23/12/2019

NaNoWriMo 2019: A coisa mais difícil que já precisei fazer

Escrever é difíciiiiiiiiiiiiiiil. Eu não sei como as pessoas fazem isso profissionalmente e eu tenho feito isso profissionalmente desde que me entendo por gente. Principalmente quando é sobre algo com o que você se importa ou algo que te faz visitar as profundezas do seu ser em busca de sentido para conseguir transformar em palavras. É cansativo e horrível e te deixa ismdimdimdfjdfjbfjbfjdb, sabe? Eu tive um ano difícil de escrita porque eu tive um ano difícil no geral. E não foi porque escrever ficou chato ou porque eu não gosto do que estava escrevendo. É o oposto, eu amo o que eu estou escrevendo, então eu não quero enfrentar o que preciso fazer. É bem mais fácil chegar em casa e assistir 12 episódios seguidos de The Office, que, por sinal, eu já estou terminando, mesmo que eu tenha começado em outubro. É bem mais fácil limpar meu apartamento novo todinho, culpar o trabalho pelo cansaço emocional e esquecer da vida.
Eu começo o post assim porque eu queria ter postado ele na primeira semana de dezembro. Depois eu tinha certeza que ele ia sair antes do fim da primeira quinzena e depois eu precisava terminar ele dia 19 de dezembro, porque é aniversário da Mia e eu devia ao mundo dizer o que exatamente aconteceu com o livro dela. Mas ao invés disso, já estamos no dia 23, oito dias para o fim do mês e eu só estou escrevendo agora (dois dias atrás) porque preciso pegar meu ônibus às 15 horas e eu disse a mim mesma noite passada, antes de ir dormir às 10, que eu acordaria cedo para terminar esse post. Não é a obrigação que me move até aqui, mas o fato de que eu preciso deixar meu quarto novo arrumado antes de viajar. Então, vamos lá, tentar fazer o melhor possível.

Prólogo
O NaNoWriMo 2019 começou normal. Completamente. Eu comecei a escrever à meia noite do dia primeiro (já que este ano não tem horário de verão, porque normalmente eu posso começar às 23h do dia 31), e escrevi mais de 5 mil palavras no primeiro dia, meta pessoal alcançada. Escrever de dia é difícil normalmente no meu apartamento em Conquista porque o sol da tarde bate diretamente contra a parede e a casa parece um forno. Mas no segundo dia foi difícil escrever durante o dia por outros motivos. Eu sabia que escrever sobre uma personagem que perdeu a mãe aos 16 anos e teve vários problemas com a família seria muito pesado para mim, o que eu não imaginava é que tão no comecinho, eu já me sentiria tão mal. Existem momentos em que escrever quando eu me sinto mal é fácil, porque me ajuda a entender as coisas. Aqueles dias não foram um desses momentos. Eu consegui me forçar a escrever por mais tempo e apesar de ficar para trás na minha meta pessoal depois do terceiro dia, eu consegui me manter acima da meta do NaNoWriMo até o quinto dia, quando eu cheguei a 12.357 palavras. Naquela noite, eu acabei atualizando minha contagem de palavras um pouco tarde demais e a contagem entrou no dia 6. O site do NaNoWriMo foi atualizado no último ano e àquela altura a opção de editar a contagem de palavras ainda não estava disponível, além de que sempre tinha algum bug no gráfico. Foi quando minhas frustrações meio que desmoronaram e eu fui dormir sem continuar escrevendo à noite porque eu simplesmente não conseguia.
No dia 6, eu tive uma sessão de terapia e minha psicóloga comentou que eu parecia emocionalmente exausta. E eu disse a ela que eu sentia como se as coisas estivessem por um fio e como se faltasse uma coisinha a mais que puxasse esse fio e ativasse a descarga de sentimentos descontrolados que estavam dentro de mim. Conversamos sobre o que eu poderia fazer para me sentir mais confortável, e eu acabei transformando o dia em dia de cuidados pessoais. Fui ao shopping, comprei cortinas novas para que meu quarto ficasse mais fresco e, na verdade, acabei gastando dinheiro demais em novas roupas de cama. (spoiler alert: mais ou menos um mês depois, eu vendi minha cama e agora quero comprar de casal, então o dinheiro que eu gastei aquele dia só vai valer a pena se eu ganhar o sorteio do shopping e ganhar um apartamento com um carro na garagem). Depois, fui pra casa e deitei confortavelmente na minha cama, assistindo The Office pelo resto do dia. Eu já tinha postado no fórum do NaNoWriMo sobre o problema da edição da contagem de palavras, mas como ainda levaria alguns dias para o problema ser resolvido, eu pensei que se eu pulasse um dia de escrita, meu gráfico pelo menos ficaria "certo". Péssima ideia. Chegar no dia 6 e desistir de escrever todo dia? Simplesmente horrível, mas foi o que eu fiz.
No dia 7 eu voltei a escrever, assim como no dia 8, mas eis que do dia 8 para o dia 9 o problema se repete e a contagem de palavras só entra no dia 9. Foi aí que a coisa ficou feia de verdade. Escrevi um textão no fórum do NaNoWriMo super triste e agoniado que finalmente recebeu resposta sobre a atualização da função de editar a contagem de palavras, que foi trabalhada pelos próximos dias. Eu só consegui voltar a escrever depois que a função foi restabelecida e eu pude editar minha contagem de palavras, no dia 13. Vocês entendem o problema depois disso né? Porque a ideia do NaNoWriMo é manter você escrevendo todos os dias, mesmo que não seja com a mesma quantidade de palavras. Alguns dias vão ser bons e outros ruins, mas a ideia é escrever todos os dias. Uma grande parte do que me fazia escrever todos os dias, mesmo que fosse 15 palavras, são os badges que o NaNoWriMo oferece conforme você vai escrevendo. Escrever todos os 30 dias do mês resulta em um badge de 30 dias escritos que libera as cargas de serotonina para o meu cérebro. O badge ainda está lá, mas o site novo estava tão bugado que tomava e tirava badges aleatoriamente, o que era bem frustrante. Outra coisa eram os writing buddies ou os amigos. O site novo fez com que a gente perdesse todos os buddies e precisasse adicionar de novo, então eu perdi todo o histórico das pessoas que conheci por causa do NaNoWriMo e muitas delas nem têm mais acesso às suas contas antigas então suas contas nem existem mais. Nunca pensei que fosse ficar triste por isso, já que eu torço para outras redes sociais deletarem contas inativas, mas aqui estamos. É claro que as minhas frustrações com os problemas do site eram mais um sintoma do que a causa de porque eu simplesmente não conseguia escrever.

