31/12/2013

Especial Diário de Bordo: Última semana do ano / Retrospectiva 2013 / Planos e ideiazinhas para 2014

Graças a detalhes técnicos, esse post vai ser atualizado conforme a semana passe. Feliz ano novo!

Feliz ano nooooooooooovo! Então aqui vai o seu mais especial post de ano novo, escrito durante toda tarde e início da noite desse último dia do ano.
De verdade, 2013 foi o ano mais confuso de toda a minha vida. Não sei se foi bom ou ruim, foi só... Estranho. Diferente do que eu imaginava e muito muito estranho. E é por isso que eu vou começar com a Retrospectiva, que vai ser diferente e menor, por questões claras, da do ano passado.
Como vocês podem se lembrar, quando o ano começou, o nome do ainda era "my melodie" e a url ainda era "my-melodie.blogspot.com".
Em janeiro, o blog teve como pontos mais importantes o Diário de Bordo 2, e a estréia do Melodie Weekly. Um dos posts mais vistos da época foi o "Sobre minha fé".
Fevereiro, veio o Especial de Fevereiro com 29 posts. Incluindo dois posts d'O dia em que o my melodie virou e o conto especial do meu aniversário, NY Dream, que virou fanfic. Além disso, o Diário de Bordo acabou, marcando o início das minhas aulas.
Correndo saltitantemente para Março: o mês das mudanças. O papa mudou (PORQUE EU CITEI ISSO? EU NEM SOU CATÓLICA), eu mudei de casa, eu mudei de gosto literário, eu mudei de vida. A crítica de Carmilla veio para mudar a marca da literatura do blog. O que foi ótimo, porque como o último conto que eu escrevi antes do goticismo não foi nem lido, eu tenho certeza de que tava uma bosta. Foi em março também que as views do blog, que já passavam de 400 por semana e despencaram de uma vez por todas e caíram por terra, transformando um blog em ascensão em um blog flop. MUITO FLOP.
Em Abril, teve especial e a primeira mudança de URL do ano. O blog continuou se chamando "my melodie", mas a url mudou para "lamusiqueestlair.blogspot.com". O motivo era o fato de eu achar a antiga url, nada profissional (como se a nova tivesse sido muito profissional né?).
Em Maio, veio a The Army, projeto que fazia parte do Make Some Noise um projeto "humanitário" do blog para incentivar as pessoas a encontrar e divulgar seu talento. O projeto também flopou, mas eu planejo resgatá-lo em 2014 com todas as forças. (Mais sobre isso depois). Além disso, You Shouldn't Been Here Tonight, o conto que introduziu nossa linda, maravilhosa, perfeita, tdb, Kat Petry, de As Crônicas de Kat.
Junho, começou e terminou o Especial de Inverno. O plano era 13 semanas e um post por semana, mas o blog tava me irritando tanto, me enchendo tanto e seu view e muito menos comentário nenhum, então eu simplesmente me boicotei nisso e fiz uma nova versão do blog em...
Julho! O único post foi o Re-set onde eu avisava das futuras mudanças no blog que aconteceram oficialmente em...
Agosto, logo no dia 3, o blog já ganhou nome novo e url nova. O "As Crônicas de G" com url "ascronicasdeg.blogspot.com", surgiu brilhando naquela tarde de sábado. Em agosto também, saiu Elena e estreou As Crônicas de Kat, primeira web novella do blog (sim, eu planejo escrever mais depois).
Em setembro, com a XVI Bienal do Livro, saiu o post mais visto do blog, Quero ser Carolina Munhóz, graças a uma divulgação da própria no facebook. Foi um dos momentos menos flop e mais divos da minha vida.
Outubro teve o Especial de Halloween - que atrasou no fim, é claro.
Em Novembro, começou o Diário de Bordo 3 e muito blá, blá, blá sobre o NaNoWriMo.
E fechando o ano, todas as tradições. Post de Natal e esse post, de ano novo.
Ontem e hoje aconteceu uma coisa muito incrível. Faltavam cerca de 600 views, para que o blog chegasse a 20 mil. Minha meta para o fim do ano! Ontem, o blog teve tipo 10 visualizações, então eu comecei a duvidar muito seriamente de que eu fosse conseguir. Mas hoje, depois que eu postei O Caso do Namorado Super Protetor, e comecei a pirar na divulgação na page e no twitter, o blog bateu o recorde e chegou a IN-CRÍ-VEIS SEISCENTAS E OITENTA E CINCO VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA! (Lembrando que o blogger muda de dia às 22 horas). E é por isso que eu tenho que dizer que eu amo meus leitores mais que tudo nessa vida, e que mesmo que muitos tenham me abandonado com o passar do ano, os que ficaram conseguiram fazer desse ano especiais. Vocês são (uma das) razões pelas quais eu estou aqui. Muito obrigada mesmo!
E agora, eu apresento, orgulhosamente, o resumo do ano:

Posts esse ano: 109
Postagem mais popular: Quero ser Carolina Munhóz
Visualizações de página esse ano (o blogger muda o dia da contagem de views as 22h): 14795
Recorde de visualizações (batido hoje): 685
Total de visualizações de página: 20020
Comentários esse ano: 70
Total de comentários: 170

