24/03/2020

Como parecer uma adulta em controle da própria vida (quando na maior parte do tempo você não sabe o que está acontecendo)


Se um dia houve um título de post que é muito clickbait, é esse. Mais alguém sente que faz um ano que eu não atualizo o blog quando, na verdade, faz mais ou menos uma seis semanas?? Tanta coisa aconteceu e agora o mundo praticamente está entrando em colapso. Eu não sei como vocês estão se sentindo, mas por aqui, depois de uma semana me sentindo até feliz porque finalmente meus amigos tinham mais tempo para mim (eu sei, eu sou uma pessoa horrível, vocês não precisam me dizer), o desespero finalmente bateu e eu estou em um espiral de ansiedade e profundo desespero que me faz não dormir bem ou dormir demais, me entupir de cafeína e passar horas montando quebra cabeças na internet para simplesmente esvaziar minha cabeça de pensamentos.
O que causou essa mudança foi o fato de que os pais de uma amiga minha pegaram COVID-19 (mas não são casos oficialmente confirmados porque eles não conseguem encontrar testes). O ser humano é um bicho estranho. Eu tenho assistido todas as coletivas do Ministério da Saúde, ouvido sobre todos os detalhes do vírus desde o começo da pandemia, xingado gente que foi xenofóbica e brigando com anti-vacinas burros do caralho desde janeiro, mas foi só quando alguém que eu conheço, que eu abracei, com quem eu já conversei teve a doença que meu cérebro fez "Ah, isso é uma coisa real, que realmente está acontecendo". Não é o grande apocalipse zumbi e nem é uma coisa estúpida, é apenas algo real que pode acabar mal. E não há nada que possa ser feito sobre a realidade da coisa. Combinar isso com o fato de que o distanciamento social significa que eu não podia ajudar de uma forma prática, mas só oferecer apoio emocional, me deixou ansiosa cada segundo dos últimos dias. A boa notícia é que eles estão melhores e eu acho que finalmente posso parar de surtar, mas a verdade é que eu ainda vou surtar muito. E se mais alguém ficar doente, é provável que eu enlouqueça. Então se você está na minha vida e não está se cuidado, saia da minha vida, porque eu não quero sofrer quando você ficar doente.
O que me lembra: Se você tem a minha idade e não é profissional de saúde, você ainda não é elegível para a vacina da gripe, mas está no grupo que precisa se vacinar contra o sarampo. (Só não corre pro posto no meio da pandemia sem ligar antes pra perguntar se tem a vacina, pelo amor de DEUS. Alguns postos não estão vacinando contra o sarampo por causa da campanha de vacina contra a gripe e porque muita gente com COVID passa no posto antes, então liguem, confirmem e então vacinem. Vale a pena ligar para vários postos até encontrar, mas só visite o posto que tem, com todo o cuidado necessário). Caso você não saiba, o sarampo têm sintomas parecido com a COVID-19 como febre acompanhada de tosse e mal estar intenso, com complicações também parecidas com a da COVID-19 como por exemplo pneumonia viral e morte. E graças ao fato de que as pessoas resolveram que vacinação é opcional, o vírus voltou a circular no país, então se vacinar durante essa pandemia se você não tiver certeza de que é vacinado, é obrigação. Vacinação é tão opcional quanto isolamento social durante essa pandemia. Ao deixar de se vacinar, você coloca não só a si mesmo, mas as pessoas mais vulneráveis em risco e pode ser responsável pela morte delas. No caso do sarampo, uma pessoa infectada pode infectar outras 19 pessoas e o vírus fica no ar mesmo depois que você muda de ambiente. E ter sarampo durante uma crise dessas é perigoso e irresponsável, porque você pode ser tratado para a coisa errada (se você tiver sarampo, as pessoas podem achar que é COVID e se você tiver COVID sem a vacina de sarampo podem achar que é sarampo), você pode infectar pessoas já doentes e com imunidade baixa e você ainda pode tomar um leito de hospital de alguém com uma doença não prevenível. Quando você se vacina, você não se vacina só por você, mas por todas as pessoas que não podem se vacinar. E se isso não é o bastante para te convencer, lamento te informar que você é um grande merda. Mas a gente vive em um país onde grandes merdas se tornam presidentes, então ei! Bom pra você, acho.

"Acho que estou indo bem, se eu não pensar no fato de que o mundo está pegando fogo"

Originalmente, esse post era um post da coluna "É só uma fase" onde eu ia falar sobre algumas coisas que fiz para me sentir melhor comigo mesma este ano, como por exemplo me inscrever para fazer parte do tribunal do júri da comarca da minha cidade, me cadastrar no banco de doadores de medula óssea e tentar me tornar uma doula voluntária certificada a partir de um curso oferecido pela prefeitura daqui. Mas o Tribunal de Justiça da Bahia suspendeu sessões de júri, o INCA (Instituto Nacional do Câncer) não respondeu meu e-mail sobre meu cadastro no REDOME (Registro de Doadores de Medula Óssea) provavelmente porque estamos no meio de uma pandemia e é bem improvável que a próxima turma do curso de doulas aconteça antes de setembro ou até mesmo este ano. Falar de qualquer uma dessas coisas parece surreal enquanto o mundo pega fogo. Eu ia falar disso porque antes da pandemia se generalizar, eu estava chegando a um momento da terapia em que eu falava sobre minha infância pré-depressão e o que significa para mim ser uma boa pessoa e a motivação por trás das coisas que eu faço e dos meus interesses nessa vida. Mas aí a pandemia foi oficialmente decretada e agora é tipo: O que sequer significa ser uma boa pessoa no meio desse caos? O que é ser uma pessoa no meio desse caos?
Eu tenho visto muitas ordens circulando pela internet. "Eis a forma certa de trabalhar home office", "Como ser produtivo durante a quarentena", "Coisas para fazer para ocupar o tempo até você poder sair de casa", "Erros que todo mundo comete no home office" etc, etc, etc. E claro, existe um público para isso. Mas aqui, eu estou assumindo que esse não é o meu público. Pelo que eu sei, a maioria das pessoas que lê esse blog normalmente passa muito tempo em casa, mas agora com a proibição de sair de casa, tem sentido vontade de sair mais do que qualquer outra coisa. E a pior parte também é que a maioria das pessoas tem ansiedade e/ou depressão e acabou perdendo muitas das formas que a gente tem de lidar com isso. Fazer exercício é difícil sem uma rotina e um compromisso externo estabelecido, pelo menos para mim. Sair da cama quando o universo todo te manda ficar no lugar é mais díficil. Comer direito é mais díficil para mim quando eu estou preocupada que não tenha comida o suficiente até o fim da quarentena e eu sei que para outras pessoas é mais difícil controlar o impulso de comer tudo. Eu cheguei a ver gente falando qual tipo de arte deveria ser feita durante esse período e como tinha que ser mais distrativa e esperançosa do que caótica e catártica —  o que eu discordo, porque existe público para tudo. A parte mais louca é que eu recebi mensagens de pessoas dizendo que queriam ser como eu e serem tão produtivas quanto eu nessa quarentena, o que é completa loucura porque eu tenho surtado e tomado café o dia inteiro. Mas já que vocês querem saber o que eu faço, cheguei aqui para contar meu grande segredo.

Imagem: The School of Life

Você não precisa ser uma pessoa funcional no momento. Eu juro por Deus. Na imagem acima está a Pirâmide de Maslow — uma das poucas coisas que eu absolvi do ensino médio que eu nem sei e nem quero saber se ainda é válida porque eu uso ela para lidar com o mundo. Existe a hierarquia das necessidades de um ser humano. Na base estão as necessidades fisiológicas: comer, beber água, dormir, cagar, fazer xixi. Acima está a segurança: segurança pública, de emprego, de habitação, de saúde, etc. Depois relacionamentos: família, amizade, conexão com o mundo. Acima disso, o status: reconhecimento, autoestima, se sentir bem na própria pele e logo no topo realizações pessoais. Você não consegue alcançar as necessidades de cima se não tiver as necessidades da base. Ou consegue, mas elas ficam desequilibradas e fáceis de desmoronar. Quantas dessas necessidades têm sido negadas a você no momento? Falando por mim, eu não me sinto segura. Eu posso adoecer, se eu adoecer eu não sei o que acontece. Mesmo um resfriado ou um corte no pé parece arriscado demais no momento. Eu não estou empregada e com a economia despencando ainda mais, eu não vejo a possibilidade de conseguir um emprego. Meus planos profissionais foram jogados para o ar e eu não sei se vou e não acho que vá conseguir juntar todo dinheiro da campanha de Vozes. E se você se sente como eu, eu tenho novidades: Você não precisa se sentir assim e ainda assim conseguir manter a produtividade ativa, a casa organizada, contato constante com os amigos. Você não tem como alcançar suas necessidades psicológicas completamente se não tiver o básico de necessidade básica. Minha pirâmide no momento parece mais o que aconteceria se você tentasse apoiar uma panela de pressão em cima de um pires. Você pode até conseguir que ela não caia pro lado, mas o que sustenta ela não é a força do pires, é o equilíbrio entre os lados da panela de pressão. (Pra quem não entendeu a metáfora: O pires é a necessidade de segurança e panela de pressão é a necessidade de pertencimento e amor. O pires é bem fraco, mas como a panela de pressão  meus amigos  está bem no centro, a coisa toda não desaba).
O que eu quero dizer basicamente é que no momento você precisa sustentar a base. Foca em coisas simples como comer quando sentir fome, beber dois litros de água por dia, dormir quantas horas conseguir, se proteger do frio ou se refrescar do calor, fazer cocô todo dia e etc. Se você ainda estiver trabalhando dentro ou fora de casa, faça o que precisa para trabalhar com segurança, lembrando que sua saúde também está na base, como necessidade biológica. E isso inclui a saúde mental, na verdade. Saúde mental não entra na segunda parte da pirâmide, até porque não sei como é pra vocês, mas a minha saúde mental afeta minha saúde física diretamente, com enjoos, falta de vontade de comer, insônia e etc. Foque no que você precisa fazer para se manter bem. Se ver as notícias é um mecanismo de defesa para você, veja as notícias. Se é algo que te faz mal, não veja as notícias. Se você não consegue trabalhar e ser produtivo, se manter conectado com seus amigos, pergunte a si mesmo: Qual necessidade básica eu estou deixando de suprir? Lembre-se que isso não é uma situação comum. A maioria de nós nunca iria imaginar passar por isso. Eu já tinha desistido do mundo desde 2016 e ainda assim eu estou assustada e desesperada porque eu pensei que o fim do mundo fosse ao menos ser rápido e ao invés disso ele tem sido dolorosamente lento e desesperador. Seus sentimentos são válidos, mesmo que você sinta que está exagerando porque tem sido mais difícil para outras pessoas. Você também está passando por isso e se manter bem é mais do que simplesmente se manter sem o vírus.



