30/04/2020

Quarentualização


Disclaimer: Este post não foi editado. Absorvam o caos que ele transmite. Se tiver alguma frase confusa, deixa um comentário que eu explico o que eu quis dizer (se eu lembrar).

Mesmo que o mês costumasse ser meu favorito do ano, eu não tenho sido uma grande fã do mês de abril há seis anos mais ou menos. Mas esse abril passou de todos os limites do aceitável. Eu sinto que eu to vivendo a saga de filmes que eu mais odeio nesse universo: Deixados Para Trás — a trilogia cinematográfica baseada em uma série de livros que falam sobre pessoas que não foram arrebatadas para o céu antes do apocalipse por não serem Cristãos o Bastante. E eu nem digo isso por ser supercrente e acreditar que essa pandemia foi prevista na Bíblia (na verdade, eu já li Apocalipse vezes o suficiente para citar uns 5 capítulos que provam que Jesus provavelmente não vai voltar amanhã) (pronto, só porque eu disse isso, Jesus volta amanhã). Eu digo isso porque abril realmente me fez sentir que eu fui deixada para trás.
Só para começar, abril foi o mês mais curto do ano. E não é nem porque não tá acontecendo nada, até aconteceu bastante coisa. Coisas até demais. Enquanto em março ninguém queria fazer nada além de entrar em pânico, em abril a humanidade parece ter aceitado a situação das coisas e até mesmo a Kehlani, que foi a primeira artista a adiar o próprio álbum, vai lançar a bagaça do álbum na semana que vem. O ser humano tem se adaptado ao novo mundo, como a natureza humana ditava que nós faríamos. É claro que ter uma rotina faz o tempo passar rápido, mas você imaginaria que não sair da própria casa faria o tempo passar um pouco mais devagar. Além disso, eu sinto que minha insegurança com a situação do mundo aumentou em relação a março. Quando a quarentena começou, a sensação era de que ela realmente duraria 15 dias ou, se as regras não forem seguidas, pelo menos 40 dias. Hoje é o dia 49 para mim (minha quarentena começou em 13 de março) e se alguém aparecesse na minha frente dizendo que é um viajante do tempo e vindo de 2042 e que as pessoas ainda estão em quarentena, eu provavelmente mandaria a pessoa sair da minha casa, mas não teria como provar que é mentira.
E a rapidez do mês não foi uma rapidez tipo "yeee hoo, quando eu me divirto o tempo passa correndo!!", fui uma rapidez tipo quando você entra numa briga com uma pessoa muito mais forte que você e é nocauteado em 3 segundos. Quer dizer, enquanto eu escrevo isso, eu estou morrendo de dor de cabeça e tentando fazer ela diminuir com chá de maçã e canela porque acabou o ibuprofeno e se eu ligar para o delivery da farmácia vai levar pelo menos duas horas para o remédio chegar aqui. E sim, eu ainda estava tomando ibuprofeno porque eu decidi comprar nimesulida e comprei quatro caixas esquecendo que a combinação de nimesulida com o meu remédio para a ansiedade pode causar sangramentos. Eu provavelmente vou comprar cetoprofeno quando conseguir comprar mais remédio para a dor, mas eu tenho que garantir que é o revestido com omeprazol porque ele piora meu refluxo. Eu provavelmente também deveria pegar uns antialérgicos, mas chega de citar nome de remédio senão daqui a pouco o presidente vai pra TV dizendo que uma blogueira encontrou a cura do COVID-19. Eu fiquei doente quase imediatamente no começo de abril, mas isso é completamente normal. Se você me conhece ou já teve que conviver comigo durante os meses de abril a julho você sabe que eventualmente eu surjo com uma tosse ridícula que dura semanas. É uma tosse bem diferente das que são descritas pelos médicos que estão lidando com o coronavírus, carregada e persistente, que diminui com própolis e que não vem com falta de ar. Eu sabia que ia vir este ano, mas sem sair de casa, eu pensei que pelo menos fosse demorar mais um pouquinho. Mas não...
Tem anoitecido às 5 da tarde e quase imediatamente a temperatura cai tão drasticamente que a gente é obrigado a fechar todas as janelas. Isso quando não tá chovendo e, não só o tempo fica nojento, como as paredes do apartamento começam a dar infiltração (problemas que não serão resolvidos até o fim da quarentena porque a imobiliária está fechada), o que deixa ele mais frio. Além disso, minha dor de cabeça é cronometrável agora: Deu 19h, DOR DE CABEÇA TIME. No começo, quando ela vinha eu não conseguia enxergar o computador direito, mas a essa altura eu podia correr uma maratona e eu nem perceberia que tô com dor de cabeça mais.
Em março minha rotina era:

10h: Acordar
12h: Levantar da cama
13h-17h: ????????????????
17h: Coletiva de imprensa do Ministério da Saúde
18h-20h30: Crise de pânico
20h30: Jornal Nacional
21h30: Novela
22h30: BBB
00h: Chorar até dormir

Já em abril, com a demissão de Mandetta, o fim do BBB no começo dessa semana e a necessidade de pagar minhas conta, minha rotinha (sic) ficou mais dinâmica:

12h: Acordar
13h: Levantar da cama
13h10: Jornal Hoje
15h: The Thundermans
16h: TENTAR FAZER ALGO PRODUTIVO
17h: Fechar as janela tudo
19h: Dor de cabeça, se não foi produtiva até agora, já era, mas ainda assim eu finjo.
20h30: Jornal Nacional
21h30: Desligar a TV e tentar ser produtiva de novo (Fina Estampa é ruim d+++++)
00h: Ir pra cama
03h: Dormir

A crise de choro e a crise de pânico continuam acontecendo diariamente, mas elas podem acontecer em qualquer momento. É meu emocional mantendo as coisas interessantes para eu não ficar entediada sabe?? Por exemplo, ontem, eu tive duas crises de choro: Uma 16h quando minha irmã saiu para caminhar e eu caí no choro por me sentir uma fracasso completo e histórico e meia noite, quando eu comecei a chorar sobre o quanto eu amo a Kira (eu sou pisciana). E falando em emocional, apesar de eu estar tendo acesso a terapia, graças a Deus, eu só estou em um momento péssimo da terapia porque ao mesmo tempo que a gente tá acessando traumas antigos porque eu to tendo tempo demais para pensar, do nada eu começo a ter crises relacionadas à pandemia e aí bagunça a evolução que a gente estava tendo na terapia. Por exemplo, no último dia 10 foi aniversário de morte da minha mãe e eu estava caminhando para um lugar onde eu sinto que eu finalmente estou pronta pra visitar o túmulo dela. Só que eu não posso. Porque tem uma pandemia acontecendo. E não pode ir pro cemitério. E a pior parte é que o dia das mães está chegando e por algum motivo além de mim, eu não paro de sonhar com gravidez e que todo mundo que eu conheço tá grávida. Eu mesma tive uns 3 filhos nessa quarentena, de acordo com o meu subconsciente.
Eu nem vou comentar dos planos que eu tinha que estão em pausa por causa dessa bagaça. É uma porta dolorosa demais para abrir. O que eu quero falar é dos planos que eu estou fazendo durante a quarentena e que não estão sendo cumpridos porque o mundo está em chamas e cada órgão do meu corpo me odeia. Se você me segue no meu Instagram pessoal sabe bem que eu planejei uma série de lives para abril (como ilustrado abaixo), mas que isso não chegou nem perto de dar certo. Eu devo ter feito umas 4 lives. Já começou errado porque enquanto eu fazia a primeira live, no dia 1º de abril, o Instagram inteiro caiu por causa da sobrecarga de lives. Depois disso eu fiquei doente, ocupada demais ou somente deprimida. Vocês provavelmente também sabem como é ficar live no meu Instagram com 45 crianças berrando CADÊ A KIRA??????? e outras 72 berrando SPEAK ENGLISH, o que eventualmente leva a outras 96 gritando FALA PORTUGUÊS. É emocionalmente exaustivo e eu já estou emocionalmente exausta. Então talvez eu faça outras lives no futuro, mas não vai ser agendada mais, vai ser DO NADA e vai ser DO JEITO QUE EU QUISER.



A verdade é que pelos últimos 9 meses (desde que eu me formei) eu tenho priorizado trabalhos que me trazem retorno financeiro. E é por isso que mesmo dizendo que eu falaria sobre LA, eu acabei postando o último post, que supostamente era para ser pago. Eu acabei não sendo paga por ele porque o que eles queriam era um post inteiro sobre compras na internet e eu respondi que não me sentia confortável escrevendo um post inteiro sobre compras na internet no meio de uma pandemia. Nem combina com o meu estilo. Talvez depois disso eu nunca mais consiga fazer parceria com eles, mas não tem problema. Por mais que doa no meu bolso (e dói bastante), não é o momento certo de fazer o que o capitalismo pede de mim. KIM, THERE'S PEOPLE THAT ARE DYING.
Então, eu não faço mais promessas. Eu vivo um dia de cada vez tentando priorizar qualquer que seja a obrigação que eu quero completar no momento. Eu sigo as minhas próprias regras. Aqui é chaotic neutral ou nada. De qualquer forma, se você se padeceu pela minha completa irresponsabilidade e quiser apoiar meu estilo de vida pecador, eis a série de opções: 1) Apoiar a campanha de Vozes que ainda tá rolando e sendo atualizada! 2) Mandar um café para mim no KoFi! e 3) Se inscrever no Set List, meu blog musical em inglês, no Patreon e 4) Fazer compras na Amazon através deste link, o que possibilita que eu receba uma comissão. Esses são os projetos me mantendo viva no momento e fazendo com que eu me sinta uma profissional. O retorno é pequeno, mas existe. Esse mês quando o dinheiro da Amazon caiu eu estava sem dívidas ou coisas extras para comprar e eu pude comprar meu creminho de cabelo e finalmente lavar o cabelo depois de 15 dias. Outra forma de me ajudar é me marcar em toda e qualquer vaga de emprego remota (ou local para Vitória da Conquista) que vocês encontrarem na internet. Nem precisa ser em jornalismo mais, antes da quarentena começar eu tava conversando com minha psiquiatra justamente sobre procurar empregos fora do jornalismo. Mas se antes não tinha emprego, agora que não tem. E isso de ter uma profissão essencial, mas não ser funcionária essencial por estar desempregada fode com a sua cabeça.
Anyway, é isto.
Até quando eu quiser,
G.

