31/01/2017

A primeira vez que vi o mar

[voz de âncora de jornal] Boa noite. Eu sinto que começo posts demais com pedidos de desculpas, mas esse é mais um deles, já que eu disse que teria post ontem e não teve. Ninguém me odeia mais do que eu mesma por isso, gente. Eu abandonei a ideia do post ontem cedo porque estava me sentindo meio estranha (eu sigo semi-gripada e aparentemente estou piorando), mas tinha esquecido que eu precisava postar aquele post porque eu queria que o post de hoje, este em que estamos, fosse o post de nº 400. Quando eu lembrei fiquei em dúvida sobre o que eu deveria postar hoje, mas eu sei que vocês vão gostar muito mais deste post do que do que do outro, então o post de ontem fica adiado até Deus sabe quando. Vocês podem estar se perguntando porque eu creio que vocês gostarão mais deste post, então: Bem-vindos ao primeiro conto de 2017!!
A primeira vez que vi o mar é um conto cuja a ideia em algum momento do ano passado, mas não conseguir escrever uma palavra que fosse por meses. O que me fez sentar e simplesmente escrever ele, foi o Projeto 12 Contos (vocês podem ler sobre ele clicando aqui) criado pela Dani no Tumblr de escrita No plural é mais legal. A ideia é tentar escrever um conto por mês em 2017, com base em doze temas, que podem ser interpretados de várias formas. O tema de janeiro foi verão e eu pensei: É agora ou nunca. E foi agora, ALELUIA. Eu não sei se vou participar do desafio em todos os meses, mas nos meses em que eu participar, eu pretendo postar o conto aqui, sempre no último dia do mês. E vocês também deveriam checar também os contos maravilhosos das outras pessoas que estão participando do desafio (a Dani posta os contos das pessoas que publicaram seus contos no Tumblr), como o conto da tatii "Dandara segue em frente" e o da Dani "Brisa Marítima".
Antes de irmos ao conto eu preciso dizer uma coisa, que é o motivo de eu ter querido escrever conto antes de janeiro de 2017: Minha personagem Moana não é, em nenhum sentido, baseada na Moana do filme da Disney. Apesar de eu adorar o filme e de já estar esperando por ele quando eu nomeei minha personagem, eu escolhi este nome porque é simplesmente maravilhoso e porque significa oceano. A história também foi inspirada pela música Ocean do Andreas Moe e apesar de não ser exatamente uma songfic, eu creio que a música combine com a leitura. Outra coisa: Podem gritar comigo pós-leitura. Eu mereço. Ao conto:




Eu me lembro da primeira vez em que ouvi a história. Era a sexta-feira da primeira semana de aula da terceira série. O dever de casa era trazer uma história surpreendente e única da nossa infância e contar ela na frente da sala inteira. Depois de um milhão de histórias de frases inconvenientes e de brincadeiras infantis, a professora chamou uma das alunas novas e ela foi para a frente da sala, sem nada escrito nas mãos e começou a falar:
- Mesmo morando longe da praia, meus pais se conheceram na praia, se casaram na praia e depois, por acidente, eu nasci na praia. Eles resolveram fazer uma viagem nas últimas semanas de gravidez da minha mãe para aproveitar o resto da vida apenas como um casal, mas a proximidade com o mar me deixou com pressa de conhecer o mundo e eu acabei nascendo na areia, antes da hora. A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi o mar. Daí veio o meu nome, Moana, que significa oceano.
“Depois disso, meus pais notaram que tinham uma ligação com o mar e se mudaram para o litoral, onde eu vivi na beira da praia. Eu costumava começar meus dias andado pela beira do mar e terminar eles fazendo o mesmo. Todo pescador e vendedor de sorvete me conhecia desde bebê e algumas pessoas costumavam brincar que eu era uma sereia e contar a história de um bebê que nasceu na água do mar para os turistas, por mais incorreta que ela fosse. Eu só me sentia em casa de verdade quando estava até os joelhos de água salgada. Até o mês passado. Meu pai conseguiu um novo emprego efetivo aqui e a família inteira se mudou. Faz exatamente 28 dias que eu não vejo o mar e no momento eu estou o mais distante do que jamais estive das ondas e da maré.”
Os olhos dela ficaram sem foco de repente e a professora decretou o fim da história, a agradecendo. Ninguém pareceu entender muito bem o que tinha de tão legal naquela história, exceto pela professora - que deu a Moana o que ela dizia ser sua única nota dez que valeu a pena - e por mim. Eu achei a história incrível, mesmo que na época não entendesse o porquê. Eu era, sim, muito impressionável aos 9 anos, mas existia algo mais naquela garota e naquela história. Ela era tão jovem, mas sabia exatamente onde pertencia. Tão poucas pessoas poderiam dizer isso. De uma forma ou de outra, a história continuou na minha cabeça. A parte sobre ela ser chamada de sereia começou a aparecer em meus sonhos e durante as aulas eu ficava observando os cabelos cor de areia e os olhos azuis clarinhos dela e tinha certeza absoluta de que aquela garota tinha sido feita pelo oceano.
Eu nunca confidenciei a Moana o tempo que eu passei pensando nela naqueles primeiros anos. Os anos que se passaram com poucas palavras espontâneas trocadas e encontros fora da aula causados apenas por trabalhos de escola. Ela tinha o grupo de amigas dela e eu tinha o meu. Ninguém sabia que eu costumava sonhar com a garota-sereia, como se referiam secretamente a Moana. Só nos tornamos amigas na quinta série, quando todos os nossos amigos mudaram de escola ao mesmo tempo e nós fomos as únicas que ficamos para trás da turma anterior. Uma das primeiras coisas que ela disse quando percebeu que estava presa comigo até fazer amigos novos foi:
- Sabe o que eu nunca tinha percebido? Meu nome significa oceano e o seu, ilha. Que engraçado.
Eu concordei com a graça, apesar de não entendê-la, deixando de lado o fato de que eu já tinha pensado nisso, muitas vezes.
Nossa amizade floresceu na quinta série e nossas versões de 11 anos descobriram que tinham muito mais em comum do que os dois anos anteriores tinham permitido perceber. Tínhamos o mesmo ritmo para fazer trabalhos em dupla (explosões espontâneas de energia descoordenadas), tínhamos o mesmo gosto musical (o que quer que estivesse tocando na novela das sete), éramos as duas Team Jacob (era 2010 e nós duas tínhamos 11 anos, nos deixe em paz) e tínhamos a mesma ambição de viver da arte um dia (ela, da escrita; eu, do teatro). Nós também tínhamos aniversários bem próximos: 11 e 13 de fevereiro. A amizade tinha tudo para funcionar perfeitamente, como funciona aos 11 anos - exceto pelo fato de que eu não conseguia ser completamente sincera com ela.
Durante aquele primeiro ano, eu ficava me perguntando o tempo todo quando deveria contar para ela. Quando eu fosse à casa dela? Jamais, os pais dela poderiam ficar ofendidos. Quando ela fosse à minha casa? Não, sempre tinha alguém por perto e eu não queria que ninguém ouvisse aquilo. Na escola faltava oportunidade porque nós sempre estávamos ocupadas com alguma coisa. E quando a gente saía para outros lugares, era com nossos outros amigos e falar sobre aquilo do nada poderia ser estranho. As oportunidades de contar a ela escapavam por entre minhas mãos e antes que eu pudesse perceber, o ano letivo acabou e ela ainda não sabia. Na primeira semana de férias, Moana me ligou animada contando sobre a viagem que os pais dela tinham combinado. Ela não parava de falar sobre a cidade natal dela e sobre todo mundo que ela veria e o quanto ela queria que eu fosse para poder me apresentar a todo mundo e me mostrar os lugares de suas lembranças mais antigas. Foi quando eu juntei coragem suficiente para dizer:
- Moana, eu nunca vi o mar.
O outro lado da linha ficou em silêncio por vários minutos e eu comecei a me xingar por ter contado aquilo por telefone.
- O quê? - Ela disse quando pareceu se recuperar.
- Eu nunca fui à praia.
- Mas, Isla, você tem 11 anos.
- E nunca saí da cidade. Nós moramos bem longe da praia, por sinal.
- Sua família nunca teve vontade de viajar e ir à praia?
- Meus pais foram à praia na lua de mel deles, eu acho. Mas a gente nunca teve como viajar em família. Minha mãe mal tira férias e quando ela tira, meus avós e tios vem para cá, nunca dá para sair da cidade.
- De onde veio seu nome então?
Fechei os olhos, odiando falar sobre isso.
- Da música La Isla Bonita da Madonna.
- Meu Deus. - Ela soou horrorizada.
Ficamos em silêncio por mais tempo depois disso. Eu tentava imaginar a cabeça de Moana tentando conceber a ideia de uma pessoa nascida dois dias antes dela, que nunca tinha enfiado os pés na areia ou mergulhado na água do mar. Quando o silêncio se tornou incômodo, perguntei:
- Você está chateada?
- Não. - ela respondeu, de uma forma que me fez imaginar ela balançando a cabeça. - Quer dizer, sim, mas com a situação, não com você. Eu preciso dar um jeito nisso. Minha melhor amiga, não conhecer a praia? O horror! Assim que eu voltar de viagem a gente vai pensar um jeito de levar sua família à praia.
Ela desligou a ligação depois disso, decidida. Eu comecei a sorrir feito boba. Moana tinha me chamado de melhor amiga. E queria me levar para conhecer o mar, mas principalmente a primeira coisa.
Quando ela voltou, realmente tinha mil planos de viagem para a minha família. Ela conseguiu convencer até mesmo meu pai a criar a viagem perfeita com ela, mas o trabalho da minha mãe não permitia que a viagem fosse imediata. Ela era dona de uma rede de supermercados e cada novo supermercado significa mais trabalho, menos tempo em casa, nada de férias. Meu pai pegava horas extras e evitava férias, com a promessa de que um dia todo mundo sairia de férias juntos, por bastante tempo. Esse “um dia” era adiado anualmente. E anos se passaram sem que eu deixasse a cidade. Mas os planos de Moana e as histórias que ela inventava sobre como seria a nossa viagem, algumas até mesmo escritas, fizeram com que o tempo parecesse passar mais rápido.
Justo quando a viagem e a primeira vez que eu veria o mar parecia perto, ela foi adiada para o mais distante possível. Moana descobriu quando nós tínhamos 14 anos. Hoje em dia eu fico pensando nos sinais do corpo humano. Tontura repentina pode significar falta de comida, insolação, queda de pressão repentina ou um tumor no cérebro. Mas você nunca espera pelo pior quando o assunto é algo tão simples quanto uma tontura. Você assume que coisas menores aconteceram, mesmo quando a pessoa que sente a tontura em questão diz que comeu bem, dormiu bem e nem chegou perto do sol. Só depois de muitas tonturas repentinas, de dores de cabeça inexplicáveis e outros sintomas mais preocupantes, é que uma busca maior foi feita e o tal tumor foi encontrado. O diagnóstico foi assustador para todo mundo, mas a negação que atingiu Moana quando ela recebeu a notícia foi mais assustadora ainda.
Ninguém entendia porque ela tinha preferido entrar em um universo próprio, onde nada daquilo estava acontecendo, mas eu sim. Aquela era ela. Quando ela queria mudar algo, se enfiava em um mundo onde aquela mudança já tinha acontecido. Criava situações e histórias, complexas. Ela tinha feito aquilo por anos e me convencido de que eu conheceria o mar, no próximo feriado, no próximo fim de semana, nas próximas férias. Ela criou diversas histórias que mascararam minha realidade, que ela considerava injusta. E quando a realidade dela se tornou injusta naquele nível, eu precisava continuar ao lado dela, inventando histórias.
Um dia, nós estávamos no hospital, ela cheia de tubos, recebendo centenas de medicações dolorosas e eu do seu lado contanto a fofoca mais polêmica da escola naquela semana. Ela parecia aérea haviam vários minutos e eu me perguntava quanta dor ela estava sentindo, quando ela se virou para mim e disse, com toda clareza nos olhos:
- Como você imagina que o mar seja?
Eu a observei por um instante. Nunca imaginaria que ela estava pensando naquilo, mesmo que isso não devesse me surpreender. Coloquei o cabelo atrás da orelha e me ajeitei na poltrona antes de dizer:
- Eu tenho uma imagem fixa na cabeça quando dizem a palavra “mar”. De uma garotinha, meio sereia, com a água do mar até o meio do joelho. O cabelo dela é cor de areia e seus olhos da cor do mar. Ela olha para água, mas está exatamente a enxergando. Ela a sente. Contra pele e dentro dela. Ela pode sentir a maré subir e baixar, mesmo a milhares de quilômetros de distância. Mas ali, parada dentro da água e sentindo a energia da infinidade do oceano, ela se sente em casa. Como se soubesse que é ali que pertence e que nunca deveria sair dali. Eu já vi o mar, Moana. É para isso que servem fotos e vídeos. O que me resta é senti-lo.
Uma lágrima escorreu pela bochecha dela e eu me apressei para secar.
- Eu não consigo parar de pensar que tudo deu errado porque eu fui embora, mas aí eu me lembro de você e penso que eu não mudaria nada. - ela sussurrou.
Eu engoli em seco.
- Tempestades também acontecem no mar. - disse, devagarzinho. - A maré vai baixar logo, logo. E então nós duas nos mudaremos para a praia como a gente prometeu que faria quando terminássemos a escola.
Moana sorriu com as metáforas, mas eu sabia que ela não acreditava em mim.
- Promete que vai me levar para casa, Isla. - ela disse, mesmo assim. - Independente do que aconteça.
Eu prometi porque era a única coisa que eu poderia fazer.
Perdi Moana cinco dias depois do aniversário de 16 anos dela. Uma semana depois do meu. Nós não nos mudamos para a praia e nem ela conseguiu que a viagem com toda a minha família desse certo. A família dela considerou cremá-la e espalhar suas cinzas pelo mar, mas a ideia foi deixada de lado por ser muito cara. Ainda assim, seus pais deixaram a cidade dois meses depois do velório, para retornar à cidade natal da filha. Por quase dois anos eu acreditei que isso tinha sido levá-la para casa. A simples ideia de chegar perto do mar depois que ela morreu, me deixava no mínimo angustiada e nos piores casos me fazia cair no choro por horas. Então na última semana de aula do terceiro ano, um envelope chegou pelo correio. Tinha o nome da mãe de Moana, mas não tinha nada além de outro envelope dentro, com a frase “Para abrir ao fim do ensino médio” na letra da minha melhor amiga.
O envelope descansou no meu criado mudo pelos dias que faltavam até lá. Só de pensar nele eu ficava nervosa e com o coração apertado. Não fazia ideia do que Moana poderia ter planejado. Nos quase dois anos desde que tinha a perdido, ela não saia da minha cabeça em nenhum deles. Eu passava por todos aqueles clichês de luto diariamente, de odiar acordar para lembrar que nunca mais a veria a sair da sala toda vez que alguém dizia seu nome ou falava sobre sua doença. Eu achava que ao menos a metade dos meus colegas estava feliz por não precisar mais lidar comigo quando a escola acabasse.
O último dia do terceiro ano chegou rápido e eu evitei comemorações longas para ir para casa abrir o envelope. Lá dentro, junto com três fotos nossas que eu não sabia que ela tinha revelado e uma história que ela escreveu sobre uma sereia que não podia enxergar, mas podia sentir e controlar o mar, estavam três notas de cinquenta reais e um bilhete: “Isso é quanto custa para ir de ônibus até a praia mais próxima. Vá sentir o mar. Você me prometeu me levar para casa.”.
E então eu fui. Eu estou.
Com os pés afundados na areia, começando o dia na beira do mar. Escolhi o nascer do sol porque é quando o mar tem o tom mais parecido com os olhos dela. Não tenho coragem de me aproximar, ao mesmo tempo tomada de emoção e me sentindo sobrepujada pela visão de toda aquela água.
Eventualmente, a energia me vence e eu me aproximo. Toco na água com o dedão e descubro ela bem mais fria do que eu pensava ser. Mas meus pés querem mais e eu dou um passo para frente. Me aproximo e me aproximo, me afundo e me afundo. E quanto vejo, tenho a água nos joelhos. Estou na casa de Moana.
É quando eu resolvo mergulhar.