História
Eu sabia o que queria escrever e como queria escrever, mas eu não conseguia. Esse é um problema frequente, pra falar a verdade e um problema que eu percebi ser bem comum, conversando com outros autores. Quanto mais você se importa com o que você está escrevendo, pior. Eu escrevo constantemente. O twitter é minha rede social preferida por um motivo — um microblog significa que eu estou sempre fazendo miniposts de blog. Quando qualquer coisa acontece, minha primeira reação é escrever sobre, antes mesmo de processar a situação e para processar a situação. Ao mesmo tempo, eu sou escritora, o que quer dizer que se eu não estiver trabalhando no que eu preciso escrever, é como se eu não estivesse escrevendo. Então, é fácil sentir como se a meta de "escreva todo dia" não estivesse dando certo, mesmo que eu esteja escrevendo todos os dias. Nem que sejam mensagens longas e melosas que eu mando para a Kira e edito um milhão de vezes antes de enviar. 
Eu entrei em 2019 sentindo que seria um grande ano para a escrita. Porque eu escreveria meu TCC de vez, escreveria o livro-reportagem e, depois da formatura, teria seis meses inteiros de escrita. Seis meses, com o NaNoWriMo no finalzinho deles. E só depois eu conseguiria um trabalho. Ao invés disso, eu não consegui parar quieta até conseguir um trabalho. E o trabalho foi a principal fonte de dores de cabeça e desespero para mim durante o ano inteirinho. Era como se eu não fosse me sentir segura até conseguir um emprego. Como se nada desse certo até eu ter estabilidade. E agora que eu consegui, eu simplesmente me recuso a me agarrar à estabilidade. Todo mundo quer e espera que eu trabalhe para conseguir estabilidade e trabalhar com isso para o resto da minha vida, mas eu só disse sim para trabalhar com política porque é um contrato de um ano.
Mas vamos com calma. O NaNoWriMo saiu dos trilhos mesmo depois de eu ter voltado a escrever no dia 13 e eu escrevia dia sim, dia não, dia não, dia não, dia sim, dia não, dia não, dia sim, dia não, dia não, dia não. Ainda assim, quando eu falei no evento do NaNoWriMo em Salvador dia 23, eu estava convencida de que conseguiria bater 50 mil palavras se escrevesse direto na semana seguinte. E eu provavelmente conseguiria, se eu estivesse conseguindo escrever. O que eu não estava. Meu último dia de escrita no NaNoWriMo 2019 foi o dia 26 de novembro, quando eu atingi 24.759 palavras. Naquele mesmo dia, eu tinha acordado com uma mensagem da minha psicóloga me perguntando se ela poderia passar meu contato para um conhecido dela que precisava de um profissional de comunicação. Uma ligação depois, eu fui encarregada de montar um plano de comunicação para a assessoria de comunicação da prefeitura de Igaporã, no interior da Bahia. E então eu precisei tomar a decisão mais difícil de todas e desistir do NaNoWriMo. 
Eis a questão, novembro foi difícil para o NaNoWriMo, mas para a minha vida profissional num geral, foi um bom mês (apesar de eu ter perdido o prêmio Mix Literário e não ter passado na primeira fase do concurso que fiz em outubro): Além do lançamento da edição corrigida de A Linha de Rumo, no dia 11/11 eu recebi a proposta de um estágio em Nova York. Vocês sabem que me mudar para Nova York sempre foi meu sonho e o pior é que o estágio seria para auxiliar na produção de shows e cobrir esses shows para um site, o que significa que eu trabalharia com o que eu quero muito trabalhar, jornalismo musical. O problema seria a falta de dinheiro, porque além da mudança ser cara, do aluguel em Nova York ser um absurdo (1640 reais por mês para alugar um sofá cama no Queens WASSUP), eu receberia por comissão, então eu não tenho ideia de quanto eu ganharia a cada mês. O emprego dos sonhos não pagava o bastante, então eu precisei colocar os planos para ele em pausa. Semanas depois, eu tive o evento em Salvador, que foi outro sonho e, finalmente, no dia 26 essa proposta de emprego.
Eu repeti várias vezes nos últimos meses que eu não queria trabalhar com política. E eu não quero. Eu desprezei completamente o concurso público recente da assembleia legislativa do Amapá porque a ideia de ser assessora de comunicação concursada de algum lugar me deixa em pânico, por melhor que seja o salário. E na verdade, minha vontade era ser repórter. Mas me mostre um lugar que esteja contratando repórteres e eu vou te perguntar porque você não me mostrou antes. O jornalismo no Brasil está mais sucateado que os meus dois quartos. Juntos. Revistas praticamente não existem mais, o jornalismo digital é visto como piada e paga muito mal e o jornalismo de TV é a última coisa que eu quero fazer na vida (mas não vou ficar repetindo isso porque o universo ouve). Rádio eu nem conto porque eu simplesmente não tenho talento para isso. Então, quando eu recebi a proposta de trabalhar em uma cidadezinha no interior da Bahia com quase o mesmo número de habitantes que meu número de seguidores do Instagram, eu não levei em consideração o fato de eu trabalhar para políticos. Eu levei em consideração o seguinte: 1) Meu contrato é só de um ano, com possível renovação caso o prefeito seja reeleito; 2) Eu vou morar relativamente perto da cidade onde eu nasci (4 horas de carro, 6 horas de ônibus) e onde minha irmã vai morar, então eu poderei ir lá sempre que precisar; e 3) Eu vou ser paga o piso salarial dos jornalistas. Parece pouco, mas sabe quantos jornalistas recém-formados que recebem o piso eu conheço? Nenhum. Por que as empresas seguiriam o guia da Fenaj, se para ser jornalista não precisa de diploma e considerando que se depender do presidente, nem de registro profissional vai precisar? Assessoria de comunicação é o que mais rende um bom salário e foi para aí que eu precisei ir.
Pra falar a verdade, eu estava desesperada. Eu já tinha procurado empregos temporários de Natal porque a situação monetária estava gravíssima. E tinha um dinheiro que eu estava esperando chegar agora em janeiro, mas depois descobri que ele é para janeiro de 2021, então eu precisei me virar. Eu senti que o trabalho não seria tão pesado e eu conseguiria ganhar bem o suficiente para me sentir segura. E eu ainda sinto isso. Duas semanas de trabalho depois, têm sido ridículo e estressante, mas ao mesmo tempo, eu consigo sentir a estabilidade financeira chegando. E mesmo que meu emprego tenha sido ameaçado essa semana por alguém e eu já tenha arranjado briga simplesmente por defender meu próprio trabalho, não tem sido nada muito além do que eu esperava. Se a faculdade me ensinou qualquer coisa é que existem homens em posição de poder que falam apenas para ouvir a própria voz e que nunca vão perceber os próprios erros, mesmo quando uma série de evidências se mostrarem diante deles. Eu acho que o maior problema até agora é que eu sinto que eu estou de volta ao meu primeiro emprego. As pessoas não percebem o que este emprego é para mim e a verdade é que é como se fosse um freela. Eu sou oficialmente, legalmente e contratualmente, uma prestadora de serviços. Estou prestando serviços de assessoria de comunicação à prefeitura. E é assim que eu me sinto. Estou aqui para prestar os serviços pelo tempo do meu contrato e depois disso, só Deus sabe. E as pessoas no trabalho agem como se eu devesse tratar esse trabalho como se fosse a coisa mais importante da minha vida e como se se as coisas dessem errado agora, eu nunca fosse conseguir outro emprego. E eu faço terapia há tempo demais para ser assim. Só de eu ter conseguido o trabalho dos meus sonhos e ter tido a consciência de pensar "Ainda não é a hora, mas daqui há um ano, quem sabe?" ao invés de me jogar, pegando um empréstimo ou sei lá o quê, eu já mostrei a paciência e a calma que muita gente gostaria de saber como praticar.

Epílogo

E é essa a questão. Mesmo que eu me sinta desesperada e assustada e mesmo que eu tenha passado a primeira semana de trabalho chorando antes de dormir todo santo dia e a segunda semana de trabalho reprimindo meus sentimentos até o sábado, quando eu baixei os episódios que faltavam de New Amsterdam e voltei para Conquista no ônibus assistindo e chorando. Eu sei que o chororô e o medo é um chororô e um medo saudável. Porque a vida não é só estar feliz e ter sonhos realizados todo santo dia. Eu não estou mais em Los Angele. Eu não quero deixar esse trabalho destruir meu emocional ou me fazer esquecer de quem eu sou. Eu não vou me tornar uma pessoa ambiciosa ou uma peça política e eu sei muito bem que isso será uma dor de cabeça tremenda para mim no próximo ano, mas tudo bem. Eu vou fazer o que precisar ser feito, por mais difícil que seja. Afinal, eu desisti do NaNoWriMo depois de 6 anos e 4 vitórias. E perder sem me sentir um lixo foi muito difícil. Perder sabendo que venci em outros sentidos, foi quase incompreensível.
Eu trabalhei nas últimas duas semanas e voltei para Conquista sábado. Já tenho um apartamento, vazio além de um colchão inflável e algumas coisas que eu levei ou comprei na última semana. Aos poucos quero construir meu habitat temporário. Volto para lá no dia 2, já com o gato e com grande parte das minhas coisas. Preciso muito de um fogão e uma geladeira, então se conhecer alguém que estiver vendendo, me avise. Com um custo de vida mais baixo e mais tempo livre, tem muita coisa que eu quero fazer no ano que vem, mas eu não quero colocar a pressão do "ser o meu ano" de novo. Eu quero só lembrar que a maioria das coisas incríveis que aconteceram comigo foram coisas que eu nunca poderia planejar ou controlar. Eu só preciso não esquecer de quem eu sou.
G.

