo a mim mesma que vai acontecer acaba acontecendo, eu defini os 20 "a idade do amor". Não me entendam errado aqui, pensando que eu estou falando de amor romântico. Eu já disse, tem muito que eu quero resolver antes de começar a me preocupar de verdade com isso. Quando eu digo "a idade do amor" eu quero dizer que eu quero que tudo que eu fizer e tudo que acontecer seja por amor.
Eu comecei o ano com apenas um objetivo profissional: Terminar o ano sendo paga para fazer algo que eu amo. Encontrar um trabalho que eu realmente ame, conseguir me tornar uma escritora profissional; trabalhar com algo que eu ame, mesmo que minha carga de trabalho tenha que triplicar de tamanho e que eu não tenha mais fins de semana. Eu já estou trabalhando para isso e é completamente maravilhoso (e muito assustador). Eu quero aplicar isso em toda a minha vida. Que tudo que eu faça este ano seja movido por amor. Que eu volte a fazer exercícios porque eu me amo e sei que isso ajuda com a minha ansiedade. Que eu dê meu máximo na faculdade pelo mesmo motivo. Que eu saia mais porque eu amo meus amigos. Que eu crie esse relacionamento mais saudável com a mídia que eu consumo porque eu amo ler, ver série, ouvir música. Que eu consiga juntar dinheiro porque eu amo viajar. Que cada coisa que eu faça seja para me encher de amor.
E amor às vezes significa coração partido. Eu bem sei disso. Sei que o esforço que eu já coloquei em fazer o que eu amo me causou uma série de corações partidos nos últimos meses. Sei que preciso proteger meus sentimentos da minha mania de racionalizar a forma como eu compartilho eles com os outros. Mas eu estou pronta. Mais do que pronta, eu estou animada. Isso é desenvolvimento de personagem, galera. Nessa época do ano nos últimos seis anos, eu estava ansiosa. Neste, eu estou animada. E eu sei que as coisas ruins virão, mas assim como a frase do ano passado foi "Eu serei uma super-heroína e também dançarei em telhados", a deste ano é:

"É tudo vida. Ao menos até que encontrem um nome melhor para isso."
Sim, esse foi o melhor gif que eu consegui. Eu ainda estou sem meu computador, okay?
E fechando a última tradição da "É só uma fase", fiquem com a minha playlist dos 20 anos, da qual eu perdi completamente o controle no momento em que coloquei One Direction.



Até mais,
G.

10/02/2018

Livros onde eu consegui me ver

Olá! Okay, antes de introduzir essa nova coluna à vocês eu preciso explicar porque não teremos o vídeo que eu tinha prometido que faria sair até hoje: O meu notebook é um filho da mãe. Fazia o quê? Nove meses que ele não dava problemas? Provavelmente menos. Dessa vez eu sei exatamente o que aconteceu, mas depois dele ter resolvido não ligar ontem de manhã, ele ligou e funcionou perfeitamente quando eu cheguei à loja de informática, ontem à tarde, só para, assim que chegou em casa, resolver que vai ligar, funcionar por dez segundos e desligar de novo. Então, eu o levei novamente para o conserto hoje pela manhã. Pequeno probleminha apenas: ESTAMOS NO MEIO DO CARNAVAL. Então, eu não faço a mínima ideia de quando vou ter meu notebook de volta. Eu peguei o da minha irmã emprestado para terminar este post meio escrito, porque é fevereiro, e eu tenho muitos posts a postar e não posso deixar eles se acumularem - mas o vídeo está no meu computador, então ele fica suspenso até eu ter meu notebook de volta. Pelo menos eu me formo ano que vem e a ideia é comprar um notebook novo assim que conseguir meu primeiro emprego oficial.
Na semana passada, eu perguntei no Instagram se as pessoas leriam ao blog se eu escrevesse alguns posts indicando livros, séries, filmes e música que eu amo e a resposta foi SIM. Assim surgiu a THAT'S MY OPINION, nova coluna de cultura pop do blog. Só lembrando que as indicações são baseadas no que eu gostei e eu nunca disse que tenho um bom gosto (só musical, meu gosto musical é maravilhoso, apesar de nada diverso), então não venham atrás de mim quando eu disser algo como "ISSO FOI A MELHOR COISA QUE EU JÁ VI NA VIDA". No post de hoje, "Livros onde eu consegui me ver" ou livros cujas personagens ou histórias ou palavras me lembraram de mim. Porque representatividade é importante. Mas vocês já sabiam disso.

