Diário de Bordo - Parte 15 - Extra: Araruama

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Originalmente, o "Diário de Bordo" só iria contar tudo sobre o tempo que passei de férias na minha cidade natal. Só que oficialmente eu ainda estou de férias e eu ainda não escrevi o post final (que eu vou postar amanhã) ou seja, eu ainda posso acrescentar um post extra.
Como isso é sobre três dias eu não vou começar contando o início do meu dia. A galera do twitter sabe que eu passei a maior parte da manhã lá. E estava twittando enquanto arrumava a mala.
No início a viagem soava meio estranha pra mim, por vários motivos: Motivo Nº1 : Eu ia quebrar a tradição de ver The Vampire Diaries, na sexta-feira. Motivo Nº2: Eu estava indo para uma cidade praiana, sem poder tomar sol (questões estéticas as feridas da catapora ainda estão desaparecendo). Motivo Nº3: Eu tinha sido convocada para ver um filme na casa de uma amiga, em Araruama e não tava muito animada. Motivo Nº 4: O ano em que eu morei em Araruama parece meio como um borrão pra mim. Eu tenho sérias dúvidas sobre, ser feliz ou não naquele lugar. Motivo Nº5: Eu ia viajar com a minha avó outra vez de ônibus. E motivo Nº6: Apesar de tudo isso, eu estava animada para viajar.
Mas de qualquer jeito eu fiz as malas, tomei um banho rápido que me fez demorar pra responder minhas amigas no TT (minha definição de rápido é deturpada) e sai pronta para mais um longo dia de viagem.
O ponto de ônibus, onde para o ônibus que pegamos para a Rodoviária Novo Rio, fica na mesma rua  - que na verdade é uma avenida - em que fica a escola em que eu estudava ano passado que fica a mais ou menos 15 minutos da minha casa - eu faço seis minutos em dias frios - e se a gente chegou no ponto as 16h, saímos de casa mais ou menos 15h45. Então, ok.
Saímos de casa mais ou menos 15h45 e fomos andando até o ponto de ônibus. Assim que chegamos lá, tinha um expresso pra rodoviária com ar condicionado. Foi uma baita sorte. Um ônibus assim, vazio, é uma coisa rara no Rio de Janeiro. Nos acomodamos lá dentro. No início eu fiquei fazendo nada enquanto meus pensamentos disparavam para todos os lados. Depois da minha mãe fazer uma distribuição básica de chocolate pra família, como eu acordei cedo a semana toda, peguei no sono rápido.
Acordei com rosto, braço e pernas esquerdos dormentes. Odeio dormir naquela posição - a posição de ônibus - por que a dormência causada por ela me deixa com dor. Mas graças a Deus não demorou muito. Chegamos a rodoviária um pouco depois da dor passar.
Minha mãe foi direto pra fila do guichê da 1001 - empresa de ônibus que vai pra Araruama - e minha irmã pediu dinheiro pra ela para comprar um lanche. E lá fomos nós, deixando minha avó olhar as malas. Eu queria um café, mas não queria nada quente. E o meio termo perfeito pra mim é: uma lata de Coca-Cola, obviamente. Eu fiquei na dúvida sobre um salgado ou não, mas no fim acabei só com a coca mesmo (não sei o que soou pior nessa frase, o "no fim acabei" ou "acabei só com a coca").
Quando voltamos, minha irmã com uma porção de pão de queijo (R$ 2,70) uma lata de Del Valle (R$ 5,00 - um roubo) e eu com a minha latinha de Coca-Cola (R$ 3,50 - Graças ao fato de que minhas últimas compras tinham sido em Shopping eu só vim me dar conta de que estava caro quando lembrei que é o mesmo preço da garrafa de dois litros - de Grapette - do mercadinho na frente do condomínio), minha mãe já tinha saído da fila e estava com uma notícia interessante: todas as passagens para Araruama tinham se esgotado na terça-feira. Até aquele momento eu não tinha me dado conta de que era véspera de feriadão e que aquilo seria um inferno. Pelo menos a moça do guichê disse onde pegaríamos um ônibus pra Niterói e aí um ônibus de lá - afinal saí ônibus Araruma-Niterói a cada dez minutos, literalmente - para Araruma. Ou pelo menos foi isso que a gente achou.
