26/11/2012

Diário de Bordo 2 - Você pode fazer qualquer coisa - Parte 4: My Fashion Day

Pra contar essa história eu vou ter que voltar aos acontecimentos do dia 10/11 de setembro: O dia 10 de setembro, era pra ser uma segunda feira normal, com aulas normais e tristeza de segunda, etc. O que eu não sabia era que assim como no dia 02 de abril eu ia passar mal na aula de literatura e ir parar na enfermaria. Dessa vez eu acabei vomitando na frente da cantina da escola, o que incrivelmente ainda não está no top 7 de meus maiores micos já que eu já paguei alguns bem piores. Depois dessa, eu ainda vomitei na enfermaria e como ainda tava na época da internet 3G grátis da Vivo, eu entrei no twitter e comecei a falar sobre como me sentia enquanto passava por uma daquelas crises em que meu coração dispara e eu deixo de sentir as extremidades do corpo incluindo os dentes. Eu estava me sentindo um lixo. Minha mãe chegou e me levou pra casa pra tomar um banho antes de ir pro pediatra, porque já que no hospital nunca dava certo, no pediatra talvez desse. O pediatra foi só como foi em todos os outros lugares, ele marcou meu 6º exame de sangue no ano (depois disso eu ainda fiz mais um), e passou remédios pra vômito, um atestado de dois dias, etc. Logo, no dia seguinte nós fomos no laboratório pra poder tirar meu sangue. Isso é outra coisa que eu odeio fazer, mas que a essa altura já tô meio acostumada.
Anyways, foi depois de tirar sangue, enquanto ia tomar café, eu fui recrutada por uma moça que estava escolhendo pessoas pra uma promoção do Estrella Photo Studio. Por 10 reais eu teria o direito de fazer uma sessão de 18 fotos e escolher uma para ganhar em tamanho normal e ganhar um chaveiro com ela. Como eu sou magrinha e alta, não era a primeira vez que eu era chamada pra uma coisa do tipo, mas eu não sou o tipo de pessoa que quer ser modelo e se importa com isso, e tals. Mas eu estava tão mal e como minha mãe tinha se dedicado tanto a mim no dois dias e esse tipo de coisa a deixa tão feliz que eu aceitei sem pensar muito nisso. A foto escolhida da promoção foi essa aqui:
Que eu já tinha publicado nas redes sociais, já que saiu 10 dias depois da sessão.


Maaas, eu vou contar como foi a sessão também, pra explicar o que aconteceu depois e resultou no meu book.
Uma das primeiras coisas que eu percebi foi, eu definitivamente não sirvo pra ser modelo. Eu amei totalmente ser maquiada e ter o cabelo feito (nesses cachos perfeitos da foto de cima e das que eu vou postar pra vocês), mas eu simplesmente não consegui respeitar minha fotógrafa, depois de ter ouvido ela cantar Galinha Pintadinha pra criança que tirou as fotos antes de mim por quase uma hora. Aquilo foi engraçado demais pra mim. É tipo, a Melissa Ordway. Não dá pra considerar ela uma atriz séria depois de ver 17 again. Mas a questão é que mesmo aquela sessão boba foi muito divertida. Sem falar que isso sempre ajuda na auto estima.
No fim da sessão, minha mãe ficou apaixonada por fotos demais pra escolher uma só pro fim. Então depois de um bom tempo de conversa com a (eu não sei o que ela era, mas era uma funcionária) do estúdio elas acertaram um tipo de book que seria metade fotos minhas e metade da minha irmã (que ama esse tipo de coisa e chegaria lá pra tirar as fotos depois) e mais duas fotos grandes, uma de cada uma e uma foto gigante minha e da minha irmã (sendo que essa última não saiu ainda).
Então fomos almoçar, e fazer umas compras e minha mãe estava tão feliz de me ver linda e animada com isso que eu sabia que tudo tinha valido a pena. Depois do almoço e das compras (Btw, eu tinha comido uma barrinha de cerais antes da sessão já que eu tinha ido fazer o exame de barriga vazia)

Aqui uma pausa, pra destacar o fato de que o Google acabou de sair do ar e levou todos os seus sites juntos o que inclui o my melodie que é um blog do Blogger, que é do Google. Nunca me senti tão tensa quanto quando achei que podia perder meu blog. Isso nunca pode acontecer. Nunca.

Enfim, depois do almoço e das compras, minha irmã chegou e voltamos pra segunda fase da sessão. Demorou pra caramba e depois de  arrumar minha irmã e dar um retoque na minha maquiagem fomos para as últimas fotos, cuja sessão foi bem menor já que a fotógrafa tava meio cansada. E agora, sem mais delongas, aqui estão as fotos finais da sessão:







Essa é minha "foto da Naya" - a grande - porque a presunçosa aqui acha que essa foto ficou parecendo as dessa sessão aqui, da Naya Rivera.

E é isso.. Esse foi meu dia da moda.

Amo vocês.
Comentem e divulguem minha cara feia.
G.

24/11/2012

Diário de Bordo 2 - Você pode fazer qualquer coisa - Parte 3: Resultados finais.

A primeira coisa a dizer é: EU NUNCA ESTIVE TÃO ORGULHOSA DE MIM MESMA EM TODA MINHA VIDA! Depois de passar o ano todo reclamando de como ele estava sendo uma droga, essa pessoa aqui conseguiu fazer seu ano valer a pena em um mês!
O motivo da minha felicidade toda nesse momento, tem não só (ainda) a ver com as 9 visualizações em um minuto da terça-feira que quase me mataram do coração, mas também com: EU PASSEI DIREEEETOOOOOOOOOOOOOOO! Eu precisava de 9,5 em educação física, eu não tinha livro de química, eu tava uma droga nessa matéria junto com biologia e tudo que eu precisei fazer foi me esforçar um pouco E EU PASSEI DIRETO NO PRIMEIRO ANOOOOOO! ME AGUENTEM AGORA! Eu tô tão feliz, que resolvi transformar em post do Diário de Bordo.
Primeiro meu boletim veio errado, o que me fez sair da escola um pouco pra baixo porque eu realmente achei que tinha ficado de prova final em EF. Mas fazer o que? Eu estava orgulhosa de pelo menos conseguir recuperar em Química e Biologia que são os mais difíceis. Eu estava no meio da rua quando vi que minha nota estava errada (como eu tenho atestado, a nota da prova é multiplicada por 2, e eles não multiplicaram), e quase caí no chão. Eu comecei a gritar, "AI MEU DEUS, AI MEU DEUS, AI MEU DEUS" e a tremer na hora. EU GABARITEI A PROVA! Eu não consegui mais parar de sorrir. Só dá pra corrigir a nota na segunda, mas EU PASSEI e é isso que importa. Eu tava tão feliz que na hora em que caí na escada quando chegava no prédio (e esse tipo de queda, é a terceira lesão que eu tenho mais medo de sofrer depois de machucado no olho e hemorragia interna) e mesmo assim eu nem liguei pra isso. E olha só o que eu comecei a postar assim que entrei na internet:

TWITTER:

@mymelodie_: EU GABARITEI A PROVA DE EF! EU PASSEEEWEEEEWEEEEWEEEEEEEEEEWWWWQWWQQWWEEEEEEEEREEEEEEEEEEEWWEEEWI!
(isso foi no celular e eu tava tremendo, por isso saiu assim)

@mymelodie_: EUTO TREMENDO MUITO AGORA GENTE!! ACabei de LEVAR UM TOMBAÇO NA ESCADA E NÃO CONSIGO PARAR DE GRITAR!

@mymelodie_: Sabe o que é você achar que estragou todas as coisas boas da sua vida e descobrir que conseguiu recuperar tudo sozinha?

@mymelodie_: Eu nunca estive tão orgulhosa de mim mesma...



@mymelodie_: Esse momento merece uma sessão dos meus CDs.. http://instagr.am/p/SadngNrZy5/
(tô ouvindo Take Me Along agora)

FACEBOOK:

BOM DIA PRA VOCÊ QUE GABARITOU A ÚNICA PROVA QUE VOCÊ PRECISAVA PRA PASSAR DIREITO! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA


Giulia Duplat
há ± 1 hora próximo a Rio de Janeiro

Tem tipo, umas 3 notas erradas no meu boletim. '-'




Sem falar que é impossível eu só ter 20 atrasos. A primeira vez que eu cheguei na escola antes do sinal foi no 3º bimestre.

Vocês não fazem ideia de como isso era importante pra mim. Saber que eu não perdi as coisas que me mantem de pé todos os dias. Justo agora que eu sentia que o caos voltou a se instalar na minha vida, isso acontece e prova pra mim que.. Eu posso fazer qualquer coisa, hahahahaha.
Sobre as notas erradas, eu tô calculando todas agora, pra ver quantas ficaram erradas no final... Olhem minhas notas finais (as erradas tão riscadas e com o valor real do lado):
Língua Portuguesa     7,8     9,2     5,8     8,0  =  30,8
Literatura      8,0     8,0     7,2     4,5  =  27,7
Redação      9,2     9,7      9,3     9,0  =  37,2
Artes     4,7     8,5     9,5     7,2   =   29,9 
Educação Física     8,0     2,9  2,0     3,6 5,6     5,0 10   =  19,5 25,6 
Matemática     7,7     8,4     4,0     6,4  =  26,5
Química     7,2     7,8     4,4     7,2   =   26,6
Física     6,7     8,2     7,5     6,0  =   28,4
Biologia     6,9     5,5     5,4     6,9  =  24,7 
História     8,8     9,2     8,3     4,7 7,5  =  31 33,8
Geografia     7,9     8,0     6,4     6,2  =  28,5
Filosofia     8,5     9,5     9,0     8,5  =  36
Língua Estrangeira      7,3     7,7     6,7     8,5  =  30,2
Eu tirei 10 no trabalho de Artes que tinha "Enquanto a noite chegava.." e não recebi o trabalho de volta. A professora de redação tinha dito que queria me dar 10 na última prova e realmente ignorou alguns erros meus pra isso. Eu tirei 10 na última prova de espanhol, o que recuperou meu orgulho perdido quando eu tirei 4,5 na prova anterior, e isso que me deixou muito feliz. Acho que é só isso.
Pra terminar aqui vai, só pra deixar registrado, uma lista de metas escolares pra 2013, que como eu disse, será meu ano na escola:
- Terminar o ano com todas as minhas notas finais acima de 30.
- Tirar 10 em pelo menos em dois bimestres em história e redação.
- Ficar acima de 7,0 em química e biologia.
- Ficar acima de 9,0 em Língua Estrangeira.
- Não ficar abaixo da média, em nenhuma matéria.
É meio irônico prometer isso pro ano em que eu vou começar a fazer cursos, e fazer vestibular, mas tá valendo.