17/04/2020

O que tem me mantido sã nessa quarentena


Olá, meus beijinhos de coco com cravo em cima. Como vocês estão? Espero que bem. Eu tenho estado quase tão bem quanto é possível estar na atual conjectura das coisas — exceto pela crise de sinusite e laringite que tornou impossível trabalhar depois do pôr-do-sol. Eu espero que vocês não façam parte das pessoas que têm usado esse tempo como férias e resolvido sair com amigos e reunir gente em casa, e que estejam tomando todos os cuidados necessários para se protegerem do vírus e seguindo orientações de autoridades médicas e não de pessoas aleatórias na internet (eu inclusa). Tendo dito isso, eu (e minha necessidade de pagar as contas já que esse é um post pago) resolvi escrever um post com uma listinha das coisas que têm me ajudado a sobreviver nessas últimas três semanas. Sobreviver é a palavra-chave aqui. Este post não é focado em coisas que você pode fazer para se distrair ou formas de ser produtivo (eu prefiro nem comentar sobre produtividade no momento). Sobreviver é ouvir o que seu corpo precisa para que você possa se proteger, proteger àqueles que ama e para tenha tempo para processar o que está acontecendo, já que as coisas estão mudando rapidamente e o tempo inteiro. No momento, essas são as coisas que tem deixado respirar um pouco mais fácil:

Música
Eu não seria ninguém sem música nesse momento ou em qualquer momento de crise. Vários artistas que eu gosto têm lançado músicas nas últimas semanas, enquanto outros não puderam fazer o mesmo pela interrupção de gravações em estúdio. Hoje inclusive foi um ótimo dia na música para mim pessoalmente com Kehlani lançando música de manhã cedo e Alex Winston fazendo cover de música de Tiger King (todo mundo de quem eu sou fã é maluco). Muitas festas particulares rolando no meu quarto ou na minha sala, ao som das minhas músicas preferidas e das minhas novas obsessões. Além disso o Set List tem me deixado bem envolvida no mundo da música, mesmo que esteja levando uma eternidade para eu terminar um artigo porque tudo muda o tempo todoooo. O mais importante de tudo, porém, é que minha alma gêmea Kira Kosarin está chegando com música nova semana que vem, no mês que vem e e no mês seguinte. Inclusive, antes de eu pular para o próximo item se todo mundo que tem Spotify puder clicar neste link e deixar First Love Never Lasts pré-salvo, eu vou amar vocês pra sempre. Nem precisa ouvir na segunda, mas esses presaves são muito importantes e eu to tentando conseguir mais alguns mil pra que a música possa ser adiciona a playlists editoriais do Spotify. Eu meio que acabo tomando o trabalho do time dela como meu porque eu tenho um monte de ideia maluca pra divulgar. E agora, como vocês devem imaginar...

Kira
Vocês precisam aceitar que toda lista que eu fizer em qualquer momento desde 2017 até a eternidade, terá este item. E é até mais fácil quando é listinha porque você pode pular, se quiser. Desde lançar música, até fazer show em livestream; desde ter dois episódios The Thundermans todo dia na Nickelodeon exatamente depois do Jornal Hoje, até ela me mandar vídeo sempre que eu tenho um dia ruim e mando mensagem pedindo "uma dose de Kira" — se não fosse pela Kira, eu não teria nada de sanidade na cabeça no momento. E se você tem perdido todas as coisas que nós estamos fazendo juntas, eu recomendo seguir ela no Instagram e a mim no Twitter para Saber Mais.

Terapia
Um grande abraço para todos os psicólogos e psiquiatras fazendo atendimento online nas últimas semanas. Eu espero que vocês também estejam tendo acesso a terapia no momento, porque vocês também são profissionais de saúde que estão sendo afetados pela pandemia. Minha psicóloga tem atendido via ligação de vídeo desde o comecinho da quarentena e tem sido muito compreensiva sobre a questão da dificuldade de pagamento, inclusive oferecendo desconto e sessão adicional, além de sempre estar disponível no WhatsApp, como sempre esteve. Minha psiquiatra também tem atendido via ligação de vídeo, mas eu ainda não tive consulta com ela (a próxima tá marcada pra junho), então a única parte do atendimento virtual até agora foi receber receitas. Eu sei que nem todo mundo tem acesso a terapia, mas se você tiver, mesmo que não esteja se sentindo mal, procurar terapia virtual para enfrentar esse momento é ALTAMENTE RECOMENDADO. Essa crise vai deixar marcas psicológicas em todo mundo, independente de quão saudável você estava antes disso. E você fazer terapia também ajuda pessoas que não têm acesso à terapia. É tipo vacina. E se o seu acesso à terapia for limitado, tem muito terapeuta e psicólogo oferecendo conteúdo gratuito no momento, mesmo que não seja atendimento. O Twitter tem sido uma grande fonte de informação sobre esse acesso no momento.

Dá pra ouvir esse gif
Compras online
Eu fiz duas compras online esse mês (se você não contar os deliveries de comida, que eu não conto para não surtar) e ambas foram apenas investimento no meu bem-estar! Minha psicóloga e minha psiquiatra sempre dizem que investir no seu sono é investir na sua saúde e por causa disso eu acabei gastando 300 reais ano passado em um jogo de cama que eu perdi 15 dias depois, porque precisei vender minha cama de solteiro e agora tenho uma cama de casal. MAS O ASSUNTO NÃO É ESSE, quem me segue no Instagram sabe que eu comprei um travesseiro de corpo inteiro que era um sonho da minha vida, dois travesseiros pequenos e um jogo de cama. Dividido em 6 vezes porque a crise tem me afetado também e eu não pego um bom freela há mais de um mês (mandem freelas?). O importante é que hoje chegaram as últimas compras que eu fiz e a última molécula de serotonina do meu cérebro disparou que nem doida.
Eu sei que no momento a gente precisa apoiar o comércio local o máximo possível (e é o que eu tenho feito com os restaurantes), mas se você mora no fim do mundo (assim como eu) e precisa de alguns produtos que não estão disponíveis para delivery ou se está quebrado demais para não comprar algumas coisas na internet (assim como eu), sites como o Cupom Válido te ajudam a salvar dinheiro e comprar em alguns dos sites com entrega mais rápida do país. O Cupom Válido é um site de cupons com cupons para centenas de sites nacionais e multinacionais, incluindo supermercados, livrarias, lojas de materiais de construção, lojas de cosméticos, locadoras de automóveis, aplicativos de comida, farmácias!!!!! Todo tipo de produto essencial ou não que vocês possam estar precisando ou não. Não esqueçam das medidas básicas de higiene ao receber os produtos e tratem os entregadores bem, pelo amor de Deus!!!

Grupos do Facebook

Apesar de no domingo eu ter sido decepcionada por um dos grupos que eu mais gostava, eu resolvi manter esse item na lista. Se você convive comigo (mesmo a distância), já deve ter me ouvido falar no meu amor pelos grupos do Facebook. Apesar de ser considerada uma rede social morta por muita gente, é nos grupos com nomes ridículos ou tag groups que a subcultura facebookiana sobrevive. Eu sempre ouvi que os memes começam no Twitter e depois vão para outras redes sociais, mas os tag groups me ensinaram que muita coisa nasce nos grupos, vão para o Twitter e depois voltam para as páginas do Facebook. Os grupos também são extremamente direcionados em assunto e são cheios de regras de quem pode entrar ou não, o que acaba deixando apenas um seleto grupo de pessoas dentro deles e esse seleto grupo de pessoas interagem muito mais com os seus posts do que quando você publica algo no Instagram, por exemplo. E mesmo quando eu me vejo em grupos com pessoas com quem eu discordo, não tem nada mais catártico do que entrar em briga com completos desconhecidos que não sabem nada além do seu nome e sua cara. Você pode dizer absolutamente qualquer coisa e a forma como eles rebatem não faz diferença alguma, porque é uma briga geral e não direcionada aos seus piores medos. Eu poderia listar alguns grupos que eu gosto aqui, mas eu prefiro que pessoas que me conhecem NÃO estejam em grupos junto comigo. Eu tenho que ter liberdade em falar sobre traumas que nem minha psicóloga conhece ainda sem me preocupar com isso, né?