Pra fechar, eu separei alguns conteúdos extras só se vocês quiserem fazer algo ou estiverem sentido falta dos meus posts. A playlist acima, que será atualizada, é uma delas. Apesar de estar meio afastada do Quebrei a máquina de escrever porque eu sinto que os posts daqui precisam ser mais longos e isso acaba me atrasando, eu lancei no dia 29 o Set List, minha página do Patreon exclusivamente para artigos sobre música, em inglês. Eu sei que o dólar está caro e pagar IOF todo mês é um cu, mas pra quem quiser apoiar, é a partir de um dólar por mês e você tem acesso a todos os posts e playlists. Me ajudaria demais, especialmente durante essa pandemia do demônio onde conseguir freelas está virtualmente impossível. Além do Set, e da mudança do nome do meu blog em inglês para Queer and other theories, eu postei a continuação de Desacelere, Curinga, no Wattpad hoje à tarde e lá vocês vão saber mais sobre a Elena e podem se preparar para o lançamento de Aqueles Seis Meses, quando eu terminar de escrever o dito cujo. Eu também vou participar do Camp NaNoWriMo a partir de quarta-feira da semana que vem, para tentar terminar de escrever Flor-de-Maio e eu espero conseguir atualizar vocês aqui sobre a história e se não der, vocês sempre podem me ver surtando no Twitter e no Instagram (onde eu posto a maior parte dos anúncios e das novidades). Não esqueçam, por favor, de apoiar e divulgar a campanha de Vozes, que ganhou mais 15 dias corridos no Catarse. Eu postei um vídeo no YouTube semana passada explicando o que acontece se a gente não atingir a meta e eu queria muito ao menos chegar a 2 mil reais (menos de 100 apoiadores!!!) até o fim da campanha. Cada compartilhamento de link ajuda muito!!
Finalmente, eu quero ouvir de vocês: Eu pensei em escrever sobre minha viagem para Los Angeles por agora (sim, sete meses depois), mas senti que seria um pouco fora da curva fazer isso. Ninguém sabe quando vai poder viajar. Por outro lado, escrever sobre isso vai me fazer me sentir melhor, e eu vou poder fazer alguns posts promovidos e talvez conseguir juntar mais um dinheiro. Vocês querem ouvir sobre a minha viagem e talvez começar a planejar as suas?? Também quero ouvir sobre como vocês estão se sentindo no momento. Podem desabafar, sem medo. Aqui é um espaço sem julgamentos e talvez o que você tenha a dizer seja tudo que outra pessoa precisa ouvir. Os comentários aqui do blog também podem ser feitos anonimamente, e eu estou avisando isso mesmo sabendo que tem grande chance de pessoas usarem o anonimato para me xingar. Aproveitem!
Eu devo voltar assim que colocar algumas coisas no lugar, quando quer que isso seja. Fiquem bem e cuidem dos outros!
G.

08/02/2020

COISAS????? QUE ACONTECERAM NA ÚLTIMA DÉCADA????? SUPOSTAMENTE

Vossa Excelência, eu quero que conste nos autos o fato de que para mim, o ano começou há uma semana. Janeiro foi invenção capitalista, meritíssimo. OLÁ, PESSOINHAS! Sinceramente? Eu nem vou pedir desculpas ou me justificar pelas últimas semanas. Eu sei que o aniversário do blog foi ontem e eu também sei muito bem que 9 anos não são uma década. Mas eis a questão: Originalmente, esse post nem era para ser post de aniversário. Ele era para ser retrospectiva e sair no dia 30 de dezembro. Mas aí no dia 30 de dezembro resolveram ameaçar me demitir por WhatsApp e eu comecei a ter crise de pânico como se fosse promoção em loja de R$1,99 e eu só tivesse R$1,99. Eventualmente eu acabei sendo demitida, então eu passei as últimas semanas tentando me realocar no universo. Eu vou falar mais sobre o que aconteceu no futuro, depois que eu resolver algumas coisas, mas por enquanto, eu só queria acabar o que eu terminei. A ideia era que esse post saísse antes do aniversário do blog e que o post do dia 7 de fevereiro fosse um episódio de podcast, mas eu só tive essa ideia na quarta, dia 5, e logo percebi que não ia dar tempo. Aí eu me dei conta de que (se o post de aniversário do ano passado prova qualquer coisa) um post de retrospectiva e um post de aniversário são praticamente a mesma coisa, só muda o mês.
Antes que eu vá ao post em si, porém, eu tenho dois anúncios importantes. O primeiro é que VOZES ESTÁ EM CAMPANHA DE FINANCIAMENTO NO CATARSE!! Basicamente, estou juntando dinheiro para a impressão de 500 cópias do livro e com apenas R$20 você leva uma cópia do livro autografado, com seu nome nos agradecimentos e ainda um monte de marcadores e cards. A campanha é para que não só as pessoas que querem cópias físicas possam tê-las, mas também para que eu doe uma parcela dos livros para as bibliotecas das universidades onde os casos de assédio que eu narrei no livro aconteceram, assim como para as organizações que me ajudaram a coletar dados. Caso você não tenha como comprar o livro com R$20 ainda, mas queira ajudar, também está rolando uma rifa e com apenas DOIS reais, você pode concorrer a um tênis converse lindo! Clique aqui para mais informações e entre em contato pelas redes sociais ou pelo email blogs@giuliasantana.com para organizar o recebimento do seu livro (válido para todo território brasileiro. É possível apoiar o projeto e comprar a rifa ao mesmo tempo através do Catarse). E o segundo anúncio, que eu espero que vocês já saibam, é que eu estou fazendo publicações simples de textos exclusivos no Instagram do Quebrei a máquina de escrever, depois de quase um ano sem postar nada naquela página. Voltamos com tudo e já tem indicação de série com mais de 2 mil impressões (as impressões do QaMdE batendo as do meu perfil pessoal são TUDO PRA MIM), então se eu fosse vocês, acompanhava.

É sério. Me ajudem, eu sou pobre.
Nós estamos juntos há 9 anos e é completamente bizarro pensar que eu ainda tinha 12 anos quando postei pela primeira vez neste blog. Especialmente considerando como crianças de 12 anos são minha maior fonte de dor de cabeça na internet no momento. Eu tenho 102% de certeza de que tudo que eu passo com crianças de 12-14 anos na internet no momento é carma pelo fato de que eu forcei a internet a aguentar minhas abobrinhas desde aquela época. E agora eu tenho 21, quase 22. As coisas melhoraram? Não. Eu ainda posto as merdas que eu quero sem pensar duas vezes? Sim. Eu ainda forço as pessoas as ouvirem o que eu tenho a dizer? Uhum. Será que durante os meus 30 eu vou ter que lidar com gente de 21 que age como eu??? Desse jeito eu nem preciso de filho.
Eu ainda converso com pessoas na minha vida que me conheceram naquele primeiro ano de blog (PuccaSecrets squad!!) e é engraçado como a gente foi de "primeiro dia de ensino médio!!!!" para um bando de adulto formado que não faz ideia do que está acontecendo. Eu fico feliz em saber que eu descobri que a Disney mentiu com tantas pessoas maravilhosas. Mal vejo a hora de descobrir que De Repente 30 também mentiu junto com vocês! Obrigada por todos este anos de paciência e apoio e por ainda lerem o que eu escrevo, mesmo depois de eu abandonar vocês por meses!
Inicialmente, eu nem queria escrever uma lista de melhores coisas da década. Quer dizer, eu queria, para entrar no hype, mas eu não queria, porque para fazer uma lista de melhores coisas da década eu teria que simplesmente rankear coisas de acordo com uma base fosse ela gosto pessoal, opiniões de especialista, impacto cultural, etc. Por exemplo, se você me perguntar o melhor álbum de 2019 pessoalmente, a resposta é o álbum que eu tenho tatuado na pele, óbvio, mas se eu for dar minha opinião profissional enquanto formadora de opinião acerca da música (jornalista musical demais a bicha), eu seria forçada a dizer Cuz I Love You, da Lizzo. E ao mesmo tempo, é muito difícil escolher as melhores coisas da década quando grande parte das coisas que eu consumi na última década é de muito tempo atrás. Por exemplo, eu descobri meu livro preferido em 2013, mas ele foi lançado em 1871; Up In The Air (aka Amor sem Escalas) é um dos melhores filmes que eu vi na última década, mas ele foi lançado em 2009. E ainda tem o fato de que é bem díficil visitar minhas memórias antes de 2014 e antes de eu começar a tratar minha depressão direito. Mas ao mesmo tempo, muita coisa está registrada aqui, então eu sempre posso revisitar. E é por isso que eu resolvi fazer uma lista que não faz sentido algum. Ao invés de mandar os melhores da década, eu vou mandar COISAS QUE ACONTECERAM e que FORAM SIGNIFICATIVAS. Se vira aí pra desvendar se eu gostei ou não.