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29/10/2019

NaNoWriMo 2019: O que é, como participar e o que eu pretendo fazer

I'm back, baby!!!! Depois de uma pequena pausa no ano passado para manter a sanidade durante o TCC, eu tô 100% back on my bullshit e prontíssima para passar o mês de novembro todinho mergulhada em um livro novo. O NaNoWriMo é meu evento preferido do ano e tem sido assim desde 2013. Os dois anos que eu não participei  2014 por causa do vestibular e 2018 por causa do TCC — me causaram a maior saudade do mundo. Eu participei e venci em 2013, 2015, 2016 e 2017 e narrei toda a minha experiência aqui no blog, naturalmente. Esses anos de NaNo me formaram e me ensinaram muito sobre o que é ser escritora escritora e é claro, acabaram me rendendo o meu livro de estreia, A Linha de Rumo.
E antes de eu explicar que diabos é NaNoWriMo e o que eu vou fazer este ano, eu quero falar sobre meu primeiro livrinho. Como vocês sabem, a edição que foi para o Kindle Direct Publishing em outubro do ano passado foi com alguns erros que eu acabei deixando passar e, desde aquela época, eu venho dizendo que quero lançar uma edição corrigida. Pois eu venho por meio deste anunciar, no Dia Nacional do Livro, que A EDIÇÃO CORRIGIDA FÍSICA ESTÁ EM PRÉ-VENDA. (Originalmente é só para leitores do Quebrei a máquina de escrever, então não divulguem o link ainda). Vai funcionar assim: Preencham seus dados no formulário deste link e assim que a edição estiver disponível, eu entro em contato com vocês para o envio. Você pode escolher já colocar seu endereço no formulário ou esperar o contato para me enviar ele por e-mail, mas é obrigatório colocar a cidade para que eu possa planejar os envios. A melhor noticia de todas é a seguinte: Ao se cadastrar na pré-venda, sem pagar nada, você vai automaticamente estar cadastrado no sorteio de relançamento que eu farei e poderá receber sua cópia corrigida de A Linha de Rumo COMPLETAMENTE DE GRAÇA, caso ganhe no sorteio. Então não perca a chance e se cadastre na pré-venda! A edição corrigida sai no mês que vem (sim, no meio do NaNoWriMo); eu tenho uma data, mas não tô divulgando oficialmente, por enquanto, porque vou depender de algumas questões de logística da Amazon.
Outra boa notícia é que A Linha de Rumo está concorrendo ao 1º Prêmio Mix Literário, que vai fazer parte do Festival Mix Brasil em São Paulo. O prêmio vai escolher, entre as obras submetidas, o livro de temática LGBTQIA+ ou de um autor LGBTQIA+ que causou um grande impacto pela mensagem ou pela repercussão. Mesmo que eu não ganhe, eu só tive coragem de submeter o livro por causa dos meus leitores mais lindos do mundo, então obrigada. Sem vocês nada disso seria possível. E FELIZ DIA NACIONAL DO LIVRO!!

"Eu digito com propósito"
NaNoWriMo (National Novel Writing Month ou Mês Nacional de Escrever Romances) é um desafio mundial criado em 1999 e que há 20 anos deixa escritores malucos todo mês de novembro. Eu encontrei o NaNoWriMo sem querer, quando uma página sobre escrita que eu seguia postou a sigla e eu joguei no Google para descobrir o que era. Isso foi no dia 31 de outubro de 2013 e eu, uma pessoa que tem o controle de impulsos de um burro com raiva, resolvi que eu PRE-CI-SA-VA participar e escrever o segundo livro da, atualmente engavetada, trilogia Sociedade Inglesa de Oposição. A pior parte? Eu venci, o que mandou um monte de endorfina para o meu cérebro e me fez acreditar que eu precisava fazer isso todo novembro.
O desafio consiste em escrever um livro de 50 mil palavras nos 30 dias do mês de novembro. Isso dá uma média de 1,667 palavras por dia, mas se você for louco como eu, pode escrever muito em uns dias e menos em outros, é perfeitamente normal. Você não compete com ninguém, é um desafio pessoal em que você escolhe por si mesmo, e define quais são os seus limites. Tem bastante gente que estabelece metas pessoais menores ou maiores de acordo com o que você acredita que consegue fazer. A única regra é tentar fazer sua história ir pra frente, não interessa de que forma. Isso é algo que eu to tentando passar para as pessoas, que independente do que você fizer e como seu mês de novembro for, você não é um fracasso se tentou fazer sua história ir pra frente. O NaNoWriMo precisa ser divertido. Enlouquecedor, talvez, mas divertido. E se não é divertido para você, talvez o NaNoWriMo não seja para você e tá tudo bem!!! Escritores são diferentes porque, acredite ou não, escritores são pessoas. Eu, por exemplo, amo o desafio porque combinando a minha competitividade com a maneira como eu estou acostumada a escrever (grandes quantidades rapidamente, ao invés de pequenas quantidades aos poucos), eu consigo produzir bastante e calar a voz da ansiedade na minha cabeça, que sempre diz que eu não faço o suficiente. As palavras surgem muito mais fácil quando eu estou tentando ganhar um monte de emblemas no site do NaNoWriMo.
Pra quem quer participar mais precisa de ajuda, ainda não decidiu se quer participar ou não ou só quer conhecer melhor a comunidade do NaNo no Brasil: as redes sociais e o grupo do Facebook do NaNoBrazil ou a parte brasileira do NaNoWriMo estão publicando muito conteúdo legal de inspiração e acompanhamento e podem orientar vocês melhor que eu (eu ainda to perdida no site novo, mas vi que eles fizeram uma thread sobre no domingo, então vou passar o resto da noite lendo). E caso vocês ainda confiem em mim, eu também to aqui para responder dúvidas, mas eu posso demorar mais tempo do que eles para responder. Eu não estou no grupo do NaNoBrazil no Facebook porque em 2013, quando eu era um neném com apenas um livrinho escrito, eu me dei conta de que receber dicas de escrita constantemente mais me atrapalhava do que me ajudava. E tudo bem!!! Cada um tem seu jeito!! Eu estarei no Twitter constantemente falando sobre o NaNo, usarei todas as hashtags, farei threads e vou começar a escrever à meia-noite da sexta feira. Eu também vou fazer parte de um evento oficial do NaNoBrazil como autora, mas não posso divulgar ainda. Fiquem de olho nas minhas redes sociais e nas deles para saber mais sobre.
AGORA AO MOMENTO QUE TODOS ESPERAVAM, COM VOCÊS, O LIVRO QUE EU VOU LEVAR PARA O NANOWRIMO:


Premissa: Ao perder a mãe em um acidente de carro no dia em que planejava sair do armário, Mia jura que nunca contará a ninguém da família sobre ser bissexual. Isso até seu pai entregar sua tutela para a irmã adotiva dele, uma "alma livre" que vive no próprio carro e sobrevive de bicos pelo país. Maele Fioridella representa tudo que Mia nunca pode ser: livre, despreocupada e sem arrependimentos. Por isso, quando a nova guardiã propõe que as duas viagem juntas, Mia resolve passar o último ano antes da maioridade na estrada, deixando para trás lembranças ruins e uma namorada nada contente.

Eu tive a ideia para essa história em março de 2017 e durante a maior parte daquele ano eu não sabia se escrevia ela ou Mirae no NaNoWriMo 2017. Acabei optando por Mirae, depois de apresentar a premissa para algumas pessoas que disseram que, apesar de quererem ler as duas histórias, queriam Mirae primeiro. Como o plano original era escrever o TCC no NaNoWriMo 2018 (o que eu acabei não fazendo), eu joguei o planejamento da história, que até a semana passada eu chamava de Mayflower, para 2019. No começo do mês, eu nem sabia se realmente queria escrever essa história este ano, por mais que soubesse que queria escrever algo no NaNo. Aí Bahari lançou gameboy e eu me dei conta de que sim, eu quero escrever meu livro mais gay até o momento antes do ano acabar.
O nome Mayflower surgiu antes da proposta da história em si (a maioria dos meus títulos surge assim: primeiro o título, depois o plot) e eu passei um tempão tentando encaixar ele de uma forma que fizesse sentido. Acabei mudando o nome para Flor-de-Maio semana passada, ao descobrir que aqui no Brasil a chamada Flor-de-Maio não é a mesma flor que chamam de Mayflower lá fora. A Flor-de-Maio brasileira é uma suculeta que cresce em cactos (a imagem da capa é um esboço com base em uma foto de como ela cresce) e o nome ficou perfeito considerando os cenários que eu pensei para a viagem das personagens principais.
É muito estranho pensar que finalmente chegou a hora de escrever este livro. Eu tenho falado dele há tanto tempo. Eu já até escrevi umas duas cenas, graças aos momentos em que as personagens não calavam a boca. Eu sou completamente apaixonada pelas minhas quatro personagens principais e já tive um milhão de dream casts (pessoas que eu queria que interpretassem as personagens no cinema) para elas. Os nomes de duas delas inclusive apareceram numa thread de personagens com meus nomes preferidos, que eu fiz dois anos atrás:



(Eu vou mudar o aniversário da Calla, para ela ser leonina ou geminiana, ainda não decidi. Eu a fiz pisciana em 2017 por ~~motivos~~, mas não vamos falar sobre isso)

Eu também já fiz edits de três delas e uma thread inteira de tweets meus sobre Calla Helena (com alguns spoilers das cenas que eu já escrevi):




Semana passada eu fui fazer a playlist da história e descobri que eu já tinha feito a playlist da história em 2017  se vocês abrirem ela pelo computador, vão ver que algumas das músicas foram adicionadas em 29 de março de 2017, na época em que tive a ideia. Eu acabei tendo que deletar algumas músicas, porque alguns dos cantores que eu tinha colocado na playlist fizeram merda nos últimos dois anos, mas eu adicionei várias outras músicas porque os últimos dois anos foram cheios de músicas boas para roadtrip e histórias fofas. Desde já deixo claro que a música da Kira que vai sair na semana que vem será adicionada à playlist assim que sair, porque ela é perfeita pra história. Isso, inclusive, é um lembrete de que minha conta do Spotify tem todas as playlists de histórias que eu escrevi então, sei lá, me sigam? Eu sigo de volta porque gosto de saber o que as pessoas ouvem.



