21/08/2015

Porque eu não sinto falta (nenhuma) do ensino médio

ADVINHA SÓ QUEM ESTÁ DE VOLTA ÀS AULAS? EU POSSO OUVIR UM AMÉM? Depois de 3 meses e 12 dias sem aula, entre greves e paralisações, minhas aulas voltaram na segunda e voltaram com tudo. Estou com vários trabalhos para fazer e com privação de sono (só 5% do meu cérebro está funcionando) e tenho aula amanhã, mas surpreendentemente estou mais saudável do que estava durante a greve porque voltei a ter uma rotina. Resumindo, eu estou feliz, apesar de estar sonhando com o fim do primeiro semestre (e de poder descansar sem nenhuma culpa na cabeça). De qualquer forma, eu sei que este não é um post dos #PostsAleatóriosEmAgosto (virou uma hashtag pra ficar mais legal), mas antes de prometer postar só sobre temas aleatórios em agosto, eu prometi que falaria sobre a faculdade sempre, para vocês saberem como as coisas estão, então achei justo aproveitar a semana em que minhas aulas voltaram para atualizar o Procrastinando Em Classe.
Eu sei que sou uma aluna do primeiro semestre (e tenho sido há 6 meses) e que terminei o ensino médio só 9 meses atrás, mas eu tenho ouvido tanta gente que estudou comigo dizendo que está sentindo falta do ensino médio que a única conclusão a qual eu consigo chegar é: esse povo é completamente doido. Não tem como sentir falta do ensino médio, gente. É como sentir falta da prisão, só que pior, porque pelo menos na prisão tem cama e comida de graça. Eu acho que é uma coisa você sentir falta de ver seus amigos todos os dias (e eu sinto, porque agora só os vejo uma vez a cada dois meses), outra coisa é sentir falta de ter sua alma e suas esperanças destroçadas pelo sistema educacional que te faz se sentir mal por não saber algo que nem mesmo os professores que não são daquela matéria sabem. E nem adianta dizer que só a minha experiência do ensino médio foi ruim: minha irmã mais nova acaba de começar o primeiro ano e ao ver as picuinhas entre colegas, os problemas com professores e as exigências desumanas que a escola faz a ela, assim como fez comigo, eu agradeço de joelhos por já ter me livrado disso. Mas - se mesmo depois de ler esses motivos lógicos - você continua sendo o tipo de pessoa que sente falta do ensino médio, eu gostaria de expôr em detalhes, porque a faculdade acabou com qualquer falta que eu pudesse sentir do ensino médio.