É isso.
Amo vocês.
G.


P.S.: Tá aqui a foto que eu tinha dito que faltou no último post do Diário:

Eu tava no banco do lado mesmo. Ignorem a cara. Eu tava com muito, muito sono.

22/11/2012

2013 Projects/Uma entrevista comigo mesma.

Weeeell, hoje é dia de ação de graças - apesar de eu só poder seguir algumas das minhas próprias tradições hoje. Sabe como é, quando você vive no Brasil sem os melhores feriados, você tem que criar suas próprias tradições pra aproveitá-los. No halloween eu fico inventando histórias de terror antes de dormir, apesar de não ter feito isso esse ano. - e isso significa que as comemorações de fim de ano começaram oficialmente. \Õ/ E é por isso que hoje eu vou divulgar meus planos do ano que vem para o blog. Como vocês sabem, a maioria das coisas pode muito bem não acontecer ou dar errado, mas no próximo ano eu definitivamente vou estar me esforçando pra fazer com que isso aqui funcione porque esse ano eu aprendi muitas coisas aqui e quero continuar assim.
Maaaaasss, de certa forma como um agradecimento (ação de graças, sacaram?) e um treino, eu vou explicar meus projetos e dizer outras coisas, em forma de entrevista. E aqui vai ela:

Q: Bem, a primeira novidade pra 2013, que no caso é o Diário de Bordo 2, já começou a ser postada. O que vem para o Diário desse ano?
A: No ano passado, o Diário foi o que mais trouxe atenção pro blog. E agora eu sei porque. Ele é simples, só eu mostrando tudo que acontece comigo. Se a gente parar pra pensar, na viagem ano passado eu não fiz nada demais, mas mesmo assim as pessoas gostaram. Então se eu for dizer o verdadeiro motivo de trazer o Diário de Bordo de volta, ele é: meu ego. Fazer as coisas pensando em escrevê-las no diário faz com que eu me dedique mais fazendo as coisas e depois ao perceber que mesmo as coisas bobas que eu faço recebem atenção, faz com que eu me sinta melhor sobre mim mesma, e é exatamente o que eu preciso. Então eu pretendo fazer o máximo possível pra fazer as minhas férias valerem a pena e colocar tudo no diário.

Q: No inicio do "O dia em que o my melodie virou blog de moda" você disse que tem ideias de estender "O dia em que o my melodie virou...", que ideias são?
A: A ideia é fazer vários uma série de posts no estilo d'O dia em que o my melodie virou blog de moda, fazendo com que o mm pareça outro tipo de blog. É mais fácil de explicar na prática, mas é isso que vai acontecer.

Q: E o que mais de ideias?
A:  Bem, eu não posso e não vou confirmar nada, mas eu tive ideias sobre o "melodie weekly" que é um resumo de toda a semana na minha vida e no mundo em geral. Além disso tem outras ideias que eu ainda preciso pensar melhor, pra tentar colocar em prática.

Q: O blog faz dois anos dia 07/02.
A: Isso é surpresa porque eu ainda não confio em mim o suficiente pra falar sobre o que eu vou fazer pra data. Além disso, eu só  vou começar a fazer isso no ano que vem, por causa de todas as outras coisas que eu tô fazendo agora.

Q: Novidades sobre contos?
A: A parte mais complicada não? Eu realmente gostaria de dizer que eu não vou escrever contos até eu terminar de escrever One More Time, mas todo mundo sabe que eu não consigo. Qualquer hora pode aparecer um conto aqui de surpresa, ainda mais no meu aniversário e em abril.

Q: E quanto a Songs?
A: Eu tive uma ideia realmente legal sobre Songs: criar uma página no TheSongsHistory para discussão sobre o fim da história, e então eu só postaria a história quando um número suficiente de pessoas estivessem nessa discussão. Assim eu divulgaria a história e faria uma coisa divertida lá. Mas isso precisa de esforço e dedicação, então eu preciso realmente do apoio da galera que entra aqui antes de fazer isso. Logo, logo eu vou dizer como "os leitores" (ainda odeio chamar eles assim) podem ajudar nisso.

Q: Promoções em vista?
A: Na verdade, eu tenho até que explicar o que aconteceu com ela promoção dos posters e é o seguinte: eu estava fazendo ele em parceria, e eu é quem tinha os posters, logo eu sou quem enviaria e mesmo assim a menina que estava fazendo a promoção comigo não pode ou não quis fazer as regras pra promoção então ficou meio que tudo pra cima de mim, e como foi na época do fim do hiatus, eu tava super atolada com as coisas e como ia ficar tudo pra cima de mim eu deixei pra lá. E respondendo a pergunta: não, eu não tenho promoções em vista porque eu não quero fazer nenhuma promoção até o blog ter um número regular de acessos. O verdadeiro motivo pra eu ter feito promoções esse ano, era pra conseguir views pro blog, e agora eu sei que eu não preciso tanto disso.

Q: Especiais de fim de ano.
A: Além do post de agradecimento tradicional, eu vou fazer uma retrospectiva 2012, com todos os posts principais do ano.

Q: Novidades no twitter do blog?
A: Não novidades, eu apenas queria trazer de volta algumas coisas, como os jogos e as enquetes que eu fiz no inicio do ano. Se as pessoas quiserem, claro.

Q: Facebook?
A: A fanpage tá super abandonada né? Eu não sei.. Foi bem divertido escrever Sem Título com o pessoal de lá apesar de só meus amigos terem participado. E talvez eu comece a fazer montagens pra postar lá também e isso vai ser certa forma de divulgação... Mas são só "talvezes". Eu não sou a maior fã do facebook.

Q: Fale sobre os resultados do blog nesse ano.
A: Eu acabei de ler os projetos pra esse ano que eu postei no ano passado, e sabe, nada do que eu disse aconteceu. Só as parcerias e mesmo assim, isso é pouco. Isso é quase uma metáfora pro meu ano. Eu esperei muito de 2012. E esse foi meu maior erro, esperar. As coisas mais incríveis aconteceram de forma natural e sem que eu esperasse ou então quando eu me esforçava. Não vou dizer que foi um ano bom, porque eu não me senti assim, mas não foi um ano ruim. Eu aprendi muita coisa e como pensava antes essas coisas fizeram de mim a pessoa que eu sou. E eu estou orgulhosa de mim porque sei o que tá acontecendo agora. E pensem o que quiser, mas todas essas coisas aconteceram porque Deus ouviu minhas orações de três anos e me deu a única coisa que eu realmente precisava. Mas pulando a toda divagação, eu estou mais do que feliz com os resultados do blog. Não aconteceu o que eu esperava, aconteceu muito mais. E essa é a coisa por qual eu estou mais grata nesse dia de ação de graças. Obrigada de verdade por todas essas coisas que aconteceram esse ano. Eu amo vocês.

G.

21/11/2012

Diário de Bordo 2 - Você pode fazer qualquer coisa - Parte 2: Reality Show do Coração (??)

O título dessa parte deve ser creditado a Isabella, que foi quem usou o termo "Reality show do coração" pela primeira vez. E desculpem a demora, eu não estava no clima pra escrever o Diário ontem.

Pra quem ainda não sabe, eu tenho feito exames pra caramba esse ano por causa de problemas de saúde que eu tive. A última novidade foram meus diagnóstico de depressão e arritmia ambas leves e não muito com o que se preocupar. De uma forma ou de outra, as duas precisam de cuidados e para esses cuidados acontecerem eu preciso fazer exames. E um desses exames eu tive que fazer na segunda. E ontem. Ele durou 24h. Enfim, o exame em questão foi o holter. Trata-se de uma máquina que fica monitorando meus batimentos cardíacos por 24h sem parar. E isso aqui é como foi essa experiência traumática:
Acordei 6h (é, eu nunca vou me livrar da zica de acordar as 6h o tempo todo). Tomei banho. Tomei café e saí. Eu e a minha mãe precisávamos estar em Madureira as 8h e como a gente não conhecia bem o lugar, a gente saiu de casa cedo pra chegar a tempo, então pegamos o ônibus e fomos. A viagem de ônibus foi só uma entre várias. Fui ouvindo música como faço sempre que o celular tá carregado (e estou fazendo agora pra poder descarregar ele). E é claro, fiquei pensando na vida.
Chegamos em Madureira 7h50, (no meio do caminho, eu vi pela primeira vez um ônibus que dizia a data, a hora e a temperatura e ele ia pra Leopoldina, o que eu acho que seja discriminação com os bairros mais pobres) mas passou de 8h enquanto a gente procurava o lugar já que a gente parou um ponto antes e andamos pra caramba em uma direção e na outra pra poder achar o prédio - que é um shopping - onde fica a clínica. No segundo andar do shopping, tinha wifi. E foi assim que eu twittei isso:

@mymelodie_OMG, tem wifi aqui!!

Então entramos no elevador e fomos pro terceiro andar que já não tinha mais wifi. Então fomos colocar as máquinas. Depois de algumas complicações (já que a minha mãe esqueceu algumas coisas de tão avoada que saiu) nós fomos colocar as máquinas. Elas ficam assim na gente:

E tinha mais dois desses que ficavam em lugares que eu não podia mostrar nas fotos.

E então depois disso, recebemos fichas para anotarmos as principais atividades do dia (comer e dormir - foi apenas o que eu anotei). E saímos. Aí eu twittei isso no segundo andar:

@mymelodie_Coloquei o router ja..
(yep, eu escrevi errado, mas vou explicar porque. Eu não sabia escrever, quando eu procurei como se escrevia eu tinha escrito certo, então eu coloquei na cabeça que se escrevia da forma mais fácil, e estava errada. Descobri a forma certa [holter] lendo a máquina)

Então eu e a minha mãe resolvemos voltar pra casa de trem. Isso foi legal porque eu nunca tinha andado de trem. Nós erramos a estação, mas quando chegamos na segunda deu tudo certo. E eu dei muita sorte porque eu peguei um dos novos trens que estão chegando na cidade. *-*

Não dá pra ver direito, mas vamos apenas dizer que comparar esse trem ao velho é a mesma coisa que comparar o centro do Rio à zona oeste.