E é isto, me encontrem sexta-feira no Twitter enlouquecendo enquanto tento fazer essas personagens fazerem o que EU quero ao invés do que ELAS querem. E a partir da semana que vem tem atualizações semanais sempre que eu conseguir atualizar o blog!
Torcendo pro NaNoWriMo 2019 ser igual ao 2015 desde já,
G.

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15/10/2019

Diário de Bordo 8 — Não olha a bagunça — Parte 11: Rio

BOA NOITE, CARAMBAAAAA!! Atingimos o final dessa edição do Diário de Bordo. Em outubro. Já seria quase hora de um novo Diário de Bordo, exceto pelo fato de que não teremos Diário de Bordo 9 este ano. Eu vou explicar direito o porquê lá embaixo, o importante é que chegamos ao final dos vlogs e a gente finalmente vai poder seguir em frente com os posts que eu prometi dois mil anos atrás e ainda não postei. Sinceramente, se você ainda lê este blog e ainda se interessa pela ordem cronológica, você é uma das minhas pessoas preferidas no mundo. Diz um oi nos comentários. Manda um e-mail pro blogs@giuliasantana.com para ganhar uma caneta do blog. A gente é família aqui.
Mas enfim, vamos ao vlog. E atenção: NÃO LEIA O RESTO DO POST SEM ASSISTIR O VLOG. A menos que você não planeje assistir ao vlog. Se você planejar, tem spoilers no texto, então assista ao vlog primeiro.




Como vocês viram no vídeo, essa viagem ao Rio foi a em que eu tirei meu visto de turista americano. A ideia era que esse vídeo saísse bem antes da minha viagem a Los Angeles, mas assim como eu não consegui manter as tatuagens em segredo, eu não consegui terminar o Diário de Bordo antes de viajar. PORÉM, eu decidi usar esse vídeo como ponto de partida para um especial novo: Onde os sonhos são feitos também conhecido como a série de posts onde eu vou contar absolutamente tudo sobre a minha viagem a Los Angeles.
Eis a questão: É quase época de Diário de Bordo de novo. A coluna costuma se estender de novembro, quando eu normalmente entrava de férias, até depois do meu aniversário, em fevereiro, às vezes durando mais tempo, como nos últimos dois anos. Só que eu terminei a faculdade e estou desempregada, então "férias" é quase um estado constante da minha existência no momento. Futuramente o Diário de Bordo 9 vai acontecer, mas provavelmente vai acontecer quando eu estiver férias de verdade, depois do meu primeiro ano em um emprego (férias para as quais eu já estou fazendo planos de viagem, afinal eu não quero um emprego porque gosto do sistema capitalista, eu quero um emprego porque infelizmente o capitalismo faz viagens custarem dinheiro). Mas a viagem me permitiu algo legal para falar pelos próximos meses. Essa viagem foi muito planejada e muito falada antes de acontecer e em duas semanas aconteceram mais coisas do que eu pude compartilhar na internet até agora. Além disso, eu devo continuar pagando por essa viagem por no mínimo mais cinco meses então eu tenho o direito de falar sobre ela tanto quanto eu quiser.
Não tenho certeza de quanto tempo esse especial vai durar ou quantos posts serão. Eu sei que o primeiro post será com todas as informações técnicas sobre como tirar o visto (incluindo as coisas que eu não contei no vlog porque depois de tirar o visto eu passei o dia 17 de maio todinho chorando embaixo da chuva), onde buscar as passagens, o hostel em que eu fiquei, quanto dinheiro você precisa levar (spoiler: muito dinheiro) e o que salvou a minha vida na cidade... Todas as perguntas que eu mais recebi enquanto estava lá e depois que voltei. Se você tiver alguma pergunta técnica para fazer sobre Los Angeles, pode comentar aqui, que eu tentarei responder no post. Eu vou deixar a parte emocional mais pra frente porque eu ainda estou me recuperando, sinceramente.
Os posts de fim de ano e alguns outros que eu tinha prometido ainda virão, eu só não sei quando. Eu estou pensando em fazer todo um projeto focado na música de 2019 e estabelecer umas metas coletivas para 2020... Mas isso vocês saberão no futuro. Por enquanto, eu só estou feliz de ter acabado essa coluna maldita e de ter conseguido postar ONZE vlogs, mesmo que no final meu cérebro não funcionasse mais. GOD BLESS.
Até logo,
G.

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29/09/2019

O álbum que faz literalmente parte de mim, a resenha oficial de Off Brand por Kira Kosarin