29/01/2017

Diário de Bordo 6 - Pós-apocalíptico - Parte 7: Jogos Vorazes

Galera, eu fiz de novo. Hoje é dia 29 (na verdade, o dia 29 já até acabou em boa parte do país) e eu tenho três posts para publicar antes que o mês acabe. Eu realmente preciso parar de matar personagens ou reajustar minha agenda de acordo com as mortes que eu preciso escrever, porque toda vez que eu faço isso eu cérebro entra em Modo de Segurança e eu não consigo escrever uma palavra, de ficção ou não, por dias. Pelo menos eu assisti mais de vinte episódios de série durante esses dias, o que para mim significa produtividade. Eu também limpei meu quarto (eu finalmente tenho uma mesinha!!), saí com minhas amigas, organizei meu celular, limpei o tablet, encontrei uma academia que tem natação (mas não procurei pilates ainda). Do que eu tô reclamando? Eu fiz mais coisas nesses três dias do que em todo ano de 2015. Mas eu realmente me ferrei legal ficando esses dias sem escrever direito. Não importa o quanto eu tente, eu realmente não vou conseguir falar sobre tudo que aconteceu em janeiro antes que fevereiro comece, antes que minhas aulas voltem ou sequer antes do meu aniversário (quando o Diário de Bordo normalmente termina). Janeiro de 2017 foi o janeiro mais longo da história dos janeiros e eu tive escolher os melhores momentos para transformar em post. Porém, já que eu acho e espero que mais nada aconteça, eis uma lista oficial de todas as coisas que aconteceram e que eu fiz este mês, as que tiveram post, as que terão post e as que não, sem ordem particular:

  • Eu comecei o ano viajando, fiquei super nostálgica na cidade onde eu cresci (e decidi que muito deste ano vai ser uma tentativa de deixar minha versão de 9 anos orgulhosa) e vi o mar pela primeira vez em mais de dois anos.
  • Uma parte da minha família do Rio, que eu também não via há mais de dois anos, veio nos visitar e eu vi meus primos (inclusive o mais novo deles, de um ano e sete meses, que eu ainda não conhecia). Isso significou festas de família, vária visitas à casa dos meus avós e até mesmo gente dormindo na minha casa. A visita deles teve o efeito passou-muito-rápido-mas-aconteceu-tanta-coisa do qual eu ainda estou me recuperando.
  • Eu peguei uma "semi-gripe", provavelmente dos meus primos (os dois mais novos estavam gripados, mas isso não me impediria de encher o bebê de beijos. Ele é um bebê. Eu raramente tenho acesso a bebês e quando eu tenho, eu preciso fazer a Felícia.) e estou "semi-gripada" há mais de uma semana - o que quer dizer que minha garganta e nariz estão irritados, que toda hora eu espirro, que meu corpo precisa urgentemente decidir se eu estou com fome ou se estou enjoada e que eu estou ficando cansada muito fácil, mas eu não apresento os sintomas óbvios de alguém gripada e nem estou gripada o bastante para me considerar "doente". Eu odeio ficar assim, mas ainda é melhor do que ficar completamente gripada nesse calor, então eu aceito.
  • Eu também comi Doritos mais de uma semana atrás e ainda estou com o gosto na boca. Isso não é relevante para tudo que aconteceu no mês, mas vocês deveriam saber disso. Odeio ressaca da Doritos.
  • Eu venci um sorteio de uma sessão de fotos e estou muito SNJSNADJSNDSJNDAJSNJ a respeito.
  • Eu percebi (na verdade, me fizeram perceber) que é mais lógico levar o livro-reportagem que eu quero escrever de TCC para o NaNoWriMo 2018 do que para o NaNoWriMo 2017 a menos que um milagre aconteça e o calendário da faculdade se regularize em um ano e meio (Jesus volta montado em um unicórnio antes disso acontecer), então eu preciso de um projeto para o NaNoWriMo 2017. O que levou ao item 7.
  • Eu tive uma crise interna seríssima sobre escrever fantasia, mas percebi que mesmo que eu quisesse parar e focar em escrever young adult contemporâneo, eu não tenho mais ideias de projetos que não são fantasia para escrever. Livro independente fofinho para escrever no NaNoWriMo como A Linha de Rumo e Tóxico estão em falta. No meio do mês, eu finalmente tive ideia para um novo projeto independente, um para o qual eu estou muito animada, mesmo que ainda não saiba muita coisa sobre e nem tenha certeza se vai funcionar (ao qual eu estou me referindo como "Projeto da Bri"). Mas eu não cedi à crise, já que o projeto em questão é fantasia também. Aparentemente minha maldição é só conseguir fazer coisas que eu mesma não me considero boa o suficiente para fazer.
  • Enquanto eu pensava sobre o Projeto da Bri percebi que o motivo pelo qual eu comecei a escrever fantasia foi o filme "Sky High - Escola de Super-heróis" e me dei conta de que eu tenho uma paixão por histórias de super-heróis adolescentes que precisa urgentemente ser estudada.
  • Escrevi um conto fofinho, mas muito doloroso, que será postado no dia 31 aqui no blog. Se preparem desde já.
  • Eu finalmente mudei o plano da minha Netflix para duas telas para que eu e minha irmã assistamos ao mesmo tempo (isso tava dividindo a minha casa) e parece que isso me fez começar a usar a Netflix de verdade, ao invés de usar apenas como barulho de fundo para que eu possa pegar no sono. Só esse mês eu vi Desventuras em Série inteira, One Day at a Time de uma vez só e  a primeira temporada de Brooklyn Nine Nine toda. Mas eu vou falar sobre as séries em outro post (exceto por Brooklyn Nine Nine, que eu ainda estou muito no começo, mesmo que eu não consiga parar de pensar sobre aquele season finale filho de uma mãe).
  • EU ASSISTI MOANA DEPOIS DE QUASE DOIS ANOS ESPERANDO E É O FILME MAIS INCRÍVEL QUE EU JÁ VI. Eu chorei o filme inteiro, apenas pensando que um filme maravilhoso assim existe e que crianças vão assisti-lo e que a Moana vai ter a chance de inspirar tantas meninas pelo mundo. Vou chorar outra vez.
  • Eu agora tenho uma mesinha no quarto. Teoricamente é uma "mesa de trabalho", mas em primeiro lugar, eu não tenho uma cadeira e em segundo lugar, eu não consigo trabalhar sentada em frente a mesas. Preciso de um mínimo de conforto-misturado-com-desconforto (confortável, mas não confortável o suficiente para que eu pegue no sono. Escrevo melhor em sofás e poltronas, completamente torta, com o notebook no colo. Minha cama ou uma cadeira que me force a manter a postura: não) para conseguir escrever e mesas não me proporcionam isso. O que quer dizer que eu queria a mesa apenas para colocar os livros que eu ainda não li e entupir as duas gavetas dela de papel em branco e de todos os cadernos que ficavam na gaveta embaixo da minha cama (eu atualmente tenho dez cadernos sem uso. DEZ!). Ah, e para a aesthetic de "pessoa que trabalha em casa" e de "estudante" (as aspas em "estudante" são a coisa mais real do dia). Ah, e para ter um lugar para colocar meu notebook para ficar vendo série da minha cama. E enquanto eu arrumava meu quarto ontem, eu percebi que dava para montar uma espécie de cabana embaixo da mesa e se eu juntar todas as mantas que eu tenho, dá para deixar o chão relativamente confortável e aí sim escrever "na mesa". Viu? A mesa é muito útil.
  • Finalmente, eu fui fiscal no vestibular da minha universidade, a primeira vez em que eu usei minha carteira de trabalho para alguma coisa. O que é o assunto deste post.
A primeira coisa que você deveria saber é que por um tempo no ano passado, eu esqueci que tinha tirado a carteira de trabalho. Depois do trabalhão que foi para fazer ela, incluindo dois reagendamentos (eu já disse, nada nessa vida é resolvível de uma vez só), eu simplesmente a enfiei na gaveta de documentos e esqueci completamente dela até abrir a gaveta para pegar meu título de eleitor em outubro e ficar: Ah é, eu tirei isso né? Não é que eu não queira trabalhar nem nada do tipo (apesar de eu não querer me vincular a empresa nenhuma por definitivo. Eu preciso falar sobre isso um dia), é que o atual momento da minha vida foi trabalhado para que eu não me preocupasse com trabalho e focasse nos estudos. E ISSO ME DEIXA APAVORADA. Eu sei quão sortuda eu sou por não me precisar preocupar com isso e eu quero usar essa base e essa segurança para poder fazer o que eu quero, já começando enquanto eu estou na faculdade, mas eu nem sei por onde começar. Mas isso é assunto para o futuro, especialmente para a coluna Passos e Tropeços, o que eu preciso falar aqui é sobre a primeira vez em que eu usei a carteira de trabalho (ok, eu usei o número da carteira de trabalho - a carteira mesmo mal saiu da gaveta. Mas dizer "A primeira vez que eu usei a carteira de trabalho" é legal, ok?): Eu fui fiscal de vestibular pela primeira vez. Ou seja, depois de vencer na edição de 2014, eu me tornei uma das organizadoras dos Jogos Vorazes.
Não acho que existam sensações universais que expliquem como é estar nos bastidores de um vestibular. O que quer que eu esperava, não era exatamente como foi, mas achei que todo mundo no meu prédio estava achando a situação mais estressante e cansativa do que eu achei. Deixa eu explicar como tudo se desenrolou do começo: As inscrições acontecem no site da faculdade e a lista de fiscais convocados foi liberada na segunda semana de janeiro (eu não fui convocada, mas alguns dias depois saiu a lista de suplentes e como eu era a primeira da lista, eu me considerei dentro - e não estava errada). O vestibular aconteceria nos dias 15 e 16 de janeiro e no dia 12 deveria haver uma reunião para treinamento dos fiscais. Eu disse "deveria", porque a reunião aconteceu, mas o treinamento, não mesmo. Os coordenadores do meu prédio simplesmente disseram o horário que a gente tinha que ir e o que a gente deveria vestir (incluindo um comentário completamente desnecessário e machista sobre o coordenador não ser de ferro e a gente ter que ir de calça jeans por isso. A gente tinha que ir de calça jeans porque todos os fiscais de vestibular nas três cidades com campus da faculdade iriam de calça jeans e blusa branca, mas claro, coordenador, claro) e entregaram o manual do fiscal - que já dizia tudo isso. Quem já tinha sido fiscal, antes seria fiscal de sala e quem não, seria de corredor, banheiro, etc. A falta total de treinamento real levou um monte de erros a serem cometidos (alguns que poderiam resultar em eliminação dos candidatos) e uma total falta de padrão na organização das salas. Mas eu, a mais nova entre as fiscais do meu prédio, ia reclamar disso? Eu resolvi foi observar as reações dos outros, acostumados a serem fiscais, e tentar fazer meu trabalho evitando acidentes. (Houveram acidentes, mas eu não quero falar sobre isso).




