12/02/2017

O colapso nervoso dos 19 anos

OLÁ e bem-vindo às crônicas de "Eu estou ficando velha" também conhecida como a coluna "É só uma fase". Estamos oficialmente na semana do meu aniversário (ou como Trina Vega de Brilhante Victoria diria: Semana do Niver), o que significa que é chegada a hora de falar sobre as minhas expectativas para a idade que está chegando e também sofrer um pouquinho por causa da idade. Este ano - provavelmente porque resolveram desenterrar o post sobre fazer 17 anos - eu olho para os posts que eu escrevi nos anos anteriores e penso: "Pobre, doce e inocente, criança de verão. Você ainda não sabe o que é ficar mais velha, minha querida.". E enquanto eu sei que as pessoas mais velhas que eu acharão a mesma coisa quando lerem este post, eu preciso expressar tudo que eu estou sentindo sobre fazer 19 anos enquanto eu ainda estou sentindo. Então, peguem uma cadeira e se preparem porque nunca um trecho de música foi tão perfeito para título de post quanto o que intitula o post de hoje: I ask myself why I'm still around, it's just my nineteenth nervous breakdown (Eu me pergunto porque ainda estou por perto, é apenas o meu décimo novo colapso nervoso/colapso nervoso dos 19 anos) - as primeiras frases da música Welcome To The Real World do álbum lendário de 2007 It's Always The Innocent Ones da então chamada Candice Accola (atualmente, Candice King).
Eu pensei que fazer 19 fosse ser tranquilo do que fazer 16, 17 ou 18 porque não tem mais o peso de ficar mais velha e ser uma adulta logo dos últimos anos - é só mais uma idade de transição antes de eu me tornar alguém de duas décadas. Mas fazer 19 anos é estressante demais, porque todo mundo que eu conheço que tem 19 anos é completamente incrível. Ou pelo menos é bem confiante. E eu sei que é errado me comparar a outras pessoas, mas quando você levou duas horas para levantar da cama e uma checada no Instagram te faz descobrir que alguém da sua idade já salvou o mundo três vezes hoje, não dá para não ficar complexada. Vocês sabem quem tem 19 anos? Malala Yousafizai. Ok, ok parei. Eu não estou me comparando à Malala, apesar de ela obviamente ser uma inspiração (Pequena nota: Dia 18 vai fazer um ano que eu ganhei a biografia dela de aniversário e eu ainda não li. Eu não li nenhum dos cinco livros que eu ganhei de aniversário ano passado até hoje!! Odeio essa fase da minha vida). Só estou dizendo que aos 19 anos as pessoas estão lá fora fazendo coisas, experimentando e mudando o mundo e enquanto eu quero muito fazer isso também, eu sou medrosa pra caramba.

"Quando todo mundo resolveu se tornar um adulto?"