Eu sentei no banco de lado (a foto infelizmente não tá nesse computador, então não dá pra postar. Mas eu posto ela no próximo post do Diário pra vocês verem), o que me deixou estranhamente super tonta e foi engraçado. Mas foi uma viagem divertida, eu diria uma ótima primeira viagem de trem.
Nós acabamos indo pra Bangu, que é a estação mais próxima daqui. E como a gente já tava lá, fomos resolver uns problemas, como por exemplo tentar pegar meu book (mais sobre isso depois) que deveria ter saído dia 16 mas no fim só vai sair dia 28. E então compramos algumas coisas (eu tava agindo como se fosse pagar por tudo e me achando "a adulta" por isso, mas a verdade é que minha mãe vai me pagar depois porque eu realmente preciso daqueles 50 reais).
Então fomos (viemos) pra casa. E o resto do meu dia resumiu-se em: computador. Porque eu terminei o "O dia em que o my melodie virou blog de moda" naquela segunda. Então vamos apenas dizer que as coisa demais que aconteceram nesse meio tempo foram: as fotos que eu postei no instagram, as de cima e essa:


Aquilo me machucou e me apertou, eu menstruei (OMG, agora eu me sinto no Diário de Bordo de verdade - chequem a parte 9 do Diário 1), eu comi com intervalo de duas horas e o mais importante: EU TIVE UM ATAQUE PARANOICO POR NÃO PODER TOMAR BANHO. Óbvio que com aquela máquina eu teria que passar 24h sem tomar banho. Eu amo água. Cheiro de sabonete, e como qualquer pessoa normal, me sentir limpa. Então, isso foi uma droga. E eu fiquei parecendo uma maluca tendo uma crise por não poder tomar meu banho e ter que dormir suja.
E falando em dormir, foi a parte mais complicada da coisa toda. Eu não durmo em qualquer posição e o aperto dos (eu não sei como aquilo se chama, aqueles botões da foto um), aumentou na posição que eu durmo normalmente. No meio da noite um dos botões, o laranja, soltou e eu não faço ideia de como isso vai afetar o exame. O fato é que eu me esforcei pra dormir bem apenas pro tempo passar logo.
As oito da manhã de ontem (não acredito que foi só ontem, parecem anos) eu fui acordada pra tirar a máquina, então virei pro outro lado da cama e dormir por mais três horas. A tortura finalmente tinha acabado e eu podia comemorar isso com meu sonho do dia anterior: Um banho. Agora o que falta são só os resultados.

Com amor (pelo menos na maior parte do post),
G.

19/11/2012

O dia em que o my melodie virou blog de moda.

AVISO: Esse é um dos posts mais cheios de besteira no blog. Por um motivo bem simples, eu tenho minhas próprias opiniões deturpadas sobre moda. E se você tem um blog de moda e ficou ofendido com qualquer coisa que eu disse, POR FAVOR COMENTA? *_* E se quiser tirar print, postar nas redes sociais e no seu próprio blog também, FAÇA ISSO! Obrigada.

Acho que vocês nem lembravam mais que eu tinha falado nesse post né? Ele é quase pré-histórico a essa altura, mas eu nunca desisti de postar ele porque eu tenho ideias de estender "o dia em que o my melodie virou..." no futuro. Então aqui vai ele:
Acho que dava pra deduzir como esse post seria pelo que eu tava falando sobre ele, então eu vou falar como ele surgiu: Era uma bela noite de sexta-feira muitos meses atrás (quase todas as noites de sexta-feira são belas. E é claro na TV não é nada tão belo assim, já que, geralmente, só pessoas sem vida ficam em casa vendo TV sexta-feira a noite e normalmente a programação é de dar sono - e dormir cedo sexta-feira a noite é sacrilégio) e eu tava vendo TV (foi numa noite que passou Outro Conto da Nova Cinderela no SBT) quando todo mundo já tinha ido dormir (isso não acontece há um bom tempo). Eu tava passeando pelos canais procurando algo interessante (o áudio de ACS tava horrível, e não dava pra por em inglês, aí eu desisti) pra ver quando achei um canal que tava no comercial passando uma competição da HP, se não me engano, entre blogueiras e a que ganhou, ganhou um notebook personalizado. Aí eu comecei a pensar: "elas são de blogs de moda" "blogs de moda, são supervalorizados" "grande coisa, um blog de moda. O my melodie podia ser blog de moda se eu quisesse" "espera aí.. O my melodie... podia ser um.. blog de moda, se eu quisesse" E foi assim que surgiu a ideia do post.
Originalmente, eu tinha explicado o que aconteceu até esse post ficar pronto mas como aconteceu muita coisa e ele levou muito tempo, eu vou pular essa parte e ir direto pro post. *-* Então isso é como o my melodie seria se fosse um blog de moda..

Post 1: Fica bom nela mas não ficaria bom em você.


Todo blog de moda que é blog de moda tem posts ensinando como "copiar" visuais que famosas usaram. Mas nenhum deles conta com um pequeno problema, o fator "FBNMNFBEV" ou "Fica bom nela, mas não ficaria bom em você" porque sejamos justos, as pessoas são diferentes, e ficam bem em estilos diferentes. Além disso, você nunca vai achar a roupa toda igual. Alguns acessórios talvez você encontre e tudo bem copiar eles (wish list - post 3), mas você nunca vai conseguir achar o visual completo, vai acrescentar outras coisas e KABOOM! Acredite, acontece com as pessoas mais bonitas.

Aqui está um ótimo exemplo de visual que o mundo não devia tentar copiar:
Créditos: Amalia

Outro exemplo?
Uma dica? Nunca tente ser Emily Vancamp.

Post 2: Glam Post

Vamos falar de "glamour". Primeiro: QUE DIABOS É GLAMOUR? (aliás que palavra mais chata. Nem sei porque tô usando tanto ela. Desculpa, mas é) Na origem da palavra "glamour" significa "encanto; simpatia; charme". Então é isso que você precisa para ser glamourosa. E aqui vai as fotos que eu reuni que são puro glamour:

Words are unneeded... Créditos: Amalia

Sorry, achei o decote muito grande. '-' Mas fora isso o vestido é perfeito.

#SimpleGlam

Considerando a origem mais profunda da palavra, tudo sobre Melissa Ordway é glamouroso.

#SimpleGlam2 a Chloe (Candice) tá demais vai? *-* Não? Tá sim.

Post 3: Wish List

E esse é sobre aquelas roupas, acessórios e sapatos que eu quero:

Créditos: Amalia





Sobre isso: Talvez seja por causa do meu estranhamente recente amor pela cor verde ou não, mas eu realmente gosto das roupas da Layla (Danielle) em Sky High. Esse vestido, eu amo.



Post 4: Biggest Fashion Icon


E pra fechar com chave de ouro, vamos falar sobre o maior ícone fashion mundial em minha humilde opinião. Ela até pode ter seus problemas as vezes mas ninguém me convence de que existe alguém que seja mais perfeita em estilo que Leighton Meester (seja como Blair Waldorf ou seja ela sendo apenas). E aqui vai a prova:


 Essa época era vida.

Precisava por essa foto..
Certo. Então talvez eu tenha conseguido achar mais fotos da Blair que eu realmente gostei, mas que seja...

E é isso. Eu sei que o post ficou bem pobre, mas eu não tive a ajuda que tinha pedido e tive que me virar. Sem falar que amanhã e na quinta eu vou compensar vocês totalmente. E isso é uma promessa. Além do mais eu precisava desse post para introduzir os outros que virão então tive que postar.

Amo vocês.
G.

15/11/2012

Diário de Bordo 2 - Você pode fazer qualquer coisa - Parte 1: Primeiro dia de férias.

É ISSO MESMO QUE VOCÊS LERAM, O DIÁRIO DE BORDO VOLTOOOOOOOOOOU! Eu pensei muito antes de decidir que ele voltaria... Quer dizer, sobre o que eu vou falar esse ano? Eu não vou viajar nem nada. Além disso, eu tô super dedicada as minhas séries e a One More Time (eu tô escrevendo bastante mesmo) e ainda tem postagens incompletas nos rascunhos com datas de postagem certas e será que conhecendo eu como eu conheço, mesmo eu estando de férias, eu vou conseguir lidar com tudo isso sem ficar atolada? Mas a questão é, eu realmente acredito que eu posso fazer dessas férias o melhor possível... Quer dizer, eu realmente mereço aproveitar minhas férias depois do ano que eu tive, e no momento eu realmente acredito que posso fazer qualquer coisa (por isso o nome do Diário esse ano). E além disso, eu tenho que colocar meus planos em ação e enfrentar as consequências, certo? Se não der, não deu. O que eu vivo agora é só o primeiro passo para todos os meus sonhos.
E agora, depois dessa linda introdução. Aqui vai oficialmente a primeira parte do "Diário de Bordo 2 - Você pode fazer qualquer coisa":

Pra variar, o dia começou as 6 horas. Mas isso aconteceu pela última vez no ano (isso se eu der a sorte de não ir pra prova final de educação física - longa história - ou de ela acontecer depois das 7h) então não era tão ruim. A primeira surpresa do dia foi perceber que meu toque de despertador tinha sido mudado com a atualização de software que eu fiz dia 13, e tinha deixado de ser "Glee - Gimme More" pra ser o toque padrão - e pensando bem eu nem mudei isso ainda. Depois disso eu fiz as mesmas coisas que estava fazendo nos últimos 8 dias: entrei no twitter, stalkeei, levantei, me arrumei, comi e saí para as provas.
As duas últimas provas do ano foram de Química e Biologia (como sempre são), ou seja, as duas matérias em que eu sou pior. Mas eu estava tranquila porque tinha me dedicado bastante às ultimas provas e tinha conseguido boas notas, dadas as circunstancias. Apesar da prova de biologia, ter sido um pouco mais complicada do que eu esperava eu sei que fui bem em ambas as provas e estou bem orgulhosa de mim mesma agora. (E anotem o que eu tô dizendo, a questão 9 de química, vai ser anulada. As opções estavam erradas). E o melhor é que quando eu cheguei na questão 8 da prova de química, eu comecei a pensar "férias, férias, férias, férias, férias" no maior estilo High School Musical 2, como eu acabo fazendo todo ano (quer dizer, qual mais sem noção eu posso ficar?). Então, eu fui pra casa feliz da vida e entrei no twitter assim que cheguei, twittando:

@mymelodie_ : FÉRIAS MEU POVO! FÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉRIAAAS!!!!!!