"Toda pessoa merece o direito de se sentir representada." EI, inclusive, hoje é aniversário da Yara!! Rainhas Aquarianas.
Com toda conversa sobre representatividade nos últimos anos, eu já acabei tendo que responder à pergunta "Qual foi o primeiro _____ onde você se viu?" várias vezes. Normalmente é difícil responder, porque quando eu era criança ou até alguns anos atrás, eu não pensava nisso. Mas quanto mais eu penso, mais eu vejo que não existem tantas heroínas - ou heróis - com uma história como a minha por aí e que é justamente por esbarrar em heróis assim eventualmente, que eu acabo me encontrando em alguns livros. Eis a minha lista, com leituras mais recentes (porque se eu fosse considerar todas as leituras, essa lista teria até Carmilla).
OBS.: Eu não estou listando personagens que eu odiei porque se pareciam demais comigo, porque essa é uma crise emocional para outro post.
OBS. 2: Os links nos títulos levam à página dos livros na Amazon. Não é #publi (mas Amazon, se você quiser, eu quero), é só porque já é mais fácil encontrar os livros mesmo.

Eu li Keeping Long Island em setembro e só depois me dei conta de que eu não falei o suficiente sobre ele, tipo, nem de perto. Este livro me arruinou completamente. É um dos mais lindos que eu já li na vida e um daqueles que acerta exatamente o que é ter depressão. Graças a ele, eu tenho exigências claras quando o assunto é falar sobre depressão enquanto garota queer, falar sobre luto, falar sobre finais felizes e clichê e sobre o quanto é difícil falar quando tudo isso está acontecendo e foi por isso que eu deixei de gostar de alguns livros que eu li depois dele. KLI acerta com precisão.
O livro conta sobre Kayden, que ganha um diário de presente da terapeuta para que ela possa começar a compartilhar os segredos que tem. Ela está no último ano da faculdade e algumas coisas que aconteceram antes que ela começasse a faculdade tem efeitos nela até hoje. Ela só consegue compartilhar o que sente com Keeper, o diário. Um dia, quando Kayden está estudando na biblioteca e percebe que esqueceu o diário em casa, ela acaba escrevendo seus segredos em um papel solto e esquecendo o papel dentro de um livro. Alex encontra o papel e responde a Kayden, começando uma correspondência, onde Kayden finalmente consegue compartilhar.
O livro é incrível. E a storyline romântica dele tem uma reviravolta bem clichê e isso me fez perceber que não existem livros o suficiente sobre garotas queer com depressão e ansiedade e seus finais felizes clichês. Nós não somos apenas histórias tristes. A gente merece o drama bobo que todas as outras pessoas merecem. Me dê isso mais um milhão vezes.

Quinze Dias - Vitor Martins
Eu amei cada parte de Quinze Dias, mas foi uma frase no finalzinho que fez o livro entrar nessa lista. "Acho que eu me mantive tão ocupado tentando não ficar mal, que eu acabei esquecendo de tentar ficar bem". Eu acho que a história do Felipe e a das pessoas ao redor dele são aquele tipo de história que todo mundo que já sentiu algo parecido se identifica. Todo mundo sabe o que é ter 17 anos. E muita gente sabe o que é ter 17 anos e nunca ter se sentido feliz de verdade consigo mesmo. Eu não tinha pensado nesse livro na minha lista da Bienal de 2017, até a Bárbara Morais me dizer que eu amaria ele, no tempo que a gente ficou conversando. Ela me convenceu com a frase "É bissexual o nome" e ela estava muito certa. É o meu tipo de livro e é o tipo de história que eu consegui sentir, bem mais que ler.