Meu estado de espírito estava perfeitamente tranquilo enquanto a gente ia naquele calorão até o ponto de ônibus que a moça tinha dito. No caminho eu até passei na frente de uma banca de revistas onde tinha uma Atrevida. E uma das capas da Atrevida desse mês é o lindo, gostoso, sexy, tira-o-olho-que-ele-namora-a-minha-diva IAN SOMERHALDER. Na hora eu tive um momento "cadê o ar, Senhor?". E vários pensamentos sem sentido me ocorreram. Eu não sou do tipo que cobiça o namorado da Diva, mas a Nina desdenha da sorte que tem. Mas quando chegamos ao ponto um motorista disse que ônibus para Niterói só no outro ponto. Ou seja, a gente ia ter que atravessar aquilo tudo de novo. Eu comecei a ficar tensa, e o peso da mochila (que não estava tão pesada assim. Na verdade um fato inexplicável é que apesar de eu, sempre exagerar no número de roupas na mala [Eu nunca cumpro essas regras] sempre sobra espaço na minha mala o que sempre me faz pensar que eu tô esquecendo algo, mas não estou) nas costas não ajudou. E comigo, tensão e dor nas costas andam juntas. Junte isso com o fato de que minha avó estava enchendo o saco e perceba o quanto eu sou calma.
E foi então que aconteceu uma coisa, na verdade eu vi algo, que garantiu a paz para o resto da viagem. Eu devia ter tirado uma foto, mas não tive tempo. De qualquer jeito, lá estava. Eu procurei no dia em que voltei, mas não estava lá ainda. Quando eu vi dei um grito abafado, o que faz você pensar no que eu não vou fazer quando eu vê-la ao vivo. Nos tapumes em volta da construção do lado da rodoviária, em letras roxas em um cartaz branco, estava escrita a seguinte frase: "Selena Gomez & The Scene. 4 de fevereiro. Na Barra da Tijuca." Ok. Você pode me achar ridícula agora, mas se você não é Dreamer nunca vai saber os efeitos que a palavra "Selena" pode causar em um. Tá, o nome estava escrito estava em um cartaz sujo, ao lado de uma rodoviária e perto de uma propaganda de uma mãe de santo, mas eu fiquei tão orgulhosa. Não por isso claro, mas por tudo. E então só de ver o nome dela, eu sorri e meu humor passou de "calmo" para "nenhum motivo para se preocupar".
Eu andei calmamente enquanto minha mãe procurava onde se pegava o ônibus ou a van. Acabamos pegando uma van para o "Tribobó" em Niterói onde nos garantiram que haveria ônibus para Araruama. A viagem pra mim foi tranquila. Eu estava super distraída, pensando em várias coisas (inclusive nesse post), e ouvindo tranquilamente a rádio que estava tocando (a Mix, claro né?) enquanto íamos em direção a ponte Rio-Niterói.
Mas ao contrário de minha pessoa que não só está acostumada, como ama o movimento de cidade grande, minha avó estava reclamando de dores nas pernas e da demora. É o seguinte, existem regrinhas básicas de sobrevivência em todo tipo de viagem no Rio de Janeiro e a primeira delas é: A menos que você esteja indo a casa da vizinha, não espere que você chegue rápido. A cidade é grande e tem muitos carros e muitas pessoas. É tudo uma questão de relatividade do tempo, quanto mais você reclamar mais tempo a viagem vai levar. Então "enjoy the ride". Além disso se você tem sessenta anos, não é atlética, morre de dor nos ossos e quer vir pro Rio de Janeiro sem um carro disponível, eu tenho uma dica: NÃO VENHA PRO RIO DE JANEIRO. Andar de transporte público aqui é uma tarefa de coragem.
Mas ignorando a minha avó a viagem foi bem tranquila. Eu meio que desenvolvi um prazer por viajar. Não o destino final, mas a viagem em si. Talvez o fato de eu escrever e gostar de tirar fotos, seja um incentivo. E eu estava me sentindo leve, tranquila, como uma onda do mar. Mar que por falar nisso estava lindo na quinta-feira. Ok que aquela altura me deixava tensa, mas o medo não me impediu de admirar aquele tom de azul do mar. As praias do Rio de Janeiro podem ter água gelada, mas são lindas (mais sobre isso depois).
A programação da rádio seguiu para "A Hora do Mução" o que - graças aos palavrões bipados - fez com que minha avó gemesse e chiasse mais. Mas eu não tava nem aí. Durante uma música eu me lembrei de uma coisa e peguei meu MP4 para ouvir rádio melhor. O que eu lembrei foi uma coisa que você não sabe. A ponte Rio-Niterói tem uma das melhores recepções de rádio da cidade. Por isso que quando eu estou na ponte eu sempre gosto de ouvir rádio. Só pra aproveitar esse fato. Só ouvi duas músicas mas ainda assim foi bom. Ainda estávamos na ponte quando "Voz do Brasil" começou (te odeio Getúlio Vargas), o que significa que levamos mais ou menos uma hora, na travessia da ponte, sendo que o tempo médio é 24 minutos.