Eu fui escolhida como fiscal de corredor, então na minha cabeça, eu não ia fazer muita coisa. Você pode até rir e achar que eu descobri que estava errada, mas na minha concepção, eu realmente não fiz muita coisa. Eu passei mal na noite do sábado (14), para o domingo (15) e mal dormi, mas ainda acordei às 5h para ir para a escola onde eu seria fiscal. Não consegui comer nada nas primeiras horas e todos os ossos do meu corpo doíam. Peguei o crachá e fui para o meu posto às 7h, para ficar mais meia hora esperando os portões que abririam 7h30. Por muuuito tempo, foi isso que eu fiz - esperar. O portão abriu, as pessoas entraram e meu trabalho era esperar as pessoas chegarem e indicar as salas. Todo mundo chegou, os portões fecharam e meu trabalho era esperar no corredor para garantir que nada de errado aconteceria ali e esperar caso os fiscais de sala precisassem de algo na coordenação. Eu não fiz nada por todo esse tempo. O sono e as dores estavam tomando o melhor de mim, mas aí começou: A primeira pessoa quis ir ao banheiro. Era meu trabalho levar as pessoas da sala delas até o banheiro e de volta para sala, garantindo que nada de errado aconteceria no processo. E eis um segredo sobre fiscalizar corredores: Quando a primeira pessoa do corredor quer ir ao banheiro, todas as outras pessoas do corredor quererão ir ao banheiro em seguida e o trabalho segue contínuo até o banheiro fechar ou a prova acabar. O probleminha é que eu estava no primeiro andar e o banheiro que serviria para o meu corredor ficava no andar de baixo, depois de uma rampa e um corredor bem longo. Então, pelas três horas e meia seguintes, eu precisei ficar subindo e descendo a rampa e o corredor para levar adultos ao banheiro e garantir que nada contra as regras acontecessem.
Depois de um tempo todo mundo ficava falando "Nossa, você deve estar cansada né?" e eu simplesmente lançava olhares confusos. Eu estava cansada desde que eu tinha chegado lá, aquelas subidas e decidas não estavam piorando ou melhorando nada. Claro que minhas pernas reclamaram ao fim do dia, mas enquanto eu estava lá, comecei a fazer tudo automaticamente depois de um tempo. Eu subia, tinha gente esperando para ir ao banheiro, levava a pessoa ao banheiro, esperava, voltava para o corredor, tinha mais gente esperando para ir ao banheiro, repetia o processo. Quando os fiscais começaram, a querer sair para lanchar e descansar um pouco, eu não me importei em ser a última (em especial porque eu ainda não queria comer, mas finjamos que é porque eu sou forte). Tudo que passava pela minha cabeça era: Eu preferia subir e descer essa rampa um milhão de vezes por sete dias consecutivos do que estar dentro da sala fazendo aquela prova. Não interessa quão ruim estivesse para mim, estava muito pior para quem estava lá dentro. Dane-se a dor nas pernas, dane-se a noite não-dormida. Aquelas pessoas com semblante cansado e inquieto que eu levei ao banheiro para lavar o rosto, estavam muito, mas muito pior do que eu.

"Bem, eu apenas esperava que eu não queimasse até a morte" E naquele primeiro dia eu estava.

Ainda espero pelo dia em que eu vou me tornar a pessoa que vira para adolescentes do ensino médio e diz que a faculdade é pior, mas eu realmente não entendo pessoas que fazem isso. A faculdade é uma das experiências mais exaustivas física e mentalmente que eu já passei pela minha vida. O número de vezes que eu penso em desistir é absurdo e eu nem sei como sobrevivi a esses três semestres. Mas se você me pedisse para escolher entre passar os próximos dez anos na faculdade ou voltar para o ensino médio e ser vestibulanda por mais três, eu me mudaria para o meu centro acadêmico amanhã. E eu sei que eu enfrentaria o ensino médio de uma forma diferente se não tivesse que passar por ele nos piores anos da minha depressão, mas a pressão absurda e as coisas que a gente passa para poder "ser alguém na vida" (ainda não sei o que isso significa) durante o ensino médio são o tipo de coisa que eu nunca mais quero ter que enfrentar na vida. Além disso, minha irmã está no ensino médio e toda vez que eu vejo o que acontece na sala dela, eu dou graças a Deus pela mentalidade da qual eu escapei. Então é, mesmo que eu tenha feito piada sobre ter passado dois dias levando adultos para o banheiro em troca de dinheiro, eu fico feliz por ter feito apenas isso e ainda receber pelo "esforço". Foi fácil, eu não precisei pensar e até mesmo eu estar doente não atrapalhou em nada (ok, quase nada. De novo, eu não quero falar sobre isso). Se eu estivesse fazendo vestibular naquelas condições, eu não receberia nada e ainda perderia um ano inteiro.
O segundo dia foi bem mais fácil, porque eu já sabia o que esperar e tudo pareceu passar mais rápido. Me deixaram responsável por uma garrafa de café os fiscais de corredor e eu fiquei quase que namorando a garrafa em questão, com medo pelo meu estomago de poucas horas de sono, mas sendo convencida pelo meu cérebro com dois dias de abstinência. Eu acabei cedendo, mas não passei mal e o problema na verdade foi que aquela garrafa de café acabou se tornando pivô do único problema que o meu corredor teve com vestibulandos: Um cara que queria ficar do lado de fora, sem fazer nada e ainda meteu a mão no café dos fiscais. Mas esse foi realmente todo problema. Então, eu meio que estou empenhada a ser fiscal de vestibular outra vez. Mas espero para sempre levar em consideração o que as pessoas para as quais nós organizamos tudo estão sentindo.
Vejo vocês amanhã (POR QUE EU CONTINUO FAZENDO ISSO???),
G.