2010 — EU OUVI NO RÁDIO


Sim, eu sei que Tik Tok é 2009. Não, eu não to nem aí.
Logo no começo da década, já no dia 9 de janeiro, eu me mudei para um lugar sem internet, onde fiquei por um ano. Então minhas referências culturais foram limitadas, apesar de não completamente bloqueadas. Acontece, caro leitor, que um ano sem internet te ensina a recorrer a todo outro tipo de mídia. Eu fiquei, por exemplo, viciada em rádio já que logo descobri rádios que tocavam música pop no estado do Rio de Janeiro (não acontecia nas rádios da cidade em que eu cresci). Eu também comprei um número absurdo de revistas, assisti TV para cacete (já que eu finalmente tinha mais canais do que só Globo) e comecei a ler mais livros recentes e que se adequavam a minha faixa etária e ao ano em que eu estava (quando nos anos anteriores eu tinha lido 75% da Série Vagalume). 2010 foi, por exemplo, o ano em que eu assisti H2O: Meninas Sereias como série e não só como a versão filme, o ano em que eu vi episódios de Gossip Girl no SBT e descobri que minha amada Michelle Tranchtenberg fez parte da série e até mesmo fiquei viciada em KYLE XY!!!!!!!! desde já vendendo um pedaço da minha alma para Julie Plec. No sentido literário, eu li todos os livros da saga Crepúsculo, comecei Os Imortais (ainda um dos fave, VOCÊS QUE LUTEM) e comecei Percy Jackson e Os Olimpianos. Também comprei meu primeiro livro novo naquele ano (antes disso eu só tinha livros que foram comprados em sebo), que foi A Última Música do Nicholas Sparks, que ainda é o único livro do Nicholas Sparks que eu não vendi (exceto por O Milagre, que ainda está a venda no Instagram giulia.lojinha). Eu era die hard fã da Miley Cyrus na época e foi naquele ano que eu comprei meu primeiro CD da vida, que eu também tenho até hoje, o Can't Be Tamed. Quando foi anunciado que ela faria shows no Brasil em 2011 e rolou a ICÔNICA promoção Eu Quero Sym para conseguir participar do show exclusivo, eu participei, pagando mico em farmácia e tudo. Ainda fiz questão de ir gravar no dia do aniversário dela. Queria que o vídeo ainda existisse, mas ele queimou junto com o HD do computador do meu tio e uma das primeiras versões do meu primeiro livro. Eu também amava Demi Lovato e os Jonas Brothers pra caralho na época, então também sofri para caralho quando perdi o show deles em maio, apesar de estar a apenas três horas de distância deles. Além disso, eu tinha 12 anos, então no fim daquele ano eu também sofri quando vazou o vídeo da Miley fumando sálvia e a Demi foi parar na reabilitação. Foi um ano bem difícil, emocionalmente falando. Eu sei que você deve estar se perguntando como eu sabia disso tudo sem internet, mas colegas a combinação lan house uma vez no mês + os colegas de escola que tinham internet em casa sabendo de quais artistas que eu gostava, me mantinha informada desses momentos. Finalmente, aquele foi o ano em que eu comecei a escrever meu primeiro livro, que na época ainda se chamava One More Time, e quando eu comecei a escrever a INFAME fanfic conhecida por Songs, que foi publicada em vários lugares diferentes até desaparecer nas profundezas do meu arquivo de coisas que ninguém mais pode ler. 2010 foi um ano decisivo para eu me apaixonar por William Moseley, provavelmente porque eu não tinha muito a fazer com a minha vida além de copiar a página dele da Wikipédia no meu diário uma vez quando eu estava na lan house e reler tantas vezes que eu sabia ela de cor. Por isso Songs acabou surgindo. Mente vazia é oficina do diabo, galera. A playlist de Songs ainda existe no Spotify e não só ela dá um panorama legal do que acontece na história (já que o conceito da história é literalmente o fato de que cada uma dessas músicas lembra o casal principal de uma coisa sobre o relacionamento deles), ela também é um panorama legal do que eu ouvia naquela época.



2011 — VAMPIRO EM PELE DE CORDEIRO
AAhh, 2011. Por onde eu começo a falar sobre você? Outra mudança no começo do ano, dessa vez para a capital do Rio. Passei, de novo, grande parte do ano sem internet em casa, mas dessa vez eu tinha internet na escola e na casa dos meus tios que ficavam dois andares abaixo da minha. Foi assim que o Quebrei a máquina de escrever nasceu, como PuccaSecrets, no meu primeiro dia de aula do 9º ano do ensino fundamental. E aquele ano foi bem formativo para a mim do ponto de vista cultural. Por exemplo, perder o show da Miley Cyrus no dia 13 de maio depois de tudo que eu fiz para ir naquele show ajudou a formar meu carácter e eventualmente me transformou na pessoa que se aproximou tanto dos próprios fav que eles não conseguem conceber fazer show no Brasil sem que eu esteja presente, com nome na lista. Pois é, galera, foi tudo parte do meu grande plano. (Disclaimer porque eu sei que vai ter gente que vai vir me xingar: É brincadeira. Minha conexão com meus bebês são a coisa mais importante do mundo para mim, e elas sabem disso).
Mas além de chorar quando eu não conheci a Miley, chorar quando Hannah Montana acabou (secando minhas lágrimas com minha toalha de Hannah Montana e tudo), chorar quando a Demi saiu da reabilitação, chorar pela primeira vez (mas definitivamente não pela última) quando uma música estreou com Skyscraper, finalmente terminar o ano chorando quando anunciaram o show da Selena no Brasil e as coisas começaram a dar errado, eu também tive tempo de conhecer o outro amor da minha simples vida de 13 anos: Nina Dobrev.

Vocês lembram quando The Vampire Diaries ainda tinha DIÁRIOS??
Como deliciosamente explicado neste post de 2012, eu comecei a ver The Vampire Diaries depois de descobrir Nina Dobrev em um dos meus momentos de internet e resolver que eu precisava assistir a série. E aí eu fiquei viciada, baixando os episódios da série via ORKUT e assistindo no computador com Windows 2000 que minha mãe comprou pra que a gente conseguisse fazer trabalho de casa. Foi uma época bem estranha, mas os sacrifícios que eu faço quando fico obcecada por uma atriz não conhecem limites (Kira Kosarin tá aí de prova). A questão é, para os padrões de 2011, The Vampire Diaries era a melhor série de todas, ao ponto de que eu simplesmente conversava sobre a série com meu professor de matemática da época, cujo nome eu nem lembro, mas que sei que amava o Kevin Williamson e assistiu não só TVD, como The Secret Circle, série também baseada nos livros da L. J. Smith cujo cancelamento eu ainda remoo às vezes. (Side note: Esse professor de matemática só foi meu professor a partir de março. O motivo é que a professora que entrou o ano dando aula na escola foi demitida uma semana depois de ter tido uma altercação comigo. Não que eu ache que o motivo da demissão foi a altercação que ela teve comigo, mas tudo que eu sei é que 6 anos depois, quando eu a encontrei na Bienal de 2017, eu saí correndo. Qual foi a altercação, você se pergunta? Um belo dia ela fez um comentário, que ela repetia sempre, sobre o que ela queria na semana seguinte. Aí eu mimiquei o que ela fez, revirando os olhos e repetindo. A sala estava um caos e eu estava lá no fundo, não imaginei que ela fosse perceber. Mas ela percebeu e começou a gritar comigo sobre como revirar os olhos era falta de educação, tão alto que a sala inteira ficou quieta para ver. Mas aí aconteceu uma coisa mágica: Enquanto eu simplesmente encarava a professora, sem tentar me defender, várias pessoas da sala começaram a me defender, dizendo que eu era tão quietinha que eu nunca faria isso na minha vida. Eu tinha feito, mas a professora ainda estava gritando e eu fiquei emocionada quando me defenderam. Eu não faço ideia se eu cheguei a esclarecer que eu realmente tinha feito aquilo algum dia, mas as pessoas tinham tanta certeza que eu não tinha feito que eu comecei a duvidar que eu tinha feito. Eu faltei aula na semana seguinte e na próxima ela já tinha sido demitida. Me disseram que foi por outra briga que ela arranjou com a coordenação da escola, mas até hoje eu me pergunto se foi culpa minha. Eu sou uma pessoa ruim? Não respondam).
Em setembro daquele ano eu finalmente tive internet em casa com a chegada do novo computador que mamãe pode comprar e acompanhei a terceira temporada de The Vampire Diaries e a única temporada de The Secret Circle sofrendo apenas pelo fato de que série da Julie Plec é só sofrimento mesmo. Agora imagina qual não foi a minha felicidade quando duas das minhas atrizes preferidas do ano anterior, que nem eram americanas, apareceram do nada na CW. Phoebe Tokin e Claire Holt indo de sereias a vampira e bruxa (e eventualmente loba/hibrida) e atuando no mesmo canal e depois juntas de novo foi simplesmente TUDO pra mim e sinceramente, sempre será. Ainda não superei.
Outros momentos impactantes foram, naturalmente, a minha primeira Bienal do Livro, o livro A Hospedeira da Stephenie Meyer (que é muito melhor que Crepúsculo, FIGHT ME), o livro True da Hilary Duff e, é claro, a trilogia Wake (Wake, o primeiro livro, foi literalmente o primeiro livro que eu li no ano e li de uma vez só, dia 1º de janeiro) e provavelmente o fato de eu ter passado o mês de abril inteiro falando do cara que era o único homem que eu considerava bom o suficiente para ser citado com certa constância. Aquele também foi ano em que ele começou a namorar a Kelsey Asbille, que na época usava Kelsey Chow. Exceto que eu também falava muito sobre o Justin Gaston, que naquele ano ficou noivo da atual esposa e mãe das filhas dele. Mas isso é o bastante sobre homens brancos, outra coisa que aconteceu naquele ano foi o dia em que o site do Disney Channel liberou As Fabulosas Aventuras de Sharpay de graça por 24 horas e eu fui na casa do meu tio assistir ao filme todinho porque eu desconheço o conceito de limites. E eu tinha 13 anos, não tenho arrependimento algum. 2011 foi um ano culturalmente confuso.