CRIMES REAIS!!!!
Mais ou menos na mesma semana que o coronavírus chegou ao Brasil oficialmente, eu entrei em um momento de intenso de assistir séries sobre crimes reais. Isso provavelmente foi desencadeado pelo júri que eu assisti na semana anterior, mas a questão é que eu não consigo parar. Eu vou assistir tudo sobre crimes que a Netflix já fez ou eu não me chamo Giulia. Comecei por O Caso Gabriel Fernandez (sobre a qual eu postei no Instagram do QaMdE) e segui finalmente assistindo The Keepers, chegando agora à metade de Casos Arquivados. A temporada nova de Unsolved termina amanhã e essa temporada foi bem louca de casos bizarros. Eu também tenho ouvido podcasts como Up and Vanished e ouvido O Caso Evandro (a 4ª temporada do Projeto Humanos) de novo enquanto a minha irmã ouve ele do começo, sem esquecer, é claro, de My Favorite Murder que eu não só estou ouvindo assim que sai, como também estou ouvido a biografia das apresentadoras do podcast em audiobook. Eu sei que algumas pessoas precisam de paz e esperança para conseguir enfrentar esse momento, mas pelo visto eu preciso de morte, sangue e assassinato. Lembrar das coisas ruins que as pessoas fazem umas com as outras me ajuda a não me sentir tão desesperada, acho. Além disso, quando eu preciso de paz e esperança, eu volto ao segundo item dessa lista.

Este post foi editado ouvindo Pocketful of Sunshine
Dormir
O último item da lista tem sido o mais difícil de alcançar, mas a gente faz o que pode. Ter comprado um monte de coisa para minha cama ajuda, meu travesseiro de corpo inteiro tem me feito dormir melhor, mas com o tipo de sonho que eu estou tendo, eu acabo acordando exausta. Ainda assim, entender quando meu corpo quer dormir e ir para a cama cedo, mesmo que eu não durma cedo, ajuda a apagar meu cérebro da necessidade desesperada de saber tudo que está acontecendo o tempo todo. Se outras obrigações não me impedissem, eu passava dia e noite diante da Globo News vendo o mundo pegar fogo. Pelo menos quando eu to dormindo e sonhando em beijar gente que, mesmo que tudo tivesse dado certo, eu não poderia estar beijando por causa da pandemia, eu não estou tendo crise de pânico causada pelo governo.

Okay, isso é o suficiente por hoje. Volto sei lá quando, eu só estou tentando sobreviver.
G.

24/03/2020

Como parecer uma adulta em controle da própria vida (quando na maior parte do tempo você não sabe o que está acontecendo)


Se um dia houve um título de post que é muito clickbait, é esse. Mais alguém sente que faz um ano que eu não atualizo o blog quando, na verdade, faz mais ou menos uma seis semanas?? Tanta coisa aconteceu e agora o mundo praticamente está entrando em colapso. Eu não sei como vocês estão se sentindo, mas por aqui, depois de uma semana me sentindo até feliz porque finalmente meus amigos tinham mais tempo para mim (eu sei, eu sou uma pessoa horrível, vocês não precisam me dizer), o desespero finalmente bateu e eu estou em um espiral de ansiedade e profundo desespero que me faz não dormir bem ou dormir demais, me entupir de cafeína e passar horas montando quebra cabeças na internet para simplesmente esvaziar minha cabeça de pensamentos.
O que causou essa mudança foi o fato de que os pais de uma amiga minha pegaram COVID-19 (mas não são casos oficialmente confirmados porque eles não conseguem encontrar testes). O ser humano é um bicho estranho. Eu tenho assistido todas as coletivas do Ministério da Saúde, ouvido sobre todos os detalhes do vírus desde o começo da pandemia, xingado gente que foi xenofóbica e brigando com anti-vacinas burros do caralho desde janeiro, mas foi só quando alguém que eu conheço, que eu abracei, com quem eu já conversei teve a doença que meu cérebro fez "Ah, isso é uma coisa real, que realmente está acontecendo". Não é o grande apocalipse zumbi e nem é uma coisa estúpida, é apenas algo real que pode acabar mal. E não há nada que possa ser feito sobre a realidade da coisa. Combinar isso com o fato de que o distanciamento social significa que eu não podia ajudar de uma forma prática, mas só oferecer apoio emocional, me deixou ansiosa cada segundo dos últimos dias. A boa notícia é que eles estão melhores e eu acho que finalmente posso parar de surtar, mas a verdade é que eu ainda vou surtar muito. E se mais alguém ficar doente, é provável que eu enlouqueça. Então se você está na minha vida e não está se cuidado, saia da minha vida, porque eu não quero sofrer quando você ficar doente.
O que me lembra: Se você tem a minha idade e não é profissional de saúde, você ainda não é elegível para a vacina da gripe, mas está no grupo que precisa se vacinar contra o sarampo. (Só não corre pro posto no meio da pandemia sem ligar antes pra perguntar se tem a vacina, pelo amor de DEUS. Alguns postos não estão vacinando contra o sarampo por causa da campanha de vacina contra a gripe e porque muita gente com COVID passa no posto antes, então liguem, confirmem e então vacinem. Vale a pena ligar para vários postos até encontrar, mas só visite o posto que tem, com todo o cuidado necessário). Caso você não saiba, o sarampo têm sintomas parecido com a COVID-19 como febre acompanhada de tosse e mal estar intenso, com complicações também parecidas com a da COVID-19 como por exemplo pneumonia viral e morte. E graças ao fato de que as pessoas resolveram que vacinação é opcional, o vírus voltou a circular no país, então se vacinar durante essa pandemia se você não tiver certeza de que é vacinado, é obrigação. Vacinação é tão opcional quanto isolamento social durante essa pandemia. Ao deixar de se vacinar, você coloca não só a si mesmo, mas as pessoas mais vulneráveis em risco e pode ser responsável pela morte delas. No caso do sarampo, uma pessoa infectada pode infectar outras 19 pessoas e o vírus fica no ar mesmo depois que você muda de ambiente. E ter sarampo durante uma crise dessas é perigoso e irresponsável, porque você pode ser tratado para a coisa errada (se você tiver sarampo, as pessoas podem achar que é COVID e se você tiver COVID sem a vacina de sarampo podem achar que é sarampo), você pode infectar pessoas já doentes e com imunidade baixa e você ainda pode tomar um leito de hospital de alguém com uma doença não prevenível. Quando você se vacina, você não se vacina só por você, mas por todas as pessoas que não podem se vacinar. E se isso não é o bastante para te convencer, lamento te informar que você é um grande merda. Mas a gente vive em um país onde grandes merdas se tornam presidentes, então ei! Bom pra você, acho.

"Acho que estou indo bem, se eu não pensar no fato de que o mundo está pegando fogo"

Originalmente, esse post era um post da coluna "É só uma fase" onde eu ia falar sobre algumas coisas que fiz para me sentir melhor comigo mesma este ano, como por exemplo me inscrever para fazer parte do tribunal do júri da comarca da minha cidade, me cadastrar no banco de doadores de medula óssea e tentar me tornar uma doula voluntária certificada a partir de um curso oferecido pela prefeitura daqui. Mas o Tribunal de Justiça da Bahia suspendeu sessões de júri, o INCA (Instituto Nacional do Câncer) não respondeu meu e-mail sobre meu cadastro no REDOME (Registro de Doadores de Medula Óssea) provavelmente porque estamos no meio de uma pandemia e é bem improvável que a próxima turma do curso de doulas aconteça antes de setembro ou até mesmo este ano. Falar de qualquer uma dessas coisas parece surreal enquanto o mundo pega fogo. Eu ia falar disso porque antes da pandemia se generalizar, eu estava chegando a um momento da terapia em que eu falava sobre minha infância pré-depressão e o que significa para mim ser uma boa pessoa e a motivação por trás das coisas que eu faço e dos meus interesses nessa vida. Mas aí a pandemia foi oficialmente decretada e agora é tipo: O que sequer significa ser uma boa pessoa no meio desse caos? O que é ser uma pessoa no meio desse caos?
Eu tenho visto muitas ordens circulando pela internet. "Eis a forma certa de trabalhar home office", "Como ser produtivo durante a quarentena", "Coisas para fazer para ocupar o tempo até você poder sair de casa", "Erros que todo mundo comete no home office" etc, etc, etc. E claro, existe um público para isso. Mas aqui, eu estou assumindo que esse não é o meu público. Pelo que eu sei, a maioria das pessoas que lê esse blog normalmente passa muito tempo em casa, mas agora com a proibição de sair de casa, tem sentido vontade de sair mais do que qualquer outra coisa. E a pior parte também é que a maioria das pessoas tem ansiedade e/ou depressão e acabou perdendo muitas das formas que a gente tem de lidar com isso. Fazer exercício é difícil sem uma rotina e um compromisso externo estabelecido, pelo menos para mim. Sair da cama quando o universo todo te manda ficar no lugar é mais díficil. Comer direito é mais díficil para mim quando eu estou preocupada que não tenha comida o suficiente até o fim da quarentena e eu sei que para outras pessoas é mais difícil controlar o impulso de comer tudo. Eu cheguei a ver gente falando qual tipo de arte deveria ser feita durante esse período e como tinha que ser mais distrativa e esperançosa do que caótica e catártica —  o que eu discordo, porque existe público para tudo. A parte mais louca é que eu recebi mensagens de pessoas dizendo que queriam ser como eu e serem tão produtivas quanto eu nessa quarentena, o que é completa loucura porque eu tenho surtado e tomado café o dia inteiro. Mas já que vocês querem saber o que eu faço, cheguei aqui para contar meu grande segredo.