Última semana de 2013: Duas coisas notáveis - e acreditem, isso é raro - aconteceram na última semana de 2013.
Na sexta, dia 27, eu fui para uma festa de 15 anos. E pra isso eu passei o dia 26 quase todo enfurnada em um salão de beleza fazendo cabelo e unha. Depois de 6 horas, ter queimado a orelha, quase perdido o dedo do pé e ainda ter ouvido as cabeleireiras reclamarem de mim (só porque meu cabelo é grande) por um tempão, eu estava pronta e de cabelo liso.
A festa foi... decepcionante. Quer dizer, é óbvio que eu sabia que ia ser uma festa de quinze anos cheia de fru fru (mesmo que eu nunca tenha ido há uma festa de debutante. Pois é, quase 16 anos e a primeira festa de debutante para a qual eu fui convidada, foi agora), mas eu não achei que fosse tocar funk, que fosse ter bebida, ou que a lembrança fosse ser tão clichê. Sem falar que o ar condicionado pifou, o sistema de som deu treta, tinha baratas rondando pela festa, a comida tava pobre e sem opções diversificadas, não tinha sabão no banheiro e o vt com as fotos da aniversariante tava tão ruim que me deu câimbras nos olhos (Sempre que eu vejo um vídeo desses eventos que eu SEI que podia ter feito melhor, eu me pergunto porque diabos eu continuo pobre). O que eu quero dizer é que, mesmo que a decoração tenha estado legalzinha (e digo isso sendo generosa, já que tinha um arranjo muito bizarro na minha mesa), a festa simplesmente não compensou o fato de que eu passei o dia anterior sendo torturada medievalmente. E que a aniversariante não me ouça.
No domingo, 29, eu fui batizada. Pra quem não entende essas coisas, na minha denominação, a batista (e que isso diga alguma coisa) a gente é batizado nas águas (eita, eu disse isso mesmo?) quando toma essa decisão e a igreja nos aceita como membro. Foi isso que eu fiz. Eu tava supernervosa o dia inteiro, mas depois que eu entrei no batistério eu fiquei calma. Água me acalma, mas foi mais que isso, acho. Foi muito bom.

Planos e ideiazinhas para 2014: Legal que pra 2013, eu fiz isso em novembro de 2012, e pra 2014, eu tô fazendo no dia 2 de janeiro de 2014.
Como eu disse na página, eu não vou fazer muitos planos para esse ano. De início, eu só garanto colunas novas, que eu não vou nomear, já que as do ano passado deram terrivelmente errado. A volta do Make Some Noise (o projeto humanitário do blog, para divulgar talentos), só que com outro nome e sem data de volta definida.
As Crônicas de Kat, volta nos próximos dias 14 (14 de janeiro e 14 de fevereiro) com os capítulos 5 (Bem vindas ao século XX) e 6 (Esqueletos no armário), respectivamente, e às 22 horas. E a partir de março, volta a ser às 21 horas, com os últimos capítulos da fase 1.
Além disso, nós teremos a estréia do meu livro (SE O SENHOR DEUS TODO PODEROSO O PERMITIR) e muitas promoções e eu falando muito de como a minha vida mudou, depois disso. (ha!)
Em relação a especiais, mais uma vez eu juro que vou dar meu máximo pra não atrasar nenhum. Além dos tradicionais (o Especial de Fevereiro, Especial de Abril e Especial de Inverno, além do Diário de Bordo), vamos ter um especial "Rio 2014", entre os dias 10 e 17 desse mês.
Bem, é só isso mesmo.
Desculpem a demora.
G.

Post nº 250: O caso do namorado superprotetor

Ora, ora, olá mundo! Tô pensando em fazer essa história de dois posts no ano novo uma tradição, porque né. Este post devia ter saído, tipo, sábado, mas muita coisa aconteceu e só pode sair hoje. Eu precisei postar o conto - que deveria ter saído no Especial de Inverno, mas especiais no blog jamais saem em dia e essa é outra tradição - porque tinha prometido que o post 250 seria um conto.
Esta noite, depois das 22h e antes das 00h tem um post que é "Extra" do Diário de Bordo e não uma parte em si que inclui retrospectiva, resumo da última semana do ano e finalmente - FINALMENTE - os planos para o blog em 2014. Por enquanto eu só queria que vocês lessem, comentassem e compartilhassem o conto, porque eu ainda quero tentar chegar à 20 mil visualizações hoje, mesmo que seja quase impossível. Boa leitura.

O caso do namorado superprotetor

Ella se sentia cansada. Mais uma vez seus pais tinham gritado por quase uma hora ao ver a marca que Bob deixara em seu pulso após a última briga. Ele apareceu no trabalho para buscá-la, mesmo que ela tenha implorado para que ele não fizesse isso. Seu chefe odiava o olhar que Bob lançava a todos os clientes masculinos da lanchonete e chamaria novamente a atenção dela por isso amanhã.
Sua repulsa por Bob aumentara a ponto de Ella esquecer tudo que tinha feito com que ela o amasse um dia. Ele tinha afastado todos os seus amigos, a feito abandonar seus maiores sonhos e deixado todos os ambientes que ela frequentava diariamente tóxicos e inabitáveis. Uma sensação nauseante tomava conta dela quando se dava conta de que não tinha como fugir. Não conhecia outra vida além de Savannah. Até a faculdade que frequentava era a local. E Bob era um dos príncipes de Savannah: seu pai era dono de uma rede de restaurantes que começou na cidade e se espalhou por toda costa leste. No momento em que seus olhos cinzentos se cruzaram com os azuis de Ella pela primeira vez, o destino dela estava traçado. Ella pensava nisso com amargura. Tinha sido tão boba. Se o ignorasse, como suas amigas haviam feito, estaria livre agora. Provavelmente em Nova York estudando moda.
Enquanto andava pelo quarto esfregando os pulsos, ela percebeu uma sombra embaixo do poste do outro lado da rua. Reconheceu o casaco de Bob. A sensação nauseante a dominou novamente. Será que ele não a deixaria em paz nem por um segundo agora? Ela não temia nada mais do que um pedido de casamento e essa possibilidade parecia se esgueirar entre eles todas as vezes em que ele estava por perto... Assim como uma outra sombra se esgueirava no jardim de seu vizinho da frente.
Bob não podia ver a figura se movendo calmamente, mas Ella sentiu um arrepio. A pessoa se aproximou um pouco mais do poste e Ella notou que um cabelo volumoso estava preso dentro de algo. A cena seguinte aconteceu muito rápido. Uma faca brilhou e então Bob estava caído no chão, o casaco da USC ficando escura.
E Ella gritou.