Eu não me sinto da idade que eu tenho. Não me vejo em jovens de 19 anos. Eu me sinto um bebê, ao mesmo tempo que me sinto com novecentos anos de idade. Não me sinto pronta para enfrentar os desafios do mundo lá fora, ao mesmo tempo que eu estou tão cansada do drama do mundo lá fora. E não é isso que eu quero. Eu quero viajar o mundo sem crises de pânico. Eu quero ver um projeto que eu gosto e ter coragem de mandar meu currículo que não tem experiência ou curso nenhum, para que eu possa começar a ter experiência. Eu quero sair para dançar. Não, pera, eu não gosto de lugares lotados e sair para dançar normalmente é sinônimo de ter que lidar com gente bêbada e desconhecida. Eu quero ter coragem de ir para o meio da rua e dançar sozinha na chuva ou sob a luz das estrelas simplesmente porque eu estou feliz. É isso que meu coração diz: Saia de casa. Vá viver a vida. Se apaixone. Dance. Perca tempo. Você só é jovem uma vez! Aí vem a minha cabeça diz: Não, obrigada. Você já viu como o mundo lá fora é assustador? Nada de ruim acontece na minha cama com a porta da frente bem trancada.
Você pode se perguntar que parte desses desejos é diferente dos desejos que eu tinha em todos os outros anos anteriores - a diferença é que nos outros anos eu podia dizer: Um dia. Eu estou me preparando agora, sou muito jovem ainda, mas um dia eu farei todas as coisas que eu quero. Um dia eu serei a pessoa que sai para dançar e que é uma trabalhadora e que envia e-mails confiantemente. Um dia eu viajarei o mundo. Mas aos 19 todos os outros "um dia" já aconteceram. Estou falando dos um dia do tipo: Eu vou terminar o ensino médio e entrar na faculdade um dia. Serei uma adulta e responsável por mim mesma um dia. Eu já sou uma adulta, já tenho responsabilidades, já estou na faculdade, eu já tenho que enfrentar a vida sozinha e tomar minhas próprias decisões. Eu não posso mais adiar as coisas para quando a vida estiver acontecendo, porque a vida já está acontecendo e está passando por cima de mim como um caminhão cegonha. Eu não sei se eu estou me explicando direito, então vamos lá: Nos últimos tempos eu tenho sido tomada de inquietude. Eu estou sentada no sofá vendo TV e sinto uma vontade maluca de fazer algo, mas não vou fazer o algo porque eu tenho medo. Eu fico animada com um projeto que eu vejo na internet e que precisa de estudantes de jornalismo e não tento me envolver porque eu não me sinto pronta. Eu vejo as pessoas falando sobre a vida com a confiança nas pontas dos dedos e me sinto uma criança que precisa de abrigo.
A pior parte é que eu estou na vida adulta por tempo o suficiente para saber o maior segredo dela, que ninguém te conta até que seja tarde demais: Todo mundo está fingindo. Ninguém sabe o que está fazendo, ninguém estava pronto quando começou e todo mundo tem inseguranças. Seria ótimo se saber disso me impedisse de me comparar a absolutamente todo mundo que não tem as mesmas inseguranças que eu, mas não impede e é exatamente o que eu faço. Como pessoas que estão semestres abaixo de mim na faculdade e já escrevem para portais e colocam "Jornalista" na bio do Twitter. Eu tenho certeza de que vou pegar meu diploma e ainda não achar que eu sei o suficiente para me considerar jornalista - e eu deixo isso me impedir sair pelo mundo e fazer coisas, quando parece que todas as outras pessoas não são impedidas por nada. Estou falando de pessoas que fizeram exatamente as mesmas coisas que eu, que passaram pelas mesmas situações e receberam as mesmas informações e que até fizeram parte dos mesmos projetos e produziram os mesmos produtos - a diferença é que elas se sentem prontas. Elas se sentem jovens. Elas se sentem espertas. Eu me sinto como alguém que vai passar o resto da vida empurrando toda a minha existência com a barriga e fazendo as coisas no automático, sentindo que não estou fazendo nada de verdade ou que o que eu faço não é real ou suficientemente concreto.

"Quando nós crescemos nada era o que parecia."
Ok, esse post tomou um rumo bem obscuro e a intenção não era essa. Mas sei que outras pessoas se sentem do mesmo jeito e acham que mais ninguém se sente, então é importante que eu coloque isso pra fora. E é sempre importante lembrar, mesmo que para mim mesma: Todo mundo está fingindo. Eu disse mais de uma vez que meu objetivo para 2017 era "parar de surtar e começar a fazer". Eu também tenho dito para mim mesma desde mais ou menos novembro que os 19 anos serão a idade das experiências - assim como os 14 foram a idade problemática, os 15 a idade clichê, os 16 a idade de ser jovem adulto, os 17 a idade das últimas chances e os 18 a idade da coragem (eu tinha esquecido o título que eu dei a cada idade e agora estou assustada com as previsões que fiz, porque todas essas frases representam realmente o que aconteceu em cada ano!! E de repente deu muito medo do que virá da "idade das experiências").
Aos 19 eu irei lá fora e farei as coisas que eu quero fazer. Parafraseando Phoebe Thunderman: Eu serei uma super-heroína e também dançarei em telhados. (A citação real é: "Eu realmente quero minha capa [de super-herói], mas eu também quero estar lá fora, dançando em telhados". Essa é uma das minhas frases preferidas em 78 episódios de série.) (Ah, e eu escrevi a maior parte desse post usando minha blusinha inspirada no super-uniforme de The Thundermans, que é o meu primeiro presente de aniversário de mim para mim mesma este ano. Ela é tão lindinha, eu tô apaixonada.). Eu vou transformar "Ser quem eu quero ser e fazer o que eu quero fazer" em algo obrigatório e inevitável, assim como todas as outras partes da vida adulta como enfrentar as filas da lotérica, assinar contratos e ligar para assistências técnicas. Porque foi assim que eu aprendi a fazer essas coisas, eu surtei muito, tive crises de ansiedade, ensaiei o que eu precisava fazer na cabeça mil vezes, repeti para mim mesma que nada nunca é tão ruim quanto o que a minha imaginação projeta, fui lá e fiz. Porque eu precisava fazer e porque não tinha mais ninguém para fazer por mim. E apenas eu posso fazer de mim o que eu quero ser. Não importa quão assustador isso seja.
G.