Eu sempre fico assim no primeiro dia de férias, mesmo que ainda tenha uma pequena fase pela frente. Mas eu sou assim. Enfim, eu fui pro notebook e pra comemorar as férias, que estavam em contagem regressiva nos Extras, eu resolvi fazer um ensaio sobre o ensino médio (post abaixo) que não é um dos meus melhores trabalhos nem de longe, mas eu fiquei orgulhosa de escrever alguma coisa em tão pouco tempo e me sair regularmente bem (além do mais, depois eu corrigi).
Depois disso, eu tive que ir com a minha mãe - que tinha ficado em casa por causa da dor na panturrilha e no tornozelo - até a clínica ortopédica, onde de qualquer jeito eu teria que ir por que eu tinha RPG marcado pra 13h30. Eu tenho que admitir, fazia um bom tempo que eu não passava um tempo tão legal com a minha mãe. (E eu provavelmente deveria ter dito isso pra ela antes, mas vou dizer de qualquer jeito). Claro que no médico não foi tão legal assim, mas depois foi bem divertido.
A gente pagou uma conta e fomos no caixa eletrônico, mas depois disso fomos no Rei do Mate tomar capuccino e comer pão de queijo. Aí a gente começou a conversar sobre o trabalho dela o que evoluiu pra uma discussão histórica (eu realmente acho que se metade das pessoas parassem pra pensar nos processos históricos que levaram a sociedade a pensar como pensa hoje, muita gente mudaria o jeito como age), até uma conversa sobre denominações e etc. Esse tipo de conversa com a minha mãe é como uma aula de história do brasil ou como as minhas aulas da faculdade serão (eu acredito nisso). É como se eu entrasse em um imenso poço de "como eu estou conseguindo prestar tanta atenção?". É uma conversa que pode ser considerada extremamente chata pra muita gente, mas é uma conversa inteligente e é tão legal formar minhas opiniões sobre coisas assim que eu que sou a pessoa mais distraída do mundo, acabo me focando completamente nela.
Anyways, nós passamos mais de uma hora nisso antes de finalmente sairmos da mesa e irmos pras Lojas Americanas. Na época do Natal, as Lojas Americanas são a melhor loja pra visitar. E por causa de nada mais nada menos que: PELÚCIAS DE NATAAAAAL! Isso é nada mais nada menos que a melhor coisa relacionada ao Natal, ever. E eu acho que deve ser por esse motivo que eu amei a decoração de natal do shopping esse ano:








Tão fooofo, certo? (BTW, todas as fotos do diário desse ano virão do meu Instagram - www.instagram.com/lamusiqueestlair) Enfim, enquanto a gente tava nas Americanas e depois quando a gente foi a outra loja, minha mãe disse a coisa mais incrível que ela já disse em anos: Esse ano ela quer um Natal completo!! Com direito a ceia, toalha de mesa, compoteiras com doces, muita comida, arvore de natal e decorações extras e até presentes embaixo da árvore que só serão abertos na manhã de natal. E tudo isso pra que a gente compense o ano passado, cujo natal foi uma droga completa. Mas pra vocês entenderem porque isso me animou tanto, a gente nunca teve um natal de verdade. Bem, tinha sempre os jantares de família e uma vez a gente passou até com a família do meu pai, mas essas coisas como decoração completa, presentes na árvore e ceia mesmo só com nós três, nunca aconteceu. E é tão perfeito. VOCÊS CONSEGUEM IMAGINAR O NÚMERO DE IDEIAS QUE EU TENHO PRA FAZER O NATAL PERFEITO? *-----------------------------------------------------------------------------------*
Anyways, eu tenho que não esperar e fazer porque eu sempre sou decepcionada quando espero por muito e não faço nada.
Depois da primeira parte das nossas compras de natal feitas, nós fomos pra clínica de novo pra minha mãe fazer fisioterapia e eu RPG. Apesar de eu ter inicialmente ficado brava com a Dra. por ela ter chegado 15 minutos atrasada e ficado enrolando, eu um pouco depois comecei a amar ela. (eu mudei de fisioterapeuta e de dia de sessão. Agora eu tenho RPG em grupo as quartas, 13h30 e psicólogo as sextas, 17h) Ela é bem legal e o RPG de grupo é um milhão de vezes melhor que o individual. É muito divertido, mesmo que hoje tenha sido com uma pessoa só além de mim. O tatame é mais confortável e os exercícios são até mais legais apesar de serem mais complicados também. Eu fiquei bastante animada com a primeira sessão. E no fim ganhei massagem com massageador. Melhor. Massagem. Ever.
Depois disso comprei o adaptador pro meu notebook (finalmente), e no supermercado, comprei queijo e 602 gramas de CREME DE GOIABA! Simplesmente o melhor recheio de pão do mundo! Eu quase morri afogada com isso quando comi a noite.
E é isso. Depois de me divertir, receber boas noticias, ser surpreendida com uma coisa que devia ser ruim, e ser mimada, eu voltei pra casa e comecei a escrever. Eu só acho que todos os dias deveriam ser assim...

Não esquecem de deixar comentários. Eu seria muito feliz se o Diário desse ano fosse mais popular que o do ano passado. Amo vocês.
G.

PS: O menu do Diário de Bordo esse ano tá lá em cima, no Extras.

14/11/2012

Ensaio sobre o Ensino Médio..

Bem, a primeira coisa a ser dita é, eu não deveria estar no ensino médio agora. Eu deveria ter mais um ano de fundamental, e entrar aos 15 como todo mundo. Mas as minha mania de saber tudo me fez aprender a ler e escrever sozinha, e ser adiantada na escola.
Mas se eu disser que isso é ruim ou é o motivo de as coisas terem saído como saíram, eu vou estar errada. Não é o motivo. O verdadeiro motivo abrange anos de complicações que resultaram nos meus problemas de hoje. A questão é que quando eu era mais nova eu realmente achava que quando eu fosse entrar no ensino médio eu fosse ficar ansiosa pra viver aquelas experiencias de filmes que por mais que eu saiba que não são reais, eu sempre acabo esperando (e sendo decepcionada). Mas quando eu finalmente cheguei ao ensino médio, tudo que eu queria era acabar ele. E o mais rápido possível. E essa é a causa de eu não ter percebido antes, fatos que eu só vim perceber agora sobre a experiencia clichê menos clichê que alguém pode passar um dia, chamada ensino médio.
Primeiro, as castas não existem. Todo mundo fala com todo mundo agora. Claro que existem os populares, mas eles não causam tanto impacto na nossa vida como nos filmes. E claro que também existem os excluídos (meu grupo!), mas eles nem sempre sofrem bullying ou são desprezados, as vezes eles são excluídos por vontade própria, simplesmente por achar que não se encaixam.
Segundo, toda aquela coisa sobre sexo, bebida, drogas e tudo mais, é real. E é bem mais real do que os adultos imaginam.
E por último, na vida real, a inteligência é bem mais valorizada do que na ficção. Eu aprendi que por mais popular que um idiota seja, ele vai ser visto pelas pessoas como um idiota. E por mais excluído que alguém inteligente seja, ele sempre vai ser admirado de uma certa forma.
Minhas conclusões sobre isso? Eu sempre achei que a escola fosse uma ferramenta de tortura que nos força a viver em sociedade com pessoas estranhas e aprender que a vida é uma droga. No ensino médio, isso é multiplicado por 10. Mas isso, (e eu nem sequer ligo de isso estar no top 10 dos maiores clichês da humanidade) ensina que a gente pode ser o que quiser e fazer o que quiser.
Ou pelo menos é o que eu acho. Veremos no segundo ano.

G.

10/11/2012

Diário sobre O Diário de Anne Frank

Como as críticas do my melodie nunca são normais, e eu não acho que eu tenha categoria pra criticar um dos maiores clássicos de literatura não ficcional da história, eu tive a ideia - na aula de física - de fazer o texto sobre o melhor livro que eu ando lendo ultimamente em forma de diário, narrando cada um dos dias que eu passei lendo ele. Espero que fique suficientemente interessante.

Terça-Feira, 16 de outubro de 2012.
Eu pude finalmente começar a ler o livro, que roubei peguei emprestado das minhas primas na semana passada, entre a primeira e a segunda aula (física 1 e espanhol). Tem tanto tempo que eu queria ler o Diário de Anne Frank. Eu lembro que ao contrário da maioria das pessoas, eu ouvi falar desse livro sozinha, em uma noite na casa da minha avó enquanto eu fuçava os livros de português dela atras de tirinhas e textos legais (eu li todos os livros didáticos de português da casa da minha avó. O que é muito), e vi uma parte do livro. Claro que depois disso eu já tive aulas sobre segunda guerra mundial ano passado e a professora pediu pra que a gente lesse e tudo, mas eu não queria ler por influencia. Mas depois de achar o livro, e considerando o último livro que eu li (que era tão ruim que eu nem consegui terminar), eu estava ansiosa pra começar logo.
E então eu comecei. Tenho que dizer que o prefácio me frustrou. Mas foi porque eu não sabia direito o que tinha sido cortado do original e o que tinha sido mantido. E aquilo era frustrante porque eu queria detalhes. Mínimos. E tinha medo de terem cortado os detalhes que eu queria. Eu quero ler a versão sem cortes do diário, que pelo que eu li, existe em algum lugar.
Depois dessa lida rápida entre as duas aulas, eu só pude voltar ao livro no fim do intervalo - já que passei o inicio dele fazendo minha avaliação de filosofia da qual eu tinha esquecido completamente durante os últimos sete dias - e continuei com pequenas pausas para fazer dever e prestar atenção na aula (escola só atrapalha meu rendimento). Eu cheguei até uma parte em que eles já estão no esconderijo, mas ainda falta muito pra ler.
Eu tenho que admitir que a vontade de chorar veio bem antes de começar os relatos da guerra. Quer dizer, uma adolescente de 13 anos, que apesar de cercada de gente nunca teve um amigo de verdade porque não consegue se aproximar de ninguém? Não consegue confiar e nem falar sobre coisas sérias com os amigos porque apenas quer se divertir e esquecer com eles e depois sente falta de ter alguém que confie e além disso tudo distrai o fato de se sentir sozinha com histórias e diários? EXISTE ALGUMA CHANCE MESMO QUE MILIMÉTRICA DE EU NÃO ME IMAGINAR NO LUGAR DELA?
E o pior é que eu consegui amigas de verdade (uma delas em quem eu confio cegamente e sempre vai ser a pessoa mais importante pra mim, apesar de tudo que aconteceu depois disso). Pessoas em quem eu confio. E a Anne não. A guerra tirou tudo dela. E ela ainda sofreu no esconderijo mais do que o fato de ela estar fugindo da guerra. As pessoas a faziam passar por coisas que ela não precisava passar. É uma droga ler um livro, saber que é baseado em uma história real, se sentir com a personagem principal se sente e saber que o final feliz dela não existiu.
Agora sim faz sentido porque esse livro é um dos mais lidos e traduzidos do mundo.