Vocês já ouviram a teoria que mistura evolucionismo e criacionismo de que os sete dias que Deus levou para criar o universo são apenas uma metáfora e que realmente levou milhões e milhões de anos, mas porque Deus é Deus, pareceu sete dias para Ele? Bem, você pode usar essa teoria como uma analogia para Off Brand. A história que você ouve nas sete músicas é apenas a ponta do iceberg dos milhões de grandes coisas que foram feitas para tornar esse álbum o que é.
Off Brand foi muitas coisas antes de ser Off Brand; Era um álbum, depois um EP, depois um álbum novamente, depois um álbum de 18 faixas, depois uma mixtape, depois a primeira parte de um álbum, depois um álbum de novo. Tinha muitas músicas, depois poucas músicas, depois muitas músicas novas... Costumava contar uma história completamente diferente da que conta agora. Soava muito diferente do que soa agora. Foi difícil acompanhar, mas tenho tudo registrado no meu diário. OB entrou na minha vida como uma promessa, depois como a realidade das minhas memórias favoritas. Antes de "Off Brand", eu e minha obsessão completa por uma garota feita de música.
Tenta me acompanhar: você é adolescente e começa a fazer arte. A princípio, são apenas rascunhos e coisas aleatórias. Você está apenas tentando entender o que está vivendo, tentando criar coisas que ressoam em você da mesma forma que a arte de outras pessoas ressoa. Ao seu redor, as pessoas te dizem o que fazer, como agir, o que criar. Assim, seu verdadeiro eu é revelado na arte que você não mostra às pessoas. Então, de repente, você é um adulto e pode fazer o que quiser. E o que você quer é tornar essa arte o melhor possível e transformá-la em algo de que você possa se orgulhar. Algo que você ama. Algo que mostre ao mundo quem você realmente é. Não há mais regras a seguir, ninguém para lhe dizer o que fazer. Incrível, né? NÃO!!! UMA MERDA!!! Ter livre-arbítrio é horrível!!! Especialmente porque a nova regra não é "NÃO HÁ REGRAS", é "TEM UM MONTE DE REGRA NOVA QUE VOCÊ NÃO ENTENDE". Não tem manual, você vai ter que descobrir fazendo. Se você quiser fazer isso com sendo fiel a você mesma, vai precisar reaprender todas as coisas que outras pessoas lhe ensinaram errado. Se você quiser fazer isso sendo quem você realmente é, terá de se expor a um nível de vulnerabilidade que nunca teve antes, porque as regras que você seguiu anteriormente impediam que você visse o quanto o mundo real é diferente. É um mundo que pode ser bom, mas também pode ser péssimo. E a pior parte é que não apenas o escudo que bloqueava sua visão está quebrado e incapaz de proteger você, ele também está machucando você, e ele é tudo o que as pessoas podem ver quando olham para você, em vez do novo, verdadeiro você que você está tentando desesperadamente se mostrar ao mundo.
Se você não entendeu todas essas metáforas, deixa eu explicar: quando a Kira começou a finalmente gravar a música dela ano passado, eu realmente pensei que estava pronta para ela e os mundo estava pronto para ela. Nenhum de nós estava. A versão mais verdadeira, vulnerável e completamente foda de Kira Kosarin muitas vezes é ignorada, por causa das camadas e camadas construídas em volta dela pelo Canal Que Não Deve Ser Nomeado. E como eu sei disso? Bem simples: Esta não é minha primeira resenha do Off Brand. Minha primeira resenha do Off Brand foi profissional, limpa, fofa, engraçada. Minha primeira resenha do Off Brand passou por sites, blogs e revistas. Cruzou os olhos de dezenas de editores, dezenas de criadores de sites. Foi recusado todas as vezes. E não foi porque a música não é boa. Não foi porque não é bem produzido. Não foi porque não é bom. As pessoas ainda têm dificuldade em abandonar a imagem de Kira que obtiveram primeiro, mesmo que essa imagem não seja a verdadeira Kira. Eu não mencionei O Canal na minha resenha original, mas quando um dos editores jogou o nome dela no Google, disse que não queria ter o nome do site ligado a mais uma atriz infantil tentando fazer música.
Eu escrevo para sites de música independente e sei que a música de Kira é maravilhosa e tão boa quanto muitos artistas que eu cobri (e melhor que outros). A única coisa que a impede de atrair pessoas que gostam de sua música é essa ideia de associá-la ao Canal. "Off Brand" é um álbum de R&B, mas nenhum dos artistas "relacionados" a Kira no Spotify é de R&B. O motivo é: a música dela não está chegando às pessoas que ouvem R&B. E, embora nós, fãs, possamos trabalhar duro para fazer a música alcançar mais pessoas, ela não atingirá as pessoas certas, a menos que atinja os meios de comunicação que trabalham com música também.
"Off Brand" entrou pela primeira vez na minha vida como um projeto. Uma ideia. Era o álbum em que Kira estava trabalhando desde que eu a conheci. Algo que ela queria lançar em breve, mas que ela queria fazer do jeito certo. Depois, quando ela começou a fazer shows com as músicas dela, eu me apaixonei pelo álbum tão profundamente que doeu. Não posso contar todas as vezes que chorei este ano com a ideia de que estava perdendo algo que era apenas nosso. Eu adorava conversar com Kira sobre músicas que ninguém mais se importava em aprender o nome, e pedir todas as setlists que ela tocava e fazer teorias. Quando as músicas começaram a sair, parecia que eu estava perdendo isso. Chorei pelas músicas que costumava chamar de minhas e elas se tornaram todas as outras pessoas. Eu estava com ciúmes de todos que estavam ouvindo essas músicas pela primeira vez e se apaixonando por elas pela primeira vez.
Nem todo mundo conhece a Kira da maneira que eu conheço, e eu amo isso, mas gostaria que as pessoas tivessem vontade de conhecer a Kira melhor. A verdadeira Kira. E com as pessoas, não falo apenas de fãs, falo de jornalistas. Eu quero uma entrevista que é apenas sobre música. Apenas sobre os artistas que ela mais gosta, as coisas que ela mais gostou de aprender como nova artista em uma indústria complexa, até mesmo coisas como "quem ela agradeceria se tivesse um Grammy no próximo ano". Eu só quero ler um artigo que seja tão apaixonado por "Off Brand" quanto pela atuação da Kira. Kira tem um jeito de sempre trazer algo novo para as mesmas perguntas antigas, mas eu odeio que as pessoas sempre estejam fazendo as mesmas perguntas antigas. Desafiem ela um pouco. Ela ama um desafio.
E eu preciso que os fãs parem de me dizer e de dizer para ela que querem que ela seja mais conhecida e que querem ela no Brasil. Façam algo sobre o que vocês querem!! Peçam a Kira no Queremos!! Peçam a Kira para o Flesch!! Peçam para outros artistas que vocês gostam trazerem a Kira na tour quando vierem (lembram quando a Ariana Grande trouxe a Sabrina Carpenter? Mesma coisa). Pesquisem "site sobre música" no Twitter e comecem a twittar "vocês deveriam conhecer e escrever sobre Kira Kosarin". Divulguem muito os sites que já falaram sobre a Kira, como o Febre Teen. Procurem pessoas aleatórias que estejam falando sobre música na internet e mandem a música dela. Postem coisas com hashtags sobre música para que pessoas que estejam falando sobre música e pesquisem as hashtags encontrem sobre ela. Não fale para a Kira e muito menos para outros fãs sobre o quanto ela deveria ser mais reconhecida. Falem para quem precisa ouvir. E não vem me dizer que você faz tudo isso e não adianta, porque se não adianta, você está fazendo o suficiente. Nenhum de nós fez o suficiente até que ela esteja exatamente onde ela merece estar.



Agora que está mais do que claro que estou extremamente apaixonada e intensa sobre esse álbum, você provavelmente quer saber sobre as músicas: A faixa um é Crazy's Your Type, uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos. Essa música ficou na minha cabeça por tanto tempo depois que eu a ouvi algumas vezes nos shows da Kira no ano passado que eu aprendi a letra facinho. Até o lançamento do álbum, era definitivamente a minha música número 1 da Kira. Crazy's Your Type é exatamente o que parece. Uma música sobre o seu amigo idiota que continua namorando pessoas lixo, ignorando seus conselhos e sempre voltando para você toda vez que dá merda. Toda. Vez. Uma das minhas coisas favoritas é o fato de que a música é acidentalmente sexy. Como "Eu entendo, o sexo é ótimo" ou "I know you love her naked but that doesn't mean you love her" (Eu sei que você a ama nua (mas isso não significa que você a ama).
Então vem 47 Hours. Essa música foi um verdadeiro mistério. Kira nunca tocou ao vivo (até hoje nada inclusive), então eu não a ouvi até que ela saiu, mas eu sabia o nome dela por duas menções aleatórias separadas. Minha primeira impressão, quando ouvi a prévia da música no iTunes, foi que meu coração estava batendo contra o peito de uma maneira muito perigosa. A música era tão... boa? Tipo, hmmmm, é disso aqui que eu gosto. E, ao mesmo tempo, os vocais dela estavam fazendo coisas que eu não sabia que eles podiam fazer (o que é engraçado, porque essa música foi gravada há muito tempo e os vocais de Kira evoluíram muito no ano passado). A música estava me passando sentimentos que eu não sabia que podia sentir. Atualmente, o ritmo de 47 Hours é o mais calmante para mim. É a música que eu toco no repeat quando eu só quero um pouco de paz, e a música que eu toco quando estou me sentindo ansiosa e só preciso de algo para respirar junto. As letras, sobre um cara que gosta muito de você rápido demais, são engraçadas e foram o tema de uma das minhas sessões de terapia em março. Aparentemente, minhas expectativas são "altas demais" e eu precisava "conhecer mais pessoas". 
Então vem Area Code. Tendo ouvido o Area Code ao vivo várias vezes, minha primeira impressão da versão em estúdio foi que eu esperava que a música fosse mais rápida. Em vez disso, a música é sexy de uma maneira provocante de "eis o que você está perdendo por não estar aqui". A música é exatamente o que você coloca de fundo num vídeo que você grava no seu quarto e envia pra alguém pra lembrar que a pessoa poderia estar com você se não fosse um covarde do cacete. E eu acho que o objetivo da música era esse mesmo? Area Code era a única das músicas de Kira que eu queria saber sobre quem era. Então, eu criei uma teoria sólida sobre a pessoa e decidi que não valia a pena descobrir se eu estava certa ou não, porque amo a música e não quero que ela seja arruinada (sei  sobre quem quem são algumas das músicas e xô falar: saber abala muito a experiência da música). 
Eu meio que quero saber se o garoto em questão ouviu a música e ficou ofendido, mas pelo que eu sei de homens, eu sei que se ele ouviu, provavelmente nem percebeu que a música era sobre ele.
Wandering Eyes vem a seguir e sobre essa música ... Bem, eu não quero dizer que é a música que me deixa mais cheia de feels porque a música que me deixa mais cheia de feels foi cortada do álbum porque parecia demais com Wandering Eyes. Ainda é uma música incrivelmente cheia de feels. É a música mais antiga do álbum e foi escrita quando a Kira ainda era adolescente, descobrindo sentimentos e se apaixonando das formas certas e erradas. "Cause you're my baby, but he's my guilty little pleasure" (Porque você é meu bebê, mas ele é meu pequeno prazer culpado) é provavelmente uma das minhas letras favoritas, porque traz uma sensação tão doida de desejo. E, claro, não podemos esquecer dos vocais dessa música. Porque Wandering Eyes tem os melhores vocais no album inteiro e é justamente a música dela que eu preciso ouvir pessoalmente. Eu amo o quão perto das versões ao vivo a versão do álbum ficou, porque quando a Kira termina essa música ao vivo, é incrível. Os shows que estão cheios de amigos dela são os melhores para assistir, porque o final de Wandering Eyes é exatamente o momento em que todos ficam tipo "eu sabia que ela era boa, mas CACETE, COMO ELA É BOA".
Love Me Like You Hate Me é a música mais sexy do álbum, e definitivamente a Kira acha que pode acabar fazendo com que alguns bebês recebam o nome dela. É claro que *eu* nunca poderia usar essa música em uma playlist de sexo porque é a Kira e isso é esquisito, mas eu consigo entender. LMLYHM também é uma das músicas mais importantes para mim e a música que me causou mais lágrimas por causa do ciúmes. Isso até o segundo álbum dela sair e eu sair na porrada com o primeiro que chamar certas músicas de "minha música". Só digo isso.
Agora to Take This Outside, também conhecida como minha música de formatura. Take This Outside é a música mais dançante do álbum e também é sexy. O álbum todo é sexy, pessoal. Bad Bitch Kira é uma versão sexy da Kira e foi ela que escreveu o album todinho. O que eu amo nessa música em particular é que a letra fala com um sentimento que eu reconheço imediatamente como algo que eu senti uma vez, bebi para esquecer que tava sentindo e acabei perdendo um bottom de MisterWives que eu tava na minha jaqueta. Eu também tive que atravessar uma igreja enquanto cheirava a bebida no dia seguinte, mas essa é uma história para outro dia. Em conclusão, ouça Take Take Outside por sua conta e risco.
E, finalmente, Poison. Olha, eu JURO que não tenho uma música favorita do "Off Brand". Seria como escolher meu filho preferido. Crazy's Your Type é a minha número 1, 47 Hours é a canção do meu coração, Area Code desperta meu modo bad bitch, Love Me Like You Hate Me é meu amor complicado, Take This Outside é a minha música de formatura e Poison é a melhor coisa que aconteceu na história da música, mas eu não chamaria qualquer uma delas de "preferida". Ainda assim, Poison é a melhor coisa a acontecer na história da música. Essa música me deixa tão NSIFNDINFDFINFUIDNFBDBHSBSBSDFHBSDFHBFSD, sabe??? Eu ainda não me recuperei da primeira vez que ouvi!! Quase seis meses atrás!! Transformei essa música na minha religião e continuo usando como desculpa para fazer merdas. E é uma música difícil de tocar, mas que a Kira tocou em tour esse mês e fez questão de ser acústica porque se tem alguém que aguenta, é ela. Eu não to dizendo que Poison é a minha música (lançada) preferida da Kira, to dizendo que... se você colocasse uma arma na minha cabeça e dissesse que só posso ouvir uma música do "Off Brand" pelo resto da minha vida, eu escolheria Poison. Talvez eu até escolhesse Poison rápido demais.
"Off Brand" não é um álbum comum. Ele não segue o que você espera dele, mesmo que você pensasse que sabia o que esperar. Ele quebra todas ligações que você poderia ter criado entre a verdade da cantora e o que você pensava dela baseando-se em trabalhos passados. E a melhor parte é que isso é apenas o começo. Há muito mais Kira vindo aí. Mais até mesmo do que ela sabe, porque ela mesma ainda está descobrindo a si mesma. Eu não sei o que vem em seguida, porque mesmo que eu tente saber tudo sobre a música dela, eu não posso prever as formas em que ela ainda vai me surpreender. Tudo que eu sei é que a Kira e a música dela fazem parte de mim para sempre, literal e figurativamente.