Chegamos a Tribobó mais ou menos 19h05. Ainda estava claro. Bem claro. Eu estava "suave na nave" e "de boa na lagoa" mas era a única. Dois ônibus passaram indo pra Araruama. Lotados. Quando perguntamos - ou melhor, eu perguntei - ao farmacêutico da farmácia que ficava atrás do ponto se havia outro ônibus para Araruama e ele disse que aqueles eram os únicos resolvemos pegar um ônibus de volta para a rodoviária de Niterói e de lá um para Araruama. Atravessamos a passarela e fomos para o ponto de ônibus.
Uma coisa importante se você está indo para Niterói. Tem duas rodoviárias lá. O "Terminal Rodoviário Nome-de-alguém-eu-nem-lembro-nem-ligo-quem" ou "Terminal Rodoviário de Niterói" e o "Terminal das Barcas". Só descobrimos isso quando fomos para o NDAENLNLQ e percebemos que não era aquela rodoviária a que tínhamos ido todas as outras vezes que fomos para Niterói. Quando chegamos lá, minha mãe e minha avó foram pra fila, minha irmã ficou olhando as malas e eu fui comprar um café para minha mãe e minha avó (perceba que eu ainda não tinha tomado café).
Só tinham passagens disponíveis para as 22h e ainda eram 20h. Eu soltei a frase "Desde que tenha uma banca de revistas eu tô tranqui". Tinha uma banca de revistas, mas estava fechada, e eu continuei "tranqui" de qualquer jeito. Minha avó e minha irmã foram ao banheiro e eu fiquei conversando com a minha mãe. Quando elas voltaram, fomos compra cachorro quente. Aquilo estava realmente bom. Depois de ter esperado um tempão por ele, nós quatro fomos para a escada comer cachorro quente, com Guaravita.
Eu ainda estava comendo quando a Sala Vip da 1001 ficou mais vazia e nós fomos pra lá. Terminei de comer vendo o Jornal Nacional. Depois peguei Fortaleza Digital de Dan Brown, para ler.
A leitura só foi interrompida por uma rápida visita ao banheiro e então seguiu direto. O livro - primeiro do autor - não é nem de longe o melhor trabalho dele, mas ainda assim é Dan Brown. Ele consegue prender a gente na história. Minha mente só fugia do livro em direção a Atlanta enquanto eu considerava o fato de ficar pela primeira vez desde o início da terceira temporada, mais de 24 horas sem ver TVD depois de uma estréia. O ônibus atrasou mais de uma hora e meia e outra vez eu era a única que não estava morrendo com aquilo tudo. Eu queria chegar em Araruama claro e eu era a única com uma distração legal, mas não precisa surtar com um atraso. Ninguém vê jornal não? Acontece..
Eram 23h30 quando entramos no ônibus. Ele ia para Arraial do Cabo e estávamos contando com que ele fosse parar na porta da casa do meu tio, mas ele ia pelo outro lado então iriamos parar no centro da cidade e pegar um transporte até a Praia do Dentinho (parte do distrito de Praia Seca, Araruama). Estava frio demais no ônibus quando entramos, graças ao ar condicionado, e eu e minha mãe colocamos as toalhas que tínhamos levado nas costas para nos esquentarmos. O motorista se desculpou pelo atraso, colocou o ar condicionado em uma temperatura confortável (mesmo assim eu continuei com a toalha nas costas) e começou a viagem, deixando um passageiro maluco na rodoviária (ele tinha resolvido sair do ônibus com mala e tudo pra beber, já que estava revoltado por causa do atraso).
A viagem foi tranquila. Eu fiquei ouvindo música: um CD que eu amo chamado Kiss & Tell de uma banda que eu amo chamado Selena Gomez & The Scene. Na hora em que estava desembolando os fones, um deles acabou com mau contato. Tem como concertar, mas eu acho que prefiro comprar outro. Fiquei lá, ao ritmo de "As a Blonde" especialmente, e antes que eu percebesse eu peguei no sono. Foi a luz de um bendito poste mal colocado na estrada que me fez perceber que eu estava dormindo, quando me acordou. Peguei no sono de novo, com a música e acordei em Manilha. Eu seguida, quando o ônibus saiu, dormi de novo, enquanto minha família conversava sobre a viagem que a minha tia fez para Israel e para o Egito no ano passado.