G.
Quarta-Feira, 17 de outubro de 2012
Aviso: Os níveis de preguiça pra digitar esse dia do post ultrapassaram o recomendado pelo Ministério da Saúde, então se eu deixar de fazer sentindo em alguma parte, eu avisei.

Outra quarta-feira normal na minha vida, com omissão de tarefa e olhares decepcionados em Química. Papo furado sobre livros na aula de português.

Quinta-Feira, 18 de outubro de 2012 (ANIVERSÁRIO DO ZAC EFRON *-*)
Como o diário de ontem (dia 17) foi rudimente interrompida pela coisa mais incrível que me aconteceu em semanas, (pra quem não sabe eu não quero contar "Guarde as melhores coisas pra você e só divida o que possa fazer bem para outras pessoas como fazem a você", disse um sábio, que pode ou não ter sido eu, um dia) eu vou continuar o relato de onde eu parei. Vejamos, a aula foi basicamente normal, o que significa que eu li bastante.

Sexta-Feira, 19 de outubro de 2012
Pois é. Só pra ter uma noção de como as coisas estão eu não consegui terminar nada por dois dias. Mas dessa vez vai e sem interrupções.

Quando mais longe você vai indo enquanto lê O Diário e descobre mais sobre Anne, mais você se coloca no lugar dela e mais sofre junto. Dá pra entender como ela se sente mesmo não sentindo aquilo na pele. O medo, a pressão sobre ela, a raiva. Claro que do ponto de vista dela não dá pra ver tudo, e nunca que num país em que nunca teve uma guerra, vivendo confortavelmente você vai entender completamente a vida em um esconderijo, mas dá pra entender a sensação. E se sentir mal por ela e ao mesmo tempo se sentir forte.
Mesmo não tendo acabado de ler o livro ainda eu sei que Anne foi forte até o final. Eu acredito nisso pelos lugares de onde ela tirou força. Ela me faz pensar em outras pessoas que eu conheço e na frase "Deus nunca dá nada que você não consiga suportar". De uma forma ou de outra o livro tem feito eu me sentir bem, apesar da vontade constante de chorar.
Mas voltando as partes do livro, depois de passar por umas passagens realmente chocantes - do tipo: OMG ANNEEE!- e descobrir as novas paixões da Anne - trocadilho insinuante pra não dar spoiler - eu tô ficando triste por já estar chegando no final, mesmo que depois - como o livro é um vira-vira - eu vá ler Contos do Esconderijo - uma série de histórias escritas pela Anne enquanto ela estava no esconderijo que ela inclusive cita no diário.
Eu estou morrendo de curiosidade sobre o que o relacionamento dela vai dar e como é o último dia que ela escreveu o diário. Mas isso só vai acontecer se eu continuar lendo e eu tenho muita coisa pra fazer pra conseguir tempo pra isso, então eu já vou indo. Como diria Anne, amanhã tem mais.

G.

Sábado, 20 de outubro de 2012
Hoje eu tenho pouca coisa pra dizer (oh, bite me, o dia foi um caos - trocadilho interno - e eu escrevi no meu diário, depois de 2 meses e 10 dias então). Só queria dizer que tô bem feliz por saber que Anne pelo menos conseguiu se aproximar tanto de alguém como Peter. Mesmo se apaixonando e enfrentando o drama (Ter 14 anos não é fácil pra ninguém), ela conseguiu o que queria e foi feliz por isso. E isso me deixa feliz. Até amanhã.
G.

Segunda-Feira, 29 de outubro de 2012
NOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSAAAAAAAAAAAAAAAAA. Não sei o que é pior, eu ter escrito a última parte do diário há 9 dias, ou o fato de eu ter levado 13 dias pra ler "O Diário de Anne Frank" e "Contos do Esconderijo". EU LEVEI MENOS TEMPO QUE ISSO PRA LER "A TORMENTA DE ESPADAS"! E ATDE TEM 840 PÁGINAS ENQUANTO O DIÁRIO TEM 350 E OS CONTOS 140 NA EDIÇÃO DE BOLSO! Eu sei que eu fui parar no hospital, e tive vários problemas nesse meio tempo, MAS NÃO JUSTIFICA. Orgulho ferido. </3 Mas agora já era então vamos a """""""crítica""""""".
A primeira coisa que eu tenho a dizer é: eu não chorei com o livro. Não se enganem, eu senti muita, MUITA, vontade de chorar. Mas não chorei. Isso é bem comum de mim, e talvez eu não tenha chorado porque quando eu cheguei ao fim eu estava, hmm, "com pressa". Mesmo assim, eu fiquei de coração partido. Quer dizer, na última coisa que ela escreveu, ela diz tanto sobre si própria, sobre coisas que ela guardava. vezesE bem, eu tentava ao máximo evitar comparações sobre ela e a minha melhor amiga, mas as  é totalmente inevitável e como eu acho que ela não vai ler aqui, tudo bem. É só que, ambas são tão incríveis. Fortes. E as coisas que a Anne disse no livro. Então eu não pude não ficar com o coração partido, mas de certa forma feliz. Quer dizer, "Deus nunca dá a ninguém um sofrimento que não possa suportar", certo? Ela passou pelo que teve que passar, e foi forte até o fim e quando ela foi embora, foi porque estava na hora dela, e ela foi como uma mártir. É assim que eu me senti sobre o livro. Não triste por tudo que aconteceu a Anne. Mas sim feliz por ela ter deixado o diário para o mundo.
Quanto aos "Contos do esconderijo"... Primeiro eu fiquei chocadamente feliz por saber que a Anne queria ser jornalista e escritora (ASSIM COMO EU, pra quem não sabe). E sobre os contos o que eu tenho a dizer, é que eu queria ter talento pra conseguir escrever contos simples e leves como esses. As vezes simples é melhor, e apesar de eu gostar bastante (e receber elogios sobre) das coisas que eu escrevo, eu sei que o que eu escrevo pode ser bem complicado.
Enfim, é isso. Eu fiquei completamente apaixonada pela história e pelas histórias (que trocadilho péssimo, Giulia) de Annelisse Maria Frank (momento eu usando conhecimento da Wikipedia, pra deixar o post mais chique). E realmente quero ler mais sobre o assunto.
G.

PS.: Desculpem a confusão, a indecisão, etc. Eu quis que ficasse parecendo um diário mesmo então nem editei nada que eu disse.
Amo vocês.