Imagem: The School of Life

Você não precisa ser uma pessoa funcional no momento. Eu juro por Deus. Na imagem acima está a Pirâmide de Maslow — uma das poucas coisas que eu absolvi do ensino médio que eu nem sei e nem quero saber se ainda é válida porque eu uso ela para lidar com o mundo. Existe a hierarquia das necessidades de um ser humano. Na base estão as necessidades fisiológicas: comer, beber água, dormir, cagar, fazer xixi. Acima está a segurança: segurança pública, de emprego, de habitação, de saúde, etc. Depois relacionamentos: família, amizade, conexão com o mundo. Acima disso, o status: reconhecimento, autoestima, se sentir bem na própria pele e logo no topo realizações pessoais. Você não consegue alcançar as necessidades de cima se não tiver as necessidades da base. Ou consegue, mas elas ficam desequilibradas e fáceis de desmoronar. Quantas dessas necessidades têm sido negadas a você no momento? Falando por mim, eu não me sinto segura. Eu posso adoecer, se eu adoecer eu não sei o que acontece. Mesmo um resfriado ou um corte no pé parece arriscado demais no momento. Eu não estou empregada e com a economia despencando ainda mais, eu não vejo a possibilidade de conseguir um emprego. Meus planos profissionais foram jogados para o ar e eu não sei se vou e não acho que vá conseguir juntar todo dinheiro da campanha de Vozes. E se você se sente como eu, eu tenho novidades: Você não precisa se sentir assim e ainda assim conseguir manter a produtividade ativa, a casa organizada, contato constante com os amigos. Você não tem como alcançar suas necessidades psicológicas completamente se não tiver o básico de necessidade básica. Minha pirâmide no momento parece mais o que aconteceria se você tentasse apoiar uma panela de pressão em cima de um pires. Você pode até conseguir que ela não caia pro lado, mas o que sustenta ela não é a força do pires, é o equilíbrio entre os lados da panela de pressão. (Pra quem não entendeu a metáfora: O pires é a necessidade de segurança e panela de pressão é a necessidade de pertencimento e amor. O pires é bem fraco, mas como a panela de pressão  meus amigos  está bem no centro, a coisa toda não desaba).
O que eu quero dizer basicamente é que no momento você precisa sustentar a base. Foca em coisas simples como comer quando sentir fome, beber dois litros de água por dia, dormir quantas horas conseguir, se proteger do frio ou se refrescar do calor, fazer cocô todo dia e etc. Se você ainda estiver trabalhando dentro ou fora de casa, faça o que precisa para trabalhar com segurança, lembrando que sua saúde também está na base, como necessidade biológica. E isso inclui a saúde mental, na verdade. Saúde mental não entra na segunda parte da pirâmide, até porque não sei como é pra vocês, mas a minha saúde mental afeta minha saúde física diretamente, com enjoos, falta de vontade de comer, insônia e etc. Foque no que você precisa fazer para se manter bem. Se ver as notícias é um mecanismo de defesa para você, veja as notícias. Se é algo que te faz mal, não veja as notícias. Se você não consegue trabalhar e ser produtivo, se manter conectado com seus amigos, pergunte a si mesmo: Qual necessidade básica eu estou deixando de suprir? Lembre-se que isso não é uma situação comum. A maioria de nós nunca iria imaginar passar por isso. Eu já tinha desistido do mundo desde 2016 e ainda assim eu estou assustada e desesperada porque eu pensei que o fim do mundo fosse ao menos ser rápido e ao invés disso ele tem sido dolorosamente lento e desesperador. Seus sentimentos são válidos, mesmo que você sinta que está exagerando porque tem sido mais difícil para outras pessoas. Você também está passando por isso e se manter bem é mais do que simplesmente se manter sem o vírus.



Pra fechar, eu separei alguns conteúdos extras só se vocês quiserem fazer algo ou estiverem sentido falta dos meus posts. A playlist acima, que será atualizada, é uma delas. Apesar de estar meio afastada do Quebrei a máquina de escrever porque eu sinto que os posts daqui precisam ser mais longos e isso acaba me atrasando, eu lancei no dia 29 o Set List, minha página do Patreon exclusivamente para artigos sobre música, em inglês. Eu sei que o dólar está caro e pagar IOF todo mês é um cu, mas pra quem quiser apoiar, é a partir de um dólar por mês e você tem acesso a todos os posts e playlists. Me ajudaria demais, especialmente durante essa pandemia do demônio onde conseguir freelas está virtualmente impossível. Além do Set, e da mudança do nome do meu blog em inglês para Queer and other theories, eu postei a continuação de Desacelere, Curinga, no Wattpad hoje à tarde e lá vocês vão saber mais sobre a Elena e podem se preparar para o lançamento de Aqueles Seis Meses, quando eu terminar de escrever o dito cujo. Eu também vou participar do Camp NaNoWriMo a partir de quarta-feira da semana que vem, para tentar terminar de escrever Flor-de-Maio e eu espero conseguir atualizar vocês aqui sobre a história e se não der, vocês sempre podem me ver surtando no Twitter e no Instagram (onde eu posto a maior parte dos anúncios e das novidades). Não esqueçam, por favor, de apoiar e divulgar a campanha de Vozes, que ganhou mais 15 dias corridos no Catarse. Eu postei um vídeo no YouTube semana passada explicando o que acontece se a gente não atingir a meta e eu queria muito ao menos chegar a 2 mil reais (menos de 100 apoiadores!!!) até o fim da campanha. Cada compartilhamento de link ajuda muito!!
Finalmente, eu quero ouvir de vocês: Eu pensei em escrever sobre minha viagem para Los Angeles por agora (sim, sete meses depois), mas senti que seria um pouco fora da curva fazer isso. Ninguém sabe quando vai poder viajar. Por outro lado, escrever sobre isso vai me fazer me sentir melhor, e eu vou poder fazer alguns posts promovidos e talvez conseguir juntar mais um dinheiro. Vocês querem ouvir sobre a minha viagem e talvez começar a planejar as suas?? Também quero ouvir sobre como vocês estão se sentindo no momento. Podem desabafar, sem medo. Aqui é um espaço sem julgamentos e talvez o que você tenha a dizer seja tudo que outra pessoa precisa ouvir. Os comentários aqui do blog também podem ser feitos anonimamente, e eu estou avisando isso mesmo sabendo que tem grande chance de pessoas usarem o anonimato para me xingar. Aproveitem!
Eu devo voltar assim que colocar algumas coisas no lugar, quando quer que isso seja. Fiquem bem e cuidem dos outros!
G.

08/02/2020

COISAS????? QUE ACONTECERAM NA ÚLTIMA DÉCADA????? SUPOSTAMENTE

Vossa Excelência, eu quero que conste nos autos o fato de que para mim, o ano começou há uma semana. Janeiro foi invenção capitalista, meritíssimo. OLÁ, PESSOINHAS! Sinceramente? Eu nem vou pedir desculpas ou me justificar pelas últimas semanas. Eu sei que o aniversário do blog foi ontem e eu também sei muito bem que 9 anos não são uma década. Mas eis a questão: Originalmente, esse post nem era para ser post de aniversário. Ele era para ser retrospectiva e sair no dia 30 de dezembro. Mas aí no dia 30 de dezembro resolveram ameaçar me demitir por WhatsApp e eu comecei a ter crise de pânico como se fosse promoção em loja de R$1,99 e eu só tivesse R$1,99. Eventualmente eu acabei sendo demitida, então eu passei as últimas semanas tentando me realocar no universo. Eu vou falar mais sobre o que aconteceu no futuro, depois que eu resolver algumas coisas, mas por enquanto, eu só queria acabar o que eu terminei. A ideia era que esse post saísse antes do aniversário do blog e que o post do dia 7 de fevereiro fosse um episódio de podcast, mas eu só tive essa ideia na quarta, dia 5, e logo percebi que não ia dar tempo. Aí eu me dei conta de que (se o post de aniversário do ano passado prova qualquer coisa) um post de retrospectiva e um post de aniversário são praticamente a mesma coisa, só muda o mês.
Antes que eu vá ao post em si, porém, eu tenho dois anúncios importantes. O primeiro é que VOZES ESTÁ EM CAMPANHA DE FINANCIAMENTO NO CATARSE!! Basicamente, estou juntando dinheiro para a impressão de 500 cópias do livro e com apenas R$20 você leva uma cópia do livro autografado, com seu nome nos agradecimentos e ainda um monte de marcadores e cards. A campanha é para que não só as pessoas que querem cópias físicas possam tê-las, mas também para que eu doe uma parcela dos livros para as bibliotecas das universidades onde os casos de assédio que eu narrei no livro aconteceram, assim como para as organizações que me ajudaram a coletar dados. Caso você não tenha como comprar o livro com R$20 ainda, mas queira ajudar, também está rolando uma rifa e com apenas DOIS reais, você pode concorrer a um tênis converse lindo! Clique aqui para mais informações e entre em contato pelas redes sociais ou pelo email blogs@giuliasantana.com para organizar o recebimento do seu livro (válido para todo território brasileiro. É possível apoiar o projeto e comprar a rifa ao mesmo tempo através do Catarse). E o segundo anúncio, que eu espero que vocês já saibam, é que eu estou fazendo publicações simples de textos exclusivos no Instagram do Quebrei a máquina de escrever, depois de quase um ano sem postar nada naquela página. Voltamos com tudo e já tem indicação de série com mais de 2 mil impressões (as impressões do QaMdE batendo as do meu perfil pessoal são TUDO PRA MIM), então se eu fosse vocês, acompanhava.