Mosquitolândia - David Arnold
What a fucking book. Mosquitolândia foi o primeiro livro escrito por um homem que eu li em quase um ano, então eu estava assustadoramente consciente de pequenos detalhes de representação em ter um homem escrevendo o ponto de vista de uma jovem de 16 anos, mas o livro não tinha falhas mortais. Existia toda essa camada de coisas e sentimentos a percorrer e eu fui levada às lágrimas ao longo do caminho.
Em um ponto, eu tive muito medo de que esse fosse o tipo de livro que fala sobre como antidepressivos/antipsicóticos são a perdição do mundo, mas quando a Mim opta por não tomar mais os dela, não é porque ela acha que eles fazem mais mal do que bem, mas porque ela entende que precisa buscar outros tipos de tratamento, com médicos que a compreendam (Ainda é uma escolha horrível!! Não deixem de tomar psicotrópicos sem o conhecimento de um médico!!!!!!!!!! Seu cérebro controla seu corpo inteiro, então isso é algo extremamente idiota de se fazer!!!!!!!!!!!). E eu entendo muito não estar no caminho certo do "estar bem".
Além disso, eu sou e sempre serei a maior apreciadora de livros de roadtrip. Filmes também, mas livros são mais raros e são inevitavelmente melhores. E eu nem estou dizendo isso porque eu tenho um livro de roadtrip planejado para o NaNoWriMo 2019.

A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro - Amanda Lovelace
Eu comecei a me interessar de verdade - apesar de ainda não de uma forma obsessiva - por poesia contemporânea no ano passado. Foi causado por algo entre passar cinco meses lendo um livro de poesia de 30 anos atrás e escrever eu mesma alguns versos soltos que me levou a este mundo e depois de ter recebido o único endossamento que importa de verdade, eu encontrei A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro - que foi publicado no Brasil pela Editora Leya no fim do ano passado.
Eu estava esperando um livro lindo e intenso, o que eu não estava esperando era 54 socos na barriga, 70 chutes na cara e três rasteiras. O livro falou comigo em um nível que eu não estava esperando - e ironicamente, no dia em que eu comecei ele, eu fiquei me perguntando se tenho a profundidade necessária para compreender poesia (porque eu não acredito nada em mim mesma). O resultado foi eu não conseguir ler o livro de uma vez, porque eu precisava parar um pouco e absorver tudo. E ficar postando os poemas no Instagram o tempo inteiro. A Amanda acerta muito sobre o luto, quando fala sobre a morte da mãe, aceitação, quando fala dela mesma, depressão, contando a própria história. Ela também fala sobre ler e escrever e encontrar refúgio nas palavras. Tudo. Eu me senti vista e por ser vista tão claramente, minha alma pareceu queimar.
E é por isso que, para terminar o post, eu deixo com vocês a última estrofe do poema ao leitor, no fim do livro:

por favor, saiba que
a cada palavra
que você leu,
ficou muito mais
fácil para mim
r e s p i r a r.


Vejo vocês semana que vem,
G.

07/02/2018

O grande 7

Se alguém me dissesse sete anos atrás que em 2018 eu ainda estaria escrevendo no mesmo blog, mesmo que ele não tenha me deixado muito rica ou famosa, eu definitivamente riria da simples ideia. A gente faz muito isso aos 12, 13 anos. Pensamos que as coisas que a gente faz e que ama com essa idade não são sinônimo do que vamos fazer para sempre. E não são, mas se tem uma coisa que eu aprendi é que eu nunca vou ser "grande o suficiente" para abandonar meus amigos imaginários (ou como eu tenho me referido a eles mais recentemente, Minhas 13 Personalidades ou O Júri), ou "adulta o suficiente" para não ser obcecada por mim mesma em um nível inseguramente narcisista ou "ocupada demais para perder tempo" escrevendo textões sobre os meus ídolos. Eu não sou a mesma pessoa que era quando comecei o blog, mas eu ainda gosto das mesmas coisas e eu ainda sou eu da forma como eu sempre serei eu. Vocês estão prontos para acompanhar a jornada inteira? Porque nem eu estou.

