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Como se começa um post de blog, meu pai AMADO? Tem três semanas que eu estou tentando decidir como eu escrevo isso aqui sem demonstrar um inacreditável amadorismo, incompatível com os quase 15 anos de experiência deste blog. Eu não queria começar o post reclamando de não conseguir escrever também, mas depois de duas semanas, eu preciso começar com de algum lugar.
A verdade é que no último ano, eu foquei bastante em vídeos, tanto na produção do meu conteúdo, quanto na arte que eu consumi. E tem uma explicação bem simples para isso: ler e escrever é meu trabalho diário. Todos os dias, eu passo horas escrevendo uma dúzia de textos para outras pessoas ou pesquisando e lendo sobre os temas que fazem sentido para as marcas deles. Não só isso acaba com a quantidade de palavras escritas que eu tenho dentro de mim, mas quando eu tenho a oportunidade de me expressar de outras formas ou de me trancar em uma sala escura de cinema e viajar para outro universo, eu agarro.
E é claro que eu senti falta de escrever para mim mesma. Senti falta da minha voz de escritora e Licor de Maracujá, inclusive, só existe por isso. Copywriting, que neste caso seria a escrita de textos publicitários e textos para redes sociais, pode ser um processo muito automático. Quando você conhece as estruturas e as informações, um pouquinho de criatividade é tudo que você precisa para entregar o fluxo de textos que eu entrego em um dia. Já minha escrita criativa ou literária, exige uma parte muito maior de mim. Eu consigo escrever sobre qualquer assunto depois de 15 minutos de pesquisa, mas eu só consigo escrever com profundidade sobre aquilo que eu conheço com profundidade.
Um momento formativo que eu tive no ano passado, foi quando um cliente sugeriu que eu não estava colocando profundidade ou pessoalidade suficiente nos meus textos cobrindo eventos. Eu quis resolver esta questão de uma forma analítica: “qual tom usar?", “qual estilo?”, “você tem alguma referência do que acha mais interessante?". A resposta foi que o cliente leu meus livros, me achava uma escritora incrível e sentia que eu não estava colocando o suficiente de mim nos textos de copy. Neste momento tudo que eu pensei foi “é claro que não! Minha voz não está à venda.".
Minhas palavras estão: eu uso diariamente as palavras que eu sei, para transmitir ideias e vendê-las de todas as formas possível. Mas a minha voz, esse tom largado e paranoico ao mesmo tempo, com o qual eu escolho escrever os textos que eu assino, não está. Um livro meu é uma história que eu teço com um fio de palavras nos tons da minha voz. Eu posso te vender o produto final, assinado por mim, mas eu não vou te entregar todo o meu material. Eu preciso dele, ele é meu.
Sobre o que era esse post mesmo? Ah é, minhas leituras de 2025. Quando eu sinto que estou sem palavras, a melhor forma possível de recarregar é com um bom livro. Meu relacionamento com a leitura ainda está um pouco fraturado, porém eu já escrevi sobre isso neste post aqui, então não vou me alongar nisso. Desde 2020, minha meta sempre é ler um livro a mais do que li no ano anterior. Se em 2024 eu li 4, chegar a 6 em 2025 foi perfeito! Abaixo, eu falei um pouco sobre cada um dos livros que li ano passado:
1. The Evergreen Heir por A. K. Mulford (Leia neste link)
Sinopse (traduzida por mim): Se pudesse, Neelo Emberspear nunca deixaria a biblioteca. Relutante em assumir o trono apesar da saúde vacilante de sua mãe, Neelo deseja escapar de seu casamento arranjado com o charmoso guerreiro fada Talhan Catullus. Mas elu sabe que não pode adiar mais seu dever quando sua mãe, uma rainha que sofre com vícios, acidentalmente coloca o castelo em chamas.
Lutando para salvar a vida de sua mãe e mantê-la no trono, Neelo se surpreende ao descobrir que a conexão através das palavras escritas lhe aproxima mais do que nunca de seu cavalheiro e futuro marido. Mas os sentimentos crescentes deste herdeiro não-binário podem ser interrompidos com o surgimento de revoltas de bruxas, ameaçando derrubar todo o continente.
Será que Neelo conseguirá conquistar tanto o amor, quanto o domínio, antes que sua corte seja reduzido a cinzas?