06/11/2012

Último Dia de Inverno - Parte 2


Quando eu tentei soltar a mão dele ele não deixou, então entrelacei os dedos nos dele e descemos o Monte de mãos dadas (eu sei, soa ridículo).
No meio do caminho, mais ou menos onde eu tinha transformado as Selenitas, Nate perguntou:
- O que acontece depois que você ganha a Competição?
- Bem, a gente geralmente vai pra sede da Ordem no país e passa a primavera descobrindo com o que vai trabalhar.
- Você vai amanhã mesmo?
- Geralmente, eles dão uma semana para poder aproveitar com os familiares. Mas, como eu não tenho nenhum, eu prefiro ir amanhã mesmo. Porque a pergunta?
- Eu estava pensando que depois disso a gente não vai poder passar mais tempo juntos.
Eu parei de andar. Aquilo era verdade. Quando eu fosse pra Ordem, eu provavelmente não o veria. Pelo menos por um bom tempo. E eu fiquei surpresa por isso até doer. Quer dizer, nos conhecíamos havia menos de um dia. Mas talvez fosse exatamente por isso que separar a gente agora fosse tão ruim. Eu precisava de mais tempo com ele.
- O que foi? – Ele perguntou vendo minha reação.
- A gente não vai deixar isso acontecer, vai?
Ele deu de ombros.
- O que a gente pode fazer? Eu não posso ir com você pra Ordem, sem fazer parte dela.
- Mas... Mas a Ordem pode ajudar você com a sua história, e...
- Mas não tem como eu fazer parte da Ordem, Chloe.
- Mas... Mas... – Eu odiava gaguejar. Mas ele estava certo e não havia muito a discutir sobre isso. – Mas eu ainda preciso descobrir tanto sobre você.
Ele sorriu.
- Você ainda tem até o meio-dia.
- Não é tempo suficiente.
- Como você tem tanta certeza?
PORQUE MEUS OLHOS ESTAVAM CHEIOS DE LÁGRIMAS?
- Eu só, sei. – Disse engolindo em seco.
Ele apertou os dedos nos meus.
- Não fica assim, Chloe. Vai ficar tudo bem. Ainda pode acontecer muita coisa hoje. Só mantenha o foco no seu objetivo, ok?
Eu simplesmente balancei a cabeça e nós continuamos a andar. Eu fui pensando em algumas perguntas no caminho:
- Qual sua cor preferida?
- Verde.
- Prato preferido?
- Peixe com batatas.
- Aniversario?
- 23 de agosto. E o seu?
- 30 de outubro. Hmm, se você pudesse jantar com uma personalidade, quem seria?
Ele riu.
- Sempre quis que me perguntassem isso. Michael Jordan.
- E por quê?
- Porque ele é o maior jogador de basquete de todos os tempos. Eu gosto de basquete.
- Hmm... Posso pular a pergunta sobre esporte preferido então. Poder preferido?
Ele parou pra pensar.
- Qualquer um relacionado à água.
- Percebi. – Eu disse, rindo. – Mas por quê?
Ele deu de ombros.
- Porque a água é a maior força da natureza. E ela controla a vida.
- Oh. – Foi o que eu consegui dizer.
Nesse ponto, nós chegamos ao Festival. Incrível o que uma energia desconhecida pode fazer com fadas. Todas, exceto as crianças que estavam distraídas demais com seus poderes, olharam em nossa direção, curiosos. Eu já tinha esquecido que estávamos de mãos dadas, até perceber os olhares em direção às nossas mãos. Aí, eu tentei soltar a mão dele de novo, mas só o fez apertar tão forte que minha circulação ficou presa.
Depois de um minuto constrangedor inteiro, a diretora Janie saiu do meio da multidão e apareceu para nos saldar.
- Olá. - Ela disse com um sorriso diplomático - Bem vindo a Fôret.
- Obrigado. - Ele estendeu a mão direita sem soltar a esquerda da minha - Meu nome é Nate.
- É um prazer Nate. - Ela apertou a mão dele - Janie. Imagino que Chloe tenha explicado como as coisas funcionam.
Eu encarei o chão.
- Ela não precisou. - Ele disse olhando Pra mim. - Eu conheço Festivais de Último dia de Inverno de muitos países.
- Ah, um viajante. - Ela estava com o olhar que usa quando esta tentando definir qual o melhor castigo a aplicar - Filho de fadas da Ordem?
- Ah, sim.
- De que país?
- Da Rússia.
- Vindo de lá?
- Sim.
- Oh. - Foi tudo que ela disse e eu me perguntei que conclusões ela tinha tirado daquilo.
- Eu encontrei Chloe na floresta Ontem e estava a ajudando a treinar. Acredito que não seja um problema que eu passe o Festival aqui, certo?
- Não, claro que não. - Ela quase pareceu ofendida por ele considerar a possibilidade – Chloe, querida, mostre o melhor do Festival para seu amigo. - Eu rangi os dentes e concordei - E você esta convidado a passar a noite aqui se quiser assim.
Ele apenas concordou com a cabeça e Janie saiu sorrindo.
- Desculpe por isso. Eu nunca trago gente nova pra Escola então tinha esquecido a parte diplomática da coisa.
- Não tem problema. Isso é mais fácil de lidar do que com as “mean girls” pelo visto.
Eu me virei para as garotas que tinham lançado os olhares. Elas estavam cochichando. Aquilo era como respirar pra elas.
- Não é um saco quando pessoas assim lembram que você existe? - Eu disse o puxando pela mão pra andar.
Ele riu.
- Elas só estão com inveja.
Foi a minha vez de rir.
- Inveja? De mim?
- Mas é claro. Quantas delas tem namorado?
Eu congelei.
- Você não é meu namorado.
Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. De novo.
- Então vai lá e diz disso pra elas.
Eu não consegui deixar de sorrir.
- Deixa elas pensarem o que quiserem. - E então voltei a andar.
Nós nos misturamos com as pessoas que passeavam pelo Festival. Visitamos as oficinas de treinamento de cada tipo de poder - cada um relacionado a um dos quatro elementos principais da natureza - e vimos as crianças brincarem com os poderes. Depois as oficinas de "trabalhos humanos" - confeitaria, marcenaria, trabalhos com vidro, pedras e etc - onde vimos adultos tentando não usar os poderes para facilitar a coisa toda. E em seguida visitamos as barraquinhas comuns ao estilo de quermesse com todo tipo de jogos e comidas feitas por mãos de fadas. Além disso, existem as outras barracas como as que vendem porções exóticas, e as de cristais. Nós passamos pela frente desses lugares, enquanto tentavam nos atrair para lá, falando sobre a proteção de certas pedras, em especial o quartzo rosa que atrai o amor. A questão é que Foret é uma cidade tão pequena e com tão poucas fadas do sexo masculino que quando uma surge eles fazem de tudo pra unir um casal. Sempre que falavam do quartzo eu tentava soltar a mão de Nate, mas ele me impedia. Ele estava gostando da brincadeira.
Depois de sairmos de uma das barracas de cristais, fomos parados por um garotinho.
- Ei, você quer uma maçã? - Ele disse, meio ofegante. Então estendeu a mão e fez uma pequena macieira surgir no chão e uma maçã aparecer na mão dele.
Eu ri. Não era a primeira criança que se exibia pra nós naquele dia. Mas quem podia culpá-los?
- Claro, porque não? - Eu disse me esticando para alcançar a maçã.
Mas ele deu um pequeno salto pra trás afastando-a de mim.
- São 5 libras.
Nate tossiu. Eu ri outra vez.
- Você sabe que se eu quisesse, eu poderia fazer uma dessa surgir, não sabe?
Ele balançou a cabeça e então pareceu triste.
- Então porque esta tentando vender uma maçã por todo esse preço? - Perguntei.
- Estou tentando conseguir um dinheiro. - Ele fechou a mão em volta da maçã. – Para comprar um brinquedo.
Nate se aproximou dele e perguntou:
- Qual seu nome?
- Jonnhy. E o seu?
- Nate. – Ele soltou minha mão pela primeira vez em quase duas horas e se aproximou do garotinho - Hmm, então Jonnhy, o que você quer comprar?
E foi assim que passamos o resto da manhã ajudando um garotinho a comprar um caminhão de madeira. Admito que foi divertido. Muito divertido. Nate resolveu montar uma barraca na floresta. E colocar nela algumas coisas para vender. Mas o que mais chamava atenção era a barraca em si.
Ele recolheu troncos caídos pela floresta e formou um cubo com eles. Em seguida fez crescer cipós envolvendo e depois flores silvestres em alguns pontos. Por dentro fez crescer jasmins, rosas, tulipas e vários outros tipos de flores até achar o cheiro perfeito. Então alongou os cipós de uma forma que eles pareceram prateleiras. Então colocou nossos "produtos" para exposição.
Então encheu o lugar de cor com pequenas flores sem cheiro. Eu fiquei totalmente maravilhada com o lugar, mas quando perguntei de onde vinha a idéia ele apenas deu de ombros. Quando tudo ficou pronto, Nate e Jonnhy saíram para chamar pessoas para a nossa barraca enquanto eu ficava responsável pela dita cuja. Logo as pessoas chegavam aos montes. Os produtos - brinquedos antigos e mágicos de Jonnhy - foram vendidos bem rápido e depois disso, as pessoas continuavam a pagar só pra entrar na barraca e ver o trabalho que Nate tinha feito. Quando o movimento foi diminuiu nós resolvemos fechar a barraca. Lá dentro, nos contamos o dinheiro. Obviamente tinha dado bem mais do que o suficiente para que Jonnhy comprasse o brinquedo então iríamos dividir o dinheiro em três. Mas eu desisti da minha parte. Se tudo desse certo eu não precisaria de dinheiro tão cedo e Nate ia precisar de dinheiro se fosse continuar fugindo. (Só que eu obviamente escondi esse segundo motivo) Aquilo me deixou triste. Me fez pensar que não teríamos muito mais tempo junto. Mas então ele se virou pra mim e sorriu e eu me forcei a colocar tudo isso em segundo plano e aproveitar o tempo que a gente ainda tinha. Mas quando a divisão do dinheiro acabou, saímos da barraca e Jonnhy saiu correndo depois de agradecer, eu olhei pro céu, e me dei conta de que a gente não tinha tempo. Já deviam ser 11h40. A Competição já ia começar.
Quando ele percebeu meu olhar ele baixou o dele.
- Ei. - Eu disse, devagar - Não é uma despedida. Você ainda vai ficar por tempo suficiente pra dizer tchau não é? E depois disso, nós vamos nos ver de novo. E eu vou ajudar você a resolver seus problemas. Eu prometo.
Ele balançou a cabeça. Eu me aproximei e beijei sua bochecha.
- Quando você ganhar. - ele disse - Olhe pra baixo. E lembre de mim. Eu vou estar em algum lugar ali.
- Eu vou sentir você. Assim como a energia da cidade toda.
- Só não esqueça que um daqueles sou eu. Ok?
- Ok.
- Promete?
Eu sorri e disse:
- De toda a minha alma. - Ele sorriu de volta. - Mas agora eu preciso me posicionar. A gente se vê.
Quando comecei a me afastar ele segurou minha mão outra vez.
- Boa sorte, Chloe.
Por meio segundo, eu quis ficar. Por meio segundo, eu quis desistir do meu sonho só pra tirar aquele olhar derrotado dele. Mas uma parte de mim que ainda era racional gritou tão alto sobre aquilo ser ridículo que tudo só durou meio segundo. Então, eu desentrelacei os dedos dos dele.
- Obrigada. - Eu disse sorrindo. - Até depois.
Entrei na floresta e  me forcei a parar de pensar. Quando cheguei a minha marca todas as pessoas das marcas em volta já estavam lá. Incluindo a pessoa mais próxima, Marienne Janice, aquela esnobe. Ela era mais velha. A segunda mais cotada a ganhar essa competição e a pessoa mais competitiva do universo. Nos colocaram juntas exatamente por isso. A competição precisa ser acirrada ou não faz sentido.
- Veremos se o treinamento com seu namorado ajudou você, Chloe.
- Ele não é meu namorado. - deixei escapar instintivamente, apesar de todo o treinamento para entrar no modo: "não deixe a Janice afetar você".
- Alguém devia avisar isso a ele.
Eu não respondi. Não me mexi. Não apertei os dentes. Apenas continuei respirando devagar e disse pra mim mesma "não deixe ela ou ninguém afetar você". Então repeti todos os outros mantras que me ajudavam a manter o foco. Quando terminei, voltei ao Modo Chloe de concentração. E então nada mais existia. Só eu. E a energia. E foi então que o sol chegou ao meio do céu. Era meio dia. Então eu voltei a correr.
A primeira estratégia de uma fada competidora é correr. Sempre. É uma corrida no fim das contas. Mas depois dos 150 metros iniciais as coisas mudam de figura. As pessoas se lembram de que pra chegar primeiro, precisam acabar com as ameaças. E começam a atacar.
Eu sofri o primeiro ataque em baixo de um pinheiro. Seja lá quem for que tenha atacado usou um dos truques mais antigos da Competição. Ele ou ela, alongou uma raiz tentando alcançar meu calcanhar e então me derrubar. Eu estava tão preparada para aquilo que me desviei sem nem me dar conta. Então me virei de novo até dar um nó na raiz. Eu ia continuar a correr, mas me lembrei do bônus magico. Não sabia se ia dar certo, mas não queria ele usado contra mim então desfiz o nó e quando comecei a ouvir o zumbido voltei a corrida. Tentei me concentrar nas energias a minha volta. Claro que ninguém atacava de perto, ou queria correr riscos. Nem todo mundo em volta estava correndo, uns estavam parados e outros em ataque. Eu continuei a correr. 
O segundo ataque foi tão bobo quanto o primeiro. É muito fácil desviar de bolhas de ar. Só duas delas me machucaram. Uma na orelha que queimou tanto quanto fogo e uma na barriga que me deixou sem ar por dois segundos. Mas meu ataque de volta foi bem pior. Eu criei um vendaval forte que não só levou as bolhas de volta a pessoa que mandava pra mim, como a jogou pra trás com toda força. De acordo com o grito que eu ouvi ela provavelmente quebrou alguns ossos, o que no que diz questão a uma fada deve ter atrasado ela por um pouco menos de dois minutos. 
O terceiro ataque começou antes que eu saísse do lugar. Eu comecei a ficar cansada daqueles ataques normais. Quando um fosso de água se abriu aos meus pés, eu fiquei tão frustrada que usei o mesmo impulso que me tirou de lá pra joga toda a água do fosso no atacante. Aquilo me cansou. Eu me recostei na arvore mais próxima e suspirei fundo. Conforme senti a energia em torno de mim, eu me dei conta do que eles estavam tentando fazer. Os ataques leves eram uma forma de me deixar frustrada e cansada antes de um ataque real e em conjunto. Eles estavam trabalhando em conjunto. Não surpreendia. Se eu estivesse fora, todos tinham a mesma chance de ganhar. Isso diminuía minhas chances de atacar. Eu tinha que me defender o tempo todo pois todos tentariam me atacar. Enquanto pensava na estratégia, percebi uma energia se movimentando mais rápido que o resto delas. Ninguém estava atacando Marienne. E foi aí que todos os meus instintos competitivos surgiram. E eu voltei a correr.
Eu tinha capacidade suficiente pra pensar enquanto corria. Previ cinco ataques me desviando deles. Continuei a correr. Sem parar. Até que não sentia mais meus pés. Só o vento. Eu continuava a prever ataques e desviar, indo cada vez mais interiormente para a floresta até que não existia mais pra onde me desviar. Mas isso não me incomodou. Pensei no bônus magico e deixei os ataques acontecerem.
Primeiro, tentaram brincar com as raízes de novo. Não funcionou. Eu me desviei delas e deixei as raízes se encontrarem umas com as outras até tudo se tornar uma bagunça completa. Algumas arvores saíram seriamente machucadas e eu fui curando-as aos poucos. Quando terminei, todo a floresta começou a zumbir, foi tão alto que tenho certeza de que todos os competidores ouviram o som. Eu aproveitei aquele momento pra correr. Eu estava a mais ou menos 1,5 km do monte quando parei pra considerar o fato de que os ataques tinham cessado do nada. Algumas energias continuavam se movendo e imaginei que o bônus tivesse preso as outras. Mas ainda assim aquilo era estranho e suspeito. Marienne já estava no monte e aquilo me fez pensar um pouco menos e correr um pouco mais. E foi aí que eu fui pega.