É sério. Me ajudem, eu sou pobre.
Nós estamos juntos há 9 anos e é completamente bizarro pensar que eu ainda tinha 12 anos quando postei pela primeira vez neste blog. Especialmente considerando como crianças de 12 anos são minha maior fonte de dor de cabeça na internet no momento. Eu tenho 102% de certeza de que tudo que eu passo com crianças de 12-14 anos na internet no momento é carma pelo fato de que eu forcei a internet a aguentar minhas abobrinhas desde aquela época. E agora eu tenho 21, quase 22. As coisas melhoraram? Não. Eu ainda posto as merdas que eu quero sem pensar duas vezes? Sim. Eu ainda forço as pessoas as ouvirem o que eu tenho a dizer? Uhum. Será que durante os meus 30 eu vou ter que lidar com gente de 21 que age como eu??? Desse jeito eu nem preciso de filho.
Eu ainda converso com pessoas na minha vida que me conheceram naquele primeiro ano de blog (PuccaSecrets squad!!) e é engraçado como a gente foi de "primeiro dia de ensino médio!!!!" para um bando de adulto formado que não faz ideia do que está acontecendo. Eu fico feliz em saber que eu descobri que a Disney mentiu com tantas pessoas maravilhosas. Mal vejo a hora de descobrir que De Repente 30 também mentiu junto com vocês! Obrigada por todos este anos de paciência e apoio e por ainda lerem o que eu escrevo, mesmo depois de eu abandonar vocês por meses!
Inicialmente, eu nem queria escrever uma lista de melhores coisas da década. Quer dizer, eu queria, para entrar no hype, mas eu não queria, porque para fazer uma lista de melhores coisas da década eu teria que simplesmente rankear coisas de acordo com uma base fosse ela gosto pessoal, opiniões de especialista, impacto cultural, etc. Por exemplo, se você me perguntar o melhor álbum de 2019 pessoalmente, a resposta é o álbum que eu tenho tatuado na pele, óbvio, mas se eu for dar minha opinião profissional enquanto formadora de opinião acerca da música (jornalista musical demais a bicha), eu seria forçada a dizer Cuz I Love You, da Lizzo. E ao mesmo tempo, é muito difícil escolher as melhores coisas da década quando grande parte das coisas que eu consumi na última década é de muito tempo atrás. Por exemplo, eu descobri meu livro preferido em 2013, mas ele foi lançado em 1871; Up In The Air (aka Amor sem Escalas) é um dos melhores filmes que eu vi na última década, mas ele foi lançado em 2009. E ainda tem o fato de que é bem díficil visitar minhas memórias antes de 2014 e antes de eu começar a tratar minha depressão direito. Mas ao mesmo tempo, muita coisa está registrada aqui, então eu sempre posso revisitar. E é por isso que eu resolvi fazer uma lista que não faz sentido algum. Ao invés de mandar os melhores da década, eu vou mandar COISAS QUE ACONTECERAM e que FORAM SIGNIFICATIVAS. Se vira aí pra desvendar se eu gostei ou não.

2010 — EU OUVI NO RÁDIO


Sim, eu sei que Tik Tok é 2009. Não, eu não to nem aí.
Logo no começo da década, já no dia 9 de janeiro, eu me mudei para um lugar sem internet, onde fiquei por um ano. Então minhas referências culturais foram limitadas, apesar de não completamente bloqueadas. Acontece, caro leitor, que um ano sem internet te ensina a recorrer a todo outro tipo de mídia. Eu fiquei, por exemplo, viciada em rádio já que logo descobri rádios que tocavam música pop no estado do Rio de Janeiro (não acontecia nas rádios da cidade em que eu cresci). Eu também comprei um número absurdo de revistas, assisti TV para cacete (já que eu finalmente tinha mais canais do que só Globo) e comecei a ler mais livros recentes e que se adequavam a minha faixa etária e ao ano em que eu estava (quando nos anos anteriores eu tinha lido 75% da Série Vagalume). 2010 foi, por exemplo, o ano em que eu assisti H2O: Meninas Sereias como série e não só como a versão filme, o ano em que eu vi episódios de Gossip Girl no SBT e descobri que minha amada Michelle Tranchtenberg fez parte da série e até mesmo fiquei viciada em KYLE XY!!!!!!!! desde já vendendo um pedaço da minha alma para Julie Plec. No sentido literário, eu li todos os livros da saga Crepúsculo, comecei Os Imortais (ainda um dos fave, VOCÊS QUE LUTEM) e comecei Percy Jackson e Os Olimpianos. Também comprei meu primeiro livro novo naquele ano (antes disso eu só tinha livros que foram comprados em sebo), que foi A Última Música do Nicholas Sparks, que ainda é o único livro do Nicholas Sparks que eu não vendi (exceto por O Milagre, que ainda está a venda no Instagram giulia.lojinha). Eu era die hard fã da Miley Cyrus na época e foi naquele ano que eu comprei meu primeiro CD da vida, que eu também tenho até hoje, o Can't Be Tamed. Quando foi anunciado que ela faria shows no Brasil em 2011 e rolou a ICÔNICA promoção Eu Quero Sym para conseguir participar do show exclusivo, eu participei, pagando mico em farmácia e tudo. Ainda fiz questão de ir gravar no dia do aniversário dela. Queria que o vídeo ainda existisse, mas ele queimou junto com o HD do computador do meu tio e uma das primeiras versões do meu primeiro livro. Eu também amava Demi Lovato e os Jonas Brothers pra caralho na época, então também sofri para caralho quando perdi o show deles em maio, apesar de estar a apenas três horas de distância deles. Além disso, eu tinha 12 anos, então no fim daquele ano eu também sofri quando vazou o vídeo da Miley fumando sálvia e a Demi foi parar na reabilitação. Foi um ano bem difícil, emocionalmente falando. Eu sei que você deve estar se perguntando como eu sabia disso tudo sem internet, mas colegas a combinação lan house uma vez no mês + os colegas de escola que tinham internet em casa sabendo de quais artistas que eu gostava, me mantinha informada desses momentos. Finalmente, aquele foi o ano em que eu comecei a escrever meu primeiro livro, que na época ainda se chamava One More Time, e quando eu comecei a escrever a INFAME fanfic conhecida por Songs, que foi publicada em vários lugares diferentes até desaparecer nas profundezas do meu arquivo de coisas que ninguém mais pode ler. 2010 foi um ano decisivo para eu me apaixonar por William Moseley, provavelmente porque eu não tinha muito a fazer com a minha vida além de copiar a página dele da Wikipédia no meu diário uma vez quando eu estava na lan house e reler tantas vezes que eu sabia ela de cor. Por isso Songs acabou surgindo. Mente vazia é oficina do diabo, galera. A playlist de Songs ainda existe no Spotify e não só ela dá um panorama legal do que acontece na história (já que o conceito da história é literalmente o fato de que cada uma dessas músicas lembra o casal principal de uma coisa sobre o relacionamento deles), ela também é um panorama legal do que eu ouvia naquela época.



2011 — VAMPIRO EM PELE DE CORDEIRO
AAhh, 2011. Por onde eu começo a falar sobre você? Outra mudança no começo do ano, dessa vez para a capital do Rio. Passei, de novo, grande parte do ano sem internet em casa, mas dessa vez eu tinha internet na escola e na casa dos meus tios que ficavam dois andares abaixo da minha. Foi assim que o Quebrei a máquina de escrever nasceu, como PuccaSecrets, no meu primeiro dia de aula do 9º ano do ensino fundamental. E aquele ano foi bem formativo para a mim do ponto de vista cultural. Por exemplo, perder o show da Miley Cyrus no dia 13 de maio depois de tudo que eu fiz para ir naquele show ajudou a formar meu carácter e eventualmente me transformou na pessoa que se aproximou tanto dos próprios fav que eles não conseguem conceber fazer show no Brasil sem que eu esteja presente, com nome na lista. Pois é, galera, foi tudo parte do meu grande plano. (Disclaimer porque eu sei que vai ter gente que vai vir me xingar: É brincadeira. Minha conexão com meus bebês são a coisa mais importante do mundo para mim, e elas sabem disso).
Mas além de chorar quando eu não conheci a Miley, chorar quando Hannah Montana acabou (secando minhas lágrimas com minha toalha de Hannah Montana e tudo), chorar quando a Demi saiu da reabilitação, chorar pela primeira vez (mas definitivamente não pela última) quando uma música estreou com Skyscraper, finalmente terminar o ano chorando quando anunciaram o show da Selena no Brasil e as coisas começaram a dar errado, eu também tive tempo de conhecer o outro amor da minha simples vida de 13 anos: Nina Dobrev.