22/01/2017

Diário de Bordo 6 - Pós-apocalíptico - Parte 6: O mar e o medo de tudo

"Existem muitas e muitas coisas para se ter medo neste mundo. A estratégia mais segura é temer todas."
- Desventuras em Série (2017)
Eu poderia pensar em mil formas de descrever o caminho até Salvador e todo primeiro dia na cidade, mas mesmo tentando fazer isso com muita vontade eu não conseguiria deixar de falar sobre meu estado de saúde. E já que eu quero ser sincera sobre isso sempre, eu preciso falar. Minha ansiedade e minha depressão têm estado uma bagunça nos últimos mais ou menos 4 meses. Eu não me sinto confortável para falar sobre isso com quase ninguém, mas já que a arte mais uma vez se mostra a ferramenta perfeita para descrever minha vida, a melhor forma de explicar é com: Eu estou me tornando a Tia Josephine. Talvez não no exterior, mas na minha mente, é exatamente o que está acontecendo. (Ok, eu sei que nem todo mundo vai entender a referência, mas a Tia Josephine é a personagem de DES que disse a frase ali em cima). Qualquer coisa que eu faça me faz pensar no pior cenário possível (e como alguém que ama ler e escrever horror, meu cérebro é muito muito bom nisso) e qualquer dorzinha significa morte eminente. Isso dito, viajar com poucas horas de sono, criou o clima perfeito para que a minha ansiedade DESSE A LOUCA. Eu passei a viagem inteira nervosa, encarando a janela, pensando nas piores coisas. Tudo me deixava alarmada. Eu ficava pensando sobre como isso ia me fazer passar mal mais tarde, mas eu não conseguia me sentir mais calma. Pânico do tipo, é completamente irracional.
Na contramão, foi uma viagem bem tranquila. Nós paramos várias vezes para esticar as pernas, a estrada estava tranquila e nada de sobrenatural aconteceu. Nós chegamos a Salvador mais rápido do que eu esperava e só um engarrafamento fez com que a gente demorasse para chegar à casa da minha tia em Camaçari. Eu não exatamente tenho uma explicação sobre porque eu estava me sentindo daquela forma, exceto pelo fato de que tudo na minha cabeça está bem desregulado. E enquanto eu estou tentando me ajudar a melhorar e a não ficar tão paranoica, é complicado. Algumas coisas a gente não controla tão fácil. Ou de forma alguma.

"E eu acho que é porque minha vida é entediante." Yep. Arte explicando tudo. 
Uma das coisas que não saia da minha mente de forma alguma na viagem era como meu pai estava cansado, depois de trabalhar por dois dias e dirigir por quase oito horas. Aparentemente, eu era a única pensando nisso, talvez por tão cansada eu mesma estava. E durante a viagem mesmo, o homem não teve tempo de descansar um segundo. Quer dizer, nós chegamos, almoçamos e fomos para a piscina (depois de um tempinho, é claro), mas o tempo todo tinha gente falando que a gente precisava fazer isso e precisava fazer aquilo, transformando a viagem de 48 horas em uma maratona. Eu tenho culpa no cartório porque eu realmente queria ir para a praia depois de dois anos sem chegar nem perto e queria fazer de tudo para garantir que eu queria, mas ah, Deus, o pobre homem. Ao fim do primeiro dia, nós tínhamos passado o fim da tarde na piscina, o meio da noite em um outlet (onde eu ganhei um top da Calvin Klein e um tênis que são os novos amores da minha vida), dirigido de volta para Salvador para ir a um shopping e quase às 23h, meu pai ainda precisava voltar para Camaçari (eu e minha irmã mais nova ficaríamos na casa da nossa irmã mais velha) e ele parecia tão exausto que a boa e velha ansiedade atacou outra vez. Eu pedi para que ele me mandasse mensagem quando chegasse em casa, só para eu não surtar, mas ele nunca fez isso. Pela graça dos céus, já era a hora do meu remédio e depois de não conseguir comer nada e ficar enjoada só de sentir o cheiro da pizza que as outras pessoas estavam comendo, eu fui para a casa da minha irmã, e apaguei em um sono profundo. (O que eu imagino que também aconteceu ao meu pai).
Na manhã seguinte, eu estava na casa da minha irmã e precisava me preparar para ir no almoço que as irmãs e irmãos do meu pai estavam organizando. A ideia era ir cedo pra ir na praia de manhã, mas já que eu tinha passado mal no dia anterior, me deixaram dormir um pouco mais e me prometeram que a gente iria à tarde. O problema é que minutos depois de eu acordar, meu útero e meu endométrio resolveram que era a hora de dizer "OLAR". Muita cólica, outros remédios e vontade nenhuma de comer depois, eu só melhorei quando fiquei um tempo deitada vendo Nicky, Ricky, Dicky e Dawn (e eu posso ou não ter continuado deitada mesmo depois de melhorar, para assistir mais um episódio). Voltamos para Camaçari um pouco depois de 13h e depois de se empaturrar de feijoada e descansar um pouco, meu pai foi finalmente convencido a me levar e às minhas irmãs à praia. Claro que eu estava soltando sangue pelos fundos (e eu disse isso bastante, ao ponto de não ter mais graça), mas isso já era esperado e eu tinha ido na piscina no dia anterior, então eu não estava chateada. O que eu queria era apenas ver o mar, depois de dois anos longe dele. Eu nunca fui particularmente fã de praia, especialmente quando piscina era uma opção, mas 2016 foi um ano tão louco que eu senti vontade de tudo que nunca imaginaria em 2014. Eu passei muito tempo do ano passado desejando estar mais perto e me arrependendo de não ter ido mais à praia em 2010 (quando eu morei a 1km da praia). Queria de verdade poder passar um dia na praia como deveria ser, mas a viagem só duraria o sábado e o domingo, então eu nem podia me iludir a respeito. Fomos para a praia apenas para ver o mar e tirar fotinhos.

Fotinha da Praia de Jauá em Camaçari. Mais fotos no Instagram.
Eu queria poder dizer que rever o mar evocou toda inspiração que eu precisava para um projetinho que se passa na praia, mas isso foi um efeito futuro. Voltar a ver o mar sempre tem algo de meio louco, como a sensação da primeira vez outra vez. E ele estava tão quentinho e chamativo. Eu queria ter ficado mais tempo, entrado na água. Ter outro momento com a Giulia criança que passava 7 dias com areia na cabeça depois de ir na praia por 2 horinhas. Mas não foi dessa vez e eu saberia disso, se eu não tivesse me iludido sobre como essa viagem seria. A ideia de ficar em um rancho com piscina a alguns quilômetros da praia me deu a impressão de que a viagem era para descansar, enquanto todo mundo queria fazer tudo ao mesmo tempo. E assim, a última coisa que eu fiz foi descansar. Talvez, como eu disse no último post, eu apenas não tenha mais idade para fazer tudo ao mesmo tempo em uma viagem de fim de semana. E é por isso que eu preciso planejar minha próxima viagem (que já é daqui a 4 semanas, O QUE EU TO FAZENDO?) nos últimos detalhes, agora mesmo, para não me enrolar toda no futuro.
Além de ter ficado surtando com tudo que queriam fazer ao mesmo tempo, não aconteceu nada que valha a pena ou que eu possa mencionar no resto da viagem. Ver a família do meu pai em grande quantidade e junta depois de mais de dois anos me deu a oportunidade de fazer uma coisa que eu fiz com a família da minha mãe no Natal: Descobrir com quem eu me pareço mais! Eu disse no Twitter que uma das coisas que eu mais fiz depois que cresci um pouco foi começar a me comparar com a minha família e descobrir de quem eu puxei cada característica. Com a família da minha mãe tem sido fácil, porque eu moro na mesma cidade que a maioria, mas com a família com meu pai, só em viagens assim. E eu fiquei surpresa com o quanto eu sou parecida com a família do meu pai. Surpresa no sentido assustada mesmo. Na verdade, percebi que eu estou lentamente me tornando meu pai. Isso não é necessariamente bom, mas também faz com que eu entenda ele um pouco melhor, o que ajuda bastante no nosso relacionamento. Mais ou menos.
A viagem de volta para Jequié para mim foi mais tranquila que a de ida, não porque eu estava menos ansiosa (meu pai estava mais cansado do que ele estava na ida. Te faz ficar pensando em que tipo de viagem foi essa.), mas porque ela aconteceu à noite e assim que eu tomei meu remédio, eu apaguei feito lâmpada. No dia seguinte, nós pegamos o ônibus de volta para Conquista e estamos aqui desde então. O que aconteceu em seguida foram quatro dias de descanso, uma reunião, um fim de semana inteiro de trabalho e mais visitas familiares. Mas é para isso que as próximas partes do DdB existem. Veremos se eu consigo parar de falar sobre janeiro ainda em janeiro.
G.