O cipó envolveu minha perna por completo me puxando com tanta força que eu parei de senti-la instantaneamente. Mas isso se tornou uma coisa boa porque foi aí que os espinhos começaram a entrar na minha pele. Quando tentei me virar pra entender o que estava acontecendo, os espinhos tocaram a outra perna me fazendo gritar. Eram venenosos. Sangue de fada pode se transformar em qualquer coisa, mas sangue envenenado é apenas sangue envenenado. Eu estava perto do Monte. Presa, sangrando e sem saber como escapar.
Então finalmente tive certeza. Era aquilo que eles queriam. Me prender e me deixar exatamente no lugar onde a armadilha estava montada. Eu deixei algumas lagrimas de frustração escaparem, mas estava calma o suficiente pra pensar no que devia fazer enquanto isso acontecia. Eu tentei criar bolhas de ar em baixo dos espinhos para folgá-los, mas àquela altura eles já estavam muito mais abaixo da minha pele do que o possível. Bolhas de ar ali causariam um sangramento incontrolável. Eu ainda não conseguia sentir a perna, mas uma poça de sangue tinha se formado no chão. Ver sangue me deixava tensa, mas parte de mim esperava por isso. Eu respirei fundo e me concentrei em tudo que eu sabia. Eu devia saber alguma coisa sobre aquilo. Alguma coisa que me ajudaria a me livrar daquilo. Qualquer coisa. Eu só precisava lembrar.
Eu não tinha muito tempo pra conseguir escapar daquele lugar. Só mais alguns minutos e meu sangramento se tornaria serio. Claro que como existiam pessoas controlando o jogo através da energia, logo apareceria alguém pra me ajudar, mas isso faria com que o jogo fosse cancelado e isso era a ultima coisa que eu queria. E ninguém apareceria pra me ajudar antes que a situação fosse séria, então eu precisava controlar aquilo.
O veneno começou a fazer efeito e me deixar tonta, mas veneno tirado de plantas não tem o mesmo efeito nas fadas que tem em humanos e a tontura foi a única coisa que deixou aquele momento pior. Eu tentava pensar no que fazer. Qualquer coisa ajudaria. Então eu olhei para o sol. Não dava pra ver direito da posição que eu estava, mas a forma como a luz dele era refletida e me lembrou as selentinas que eu joguei em Nate mais cedo. Eu via apenas um feixe de luz por perto. A alguns centímetros. Então tive uma luz (Uma ótima forma de colocar, alias). Não era muito, mas era alguma coisa. Como a planta que me prendia estava em um canto escuro da floresta ela provavelmente precisava de um pouco de sol (eu não conseguia sentir sua energia graças ao fato de estar misturada as das pessoas que estavam me atacando). Eu silenciosamente implorei pra que o bônus mágico desse certo. Talvez fosse minha ultima chance. Eu só precisava arrastar minha perna alguns centímetros até onde a luz estava e esperar.
Quando eu fiz isso, o cipó me largou e o zumbido começou, eu fiquei tão feliz que não gritei quando toda a minha pele parecia queimar enquanto regenerava. Eu voltei a correr. Sabia que estavam todos surpresos por eu ter escapado. Talvez os controladores estivessem gritando agora, sabendo que eu conseguiria. Aquilo me impulsionou. Eu precisava vencer. Simplesmente precisava. E dois minutos depois eu cheguei ao Monte das Selenitas.
Foi surpreendente saber que só Marienne estava lá. E que ela ainda estava no meio do monte. Mas eu ainda estava me recuperando e precisava correr então não pensei nisso por muito tempo. Eu voltei a usar a energia das Selenitas quando cheguei a uma curva na subida do monte. Criei uma barreira de pedras em volta do lugar. E as fiz brilhar. Aquilo afastaria as pessoas da competição. E me deixava sozinha com Marienne e o topo do monte. E aquilo me deixava ansiosa.
Enquanto eu corria, me dei conta de que o sol já estava bem a oeste àquela altura. Mais rápido do que eu esperava, ele ia se pôr. No meio da subida, vi que Marienne tinha parado. Então também parei. Ela estava tentando fazer algo que eu ainda não conseguia entender. Tentei entrar na cabeça dela, sem necessariamente invadir a mente dela, mas os planos dela ainda eram um mistério. Quando ela voltou a andar, eu acompanhei o ritmo dos seus passos, andando também. Eu tentei fazer um mapa mental para entender por onde ela estava andando. Ela seguiu o contorno de algumas arvores fazendo um caminho mais longo possível até o topo. Então aquilo era uma tentativa de me fazer seguir pelo outro caminho e depois me atacar? Não. Marienne é mais inteligente que isso... Então o que era? O que ela estava tentando fazer? Ela continuou andando, devagar e eu continuei tentando acompanhá-la. Mas depois de um tempo aquilo tudo ficou cansativo e eu comecei a tentar criar minha própria estratégia.
Eu resolvi rodear o monte e tentar chegar ao topo pelo outro lado. Levaria mais tempo, mas eu teria uma vista melhor do sol e isso me daria uma vantagem, já que o sol é nosso cronometro. Além disso, eu teria um certo tipo de elemento surpresa já que todo mundo sempre chega ao topo pelo lado do monte que fica e frente para Fôret. 
Enquanto andava, percebi que estava com sede. No inicio eu ignorei e continuei andando, mas quanto mais eu andava, mais perto chegava de onde o sol batia com mais força, o que me fazia suar muito e me deixava com mais sede e mais fraca. Até que eu não mais aguentei e tive que me sentar em um tronco um pouco. Eu repassei mentalmente todos os mapas dali que tinha visto nos treinamentos e todas as viagens que já tinha feito pelo Monte. Eu nunca tinha visto nenhuma fonte de agua por ali, mas sabia que existia uma em algum lugar. Enquanto me esforçava pra lembrar suava ainda mais. Eu tinha perdido sangue mais cedo e se minhas cicatrizes não tinham desaparecido por completo, meu sangue não tinha voltado a contagem normal de litros ainda e com a desidratação isso só atrasava esse acontecimento. Eu tentei ficar calma e pensar, mas se tornava mais complicado com o calor. Eu me perguntei quanto tempo tinha passado desde que eu me sentia bem enquanto subia o Monte. Respirei fundo outra vez. E mais uma vez.
Então percebi que a energia de Marienne se movia mias rápido outra vez e lembrei que não estava sozinha e que aquilo era uma competição. Mas eu estava muito cansada e fraca pra levantar e fazer alguma coisa então comecei a tentar monitorar os movimentos dela. Ela estava mexendo com outra energia, um dos elementos. Foi aí que eu quase caí do tronco. Era agua. Marienne estava controlando a única fonte de água de todo monte e me deixando sozinha e desidratando. Ela sabia o que eu tinha passado lá em baixo e mesmo que não fosse aquilo, esse era o jeito mais seguro de se manter no controle.
Dessa vez eu estava fraca demais pra ficar frustrada. Eu tinha que pensar em um jeito de conseguir água e tirar essa maldita vantagem de Marienne o mais rápido possível. Mas não parecia haver solução provável. Pensei em plantas das quais eu podia tirar água, mas nenhuma delas crescia no Monte. Nem mesmo as arvores ali precisam de água já que a energia acumulada fornece a maioria dos nutrientes e... Foi então que eu dei um salto – também não sei de onde eu tirei força para aquilo. Adrenalina, talvez? – se o Monte inteiro consistia basicamente em energia de fada, talvez se eu associasse minha energia a alguma coisa ali eu conseguisse energia o suficiente pra vencer aquilo ou pelo menos pra conseguir outra forma de achar água. Era um plano bem fraco, mas tudo que eu tinha conseguido até ali era com planos fracos, então talvez desse certo.
Eu andei ofegante até a árvore mais próxima, e tentei lembrar um dos feitiços de conexão que faziam parte dos “Feitiços Iniciais da Ordem” e que a gente aprendia na Escola. Tive que me esforçar um pouco porque com os treinamentos para Competição isso não era usado há um tempão. Mas assim que me conectei com a árvore me senti bem melhor. Eu sabia que isso causava danos a árvore, porque era uma troca de energia, ou seja, quando eu ganhava energia, ela perdia até ambas ficarem em equilíbrio, mas estava tudo bem porque a arvore também entrava em equilíbrio de energia com o Monte, que era constantemente abastecido, a menos é claro que todas as fadas da cidade fossem embora ou morressem, o que não ia acontecer. Eu fiz um agradecimento – bobo, mas necessário – à natureza e continuei a seguir o caminho que estava seguindo antes, pela parte da frente do Monte. Eu não fazia ideia de quanto tempo tinha levado parada e como estava fazendo o caminho mais longo, precisava tomar a dianteira o mais rápido possível. Eu nem parei pra pensar no que Marienne estava pensando ou fazendo sobre aquilo, eu simplesmente corri.
Quando cheguei às arvores que rodeiam a clareira no topo do Monte, eu parei de correr. Percebi que nem estava ofegante, e apesar de ainda sentir sede, ela era só um incômodo agora. Minha energia estava ligada a do Monte, mesmo que indiretamente, então eu não me sentiria cansada ou com falta de nada até que o tempo do feitiço acabasse – sim, feitiços desse tipo tem tempo de duração e demoram um tempo até poderem ser realizados outra vez, caso contrário, fadas não precisariam comer. Tentei rastrear a energia em volta, mas não encontrei Marienne por perto, logo, fui até o topo direto.

