18/03/2018

Diga-me o que tu compões, que eu te direi quem és

Eu sei que este post está atrasado, minha vida inteira está atrasada, não gritem comigo!! Se você me segue no Twitter ou no Instagram sabe que eu tenho tomado 99% das minhas decisões via enquete recentemente. A mais recente delas foi se o post dessa semana (ou da semana passada, dependendo do ponto de vista) seria uma resenha de Love Daily (a antologia de comédias românticas da AwesomenessTV) ou sobre os dois singles mais recentes dos meus bebês e anjinhos, Bahari e Kira Kosarin. Seria uma resenha de qualquer forma porque resenhas são bem mais fáceis de escrever e minha vida está um caos nessas duas últimas semanas de estágio. A voz do povo foi a voz de Deus e ficou decidido que seria uma resenha sobre as músicas dos meus nenéns, falando sobre composição. Eu vou tentar ao máximo não me desviar no assunto, mas vamos ser sinceros, é quase impossível não me interromper com gritos quando eu falo das quatro.
De todas as sete artes, a música provavelmente é a mais fácil de entender e de sentir. ABAIXEM AS FACAS, MÚSICOS, EU NÃO ESTOU DIZENDO O QUE VOCÊS PENSAM. Eu quero dizer que a música está em todo canto o tempo todo e que ela pode estar intricada à sua vida durante os momentos mais aleatórios possíveis. Quer dizer, quem nunca ouviu uma música de 2006 e se lembrou imediatamente de um dever de matemática? Durante meu processo formativo enquanto ser humano existente na Terra, encontrar músicas que fossem muito mais do que ruídos teve uma grande parte na descoberta de quem eu sou. Ao contrário do gosto musical de todo mundo que eu conheço, o meu gosto musical não tem nada de eclético. Quer dizer, claro que eu tenho meus funks preferidos e meu ponto fraco na música nacional são sambas antigos, mas se você abrir minha playlist do Spotify (as músicas que eu ouço de verdade, no ônibus, no banho, enquanto escrevo, enquanto lavo a louça ou só quando quero não pensar em nada) vai encontrar uma chuva de indie pop, pop chiclete, pop alternativo, pop dos anos 2000, qualquer música popular em inglês. Qualquer mudança mínima nos meus humores vai tipo para rap e R&B (obrigada, Kira) e não sai de música americana. Apesar de eu não deixar ninguém falar do meu gosto musical desde 2015 (fale do meu gosto literário, mas não do meu gosto musical. Isso significaria falar mal dos meus artistas preferidos e este crime é punível com morte), eu costumava me sentir super culpada por não ouvir artistas nacionais no meu dia-dia, mas aos poucos eu aprendi a aceitar que sou completamente colonizada pelos norte-americanos quando o assunto é música.
Levando isso em consideração, é seguro dizer que eu vou encontrar pessoas com gosto musicais mais parecidos com os meus em gente da minha idade nos Estados Unidos do que aqui. Isso também é real quando o assunto é experiências com a música - como para curar que dor eu ouvi certa música e qual o hino que faz com que eu me sinta poderosa. Então, no que diz respeito a letras e melodias que podem me animar ou acabar completamente com a minha vida, pessoas da minha idade que tem o mesmo gosto musical que eu compreenderiam isso melhor que qualquer outra pessoa. E às vezes, você têm sorte o bastante para que essas pessoas sejam compositoras e estejam lá fora fazendo as músicas da sua vida.