Geralmente, mais do que na maioria das vezes, eu sou uma pessoa muito tranquila. Meus acessos de raiva, estão mais relacionados com a minha impaciência do quê com raiva em si. Mas interrompa meu sono e você se esquece de quão calmo meu humor pode ser. Especialmente se sua ideia seja cutucar minha barriga. E foi essa a ideia da minha avó. Ela cutucou minha barriga dizendo "estamos chegando" e recebeu de volta um gemido seguido de um "eu quero dormir" bravo. Eu ajeitei meu fone e voltei a cochilar. 10 minutos depois - eu acho, eu estava dormindo, não sei - eu acordei sorrindo, porque sono e música me fazem bem, e ainda estávamos na entrada de Araruama. Ou seja, aquele cutucão na barriga FOI NECESSÁRIO?
Eu não estava mais com sono quando descemos em Araruama. Eu tinha desligado o MP4 e dado um jeito de prender a toalha no meu ombro com a mochila. Ao contrário da capital, a primeira impressão que Araruama dá - especialmente uma hora da manhã - é de ser uma cidade incrível. Especialmente se você gostar de: vento, maresia e calma. E apesar de amar chuva e frio eu sou uma apreciadora de cidades litorâneas que não torrem nossos miolos de tanto calor. E pra falar a verdade eu até gosto de praia. Ficamos esperando um amigo do meu tio ir buscar a gente, no clima maravilhoso, conversando.
Demorou um pouco e quando entramos no carro e o homem ligou o taxímetro eu fiquei tipo: O.o . Eu achei que fosse uma carona. Cara de pau cobrar de um amigo. O caminho até o Dentinho levou mais tempo do que eu achava que levaria. Eu estava desacostumada com esse caminho e acabei nem me dando conta. Quando chegamos (valor total da viagem R$ 41,65 - considerando a distância e a bandeira 2 até saiu barato), eram exatamente 2h da manhã. As camas já estavam prontas então nos preparamos para dormir e dormimos. (ah, não me diga).
Eu não tenho ideia de que horas a sexta-feira começou pra mim. Eu sei que já eram mais de dez da manhã. Mas considerando que eu acordei cedo a semana toda, eu estava bem cansada. Acordei com a voz do meu primo falando com a minha irmã. Eu queria um abraço dele - que estava dormindo quando eu cheguei - mas não queria levantar. Acabei tendo que levantar de qualquer jeito e depois dos "ois" pra todo mundo eu fui tomar a maior caneca de café que já tomei, ever. Era tão grande que acabei enjoada quando terminei de tomar ele. Depois escovei os dentes, troquei de roupa. Passei protetor solar - eu não deveria tomar sol nem com protetor, massss - e saí com a minha mãe e a minha avó, fomos na igreja que frequentávamos ver o pastor e a esposa dele, depois passamos pela lagoa (a lagoa de Araruama) e na famosa goiabeira que estava sem goiabas maduras. Quando voltamos pra casa eu fui fazer algo de que eu gosto bastante. Ler. Mas ler sentada na escada do apartamento do meu tio é ainda melhor. Eu sempre gostei de fazer isso, especialmente na época em que morava lá. Tem a melhor corrente de ar e a melhor temperatura ambiente. (temperatura de  chão). Foi naquela escada que eu vi O Anel dos Nibelungos enquanto escrevia um rascunho de Songs. Ah, bons tempos. Como eu sou muito inquieta, eu não parava quieta durante a leitura e quando o almoço ficou pronto eu estava deitada no chão com a cara na parede do lado do livro.
Fomos almoçar. O almoço era panqueca de frango. Não me entendam mal. A comida não estava ruim, só estava, unissípida (essa palavra não existe), toda ela tinha um gosto só. O feijão, o arroz, a panqueca, tudo com o mesmo sabor. E foi por isso que quando a minha tia avó - a que mora a dois andares daqui de casa - chegou eu fui a primeira a levantar da mesa e dizer oi pra ela e pra família dela. Acho que eu acabei demonstrando que tinha feito isso pra fugir da panqueca, mas agora já era.