Quando eu cheguei exatamente ao lugar que consistia o pico do monte, eu mal pude acreditar no que estava sentindo. Eu sabia que quanto mais o sol ia se pondo, mais forte a energia ali ficava, mas eu não fazia ideia que a energia que emanava dali era tão intensa e fazia nos sentir daquele jeito. O sol ainda estava apenas encoberto pela metade e eu já me sentia como se estivesse completa. Como se toda aquela energia completasse, espaços vazios em mim, espaços que eu nem sabia que existiam. Todo meu corpo vibrava. E aquilo era simplesmente maravilhoso.
Foi então que eu sofri meu ultimo ataque. Se eu não tivesse tão envolvida por aquela energia toda ali, eu perceberia Marienne se aproximar. Eu nunca me senti tão estúpida quanto no momento em que ela prendeu meu rosto contra a lama no topo do monte. Com o pé.
- A energia distrai não é? – Ela disse apertando o pé contra meu rosto até que eu comecei a sentir meu nariz começar a sangrar – Desde que eu descobri eu imaginei forma de usá-la. Contra você, claro, já que mais ninguém representava risco.
- Você... – Comecei a dizer, mas ela afundou ainda mais a sola da bota em minha bochecha me fazendo engolir um pouco de terra. Mesmo assim, respirei fundo e tentei continuar falando – de-descobriu? Co-mo? – tossi. Eu estava sangrando e machucada, mas não era um dos piores momentos do dia – Você veio aqui durante o pôr-do-sol? – A última frase soou engasgada.
- Certo. Vou te dar créditos depois de tudo que você passou hoje e explicar. – Ela tirou o pé do meu rosto, mas pressionou minhas costas – Sim, Chloe, eu vim aqui durante o pôr-do-sol antes da competição. E não precisa dizer que é ilegal porque isso é obvio. Mas o fato é que com você na competição a única forma de vencer é trapaceando. E eu precisava vencer. Não é nada pessoal. Ou talvez seja, já que iria ferir meu orgulho perder pra alguém que passou a metade da vida entre humanos. Mas eu precisava vencer dessa vez. É meu ultimo ano como competidora. Por gerações todas as primogênitas da família entraram na Ordem pela Competição, se eu não ganhasse eu seria a amaldiçoada e excluída da família para sempre. Mas não acho que você entenda o que é isso..
Eu estava tão cansada e com tanta dor que aquela provocação simples me fez chorar (sim, eu admito, não tenho mesmo orgulho nenhum). Chorar nunca atrapalhou meu raciocínio ou meu foco, mas daquela vez tudo que eu consegui fazer foi isso.
- Ah, Chloe. Não faça drama, ok? - Ela disse me soltando e estendendo a mão para me ajudar a levantar - Você nunca achou mesmo que fosse ser fácil. E você ainda tem anos de competição. Só precisa enfrentar os olhares desapontados das dezenas de pessoas que torciam por você e seguir em frente.
Aquilo me fez chorar ainda mais. Eu sabia que ela estava se divertindo, mas eu não ligava. Eu só queria que aquilo acabasse o mais rápido possível.
- Tá legal. - Ela disse depois de me observar por um tempo - O sol já esta quase todo posto e eu preciso estar sozinha aqui em cima, então você pode ir embora com o restinho da sua dignidade ou sair da forma mais complicada. Eu acho que sair logo facilitaria as coisas.
E foi aí que ela cometeu um erro: virou de costas. Ela não percebeu que aquela crise de choro me deixou na posição perfeita de um salto de ataque. Ou não parou pra considerar o fato de que a minha energia ainda estava conectada a do Monte. Eu ainda estava forte, mesmo machucada. Ela só tinha me pego desprevenida antes e agora era a minha vez de fazer isso.
No momento em que saltei sobre ela, ela caiu de cara do chão. Levou vários segundos pra que ela entendesse o ataque e tentasse se levantar, mas antes disso eu já tinha criado uma espécie de terremoto que a fez cair de cara outra vez.
- Então você quer da forma complicada não é? - Ela disse usando um feitiço de ar pra se levantar - Tudo bem. Não diga que eu não avisei.
O que aconteceu depois disso foi uma série complicada de feitiços de ataque e defesa que anulavam um ao outro e levavam tudo ao inicio. Até que nós percebemos que faltava um minuto pro sol se pôr totalmente. Apenas uma de nós duas poderia estar no topo do monte quando isso acontecesse ou a competição seria anulada. Então ambas deveriam tentar o ataque final.
Eu fiz em tempo recorde um “flashback“ de todos os feitiços que já tinha feito, visto fazerem ou ouvido falar em toda a minha vida e comecei pensar naqueles que podiam ajudar naquele momento. Logo consegui fazer um top 3. E então tentei fazer a coisa mais perigosa que uma fada pode tentar fazer na vida. Misturei feitiços de elementos diferentes. Existem milhares de razões porque misturar feitiços de diferentes elementos é perigoso. Mas naquele momento eu ignorei todos. Eu não tinha nada a perder e não sabia em quê mais Marienne poderia trapacear então eu simplesmente usei a combinação de feitiços mais intensa que eu consegui pensar e atirei contra ela. Ela não conseguiu pensar em nada pra se defender do meu ataque (eu usei uma mistura de bolha de ar de pressão com tremores terrestres e calor) e acabou indo parar do outro lado do pico. Eu me senti destruída na hora porque o feitiço tomou muito de mim, mas então eu estava sozinha no topo do Monte. A parte onde ela estava não abrangia esse topo. Faltavam 30 segundos pra que o sol se posse totalmente. Minha vitória estava certa.
Apesar de parte de mim provavelmente nunca me perdoar por ter desistido tão fácil de tudo que eu queria quando estava na minha mão, eu nunca vou me arrepender por ter feito as coisas como eu fiz. Por que por mais que no fim tudo seja diferente do que eu esperava, eu não me arrependo da minha decisão final. Não me arrependo de no fim ter sido uma pessoa melhor do que ela.
Eu usei minhas ultimas forças pra sair da parte mais alta do monte e usar um último poder pra levar ela até o centro dali. No momento em que eu a soltei - um pouco agressivamente, mas eu estava cansada demais pra ser de outra forma - e ela caiu com um baque surdo o sol se pôs por definitivo. Eu sempre ridicularizei aqueles filmes com efeitos especiais estilo "Twiches", mas naquele momento eu vi que eles estavam bem perto do que era real. Uma luz - energia luminosa da lua, pura energia - a envolveu na cabeça aos pés e a fez levantar. Quando ela ficou de pé, uma luz a envolvia totalmente. Ela observou o vale e eu não fazia ideia de como ela se sentia, quando ela virou pra mim, olhou nos meus olhos e perguntou silenciosamente: porque?
Eu respondi: Você precisa disso mais que eu. No fim, nós somos muito parecidas. A diferença é que você tem uma família e eu não. Eles precisam de você, então que seja.
Mas e quanto a você?
Eu tinha uma ideia passando pela cabeça. Não tinha certeza, mas eu confiava nele. Então senti a energia na metade do Monte e tive certeza.
Eu vou ficar bem.
Então, me virei e corri monte abaixo antes que ela tivesse tempo de dizer qualquer coisa. Nate estava surpreso e ofegante. Eu sorri.
- Tá tudo um caos lá em baixo. - Ele disse - As pessoas não conseguem entender porque Marienne venceu e só a família dela está feliz. - Ele olhou nos meus olhos - Você desistiu. Não foi por mim não é? Não saberia lidar com isso.
- Não. - Eu disse balançando a cabeça - Eu fiz por mim. Porque me dei conta de que estava sendo egoísta. Não quero ser egoísta, mesmo tendo estado sozinha por todo esse tempo. Eu não sou assim. E mais importante, não quero mais ficar sozinha. Quero ir com você.
Os olhos dele brilharam. Ele não sorriu, mas não precisava disso. Eu sabia que ele queria que eu também fosse. Então ele esticou a mão.
- Então feche os olhos. Conecte sua energia a da natureza. E corra como se mais nada existisse.