Alguém me explica como ele escreveu lá em cima?
Só pra começar, nada mais de pressão para o vestibular que é a maldita pior parte do ensino médio inteiro. E vamos encarar: Os 3 anos da sua vida que você passou naquela sala de aula foram só para o vestibular e depois que acabou, nada daquilo serve mais. Você dedica 3 anos inteiros para 6 horas (em média) de prova. É uma bosta, e eu queria muito poder dizer que todo seu esforço vale a pena, mas eu não posso dizer isso, porque eu acredito que o processo de entrada na universidade SÓ pelo vestibular é absurdo. A prova podia ser complementar, mas não se mede 3 anos de esforço em um dia. Além disso, dizer para um jovem de 17 anos que uma prova vai definir a vida dele inteira é assustador e estúpido. Acontece o tempo todo e me deixa me sentindo péssima quando um amigo meu chega para mim chorando e dizendo que é burro e que se não conseguir passar no vestibular logo a vida dele já era. É normal ter medo de algo importante, mas fazer sua felicidade depender de algo que pode dar errado por N fatores que em nada envolvem seu esforço ou sua inteligência não é certo. Sua nota naquela prova idiota não define nada, seu esforço define. Eu conheço pessoas que passaram 9 ANOS estudando para passar no vestibular e outros que deram a sorte de chutar certo as questões mais difíceis no Enem (o que te dá mais pontos do que quem chuta certo as questões mais fáceis, graças ao Teorema de Respostas), passaram de primeira e agora estão cursando algo que nem gostam. É a coisa mais arbitraria do mundo.
O fim do vestibular também acaba com o clima competitivo entre os alunos. Bem, pelo menos não no primeiro semestre, perguntem outra vez quando os estágios começarem. Minha turma, na verdade, trabalha em grupo muito fácil. Todo mundo se dá bem e no geral todo mundo se ajuda. O tempo em que as brigas em sala de aula sobre quem terá a futura profissão "mais importante" acabou. Isso pra não falar das brigas típicas de ensino médio, sobre motivos que vão desde "quem fez o melhor trabalho" até "pegou a pessoa que eu gostava". Eu nunca tive energia para esse tipo de coisa, então só ouvia e revirava os olhos (internamente, porque revirar os olhos em sala de aula deu ruim pra mim no ensino fundamental). Hoje em dia eu estudo com um monte de gente que também não tem mais energias para esse tipo de coisa. Universitário não tem tempo pra nada disso: Entre dormir e querer estar dormindo, não dá para se preocupar com o que os outros estão fazendo. É bem verdade que algumas pessoas não saem nunca do ensino médio, mas elas são exceções, graças a Deus.
E falando em pessoas, eu vivia reclamando que na escola você é forçada a conviver com pessoas completamente diferentes de você e que isso sempre causava discórdia. Bem, agora eu estudo com gente parecida comigo (eu disse parecida, não idêntica), até porque a gente quer a mesma profissão. Ainda não achei nenhum assunto sobre o qual eu não posso falar com o pessoal da faculdade, e também não tem ninguém da turma com quem eu não fale. Ninguém é normal, o que é ótimo. A gente também enfrenta os mesmos problemas (acordar cedo, não ter dinheiro, o artigo de história), a maioria é viciado em série (apesar de quase ninguém assistir as mesmas séries que eu - e de eu ser a pessoa que acompanha mais séries), música e, às vezes, livros. E tá todo mundo ferrado junto, o que é lindo de se ver.
Além disso tudo, universidade é muito mais que entrar em um prédio, ter conteúdo jogado na sua cabeça e sair de lá correndo sem entender nada. Apesar de nas primeiras semanas eu ter achado e até desejado que fosse - depois de 12 anos de escola a gente se acostuma. Mas agora que eu me acostumei (e passei 3 meses sentindo falta), eu não sinto a mínima falta de como as coisas costumavam ser. As aulas ensinam mais sobre a vida real e coisas com as quais eu me importo de verdade. Eu finalmente posso produzir trabalhos sobre assuntos que eu gosto e mesmo a avaliação sendo mais criteriosa isso só me ajuda a me dedicar mais. Agora tudo que eu preciso fazer é tomar vergonha na cara e aprender a participar das aulas.
Finalmente, estudando agora em uma área específica, que eu escolhi, não existem mais matérias em que eu não tenho a menor chance de ser boa. Claro que eu ainda tenho e ainda terei matérias que eu não gosto tanto e matérias complicadas, mas num quadro geral, as chances de eu passar em Português Instrumental I são muuuito maiores do que as de eu passar em Química Orgânica. Tendo ido para a minha área, mesmo que seja cansativo às vezes, pelo menos eu sei o que fazer para aprender. E aprender de verdade, não só decorar e esquecer logo depois da prova. Até porque nas provas da faculdade (pelo menos as que tive até agora), ou você sabe, ou já era.
Antes de ir, eu só queria pedir uma ajudinha: no começo da semana, minha professora de filosofia pediu para que quem escreve leve algum texto nas próximas aulas dela, para que ela comece a aula de uma forma mais leve. Desde então, eu não consigo decidir se levo alguma coisa ou não. Eu levo o fato de ser escritora muito a sério, mas eu não acho que meu estilo de escrita seja tão acadêmico. Claro que eu não levaria um post do blog (eu me reservo o direito de falar o que eu quiser aqui e isso às vezes é bem louco), nem um conto, porque meus contos são grandes demais (exceto Elena), seria um poema ou um ensaio. Minha preocupação não é ser ruim (OK, em partes é ser ruim, porque um artista não é nada sem insegurança), mas simplesmente não ter um estilo que combine com a situação. O que vocês acham??
Espero que vocês consigam ajudar. Vejo vocês semana que vem,
G.

P.S.: Eu estava organizando minha viagem para a Bienal do Livro (vou falar disso em breve, juro) e descobri que a Edições Uesb, editora da minha faculdade, vai ser expositora no Pavilhão Laranja. Achei muito legal.