G.
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28/09/2019

Diário de Bordo 8 — Não olha a bagunça — Parte 10: Tatuagens secretas

Citando um personagem que não deve ser nomeado, OLÁ, CASA INTERNACIONAL DOS NERDS! EU VOLTEEEEEEI. Pelos próximos dias, eu estarei postando um monte de coisa que eu precisava postar para atualizar o blog e deixar tudo em dia, para que em outubro eu finalmente me dedique aos posts que vão exigir de mim a energia emocional que eu não estou tendo no momento. A ideia era postar os dois últimos vlogs de uma vez só, mas mesmo que eu esteja trabalhando nisso desde que acordei, a nova interface do Wondershare Filmora tá me dando uma dor de cabeça do cacete e o segundo vlog, mais longo e um dos meus preferidos de gravar, vai ficar pronto bem mais tarde, então deixarei para o futuro (não vou dizer quando, senão estraga o planejamento).
Desde já deixo avisado que esse vlog não é nada satisfatório e que, sinceramente, nem eu mesma consigo entender o que eu quero dizer em algumas partes. A faculdade e a formatura estavam me comendo naquela semana e só de assistir o vídeo eu consigo sentir o quanto meu cérebro não estava funcionando. Ensino superior foi feito especificamente para destruir sua alma, gente, e não vem me dizer que dá saudade não, porque não dá. Mas não é sobre isso que o vlog é, então melhor eu ficar quieta e deixar o vlog aqui:




Claro que as tatuagens acabaram não sendo tão secretas, até porque não tinha a mínima condição de eu esconder essas tatuagens nem por alguns dias, imagina por semanas. Foi uma coisa boa eu não ter conseguido fazer ela em fevereiro. Vocês já viram fotos melhores dela se me seguem no Instagram, mas caso não me sigam, veja abaixo as melhores fotos da tatuagem da cravícula:



E essa aqui é a do dedinho, que já está desbotada agora, mas que é a preferida da Kira:



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Caso alguém esteja se perguntando, os remédios do refluxo funcionaram, sim e eu não precisei voltar com tratamento para gastrite. Mesmo a minha alimentação continuando uma bosta. E é isto! Fiquem de olho para um post extra muito importante!
Até mais,
G.