Charlie saltou da cama e chutou seus tênis para debaixo dela. Arrancou as roupas com as quais tinha dormido, mesmas roupas que tinha usado na noite anterior. Se jogou no chuveiro e tomou um banho tão gelado quanto possível. Era inverno no sul e isso significava muito frio e ventania, mas Charlie mal sentia. Gostava de sentir o frio contra a pele. Fosse na ducha, fosse na praia ou andando de skate, o frio a fazia se sentir viva. Ninguém entendia como ela conseguia suportar tudo aquilo. Devia ter algo a ver com o cabelo.
Ao sair do banho, Charlie colocou um vestido florido e enfiou o boné verde no meio dos cachos vermelhos. Então, pegou o celular e ligou para Marielle. Deu na caixa postal.
- Acorda, sua inútil. São quase 11h da manhã e se você não estiver na praia em duas horas eu faço alguma coisa bem idiota, tipo entrar no mar completamente nua.
Depois de um momento de indecisão, saiu recolhendo as embalagens de biscoito entre outros lixos espalhados pelo quarto e finalmente desceu até a cozinha para tomar café. Foi só quando ia em direção à garagem buscar seu skate para ir à praia que ouviu vozes vindas da biblioteca do pai.
- É o sétimo caso, mesmo modus operandi. Namorado morto com a garganta cortada na frente da namorada durante a noite. Os parentes dizem que o relacionamento era tempestuoso e repetem a história de que os namorados eram bem violentos e possessivos. É um padrão. E o assassino serial conhece as vítimas.
Isso fez com que Charlie abrisse um sorriso. Tirando o boné da cabeça, ajeitou os cachos bagunçados e fez sua melhor cara de “anjinho do papai”. Abriu as portas da biblioteca como um furacão fazendo com que os dez policiais presentes se virassem de repente para olhá-la.
– Bom dia Bill, Jack, Jonnhy, Stewart, Louis, Mike, Tobby, Jeff, Detetive Biggs, papai. Como andam as investigações?
O detetive Biggs foi o primeiro a se recuperar do susto.
- Bom dia, Charlotte, ainda acompanhado tudo pela TV? – Ele disse com a voz grave, olhando os olhos verdes de Charlie com superioridade.
O detetive era um policial formado há pouco tempo, nascido e criado em Nova York. Acabou vindo para a terra natal dos pais quando a mãe adoeceu e quis morar em um lugar mais calmo e em Savannah tinha se tornado detetive. Esse era seu primeiro caso notório, depois de só ter investigado roubos.
Charlie o odiava.
Como filha do delegado da central de investigações criminais de Savannah, Charlie tinha crescido em meio a investigações criminais. O primeiro caso sério que se lembrava havia sido uma chacina na periferia da cidade. 5 garotas mortas em uma festa do pijama. Charlie tinha 11 anos. Ela se lembrava de ter apostado com os colegas de turma que o assassino seria o tio maluco de uma das garotas assassinadas. Ela acertou. Quando fez 15 anos, seu pai começou a lhe pedir conselhos sobre os casos. Charlie entendia a mente dos assassinos de uma forma que poucos detetives da cidade entendiam. Agora aos 18, ela sabia que conhecia muito mais sobre crimes em Savannah do que aquele nova-iorquino de nariz empinado que tinha um teste de QI emoldurado e pendurado na sala.
- E na internet. E em fontes que você não faz a mínima ideia da existência. – Charlie respondeu sustentando o olhar. – Todo mundo tem falado da assassina de namorados superprotetores.
- Charlie! – Seu pai chamou, meio encabulado.
- Papai! Imagino que precise de ajuda nesse caso.
- Não, querida, a equipe do detetive Biggs é muito competente. Prefiro que se dedique a outras coisas, até porque, está de férias.
O sorriso que o detetive abriu fez a pele de Charlie fervilhar.
- Tudo bem. Espero que a competência do detetive Biggs fique comprovada nesse caso.
Sem se despedir, ela fechou as portas com o mesmo furacão da entrada. Foi direto a garagem e pegou seu skate, indo para a praia.
Com o uso do feminino, Charlie tinha soltado uma pista de algo que a polícia ainda não tinha percebido. O modus operandi aponta mulher de uma forma gritante. Mesmo que os caras fossem fortes e perigosos e que facas sejam armas masculinas. Na verdade, isso é uma visão mais do que ultrapassada. Os assassinatos foram cometidos de uma forma inteligente e limpa. Um corte da direita para esquerda, feito por trás, exatamente sobre a traqueia. Uma assassina canhota com uma faca própria para seu uso. Os cortes eram tão limpos que se a assassina fosse esperta nem teria sangue nas roupas. E a assassina era esperta.
O primeiro crime aconteceu em frente à universidade comunitária. A garota estava fazendo sua caminhada com raiva depois de uma briga séria com o namorado quando ouviu um barulho. Se virou a tempo de ver o garoto caindo e o sangue esguichando para todos os lados.
O segundo foi na praia. Durante uma festa um garoto saiu puxando a namorada pelo braço. Foi atacado por uma sombra que surgiu por trás de uma das dunas, a assassina usava um capuz e estava muito escuro, por isso a namorada não pode ver seu rosto mesmo estando de frente a ela. Ou é o que ela diz.
O terceiro foi em um hotel. Um ex-namorado psicótico perseguindo a namorada que veio passar o Natal com os pais, foi morto e jogado em uma piscina. A garota, que tinha ido resolver o relacionamento deles de uma vez por todas, viu tudo de trás de portas de vidro que levavam até a piscina.
O quarto e o quinto foram em um baile de inverno. Dois garotos estavam tentando forçar suas namoradas atrás do ginásio, quando uma sombra esguia os matou sem tocar as garotas, mas as deixando cheias de sangue.
O sexto foi em uma casa abandonada. Um passante ouviu barulhos e encontrou o casal desacordado no chão coberto de sangue. Ele morto, ela desmaiada e em choque. Ela agora está no hospital e não se lembra de nada.
E três dias antes, o sétimo. O único que representava alguma coisa para as autoridades da cidade. Bob Jackson Jr. era filho do dono do Jack’s Tart uma rede de restaurantes nascida em Savannah e um dos maiores orgulhos da cidade. O pai de Bob cobrava uma solução rápida da polícia, que corria como galinhas sem cabeça, não vendo pistas que estavam bem à sua frente.
Babacas.
Menos o pai de Charlie, é claro.
- Oi, Elle. – Charlie disse, chegando a praia e colocando o skate sob o braço ao ver Marielle parada na calçada da orla, esperando sua chegada – Chegou cedo.