2012 — FIM DO MUNDO?
De todos os anos, 2012 provavelmente foi o mais deliciosamente catastrófico de todos. Musicalmente e audiovisualmente falando foi ano em que eu comecei a assistir Glee e o último ano em que Glee fez algum sentido. Também foi ano em que Pitch Perfect saiu e mudou a história do cinema. Também teve Os Vingadores, I guess? Eu minha mãe e minha irmã íamos para o cinema demais naquele ano, o que levou a grandes momentos como a vez em que eu tive uma crise de pânico na sala de cinema quando a gente estava vendo O Que Esperar Quando Você Está Esperando no dia 10 de agosto de 2012, o que me levou ao hospital e fez com que eu só visse o final desse filme em 2015!!! Mas ao mesmo tempo, eu também tentava desenvolver meus próprios gostos usando séries e livros para me distraírem da crescente depressão que eventualmente culminou em terapia e antidepressivos no fim do ano. Foi o ano em que eu comecei a ler Harry Potter, por exemplo, e eu lembro que na minha primeira consulta com o psiquiatra, eu comecei Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mais infos sobre os filmes, séries e livros que eu vi/li naquele ano vocês podem encontrar nos posts do Movies & StAff do Diário de Bordo 2.


Além disso, 2012 foi o ano em que eu acrescentei Candice Accola à minha lista de Divas™ (eu era muito crente, então eu não dizia ídolas porque a Bíblia diz que não pode ter ídolo. Mas eu também era muito gay no armário então eu só era fã de mulher). Então foi o ano em que eu me viciei no álbum dela It's Always The Inocent Ones (que não tá no Spotify porque não existe justiça), comecei a assistir Drop Dead Diva (séries PERFEITAS com finais HORRÍVEIS) e assisti minha primeira websérie, a mais icônica de todas, Dating Rules From My Future Self. A série é boa mesmo na temporada sem a Candice, mas também é importante que fique claro que essa série destruiu minha vida ao se tornar uma parte grande demais da minha personalidade. 7 anos depois, a criadora da série, Shiri Appleby, dirigiu um episódio de outra série em que a personagem da Kira morria então claramente ela trabalha contra mim, pessoalmente.
Outra parte considerável da minha vida naquele ano foi Selena Gomez. Eu já comecei o ano meio enlouquecida porque era para eu ir ao show no dia 4 de fevereiro, mas acabou não dando certo porque a FODIDA da HSBC Arena só aceitava cartão de crédito para dar desconto. Por isso o banco faliu. Eu sofri muito naqueles dois primeiros meses, mas depois acabei me convencendo que não era Vontade de Deus™ e que eu iria no próximo show que a Selena viesse fazer aqui. E aí ela nunca mais voltou e agora eu peguei ranço dela por causa do fandom, então esses rumores de que ela está vindo não mais me afetam :) :)

2013 — PSYCHOBITCH
Ah, 2013. Doce, caótico, enlouquecedor 2013. Dois mil e treze foi meu ano rebelde, talvez por ter sido o ano em que eu descobri que era definitivamente não-hétero (o que não significa que eu não passei os dois anos seguintes em negação né). Na verdade, eu defini minha sexualidade naquele ano caótico como "há controvérsias" porque claro que eu tava apaixonada pela única pessoa por quem eu já senti atração romântica, ao mesmo tempo que tinha me convencido de que era completamente hétero, sim. Mas isso aqui não é sobre a minha vida pessoal é sobre as minhas INFLUÊNCIAS CULTURAIS. Eu só citei minha sexualidade, porque ela é 100% culpa de uma vampira de 138 anos (132 na época) chamada Carmilla. Na verdade, Carmilla só entrou na minha vida depois que eu li o conto Outra Vez na Escuridão da Carolina Munhóz e decidi que precisava do conceito de mulheres gays do mal para sobreviver por aquele ano. E até o presente dia, bruxas, vampiras, fadas e qualquer outra criatura mítica pra mim só serve pra mim se for gay e assassina.
Eu sempre fui uma criança meio creepy, mas 2013 possibilitou que eu me tornasse uma pessoa Creepy com Referências. Por exemplo, antes de 2013, se você me dissesse que só gosta de "vampiros reais", eu provavelmente só reviraria os olhos. Depois de 2013, se você fala um negócio desse na minha frente, recebe duas horas de palestra sobre casos reais de vampirismo espalhados pelo mundo. Tá achando que isso aqui é palhaçada, ô viúva do Lestat? Em 2013 apenas eu li Drácula duas vezes, Carmilla seis vezes, Fade (meu livro preferido no começo daquele ano) quatro vezes. Eu escrevi 128 posts aqui no blog e mantive quatro fanfics pela maior parte do ano, além de ter sido o ano em que eu terminei de escrever meu primeiro livro que também naquele ano recebeu o título oficial de Mais Uma Vez. Também foi o ano em que eu fui parar em seis recuperações e foi o primeiro ano que eu tive impulsos suicidas. Não dá para vencer todas.
Musicalmente, foi o ano com meu pior gosto musical da vida e eu terei 89 anos e ainda não vou ter me perdoado pela playlist da minha festa de 15 anos. Por outro lado, aquela foi a última vez em que eu simplesmente forcei todo mundo a ouvir as músicas que eu queria que eles ouvissem, independente de quão ruins elas eram. Eu preciso de mais dessa coragem, ao mesmo tempo que preciso da força de vontade que eu tenho hoje em dia para lembrar a pessoas que SE EU PEDI PRA NÃO TOCAR AOS OLHOS DO PAI, NÃO É PRA TOCAR AOS OLHOS DO PAI. Eu nunca vou superar o fato de que a única coisa que eu pedi no meu aniversário de 15 anos foi desrespeitada. É esse o motivo pelo qual eu não terei cerimonialista no meu casamento. E EU NEM SEI SE TEREI CASAMENTO. Voltando pro assunto, a questão é que eu passei todo ano de 2013 ouvindo músicas pesadas e ruins e adicionando novos palavrões em inglês ao meu vocabulário, e eu vou fechar essa parte do post com um ótimo exemplo disso:



2014 — ANTIDEPRESSIVOS NATURAIS
Eu sinto que 2014 foi um grande precursor da forma como eu usaria a cultura pop e as mídias nos anos seguintes. Sabia que usar livros e filmes e séries para te aliviar da dor profunda da existência faz com que você desenvolva um relacionamento tóxico com essas coisas? Eu sei!! Incrível! 2014 foi o ano em que eu li mais livros (pela primeira vez. Eu acho que nos anos anteriores eu li mais livros no geral, mas eu lia o mesmo várias vezes), o ano em que eu desenvolvi um sistema doentio de acompanhamento de séries de TV e o ano em que eu tentei e falhei miseravelmente em fazer uma SUPERMARATONA DE FILMES (que acabou com dois filmes porque eu fiquei obcecada pela Zoey Deutch e não consegui assistir mais nada além dos dois filmes com ela que eu assisti).
Depois que a minha mãe morreu, em abril, eu comecei a fazer muita coisa porque me lembrava ela, mesmo que inconscientemente. A última coisa que eu e minha mãe fizemos juntas foi assistir Revenge (ela começou a passar mal no meio do episódio novo), então se qualquer pessoa me perguntar, até hoje, a quarta temporada é a melhor temporada da série (eu chorei quando descobri que ela tinha sido cancelada). Eu também comecei a assistir Liv e Maddie com vontade, já que eu e minha mãe assistimos a estreia juntas e mesmo que o fato de que as duas personagens eram interpretadas pela mesma pessoa me deixasse agoniada, o fato de que minha mãe amava a série falava mais alto. Também teve o show da Demi Lovato que eu considero meu primeiro show oficial por ser o show de alguém que eu gostava (o que faz as pessoas acharem que eu sou super fã da Demi até os dias de hoje, quando, na verdade, eu só ouço as músicas novas dela depois que a Kira faz cover) (oops) (não vou explicar os motivos de eu ter me distanciado da Demi, porque não é o momento, porque eu não quero que o fandom venha tentar me matar e porque se eu for falar mal de ex-Disney nesse post, falarei mal de Selena Gomez.), que foi o último presente de aniversário da minha mãe para mim. A forma como minha família reagiu à minha vontade de ir a este show e a forma como algumas pessoas me tratam até hoje por causa disso é algo que ainda me irrita em um nível sobrenatural. Eu nunca consegui perdoar meu tio por algumas coisas que eu ouvi no final de semana do show e agora ele morreu também então ESSA QUESTÃO NUNCA SERÁ TRABALHADA. Por outro lado, minha família estava se sentindo culpada, então eu passei o ano seguinte ganhando todos os livros que eu queria e lendo todos os livros que eu queria. Eu provavelmente trocaria os livros por menos traumas emocionais no primeiro ano depois da morte da minha mãe, mas agora já foi.

2015 — TRUE_LOVE_(PIANO_DUET)_-_DOVE_CAMERON_FEAT._JORDAN_FISCHER.MP3
2015 foi o ano em que eu entrei na faculdade então eu mal consumi qualquer tipo de mídia que não fosse curta. Webséries, vídeos do YouTube, séries de 30 minutos da MTV (FAKING IT, VOLTA PRA MIM, POR FAVOR) (pausa: noite passada eu sonhei que namorava a Rita Volk. Só queria compartilhar mesmo). Qualquer coisa que não levasse muito tempo e não me desse a sensação de que eu estava desperdiçando tempo que eu pudesse estar usando na faculdade. Estamos claros? Agora vamos à parte importante.

Bem, eu acabei de perceber que vou completar a idade que a Mandy tinha quando eu conheci ela e quando o clipe de Reflections foi gravado. CRISES.
Era 12 de fevereiro de 2015, e eu estava tentando falar o mínimo possível por motivo algum além de que eu queria saber se sobreviveria a dois dias de descanso vocal. Eu passei a primeira parte do dia organizando e carimbando meus livros com meu então novíssimo carimbo (que eu tinha comprado no dia anterior, mas que quase cinco anos depois ainda funciona perfeitamente) e reorganizando eles na estante; e a segunda parte do dia largada no sofá da minha tia, com um livro no colo, mas ignorando ele para ficar no celular, quando eu passei por um Vine que já tinha visto 500 vezes e resolvi finalmente tirar um tempo para pesquisar a música que tocava no fundo. Nos primeiros dez segundos de música eu já estava apaixonada. E esses dez segundos definiram todo resto.
Em 2015 eu descobri todos os amores da minha vida, mesmo que eu ainda não soubesse que eles seriam os amores da minha vida. Até meu gato foi adotado em junho daquele ano (e recebeu o nome do baterista de MisterWives). Eu só criei uma conta no Spotify para ouvir MisterWives e a partir do Spotify, eu fui apresentada a Bahari em setembro. Por causa de MisterWives eu também descobri o The Wild Honey Pie, que me apresentou a uma série de novos artistas e se tornou o lugar dos sonhos para onde eu queria escrever (spoiler alert: eventualmente eu consegui). Um desses artistas foi a banda Ra Ra Riot (que eu tecnicamente já conhecia, da trilha sonora de A Última Música) que eu vi ao vivo ano passado, e cujo primeiro álbum deu nome ao meu primeiro livro, A Linha de Rumo. Esse livro foi escrito em novembro de 2015 e durante a escrita dele eu costumava deixar a TV ligada como ruído de fundo, e foi graças a isso que eu assisti meus primeiros episódios de The Thundermans. Está tudo conectado. TUDO.