15/08/2015

Cabelo, cabelo meu

Aparentemente essa história de "posts aleatórios em agosto" é apenas a desculpa perfeita para postar posts que eu já vinha planejando escrever há meses. Mas eeei, bem-vindo ao post de 1305 palavras que é somente sobre meu cabelo. Boa leitura.
Caso você não saiba nada sobre a escritora desde blog, eu vou me apresentar: Meu nome é Giulia, tenho 17 anos, 5 meses e 28 dias e um cabelo extremamente cacheado (Fotos abaixo). Eu não to falando de cachinhos fofos nas pontas, é tão cacheado que se eu escovo e penso em água, ele já cacheia todo outra vez. (Mas respirem, eu não escovo ele desde o fim de 2013) E já que falar de cabelo é falar de identidade, eu queria falar sobre meu complicadíssimo relacionamento com meu cabelo e como foi crescer nos anos 2000 com cabelo cacheado. É bem diferente ser cacheada hoje em dia do que era, por exemplo, em 2008 quando eu entrei na 5ª série - a começar pelo fato de que hoje em dia o termo cacheada existe. Eu levei um bom tempo para aceitar meu cabelo e aprender a amá-lo como ele é. E eu estou feliz porque a forma como as pessoas se veem e são vistas está mudando.
Pra começar eu queria dizer que sei que tenho muita sorte. Eu não estou passando pelo processo de tirar químicas do cabelo (que provavelmente tem um nome, mas eu não consigo lembrar) (para todo mundo que está passando: meus pensamentos e meu amor estão com vocês<3) e meu cabelo nunca foi difícil de cuidar. Já passei por situações em que as pessoas ficaram maravilhadas com meu cabelo e ao perguntar o que eu fiz, tudo que eu pude responder foi "Ahn, passei creme". Além disso, eu não sou nenhuma expert em cabelos, nem tenho dicas para dar. Na verdade, eu sou irresponsável e faço tudo muito intuitivamente, então eu não sou JAMAIS um exemplo a ser seguido. Só queria deixar isso claro.

Curly hair. Don't care.
Às vezes, quando eu recebo elogios sobre meu cabelo, eu conto a história que ouvi quando era criança: Minha mãe queria uma filha que tivesse cabelos cacheados e passou os 9 meses de gravidez orando para que isso acontecesse. Claramente a oração foi atendida e talvez até dobrada, mas como nada é assim tão fácil levou anos até que a dona do cabelo se acostumasse com a bênção. Quando eu era criança pequena isso não era um problemão, claro: mamãe cuidava, decidia quando cortar e no dia-a-dia eu andava com ele pra cima mesmo. A questão é que em um momento eu me tornei responsável por cuidar do meu próprio cabelo e no início da adolescência quando você começa a realmente pensar em quem você é e como você vai se mostrar ao mundo as coisas mudam um pouco de figura. Eu fui, então, definida por sei lá quem ou o quê como tendo o famoso "cabelo ruim". Não me entendam mal, eu nunca sofri bullying por isso, de jeito nenhum. Também não estou dizendo que minha vida foi ruim por causa do meu cabelo, nem nada do tipo, mas eu fui condicionada a desejar ser de um jeito diferente do que eu sou, por causa de um padrão qualquer. Até porque, sendo sinceros, grande parte das pessoas que cresceram na mesma época que eu e inclusive eu, cresceram acreditando que ou o cabelo cacheado era assim:

Cachos de babyliss. Volume nenhum.
Ou o cabelo era ruim. Eu sempre odiei salão de beleza, então ao invés de cair nas químicas logo cedo (aconteceu um pouco mais tarde, eu vou falar disso depois), eu me dediquei aos penteados forçados. Eu fico brava comigo mesma lembrando das tranças mal feitas  e os rabos de cavalo repetitivos que usei por muito tempo. Isso pra não falar dos coques - que eu usava basicamente todo dia até o ano passado. A imagem que eu tinha de mim mesma era bem pobre. Eu preferia meu cabelo molhado porque os cachos ficavam baixinhos. Odiava volume. Só usava o cabelo solto no dia que lavava, depois disso, só coques. No ano passado, minha imagem de mim mesma foi mudando aos poucos. (Eu falei um pouco sobre isso no post sobre os 16 anos, em fevereiro). Eu comecei a amar mais a mim mesma e aprendi a valorizar meus cachos a ponto de ficar superprotetora em relação a eles. E então - surpresa - eu me dei conta de que usar o cabelo natural agora era mais que aceito, era incentivado. A mentalidade mudou tanto que até as mesmas pessoas que costumavam me sugerir progressivas e relaxamentos, hoje em dia dizem que queriam ter um cabelo igual ao meu. Já fui ameaçada, não a sério, é claro (eu acho), caso eu faça qualquer coisa no cabelo agora. (Não que isso seja um risco, já que meu ódio de salões de beleza segue o mesmo).
Claro que ainda existe aquele preconceito discreto. Coisas do tipo "Esqueceu onde fica a fábrica de pentes?" em um dos poucos dias que eu resisti a minha vontade de prender o cabelo e resolvi usá-lo au naturale. E não, você não pode dizer que isso é uma piada e não um comentário idiota/racista, pelo simples motivo: cabelos cacheados não podem ser penteados, então quando você diz que eu deveria usar um pente, está pedindo que eu me adeque ao padrão "cabelo liso". Mas - graças a Deus - pessoas estão aprendendo a ter vergonha de serem babacas e outras a não se importarem com o que os babacas dizem. Ainda assim, se você fizer qualquer comentário idiota sobre meu cabelo, eu vou te matar, nem que seja em uma história.
Outra coisa é que muita gente diz "você é tão corajosa por usar seu cabelo assim". Ignorando o fato de que isso é uma crítica velada, eu gostaria de responder a essas pessoas que não, eu não sou corajosa. Nem rebelde. Eu só sou preguiçosa demais pra fazer o que vocês querem de mim, desculpa. Fato verídico: em novembro de 2010, eu escovei meu cabelo para uma festa de família. Eu fiquei encantada por quão fácil foi desembaraçar ele naqueles dias, então decidi que queria fazer uma progressiva (NÃO, LEITOR, LARGA ESSA FACA! FICOU TUDO BEM COM MEUS CACHOS NO FINAL, EU JURO). Em fevereiro de 2011, uma prima em 6º ou 7º grau (ela é filha do irmão da minha bisavó, façam os cálculos) me deu de presente de aniversário uma progressiva. A questão é, a doce e inocente Giulia de 12, quase 13 anos tinha desconsiderado o fato de que para manter um cabelo cacheado (e como eu já disse, um cabelo tão cacheado que só de pensar em água já cacheia) com uma progressiva eu teria que ir ao salão de beleza pelo menos uma vez a cada 2 meses. E não sei se eu já disse, mas eu odeio salão de beleza. E sou preguiçosa pra caramba. Resumindo: em junho, meu cabelo já estava completamente cacheado outra vez. A mesma história se repetiu outra vez naquele mesmo ano, mas a verdade é que eu odiava como meu cabelo ficava quando estava com a química, mas sem escova e nem se minha vida dependesse disso eu iria no salão de beleza toda semana, então eu desisti e um pouco depois meu cabelo voltou a sua glória cacheada naturalmente. Por isso que sempre que eu vejo alguém passando pelo processo de tirar as químicas do cabelo, eu agradeço a Deus por minha preguiça. E acredito que essas pessoas que são as verdadeiras corajosas.
É basicamente isso mesmo. Este post é só uma pequena demonstração de como eu estou feliz pelos padrões estarem sendo quebrados e também como estou satisfeita comigo mesma, interior e exteriormente. Eu provavelmente voltarei a falar sobre meu cabelo em outro post, porque eu sempre faço isso.
G.