P.S.: Queria ter viajado para Araruama ao invés de Salvador, só para poder dizer "Na verdade, é apenas um lago grande". Assistam a série, é sério.

17/01/2017

Diário de Bordo 6 - Pós-apocalíptico - Parte 5: Coisas que não foram destruídas pela água

Alguns dias antes da viagem eu estava pensando sobre como eu adoro acordar cedo para viajar. É legal dormir apenas por algumas horas, mas acordar no primeiro despertador, para poder sair de casa cedinho e ver o sol nascer na estrada, chegar cedinho no destino e poder aproveitar o dia inteiro. Isso não exatamente aconteceu no dia 5, já que eu acordei às 8, mas para o meu corpo maltratado pareceu que tinha sido isso. Eu tenho apenas 18 anos e não tenho mais idade para ser a doida que dorme três horas por dia em uma viagem de cinco dias e diz que "descansar eu posso em casa". Tanto para a minha ansiedade quanto para a minha gastrite nervosa, qualquer coisa menos que seis horas de sono é horrível. No dia em que eu pegaria o primeiro ônibus intermunicipal que eu pegava desde setembro de 2015, eu dormi por um pouco menos de cinco horas e para o meu corpo, isso era o mesmo que dormir duas. Junte isso com más notícias recebidas logo cedo, uma sensação estranha que vinha me acompanhando desde o ano novo e o fato de que da última vez que eu saí da cidade, eu passei mal e vocês podem imaginar meu estado mental naquela manhã.
Mas eu preciso explicar o quanto eu amo viajar: Até quando eu me sinto mal, consegue ser melhor do que passar bem em casa. Quer dizer, toda vez que eu me sinto mal eu quero correr para casa, mas eu duvido muito que se eu soubesse antecipadamente que passaria a viagem inteira me sentindo ansiosa, eu optaria por ficar em casa. A viagem até Jequié, a cidade do meu pai e cidade em que vivi dos 3 aos 11 anos (até setembro deste ano, é a cidade onde eu passei a maior parte da minha vida. Em setembro faz 8 anos que eu me mudei e eu oficialmente vou ter passado a maior parte da minha vida me mudando), leva três horas de ônibus. Eu estava levando quatro livros, mais cinco episódios de série e um filme baixado no tablet para me distrair e garantir que a viagem fosse tranquila. Porém, cientificamente falando, três horas de viagem para mim equivalem a apenas dez minutos na sala de aula. Eu amo a sensação de estar na estrada. De ver paisagens passando e de sussurrar músicas e tirar fotos (eu fiz uma playlist com as músicas que eu mais ouvi, que inclusive está na página Extras). Mesmo quando minha mente está fazendo uma maratona mental todas as piores coisas que podem acontecer em uma viagem, faz com que eu me sinta livre. Eu não terminei o livro que estava lendo, eu não assisti ao filme nem a série nenhuma, mas três horas depois cheguei ao meu destino, me sentindo melhor.



Todo mundo tem um momento - um ano, um período, uma mudança violenta - que marca o começo da vida como a gente se lembra. Como se antes disso você não reconhecesse quem foi, ou como se suas memórias de infância começassem aos 16 anos. No meu caso, o ano foi 2010, provavelmente por um bando de sensações que surgiram aos 12 anos, mas que no fundo da minha mente, parecem me acompanhar desde sempre. As memórias mais distantes parecem inventadas ou pertencentes a outra pessoa. Um dos motivos para isso provavelmente é o fato de que a maior parte das coisas que eu considerava sagrada quando era criança foram destruídas. Outro motivo é o fato de eu manter expectativas de que as coisas sejam como eram quando eu era criança, quando elas não têm mais como ser, então é como se as mudanças destruíssem o que já aconteceu. Mas mesmo que as coisas que aconteceram não pareçam ser reais, eu não quero esquecê-las. Eu quero lembrar de como eu me senti e do que eu queria fazer quando era apenas uma mini eu. Quero honrar os desejos mais profundos da garotinha que eu fui. Agora imaginem a seguinte situação: Eu volto para a cidade em que eu cresci, a cidade em que todas as lembranças que parecem invenção foram feitas e... Nada mudou.
Depois que eu deixei Jequié, eu voltei lá apenas duas vezes: Uma em 2011 e outra em 2014 (então eu vou lá mais ou menos uma vez a cada 3 anos, mesmo que a cidade fique apenas a 150km de distância). Nessas duas vezes, eu não parei para pensar muito. Talvez porque eu estivesse bem e sem preocupações. Talvez porque manter as memórias honradas não fizesse tanta diferença ainda. (Eu me tornei a rainha da nostalgia depois dos 18. A rainha de querer ser criança outra vez também.). Dessa vez, fazia toda diferença. Eu sempre falo sobre como voltar a morar na cidade em que eu nasci estragou tudo que eu gostava sobre a cidade. Todas as boas lembranças foram destroçadas por quase três anos morando aqui e por tudo que mudou. Eu odeio a cidade agora e mesmo que eu não queira cultivar esse sentimento ruim, é a verdade. Eu disse com todas as palavras no post em que explicava porque tinha voltado a morar na Bahia: "Acredito que algumas coisas são feitas para permanecerem apenas na memória, sendo lembradas com saudade ou com a certeza de que foi tudo uma boa lição. Vitória da Conquista é uma dessas coisas.". Sei que se eu voltasse a morar em Jequié, talvez isso acontecesse lá também ("Talvez" não, é certo. Eu também tenho muitas lembranças ruins naquela cidade. Uma infinidade delas. E passar mais tempo lá definitivamente traria elas a tona.), mas eu só passei dois dias na cidade e ver que as coisas continuavam do jeito que eram quando eu fui embora, me trouxe plenitude ao invés de chateação.


"Porque eu sei que há pessoas que dizem que todas essas coisas não acontecem. E há pessoas que esquecem o que é ter 16 anos quando completarem 17 anos. Sei que todas essas coisas serão histórias um dia. E nossas fotos se tornarão fotografias antigas. Todos nós vamos ser a mãe ou o pai de alguém. Mas agora esses momentos não são histórias. Estão acontecendo.[...] É aquele momento em que você sabe que não é uma história triste. Você está vivo, e você se levanta e vê as luzes nos prédios e tudo o que faz você se perguntar. E você está ouvindo aquela música e aquela movimentação com as pessoas que você mais ama neste mundo. E neste momento, eu juro, somos infinitos."
- As Vantagens de Ser Invisível (2012)

Eu percebi enquanto escrevia que eu pulei as memórias ruins. Eu não vi o colégio em que passei os últimos anos na cidade, nem nenhuma das cinco casas em que morei lá. Mas eu passei na frente da escola da minha infância e na padaria que vendia moedas de chocolate e na internacionalmente reconhecida, melhor sorveteria da cidade (onde eu fui obrigada a comprar sorvete de cupuaçu e encher de confeito de chocolate, porque eu nunca me perdoaria se não fizesse isso). E de repente, é estranho. É estranho quando você se dá conta de que estava esquecendo de quem era quando tinha 5 anos, mas passa pela rua em que o ônibus saiu andando enquanto você ainda estava na escada e a memória volta claramente. Quando uma casa parece não ter sido pintada, mesmo que a tinta esteja desbotando, apenas porque você se lembrava dela laranja. Quando você se lembra da última vez em que passou por uma rua andando para comprar pão. Isso dói? Deveria doer? Ou a saudade que está vindo é boa? Eu não sinto falta de fazer todas essas coisas, eu sinto falta de tudo que eu tinha naquela época. Antes que eu pudesse perceber, eu estava fazendo listas mentais do que eu diria para mim mesma 10 anos atrás e sem saber como me sentir outra vez, eu percebo que eu não diria nada. Não a avisaria, nem faria com que ela mudasse qualquer coisa. Mas eu queria tanto poder conhecê-la outra vez. E isso, finalmente, dói.
Nos dois dias de viagem, eu não fiz muito. Meu pai estava trabalhando e eu fiquei na casa da namorada dele, saindo só quando ela saía. A ansiedade da viagem resultou em uma crise de gastrite ao fim da primeira noite, mas não foi tão ruim quanto da última vez. Apenas me lembrou e confirmou que eu preciso voltar à terapia o quanto antes. E toda energia ruim daquele momento já foi convertida em toda obscuridade que eu consigo concentrar em As Crônicas de Kat. Quando eu não estava internamente surtando, eu estava completamente nostálgica. Cheguei ao ponto de ficar assistindo Ilha Rá-Tim-Bum no sofá da sala e pensando em como a Majestade é a melhor personagem de todas. Também criei uma teoria de que eu vivia em um universo paralelo e me mudei para este quando o ano virou de 2014 para 2015, mas isso é assunto para um post menos emocional e profundo. A questão é que os dois dias passaram rápido e o resto da viagem, a roadtrip de carro até a capital, chegou cedinho no sábado. Dessa vez, eu realmente tive que acordar antes do sol nascer. E meu corpo definitivamente sentiu isso.
[Voz de narrador] Continua...
G.