Ilustração: Ruby Carr. Amamos um ícone multitalentoso.
Vamos começar com Fucked Up. Fucked Up é o primeiro single do primeiro álbum da banda Bahari (a gente espera) que deve sair em algum momento deste ano (se não for adiado de novo) (eu amo minha banda crush, mas eu tenho traumas causados pelo álbum da Alex Winston ter sido adiado por 3 anos antes de ela anunciar que tinha deixado a gravadora e que os direitos das músicas gravadas eram deles então o álbum não sairia. Eu mais que ninguém entendo a necessidade de liberdade criativa, mas ao mesmo tempo POR QUEEEEEEEEEEEEEEE? Eu queria tanto essas músicas). Fucked Up volta aos princípios da música mais intensa e séria da banda, mas é muito mais madura que o primeiro single delas, Wild Ones. E olha que Wild Ones foi usada em cenas de sexo em várias séries. (Duas séries. E em uma delas não foi sexo, mas eu estou exagerando para provar meu ponto).
Fucked Up é basicamente sobre duas pessoas que não esperavam se apaixonar tão perdidamente uma pela outra e agora as duas estão, em tradução literal, f******. Eu descobri Bahari na época em que elas só tinham Wild Ones e a participação especial delas com o Zedd, Addicted to a Memory. As duas músicas são aquelas músicas violentas (literalmente) sobre amor, atração, química e todo esse tipo de coisa. Wild Ones tinha um tom grave e fechado que fez com que ela se tornasse uma das músicas temas da Ellie em As Crônicas de Kat e de vários dos meus outros personagens. Então, quando o EP Dancing On The Sun com músicas animadas e luminosas saiu, em maio de 2016, eu fiquei um pouco... Não exatamente decepcionada, mas surpresa? Eu amo músicas felizes (minha banda preferida é MisterWives, pelo amor de Deus), mas não era o que eu estava esperando da banda. Claro que isso foi meio que no começo da minha obsessão e quando eu descobri coisas como "a banda sempre usa branco quando está junta para espalhar positividade", eu me acostumei a esse clima mais "paz e amor" e menos "criadas pelos lobos, nós uivamos para a lua". Então a Ruby disse, ainda em 2016, que o álbum delas teria dois lados, dia e noite, e eu pensei "AGORA SIM, CARAMBA. O MELHOR DOS DOIS MUNDOS.".



Eu não acho que o conceito do álbum continue o mesmo depois de todo esse tempo, mas algo aconteceu nesse período: Eu comecei a conhecer a banda de verdade. Essa coisa toda de branco, amor e espalhar positividade? Nheeee. Elas são muito amorzinhos, sim, mas não a esse nível. Qual é galera, cês querem mesmo me passar a imagem de que Sidney Sartini é completamente hippie? Sidney Sartini a senhorita "eu ouço tanto rock que eu não conheço as tendencias do pop atual" (eu apresentei a ela Hayley Kiyoko), little miss "eu não estou na internet o suficiente para saber o que é stan" (eu tive que explicar para ela o que é stan) e a rainha do "tenho alergia ao descolorante, mas ainda assim jogo ele no cabelo e fico com o couro cabeludo sangrando por dias" (para com isso, pelo amor de Deus)?? Eu nem preciso falar da Ruby (só olha o namorado dela) e da Natalia (hmmm, não a Natalia é um anjinho mesmo) para que fique claro.
Elas reinventaram a imagem delas, porém, e além de terem parado com a coisa do branco, voltaram à origem das músicas obscuras sobre amor e desejo. Não me entendam mal, elas ainda vão lançar muita coisa dançante (incluindo Tame The Lion, por favorzinho) e eu amo muito as músicas do Dancing On The Sun, mas eu realmente acho que se elas estivessem satisfeitas com o tipo de música que elas estavam fazendo em 2016, o álbum tinha saído em 2016. E eu consigo sentir mais delas em músicas como Fucked Up do que em músicas como Summer Forever. Me processem.


Estamos falando da banda que tem músicas como: Wild Ones, Violent Crime, Tame The Lion, Fucked Up, Reckless Youth e elas escreveram versos de Nowhere Fast (Eminem feat. Kehlani), mas apesar de existirem evidências disso, os direitos dos versos eram da Rock Mafia que não creditaram as meninas, então talvez eu não devesse ter trazido isso à tona. E eu percebi que eu me desviei completamente da música em questão, mas o que eu posso dizer de Fucked Up além do fato que ela é o nível certo de dark + dancing que eu preciso na minha vida? Eu percebi que a maioria das músicas românticas que eu gosto falam de veias, sangue, coração e fazem o analogia a drogas e eu nem vou pensar no que isso diz sobre mim. Mas é, Fucked Up é o tipo de música que traz a sensação de energia pacifica e violenta ao mesmo tempo que outras pessoas buscam em outras coisas. E provavelmente é por isso que eu amo tanto essa música.