Vocês lembram quando The Vampire Diaries ainda tinha DIÁRIOS??
Como deliciosamente explicado neste post de 2012, eu comecei a ver The Vampire Diaries depois de descobrir Nina Dobrev em um dos meus momentos de internet e resolver que eu precisava assistir a série. E aí eu fiquei viciada, baixando os episódios da série via ORKUT e assistindo no computador com Windows 2000 que minha mãe comprou pra que a gente conseguisse fazer trabalho de casa. Foi uma época bem estranha, mas os sacrifícios que eu faço quando fico obcecada por uma atriz não conhecem limites (Kira Kosarin tá aí de prova). A questão é, para os padrões de 2011, The Vampire Diaries era a melhor série de todas, ao ponto de que eu simplesmente conversava sobre a série com meu professor de matemática da época, cujo nome eu nem lembro, mas que sei que amava o Kevin Williamson e assistiu não só TVD, como The Secret Circle, série também baseada nos livros da L. J. Smith cujo cancelamento eu ainda remoo às vezes. (Side note: Esse professor de matemática só foi meu professor a partir de março. O motivo é que a professora que entrou o ano dando aula na escola foi demitida uma semana depois de ter tido uma altercação comigo. Não que eu ache que o motivo da demissão foi a altercação que ela teve comigo, mas tudo que eu sei é que 6 anos depois, quando eu a encontrei na Bienal de 2017, eu saí correndo. Qual foi a altercação, você se pergunta? Um belo dia ela fez um comentário, que ela repetia sempre, sobre o que ela queria na semana seguinte. Aí eu mimiquei o que ela fez, revirando os olhos e repetindo. A sala estava um caos e eu estava lá no fundo, não imaginei que ela fosse perceber. Mas ela percebeu e começou a gritar comigo sobre como revirar os olhos era falta de educação, tão alto que a sala inteira ficou quieta para ver. Mas aí aconteceu uma coisa mágica: Enquanto eu simplesmente encarava a professora, sem tentar me defender, várias pessoas da sala começaram a me defender, dizendo que eu era tão quietinha que eu nunca faria isso na minha vida. Eu tinha feito, mas a professora ainda estava gritando e eu fiquei emocionada quando me defenderam. Eu não faço ideia se eu cheguei a esclarecer que eu realmente tinha feito aquilo algum dia, mas as pessoas tinham tanta certeza que eu não tinha feito que eu comecei a duvidar que eu tinha feito. Eu faltei aula na semana seguinte e na próxima ela já tinha sido demitida. Me disseram que foi por outra briga que ela arranjou com a coordenação da escola, mas até hoje eu me pergunto se foi culpa minha. Eu sou uma pessoa ruim? Não respondam).
Em setembro daquele ano eu finalmente tive internet em casa com a chegada do novo computador que mamãe pode comprar e acompanhei a terceira temporada de The Vampire Diaries e a única temporada de The Secret Circle sofrendo apenas pelo fato de que série da Julie Plec é só sofrimento mesmo. Agora imagina qual não foi a minha felicidade quando duas das minhas atrizes preferidas do ano anterior, que nem eram americanas, apareceram do nada na CW. Phoebe Tokin e Claire Holt indo de sereias a vampira e bruxa (e eventualmente loba/hibrida) e atuando no mesmo canal e depois juntas de novo foi simplesmente TUDO pra mim e sinceramente, sempre será. Ainda não superei.
Outros momentos impactantes foram, naturalmente, a minha primeira Bienal do Livro, o livro A Hospedeira da Stephenie Meyer (que é muito melhor que Crepúsculo, FIGHT ME), o livro True da Hilary Duff e, é claro, a trilogia Wake (Wake, o primeiro livro, foi literalmente o primeiro livro que eu li no ano e li de uma vez só, dia 1º de janeiro) e provavelmente o fato de eu ter passado o mês de abril inteiro falando do cara que era o único homem que eu considerava bom o suficiente para ser citado com certa constância. Aquele também foi ano em que ele começou a namorar a Kelsey Asbille, que na época usava Kelsey Chow. Exceto que eu também falava muito sobre o Justin Gaston, que naquele ano ficou noivo da atual esposa e mãe das filhas dele. Mas isso é o bastante sobre homens brancos, outra coisa que aconteceu naquele ano foi o dia em que o site do Disney Channel liberou As Fabulosas Aventuras de Sharpay de graça por 24 horas e eu fui na casa do meu tio assistir ao filme todinho porque eu desconheço o conceito de limites. E eu tinha 13 anos, não tenho arrependimento algum. 2011 foi um ano culturalmente confuso.

2012 — FIM DO MUNDO?
De todos os anos, 2012 provavelmente foi o mais deliciosamente catastrófico de todos. Musicalmente e audiovisualmente falando foi ano em que eu comecei a assistir Glee e o último ano em que Glee fez algum sentido. Também foi ano em que Pitch Perfect saiu e mudou a história do cinema. Também teve Os Vingadores, I guess? Eu minha mãe e minha irmã íamos para o cinema demais naquele ano, o que levou a grandes momentos como a vez em que eu tive uma crise de pânico na sala de cinema quando a gente estava vendo O Que Esperar Quando Você Está Esperando no dia 10 de agosto de 2012, o que me levou ao hospital e fez com que eu só visse o final desse filme em 2015!!! Mas ao mesmo tempo, eu também tentava desenvolver meus próprios gostos usando séries e livros para me distraírem da crescente depressão que eventualmente culminou em terapia e antidepressivos no fim do ano. Foi o ano em que eu comecei a ler Harry Potter, por exemplo, e eu lembro que na minha primeira consulta com o psiquiatra, eu comecei Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mais infos sobre os filmes, séries e livros que eu vi/li naquele ano vocês podem encontrar nos posts do Movies & StAff do Diário de Bordo 2.


Além disso, 2012 foi o ano em que eu acrescentei Candice Accola à minha lista de Divas™ (eu era muito crente, então eu não dizia ídolas porque a Bíblia diz que não pode ter ídolo. Mas eu também era muito gay no armário então eu só era fã de mulher). Então foi o ano em que eu me viciei no álbum dela It's Always The Inocent Ones (que não tá no Spotify porque não existe justiça), comecei a assistir Drop Dead Diva (séries PERFEITAS com finais HORRÍVEIS) e assisti minha primeira websérie, a mais icônica de todas, Dating Rules From My Future Self. A série é boa mesmo na temporada sem a Candice, mas também é importante que fique claro que essa série destruiu minha vida ao se tornar uma parte grande demais da minha personalidade. 7 anos depois, a criadora da série, Shiri Appleby, dirigiu um episódio de outra série em que a personagem da Kira morria então claramente ela trabalha contra mim, pessoalmente.
Outra parte considerável da minha vida naquele ano foi Selena Gomez. Eu já comecei o ano meio enlouquecida porque era para eu ir ao show no dia 4 de fevereiro, mas acabou não dando certo porque a FODIDA da HSBC Arena só aceitava cartão de crédito para dar desconto. Por isso o banco faliu. Eu sofri muito naqueles dois primeiros meses, mas depois acabei me convencendo que não era Vontade de Deus™ e que eu iria no próximo show que a Selena viesse fazer aqui. E aí ela nunca mais voltou e agora eu peguei ranço dela por causa do fandom, então esses rumores de que ela está vindo não mais me afetam :) :)

2013 — PSYCHOBITCH
Ah, 2013. Doce, caótico, enlouquecedor 2013. Dois mil e treze foi meu ano rebelde, talvez por ter sido o ano em que eu descobri que era definitivamente não-hétero (o que não significa que eu não passei os dois anos seguintes em negação né). Na verdade, eu defini minha sexualidade naquele ano caótico como "há controvérsias" porque claro que eu tava apaixonada pela única pessoa por quem eu já senti atração romântica, ao mesmo tempo que tinha me convencido de que era completamente hétero, sim. Mas isso aqui não é sobre a minha vida pessoal é sobre as minhas INFLUÊNCIAS CULTURAIS. Eu só citei minha sexualidade, porque ela é 100% culpa de uma vampira de 138 anos (132 na época) chamada Carmilla. Na verdade, Carmilla só entrou na minha vida depois que eu li o conto Outra Vez na Escuridão da Carolina Munhóz e decidi que precisava do conceito de mulheres gays do mal para sobreviver por aquele ano. E até o presente dia, bruxas, vampiras, fadas e qualquer outra criatura mítica pra mim só serve pra mim se for gay e assassina.
Eu sempre fui uma criança meio creepy, mas 2013 possibilitou que eu me tornasse uma pessoa Creepy com Referências. Por exemplo, antes de 2013, se você me dissesse que só gosta de "vampiros reais", eu provavelmente só reviraria os olhos. Depois de 2013, se você fala um negócio desse na minha frente, recebe duas horas de palestra sobre casos reais de vampirismo espalhados pelo mundo. Tá achando que isso aqui é palhaçada, ô viúva do Lestat? Em 2013 apenas eu li Drácula duas vezes, Carmilla seis vezes, Fade (meu livro preferido no começo daquele ano) quatro vezes. Eu escrevi 128 posts aqui no blog e mantive quatro fanfics pela maior parte do ano, além de ter sido o ano em que eu terminei de escrever meu primeiro livro que também naquele ano recebeu o título oficial de Mais Uma Vez. Também foi o ano em que eu fui parar em seis recuperações e foi o primeiro ano que eu tive impulsos suicidas. Não dá para vencer todas.
Musicalmente, foi o ano com meu pior gosto musical da vida e eu terei 89 anos e ainda não vou ter me perdoado pela playlist da minha festa de 15 anos. Por outro lado, aquela foi a última vez em que eu simplesmente forcei todo mundo a ouvir as músicas que eu queria que eles ouvissem, independente de quão ruins elas eram. Eu preciso de mais dessa coragem, ao mesmo tempo que preciso da força de vontade que eu tenho hoje em dia para lembrar a pessoas que SE EU PEDI PRA NÃO TOCAR AOS OLHOS DO PAI, NÃO É PRA TOCAR AOS OLHOS DO PAI. Eu nunca vou superar o fato de que a única coisa que eu pedi no meu aniversário de 15 anos foi desrespeitada. É esse o motivo pelo qual eu não terei cerimonialista no meu casamento. E EU NEM SEI SE TEREI CASAMENTO. Voltando pro assunto, a questão é que eu passei todo ano de 2013 ouvindo músicas pesadas e ruins e adicionando novos palavrões em inglês ao meu vocabulário, e eu vou fechar essa parte do post com um ótimo exemplo disso:



2014 — ANTIDEPRESSIVOS NATURAIS
Eu sinto que 2014 foi um grande precursor da forma como eu usaria a cultura pop e as mídias nos anos seguintes. Sabia que usar livros e filmes e séries para te aliviar da dor profunda da existência faz com que você desenvolva um relacionamento tóxico com essas coisas? Eu sei!! Incrível! 2014 foi o ano em que eu li mais livros (pela primeira vez. Eu acho que nos anos anteriores eu li mais livros no geral, mas eu lia o mesmo várias vezes), o ano em que eu desenvolvi um sistema doentio de acompanhamento de séries de TV e o ano em que eu tentei e falhei miseravelmente em fazer uma SUPERMARATONA DE FILMES (que acabou com dois filmes porque eu fiquei obcecada pela Zoey Deutch e não consegui assistir mais nada além dos dois filmes com ela que eu assisti).
Depois que a minha mãe morreu, em abril, eu comecei a fazer muita coisa porque me lembrava ela, mesmo que inconscientemente. A última coisa que eu e minha mãe fizemos juntas foi assistir Revenge (ela começou a passar mal no meio do episódio novo), então se qualquer pessoa me perguntar, até hoje, a quarta temporada é a melhor temporada da série (eu chorei quando descobri que ela tinha sido cancelada). Eu também comecei a assistir Liv e Maddie com vontade, já que eu e minha mãe assistimos a estreia juntas e mesmo que o fato de que as duas personagens eram interpretadas pela mesma pessoa me deixasse agoniada, o fato de que minha mãe amava a série falava mais alto. Também teve o show da Demi Lovato que eu considero meu primeiro show oficial por ser o show de alguém que eu gostava (o que faz as pessoas acharem que eu sou super fã da Demi até os dias de hoje, quando, na verdade, eu só ouço as músicas novas dela depois que a Kira faz cover) (oops) (não vou explicar os motivos de eu ter me distanciado da Demi, porque não é o momento, porque eu não quero que o fandom venha tentar me matar e porque se eu for falar mal de ex-Disney nesse post, falarei mal de Selena Gomez.), que foi o último presente de aniversário da minha mãe para mim. A forma como minha família reagiu à minha vontade de ir a este show e a forma como algumas pessoas me tratam até hoje por causa disso é algo que ainda me irrita em um nível sobrenatural. Eu nunca consegui perdoar meu tio por algumas coisas que eu ouvi no final de semana do show e agora ele morreu também então ESSA QUESTÃO NUNCA SERÁ TRABALHADA. Por outro lado, minha família estava se sentindo culpada, então eu passei o ano seguinte ganhando todos os livros que eu queria e lendo todos os livros que eu queria. Eu provavelmente trocaria os livros por menos traumas emocionais no primeiro ano depois da morte da minha mãe, mas agora já foi.

2015 — TRUE_LOVE_(PIANO_DUET)_-_DOVE_CAMERON_FEAT._JORDAN_FISCHER.MP3
2015 foi o ano em que eu entrei na faculdade então eu mal consumi qualquer tipo de mídia que não fosse curta. Webséries, vídeos do YouTube, séries de 30 minutos da MTV (FAKING IT, VOLTA PRA MIM, POR FAVOR) (pausa: noite passada eu sonhei que namorava a Rita Volk. Só queria compartilhar mesmo). Qualquer coisa que não levasse muito tempo e não me desse a sensação de que eu estava desperdiçando tempo que eu pudesse estar usando na faculdade. Estamos claros? Agora vamos à parte importante.

Bem, eu acabei de perceber que vou completar a idade que a Mandy tinha quando eu conheci ela e quando o clipe de Reflections foi gravado. CRISES.
Era 12 de fevereiro de 2015, e eu estava tentando falar o mínimo possível por motivo algum além de que eu queria saber se sobreviveria a dois dias de descanso vocal. Eu passei a primeira parte do dia organizando e carimbando meus livros com meu então novíssimo carimbo (que eu tinha comprado no dia anterior, mas que quase cinco anos depois ainda funciona perfeitamente) e reorganizando eles na estante; e a segunda parte do dia largada no sofá da minha tia, com um livro no colo, mas ignorando ele para ficar no celular, quando eu passei por um Vine que já tinha visto 500 vezes e resolvi finalmente tirar um tempo para pesquisar a música que tocava no fundo. Nos primeiros dez segundos de música eu já estava apaixonada. E esses dez segundos definiram todo resto.
Em 2015 eu descobri todos os amores da minha vida, mesmo que eu ainda não soubesse que eles seriam os amores da minha vida. Até meu gato foi adotado em junho daquele ano (e recebeu o nome do baterista de MisterWives). Eu só criei uma conta no Spotify para ouvir MisterWives e a partir do Spotify, eu fui apresentada a Bahari em setembro. Por causa de MisterWives eu também descobri o The Wild Honey Pie, que me apresentou a uma série de novos artistas e se tornou o lugar dos sonhos para onde eu queria escrever (spoiler alert: eventualmente eu consegui). Um desses artistas foi a banda Ra Ra Riot (que eu tecnicamente já conhecia, da trilha sonora de A Última Música) que eu vi ao vivo ano passado, e cujo primeiro álbum deu nome ao meu primeiro livro, A Linha de Rumo. Esse livro foi escrito em novembro de 2015 e durante a escrita dele eu costumava deixar a TV ligada como ruído de fundo, e foi graças a isso que eu assisti meus primeiros episódios de The Thundermans. Está tudo conectado. TUDO.

2016  — ALTAR OF THE SUN
Apesar de tê-las encontrado em 2015, foi em 2016 que Bahari se tornou tudo na minha vida e foi minha obsessão real pelo ano inteirinho. Ajudou o fato de que elas começaram o ano com uma música só, mas logo em maio já lançaram um EP inteiro e destruíram minha vida completamente. 2016 me trouxe de volta ao pop chiclete, e quando as meninas entraram em turnê com Selena Gomez, 2016 me trouxe de volta a ela. Eu estava louca para ir à Revival Tour que chegaria ao Brasil no fim daquele ano, mas foi cancelada porque a Selena ficou doente. Não que eu esteja brava com ela por ter ficado doente, mas eu sinto que aquela teria sido minha última chance de realmente aproveitar um show dela. O ano seguinte meio que destruiu minha percepção da Selena e apesar de originalmente ter escrito sobre isso, eu acabei deletando porque a verdade é que não existe muito que possa ser feito nesse sentido e eu tenho amigos demais que ainda adoram essa mulher para arranjar treta.
O que me fez reencontrar Bahari, por assim dizer, foi a série que era minha série preferida na época. Quando The Royals tocou Wild Ones durante o primeiro beijo sáfico da série, eu pensei que fosse um sinal. E foi um sinal de que eu precisava pesquisar mais sobre Bahari e eventualmente me tornar próxima das três e estabelecer os tipos de precedências perigosas que definiriam meus relacionamentos com todas as pessoas de quem eu me arrisco a ser fã. Porém, também foi um sinal das tendências predatórias de Mark Swahahawswd (eu ia pesquisar como realmente se escreve, aí eu me dei conta de que foda-se), o criador da série. Eu passei o ano inteiro de 2016 esperando pela terceira temporada e falando sobre todas as formas em que a sexualidade da Eleanor poderia ser explorada, mas ao invés disso, a gente ganhou a completa ignorância do fato. Eu nem sei se depois fizeram alguma coisa, porque eu abandonei a série no segundo episódio da terceira temporada e sinceramente, eu nem sei se a série ainda está no ar ou o que aconteceu no final. E é incrível como eu não to nem aí.

Gifs que te deixam triste.com.br
2016 também teve Noralise em The Vampire Diaries (que eu continuei assistindo depois que a Nina saiu porque eu sou masoquista), cuja morte na 7ª temporada fez com que eu perdesse totalmente a vontade de ver a 8ª temporada (e eu não vi até hoje) (sério, mesmo com os casais queer em The Originals e Legacies, eu simplesmente não consigo ter vontade de voltar ao universo. É demais pra mim.). E foi o ano em que eu saí do armário (por que será né?). Foi um bom ano culturalmente, mesmo que para o conceito geral tenha sido o ano do apocalipse. Enquanto isso, em abril de 2016 eu comecei a seguir a Kira nas redes sociais todas e em setembro de 2016 eu vi o cover que faria com que eu me apaixonasse por ela. Aí veio 2017.

2017 — PADRÃO MÍNIMO
Sabe como eu disse que Bahari estabeleceu a forma como eu lidaria com qualquer outro ídolo que eu tivesse? Quando 2017 chegou eu já conversava com as meninas tranquilamente sobre os bichinhos delas, a família delas e eu já era uma estranha parte ativa da vida delas que futuramente eu ia descobrir que fez mais diferença para elas do que eu pensava. Com esse tipo de relacionamento ativo eu não ia deixar qualquer atriz fofinha da Nickelodeon chegar na minha vida com tudo e simplesmente não reciprocar as coisas não, colega. Não interessa quão maravilhosa e parecida comigo ela fosse. Se ela queria entrar na minha vida, só com amizade completa incluindo pacto de sangue. Mentira, quando ela virou minha amiga, eu já estava completamente obcecada e disposta a dar minha vida por ela.