P.S.: Antes que eu me esqueça, já que eu sou a maluca que tem mais de 100 playlists salvas no Spotify, é óbvio que eu fiz uma playlist para o meu aniversário. Ao contrário da "Eighteenth" a playlist do ano passado, "XIX" não é uma playlist de festa, mas mais uma "mood playlist" uma playlist de humores com 19 músicas com ritmos e letras que explicam como eu me sinto nessa altura da vida. Além deste post, você também pode encontrá-la na página "Extras" e no meu perfil do Spotify.


07/02/2017

Aquela vez em que 6 anos se passaram (400º post)

Eu passei a última semana inteira chateada comigo mesma por ter criado o blog em fevereiro. Desse jeito, eu me forço a passar por retrospectivas, nostalgia profunda e sentimentos confusos duas vezes no mesmo mês!! Ter que escrever sobre o blog e sobre o meu aniversário praticamente na mesma semana (aliás, este ano eu vou ter que fazer isso na mesma semana) também faz com que eu pense sobre a minha própria mortalidade e todo tempo que eu venho perdendo nos últimos anos. OK, PAREI. Este 400º post deve ser um post comemorativo e é isso que ele será, até porque os últimos seis anos foram maravilhosos. Cheios de acontecimentos e aventuras boas e ruins, de fases obscuras e de fases incríveis, de um hiatus que durou menos do que o espaço entre posts quando o blog estava ativo, de contos, poemas, crônicas, de textos que eu categorizei de uma forma, mas que até hoje eu não sei se está certa, de participações especiais e de posts participativos, do pior e do melhor da minha escrita, de mudanças, de começos e de fins, violentos ou não. E quando eu digo que não mudaria nada que aconteceu durante esse tempo, eu incluo os últimos 399 posts deste blog. (Mesmo que eu sinta uma leve vontade de mudar grande parte deles).