Lá em 2022, logo depois de ter terminado de escrever o primeiro rascunho do meu livro Ira, eu estava com vontade de ler algo que fosse como Ira. Numa dessas, eu encontrei um livro chamado The Rogue Crown, o terceiro livro da série The Five Crowns of Okrith, sobre uma guerreira que possui a maldição que um dia será responsável pela destruição do reino onde mora, então ela vai e se apaixona pela herdeira da coroa. Vibe encontrada e o fato do livro ser o terceiro livro da série não me impediria de começar direto por ele, porque estamos no fim do mundo e não há regras.
Eu amei The Rogue Crown e logo na sequencia, descobri que o quarto livro da série, The Evergreen Heir, sairia no ano seguinte. Um dos principais catalisadores de The Evergreen Heir — o noivado entre Neelo e Talhan — acontece em TRC e eu estava curiosa para saber o que aconteceria em seguida, mas sendo sincera eu tinha um motivo muito pior para querer ler esse livro. The Five Crowns of Okrith é uma série de alta fantasia e em The Rogue Crown tantos aspectos de gênero e sexualidade são tratados com naturalidade que eu fiquei encantada. Quando Neelo aparece pela primeira vez, seus pronomes são apenas uma parte das frases. Assumindo que Okrith então era uma sociedade com normas de gênero bem diferentes, minha curiosidade sobre o livro protagonizado por Neelo eram as descrições físicas de atos de sexos. Por motivos puramente acadêmicos, é claro.
Meu erro foi o fato de que eu comecei a série de livros do terceiro livro. A naturalidade que eu encontrei em The Rogue Crown se devia ao fato de que tudo sobre os personagens já tinha sido explicado nos dois primeiros livros. Já em The Evergreen Heir, nós somos jogados na cabeça de Neelo e por causa disso, a jornada delu é menos natural e mais pessoal. Por causa disso também, o sexo atribuído a Neelo em seu nascimento é dito meio que no começo do livro e qualquer expectativa que eu tivesse de aprender algo sobre como escrever cenas de sexo entre personagens não-binários, que não acabasse soando como algo que não é, foi pro beleléu.
Eu tenho plena consciência de que essa expectativa frustrada foi minha responsabilidade, então a razão para eu ter preferido The Rogue Crown a The Evergreen Heir não tem nada a ver com isso. Eu só preferi uma história à outra mesmo. E TEH é um bom livro, particularmente se você gosta de romantasia com personagens tímidos e que não acreditam que merecem amor. Só não é minha vibe geral no momento.
2. The Witching Trail por A. K. Mulford (Leia neste link)
Sinopse (traduzida por mim): Em uma terra dilacerada pela guerra, Raffiel Dammacus se ergue como a última esperança de seu reino caído. O único sobrevivente da realeza das Altas Montanhas, Raffiel é tudo o que se interpõe entre o impiedoso Rei do Norte e a lendária Lâmina Imortal.
Por anos, Raffiel tem conduzido seu povo à segurança, guiando-os por territórios infestados de inimigos com nada além de uma trilha de fitas carmesim. Mas quando uma missão de rotina dá errado, Raffiel se vê diante de novos monstros e aliados inesperados. Enquanto luta para proteger seu povo e garantir a lendária Lâmina Imortal, Raffiel deve enfrentar os fantasmas de seu passado e assumir seu poder como futuro rei.
The Witching Trail foi uma surpresa porque eu nem sabia que a versão que eu estava lendo de The Evergreen Heir vinha com a novela no final do livro. É uma história fofinha que envolve um casal de almas gêmeas, mas eu não tinha muita conexão com o Raffiel então não me conectei tanto com a história. Ainda assim, vale a leitura no universo expandido.
3. Sunrise on the Reaping por Suzanne Collins (Leia neste link)
Sinopse (da Editora Rocco): Quando você está fadado a perder tudo que ama, pelo que ainda vale a pena lutar?
Ao amanhecer do dia da colheita da Quinquagésima Edição dos Jogos Vorazes, o medo toma conta dos distritos de Panem. Nesse ano, em comemoração ao Massacre Quaternário, o dobro de tributos será levado de suas casas.
No Distrito 12, Haymitch Abernathy está tentando não pensar muito nas suas chances de ser sorteado – só quer sobreviver ao dia e passar um tempo com a garota que ama. Mas, ao ser escolhido, todos os sonhos de Haymitch desmoronam. Ele é separado da família e da namorada e enviado para a Capital com outros três tributos do Distrito 12: uma menina que considera quase uma irmã, um rapaz viciado em calcular chances e apostas, e a garota mais arrogante da cidade.
Conforme os Jogos se aproximam, Haymitch compreende que está tudo armado para o seu fracasso, mas parte dele deseja lutar... e deseja também que essa luta reverbere muito além da arena mortal.