- Qual o motivo da ameaça, Studders?
Charlie riu. Marielle tinha sido presa por nadar pelada em uma piscina pública no verão e foi graças ao fato de o pai de sua melhor amiga ser o delegado que ela foi liberada sem complicações, mas não sem um longo sermão do Delegado Studders. Agora sempre que Charlie queria provocá-la dizia que ia nadar pelada.
- Eu só queria passar um dia com você, não posso?
- Pode, mas podia passar lá em casa ao invés me fazer vir até aqui nesse frio “gelante”.
- Enregelante, Marielle. E nem tá tão frio assim.
- Você não sente porque tem o corpo fechado. Coisa de ruiva.
Charlie ergueu uma sobrancelha.
- Ruivas têm corpo fechado?
- Aham, porque ruivas são criaturas do demônio.
- Então, porque você é minha amiga?
- Excelente pergunta. Porque eu sou amiga de uma pessoa que me faz vir a praia no meio do inverno na Geórgia mesmo sabendo da noite que eu tive ontem?
- Porque eu sou uma criatura do demônio e te enfeiticei. Mas eu não sei da noite que você teve ontem.
Marielle sorriu e começou a andar pela calçada. Charlie a seguiu.
- Lucas e eu fomos para uma festa. Eu fiquei tão alta que tive que ir pra casa dele. Você pode imaginar o que aconteceu depois.
Charlie fez uma careta. Não gostava de Lucas. Não gostava da sua constante mania de embebedar ou drogar Marielle. E não gostava da forma como ele a tratava quando ela estava sóbria. Mas Elle entendeu a careta de forma errada.
- Não é só porque você é a reencarnação, Madre Teresa de Calcutá que eu deveria ser tão santa quanto, Studders.
- Não é isso. Eu só não entendo porque você precisa de tantas drogas e sexo.
- Porque é bom, me relaxa, me faz esquecer os problemas. – Elle disse carrancuda.
Charlie encarou a amiga.
Ela conhecia Marielle desde que entrou no ensino médio. Foram parceiras em biologia e acabaram virando melhores amigas do tipo que ficam juntas o tempo todo. Antes disso, Charlie era bem sozinha. Ela podia fazer parte da realeza estudantil (junto com Bob Jackson e outros idiotas) se quisesse, mas preferia se manter longe. Sempre teve uma personalidade estranha. A mania de se sentar sozinha no balanço no meio do frio intenso do inverno afastava as crianças. A mania de falar sobre os assassinatos como se fossem nada afastava os pré-adolescentes. E o fato de ter desprezado todos os garotos que a chamaram para sair durante a escola, afastava os adolescentes. Claro que mesmo afastados, ninguém nunca paravam de falar sobre ela.
Marielle nunca se importou com nada disso. Filha do meio em uma família de 5, os pais raramente prestavam atenção nela ou que ela fazia. Era medíocre na escola, tirando notas aceitáveis, mas não participando de nenhum clube, e nem conseguiu entrar na faculdade. Se vestia de forma simples e delicada. Era só uma em meio a multidão. Menos quando estava com Charlie. Era impossível não prestar atenção nos cabelos ruivos raramente penteados de Charlie. Ou nos vestidos coloridos e simples que ela usa faça chuva ou faça sol. Ou na postura de Charlie andando com o skate embaixo do braço ou desfilando descalça por aí. Charlotte Studders era a perfeita imagem da linda garota misteriosa que todos queriam ter, mas ninguém podia. Perto dela, Marielle vivia numa sombra. Mas aquilo era o mais perto do sol que ela já tinha chegado.
- Tudo bem, Elle, não fique brava. Eu só queria que você tomasse cuidado.
Marielle finalmente olhou nos olhos de Charlie e sua carranca desapareceu.
- Eu sei cuidar de mim, Char. Não precisa ser a filha do delegado o tempo todo.
Charlie suspirou e balançou a cabeça, concordando. As duas andaram até o píer, mudando de assunto.
- Você ouviu alguma novidade sobre a morte de Bob? – Marielle perguntou.
- Você quer dizer sobre a morte dos sete garotos.
- Sim. – Ela revirou os olhos – Mas você sabe que isso só ficou interessante depois que Bob morreu.
- Não entendo porque, acho que ele é um dos caras que menos faz falta para a cidade.
- Charlie, todo mundo sabe que você achava Bob um babaca, e ele era, mas era um babaca popular, então ninguém se importa com a sua opinião. Responde a minha pergunta.
Charlie bufou.
- A polícia não faz ideia de quem é o assassino.
- Jura? Nem uma lista de suspeitos?
- Não, tudo que eles tem é a motivação e o fato de que o assassino é canhoto. Nem chegaram à conclusão de que era uma garota ainda. Eu acho que se as mortes pararem, é possível que esse caso seja arquivado e quando eu me formar vou reabri-lo e solucioná-lo.
Mas Marielle não estava mais ouvindo.
- Eu acho que foi uma das namoradas. – Disse, ao chegarem ao píer.
- O que?
- Pois é. Quem tem motivos melhores pra matar todos eles do que as namoradas?
- Foram sete assassinatos, Elle. Você acha mesmo que alguém teria tanta raiva do namorado que o mataria e depois mataria outros seis caras simplesmente porque agem como ele?
- Claro, não é isso que chamam de crime passional?
- Não...
- De qualquer forma, eu realmente acho que foi a namorada nº 6. Não engulo ela ter esquecido de tudo. Prefiro acreditar que ela treinou, treinou e depois de ter alcançado o ponto máximo ao matar dois caras ela tomou coragem e matou o namorado. E como seis não é um número legal, ela fechou a série de assassinatos com chave de ouro ao matar Bob Jackson. É coincidência demais ela ter saído do hospital no dia da morte de Bob.
- Sua teoria é melhor do que a da polícia...
Isso fez Marielle se animar.
- É só uma das possibilidades, ainda existem as outras namoradas. Todas podem ter feito isso, por motivos diferentes. Quer dizer, ninguém sabe o que se passa na cabeça das pessoas né?
- É, ninguém... Deixe-me mostrar o erro na sua teoria: nenhuma das namoradas é canhota.
- Drooooooga! Eu esqueci essa parte. Você tem certeza, absoluta, de que a assassina é canhota?
- Sim, de acordo com a direção dos cortes nos corpos.
Marielle bufou e pegou o celular no bolso.
- Eu sou pior que o Detetive Biggs solucionando um crime. Pelo menos, eu não sou paga para isso. – Disse, digitando um número.
- Para quem você está ligando?
- Lucas. Eu preciso de uma bebida depois desse papo sobre assassinatos.
- Marielle...
- O que? – Colocou o telefone no ouvido e encarou Charlie – Ah, por favor, não cite o código penal para mim agora. Eu quero me divertir. E você deveria fazer o mesmo e aproveitar suas férias.