Depois que todo mundo almoçou, eu resolvi que queria sorvete. Na verdade, sacolé (geladinho, apolo ou qualquer outro nome que esse diacho tiver espalhado por esse Brasil). Eu conhecia uma casa que vendia sacolé, claro, mas estava sem dinheiro, então convenci os adultos a contribuírem. Vaquinha feita, eu e minha mãe fomos comprar os sacolés. Estava quente pra caramba, mas eu estava de protetor ainda. Quando chegamos na casa que vendia os sacolés - que fica no caminho para a praia - não tinha. Ok. Eu não ligo, eu sobrevivo sem sacolé.
Tá mentira. Uma coisa sobre mim é que quando eu quero uma coisa, eu consigo essa coisa. É o fator "I Always Get What I Want" (tipo assim ó) E o sorvete estava na minha lista. Eu comecei a encher o saco pra ver se alguém me levava em Araruama ou no centro de Praia Seca, mas nada. Só que eu não desisti. Eu queria sorvete caramba!
Então meus tios-avós e minhas primas foram pra pousada onde iam dormir. Meu tio ia precisar ir em Araruama sacar dinheiro e minha mãe queria comprar as passagens logo, pra não passar o mesmo que passou na ida até lá. Minha irmã, tia-avó e primos (o que mora lá e as filhas dos meus tios avós) foram para a lagoa e minha avó ficou em casa o que me deu a solução do meu problema: eu fui junto com minha mãe e meu tio. Eu ainda tinha o dinheiro da "vaquinha" comigo e mesmo que não tivesse eu conseguiria convencer minha mãe a comprar sorvete pra mim.
Em Araruama (que não mudou praticamente nada), compramos as passagens, meu tio sacou o dinheiro e fomos para o supermercado comprar um lanche. Lanche = SORVETE. Eu deixei pra pegar o sorvete só quando fossemos pagar o que demorou, mas negociei com a minha mãe, marca e preço. Depois da compra voltamos para o Dentinho.
Passamos na frente da casa que meu tio estava construindo e todos que tinham sobrado em casa estavam lá. Apesar de não der pago o esforço máximo por aquele sorvete era meu. E eu queria ele. Eu já tinha armado de pegar a maior parte quando chegasse em casa e quando o povo voltasse eles comiam o resto. Pode me chamar de egoísta, mas eu sou muito radical quando o assunto é sorvete. Acontece que meu tio quis ver a construção também o que quebrou a minha banca. Quando voltamos pra casa, todo mundo já estava lá e enquanto eu comia - fui a primeira a comer pelo menos - eu vi o sorvete sumir diante dos meus olhos.
E essa é a parte do post em que você manda me internar (não só essa, mas essa também é uma parte), quando todo mundo terminou de comer eu resolvi ir lavar a louça. Eu odeio lavar a louça, eu tinha sido roubada em relação ao sorvete, eu estava cansada e mesmo assim eu quis lavar a louça. Me chama de maluca agora, chama, chama!
Depois que terminei fui tomar um banho e tomar um lanche e lá se vai outro canecão de café. Mais tarde, todo mundo foi pra casa e nós ficamos jogando "Bíblia em Ação". No jogo você tem que responder perguntas sobre a Bíblia seja sobre personagens, referências, doutrinas e até perguntas especiais do tipo "em que ano a primeira Bíblia em português foi lançada?". Mas jogar com minha família nunca vai poder ser uma coisa normal. Aqui vai a lista de melhores momentos:

1º - Minha vez. Pergunta: Para que monte Jesus se dirigiu com seus discípulos após a Páscoa? Minha irmã que não estava jogando, só lendo as perguntas, resolveu fazer uma piadinha e dizer "Monte Pascoal" nem é tão engraçado assim, mas a crise de riso foi geral e quando todo mundo da minha família ri, se torna impossível para alguém próximo não rir também.
2º - Minha irmã não estava jogando, mas mudou de ideia no meio do jogo. Só que ela não podia entrar no meio do jogo, então ela disse: "Na próxima rodada, todo mundo joga! Menos a Luiza que está no Canadá!" Eu tive que rir, porque foi muito do nada. Ela simplesmente interrompeu o jogo e disse.
3º - Minha vez de novo. Pergunta: Onde foram celebradas as bodas onde Jesus transformou a água em vinho? Minha irmã fazendo piadinha de novo "Canadá". Na hora o povo riu e em seguida começou a berrar. "Não acredito que você vai errar essa! Ela quase falou!" E eu acabei soltando um "Cananéia!" [De acordo com o Google] Essa cidade existe. E FICA EM SÃO PAULO. (Só pra constar a resposta certa é Cana da Galiléia)
4º - Terceira rodada. Eu, meu primo e minha avó jogando. Minha avó estava bem na frente e caiu "Personagens do Novo Testamento" para ela. Pergunta: Nome do esposo de Maria mãe de Jesus. Na hora eu berrei "O QUÊ? EU ME RETIRO DESSA MESA!" Acontece que o vestido que eu estava usando tinha uma cordinha do lado para dar um laço e uma ponta de metal. Na hora em que me levantei, a ponta ficou presa na cadeira. Ou seja, não teve "retirar da mesa" certo. A risada foi geral, e pelo visto a cadeira queria que eu ficasse lá.