2016  — ALTAR OF THE SUN
Apesar de tê-las encontrado em 2015, foi em 2016 que Bahari se tornou tudo na minha vida e foi minha obsessão real pelo ano inteirinho. Ajudou o fato de que elas começaram o ano com uma música só, mas logo em maio já lançaram um EP inteiro e destruíram minha vida completamente. 2016 me trouxe de volta ao pop chiclete, e quando as meninas entraram em turnê com Selena Gomez, 2016 me trouxe de volta a ela. Eu estava louca para ir à Revival Tour que chegaria ao Brasil no fim daquele ano, mas foi cancelada porque a Selena ficou doente. Não que eu esteja brava com ela por ter ficado doente, mas eu sinto que aquela teria sido minha última chance de realmente aproveitar um show dela. O ano seguinte meio que destruiu minha percepção da Selena e apesar de originalmente ter escrito sobre isso, eu acabei deletando porque a verdade é que não existe muito que possa ser feito nesse sentido e eu tenho amigos demais que ainda adoram essa mulher para arranjar treta.
O que me fez reencontrar Bahari, por assim dizer, foi a série que era minha série preferida na época. Quando The Royals tocou Wild Ones durante o primeiro beijo sáfico da série, eu pensei que fosse um sinal. E foi um sinal de que eu precisava pesquisar mais sobre Bahari e eventualmente me tornar próxima das três e estabelecer os tipos de precedências perigosas que definiriam meus relacionamentos com todas as pessoas de quem eu me arrisco a ser fã. Porém, também foi um sinal das tendências predatórias de Mark Swahahawswd (eu ia pesquisar como realmente se escreve, aí eu me dei conta de que foda-se), o criador da série. Eu passei o ano inteiro de 2016 esperando pela terceira temporada e falando sobre todas as formas em que a sexualidade da Eleanor poderia ser explorada, mas ao invés disso, a gente ganhou a completa ignorância do fato. Eu nem sei se depois fizeram alguma coisa, porque eu abandonei a série no segundo episódio da terceira temporada e sinceramente, eu nem sei se a série ainda está no ar ou o que aconteceu no final. E é incrível como eu não to nem aí.

Gifs que te deixam triste.com.br
2016 também teve Noralise em The Vampire Diaries (que eu continuei assistindo depois que a Nina saiu porque eu sou masoquista), cuja morte na 7ª temporada fez com que eu perdesse totalmente a vontade de ver a 8ª temporada (e eu não vi até hoje) (sério, mesmo com os casais queer em The Originals e Legacies, eu simplesmente não consigo ter vontade de voltar ao universo. É demais pra mim.). E foi o ano em que eu saí do armário (por que será né?). Foi um bom ano culturalmente, mesmo que para o conceito geral tenha sido o ano do apocalipse. Enquanto isso, em abril de 2016 eu comecei a seguir a Kira nas redes sociais todas e em setembro de 2016 eu vi o cover que faria com que eu me apaixonasse por ela. Aí veio 2017.

2017 — PADRÃO MÍNIMO
Sabe como eu disse que Bahari estabeleceu a forma como eu lidaria com qualquer outro ídolo que eu tivesse? Quando 2017 chegou eu já conversava com as meninas tranquilamente sobre os bichinhos delas, a família delas e eu já era uma estranha parte ativa da vida delas que futuramente eu ia descobrir que fez mais diferença para elas do que eu pensava. Com esse tipo de relacionamento ativo eu não ia deixar qualquer atriz fofinha da Nickelodeon chegar na minha vida com tudo e simplesmente não reciprocar as coisas não, colega. Não interessa quão maravilhosa e parecida comigo ela fosse. Se ela queria entrar na minha vida, só com amizade completa incluindo pacto de sangue. Mentira, quando ela virou minha amiga, eu já estava completamente obcecada e disposta a dar minha vida por ela.

MY LIL BEEEEAN
2017 foi todo sobre a Kira e sobre me apaixonar pela Kira e então me apaixonar por mim mesma quando eu percebi que a Kira me amava de volta. Porque se eu mereço o amor da Kira eu não vou me submeter a coisas medíocres. E ninguém é perfeito, mas a Kira me ensinou muito sobre o que esperar das pessoas com quem eu tenho contato. Ninguém nunca vai ser ela e eu não espero que sejam (ela é minha alma gêmea, o resto de vocês são resto), mas eu também não aceito qualquer bosta quando eu tenho ela.
Então sim, quando, mais tarde naquele ano, William Moseley foi O ÚNICO membro da equipe de The Royals que não se pronunciou oficialmente e não "tomou lados" depois que 40 mulheres denunciaram assédio e abuso sexual causado pelo criador da série, eu não fiquei para trás inventando desculpas para ele. Eu o enterrei internamente e grande parte do tempo eu até esqueço que ele existe. E eu não estou falando que ele é uma pessoa ruim que merece ser canceladas (não que eu acredite que cancelamento faça alguma bosta). Só que se eu discordo de alguém tão fundamentalmente, eu não preciso criar desculpas para adultos, mais velhos que eu. E eu me lembro de ter 12 anos e dizer que se a Miley continuasse fazendo algumas coisas eu não seria mais fã e ser xingada por outros fãs por três dias seguidos. Se eu soubesse na época que só porque algumas pessoas tiveram impactos positivos na sua vida, você não precisa se prender a elas como se fossem o único bote em um alagamento e você tivesse 100% de certeza de que tem leptospirose na água, minha vida teria sido mais fácil. Eu sempre tratei todo mundo de quem eu era fã como se fosse meus amigos, mas ter uma ídola que também é minha amiga me fez perceber que muitas vezes eu tratei meus amigos de uma forma bem errada. Existe agora o mínimo do que eu aceito e se você não me oferece, byeee bitch.

2018  — O ANO QUE NA VERDADE NÃO EXISTIU
Quanto mais eu penso em 2018, mais eu acho que esse ano foi mentira. Sabe qual foi o momento da cultura pop mais importante de 2018? O lançamento do MEU primeiro livro, A Linha de Rumo. Eu sei, eu sei, mas errada eu não tô. Quer dizer, SPY saiu em março, mas a Kira tirou do Spotify cinco meses depois. Bahari lançou Fucked Up, Savage e Chasers, mas aí em setembro a Sidney saiu da banda. MisterWives não fez nada, mas era ano par e ano par é o ano de folga deles (exceto este ano, porque eles não lançaram álbum ano passado, então são forçados a lançar este ano). Eu acho que eu preferi deletar o ano como um todo da minha cabeça, no ponto cultural. Ao mesmo tempo, foi o ano em que eu li O Ódio Que Você Semeia e A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro, comecei a ouvir My Favorite Murder, o ano em que Love Daily, On My Block e All About the Washingtons saíram e o ano em que eu fiz A Maior Retrospectiva de Todos os Tempos. Então o ano existiu. Em algum nível.
Uma prova é que na playlist que eu fiz para este post, a maioria das músicas que eu adicionei foram de 2018:




2019  — CULTURAL BOMBSHELL
Em 2019 eu li três livros, e um deles foi meu próprio livro lançado naquele ano, Vozes. Também em 2019, eu comecei o projeto de ir ao cinema uma vez por mês, mas mesmo tendo sido um ano em que eu vi mais filmes do que normalmente vejo, ao invés das desejadas 12 visitas ao cinema, eu terminei o ano em 9. E eu jurava que depois que já que eu comecei a escrever para o The Wild Honey Pie, em 2019 eu ouviria mais músicas do que eu podia controlar, mas na verdade eu basicamente só ouvia o lançamento mais recente da Kira dependendo do mês em que estávamos e aí quando o Off Brand saiu, eu fiz duas tatuagens dele e só ouvi ele o resto do ano todinho. Eu também não escrevi tanto assim ano passado, como vocês podem ver no número de posts publicados aqui e o fato de que eu não terminei o NaNoWriMo ano passado. Então que caralhos eu passei 2019 fazendo? Elementar, meus caros leitores, VENDO SÉRIE.
Eu assisti tanta série em 2019 que eu ia dizer que dava para escolher uma obsessão televisiva por mês, mas depois eu percebi que teve mês que eu assisti mais de uma série de uma vez só. Teve semanas que eu assisti mais de uma série de uma vez só. Eu só assistia série. Terminava uma e eu começava outra para não sentir falta da uma. As storylines não se bagunçaram na minha cabeça apenas porque meus dois neurônios pertencem à televisão agora. Principalmente, às duas únicas séries que não têm defeitos na televisão mundial 9-1-1 e New Amsterdam (Eu queria dizer que eu até gosto de Grey's Anatomy, mas New Amsterdam é tão melhor que Grey's Anatomy que eu entraria numa briga de faca com qualquer fã da série. Incluindo a Kehlani). E tem mais tanta série boa demais para ser tão pouco conhecida e que agora faz parte da minha vida que eu quero recomendar, que se eu escolher só algumas, eu eventualmente vou começar a falar de todas. Então ao invés de te contar quais séries eu assisti em qual mês, eu vou fazer uma relação de séries assistidas em 2019 e dizer quais eu recomendo e onde você pode assisti-las, beleza?