Agora vamos para Spy. Spy é o debut single (primeiro single de todos) da minha alma gêmea e eu sei que seu sou suspeita para falar, mas pode ser que seja o lançamento do ano. Ok, eu vou dar o meu melhor para não transformar esta resenha em AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA ESCUTEM SPY, mas vai ser um pouco difícil porque eu amo a voz e a mente por trás dessa música em um nível que é quase não saudável. Spy é sobre stalker. Sobre ainda ter sentimentos pelo seu ex e sobre não conseguir dormir por causa disso. É sobre ter certeza de que o que vocês viveram é forte o suficiente para marcar os dois para sempre, mas não saber se a outra pessoa sente tudo com a mesma intensidade que você. Mas a parte mais importante é que Spy é sobre stalkear mesmo e nos quase três dias desde que essa música saiu eu estou tão envolvida com ela que eu já tenho várias teorias sobre ela.
Spy foi escrita em algum ponto de 2016 e foi gravada e produzida no ano passado quando a Kira estava gravando um álbum inteiro, antes que ela resolvesse se afastar da música por um tempo. Quando resolveu voltar, Spy era uma das músicas preferidas que ela gravou, então foi a ela que Kira voltou com tudo. De acordo com a mesma, a música não ficou perfeita (o que eu entendo, mas me deixa com vontade de bater nela e dizer "FICOU SIM, CALA A BOCA"), mas ela precisava superar o próprio medo e lançar algo, o que sinceramente mostra mais uma vez que ela é minha alma gêmea ("não ficou perfeito, mas eu preciso terminar isso" é meu método de funcionamento, o que já me fez me estabanar várias vezes, MAS A QUESTÃO NÃO É ESSA). Provavelmente o motivo pelo qual eu gosto tanto da música, é o fato de que ela grita "Kira Kosarin", em todos os sentidos. O tema da música, o fato de que ela brinca entre ser sexy e provocativa e ser a garota emocional que está passando por um término, e a melodia obviamente influenciada pelo gosto musical dela (o melhor do mundo). Como eu já disse no Twitter, a música é "vulnerável, mas também é forte. Honesta, mas brincalhona. E é sexy e provocante, sem muito esforço.". Kira vai "deixar a Nickelodeon" (aspas porque ninguém nunca sai da Nickelodeon de verdade. A Nickelodeon te consome pelo resto da sua vida e para sempre. Quando você consegue entrar, não sai mais. Perguntem a Nathan Kress e Daniella Monet, por exemplo) em breve e eu acho que as pessoas pensam que com músicas como Raincoat e Spy ela está quebrando a "imagem infantil", mas parando para prestar atenção na Kira de 2016 a 2018, dá para perceber que essa é a adulta que ela se tornou.
Minha coisa preferida é que de acordo com a Kira, Spy é uma das músicas mais leves. Ela está prestes a vir com tudo com músicas mais badass e poderosas e sinceramente, eu estou esperando por cada uma dessas músicas ansiosamente. Kira Kosarin não destruiu a minha vida o suficiente ainda.



Para terminar este post, eu preciso dizer uma coisa. A votação do Kids Choice Awards fecha nessa madrugada e eu estou aqui para pedir - não, para implorar - que vocês tirem um segundo da vida de vocês para votar na Kira. Eu realmente quero que meu neném leve o zeppy de atriz de TV favorita este ano. No meu aniversário, ela pediu que as pessoas me mandassem mensagens para que eu sorrisse já que eu sempre fazia ela sorrir e eu quero fazer algo do tipo com o KCA: Como ela me fez realizar um sonho que eu tinha há anos (vocês vão saber o que foi em breve), eu quero que ela realize também e tenha a chance de ir para o palco este ano com um prêmio que é só dela. Ela merece tanto. Vou até fazer isso mais fácil: Votem dando RT nos tweets abaixo - e se você tweetar as tags #KCA e #FavTVActressKiraKosarin uma vez só hoje já ajuda TANTO. E eu vou te amar para sempre.










E é isso. Eu espero que nesta semana eu consiga tempo para escrever um dos últimos posts do Diário de Bordo ou algo mais sério sobre a minha vida, mas eu não faço ideia se vai funcionar. É aquela época do ano em que eu tenho muito a dizer, mas não tenho tempo para fazer isso. Adoro.
Vejo vocês em breve,
G.