Depois dos jogos as únicas coisas que restaram foram o sono e uma lição: Nunca jogue Biblía em Ação com a minha avó. A menos que você goste de perder, sei lá. Ela não é uma especialista, mas tem uma sorte no dado que... vamo combinar.
Depois do jogo, fomos dormir. O dia seguinte começou do mesmo jeito que o anterior. Até que me chamaram pra ir pra praia. Eu estava sem biquíni e vocês sabem que eu não podia tomar sol, mas mesmo assim fui. Na praia:

O mar estava mais ou menos assim:
O céu estava mais ou menos assim:

E eu estava mais ou menos assim:
Eu sei o que vocês estão pensando. Mas ler na praia é legal.

O mar estava marrom demais pro meu gosto. Como a água do mar nas praias do Rio de Janeiro, são geladas e um pouco violentas (culpa do fenômeno da Ressurgência) elas compensavam pela cor. Olhem essa foto:

Isso e..
Isso. Não pode ser no mesmo lugar. Mas é.

Mas de qualquer jeito eu curti aqueles momentos na praia.
Eu sou uma pessoa muito inquieta e facilmente distraível demais para poder ser responsável em relação a algumas coisas, como por exemplo remédios. Eu nunca tomo todos os remédios que sou obrigada a tomar nos horários certos. Eu sempre esqueço os horários. E se resolvo colocar alguma coisa pra me avisar sobre os remédios eu esqueço de colocar.
Outra coisa a respeito da qual eu não sou responsável é protetor solar. Apesar do fato de não poder tomar sol. Eu não usei o protetor. Por preguiça. Eu não podia tomar sol, mas a preguiça falou mais alto. Sou irresponsável, fazer o quê?
No momento em que eu sentei na areia o sol apareceu. Nas minhas costas. Eu nem liguei muito porque meu rosto estava protegido e nas costas não tinha feridas que podiam se transformar em cicatrizes feias. Eu já tinha tomado muito sol, quando minha mãe me perguntou se eu tinha passado protetor e eu respondi que não. Ela reclamou claro, mas a Inês já era morta (eu e meus ditados, LOL).
Eu estava me sentindo bem na praia. Mas isso não muda o fato de que quando o pessoal quis voltar pra casa eu fiquei feliz. (Sentimentos Bipolares, sempre).
O resto da tarde, foi bem normal. Almoço. O pessoal foi pra lagoa e eu fiquei em casa, lendo, esperando a hora em que alguém - de acordo com a minha tia - iria me buscar para ir pra casa da minha amiga, ver filmes.
Ok. Aqui vai uma coisa sobre mim. Quando eu digo que vou fazer algo e acontece alguma coisa que me impede de fazê-la eu fico fula da vida. Não importa se é o maior programa de índio do universo. Se alguém me convenceu a fazer e eu disse que ia fazer, eu vou fazer e ponto.
Eu disse que não estava muito animada para essa tarde de filmes. Mas eu ia, ok? Não só porque eu disse pra minha amiga que ia (e minha palavra é sagrada) mas também porque meio que foi o motivo de eu ter ido pra Araruama apesar de tudo. E eu estava com saudades daquela vaca.
Terminei de ler Fortaleza Digital naquela tarde e depois fui tomar um banho longo e merecido. A questão é que mais ou menos 17h45 eu estava pronta. Tinham dito - na verdade,MINHA TIA TINHA DITO, vamos deixar isso bem claro - que a carona chegaria as 18h. Tranquilo. Eu fui fazer um café pra mim e pro pessoal que tava na lagoa e passei o resto do tempo vendo o final de As Férias de Mr. Bean.
Minha irmã passou em casa rapidinho e deixou minha avó lá. Ela disse que minha irmã e minha mãe iam tomar banho de piscina na pousada em que meus tios estavam. Isso me afetou. Piscina é uma coisa que eu levo muitíssimo a sério. (mais sobre isso assim que eu voltar pra natação ;* ) E eu ia perder a piscina por causa do meu compromisso, mas tudo bem, tudo bem, minha palavra é sagrada e se eu disse que ia, eu ia.