A Freema quando renovaram a série por mais 3 temporadas DO NADA.
The Innocent Man (Netflix) (45 min/episódio)  — Eh, se você gosta de documentários sobre crimes, assiste
American Crime Story: The Assassination of Gianni Versace (Netflix) (45 min/episódio)  — ASSISTA
Special (Netflix) (15 min/episódio)  ASSISTA
Bonding (Netflix) (15 min/episódio)  Essa é complicada, mas eu diria assista. Aviso de gatilho pra bifobia, mas menor que a bifobia de Someone Great.
The Disappearence of Madeleine McCann (Netflix) (45 min/episódio)  — Eh, se você gosta de documentários sobre crimes, assiste
Manhunt: Unabomber (Netflix) (45 min/episódio)  — ASSISTA
Dead to Me (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA
No Good Nick (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA. Foi cancelada, mas "tem final".
The Most Popular Girls In School (YouTube) (3-12 min/episódio)  ASSISTA E MANDA TWEET PRO ESTÚDIO MANDANDO LIBERAR A SEXTA TEMPORADA
Light as a Feather (Hulu) (30 min/episódio)  ASSISTA, E MANDA O HULU RENOVAR
Shrill (Hulu) (30 min/episódio)  ASSISTA. Eu vi no Hulu quando estava nos EUA e ainda não assisti a segunda temporada, mas assista.
Schitt's Creek (Netflix, mas só nos EUA) (30 min/episódio)  ASSISTA
Derry Girls (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA
Trinkets (Netflix) (30 min/episódio)  ASSISTA
The Office (Amazon Prime) (30 min/ episódio)   Pelo amor de Deus, é The Office
Family Reunion (Netflix) (30 min/episódio)  Não é a série mais engraçada do mundo, mas é boa de assistir enquanto você tem um colapso nervoso
9-1-1 (Fox Life e FoxPlay) (42 min/episódio)  ASSISTA
New Amsterdamn  (Fox Life e GloboPlay)  (42 min/episódio)  ASSISTA
The Marvelous Mrs Maisel (Amazon Prime) (42 min/episódio)  Já falei que é pra assistir lá no Instagram.

Isso, é claro, são as séries que eu comecei e assisti ano passado. Não levando em consideração naturalmente, a terceira temporada de One Day at a Time (Netflix), a segunda de On My Block (Netflix), a sexta de Brooklyn Nine-Nine (site da NBC + VPN), a terceira e a maior parte da quarta temporada de The Good Place (Netflix), a terceira e a quarta parte de Patriot Act (Netflix), as três temporadas de Fuller House (Netflix) que eu assisti naquele ano, uma temporada do BuzzFeed Unsolved: True Crime (YouTube), a última temporada de Last Life (YouTube) e duas temporadas de Santa Clarita Diet (Netflix) que terminou de um jeito que me faz querer comer o CEO da Netflix de porrada. Foi tanta série que superou minha memória e aí eu levei um susto ontem quando fui checar o TV Time e descobri que meu número de episódios de série assistidos chegou a 5 mil episódios.

E é isso. Como vocês podem notar, eu não sou uma pessoa culta, mas sou uma pessoa de cultura. E sinceramente, eu vou parar de rebaixar meu gosto para arte toda vez que eu falar sobre. Sim, eu vou ver o Oscar amanhã e o único filme inteiro que concorre que eu assisti é Joker, mas se Joker prova qualquer coisa é que não vale a pena ver os outros filmes indicados. (Me processa, academia, ME PROCESSA). Pelo menos não os feitos por homens brancos, ou seja, 92% dos filmes.
G.

P.S.: Caso você tenha esquecido, POR FAVOR, APOIE VOZES NO CATARSE. Quero muito fazer esse projeto deslanchar. Amo vocês, bjs.

23/12/2019

NaNoWriMo 2019: A coisa mais difícil que já precisei fazer

Escrever é difíciiiiiiiiiiiiiiil. Eu não sei como as pessoas fazem isso profissionalmente e eu tenho feito isso profissionalmente desde que me entendo por gente. Principalmente quando é sobre algo com o que você se importa ou algo que te faz visitar as profundezas do seu ser em busca de sentido para conseguir transformar em palavras. É cansativo e horrível e te deixa ismdimdimdfjdfjbfjbfjdb, sabe? Eu tive um ano difícil de escrita porque eu tive um ano difícil no geral. E não foi porque escrever ficou chato ou porque eu não gosto do que estava escrevendo. É o oposto, eu amo o que eu estou escrevendo, então eu não quero enfrentar o que preciso fazer. É bem mais fácil chegar em casa e assistir 12 episódios seguidos de The Office, que, por sinal, eu já estou terminando, mesmo que eu tenha começado em outubro. É bem mais fácil limpar meu apartamento novo todinho, culpar o trabalho pelo cansaço emocional e esquecer da vida.
Eu começo o post assim porque eu queria ter postado ele na primeira semana de dezembro. Depois eu tinha certeza que ele ia sair antes do fim da primeira quinzena e depois eu precisava terminar ele dia 19 de dezembro, porque é aniversário da Mia e eu devia ao mundo dizer o que exatamente aconteceu com o livro dela. Mas ao invés disso, já estamos no dia 23, oito dias para o fim do mês e eu só estou escrevendo agora (dois dias atrás) porque preciso pegar meu ônibus às 15 horas e eu disse a mim mesma noite passada, antes de ir dormir às 10, que eu acordaria cedo para terminar esse post. Não é a obrigação que me move até aqui, mas o fato de que eu preciso deixar meu quarto novo arrumado antes de viajar. Então, vamos lá, tentar fazer o melhor possível.

Prólogo
O NaNoWriMo 2019 começou normal. Completamente. Eu comecei a escrever à meia noite do dia primeiro (já que este ano não tem horário de verão, porque normalmente eu posso começar às 23h do dia 31), e escrevi mais de 5 mil palavras no primeiro dia, meta pessoal alcançada. Escrever de dia é difícil normalmente no meu apartamento em Conquista porque o sol da tarde bate diretamente contra a parede e a casa parece um forno. Mas no segundo dia foi difícil escrever durante o dia por outros motivos. Eu sabia que escrever sobre uma personagem que perdeu a mãe aos 16 anos e teve vários problemas com a família seria muito pesado para mim, o que eu não imaginava é que tão no comecinho, eu já me sentiria tão mal. Existem momentos em que escrever quando eu me sinto mal é fácil, porque me ajuda a entender as coisas. Aqueles dias não foram um desses momentos. Eu consegui me forçar a escrever por mais tempo e apesar de ficar para trás na minha meta pessoal depois do terceiro dia, eu consegui me manter acima da meta do NaNoWriMo até o quinto dia, quando eu cheguei a 12.357 palavras. Naquela noite, eu acabei atualizando minha contagem de palavras um pouco tarde demais e a contagem entrou no dia 6. O site do NaNoWriMo foi atualizado no último ano e àquela altura a opção de editar a contagem de palavras ainda não estava disponível, além de que sempre tinha algum bug no gráfico. Foi quando minhas frustrações meio que desmoronaram e eu fui dormir sem continuar escrevendo à noite porque eu simplesmente não conseguia.
No dia 6, eu tive uma sessão de terapia e minha psicóloga comentou que eu parecia emocionalmente exausta. E eu disse a ela que eu sentia como se as coisas estivessem por um fio e como se faltasse uma coisinha a mais que puxasse esse fio e ativasse a descarga de sentimentos descontrolados que estavam dentro de mim. Conversamos sobre o que eu poderia fazer para me sentir mais confortável, e eu acabei transformando o dia em dia de cuidados pessoais. Fui ao shopping, comprei cortinas novas para que meu quarto ficasse mais fresco e, na verdade, acabei gastando dinheiro demais em novas roupas de cama. (spoiler alert: mais ou menos um mês depois, eu vendi minha cama e agora quero comprar de casal, então o dinheiro que eu gastei aquele dia só vai valer a pena se eu ganhar o sorteio do shopping e ganhar um apartamento com um carro na garagem). Depois, fui pra casa e deitei confortavelmente na minha cama, assistindo The Office pelo resto do dia. Eu já tinha postado no fórum do NaNoWriMo sobre o problema da edição da contagem de palavras, mas como ainda levaria alguns dias para o problema ser resolvido, eu pensei que se eu pulasse um dia de escrita, meu gráfico pelo menos ficaria "certo". Péssima ideia. Chegar no dia 6 e desistir de escrever todo dia? Simplesmente horrível, mas foi o que eu fiz.
No dia 7 eu voltei a escrever, assim como no dia 8, mas eis que do dia 8 para o dia 9 o problema se repete e a contagem de palavras só entra no dia 9. Foi aí que a coisa ficou feia de verdade. Escrevi um textão no fórum do NaNoWriMo super triste e agoniado que finalmente recebeu resposta sobre a atualização da função de editar a contagem de palavras, que foi trabalhada pelos próximos dias. Eu só consegui voltar a escrever depois que a função foi restabelecida e eu pude editar minha contagem de palavras, no dia 13. Vocês entendem o problema depois disso né? Porque a ideia do NaNoWriMo é manter você escrevendo todos os dias, mesmo que não seja com a mesma quantidade de palavras. Alguns dias vão ser bons e outros ruins, mas a ideia é escrever todos os dias. Uma grande parte do que me fazia escrever todos os dias, mesmo que fosse 15 palavras, são os badges que o NaNoWriMo oferece conforme você vai escrevendo. Escrever todos os 30 dias do mês resulta em um badge de 30 dias escritos que libera as cargas de serotonina para o meu cérebro. O badge ainda está lá, mas o site novo estava tão bugado que tomava e tirava badges aleatoriamente, o que era bem frustrante. Outra coisa eram os writing buddies ou os amigos. O site novo fez com que a gente perdesse todos os buddies e precisasse adicionar de novo, então eu perdi todo o histórico das pessoas que conheci por causa do NaNoWriMo e muitas delas nem têm mais acesso às suas contas antigas então suas contas nem existem mais. Nunca pensei que fosse ficar triste por isso, já que eu torço para outras redes sociais deletarem contas inativas, mas aqui estamos. É claro que as minhas frustrações com os problemas do site eram mais um sintoma do que a causa de porque eu simplesmente não conseguia escrever.