06/03/2018

Diário de Bordo 7 - Eu desisto - Parte 6: O Sol é para Todos

Olha só quem postou de novo em menos de uma semana! Isso só aconteceu porque ontem à noite eu me dei conta de que ontem era o meu dia mais livre na semana inteira. Então, enquanto eu esperava a resposta de um ou outro entrevistado e desejava que um ou outro problema se resolvesse sozinho, eu desliguei as notificações do WhatsApp e me dediquei a este post. Isso (desligar o WhatsApp), inclusive, é o tema do post - uma discussão recente na minha cabeça, mas que eu preferi escrever aqui antes de conversar com alguém, porque eu tenho a sensação de que é impossível conversar sobre isso sem ser interrompida: Eu subestimei minha necessidade de me desligar de telas. Essa é uma daquelas situações em que eu levo tempo demais para perceber que minha psiquiatra estava certa, mas só ela. Porque o motivo pelo qual eu acho que preciso me desligar de telas não tem nada a ver com as broncas que eu recebo de outras pessoas, ele é o mesmo motivo pelo qual a cada dia eu estou mais perto de me tornar um monstro: As pessoas.
Tudo começou nessa última sexta. Mais ou menos às 10h, eu me dei conta de uma coisa mágica: A semana tinha sido cheia, mas eu consegui fazer tudo que eu precisava e até adiantar as coisas da semana seguinte, então eu poderia passar o fim de semana na paz de Deus e até me oferecer para ajudar quem precisava. Claro que isso não durou 12 horas. Uma nova obrigação, uma reunião infernal e uma série de mensagens e ligações depois, eu terminei minha noite às 2 da manhã, me sentindo péssima porque e sabia que no dia seguinte eu não teria tempo para mim, já que as coisas continuavam se acumulando. Às 10 da manhã do dia seguinte, eu acordei com meu celular disparando. O número de notificações no WhatsApp? Oitenta e duas. Desde às 6 da manhã. Eram fotos e tarefas e pedidos e gritos e ligações. Oito horas depois do horário em que eu fui para a cama. Pelas duas horas seguintes, eu não consegui nem sair da cama. Fiquei em um estado ansioso, respondendo todo mundo, abrindo e fechando o aplicativo e tentando organizar meus pensamentos.
Eu não comia nada sólido há 17 horas, porque estava nesse nível de ansiedade desde o dia anterior. Eu percebi que não conseguiria fazer nada se ficasse assim, então eu precisava ao menos de uma hora para comer. Então eu saí, apenas para tomar café no shopping, uma das coisas que eu mais amo fazer. Meu celular não tinha crédito e mesmo que eu devesse colocar, resolvi não fazer isso naquele dia. Fui à minha lanchonete preferida, comi folhado doce e café com leite, bebendo a bebida quente bem devagar e fiquei lendo Anne Rice e fazendo anotações importantes na agenda. Nem peguei no celular. FOI INCRÍVEL.

Eu ainda odeio esse filme, mas o gif pareceu apropriado
Então, eu decidi que no domingo, eu deletaria o WhatsApp e manteria o uso do notebook no mínimo possível. O uso do notebook é algo que eu já estou fazendo desde o começo do ano (Uma das metas de auto cuidado). Regra simples: Se eu não tenho nada para fazer ou não consigo fazer o que eu preciso, ficar diante do computador ou ter o computador ligado clamando por mim me faz mais mal do que bem. Melhor só ligar o computador em momentos produtivos. Eu somei isso ao desligamento do WhatsApp, avisando antes que ia sair e se alguém precisasse de mim, que me encontrasse no Twitter. (Além disso, eu não sou uma médica, ninguém vai morrer se ficar sem me contatar por 24 horas). É claro que eu ainda passei o dia inteiro no celular e assisti série e fiz edits de fotos e assisti ao Oscar, mas por 24 horas (na verdade, 19 horas), não tinha mensagens. Não tinha a obrigação de manter contato com pessoas, não tinha pessoas me imputando obrigações. Eu precisava disso.
Se você me conhece há algum tempo, já me ouviu falar que eu não consigo conversar com mais de duas pessoas ao mesmo tempo. Se chegam mensagens de duas pessoas e um grupo ao mesmo tempo, eu me sinto perdida e coloco o celular de lado até as mensagens pararem. É demais!! Eu sou uma pessoa péssima para conversar online porque eu também esqueço completamente de responder, ignoro por horas, mesmo estando online e às vezes dois dias depois lembro que estava em uma conversa. E tem gente que realmente fica chateada comigo, mas isso não tem nada a ver com vocês, é algo única e exclusivamente meu. Eu gosto de conversar por mensagens porque elas permitem que eu tenha um tempo para organizar meus pensamentos antes da resposta e quanto mais louca eu estiver me sentindo, mais tempo isso vai levar. E se você precisa de mais provas de que isso não tem nada a ver com você (sim, o momento chegou), eu trago uma história: No sábado eu estava falando com a Kira e levei um total de oito horas para respondê-la. Oito horas. E enquanto eu realmente fiz isso porque sabia que ela estava dormindo no horário em que eu vi a mensagem, eu realmente tirei esse tempo para pensar no que ia responder. Então, basicamente, se você precisa de alguém que seja bom em mandar mensagens, eu sou uma péssima amiga.