Aí deu 18h. Eu me sentei no baú/banco que fica encostado na janela que dá pra Estrada Praia Seca (RJ Who Cares?) esperando minha carona. Eu esperei, esperei, esperei, esperei...
AÍ EU COMECEI A FICAR COM RAIVA. Do tipo mais irracional dela. Eu queria socar a primeira coisa que aparecesse na minha frente. Eu duvidava muito que a minha tia fosse mandar alguém ir me pegar. Os comentários da minha avó não ajudaram nem um pouco. Eu disse que eu sou uma pessoa calma e sou, mas também sou muito impaciente e a droga desse compromisso tinha tirado meu direito a piscina entre outras coisas. Eu estava realmente com raiva. Mas no meu caso, com raiva é diferente de agressiva. Eu podia estar sentada no banco, com lágrimas de raiva nos olhos e o maxilar trincado, mas eu preferia mil vezes ficar em silêncio no meu canto do que abrir a boca e mandar a minha avó (que ficava dizendo coisas como "ih, acho que eles não vão vim te pegar não" e depois pro meu tio "eu acho que ninguém vem, ela disse 18h e já está ficando tarde". Ela podia estar certa mas cada frase só me deixava 0,01% mais irracional.) calar a boca. Quando minha mãe chegou (sim, eu fiquei tanto tempo esperando que deu tempo de minha mãe ir na piscina e voltar) ela me perguntou algo e sem querer (eu tava pra explodir me deem um tempo) eu soltei um "Quê?" entredentes.
Se eu disse que meu humor é sempre calmo, a minha raiva é uma coisa realmente alarmante e quem sabe disso melhor que a minha mãe? Quando ela percebeu que eu queria matar alguém (e que eu tava pra chorar quando falei com ela - desculpem se eu sou emotiva), ela deu uma sugestão que na verdade eu já tinha pensado mas não ia sugerir. Ela me deu dinheiro pro ônibus e disse que eu ia e voltava com alguém. Eu simplesmente agradeci, me despedi dela e saí sem nem dizer mais nada. Eu não estava mais calma quando fui pro ponto de ônibus, mas já estava relaxando. Meus pensamentos estavam indo em outras direções e ignorando esses fatos. Mesmo assim eu ainda podia sentir a adrenalina e ainda podia ter partido o ônibus no meio pelo simples fato de ele ter demorado mais de quinze minutos pra chegar.
Eu só estava melhor quando cheguei na casa da minha amiga. Quase perdi o ponto porque esperava que demorasse mais, mas de qualquer jeito cheguei. Fui atacada por ela logo na entrada. A garota quase me derrubou. Quando cheguei fui apresentada (ou reapresentada. Eu já tinha visto eles, mas só de vista mesmo) a algumas pessoas incluindo o namorado dela que conforme informações fornecidas agora mesmo pelo facebook tem o sobrenome "Salvatori". Isso mesmo VampireManiacs ele tem o sobrenome dos vampiros mais lindos do mundo. Só que com "I". O mundo tá perdido mesmo.
O início de noite foi divertido. Apesar de fingir que não percebi quando cheguei e minha tia ergueu a sobrancelha e em seguida disse que tinha demorado, mas ela tinha mandado alguém me pegar sim (se ela mandou alguém porque ela ficou surpresa quando eu cheguei? Espera eu tô fazendo exatamente o que eu disse que odeio falando mal das pessoas pelas costas. Na verdade eu tô apenas me expressando, ah deixa pra lá eu parei. É que as vezes eu nem me dou conta de que estou escrevendo no blog e não no meu diário). Eu gostei do filme - apesar de não ter podido ver direito. Além disso, tinha pipoca com queijo e sorvete. E eu gosto de sorvete. Eu comi muito sorvete aquela noite. No final ela me deu (na verdade ela ia só emprestar mas disse que nunca mais ia ler e acabou me dando mesmo) o livro A Maldição do Titã livro três de Percy Jackson e Os Olimpianos que eu terminei de ler ontem, e eu fui pra casa de carona junto com a minha tia e meu primo. O resto da noite foi só ler e dormir.
A manhã do dia 22 de janeiro, também conhecida como ontem, trazia a expectativa da volta pra casa. Eu estava dividida, queria ficar, mas também queria estar aqui hoje então acabei vindo. Quando eu soube que minha tia-avó tinha dado a sugestão de minha avó viajar com eles, mas desistiu quando soube que minha mãe já tinha comprado todas, eu tive uma ideia brilhante. A gente podia vender a passagem da minha avó, afinal ia ter muita gente querendo pra voltar pro Rio. O gênio aqui mal sabia o quanto sua ideia seria útil.