Sim, isso é um gif de mim mesma. E sim, o título do post é uma referência ao balão de 40 polegadas com o nº 7 que eu comprei.
Tanta coisa aconteceu nesses sete anos. Várias muito muito boas mesmo. Aqui eu compartilhei a minha primeira Bienal e a minha primeira Bienal com credencial de profissional do livro. Compartilhei a jornada de terminar de escrever meu primeiro livro e a de começar a escrever o quinto. Contei das minhas inseguranças sobre publicação e leitura dos meus livros. Falei muito sobre o meu coração, amor, minhas pequenas vitórias, o processo da cura, aprender a me amar mais um pouquinho. Tem posts sobre ter terminado o ensino médio, passado na faculdade, me mudado para um apartamento que tem meu nome no contrato, conseguido meu primeiro estágio. Mas também aconteceram muitas coisas muito muito ruins. Eu contei sobre perder minha mãe e logo em seguida perder toda a minha vida no Rio de Janeiro. Contei sobre meus dias realmente ruins de depressão. Vocês viram quando eu deixei uma amizade extremamente abusiva para trás. Compartilhei talvez um pouco demais do que deveria sobre a vida como um todo. Vocês me viram partida em pedacinhos e tentando me reconstruir. Me viram quando eu estava no topo do mundo e quando a rotina era simplesmente demais para mim. Me viram com muito mais clareza do que pessoas que convivem comigo conseguem me ver.
É seguro dizer que eu tenho o QaMdE desde que eu me entendo por gente. Desde antes disso. Minha vida começou de verdade entre os 13 e os 14, entre começar a passar muito mal e descobrir que não era só coisa da minha cabeça - ou era, mas coisas da cabeça também têm tratamento. Eu me descobri gente quando descobri que estava sozinha no mundo. À exceção da família, praticamente todo mundo na minha vida não me conhece sem o "Quebrei a máquina de escrever". É parte inerente de mim a essa altura. E foi como uma espécie de dor de parto que eu descobri que este blog está costurado à minha linha da vida de forma definitiva. Eu provavelmente nunca vou escrever uma autobiografia. Pra quê? Minha vida todinha está aqui no blog.
Vivo perguntando às pessoas "Você leu o último post do blog?" antes de contar alguma novidade, porque eu provavelmente contei no blog antes. E cara, nem todo mundo entende a existência disso aqui. Lembra no segundo dia de aula da faculdade quando eu contei a uma professora que tinha um blog desde os 13 anos e alguns minutos depois ela apontou para mim e disse "Viu só? Qualquer um pode ter um blog!" e então eu prometi que nunca mais falaria do blog dentro da faculdade? Três anos depois essa professora não só transformou uma das disciplinas dela em "aula de blog", como se deu bastante mal nisso. (Karma's a bitch). Mais recentemente aconteceu algo que fez com que eu passasse um bom tempo sem conseguir nem falar do blog na frente de algumas pessoas. Parecia que o tempo que eu passava aqui era jogado fora e tudo que eu fazia para manter isso aqui funcionando era a mesma coisa que passar tempo vendo séries. Ao invés de me sentir feliz por conseguir 90 mil visualizações, eu me senti culpada por não ter tantas notas 9 na faculdade ou não dedicar todo meu tempo ao site do estágio. Então eu estava falando sobre o blog com a minha nova terapeuta e disse "Eu sei que eu não recebo um retorno, mas o blog faz bem para mim." e ela me disse "Retorno financeiro, certo? Sua expressão muda completamente quando você fala sobre escrever.".
Por incrível que pareça, eu não sou muito boa em me abrir - em compartilhar as coisas com as pessoas. Mas eu sou literalmente conhecida por compartilhar demais da minha vida na internet (É sério, perguntem à minha professora de Jornalismo Digital). Eu escrevi sobre o mais feio e o mais bonito de mim aqui. Isso me formou e eu nunca tinha pensado que isso poderia ter me destruído até muito recentemente. Eu não recebi um comentário negativo depois do dois posts sobre depressão. Já pensaram o que poderia ter acontecido se eu tivesse recebido comentários negativos?
Por tudo isso, eu agradeço a vocês. Por me deixarem compartilhar. Por me deixarem falar. Por me ouvirem e às vezes responderem. Eu acho incrível quando alguém realmente tira um tempo da vida para me contar do que gostou em algo que eu escrevi. A comunidade do QaMdE é pequena, mas é completamente incrível. Vocês me enxergam. E ao me ver com carinho, me permitiram que eu fizesse o mesmo comigo.
Eu sou muito mais eu agora do que eu era aos 13 anos. E eu fico tão feliz de ter documentado tudo para saber disso com toda certeza do mundo. 7 anos se passaram. Que venham mais 7 vezes 7. Obrigada por me ajudarem a enxergar o que há de bonito em mim, enquanto aprendo a amar o feio.
Amo vocês,
G.

P.S.: O vídeo especial que eu prometi no Instagram vai ao ar assim que meu computador parar de ser um filho da mãe e o Movie Maker (eu seeei, eu preciso aprender a usar outros editores de vídeo) colaborar. Espero que até amanhã, mas caso não, até sábado. De qualquer forma, será postado, porque já deu muito trabalho. Aviso quando ficar pronto.