- Eu me divirto, sóbria mesmo.
Nesse momento, Lucas atendeu ao telefone então tudo que Marielle fez foi dar língua para a amiga.
- Oi, baby... – Disse se levantando.
Charlie não chegou ao ouvir o resto. Ficou batucando no skate enquanto esperava amiga terminar de falar ao telefone. Quando ela o fez, puxou seu cabelo para fazê-la levantar.
- Nós vamos a uma festa!
- Nós? – Charlie perguntou, arrumando o vestido no corpo.
- É Charlie, vai ser no barco de Vincent, você precisa ir.
Charlie respirou fundo e agiu como se estivesse pensando.
- Nunca, jamais, nem em um milhão de anos! – Disse, finalmente se virando para sair do píer.
- Charlie...
- Não diga o meu nome. E eu nunca iria para uma festa de Lucas.
- Mas eu preciso da minha melhor amiga comigo para me apoiar.
- Eu nem sei porque diabos você vai para essa festa, você fica enjoada em barcos.
- E daí? Vai ter tanta coisa lá que eu iria acabar vomitando de qualquer jeito.
- Ótimo trabalho me convencendo a ir para a festa, Elle.
Charlie tomou a dianteira e colocou o skate no chão para deixar a amiga falando sozinha, mas Marielle a parou.
- Charlie, por favor, nós mal temos passado tempo juntas essas férias e você sabe como Lucas fica quando eu não vou para uma das festinhas dele. Por favor? Vai ser divertido. E nós podemos almoçar no restaurante do pai de Bob antes de ir. Você pode recolher mais informações sobre os assassinatos.
Charlie bufou e pegou o skate antes de se virar.
- Eles realmente me querem lá? Eu sou filha do delegado e vai ter muitas drogas.
- Lucas não liga. E ele nunca é pego.
- Certo, mas eu não vou usar nada.
- Nem precisa.
- Ok. Vamos almoçar.
Depois de almoçar, Charlie e Marielle seguiram para as docas. Elle falava o tempo todo sobre o namorado enquanto Charlie revirava os olhos consecutivas vezes. Não era só porque odiava Lucas, ela nunca entendeu porque as pessoas falavam tão efusivamente sobre seus namorados e namoradas. Nossa, você tem um relacionamento! Legal, mas isso devia ficar entre você e ele (ou ela).
Charlie podia soar como uma velha amargurada, mas não é como se ela nunca tivesse namorado. Ela namorou, alguns anos antes. O cara era filho de um pescador e se chamava Nicolas. Eles viviam grudados, mas o pai dela odiava isso. Charlie se sentia dividida entre o único cara que já tinha mexido com ela e seu pai, o homem que mais amava e que a tinha criado. Tudo que se sabe é que a única coisa que sobrou de Nicolas foi o boné verde que de certa forma virou uma marca registrada de Charlie. Ela usava o tempo todo... Mas não estava usando agora.
- Charlie! – Marielle exclamou parando na entrada do barco – Você está sem boné.
Charlie congelou. Por um instante ficou em pânico, mas então se sentiu boba por ficar assustada. Era só um boné. Um amuleto talvez, mas só um boné. Tentou se lembrar da última vez que tinha visto.
- Esqueci na mesa da sala, eu acho. Tudo bem.
- É só estranho te ver sem ele. E eu nem percebi que você estava sem quando chegou à praia.
- Bem, eu não posso ficar com ele na faculdade, então já me acostumei.
- ELLE! – Lucas gritou, quando elas entraram no barco. Puxou Marielle pela cintura e já entregou uma lata de cerveja para ela. – Charlotte. Finalmente tomou coragem de vir se divertir?
Ele esticou a mão para tentar apertar a bochecha de Charlie, mas ela bateu na mão dele, como se para afastar um mosquito.
- Charlie! – Marielle gritou, arregalando os olhos de revolta.
- Eu vim por Marielle, e vou embora assim que escurecer. – Disse simplesmente, cruzando os braços.
Lucas riu.
- Relaxa um pouco, Studders. Coloca esse skate lá dentro e depois pega alguma coisa pra beber.
Charlie simplesmente ficou parada, braços cruzados com o skate contra o peito e maxilar cerrado. Então Elle implorou com o olhar, e ela girou os tornozelos, se dirigindo para a cabine do barco. Escondeu o skate e os sapatos embaixo de um banco e voltou para o lado de fora, se sentando na beirada do barco, com as pernas fora da água.
 Passou o resto do tempo ali e duvidava que Marielle ou qualquer um tivesse dado sua falta. Quem passava por ali, estava bêbado demais para se importar ou sóbrio demais para ter coragem de falar com Charlotte Studders e quem não a conhecia só precisava de um "cai fora" dito através aqueles olhos verdes para não puxar papo.
Simplesmente não conseguia tirar o caso da cabeça. Ele a assombrava e a perseguia. Sabia o que era o certo a fazer, mas ninguém a escutaria. O novo detetive acabara com a reputação que Charlie tinha na polícia local e agora ela só podia resolver o crime como queria quando terminasse o curso. Aquilo a perseguiria pelos próximos 3 anos e meio.
Em um momento, Lucas apareceu e se sentou ao lado dela. O único corajoso, ou maluco suficiente para falar com Charlie quando uma tempestade estava sobre a cabeça dela.
- Não vai beber mesmo, cara?
- Não, cara, eu não vou.
- Porque, cara? - Ele perguntou bêbado o suficiente para achar a brincadeira engraçada.
- Porque não.
- Então porque você tá aqui?
- Por causa de Marielle.
- Você não vê Marielle há horas, e ela não falou com você. Talvez o verdadeiro motivo seja eu.
Charlie se levantou, se afastando dele.
- Se você me dá licença eu vou enfiar brasas do meus olhos para tirar essa imagem da cabeça.
Lucas riu e se levantou junto.
- Não precisa esconder o que sente sobre mim, querida.
- Nunca escondi, você me dá nojo.
- Marielle não está aqui, Charlie, você pode fazer o que quiser comigo.
A luz já começava a diminuir, principalmente naquele lado do barco, Charlie não conseguia ver bem o rosto de Lucas, mas sabia de quem era a sombra atrás dele. Pensou que agora era a hora de fazer alguma coisa.
- Então, você acha que pode namorar minha melhor amiga e se insinuar para mim sem que eu vomite na sua cara arrogante?
- Elle não importa pra mim. Ela é só um brinquedinho sabe, enquanto eu não faço nada. Eu tenho planos sabe, não quero ser um desses caras bêbados que vive em festas pelo resto da vida. Isso é temporário. Talvez namorar a filha do delegado me ajude a mudar de vida.
Charlie teve um flashback ao ouvir essas palavras. Olhou para Marielle e sabia que ela já tinha ouvido o suficiente também. Se virou e deixou o barco sem dizer uma palavra.