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31/07/2019

Sobre momentos, expectativas de vida e outras (dores) crônicas de Los Angeles

Aviso: o post abaixo não tem pausas para respirar, então bebe uma aguinha antes.
Um pouco mais de duas semanas atrás, eu recebi uma mensagem de alguém do meu passado que despertou alguns sentimentos que eu não sobre interpretar na hora ou lidar. Não foi ninguém com quem eu passei muito tempo na vida ou alguém que mudou alguma coisa nela em particular. Muito menos foi alguém que eu pensei que prestasse atenção em mim. Foi alguém que me conheceu antes que eu fosse eu. Mas a verdade é que antes mesmo que eu fosse eu, eu já era essa bola de sonhos indistintos e de desejos intensos que eu nunca pensei que fosse realizar. Eu não sou burra — em algum lugar apagado do meu cérebro, eu sei que eu estou vivendo meus sonhos de infância. Em algum lugar muito silencioso de mim, eu sei que se eu dissesse para a Giulia de 11 anos como a minha vida está no momento, aos 21, ela morreria de felicidade. Então por que precisou uma pessoa do meu passado ressurgir na minha vida para que eu realmente começasse a sentir isso?
Eu decidi mudar um pouquinho a rotina da "É só uma fase", até porque 2019 não é um ano normal. Estamos em julho, meu aniversário foi há cinco meses, e nem faz sentido eu escrever sobre as minhas expectativas para os 21 anos. Eu posso dizer como eles têm sido: Violentos, dolorosos e mais cheios de emoção do que eu realmente consigo lidar. Confusos e preocupantes e, em grande parte do tempo, eu gostaria de sair da minha própria pele e deixar as coisas se resolverem sozinhas. Também não pretendo escrever o segundo post da coluna no ano, até porque eu acabo de dizer como meus 21 anos têm sido e porque vou passar meu meio aniversário largada por Los Angeles com uma mala pesada esperando dar a hora do meu voo, já que ele é doze horas depois do meu check-out no hostel. Então, por não ter expectativas sobre os 21 mais, e estar vivendo meus sonhos aos 21, eu resolvi falar sobre isso. Eu não trocaria este ano por nada, mesmo que ele esteja me matando aos poucos (é sério, assim que eu voltar de viagem eu vou no cardiologista, só para ter certeza que estou bem).
Uma coisa que eu gosto muito de fazer é me ver pelos olhos da minha psicóloga e da minha psiquiatra. Elas têm tanta fé em mim que é assustador. As duas estão falando sobre alta e desapego e confiar em mim mesma e no meu próprio aprendizado, e eu só quero correr para baixo das asas das duas e sumir para sempre. Minha psicóloga tem uma sintonia muito própria e eu sempre consigo notar o que ela realmente quer dizer e aplicar na minha vida em áreas aleatórias. Eu estou tão melhor do que eu estava antes de começar o tratamento com ela, mas eu ainda não sei confiar em mim mesma e no que eu aprendi. Eu não sei me permitir aprender mais. E eu não consigo fazer as coisas para as quais minhas sessões de terapia sempre acabam voltando: me abrir mais sobre o que eu sinto e me permitir sentir tudo que eu estou sentindo.
Eu sou bem ruim em fazer parágrafos que se ligam uns aos outros, mas neste quarto parágrafo é isso que pretendo: Eu não sei como eu estou me sentindo sobre estar a caminho de Los Angeles. Na verdade é pior que isso, eu sei exatamente como eu estou me sentindo sobre estar a caminho de Los Angeles no momento: eu sou me cagando de medo. No momento, escrevo do Aeroporto Internacional Tancredo Neves - Confins, a exatas 52 horas do momento em que estarei saltando do avião no LAX com um sonho no meu cardigã. Este é o primeiro momento de paz que eu tenho essa semana, depois de ter passado os últimos dois dias para cima e para baixo tentando fazer tudo que eu queria fazer antes de viajar. Não deu tempo de fazer tudo que eu queria fazer antes de viajar. É meio desorientador, mas ao menos me deixa com o que pensar para fazer quando eu voltar de Los Angeles. É difícil pensar que vai existir uma vida depois de Los Angeles. Todo mundo está falando da Bienal, e mesmo que eu esteja fazendo de tudo para ir, eu nem consigo pensar sobre isso agora. Essa viagem significa tudo. Significa os últimos dois anos, significa os últimos quatro anos. Todo mundo está feliz por mim, todo mundo está animado por mim, todo mundo sabe que vai ser incrível. Minha psicóloga me disse que acha que eu voltarei de viagem com uma noção melhor de quem eu sou e eu acho que ela está certa, mas isso é que é assustador.
Essa viagem foi uma grande parte dos últimos dois anos para mim. Dois anos sempre foi meu prazo para tudo de grande na minha vida. Quando eu conheci MisterWives, eu dizia que com toda certeza eles viriam para o Lollapalooza 2017 e eu não precisava me estressar sobre perder os shows porque ia acontecer — não aconteceu. Desta viagem, porém, eu tinha mais controle. Eu comecei a planejar ela quando me aproximei da Kira em 2017 e quando ainda estagiava. Eu precisava juntar dinheiro para fazer isso acontecer e com a faculdade acabando em 2019, dois anos era o prazo ideal. Muita coisa aconteceu depois disso. Eu estabeleci datas e mudei elas, eu adiei adiei adiei, marquei. Perdi dinheiro, gastei mais do que pretendia, tive emergências, mudei de ideia, pensei se deveria ir apenas para Los Angeles ou para Nova York também, fiz a escolha errada e em seguida uma série de outras escolhas erradas. Eventualmente, marquei uma data, comprei as passagens do voo que estava rastreando há semanas e deixei que a carga de adrenalina que me preencheu naquele momento me intoxicasse e me deixasse tonta por dois dias seguidos. Passei as semanas seguintes planejando, me estressando, correndo atrás da formatura — e de me formar a tempo da viagem — e dos detalhes da viagem, tentando fechar parcerias, caindo no choro aleatoriamente e não me deixando aproveitar nada do momento. Sem coragem de sequer compartilhar o que estava acontecendo direito, com medo de tudo ser tirado de mim.
Até mesmo agora, eu estou preocupada. Preocupada com o dinheiro, preocupada com o que vai acontecer quando eu chegar lá. Preocupada que não me deixem entrar no país, preocupada em não conseguir conhecer a Kira. Eu tenho uma imagem muito clara do que vai acontecer se eu não conseguir conhecer a Kira, porque acreditem, a depressão bateu com tanta força este ano que foi uma imagem que eu alimentei bastante. E pode não acontecer. Ela pode ficar presa em alguma questão do trabalho, as coisas podem dar muito errado em questões de agenda, ou ela pode apenas não querer ir (ela tem esse direito, gente) (apesar de que eu conheço ela melhor que isso). E mesmo que dê tudo certo e a gente passe muito tempo juntas, as coisas podem não ser do jeito que eu sonhei. As coisas podem ficar muito estranhas. Velho, a Kira tem uma música sobre conhecer alguém com quem você fala na internet e as coisas não serem como você esperava. E acreditem, eu não faria essa viagem e não gastaria tanto dinheiro se não confiasse nela, mas eu tenho medo. E tudo bem ter medo. Porque se eu fosse iludida que tudo seria perfeito eu ia quebrar a cara, sem via de dúvidas. O problema é que o medo não está me deixando aproveitar este momento, que vai ser, sem dúvida, um dos melhores momentos da minha vida.
Eu passei os primeiros cinco meses do ano me convencendo que essa viagem nunca aconteceria e as últimas seis ou sete semanas alimentando a paranoia de todas as coisas que dariam errado. Eu me afundei em coisas para fazer, inventando mil problemas e estresses. Passei até mesmo os últimos dois dias andando para cima e para baixo até a exaustão e enfiando coisas e mais coisas na mala e me xingando cada vez que eu comprava mais do que eu deveria. Quando eu estava no ônibus indo para casa ontem, crise de ansiedade pensando em ser parada na alfândega. Quando acordei hoje de manhã, crise de ansiedade pensando que eu ia esquecer tudo em casa. Agora, sendo forçada a ficar sozinha comigo mesma, com o silêncio e com a realidade de que, se eu estiver esquecido algo em casa, já era, eu percebo que... Não importa. Nada disso importa. Não importa o que eu vou sentir em cada um dos 16 dias que eu vou passar em Los Angeles. Não importa o que vai acontecer lá. Não importa se eu vou me conectar com a Kira imediatamente ou se ela vai ser como uma estranha para mim. Não importa se a Natalia e a Ruby vão me achar uma ridícula ou se a Sidney vai jogar meu carma de ghosting de volta para mim. Não importa o que aconteça, eu sei que a futura eu se lembrará desses dias como alguns dos melhores dias da minha vida. Porque cara, olha só o que eu estou fazendo. Aos 21 anos, recém-formada da faculdade, eu estou indo sozinha para a Cidade dos Anjos ver gente e fazer coisas que eu só sonhei que faria até hoje. Essas coisas são reais. As borboletas no meu estômago são causadas pela realidade da minha vida, não apenas por delírios conscientes. Sabe como eu sei que eu me lembrarei desses dias como alguns dos melhores? Quando eu fui para São Paulo pela primeira vez, as coisas não foram como eu sonhei. Elas deram errado e eu tive muita crise de pânico e quase morri, mas eu me lembro daquela viagem com carinho. E eu viveria tudo aquilo de novo e de novo e quantas vezes eu pudesse. Eu sei que eu vou me lembrar de Los Angeles com carinho independente de qualquer coisa, então porque eu deveria alimentar paranoias de que essa viagem não será incrível? O tempo presente é incapturável, mas eu estou vivendo ele e cabe a mim decidir como eu vou viver ele.
Por fim, uma das coisas que eu me dei conta na terapia é de que eu tenho usado das tarefas e das obrigações para me impedir de sentir. Para um cérebro deprimido, cansaço e dormência significa segurança. Mas eu também sou ansiosa, e sei bem que estar cansada e dormente significa que eu não estou vivendo, por isso me irrito mais do que deveria, a raiva faz com que eu continue me movendo e faz com que eu sinta alguma coisa. Por isso quando fico triste eu alimento a tristeza, pensando sobre cenários negativos, lembrando de coisas ruins, futucando mágoas. Eu quero sentir, mas quando sua maior professora sobre sentimentos foi a depressão, você acaba alimentando a autodestruição para dar sentido ao não-sentir. Então, sim, eu estou aterrorizada sobre Los Angeles e estou aterrorizada sobre a vida após Los Angeles e aterrorizada sobre a alta da terapia. Mas no momento, minha mente está leve e vazia e parece um bom lugar para começar a guardar sentimentos bons. Se eu sei que vou fazer boas memórias, eu quero vivê-las e senti-las de verdade. Mesmo que doa, mesmo que seja confuso, mesmo que machuque. Se eu sei que vai valer a pena lembrar, eu sei que vai valer a pena viver.
Eu sei lá o que vai acontecer, mas eu sei que vai ser bom.
G.