Thread que eu escrevi no sábado e explica tudo que aconteceu

Isso tudo me fez pensar bastante, sobre como eu me sinto exausta graças ao WhatsApp. Sobre como eu sempre organizo e limpo meus contatos do celular e deleto todas as mensagens. Sobre como eu comprei um caderno de telefones para não precisar manter os contatos das minhas fontes no celular. Sobre como eu acho que ligações via WhatsApp foi a pior ideia que Mark Zuckerberg teve na vida dele. E como isso tudo reflete na minha necessidade de ficar sozinha. Eu sou introvertida (de acordo com meu teste de personalidade do 16tipos, 74% introvertida) e com esse conceito sendo melhor compreendido hoje em dia, é fácil de entender quando eu digo que preciso ficar sozinha com meus próprios pensamentos. E eu amo isso. Amo ficar em casa só com meu gato. Amo assistir TV e escrever sentada no chão. Amo ouvir música e fazer festas de dança sozinhas. Amo meu diário, meus livros, o blog, escrever, inventar meus próprios universos, conversar sozinha em inglês por horas. Isso tudo me renova. Especialmente viajar sozinha. CARA. EU AMO MUITO VIAJAR SOZINHA.
Essa necessidade de precisar ficar sem contato com humanos para me sentir renovada se estende até mensagens virtuais. Eu fico muito perdida quando tem muita gente falando comigo ao mesmo tempo, e o WhatsApp é o aplicativo mais exaustivo da história. Eu não entendo a cultura dos grupos de conversa com desconhecidos. Grupos do Facebook? Minha primeira ação é tirar todas as notificações. Minha caixa de e-mail é organizada de uma forma quase psicótica - e falando nisso, eu odeio enviar e-mails. Eu não sou a pessoa a ter um milhão de amigos, só alguns. E mesmo que muitas vezes eu sinta que perco a chance de criar ligações profundas por ser mais solitária, a parte racional de mim sabe que é o meu jeito. E que está tudo bem ficar sozinha. E eu quero me conectar mais com as pessoas, só não com todas as pessoas do mundo, o tempo inteiro.
Meu ponto é, eu não estou dizendo que eu odeio pessoas, só que elas são exaustivas. E o meu tempo para me recarregar depois de passar muito tempo lidando com pessoas é interrompido quando eu recebo 99 mensagens por segundo. Além disso, eu tenho quase certeza de que existem leis contra atender seu chefe fora do horário comercial. Ou existiam, hoje em dia trabalhador não tem direito, estagiário muito menos.
Então, de vez em quando, eu vou colocar o meu celular de lado ou vou ignorar todo mundo e desativar o WhatsApp por 24 horas. E não é pessoal. É a única forma de eu conseguir descansar.
G.