Foi acordada na madrugada do dia seguinte, com a voz do pai e uma chacoalhada violenta nos ombros.
- Acorde, Charlie!
Com o susto ela não precisou de muito tempo para estar completamente acordada.
- O que? – Perguntou, arregalando os olhos - O que aconteceu?
- Preciso que você vá à praia comigo. O namorado de Marielle foi morto ontem a noite.
Em um salto ela levantou da cama e calçou o tênis.
- Namorado superprotetor?
- Sim. Sei pouco sobre tudo, mas Marielle afirmou que você estava na mesma festa um pouco mais cedo. – A gravidade na sua voz previa bronca - A festa tinha drogas e bebida, Charlie, você estava mesmo lá?
- Eu fui por Marielle, pai, sinto muito. Acho que esperava impedi-la de fazer besteira.
Ele relaxou.
- Ela viu tudo, querida. Precisa de seu apoio agora.
Charlie estava em pé e pronta para ir e pela primeira vez sentiu um arrepio de frio na espinha.
- Vamos? - O delegado perguntou.
- Vamos.
Deixaram a casa com uma tensão silenciosa, encontrando o detetive na porta de casa. Biggs saldou os dois, mas Charlie o ignorou propositadamente. Nas docas, encontrou a amiga encostada em uma viatura, envolvida em uma colcha de retalhos e abraçada a mãe.
- Minha menininha. Eu sinto tanto, sinto tanto. - Sua mãe dizia a voz envolvida em lágrimas enquanto a abraçava.
Marielle chorava copiosamente, com os olhos inchados e um cheiro horrível que era sentido há passos de distância.
- Char! - Gritou ao vê-la, ainda chorando.
Charlie a abraçou.
- Eu sinto muito. - Disse de uma forma assustada e completamente falsa.
Não sentia muito. Não sentia muito por nenhuma das meninas cujos namorados foram mortos. Marielle respirou fundo em meio ao choro.
- Você é a única que pode ajudar, Char. A única que pode fazer a assassina pagar por isso, você precisa ajudar a polícia. Por favor.
Charlie se afastou e olhou nos olhos escuros de Marielle. Sua amiga não sabia de nada, mas confiava nela.
- Eu vou fazer, por você.
No fim daquela tarde, depois de deixar a amiga sob a proteção dos pais, Charlie pediu ao próprio detetive Biggs que reunisse todos os investigadores do caso em uma sala. Depois de pensar muito pelo dia, ela finalmente sabia... O certo fazer para terminar aquilo.
Todos os olhares estavam nela. Todos pareciam entediados. O próprio detetive só tinha concordado com o encontro para poder dar fim a suas interrupções de uma vez por todas. Ela respirou fundo e começou.
- Fui eu.
É óbvio que ninguém acreditou nela. A confusão tomou conta da sala.
- Eu sou a assassina d'O Caso do Namorado Superprotetor.
- Charlie... - Seu pai começou.
Charlie foi forçada a explicar.
- Eu tive um namorado superprotetor uma vez. Apesar do termo certo ser "obsessivo". Ele não me deixava respirar e queria me forçar a mudar. Depois descobri que ele só saia comigo para ter ascensão social. Um belo dia ele me ameaçou com uma faca, acabou me causando um corte na barriga e depois de uma briga eu o matei. Legítima defesa, mas por algum motivo, eu gostei e peguei meu primeiro souvenir. O boné. Assim que soube que minha melhor amiga tinha se envolvido com um cara assim, resolvi bancar a justiceira.
"O primeiro foi o namorado de uma amiga da faculdade. Ele estava tentando convencer ela a deixar a faculdade e ir com ele para Los Angeles. Ela não queria, mas ele a convencia cada vez mais. Depois que ele morreu, ela pegou o diploma. Conseguiu um emprego na cidade.
"O segundo foi o caso da praia. O cara a agrediu. A socou três vezes. Depois que ele morreu, ela conheceu um cara novo, está apaixonada e feliz agora.
"O terceiro planejava matá-la por ciúmes.
"O quarto e o quinto, casos de estupro.
"No sexto, ele a havia sequestrado.
"A sétima também havia sido agredida. Tinha perdido tudo que acreditava e iria ser expulsa de casa a qualquer hora. Agora ela voltou a faculdade e vai seguir a carreira que sonhou.
"E por último livrei minha amiga daquilo tudo. Eu não queria ter ido tão longe e traumatizar Marielle, mas ele se insinuou para mim. Para mim! Agora Marielle fez as pazes com os pais e em breve estará cheia de planos para o futuro.
"Eu sei que o decepcionei, pai, e sei que vocês me veem diferente agora. Mas eu tinha planos de me entregar. Ou de ser descoberta. Quando o detetive bancou o sabichão, eu decidi que só faria isso quando eu me formasse, para mostrar o quanto teria sido fácil resolver isso tudo. Eu não parava de falar sobre a assassina canhota e todas as outras coisas que apontavam para mim e ninguém percebeu. Provavelmente, ainda não acreditam, mas eu tenho uma lista de provas irrefutáveis.
"Eu estou pronta para ser julgada. Só gostaria de acrescentar que, do meu ponto de vista, eu não tirei 8 vidas. Eu salvei outras oito."



