Diário de Bordo - Parte 4 - Sobre lembranças e nostalgia

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Nota: Eu sei que esses dois últimos posts não estão bem parecendo com um diário, mas nos últimos dias eu tenho passado a maior parte do tempo em casa, entre computador e cama então eu estou escrevendo sobre coisas que tenho descoberto e pensado nesses dias. ;*

Quando se volta para a cidade onde você nasceu e morou durante um tempo, lembranças e nostalgia fazem parte. E é isso que acontece aqui. Acontece que estão destruindo coisas que trazem minhas lembranças! (NÃO DEIXA, NÃO DEIXA, NÃO DEIXA).
Tudo começou quando meus avós resolveram reformar a casa - isso foi a três anos, mas ainda dói ='( - Ninguém pensou que ia destruir lindas lembranças de infância? (as boas que eu tenho dessa cidade?). A cozinha onde eu comia biscoito e banana da terra cozida com queijo, o banheiro que eu conhecia o caminho quando eu tinha um ano no escuro e a oficina onde eu e minha irmã brincávamos de marceneiro não existem mais. Mas eu já estou superando isso já que essas últimas reformas foram para um bem maior (a construção de uma casinha para meu tio).
Então quando eu vim pra cá descobri que outras coisas, na região onde eu nasci, vivi até os onze anos e conhecia tão bem, estão mudando muito. Por exemplo, o governador resolveu colocar o horário de verão outra vez. COMO ASSIM? Nunca passou pela cabeça dele que algumas pessoas vem pra Bahia exatamente por não ter horário de verão? Tudo bem que eu vim por vários outros motivos, mas esse era um desses. Eu amava o fato de não ter horário de verão aqui e agora... O quê?
Outra coisa é estarem fechando a escola onde minha avó trabalha a oito anos. Os primeiros livros com mais de cem páginas que eu li vieram todos de lá (na época, eu tinha seis anos e lia livros para a partir de dez, eu sempre amei ler), meu primeiro livro preferido: Os Miseráveis de Victor Hugo, veio de lá. E não são só livros, e as lembranças da minha avó saindo pra trabalhar quando eu chegava do CPM (Colégio da Polícia Militar)? E as provas de múltipla escolha que eu corrigi quando eu era criança? E o tempo que eu esperei pra chegar na sexta série (7º ano) e ser da turma em que a minha avó da aulas? E como eu fico hein? COMO!?! (respira, respira, respira).
Aí o vigia, que desde que eu me lembro, passa de bicicleta todas as noites e a noite toda, em torno das ruas do bairro de bicicleta (eu nunca teria coragem, eu não sei andar de bicicleta). Ele costumava assoprar um apito alto e agudo que dava até sono. Eu costumava considerar um ruído típico de Conquista. E então o vigia em questão muda o som pra uma sirene. E SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO. A menos que ele tenha um bom motivo, isso é tão injusto!
Resolveram reformar minha avenida preferida, a avenida Brumado. Tudo bem que ela foi reformada pra melhor, mas aquele barranco pra subir o ponto de ônibus do Complexo (IML) era meu preferido. Tudo era meu preferido. AAAAAAAAH!
Algumas coisas não mudaram como as linhas de ônibus (R de Radial (linhas até o centro), P de Perimetral (linhas que atravessam bairros sem passar pelo centro) e D de não lembro,(linhas que atravessam bairros passando pelo centro) você tem que vir aqui pra entender). Ou as lojas e mercados que eu sempre ia e fui. Além, é claro, do clima que deu a cidade o apelido de Suíça baiana. E infelizmente, coisinhas que me trazem lembranças ruins também não mudaram.
Eu sei que o mundo muda e as coisas não seriam sempre do jeito que eu conheci. Mas saber disso não me impede de sentir falta das coisas que eu conhecia e amava. Mas de qualquer jeito, a única coisa que vão sobrar são as lembranças não é mesmo? Tipo essa aqui:

Esse vídeo foi filmado na Lagoa das Bateias (um dos pontos turísticos da cidade) em 07/12/2011
Essa é minha irmã andando de bicicleta.

Amo vocês,
Giulia

P.S.: Deixem comentários, sugestões, e dicas. Espero que gostem.

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