Todo mundo que leu esse livro já tendo lido Jogos Vorazes, pensou a mesmíssima coisa: "eu já sei o que acontece", "vai ser triste, mas eu vou sobreviver". E aí, lá pelo capítulo 5, seu coração é arrancado violentamente do seu peito e jogado aos lobos. Suzanne Collins é muito boa em te fazer perceber que a perversidade da sociedade é muito mais profunda do que a gente consegue enxergar de verdade. Se você mergulha em um dos livros dela da forma como ela deseja que ele seja lido, você sai com reflexões e conflitos.
Amanhecer na Colheita é possivelmente o livro mais lindo e mais pesado da saga, e a Suzanne não poupou palavras nele. Ele estava na minha lista de leitura, é claro, mas talvez eu não tivesse lido ele tão perto do lançamento não fosse o medo de que o livro fosse estragado pelo discurso na internet. E se eu não tivesse feito isso, acredite, ele seria. Então, se ele está na sua lista, corra e leia logo. De preferência antes do filme que (supostamente) sai em novembro. Não perde tempo não.
4. Licor de Maracujá por Giulia Santana (Leia neste link)
Sinopse (da autora, ou seja, eu): Na sala de sua terapeuta, Isabel revisita o São João do ano anterior: um dia cheio de primeiras experiências, novos sabores e perguntas que ficaram sem resposta.
Licor de Maracujá é o segundo conto de Giulia Santana publicado exclusivamente na Amazon. O primeiro, Tormenta, é leitura essencial para quem se apaixonar pela história de Isabel e Lina. A autora também assina os livros A Linha de Rumo e Vozes.
Sim, meus próprios livros contam. E vocês têm sorte que eu incluo eles uma vez só, porque eu leio várias vezes antes da publicação. Ter publicado Licor de Maracujá ano passado foi uma das minhas coisas preferidas do ano. Não só porque eu finalmente publiquei algo depois de 4 anos, mas porque tive a chance de retornar a duas personagens que eu amo: Lina e Isabel. Tem muito da história delas que ainda precisa ser contato e eu prometo que estou fazendo o possível para contar tudo um dia. Enquanto isso, vocês podem assistir meu vlog de escrita de Licor.
5. Inimputável por Cris Vaccarezza (Leia neste link)
Sinopse (da autora): Em um hospital psiquiátrico onde crime e loucura se confundem, o jovem psiquiatra Rodrigo encontra nos escritos de Humberto — um ex-advogado acusado de assassinato — as chaves para um passado perturbador.
Seria ele culpado... ou apenas mais são que o sistema que o julgou? Inimputável – À margem da loucura é um thriller psicológico tenso e profundo que desafia o que acreditamos ser justo. Prepare-se para mergulhar em fragmentos de verdade, culpa e lucidez extrema — e sair transformado.
Eu já escrevi um pouco sobre Inimputável no Skoob, então vou compartilhar um trecho do mesmo texto aqui: Inimputável conta a história de Humberto, que era um advogado famoso até ele ser acusado de um crime bem grave. Ele foi considerado insano e, por causa disso, inimputável, ou seja, que não é capaz de ter culpa. Humberto foi preso em um hospital de custódia, completamente abandonado pelo sistema.
No livro, a história é contada de forma retroativa, a partir de diários e de textos que Humberto escreveu para não enlouquecer. Inimputável vai te fazer questionar o que você acredita e vai te mostrar que as coisas não são sempre do jeito que elas aparentam ser. Eu super recomendo, especialmente para quem tá buscando mais literatura nacional e, em especial, literatura baiana. Quem ama Raphael Montes, conheça Cris Vaccarezza.
6. No silêncio do tempo por Igor Coutinho (Leia neste link)
Sinopse (do autor): Entre o cheiro do barro e o canto das cigarras, um velho chamado Isaac revisita as memórias que o tempo tentou apagar.
Em suas lembranças, misturam-se o amor de Amélia, os risos dos filhos, a dureza da terra e o silêncio que chega depois da perda. Cada lembrança é um pedaço de eternidade, um retrato das coisas simples que sustentam a alma: o café coado, o toque das mãos, o perdão adiado, o nascer do sol depois da dor.
No Silêncio do Tempo é uma travessia pelo coração humano, onde a fé, o amor e o arrependimento se misturam ao pó da estrada. Com uma prosa lírica e comovente, Igor Coutinho nos entrega uma narrativa sobre o que significa viver, perder e florescer, mesmo quando tudo parece morrer. Ao som do vento e da lembrança, Isaac descobre que o tempo não leva tudo: o amor, quando é verdadeiro, continua carreando a eternidade.
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