História
Eu sabia o que queria escrever e como queria escrever, mas eu não conseguia. Esse é um problema frequente, pra falar a verdade e um problema que eu percebi ser bem comum, conversando com outros autores. Quanto mais você se importa com o que você está escrevendo, pior. Eu escrevo constantemente. O twitter é minha rede social preferida por um motivo — um microblog significa que eu estou sempre fazendo miniposts de blog. Quando qualquer coisa acontece, minha primeira reação é escrever sobre, antes mesmo de processar a situação e para processar a situação. Ao mesmo tempo, eu sou escritora, o que quer dizer que se eu não estiver trabalhando no que eu preciso escrever, é como se eu não estivesse escrevendo. Então, é fácil sentir como se a meta de "escreva todo dia" não estivesse dando certo, mesmo que eu esteja escrevendo todos os dias. Nem que sejam mensagens longas e melosas que eu mando para a Kira e edito um milhão de vezes antes de enviar. 
Eu entrei em 2019 sentindo que seria um grande ano para a escrita. Porque eu escreveria meu TCC de vez, escreveria o livro-reportagem e, depois da formatura, teria seis meses inteiros de escrita. Seis meses, com o NaNoWriMo no finalzinho deles. E só depois eu conseguiria um trabalho. Ao invés disso, eu não consegui parar quieta até conseguir um trabalho. E o trabalho foi a principal fonte de dores de cabeça e desespero para mim durante o ano inteirinho. Era como se eu não fosse me sentir segura até conseguir um emprego. Como se nada desse certo até eu ter estabilidade. E agora que eu consegui, eu simplesmente me recuso a me agarrar à estabilidade. Todo mundo quer e espera que eu trabalhe para conseguir estabilidade e trabalhar com isso para o resto da minha vida, mas eu só disse sim para trabalhar com política porque é um contrato de um ano.
Mas vamos com calma. O NaNoWriMo saiu dos trilhos mesmo depois de eu ter voltado a escrever no dia 13 e eu escrevia dia sim, dia não, dia não, dia não, dia sim, dia não, dia não, dia sim, dia não, dia não, dia não. Ainda assim, quando eu falei no evento do NaNoWriMo em Salvador dia 23, eu estava convencida de que conseguiria bater 50 mil palavras se escrevesse direto na semana seguinte. E eu provavelmente conseguiria, se eu estivesse conseguindo escrever. O que eu não estava. Meu último dia de escrita no NaNoWriMo 2019 foi o dia 26 de novembro, quando eu atingi 24.759 palavras. Naquele mesmo dia, eu tinha acordado com uma mensagem da minha psicóloga me perguntando se ela poderia passar meu contato para um conhecido dela que precisava de um profissional de comunicação. Uma ligação depois, eu fui encarregada de montar um plano de comunicação para a assessoria de comunicação da prefeitura de Igaporã, no interior da Bahia. E então eu precisei tomar a decisão mais difícil de todas e desistir do NaNoWriMo. 
Eis a questão, novembro foi difícil para o NaNoWriMo, mas para a minha vida profissional num geral, foi um bom mês (apesar de eu ter perdido o prêmio Mix Literário e não ter passado na primeira fase do concurso que fiz em outubro): Além do lançamento da edição corrigida de A Linha de Rumo, no dia 11/11 eu recebi a proposta de um estágio em Nova York. Vocês sabem que me mudar para Nova York sempre foi meu sonho e o pior é que o estágio seria para auxiliar na produção de shows e cobrir esses shows para um site, o que significa que eu trabalharia com o que eu quero muito trabalhar, jornalismo musical. O problema seria a falta de dinheiro, porque além da mudança ser cara, do aluguel em Nova York ser um absurdo (1640 reais por mês para alugar um sofá cama no Queens WASSUP), eu receberia por comissão, então eu não tenho ideia de quanto eu ganharia a cada mês. O emprego dos sonhos não pagava o bastante, então eu precisei colocar os planos para ele em pausa. Semanas depois, eu tive o evento em Salvador, que foi outro sonho e, finalmente, no dia 26 essa proposta de emprego.
Eu repeti várias vezes nos últimos meses que eu não queria trabalhar com política. E eu não quero. Eu desprezei completamente o concurso público recente da assembleia legislativa do Amapá porque a ideia de ser assessora de comunicação concursada de algum lugar me deixa em pânico, por melhor que seja o salário. E na verdade, minha vontade era ser repórter. Mas me mostre um lugar que esteja contratando repórteres e eu vou te perguntar porque você não me mostrou antes. O jornalismo no Brasil está mais sucateado que os meus dois quartos. Juntos. Revistas praticamente não existem mais, o jornalismo digital é visto como piada e paga muito mal e o jornalismo de TV é a última coisa que eu quero fazer na vida (mas não vou ficar repetindo isso porque o universo ouve). Rádio eu nem conto porque eu simplesmente não tenho talento para isso. Então, quando eu recebi a proposta de trabalhar em uma cidadezinha no interior da Bahia com quase o mesmo número de habitantes que meu número de seguidores do Instagram, eu não levei em consideração o fato de eu trabalhar para políticos. Eu levei em consideração o seguinte: 1) Meu contrato é só de um ano, com possível renovação caso o prefeito seja reeleito; 2) Eu vou morar relativamente perto da cidade onde eu nasci (4 horas de carro, 6 horas de ônibus) e onde minha irmã vai morar, então eu poderei ir lá sempre que precisar; e 3) Eu vou ser paga o piso salarial dos jornalistas. Parece pouco, mas sabe quantos jornalistas recém-formados que recebem o piso eu conheço? Nenhum. Por que as empresas seguiriam o guia da Fenaj, se para ser jornalista não precisa de diploma e considerando que se depender do presidente, nem de registro profissional vai precisar? Assessoria de comunicação é o que mais rende um bom salário e foi para aí que eu precisei ir.
Pra falar a verdade, eu estava desesperada. Eu já tinha procurado empregos temporários de Natal porque a situação monetária estava gravíssima. E tinha um dinheiro que eu estava esperando chegar agora em janeiro, mas depois descobri que ele é para janeiro de 2021, então eu precisei me virar. Eu senti que o trabalho não seria tão pesado e eu conseguiria ganhar bem o suficiente para me sentir segura. E eu ainda sinto isso. Duas semanas de trabalho depois, têm sido ridículo e estressante, mas ao mesmo tempo, eu consigo sentir a estabilidade financeira chegando. E mesmo que meu emprego tenha sido ameaçado essa semana por alguém e eu já tenha arranjado briga simplesmente por defender meu próprio trabalho, não tem sido nada muito além do que eu esperava. Se a faculdade me ensinou qualquer coisa é que existem homens em posição de poder que falam apenas para ouvir a própria voz e que nunca vão perceber os próprios erros, mesmo quando uma série de evidências se mostrarem diante deles. Eu acho que o maior problema até agora é que eu sinto que eu estou de volta ao meu primeiro emprego. As pessoas não percebem o que este emprego é para mim e a verdade é que é como se fosse um freela. Eu sou oficialmente, legalmente e contratualmente, uma prestadora de serviços. Estou prestando serviços de assessoria de comunicação à prefeitura. E é assim que eu me sinto. Estou aqui para prestar os serviços pelo tempo do meu contrato e depois disso, só Deus sabe. E as pessoas no trabalho agem como se eu devesse tratar esse trabalho como se fosse a coisa mais importante da minha vida e como se se as coisas dessem errado agora, eu nunca fosse conseguir outro emprego. E eu faço terapia há tempo demais para ser assim. Só de eu ter conseguido o trabalho dos meus sonhos e ter tido a consciência de pensar "Ainda não é a hora, mas daqui há um ano, quem sabe?" ao invés de me jogar, pegando um empréstimo ou sei lá o quê, eu já mostrei a paciência e a calma que muita gente gostaria de saber como praticar.

Epílogo

E é essa a questão. Mesmo que eu me sinta desesperada e assustada e mesmo que eu tenha passado a primeira semana de trabalho chorando antes de dormir todo santo dia e a segunda semana de trabalho reprimindo meus sentimentos até o sábado, quando eu baixei os episódios que faltavam de New Amsterdam e voltei para Conquista no ônibus assistindo e chorando. Eu sei que o chororô e o medo é um chororô e um medo saudável. Porque a vida não é só estar feliz e ter sonhos realizados todo santo dia. Eu não estou mais em Los Angele. Eu não quero deixar esse trabalho destruir meu emocional ou me fazer esquecer de quem eu sou. Eu não vou me tornar uma pessoa ambiciosa ou uma peça política e eu sei muito bem que isso será uma dor de cabeça tremenda para mim no próximo ano, mas tudo bem. Eu vou fazer o que precisar ser feito, por mais difícil que seja. Afinal, eu desisti do NaNoWriMo depois de 6 anos e 4 vitórias. E perder sem me sentir um lixo foi muito difícil. Perder sabendo que venci em outros sentidos, foi quase incompreensível.
Eu trabalhei nas últimas duas semanas e voltei para Conquista sábado. Já tenho um apartamento, vazio além de um colchão inflável e algumas coisas que eu levei ou comprei na última semana. Aos poucos quero construir meu habitat temporário. Volto para lá no dia 2, já com o gato e com grande parte das minhas coisas. Preciso muito de um fogão e uma geladeira, então se conhecer alguém que estiver vendendo, me avise. Com um custo de vida mais baixo e mais tempo livre, tem muita coisa que eu quero fazer no ano que vem, mas eu não quero colocar a pressão do "ser o meu ano" de novo. Eu quero só lembrar que a maioria das coisas incríveis que aconteceram comigo foram coisas que eu nunca poderia planejar ou controlar. Eu só preciso não esquecer de quem eu sou.
G.