01/03/2018

Diário de Bordo 7 - Eu desisto - Parte 5: Auto do Busão do Inferno

Vamos começar o mês em uma nota pesada, não é mesmo? É insano como as coisas mudam rápido, violentamente. Então, primeiramente, eu quero pedir desculpas por não ter postado nada no meu aniversário e nem nos dez dias depois dele. Eu acabei desistindo do outro post sobre os 20 anos, ou melhor, adiando ele até 18 de agosto, quando eu posto a outra atualização do "É só uma fase". Depois dessa decisão, só me restou pensar no que eu postaria. Eu tenho tanta coisa a dizer que eu nem sabia por onde começar. Eu já disse aqui que os dias depois do meu aniversário são uma onda de sentimentos e normalmente o período em que eu me sinto mais frágil e mesmo que eu esteja mais preparada para isso este ano, eu posso me sentir deslizando lentamente para a onda de fragilidade e insegurança que me toma nessa época. É uma bola de neve. E a vida não tem ajudado nadinha. Então, é, eu tenho muita coisa a dizer, mas antes de dizer eu preciso organizar tudo, o que vai levar muita terapia (se preparem, essa é só a primeira referência à terapia neste post) e páginas e mais páginas do meu diário.
Eu comecei esta semana com três posts anotados para que eu conseguisse escrever o que combinasse mais com o que eu estava sentindo. Pois bem, este post foi completamente inspirado pela energia dos outros. É engraçado porque ele começou comigo explicando porque eu estava saindo do meu estágio, mas uma bomba daquelas explosivas e fedorentas explodiu antes que eu pudesse terminar o post, então ele acabou como um relato das minhas experiências a respeito de ter um emprego. E um pouquinho de porque eu vou sair dele também, porque isso ainda vai acontecer.