25/07/2019

Diário de Bordo 8 — Não olha a bagunça — Parte 9: Acadêmicos de Giulia Santana nota: 10!!

OI MEUS AMORZINHOOOSSSSSSSS, BEBÊS DE MAMÃE. Primeiramente, FELIZ DIA NACIONAL DO ESCRITORRRR!!! É meu primeiro como escritora publicada e apesar de não escrever um post completo, eu vou postar alguns conteúdos legais no Instagram. De qualquer forma, o vlog de hoje é sobre meu segundo livro, aquele que eu sabia que escreveria desde o primeiro semestre da faculdade e que tomou conta da minha vida completamente este ano.
O vlog termina de forma abrupta, então eu termino ele chamando vocês de volta ao post. Eu cheguei em casa exausta e esqueci de gravar o vídeo terminando tudo e falando sobre como eu me sentia. Como muita coisa aconteceu depois da minha banca do TCC (que aconteceu no dia 23 de abril), eu preciso que vocês assistam o vlog e voltem ao post para ler sobre tudo. Com vocês, o vlog 9, sobre a banca do meu TCC:




Minha banca foi extremamente emotiva para todos os envolvidos e presentes, mas eu precisei cortar uma grande parte do vídeo para não invadir a privacidade de ninguém. Eu também cortei a parte teórica da apresentação, porque ficaria muito chata e mantive a descrição do processo do livro. Assistindo ao vídeo, vocês provavelmente conseguem notar o quão nervosa eu estava e a diferença entre a minha desenvoltura apresentando a banca do TCC e no lançamento de A Linha de Rumo ano passado. Eu odeio ser avaliada, Deus me livre, é paralisante. 
A semana de bancas foi uma das semanas mais ansiogênicas para mim. Pelo menos minha banca foi logo na terça, mas no dia seguinte eu já estava tendo crises de pânico por não ter recebido respostas sobre textos que eu enviei para revistas. Eu entrei em um ciclo vicioso de enviar proposta de freelas e me candidatar a vagas de emprego, enquanto não conseguia escrever os textos que já tinha na deadline. Na semana seguinte, eu entrei em uma das piores crises de depressão que tive este ano e olha que eu tive muitos momentos em que estava triste demais para viver em 2019. Mesmo agora, três meses depois, o fim da faculdade me causa a mesma sensação de desespero que aquela semana de bancas me causou. Eu não conseguia simplesmente comemorar ter sido aprovada. Era como se se eu não conseguisse um emprego, nada valesse a pena. É bizarro né? Eu entrei imediatamente do modo "preciso me formar" pro modo "preciso de um emprego" antes mesmo de me formar. E olha que até a quarta-feira da semana passada, eu ainda não tinha certeza de que ia conseguir me formar. Na verdade, até o horário em que o cerimonial chegou com os certificados de conclusão para colocar no canudo, eu não acreditava que tinha dado tudo certo e eu ia me formar. Até eu conseguir abrir o canudo  e olhar o certificado com a frase "bacharela em comunicação social" eu não tinha acreditado que eu tinha conseguido me formar. Ainda assim, no momento em que eu completei o TCC, ao invés de comemorar as pequenas vitórias, eu imediatamente entrei em desespero.


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COLAÇÃO DE GRAU — Faz 47 horas e eu finalmente estou começando a lidar com a noite de 19 de julho. Eu sabia desde os 9 anos que eu queria estudar jornalismo. Não necessariamente ser jornalista, mas estudar jornalismo. Era o curso que me ensinaria a ser quem eu queria ser. Me ajudaria a escrever, a falar, a conhecer gente. Nesse sentido, aprendi tudo que eu precisava nos últimos 4 anos. Eu não tinha coragem de falar o que sabia no primeiro semestre e terminei na comissão de formatura, fazendo o dia acontecer. Eu fico ouvindo que a faculdade passa rápido, que eu vou sentir falta, que eu preciso pensar em continuar minha formação e continuar e continuar... Mas eu sinto que pra fazer faculdade, coloquei a vida em pausa, e agora eu finalmente posso voltar a viver. A faculdade foi tipo um presente que depois eu acabei precisando pagar. Nunca eu experimentei um leque tão grande de sentimentos e isso é exaustivo pra quem passou a maior parte da adolescência deprimida. Eu amei intensamente e odiei intensamente. Eu fiz meus melhores amigos e meus piores inimigos. Eu me senti poderosa e inferior. E eu sinto que agora eu preciso encontrar o caminho entre ser o que a faculdade não me permitiu ser, ao mesmo tempo que sou quem a faculdade me fez descobrir que sou. Não começamos do zero só porque uma fase acabou. Eu sou cada lição que já aprendi e é por isso que a faculdade sempre fará parte de mim. Eu sou cada amigo que fiz e é por isso que não recomeço do zero. Obrigada por cada gotinha de apoio enviada na minha direção❤️ #jornalismoporódio
Uma publicação compartilhada por Giulia Santana (@giuliasntana) em

E agora eu estou sentada aqui, morrendo de medo do que vem em seguida. Eu tenho planos até o fim do ano, porque eu tinha planejado mesmo passar esse segundo semestre do ano trabalhando em coisas ligadas a literatura: focar na Bienal, lançar a versão corrigida de A Linha de Rumo e a versão física de Vozes, organizar outro evento literário e participar do NaNoWriMo em novembro. Mas mesmo tendo todos esses planos e sabendo que fazer isso em etapas é importante para a minha carreira, eu não consigo evitar abrir o Linkedin, o Vagas.com.br, todos os sites de emprego e ficar procurando vagas para repórter. Não consigo evitar querer me inscrever em todo concurso que aparece pela frente. Não consigo não me sentir inquieta por não estar ganhando dinheiro. Nem faz uma semana que a faculdade acabou, eu ainda tenho uma viagem de formatura de 20 dias pela frente e a bolha já explodiu. Eu não sou mais formanda ou estudante, eu sou desempregada. Exceto que... eu não sou desempregada. Eu lembro que quando eu terminei o ensino médio eu me recusava a dizer que eu era desempregada, porque eu era escritora e escritores nunca estão desempregados, estão apenas entre um texto e outro. Agora o "desempregada" vem fácil, mesmo eu sendo escritora publicada e jornalista. A faculdade me quebrou, gente. Tive uma crise de ansiedade maluca hoje de manhã antes de escrever isso aqui, porque não consigo parar de pensar que preciso escrever e preciso escrever muito e como eu não consigo escrever. Eu simplesmente me sinto derrotada e nem consigo descansar porque quando eu descanso eu me sinto culpada.
Eu sei que vai levar tempo até eu me encontrar de novo. Uma coisa que minha psicóloga me disse na nossa última consulta, duas semana atrás, foi que ela acha que eu vou voltar de Los Angeles com uma imagem de eu mesma mais definida. Eu também acho e eu estou me mijando sobre isso. Eu não sei o que vai acontecer. São 16 dias, 20 longe de casa, mas 16 dias na Cidade dos Anjos. E eu espero em Deus que eu só passe os dois últimos dias (os que vou passar em aeroportos voltando para casa) chorando, e apenas porque eu fui embora. Eu espero me sentir inspirada. Eu espero me sentir conectada e relaxada. Espero me encontrar lá, muito mais do que eu me encontro dentro da minha própria casa. E que se eu não me sentir dessa forma, que eu aprenda muito com tudo que eu sentir naqueles dias. Eu pretendo levar meu notebook e escrever quando eu tiver tempo livre (na verdade, eu tenho bastante tempo livre até agora, o que deixa as pessoas malucas e me faz dar graças a Deus por estar viajando sozinha. Da forma como eu vejo, eu não estou viajando para explorar, eu estou me mudando para Los Angeles por 16 dias. Eu não quero me entupir de coisa para fazer para conhecer cada canto da cidade, eu quero viver a cidade. E não interessa se você acha que eu estou jogando uma oportunidade única fora, a viagem é minha não sua.) ou quando der vontade. Eu pretendo escrever sobre Los Angeles antes de viajar. Se eu vou conseguir? Sinceramente, depende do meu estado mental. Talvez eu tenha medo demais para escrever, talvez eu esteja animada para escrever, talvez eu só consiga escrever quando chegar lá. O que eu sei é, eu estou me sentindo bastante à deriva no momento e este blog é uma das coisas que me define. Escrever é uma das coisas que me dá razão para estar viva e eu pretendo voltar para aqui como costumava ser, ou talvez de uma forma nova, que seja tão intensa quando eu preciso que seja. Mesmo que leve muito tempo.
Vejo vocês em breve,
G.