P.S.: Queria agradecer a todo mundo que divulgou o blog. Como eu disse no último post, eu comecei uma campanha para chegar a 50 mil visualizações até os 5 anos do blog, em fevereiro de 2016, então seria legal se vocês mostrassem o blog a alguém que acham que gostaria, postassem o link e coisas assim. Obrigada por tudo<3

08/08/2015

5 coisas que eu descobri depois de adotar meu gato

Olá, universo e blogsfera. Depois de um mês inteiro falando só sobre literatura em 7 posts (Dois contos: Infelizmente, Rio, eu te amo e Mi Totentanz; Uma resenha: Oryx e Crake por Margaret Atwood e uma lista de 13 motivos pelos quais você precisa ler Carmilla; Um post do Diário Artístico: Guilty Pleasures e uma lista de 15 fatos sobre meu primeiro livro; Além de uma participação especial de uma escritora amiga minha, no dia do amigo.), eu me desafiei a escrever posts sobre os temas mais aleatórios possíveis em agosto. E acreditem, se vocês vissem os posts nos meus rascunhos, se assustariam com o que está por vir.
Este não era o post que eu planejava postar esta semana, mas eu não consegui escrever uma palavra do post que eu pretendia postar agora, porque minha semana foi muito louca e eu não tive tempo nem de pensar. Aí hoje cedo eu descobri que é International Cat Day e este post estava guardado aqui há um tempinho, então eu pensei: porque não? Caso você esteja completamente por fora (O que é provável, porque eu só falei do meu gato aqui no blog de passagem): Essa criatura adorável aqui ao lado é Etienne, meu gatinho de 3 meses que eu adotei quase 2 meses atrás. Ele gosta de dormir em pessoas e encarar a janela; adora a luz do sol. Entre seus passatempos favoritos também estão morder fios e cabos, morder dedos dos pés, digitar por mim enquanto eu estou escrevendo e ler - não que ele faça os últimos dois perfeitamente, mas a diversão dele está em tentar. Ele também tem um gosto literário refinadíssimo: só morde meus melhores livros. O que ele não gosta se resume em 3 coisas: tangerina, que tomem os brinquedos dele e não receber carinho e atenção de manhã cedo. E além disso tudo, ele está concorrendo ao prêmio internacionalmente reconhecido de: Minha Criatura Preferida na Face da Terra.
Nos últimos 2 meses ele tem sido meu maior companheiro e o único ser que me aguenta e me ama incondicionalmente. Adotar ele foi uma daquelas decisões espontâneas (mas não tão espontâneas assim: Eu vinha querendo adotar um gatinho desde que me mudei de volta pra Bahia e enchi o saco de todo mundo pra que me deixassem adotar um de presente de aniversário, mas sem apoio de ninguém em casa, não deu certo. Aí, em maio, quando a greve da faculdade começou e meus níveis de estresse subiram já que eu tive que ficar em casa o tempo todo, eu resolvi que adotaria o primeiro gato disponível para a adoção que eu achasse. Depois de um mês procurando, uma amiga minha no Facebook divulgou que tinha dois machos de quase dois meses e eu encontrei o Etienne) que eu tomei baseada na minha vontade de agarrar qualquer oportunidade que surgisse de fazer algo legal. Ele tem sido uma parte tão importante da minha vida nos últimos meses que eu resolvi listar algumas coisas que eu aprendi com ele (e caso vocês estejam se perguntando, sim, eu estou viciada em posts com listas) (pequena observação: Ele não é meu primeiro gato, eu tive uma gatinha chamada Smiley em 2010, que precisei deixar com outras pessoas graças às mudanças que fiz e que um pouco depois fiquei sabendo que morreu em um acidente.):

1. "Todo mundo quer a vida que um gato tem"
Se você leu isso cantando, vamos nos abraçar. A música dos AristoGatas é uma das verdade óbvia e a primeira coisa que você descobre quando adota um gatíneo. A maior preocupação do Etienne é achar o canto mais quente da casa para dormir - o que, nesse inverno de 16º graus constantes, geralmente é em cima de mim. As únicas coisas que ele faz são dormir, comer, brincar, encarar a janela e a parede e pedir carinho. E apesar de eu só ter feito exatamente isso nesses meses de greve, não é socialmente aceitável para um ser humano fazer só isso pelo resto da vida. Se fosse, eu tenho certeza de que a sociedade seria bem melhor, mas não sou eu quem dito as regras.