Este blog foi concebido pela minha necessidade de escrever. Eu nem sabia disso na época, mas a escrita era a única forma que eu tinha de organizar e de expressar tudo que estava acontecendo. Eu tinha acabado de mudar de cidade outra vez - pela terceira vez em menos de dois anos - então veio o ataque de pessoas desconhecidas no Twitter (eu sinto que um dia as pessoas acharão os tweets que mandaram para mim e vão dizer que não foi nada demais, então eu preciso dizer: Hoje em dia eu também acho que não foi, mas eu tinha 12 anos. Se eu sou a criatura mais assustável do mundo hoje em dia, imagina naquela época?), a escola nova e o medo repentino de não me adaptar, mesmo que no mês anterior eu quisesse muito me mudar para ter a chance de me reinventar (não me perguntem o que isso significa aos 12) e eu precisava organizar minha mente se quisesse continuar vivendo. Eu precisava escrever. Não a história de amor boba que eu estava escrevendo na época, nem o começo da fantasia confusa cuja ideia eu tivera menos de seis meses antes e que já tinha escrito três versões, que hoje em dia vocês conhecem como Mais Uma Vez. Eu queria colocar meus sentimentos para fora de outra forma, mesmo que fosse através de metáforas e de frases que só faziam sentido na minha cabeça. E assim surgiu o PuccaSecrets - o blog que me deu a chance de descobrir o que eu quero da vida, me fez perceber quão a sério eu levo a escrita e quão morta eu estaria se não pudesse canalizar absolutamente tudo para palavras.
Aqui estamos 7 eras (o que significa 7 urls, mas apenas 4 títulos) e 6 anos depois e eu ainda não aprendi como se faz sentido em textos longos. Eu ainda falo demais sobre assuntos em que não se tem muito o que dizer e penso tão rápido que preciso interromper pensamentos para dizer outra coisa, resultando em um uso exagerado de parênteses e travessões, além de vírgulas que realmente só estão lá para o leitor poder respirar. Com toda sinceridade do mundo, atualmente este blog é apenas um Centro de Organização de Pensamento ou um Depósito de Pensamentos que Eu Não Posso Jogar em Outro Lugar. Além de um Recanto de Assuntos que Meus Amigos Não Aguentam Mais Me Ouvir Falar, Mas que Eu Ainda Tenho Muito a Dizer e Retiro de Assuntos Simples que se Tornaram Pensamentos Complexos. Então, basicamente, um diário, só que mais exposto. E o fato de isso aqui ser um diário me permitiu experimentar e fazer coisas que eu não poderia fazer escrevendo para lugar nenhum. Aqui eu posso escrever permitindo que meus sentimentos respinguem e escorram pelas palavras. Minha personalidade, minhas mudanças, meus humores, minhas ansiedades, todas estão espalhadas pelos textos que eu posto aqui. Eu nem tento ser profissional - se eu quero gritar, é isso que eu vou fazer. Se eu quero chorar, eu preciso fazer aqui e tirar algum proveito das lágrimas. Se eu escrevi um conto que me fez chorar, eu quero fazer todo mundo chorar também. E o fato de que as pessoas conseguem se identificar com o que eu digo, o que eu passo e o que eu sinto, faz com que todo humor, sentimento e problema por mais confuso e assustador que seja pareça... normal.
Eu sei que digo isso muito, mas é esquisito que eu tenha conseguido manter um blog por seis anos e que as pessoas ainda leem ele!! Alguns milhares de pessoas passaram por aqui e algumas dessas pessoas ficaram!! E tem gente que está aqui desde a época em que eu ainda assinava com "Pucca"!!! Vocês estiveram comigo e e aguentando durante o meu pior (como quando eu perdi minha mãeos piores anos da minha depressãoo ensino médio), o meu melhor (como quando eu terminei meu primeiro livro ou venci o NaNoWriMo mais louco de todos os tempos e quando eu passei no vestibular) e durante o meu mais irritante (como quando eu comecei a ouvir MisterWives e escrevi um post enorme - e que eu ainda amo muito - a respeito). Foi aqui que eu postei todos os contos que eu já escrevi. E alguns dos poemas, por mais constrangedores que eles sejam (eu teria postado aqui o primeiro poema que eu escrevi e os poemas que vieram depois dele, que se transformaram em um minilivro de poemas - que inclusive, foi um sucesso completo entre a minha família materna e as amigas da minha avó -, mas ele se perdeu em alguma mudança que aconteceu nos últimos dez anos). Foi aqui resolvi postar minhas tentativas de escrever horror gótico e de exprimir toda a minha paixão por vampiros, o que acabou resultando em uma história da qual eu tenho bastante orgulho. Foi com vocês que eu dividi o e-book dessa história e com vocês que eu passei pelas dores causadas por todos os sentimentos que essas personagens sem sentimentos me causam. É com vocês que eu converso sobre os meus personagens, sobre quando eles resolvem ser teimosos e a história simplesmente não sai e também sobre as noites que eu não consigo dormir porque eles resolveram encher meu saco. São vocês que me aguentam quando eu tenho projeto novo e preciso falar sobre ele com alguém. (Bem, vocês e o pessoal do Twitter). São vocês que estão esperando por Mais Uma Vez e os outros livros de Sociedade Inglesa de Oposição há três anos, por A Linha de Rumo há um e por Tóxico há alguns meses. São vocês que eu tenho medo de decepcionar por dar expectativas demais.
Por todas essas coisas e por todas as coisas que ainda acontecerão, obrigada. Obrigada pelas 61 mil visualizações (A meta de uma média de 10 mil posts/ano que eu queria ano passado não funcionou, mas esse ano foi batida!!!), pelos quase 800 comentários. Obrigada pelas mensagens. Obrigada pelos compartilhamentos. Obrigada por passar por aqui. Obrigada por passar por aqui e continuar voltando. Obrigada por ter passado a noite inteira aqui para conseguir ler os posts desde o começo. Obrigada por ter lido um post só. Obrigada por ter lido o mesmo post várias vezes. Obrigada por fazer dos posts mais aleatórios do mundo os mais lidos. Obrigada por ressuscitar posts antigos (sério, por que todo mundo anda lendo "16 anos: mitos e verdades. E mais: sobre fazer 17 anos"?? Vocês estão me deixando ansiosa por ter que escrever sobre fazer 19 anos.) e me fazer rir e chorar com a minha própria escrita. Obrigada por ter lido este post e bem-vindo se essa for sua primeira vez aqui. Eu pretendo continuar aqui por um bom tempo e fazer o máximo possível para manter a qualidade do blog. Ok, beleza, avançar na qualidade do blog. O que importa é que eu estou feliz por ter perseverado por todos estes anos e já que eu não me vejo sem escrever tudo que acontece aqui, espero que tenha muita coisa boa pela frente para poder compartilhar com vocês.
E eu sei que não importa o que aconteça a partir de agora, minha adolescência está registrada na internet. Para todo o sempre.
Obrigada por esses seis anos,
G.

P.S.: Eu sei que eu tweetei há algumas semanas sobre fazer um sorteio de algo físico do blog para o aniversário, mas depois que a minha ideia original deu errado, as outras também deram, sequencialmente. Mas não se preocupem, eu ainda quero fazer coisinhas do blog para sortear e nós teremos muitas oportunidades este ano. Eu provavelmente farei algo na página do Facebook, relacionado a As Crônicas de Kat, mas eu avisarei direitinho aqui, é claro.