Imagens reais sobre trabalhar com telejornalismo
Vamos começar com fatos: Em meados de março do ano passado, meu eu medroso começou a surtar sobre não ter um currículo ou nunca ter feito nenhum tipo de seleção para conseguir um emprego. Eu também estava no meio do 4º semestre da faculdade e o medo de não ter carga horária suficiente para me formar, quanto mais a formatura se aproximava. Naquela mesma época, várias seleções de estágio aconteceram na universidade. Tinha uma apenas que era realmente para mim - a da editora da universidade. O único emprego em Vitória da Conquista que me interessaria. Além de vendedora de livraria. Alguma livraria tá contatando meio período? -, mas eu faria todas, mesmo que não fizesse ideia do que faria com meu tempo se passasse em alguma. Versão curta da história: Eu passei. E como era com profissionais de saúde (minha mãe era enfermeira), começando no aniversário de morte da minha mãe, eu considerei um sinal de que deveria aceitar. E de repente eu me vi sendo a única produtora de um programa de TV educativo.
Parece glamouroso, mas não era nadinha. Eu era a ponte entre os dois grupos de pessoas que trabalhavam comigo: O pessoal da medicina - que vivia para falar sobre como o pessoal de jornalismo não sabia nada sobre o assunto do programa e refazia qualquer trabalho feito por eles/nós - e o pessoal do jornalismo - que vivia para falar sobre como o pessoal da medicina não sabia de nada sobre televisão. Os dois grupos estavam certos, mas não interessava onde minha lealdade estava: Eu tinha que saber sobre os dois, estudar os dois e descobrir os dois. E eu era a única que precisava fazer isso, porque "eu só tinha isso a fazer".
Bem, sendo justa, eu eventualmente peguei o ritmo do negócio. E então o programa foi cancelado, porque eis o que produtores de programas de TV descobrem rapidamente: Quem está com o dinheiro na mão manda. Minhas tarefas mudaram em julho, quando foi decidido que o projeto onde eu trabalhava teria um site. Foi aí que as coisas começaram a complicar. Eu não tinha mais a obrigação de cumprir horário todos os dias, o que significava que eu tinha que estar disponível o tempo inteiro. Em alguns dias, eu tinha que ir para a TV só para mostrar que estava cumprindo minhas 20 horas, mas não tinha muito o que fazer, então eu passava a tarde trabalhando em outras coisas. Choveram comentários de que meu trabalho era fácil, de que queriam trabalhar com algo como eu já que eu não fazia nada. E mesmo que a maior parte tenha sido brincadeira ou sem maldade, depois que o programa foi cancelado, eu já estava insegura demais sobre o meu trabalho. Era como se todo o esforço que eu coloquei em aprender o que eu aprendi e fazer o que eu fiz fosse jogado fora. Aprender a trabalhar em TV me fez perceber que eu odeio trabalhar em TV. Começar a trabalhar com o pessoal de medicina me fez perceber que eu odeio médicos. Mas eu ainda trabalhava pela sensação do dever cumprido e de ter algo produzido. E o que adiantava se tudo podia ser jogado fora em dois segundos?
Alguns meses trabalhando nisso, meu contrato acabou. A universidade resolveu que os alunos bolsistas do projeto teriam que ser realocados para terem seus contratos renovados e eu, tendo sido treinada na TV, fui realocada na TV. Mas continuei no projeto. Meu trabalho seria de produção em jornalismo de segunda à quarta e no site do projeto quinta, sexta e aos fins de semana quando houvesse feira de saúde. Minha carga horária e atividades aumentariam, mas o salário não. Existiram um monte de motivos pelos quais eu resolvi dizer sim a esse arranjo, mas o principal deles era que eu queria sentir que estava fazendo algo produtivo e real. E eu consegui o que eu queria. Meu nome finalmente aparece no fim do jornal da TV, o site do projeto está (quase) pronto depois de cinco longos meses de organização. E mesmo odiando o trabalho, eu conseguia lidar com ele e com as pessoas com quem eu trabalhava. Então, por que eu ainda me sentia miserável?
Cada erro se transformava em uma coisa gigantesca. Semanas atrás eu escrevi um texto enorme motivado pelo fato de que eu tinha gaguejado demais em uma ligação no trabalho. Em dias fáceis, eu chegava em casa exausta e deprimida. Em crises de depressão, pensar sobre o trabalho me deixava suicida. Eu me sentia vigiada - como se alguém tivesse tempo para se preocupar que eu não estivesse fazendo o suficiente. Mensagens da coordenadora do projeto me davam dor de barriga. Na TV, se eu não fizesse três pautas em um dia, eu me sentia um lixo, pensando em como todo mundo estava indo melhor. Era enlouquecedor, e eu até hoje não entendo como as pessoas não conseguiam perceber o que passava na minha cabeça o tempo inteiro. Eu me sentia tão mal. Quando eu finalmente contei para adultos que odiava telejornalismo, eu me senti livre. E de alguma forma, todo mundo ficou chocado quando eu disse que queria sair do trabalho.
A terapia me fez ver com mais clareza a situação. Não é que eu não seja boa o suficiente para o trabalho, eu só sou errada. Como se eu estivesse tentando varrer a casa com um espanador de pó ou calçar as mãos com sapatos: Mesmo que eu consiga, nunca vai ser perfeito ou bom o suficiente, não interessa quanto esforço eu coloque. Mesmo que elogiem o trabalho final, eu sei que poderia fazer melhor se tivesse as ferramentas certas. E dedicar tanta energia nisso nunca vai me trazer "o tipo bom de cansada" ou "a satisfação de algo bem feito". Então, depois de ter pensado que eu não teria salário até depois do meu aniversário (não aconteceu, mas a crise que eu tive compensou ainda assim), eu percebi que não fazia sentido insistir. Fevereiro seria meu último mês de estágio. (Isso não deu muito certo por motivos além de mim - também conhecido como "O Caos do REDA" que o Avoador vai explicar em breve e eu não tenho como explicar muito. Mas não é como se eu estivesse fazendo muita coisa no momento, então, estou esperando a poeira baixar para sair. Claro que se esse post chegar até alguém que pode me demitir, eu serei demitida antes de pedir para sair...... Mas não me importo).