P.S.: ACONTECERAM MAIS COISAS ESSE FIM DE SEMANA. MAIS UM POSTS VINDO DO DIÁRIO DE BORDO. E AMANHÃ CHEGA FAMÍLIA E MAIS COISA PARA FALAR. AJUDAAA.
P.P.S.: Anteontem o blog chegou a 60 mil visualizações e tudo que eu tenho a dizer é: Obrigada, obrigada, 60 mil obrigadas. Eu amo vocês <3

14/01/2017

Diário de Bordo 6 - Pós-apocalíptico - Parte 4: Recomeços e a última que morre

OLÁ, DO OUTRO LADO!! FELIZ ANO NOVO!! A GENTE SOBREVIVEU!! Eu sei, eu sei, hoje já é dia 14, mas este é o primeiro post do ano, então eu me sinto na obrigação de dizer "feliz ano novo". Então, de novo, FELIZ ANO NOVO! O ano tem passado mais devagar que os últimos para vocês também? Normalmente, os primeiros dias do ano passam correndo e quando eu percebo já é dia 15 e nada aconteceu, mas em 2017, esses primeiros dias foram tão cheios que parece que janeiro já durou mais tempo que 2016 inteiro. E é por isso que, como eu disse na página, eu vou dividir os posts sobre os primeiros dias do ano em três partes - as partes 4, 5 e 6 do Diário de Bordo 6 (os títulos das três partes já estão na página do DdB, caso vocês queiram ter uma noção do que está por vir) - e simplesmente torcer para que nada tão grande aconteça durante os dias em que eu ainda vou estar escrevendo sobre o que já aconteceu (improvável: Tem um monte de coisa planejada para esse fim de semana e para a semana que vem). Mas e vocês, como passaram esses primeiros dias de 2017? O ano começou de verdade por aí ou ainda parece um limbo? Indo ao post, vamos fazer algo que ninguém deveria fazer e voltar a 2016:
Nos últimos dias do ano, eu resolvi me endoidar. Sempre que chega um fim de mês ou um fim de ano, ou um fim de qualquer coisa na verdade, eu resolvo que eu preciso terminar mil coisas, para não carregar coisas incompletas para o novo momento. Na última semana de 2016, existiam os três posts que eu ainda precisava fazer - O sobre o Natal, o último do ano da Lista de 101 coisas em 1001 dias e a retrospectiva - e também existiam metas de séries, filmes, livros e entre outros (como separar roupas para doar e arrumar meu quarto). Como a minha meta original de ler 41 livros era completamente impossível, eu tinha estabelecido uma nova meta de ler o mesmo número de livros em 2016 que de Palavras da Semana em 2016 (25), o que significa que eu precisava ler 6 livros em dezembro. Claro que eu me enrolei e na última semana, precisava ler 5 livros. É, de jeito nenhum que isso ia acontecer. Então eu resolvi só terminar o livro que estava lendo e ler um livro de poesia que eu enrolo para ler há 9 anos. Outra meta era terminar a terceira temporada de Doctor Who (da qual eu só tinha visto um episódio) antes do dia em que faria um ano que eu tinha começado a série (dia 30). Meu notebook ter parado de carregar de novo no dia 23 (meu notebook foi para o conserto seis vezes ano passado, SEIS VEZES) não ajudou em nada com isso e eu não pude começar a ver os episódios quando queria. E ainda tinha a meta de 50 filmes em 2016. Originalmente a meta era só "ver mais filmes", mas como eu estava chegando a 600 filmes no Filmow e estava relativamente perto de 50 filmes vistos em 2016, eu resolvi tentar os dois até o fim do ano. Outra coisa que não funcionou. (Inclusive, eu não tenho certeza se cumpri a meta original de ver mais filmes. Porque eu vi mais filmes do que vi em 2015 e vi vários que eu queria ver há anos, mas eu queria ter visto muito mais filmes, então não sei dizer se fui bem ou não. Tentemos de novo em 2017.). A questão é que eu me atolei de coisas para terminar na última semana do ano e ainda enrolei até a última hora. Por isso, na madrugada do dia 29 eu falei sobre como ainda precisava "escrever 3 posts, terminar de ler 2 livros, assistir 6 filmes e 10 episódios de Doctor Who" até o ano acabar. No dia 30, eu desisti dos filmes e das séries. No dia 31, eu ainda queria terminar o livro que estava lendo, mas como algo que eu estava esperando acontecer desde o começo do livro aconteceu, eu sabia que não conseguiria ler as 100 páginas que ainda faltavam, então essa meta também foi para o inferno. Assim, depois de algumas horas do último dia do ano, a única coisa que restava fazer era terminar de escrever o post da retrospectiva. E terminar de arrumar meu guarda-roupa, arrumar as coisas já que minha amiga vinha dormir aqui em casa, conferir se tava tudo certo para o almoço no dia seguinte.... Vocês entenderam.

Eu vi esse gif tantas vezes na timeline que até reclamei e ainda assim eu resolvi usar ele aqui. Acontece. (Desculpa, Babi)
Eu primeiro arrumei meu quarto, depois arrumei tudo que ainda precisava e fui ao post escrever. Horas se passaram, minha amiga chegou e eu ainda estava escrevendo o post. Eu escrevo a retrospectiva por dezembro inteiro para conseguir falar sobre tudo, mas sempre acaba faltando muita coisa quando o último dia do ano chega. Em resumo, tudo que a gente tinha planejado fazer na virada foi mais ou menos acontecendo e eu ainda estava escrevendo o post. O plano era assistir alguma coisa, provavelmente, The Crown. Eu tava bastante distraída com o post, então acabamos optando por algo mais rápido e simples, Brooklyn Nine-Nine (que, inclusive, eu continuei vendo e já estou quase acabando a primeira temporada). Como vocês sabem, eu continuei escrevendo o post até um pouco depois das 23 horas, depois continuei assistindo a série e faltando uns dois minutos para a virada, a gente foi na garagem ver se soltariam fogos aqui perto. Soltaram e depois do ano passado, em que eu não conseguir ver nada, foi bem legal ver fogos outra vez e ainda conseguir fazer vídeos legais. Viramos com meu celular despertando ao som da minha música da sorte, Box Around The Sun outra vez. (Eu tenho uma tradição de virar o ano com uma música que eu quero que seja lema do ano seguinte. Desde 2015/2016 essa música precisa ser Box Around The Sun, porque ela é meio que sagrada para mim). Uma vez em 2017, o sentimento foi exatamente o que eu esperava: Finalmente. A gente conseguiu. Adeus, 2016. Nos erguemos das cinzas para um novo recomeço e ainda temos esperança. Mais ou menos.
Nas primeiras horas do ano então, só nos restou comer pizza e logo em seguida se preparar para dormir. Mas eu resolvi assistir o stream do ano novo na Times Square e ver a bola descer, apesar de todos os argumentos contrários. Eu tenho tentado superar Nova Iorque. A cidade, que era a principal parte do meu plano de 5 anos, precisa ficar de lado por enquanto, porque eu preciso de alguns anos para ver se a cidade e o país ainda são lugares viáveis para uma jovem latina. Ainda assim, quando o ano virou e eu me dei conta de que tinha sido o primeiro ano em quatro anos que meu primeiro tweet não era "Um ano a menos para NY!" (2014, 2015 e 2016), eu também lembrei que o último ano que eu tinha virado sem ver o stream da bola descendo na Times Square foi na virada de 2013 para 2014 (um ano bizarro na minha vida) e isso foi mais que o suficiente para me convencer a assistir a stream e chorar ao som de New York, New York como em 2016, então foi isso que eu fiz. Logo depois desse momento e de perceber que eu conheço de coração várias tradições do ano novo da Times - como a última música performada antes da virada ser Imagine e o primeiro casal a se casar no ano novo - eu fui dormir um pouco depois das duas e meia da manhã. Com o coração pleno, mas com vários sentimentos confusos.