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29/10/2019

NaNoWriMo 2019: O que é, como participar e o que eu pretendo fazer

I'm back, baby!!!! Depois de uma pequena pausa no ano passado para manter a sanidade durante o TCC, eu tô 100% back on my bullshit e prontíssima para passar o mês de novembro todinho mergulhada em um livro novo. O NaNoWriMo é meu evento preferido do ano e tem sido assim desde 2013. Os dois anos que eu não participei  2014 por causa do vestibular e 2018 por causa do TCC — me causaram a maior saudade do mundo. Eu participei e venci em 2013, 2015, 2016 e 2017 e narrei toda a minha experiência aqui no blog, naturalmente. Esses anos de NaNo me formaram e me ensinaram muito sobre o que é ser escritora escritora e é claro, acabaram me rendendo o meu livro de estreia, A Linha de Rumo.
E antes de eu explicar que diabos é NaNoWriMo e o que eu vou fazer este ano, eu quero falar sobre meu primeiro livrinho. Como vocês sabem, a edição que foi para o Kindle Direct Publishing em outubro do ano passado foi com alguns erros que eu acabei deixando passar e, desde aquela época, eu venho dizendo que quero lançar uma edição corrigida. Pois eu venho por meio deste anunciar, no Dia Nacional do Livro, que A EDIÇÃO CORRIGIDA FÍSICA ESTÁ EM PRÉ-VENDA. (Originalmente é só para leitores do Quebrei a máquina de escrever, então não divulguem o link ainda). Vai funcionar assim: Preencham seus dados no formulário deste link e assim que a edição estiver disponível, eu entro em contato com vocês para o envio. Você pode escolher já colocar seu endereço no formulário ou esperar o contato para me enviar ele por e-mail, mas é obrigatório colocar a cidade para que eu possa planejar os envios. A melhor noticia de todas é a seguinte: Ao se cadastrar na pré-venda, sem pagar nada, você vai automaticamente estar cadastrado no sorteio de relançamento que eu farei e poderá receber sua cópia corrigida de A Linha de Rumo COMPLETAMENTE DE GRAÇA, caso ganhe no sorteio. Então não perca a chance e se cadastre na pré-venda! A edição corrigida sai no mês que vem (sim, no meio do NaNoWriMo); eu tenho uma data, mas não tô divulgando oficialmente, por enquanto, porque vou depender de algumas questões de logística da Amazon.
Outra boa notícia é que A Linha de Rumo está concorrendo ao 1º Prêmio Mix Literário, que vai fazer parte do Festival Mix Brasil em São Paulo. O prêmio vai escolher, entre as obras submetidas, o livro de temática LGBTQIA+ ou de um autor LGBTQIA+ que causou um grande impacto pela mensagem ou pela repercussão. Mesmo que eu não ganhe, eu só tive coragem de submeter o livro por causa dos meus leitores mais lindos do mundo, então obrigada. Sem vocês nada disso seria possível. E FELIZ DIA NACIONAL DO LIVRO!!

"Eu digito com propósito"
NaNoWriMo (National Novel Writing Month ou Mês Nacional de Escrever Romances) é um desafio mundial criado em 1999 e que há 20 anos deixa escritores malucos todo mês de novembro. Eu encontrei o NaNoWriMo sem querer, quando uma página sobre escrita que eu seguia postou a sigla e eu joguei no Google para descobrir o que era. Isso foi no dia 31 de outubro de 2013 e eu, uma pessoa que tem o controle de impulsos de um burro com raiva, resolvi que eu PRE-CI-SA-VA participar e escrever o segundo livro da, atualmente engavetada, trilogia Sociedade Inglesa de Oposição. A pior parte? Eu venci, o que mandou um monte de endorfina para o meu cérebro e me fez acreditar que eu precisava fazer isso todo novembro.
O desafio consiste em escrever um livro de 50 mil palavras nos 30 dias do mês de novembro. Isso dá uma média de 1,667 palavras por dia, mas se você for louco como eu, pode escrever muito em uns dias e menos em outros, é perfeitamente normal. Você não compete com ninguém, é um desafio pessoal em que você escolhe por si mesmo, e define quais são os seus limites. Tem bastante gente que estabelece metas pessoais menores ou maiores de acordo com o que você acredita que consegue fazer. A única regra é tentar fazer sua história ir pra frente, não interessa de que forma. Isso é algo que eu to tentando passar para as pessoas, que independente do que você fizer e como seu mês de novembro for, você não é um fracasso se tentou fazer sua história ir pra frente. O NaNoWriMo precisa ser divertido. Enlouquecedor, talvez, mas divertido. E se não é divertido para você, talvez o NaNoWriMo não seja para você e tá tudo bem!!! Escritores são diferentes porque, acredite ou não, escritores são pessoas. Eu, por exemplo, amo o desafio porque combinando a minha competitividade com a maneira como eu estou acostumada a escrever (grandes quantidades rapidamente, ao invés de pequenas quantidades aos poucos), eu consigo produzir bastante e calar a voz da ansiedade na minha cabeça, que sempre diz que eu não faço o suficiente. As palavras surgem muito mais fácil quando eu estou tentando ganhar um monte de emblemas no site do NaNoWriMo.
Pra quem quer participar mais precisa de ajuda, ainda não decidiu se quer participar ou não ou só quer conhecer melhor a comunidade do NaNo no Brasil: as redes sociais e o grupo do Facebook do NaNoBrazil ou a parte brasileira do NaNoWriMo estão publicando muito conteúdo legal de inspiração e acompanhamento e podem orientar vocês melhor que eu (eu ainda to perdida no site novo, mas vi que eles fizeram uma thread sobre no domingo, então vou passar o resto da noite lendo). E caso vocês ainda confiem em mim, eu também to aqui para responder dúvidas, mas eu posso demorar mais tempo do que eles para responder. Eu não estou no grupo do NaNoBrazil no Facebook porque em 2013, quando eu era um neném com apenas um livrinho escrito, eu me dei conta de que receber dicas de escrita constantemente mais me atrapalhava do que me ajudava. E tudo bem!!! Cada um tem seu jeito!! Eu estarei no Twitter constantemente falando sobre o NaNo, usarei todas as hashtags, farei threads e vou começar a escrever à meia-noite da sexta feira. Eu também vou fazer parte de um evento oficial do NaNoBrazil como autora, mas não posso divulgar ainda. Fiquem de olho nas minhas redes sociais e nas deles para saber mais sobre.
AGORA AO MOMENTO QUE TODOS ESPERAVAM, COM VOCÊS, O LIVRO QUE EU VOU LEVAR PARA O NANOWRIMO:


Premissa: Ao perder a mãe em um acidente de carro no dia em que planejava sair do armário, Mia jura que nunca contará a ninguém da família sobre ser bissexual. Isso até seu pai entregar sua tutela para a irmã adotiva dele, uma "alma livre" que vive no próprio carro e sobrevive de bicos pelo país. Maele Fioridella representa tudo que Mia nunca pode ser: livre, despreocupada e sem arrependimentos. Por isso, quando a nova guardiã propõe que as duas viagem juntas, Mia resolve passar o último ano antes da maioridade na estrada, deixando para trás lembranças ruins e uma namorada nada contente.

Eu tive a ideia para essa história em março de 2017 e durante a maior parte daquele ano eu não sabia se escrevia ela ou Mirae no NaNoWriMo 2017. Acabei optando por Mirae, depois de apresentar a premissa para algumas pessoas que disseram que, apesar de quererem ler as duas histórias, queriam Mirae primeiro. Como o plano original era escrever o TCC no NaNoWriMo 2018 (o que eu acabei não fazendo), eu joguei o planejamento da história, que até a semana passada eu chamava de Mayflower, para 2019. No começo do mês, eu nem sabia se realmente queria escrever essa história este ano, por mais que soubesse que queria escrever algo no NaNo. Aí Bahari lançou gameboy e eu me dei conta de que sim, eu quero escrever meu livro mais gay até o momento antes do ano acabar.
O nome Mayflower surgiu antes da proposta da história em si (a maioria dos meus títulos surge assim: primeiro o título, depois o plot) e eu passei um tempão tentando encaixar ele de uma forma que fizesse sentido. Acabei mudando o nome para Flor-de-Maio semana passada, ao descobrir que aqui no Brasil a chamada Flor-de-Maio não é a mesma flor que chamam de Mayflower lá fora. A Flor-de-Maio brasileira é uma suculeta que cresce em cactos (a imagem da capa é um esboço com base em uma foto de como ela cresce) e o nome ficou perfeito considerando os cenários que eu pensei para a viagem das personagens principais.
É muito estranho pensar que finalmente chegou a hora de escrever este livro. Eu tenho falado dele há tanto tempo. Eu já até escrevi umas duas cenas, graças aos momentos em que as personagens não calavam a boca. Eu sou completamente apaixonada pelas minhas quatro personagens principais e já tive um milhão de dream casts (pessoas que eu queria que interpretassem as personagens no cinema) para elas. Os nomes de duas delas inclusive apareceram numa thread de personagens com meus nomes preferidos, que eu fiz dois anos atrás:



(Eu vou mudar o aniversário da Calla, para ela ser leonina ou geminiana, ainda não decidi. Eu a fiz pisciana em 2017 por ~~motivos~~, mas não vamos falar sobre isso)

Eu também já fiz edits de três delas e uma thread inteira de tweets meus sobre Calla Helena (com alguns spoilers das cenas que eu já escrevi):




Semana passada eu fui fazer a playlist da história e descobri que eu já tinha feito a playlist da história em 2017  se vocês abrirem ela pelo computador, vão ver que algumas das músicas foram adicionadas em 29 de março de 2017, na época em que tive a ideia. Eu acabei tendo que deletar algumas músicas, porque alguns dos cantores que eu tinha colocado na playlist fizeram merda nos últimos dois anos, mas eu adicionei várias outras músicas porque os últimos dois anos foram cheios de músicas boas para roadtrip e histórias fofas. Desde já deixo claro que a música da Kira que vai sair na semana que vem será adicionada à playlist assim que sair, porque ela é perfeita pra história. Isso, inclusive, é um lembrete de que minha conta do Spotify tem todas as playlists de histórias que eu escrevi então, sei lá, me sigam? Eu sigo de volta porque gosto de saber o que as pessoas ouvem.



E é isto, me encontrem sexta-feira no Twitter enlouquecendo enquanto tento fazer essas personagens fazerem o que EU quero ao invés do que ELAS querem. E a partir da semana que vem tem atualizações semanais sempre que eu conseguir atualizar o blog!
Torcendo pro NaNoWriMo 2019 ser igual ao 2015 desde já,
G.

Não esqueçam que neste link vocês podem assinar o KindleUnlimited por 3 meses a R$1,99, ler meus livros de graça e ajudar o Quebrei a máquina de escrever a sobreviver.