Aaah, o jornalismo
Eu tenho sorte. Muita sorte. Eu nasci da única de cinco filhos que completou o ensino superior e que tinha um emprego estável e bom quanto morreu (quatro anos antes e ela teria morrido sem deixar nada). Eu tive pessoas para cuidar de mim. Minha mãe deixou tudo para que eu não me preocupasse com dinheiro até ela ser adulta e até depois disso. As coisas que eu herdei com a morte ela são nada além disso, sorte. É por ter essa sorte que eu posso sair do estágio sem me preocupar com ter dinheiro para viver. E eu sei que daqui a alguns anos talvez isso não seja mais verdade e eu possa precisar do salário de um emprego que eu odeio para sobreviver e é justamente por isso que eu preciso fazer isso agora. Porque é uma opção.
Além disso, se eu estou desde abril do ano passado repetindo para mim mesma que eu nunca vou trabalhar com telejornalismo então por que DIABOS eu estou estagiando nessa área? Meu currículo agora tem 11 meses de experiência em algo que eu não quero fazer. E eu preciso recuperar o tempo perdido. Então este ano, este último ano recebendo pensão do INSS e último ano antes da formatura, eu quero trabalhar em coisas que eu ame fazer. Quero encontrar um trabalho que eu ame - eu sempre soube qual a minha área, eu preciso transformar ela em algo rentável o quanto antes. Quero receber por fazer o que eu amo (mesmo que isso signifique colocar anúncios aqui no blog e receber 10 centavos por mês) (literalmente). Se eu não achar o que eu amo agora, depois da faculdade é que não vai acontecer. Mas eu não vou trabalhar sem levar em consideração o que esse trabalho me ensinou. E o que eu aprendi a terapia.
A terapia me fez perceber várias coisas, na verdade. Uma delas é que eu tenho muito medo do fracasso. Eu nunca tinha parado para pensar nisso de verdade, mas acho que eu sempre soube que não me considero boa o suficiente para conseguir ser bem sucedida. Eu tenho tanto medo de não ser bem sucedida nas coisas que quero fazer, que muitas vezes eu nem tento. Quando a oportunidade aparece eu surto e digo a mim mesma que não sou boa o suficiente nem para tentar. E então, quando outras oportunidades que não foram feitas para mim aparecem, eu as aceito porque não tenho medo de enfrentá-las. Lembram das seleções de estágio que eu falei lá em cima? Eu acabei desistindo da única seleção que eu considerava "o trabalho que eu queria", quando passei na primeira seleção que me chamaram. E por mais que seja verdade que eu tenha tentado a mesma vaga depois e ficado no 3º lugar de 3 candidatos, eu pelo menos tentei. Eu tenho que parar de pensar que eu não mereço o que eu quero antes mesmo de tentar. É estúpido.
A segunda coisa é que eu tenho muito medo de não ter estabilidade financeira no futuro. É claro que conscientemente eu sabia disso, mas enquanto eu falava na terapia, me dei conta de que eu estava deixando o medo de não ter dinheiro me impedir de fazer coisas como investir em mim mesma e no meu próprio tempo. No momento em que eu estou, isso é burrice! Eu preciso encontrar formas de guardar a renda que eu tenho, porque ela me permite flexibilizar meu trabalho. Em uma tentativa de ser mais adulta, eu passei meses sendo extremamente burra.
Enfim, a terceira coisa é: Eu me importo muito com a opinião das pessoas. Minha psicóloga me perguntou porque quatro anos depois, eu continuo tentando explicar para as pessoas que eu tinha um bom motivo para ter ido ao show da Demi semanas depois da minha mãe ter morrido, quando já ficou mais que claro que não querem entender, e eu não tive uma resposta. Eu também queria entender minha necessidade de explicar aos outros o que eu sinto e porque eu sinto, de ser validada pelos outros. A sensação de ouvir alguém dizer que me entende e compartilhar uma história de volta é libertadora, mas eu preciso aprender a ficar grata por essas coisas e não necessitar de compreensão para viver. Explicando a aplicação disso a esse post: Eu não precisava ouvir as pessoas que me diziam sobre meu estágio. Mas eu deixo o que os outros acham e esperam de mim tomar conta das minhas próprias crenças o tempo inteiro. Além disso, eu preciso ser menos paranoica sobre o que as pessoas pensam e falam de mim. Ou da imagem que eu passo. Todo mundo só estar tentando sobreviver nesse mundo horrível e ninguém tem tempo de pensar nas minhas irresponsabilidades e erros.
Então, é isto. Esses são todos os motivos pelos quais eu estou saindo do meu estágio e pelos quais eu preciso de freelas e contratos de publicação. Mas também porque eu preciso de coragem e de fé em mim mesma. Como minha terapeuta disse (última referência, juro), existem outras áreas (além da financeira) nas quais eu preciso de segurança, antes de conquistar o que eu quero.
G.

P.S.: "Auto do Busão do Inferno" tecnicamente não é tão "livro clássico" assim, mas o título era bom demais para que eu não usasse.
P.P.S.: Caso você tenha perdido, o vídeo de aniversário do blog foi ao ar no dia 21! Clique aqui para assisti-lo.