1ª selfie de 2017. Começou com good hair day e continua apenas com good hair days. Não, sério, eu ainda não tive um bad hair day em 2017. Só por isso este ano já é melhor que o último.
Fui acordada na manhã seguinte porque eu precisava deixar minha amiga no ponto de ônibus e me arrumar para o almoço que minha avó tinha organizado. Está na Declaração Oficial de Feriados que todo feriado de dois dias de duração (que, na verdade, são apenas Natal e Ano Novo. Tem a Páscoa, mas, na verdade, a Páscoa tem três dias de duração. Por isso eu costumava dizer que é meu feriado preferido. Hoje em dia eu não tenho feriado preferido ou estação preferida, porque eu resolvi que quero ser o tipo de pessoa que celebra tudo. Eu sei, quanto mais velha, mais de Humanas eu fico.) precisa ser celebrado com um almoço no segundo dia. Ano passado, no primeiro dia do ano, teve churrasco na casa dos meus tios, este ano lasanha na casa dos meus avós. Foi coisa simples, apenas uma parte da família, mas a comida tava boa e a gente saiu de lá cedo o suficiente para ainda dar para ir no shopping tomar sorvete. O que foi meio bobo porque já que não tinha nada aberto no shopping, era melhor ter ido para uma sorveteria. Mas a gente só pensou nisso depois e deu para eu ficar babando pela câmera que eu quero na vitrine de uma loja de lá sem nenhum vendedor fazer peguntas, então valeu a pena. Depois disso o primeiro dia do ano se resumiu em tentar acalmar meu cérebro cansado e descansar, sem me preocupar com nada. Mas vocês sabem que eu virei o ano com um monte de coisas incompletas, então isso foi bem difícil.
Eu tenho uma mania extremamente competitiva de transformar tudo em meta ou em obrigação. Isso seria realmente bom, se eu fosse boa em cumprir metas. Ah, eu amo completar metas. Amo marcar x em listas de afazeres, mas o fato de que essa lista de afazeres existe não me motiva a fazer as coisas. Na verdade, tira até a graça. Eu acho que é por isso que eu tenho deixado tanta coisa se acumular nos últimos anos e eu nem estou falando de trabalho. Eu estou falando das 31 séries que eu assisto e dos 31 livros para ler na minha lista de leitura (eu não tinha percebido que o número era o mesmo AAAAAAAAAAA). Eu não consigo simplesmente aquietar minha bunda para ler ou ver uma série porque eu transformei isso em meta e obrigação. Eu acho fofo quando as pessoas assistem uma temporada de série em dois dias e ficam reclamando que não fizeram nada produtivo, porque se eu conseguisse assistir uma temporada de série em dois dias como eu fazia antigamente, eu me sentiria extremamente produtiva. Ao invés disso, como agora virou obrigação, eu não consigo me concentrar, começo a procrastinar com outras coisas e fico inquieta. No segundo dia do ano, que eu também queria tirar para descansar antes de me preparar para viajar, eu queria muito ver alguma série ou terminar o bendito livro que eu estava lendo, mas meu cérebro associava isso a cumprir meta, não a descansar e eu não conseguia. Acabou que eu não consegui fazer absolutamente nada. Eu quero ser menos assim, sabe? Eu quero assistir uma série de uma vez só porque eu gostei muito da sinopse e quero saber o que acontece, sem pensar nas outras que eu comecei. Eu quero não ficar pensando que eu estou com livro de 200 páginas na mão há mais de três semanas. No momento, eu estou evitando pegar o livro que eu estou lendo (o de poesias que eu citei lá em cima, cuja sinopse está na página Extras) quando eu não estou com vontade de ler e estou assistindo só as séries que eu quero, quando eu quero ver. Quando alguém começa a falar de uma série que eu ainda não vi ou de um livro que está na minha lista de leitura, eu preciso ignorar a conversa ou pedir para que a pessoa não fale, porque eu me sinto impaciente para fazer tudo ao mesmo tempo outra vez e acabo não fazendo nada. (Eu também preciso avisar oficialmente a todos os meus amigos que eu prefiro que ninguém fale comigo sobre livros que eu ainda não li, mas pretendo. Vários livros que eu li ano passado foram estragados pelo fato de que todo mundo ficava falando sobre como ele era maravilhoso e eu fiquei esperando mais do que ele realmente era. Esses livros normalmente eram muito bons, mas eu costumava esperar algo a mais e quando nada acontecia, ficava com uma raiva incoerente do livro e não valorizava ele pelo que ele é. No momento tem sete livros na minha lista de leitura que eu não posso ler até esquecer os comentários que fizeram sobre eles, o que pode levar décadas.). Eu preciso repetir que a meta do ano é parar de surtar e começar a fazer. E se eu não sinto vontade de começar a fazer algo, ir fazer outra coisa é muito melhor que surtar por isso.

"Eu realmente odeio tudo hoje, incluindo eu mesma." Não sei, esse gif pareceu apropriado.
Os dois dias seguintes foram passado organizando tudo para viajar. Na ideia original eu iria com minha irmã e meu pai para a capital do estado no ano novo para uma festa da família, mas o trabalho do meu pai se envolveu no meio e a gente precisou adiar a viagem por uma semana. Nós então viajaríamos para a cidade do meu pai no dia 5, para Salvador no dia 7 e voltaríamos para casa no dia 10. O problema foi que meu pai tinha me dito que a gente sairia de casa no dia 5 à noite, mas acabou mudando para o dia 5 de manhã, então nos dias 3 e 4 eu tive que correr para resolver tudo que precisava resolver antes de viajar. Uma dessas coisas era postar este post antes de viajar, para não ter que levar o notebook para a viagem. Não deu certo porque eu rodei a cidade inteirinha e ao fim do dia 4, quando eu finalmente pude sentar para escrever, eu estava exausta. Escrevi dois parágrafos e meu corpo estava pedindo arrego. Ainda me iludi de que conseguiria terminar o post de manhã, antes de viajar ou no tablet quando estivesse na cidade do meu pai, mas isso não deu certo. Eu acabei focando no que o horóscopo maravilhoso da Susan Miller disse para Peixes e tirei a viagem e mais uns dias extras para descansar. Mas para descansar MESMO sem nada para pensar. Esses dias terminaram hoje e aqui estamos com o primeiro dos três posts sobre os primeiros dias do ano.
ANTES DE IR, já que os dois próximos posts serão apenas sobre a viagem (eu não tenho uma data de quando eles sairão, mas eu tenho mais ou menos uma data de quando já quero ter postado os três e será bem rápido, prometo) (além disso, eu não sei direito como esses posts serão, porque muito dessa viagem foi um monte de sentimentos e lembranças e eu não sei se posso ou se consigo falar sobre metade deles. Quem me segue no Twitter deve ter notado. Apenas se preparem.) eu preciso fazer um resumo de novidades que aconteceram nesses dias: Meus pais (aka Mandy Lee e Etienne Bowler de MisterWives) noivaram no dia 5 e eu preciso compartilhar essa notícia porque eu sei que muita gente já deixou de acreditar no amor, mas eles são a prova viva de que um amor de comédia romântica acontece, mesmo que raramente (eu amo tanto a história deles que eu quero chorar só de pensar). Minha banda crush Bahari lançou música nova ontem, sendo os vocais do novo single do duo Grey, I Miss You. A música é maravilhosa e foi a salvação de uma playlist minha, mas o lyric vídeo não está disponível no Brasil o que tá me deixando revoltada. Além disso, a série de Desventuras em Série na Netflix é maravilhosa (assistam, mas não terminem antes de mim, por favor) (eu avisei que crio competições malucas) e eu apenas gostaria de informar que eu não tenho os livro. Em notícias não relacionadas, meu aniversário é em 35 dias. Na vida pessoal, alguns projetinhos foram se desenrolando, mas eu não posso falar sobre eles ainda, então a novidade que eu tenho é que eu comecei o ano entrando no Pinterest para encontrar um calendário de parede imprimível e encontrei um calendário lunar maravilhoso que está satisfazendo minhas necessidades de aspirante a bruxa. Eu também comecei a salvar receitas lá para cumprir o item 23 da lista de 101 coisas em 1001 dias.
Eu acho que é isso por enquanto. Me desejem sorte para conseguir falar sobre tudo que já aconteceu e que vai acontecer este mês porque eu vou precisar e muito mesmo.
G.