MY LIL BEEEEAN
2017 foi todo sobre a Kira e sobre me apaixonar pela Kira e então me apaixonar por mim mesma quando eu percebi que a Kira me amava de volta. Porque se eu mereço o amor da Kira eu não vou me submeter a coisas medíocres. E ninguém é perfeito, mas a Kira me ensinou muito sobre o que esperar das pessoas com quem eu tenho contato. Ninguém nunca vai ser ela e eu não espero que sejam (ela é minha alma gêmea, o resto de vocês são resto), mas eu também não aceito qualquer bosta quando eu tenho ela.
Então sim, quando, mais tarde naquele ano, William Moseley foi O ÚNICO membro da equipe de The Royals que não se pronunciou oficialmente e não "tomou lados" depois que 40 mulheres denunciaram assédio e abuso sexual causado pelo criador da série, eu não fiquei para trás inventando desculpas para ele. Eu o enterrei internamente e grande parte do tempo eu até esqueço que ele existe. E eu não estou falando que ele é uma pessoa ruim que merece ser canceladas (não que eu acredite que cancelamento faça alguma bosta). Só que se eu discordo de alguém tão fundamentalmente, eu não preciso criar desculpas para adultos, mais velhos que eu. E eu me lembro de ter 12 anos e dizer que se a Miley continuasse fazendo algumas coisas eu não seria mais fã e ser xingada por outros fãs por três dias seguidos. Se eu soubesse na época que só porque algumas pessoas tiveram impactos positivos na sua vida, você não precisa se prender a elas como se fossem o único bote em um alagamento e você tivesse 100% de certeza de que tem leptospirose na água, minha vida teria sido mais fácil. Eu sempre tratei todo mundo de quem eu era fã como se fosse meus amigos, mas ter uma ídola que também é minha amiga me fez perceber que muitas vezes eu tratei meus amigos de uma forma bem errada. Existe agora o mínimo do que eu aceito e se você não me oferece, byeee bitch.

2018  — O ANO QUE NA VERDADE NÃO EXISTIU
Quanto mais eu penso em 2018, mais eu acho que esse ano foi mentira. Sabe qual foi o momento da cultura pop mais importante de 2018? O lançamento do MEU primeiro livro, A Linha de Rumo. Eu sei, eu sei, mas errada eu não tô. Quer dizer, SPY saiu em março, mas a Kira tirou do Spotify cinco meses depois. Bahari lançou Fucked Up, Savage e Chasers, mas aí em setembro a Sidney saiu da banda. MisterWives não fez nada, mas era ano par e ano par é o ano de folga deles (exceto este ano, porque eles não lançaram álbum ano passado, então são forçados a lançar este ano). Eu acho que eu preferi deletar o ano como um todo da minha cabeça, no ponto cultural. Ao mesmo tempo, foi o ano em que eu li O Ódio Que Você Semeia e A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro, comecei a ouvir My Favorite Murder, o ano em que Love Daily, On My Block e All About the Washingtons saíram e o ano em que eu fiz A Maior Retrospectiva de Todos os Tempos. Então o ano existiu. Em algum nível.
Uma prova é que na playlist que eu fiz para este post, a maioria das músicas que eu adicionei foram de 2018:




2019  — CULTURAL BOMBSHELL
Em 2019 eu li três livros, e um deles foi meu próprio livro lançado naquele ano, Vozes. Também em 2019, eu comecei o projeto de ir ao cinema uma vez por mês, mas mesmo tendo sido um ano em que eu vi mais filmes do que normalmente vejo, ao invés das desejadas 12 visitas ao cinema, eu terminei o ano em 9. E eu jurava que depois que já que eu comecei a escrever para o The Wild Honey Pie, em 2019 eu ouviria mais músicas do que eu podia controlar, mas na verdade eu basicamente só ouvia o lançamento mais recente da Kira dependendo do mês em que estávamos e aí quando o Off Brand saiu, eu fiz duas tatuagens dele e só ouvi ele o resto do ano todinho. Eu também não escrevi tanto assim ano passado, como vocês podem ver no número de posts publicados aqui e o fato de que eu não terminei o NaNoWriMo ano passado. Então que caralhos eu passei 2019 fazendo? Elementar, meus caros leitores, VENDO SÉRIE.
Eu assisti tanta série em 2019 que eu ia dizer que dava para escolher uma obsessão televisiva por mês, mas depois eu percebi que teve mês que eu assisti mais de uma série de uma vez só. Teve semanas que eu assisti mais de uma série de uma vez só. Eu só assistia série. Terminava uma e eu começava outra para não sentir falta da uma. As storylines não se bagunçaram na minha cabeça apenas porque meus dois neurônios pertencem à televisão agora. Principalmente, às duas únicas séries que não têm defeitos na televisão mundial 9-1-1 e New Amsterdam (Eu queria dizer que eu até gosto de Grey's Anatomy, mas New Amsterdam é tão melhor que Grey's Anatomy que eu entraria numa briga de faca com qualquer fã da série. Incluindo a Kehlani). E tem mais tanta série boa demais para ser tão pouco conhecida e que agora faz parte da minha vida que eu quero recomendar, que se eu escolher só algumas, eu eventualmente vou começar a falar de todas. Então ao invés de te contar quais séries eu assisti em qual mês, eu vou fazer uma relação de séries assistidas em 2019 e dizer quais eu recomendo e onde você pode assisti-las, beleza?


A Freema quando renovaram a série por mais 3 temporadas DO NADA.
The Innocent Man (Netflix) (45 min/episódio)  — Eh, se você gosta de documentários sobre crimes, assiste
American Crime Story: The Assassination of Gianni Versace (Netflix) (45 min/episódio)  — ASSISTA
Special (Netflix) (15 min/episódio)  ASSISTA
Bonding (Netflix) (15 min/episódio)  Essa é complicada, mas eu diria assista. Aviso de gatilho pra bifobia, mas menor que a bifobia de Someone Great.
The Disappearence of Madeleine McCann (Netflix) (45 min/episódio)  — Eh, se você gosta de documentários sobre crimes, assiste
Manhunt: Unabomber (Netflix) (45 min/episódio)  — ASSISTA
Dead to Me (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA
No Good Nick (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA. Foi cancelada, mas "tem final".
The Most Popular Girls In School (YouTube) (3-12 min/episódio)  ASSISTA E MANDA TWEET PRO ESTÚDIO MANDANDO LIBERAR A SEXTA TEMPORADA
Light as a Feather (Hulu) (30 min/episódio)  ASSISTA, E MANDA O HULU RENOVAR
Shrill (Hulu) (30 min/episódio)  ASSISTA. Eu vi no Hulu quando estava nos EUA e ainda não assisti a segunda temporada, mas assista.
Schitt's Creek (Netflix, mas só nos EUA) (30 min/episódio)  ASSISTA
Derry Girls (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA
Trinkets (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA
The Office (Amazon Prime) (30 min/ episódio)   Pelo amor de Deus, é The Office
Family Reunion (Netflix) (30 min/episódio)  Não é a série mais engraçada do mundo, mas é boa de assistir enquanto você tem um colapso nervoso
9-1-1 (Fox Life e FoxPlay) (42 min/episódio)  ASSISTA
New Amsterdamn  (Fox Life e GloboPlay)  (42 min/episódio)  ASSISTA
The Marvelous Mrs Maisel (Amazon Prime) (42 min/episódio)  Já falei que é pra assistir lá no Instagram.

Isso, é claro, são as séries que eu comecei e assisti ano passado. Não levando em consideração naturalmente, a terceira temporada de One Day at a Time (Netflix), a segunda de On My Block (Netflix), a sexta de Brooklyn Nine-Nine (site da NBC + VPN), a terceira e a maior parte da quarta temporada de The Good Place (Netflix), a terceira e a quarta parte de Patriot Act (Netflix), as três temporadas de Fuller House (Netflix) que eu assisti naquele ano, uma temporada do BuzzFeed Unsolved: True Crime (YouTube), a última temporada de Last Life (YouTube) e duas temporadas de Santa Clarita Diet (Netflix) que terminou de um jeito que me faz querer comer o CEO da Netflix de porrada. Foi tanta série que superou minha memória e aí eu levei um susto ontem quando fui checar o TV Time e descobri que meu número de episódios de série assistidos chegou a 5 mil episódios.

E é isso. Como vocês podem notar, eu não sou uma pessoa culta, mas sou uma pessoa de cultura. E sinceramente, eu vou parar de rebaixar meu gosto para arte toda vez que eu falar sobre. Sim, eu vou ver o Oscar amanhã e o único filme inteiro que concorre que eu assisti é Joker, mas se Joker prova qualquer coisa é que não vale a pena ver os outros filmes indicados. (Me processa, academia, ME PROCESSA). Pelo menos não os feitos por homens brancos, ou seja, 92% dos filmes.
G.

P.S.: Caso você tenha esquecido, POR FAVOR, APOIE VOZES NO CATARSE. Quero muito fazer esse projeto deslanchar. Amo vocês, bjs.