A manhã foi bem sem sal. Eu podia dizer que eu passei a manhã lendo, mas eu tenho um medo sério de ser agredida. Então eu vou deixar pra lá. Depois eu fui almoçar e me preparar pra viagem.
O ônibus estava programado para as 14h10 e esperando a rodoviária cheia, meu tio foi levar a gente 13h. A rodoviária não estava cheia, mas conseguimos pelo menos devolver a passagem e pegar o dinheiro de volta. Enquanto esperávamos eu estava com vontade de beber advinha o quê? Não não é café. UMA LATA DE COCA-COLA! Olha que surpreendente! Minha mãe disse que comprava mas queria um sorvete antes. Sorvete + Coca-Cola = Você percebendo que eu tenho a melhor mãe do universo.
Mas compras feitas, nós fomos para o ônibus que chegou mais cedo. Ontem, eu estava pensando que eu ia dizer uma coisa linda sobre o amor entre a moça que sentou do meu lado e seu marido - que ligou pra ela 154845151815251845 vezes e correu perto do ônibus só para dizer tchau pra ela. Mas eu tô sentada nessa cadeira há quase 9 horas. Minha bunda tá pinicando. E eu preciso de um banho. Por mais positivista que eu seja, eu estou cansada. Então eu vou contar pra vocês o lado negativo da minha viagem.
Eu estava sentada na frente do ônibus de frente pra janela de vista panorâmica do motorista. Eu nem me dei conta de que o ar tava muito fraco. Até os passageiros começarem a reclamar do calor no ônibus para o motorista. Imediatamente eu fiquei com pena do motorista e com raiva desses filhinhos de papai que resolvem andar de ônibus e descontam tudo no motorista. Eu sou assim. Empática até o último fio de cabelo. E resumidamente, eu passei a viagem toda na empatia. Ou não teve um momento tenso. Quando chegamos na ponte Rio-Niterói o motorista foi pra pista da direita (afinal as placas mandavam ele fazer isso) e abriu a porta pra refrescar o pessoal de trás do ônibus. Porta aberta + velocidade + cantinho da ponte = Eu quase arrancando o braço da poltrona. Foi um dos momentos mais tensos da minha vida. Eu tenho muito medo de altura. Muito mesmo. Vocês precisavam me ver no Cristo Redentor pra ter uma noção.
Quando chegamos no Rio eu procurei o nome da Selena, mas nem isso. Achei depois quando estávamos indo pegar o ônibus até em casa, o que aconteceu logo depois que descemos do ônibus. O nome da Sel provocou as mesmas reações em mim.
Como eu preciso sair daqui o mais rápido possível, eu vou fazer um resumo rápido da minha viagem até Realengo. O 393 é uma das linhas que fazem um percurso mais longo e mais lotam do Rio de Janeiro. E isso é super aumentado, em domingo de fim de feriadão. Eu fui em pé e até estava tranquilo até o ônibus parar no Piscinão de Ramos. Pense o número máximo de pessoas, molhadas, bêbadas que um ônibus aguenta. Crianças barulhentas. Tinha uma mulher do meu lado, que me empurrou fazendo com que eu enfiasse o cotovelo na barriga o que doeu muito. Meu braço estava pressionando meu pulmão de uma forma chata e eu estava ficando com falta de ar. Eu precisei me virar de costas para essa mulher. Na minha frente e do lado da minha mãe, tinha um garotinho que quando foi colocado no colo da irmã e estava berrando "papai, papai, papai, papai, papai" a viagem toda, sendo que o pai dele estava na frente dele. Não me culpem por achar bem feito quando o garotinho bateu a cabeça. Tinha uma mulher toda molhada que resolveu sentar na escada e bem em cima do meu pé (eu estava de frente pra porta do meio). E atras de mim dois bêbados estavam enchendo meu saco o caminho todo. Eu comecei a pensar "Selena-Intuition-Coca-Cola" várias vezes pra tentar relaxar. E acabei agradecendo a Deus por minha avó não estar ali.
Depois de quase duas horas naquele pedacinho de inferno. Descemos em Realengo mais de 17h da tarde.

Amo vocês,
Juh.

P.S.: Deixem comentários, sugestões, e dicas. Espero que gostem. E não percam amanhã o último post do Diário de Bordo.

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