G.

27/12/2013

Diário de Bordo 3 - Make It Magical - Parte 7: A última vez que você vai ouvir falar de Natal esse ano.

Hohoho, bitches! Como tá todo mundo? Eu estou bem e tive um bom natal, apesar de, no exato momento em que estou escrevendo isso, estar frustrada comigo por ter esquecido que tinha um conto incompleto (que eu vou postar como post 250, ou seja, o próximo) na minha pasta "Contos" e ter passado a pasta para o outro computador e também estar frustrada com o blogger porque ele está um cocô no momento.
Então, basicamente, eu pra variar, atrasei esse post e agora vou postar dois posts em dois dias consecutivos (coisa que eu odeio mais que tudo, já que não dá tempo de deixar as pessoas lerem e comentarem, mas é necessário já que o post de terça-feira vai ser bem grandão).
Meu Natal esse ano quase não aconteceu. Primeiro, minha mãe doou as decorações de Natal daqui de casa ano passado e a gente ficou sem nada. Eu resolvi esse problema quase em cima da hora, montando minha linda árvore, dia 20.


Aqui está a minha linda árvore que eu ainda não acredito que fiz completamente sozinha. Minha mãe quis fazer alterações, mas a única que eu deixei foram essas bolinhas vermelhas, penduradas na corrente de anjinhos. Como eu disse na page, deu muito trabalho fazer essa árvore e eu acabei me cortando e machucando as costas, mas valeu a pena demaissssss! Todo mundo ficou comentando e querendo uma igual. Eu não tenho talento para desenho, artesanato ou escultura e raramente uma coisa que eu faço assim dá certo, e fala sério, árvore de livros é uma daquelas coisas que a gente vê no Pinterest e nunca que pessoas sem talento conseguem fazer coisas que encontram no Pinterest, MAS EU CONSEGUI E MINHA ÁRVORE FICOU PERFEITA. Basicamente zerei a vida depois dessa.
Além da crise da decoração, eu quase fiquei sem ceia. É que meu tio-avô-primo (*pausa* Por acaso alguém lembra da detalhada árvore genealógica da minha família carioca que eu expliquei no post de Natal do ano passado? Não né? Vou explicar de novo. Começando pela minha tia-avó que tem duas filhas, primas da minha mãe e minhas primas em segundo grau. Essa tia-avó é casada com o filho da prima da mãe dela - minha bisavó - que tem um filho que tem um filho de quase 3 anos e uma filha pra nascer, que não são nada meus. O irmão desse meu tio-avô/primo em sei lá qual grau tem um irmão que também é primo em sei-lá-qual-grau e tem dois filhos e duas meia-irmãs que também não tem parentesco nenhum com a gente, mas são da família porque são legais.) ia começar a trabalhar em São Paulo e não estaria aqui no Natal, nisso ninguém quis falar nada ou fazer nada. QUASE QUE EU DOU UM ATAQUE E MATO TODO MUNDO DESSA FAMÍLIA.
Quer dizer, é bem óbvio que eu sou a anti-social daqui. Grande parte do tempo, eu deteeeeeeeEEEEsto sair do meu computadorzinho lindo e das minhas histórias, mas Natal é Natal né gente (e eu sempre levo meu notebook ou meu celular pra ficar usando durante a ceia) e eu preciso pelo menos de comida típica de Natal ou eu sinto que meu ano está incompleto. Sem falar que todo mundo participou de pelo menos um Amigo Secreto e/ou confraternização esse ano. Minha irmã teve um na igreja e minha mãe um no trabalho. E eu que não participo de nenhuma organização? Ia ficar sem natal? DESNATALZADA???? (eu sempre exagero, desculpem).
De qualquer jeito, 5 dias antes do Natal minha tia que tem a casa grande, onde a gente faz a ceia (e que não é nada minha, na verdade) ligou pedindo para a gente ir na casa dela combinar o que faria no Natal. Respirando aliviada, vi todo mundo remarcando essa reunião para 2 dias antes da ceia de Natal (dia 22), ou seja, os acréscimos do segundo tempo e tirando total e completamente o Amigo Secreto da jogada e substituindo-o por brincadeiras. Considerando que pelo menos a festinha estava sendo organizada, eu aceitei isso tranquilamente, mesmo que isso significasse que eu só teria um presente de Natal de verdade (meu Destrua Este Diário, que eu já comecei a usar há um tempão).
Então, dia 24, com tudo pronto, levando duas panelas de arroz (branco e à grega) e uma de salada de lentilha lá fomos nós para a casa do meu tio (que é meu primo em 99º grau). Eu, vestida assim:



Sim, de vermelho e de gorro na cabeça. Eu sabia que ia ser zoada, MUITO ZOADA (porque minha família é super legal e tals), mas isso é divertido. É como eu disse na page do facebook, é a história da toca de vaquinha toda de novo. Eu gosto de me destacar em áreas onde eu não dou a mínima para o que as pessoas pensam (como minha aparência). A ideia do gorro era bem antiga e eu rodei o Rio de Janeiro todo pra achar um que fosse decente (tá exagerei, mas é mais difícil do que parece), e quando eu fui olhar o que devia usar no meu guarda-roupa meu vestido vermelho quase literalmente caiu na minha cara, então o apelido de "Mamãe Noel" da festa foi merecido. (Sempre que perguntavam cadê os presentes eu dizia "Não sei, também quero saber" e lançava um olhar bravo. Eu ainda quero presentes.).
Depois de um início completamente lixoso e entendiante (quem me viu xingando no twitter sabe), a festa foi seguindo da comida (eu só comi uma rabanada aquela noite e depois fiquei tipo uma maluca "EU ESQUECI A RABANADAAAA") para as brincadeiras (a gente fez um amigo malandro diferente: cada um recebeu um número, quando o seu chegasse você escolhia um brinde na mesa e se não gostasse podia trocar com uma das pessoas que já abriu e no final quem tava com o número um e pegou antes de todo mundo abrir - minha irmã - podia escolher entre todos os brindes já abertos. Depois jogamos Mega Senha - aquele jogo em que uma pessoa da dupla tem que acertar a palavra que o outro recebeu, através das dicas de uma palavra só que a outra pessoa dá dando - onde eu e minha mãe ficamos em segundo lugar. E no fim da festa, quem sobrou pegou um dos brindes da mesa. Depois de trocas e brincadeiras, eu acabei com um fone de ouvido - QUE JÁ DEU MAU CONTATO -, um kit com tesoura e estilete - que eu vou usar no meu Destrua Este Diário - uma caneta e uma flor de vidro que serve decoração pra mesa) e finalmente acabou mais de duas da manhã.
Ao contrário do ano passado, que eu enviei mensagens originais e únicas para todo mundo que eu tinha na lista de contatos e fui mais ignorada do que Testemunha de Jeová em dia de jogo do Brasil, esse ano eu só mandei Feliz Natal pra uma pessoa (que eu não conhecia ano passado e não podia pagar pelos erros dos outros) e só respondi quem me mandou. (E no total foram 7 mensagens de Feliz Natal! Bj, fãs). E também deixei uma mensagem para meus amigos do Facebook:

FELIZ NATAL PESSOAL! (Parei com essa de mandar uma mensagem pra cada pessoa e ser ignorada com sucesso) E LEMBREM-SE QUE OSTENTAR O PRESENTE QUE VOCÊ GANHOU NÃO TEM NADA A VER COM O ESPÍRITO DO NATAL!

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Em seguida, vem o lindo, maravilhoso, perfeito, dia 25, o verdadeiro DIA DE NATAL ou o DIA INTERNACIONAL DO ÓCIO. Eu dei esse apelido, porque é o dia em que ninguém faz nada além de comer e morfar no sofá. Sempre parece domingo e sempre é entediante igual a um domingo. Tá todo mundo cansado da festança na noite anterior, e todo mundo aproveita o resto da festança da noite anterior também. Eu quase morri de tédio esse dia, comecei a escrever esse post, mas cansei e não levantei a bunda do sofá também.
A noite, eu finalmente (FINALMENTE) terminei de ler Lasher (que final foi aquele?) vi o fim da maratona de The Big Bang Theory (melhor tradição de natal) e comecei a ler Eco, livro que eu já estou quase na metade e amando cada frase. Mas alguém tá lendo a Série The Soul Seekers? Porque eu preciso surtar com alguém.
Natal descrito, o post terminaria, exceto por um detalhe: meus presentes! Sim, eu vou ganhar presentes e tudo porque eu fui muito dramática. Deixa eu explicar: No dia 3 de dezembro, eu vi uma matéria dizendo que era a hora de parar de comprar livros. Eu olhei para a matéria, olhei para os meus livros, olhei para minha lista de "Desejados" no Skoob e disse "WHAAAAT????" e postei isso aqui no Facebook:

  • Eu sempre vejo as pessoas dizendo que compram mais livros do que conseguem ler, e agora saiu um artigo dizendo que é hora de parar de comprar livros. Então eu meio que tenho uma dúvida agora: eu sou a única pessoa que tem que ler livros mais de uma vez porque não tem dinheiro pra comprar os que quer? Porque eu literalmente li o mesmo livro 8 vezes por não ter nenhum novo. É, eu tenho uma lista de leitura enorme, mas é de livros que eu quero comprar, não de livros que eu tenho e não posso ler. E é por isso que eu sempre to pedindo livros de presente. E essa história de mais livros do que pode ler é relativa, porque uma hora você vai ler os livros. Se você tem 20 pra ler e pode comprar mais 20 ÓTIMO CARA, ÓTIMO, COMPRE, eu realmente queria ser você. O problema é você deixar de comprar comida ou outra coisa que é de necessidade básica pra comprar livros, ou qualquer outra coisa.

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Então começou a chover gente querendo me dar livros. Beleza, nem tanto, só 5 pessoas: minha tia, minha avó, meus meio-irmãos mais velhos e o filho do meu tio que não é nada meu. 5 livros pra quem tá pobre, é ótimo amigos, ótimo! 11, mais ainda. (Esse filho do meu tio, me deu 6 livros que ele tinha. São livros de auto ajuda e eu escolhi só os mais interessantes. É só pra ter alguma coisa pra ler, principalmente quando as aulas voltarem - começar minha reputação de "menina dos livros" na escola nova - e depois meus planos são trocar eles no sebo, por algum que eu queria muito). E eu vou ganhar esses livros de Natal, mesmo atrasado. Os da minha tia e da minha avó (True: A Verdade, da Hilary Duff *-* - último da trilogia yeas! - e um de Vampire Academy, que eu não lembro o nome) chegam semana que vem e os outros ainda não tem data, mas SE DEUS QUISER chegam até meu aniversário. Além disso, uma amiga prometeu me dar uns livros que eu queria ler e já estão com ela, mas como eles vem de Recife, eu não faço ideia de quando vem.
E é isso, como diz o título do post, essa é "A última vez que você vai ouvir falar de Natal esse ano", se Deus quiser, porque eu honestamente acho que esse papo de Natal, já cansou um pouco. Até porque o Natal chegou de uma forma completamente abrupta esse ano (essa palavra é engraçada, eu sempre lia ela tipo A-PI-BRU-TA, mas ABRU-PI-TA. Depois que eu descobri como se lê e se fala eu uso ela o tempo todo) e foi embora mais rápido ainda. Nem parece que só faz dois dias. (Mas mesmo dizendo isso, eu só vou desmontar minha linda árvore dia 6 de janeiro, que é o dia certo).

G.