2. Dar nomes excêntricos aos seus animais pode ser chato (mas vale muito a pena)
Pra poder explicar como eu escolhi o nome dele, eu preciso voltar a uns 2 anos atrás quando eu li Carmilla e decidi que se adotasse uma gata, a chamaria de Mircalla. Faltava um nome para um possível gato macho. Naquela mesma época, uma pessoa que eu conhecia ganhou um gatinho e o chamou de François e eu achei a coisa mais fofa do mundo dar um nome francês a um gato. Decidi que faria isso, mas não tinha decidido que nome eu daria, até porque minha criatividade para nomes masculinos é tanta que meu único personagem francês se chama Pierre (ver As Crônicas de Kat), o nome mais clichê possível. Então, quando MisterWives surgiu na minha vida, eu achei o nome perfeito.
Só que mesmo tendo tido essa ideia há um tempão, quando eu fui trazer o gato pra casa eu ainda não tinha certeza se Etienne seria mesmo o nome. A questão é que no Brasil, Etienne é um nome geralmente usado no feminino. Eu já havia lido bastante sobre o nome (porque eu sou escritora e faço esse tipo de coisa): Etienne é uma das versões francesas do nome Estevão - que significa coroa -, e apesar de amar o nome, eu sabia que muita gente ia comentar que o nome era excêntrico. Mas, movida pelo meu desejo inato de chamar a atenção de formas bizarras eu resolvi seguir meu coração. Mas mesmo depois que de ter postado a foto do gato com o nome dele, em todas as redes sociais, eu ainda cogitei mudar o nome para algo mais simples. Até que Etienne Bowler em pessoa (ok, beleza virtualmente) comentou o fato de eu ter dado o nome dele para um gato. E o nome ficou assim de uma vez por todas. Hoje em dia, toda vez que eu vou dizer o nome do gatinho pra alguém eu acrescento um "é o nome do meu baterista preferido" no final porque na pior das hipóteses as pessoas acharão que eu sou viciada demais (o que é verdade) e na melhor delas me perguntarão mais sobre o baterista em questão.

3. Meu espírito animal definitivamente é um gato
Eu falei disso no Como nasce uma obsessão (e relendo o post eu vi que disse que nunca teria um gato porque ninguém gostava de gatos aqui - e acabei adotando um exatamente 3 meses depois), mas nunca expliquei a história toda. Gatos são animais independentes, que se viram muito bem sozinhos, mas não deixam de querer carinho e exigir atenção dos humanos. Eles amam dormir e passam uma parte do tempo que estão acordados, sonolentos. São distraídos por qualquer coisa, por mais boba que seja e passam um bom tempo dedicado a coisas que parecem ridículas. E ainda agem por instinto muito mais do que por senso lógico. OU SEJA, eu sou basicamente um gato no corpo errado.

4. Gatos liberam seus instintos maternais
Eu admito que achava meio bobo gente que chama o gato de bebê. E agora eu fico pela casa mamãe pra lá, mamain pra cá. Em minha defesa, ele é tão fofo e tão esperto e é o meu bebê e ponto.

5. A habilidade de não se importar 
Eu sinto que uma das características que eu mais admiro nos gatos é a capacidade de não se importar com nada a longo prazo. Eu sinto que meu gato poderia dormir no fim do mundo. Algumas semanas atrás, eu tive uma pequena situação tensa com um entregador que usou o acesso aos meus dados para me contatar no WhatsApp. Agora está tudo tranquilo, mas no dia eu fiquei extremamente nervosa e passei alguns dias com medo até de sair de casa (eu fui assediada por alguém que tinha meu endereço). No meio do caos que eu me encontrava, Etienne simplesmente pulou no meu colo, colocou a cabeça na parte de dentro do meu cotovelo e dormiu. Acho que todo mundo que tem um bichinho sabe como é quando ele dorme em você, você dá seu máximo pra não se mexer até que ele acorde. Isso pode ajudar muito em momentos estressantes, porque você fica olhando ele dormindo tranquilo e a tranquilidade acaba contagiando. Essa habilidade de não se importar a longo prazo e não ficar paranoica com algo que não é um perigo imediato, é algo que eu estou aprendendo a cada dia.

Por enquanto, é isso. A única coisa que eu tenho a acrescentar é que ontem, na página, eu criei uma meta de visualizações para o aniversário de 5 anos do blog. São 50 mil visualizações no total até 7 de fevereiro de 2016, o que significa um pouco mais de 13 mil visualizações em 6 meses. Eu acredito que seja um objetivo alcançável e seria meio que, tipo assim, legal se meus leitores divulgassem o blog para os amigos ou algo assim. Mas se vocês quiserem, claro.
G.