S A N G U E

by - 22:08

Então eu estava assistindo episódio de fall premiere de Drop Dead Diva ontem e tinha esse garoto que era solitário e até odiado e depois de um tempo ele resolveu fingir que era um vampiro para se proteger. É. Vampiros são os melhores :)
Sangue é o que nos mantém funcionando, é uma substancia comum a todos os tipos de mamíferos. É querido, perseguido, jurado, estudado, derramado, explorado, mórbido, espirrado, doado e fundamentalmente, reverenciado por sua habilidade de rejuvenescer  seja espiritual, seja fisicamente.O Guia de Vampiros Para Mulheres. Barb Karg. Editora Gutenberg. 2009.
De todas as criaturas místicas, sejam elas noturnas ou não, vampiros estão entre as mais antigas, mais macabras e ao mesmo tempo as com mais fraquezas. Apesar de vampiros serem naturalmente direcionados ao consumo de sangue - olha o nome do post né - nem todo vampiro consome sangue. Alguns simplesmente consomem energia. A definição correta para explicar quem são esses maravilhosos series da noite, seria seres que consomem a vida. Mas como um dia R. M. Renfield gritou no hospício (ver Drácula) sangue É vida.
Os escritos e as lendas da Grécia Antiga, incluindo citações de Aristófanes e Aristóteles, contam a história do amor proibido entre o onipotente Zeus e a princesa Lâmia da Líbia. Ela é algumas vezes descrita como filha de Poseidon. O ruim desse "casinho" celestial é que ele atraiu a ira de Hera, a esposa ciumenta de Zeus,  que se vingou da infeliz Lâmia, sequestrando e assassinando todos os filhos dessa união e, em seguida, a exilou.Sofrendo pelo luto e incapaz de lutar contra o poder dos deuses que lhe trouxeram tanta miséria, Lâmia resolveu se vingar da raça humana: roubou os bebes das mães mortais e sugou a vida deles. Em lendas posteriores Lâmia se transformou em uma legião de seres sobrenaturais que tinham a parte de cma do corpo em forma de mulher e a parte de baixo de serpente. Essas criaturas, que foram chamadas de lamiai, sugavam o sangue das crianças e podiam também mudar sua aparência para seduzir rapazes e levá-los à ruína ou à morte. Não existe fúria pior do que a de uma mulher desprezada!O Guia de Vampiros Para Mulheres. Barb Karg. Editora Gutenberg. 2009.
E as lamiai são nada mais do que UM exemplo da origem antiquíssima dos vampiros. Depois delas vem seres como: vrykolakas (gregos também - retornam dos mortos para causar a miséria dos vivos), upir (Eslováquia e República Tcheca - cadáveres recém animados e apodrecidos. Possui 2 corações e duas almas, chupa o sangue de suas vítimas através de um abraço e transforma com o olhar), vampir (Bulgária - mortos que voltavam à vida e iam a lugares onde não eram conhecidos habitando normalmente entre as pessoas durante o dia, mas cansando causando morte e confusão no lugar), ustrel (vampiro criado da alma de crianças nascidas ao sábados, que morreram antes de ser batizadas) e lampir (Bósnia - conhecido por criar epidemias. Ele se levantava da sepultura como um horrível cadáver com o único propósito de trazer dor e morte às pessoas). E, com um destaque especial, vem os vampiros romenos, os mais populares: Os strigoi. Esses vampiros existem em dois tipos os strigoi vii (vampiro vivo) e os strigoi mort (vampiro morto). O termo strigoi descende de striga ou stregoica que quer dizer feiticeira, ligando assim as duas criaturas.
O túmulo da Condessa Mircalla foi aberto e o General e meu pai reconheceram cada um sua pérfida e bela convidada, na face então revelada. Os traços, apesar de cento e cinquenta anos já terem passado desde seu funeral, estavam coloridos com o calor da vida. Seus olhos estavam abertos. Nenhum cheiro cadavérico  exalava do caixão. Os dois médicos, um oficialmente presente, outro por parte do promotor do inquérito, comprovaram o maravilhoso fato de que havia uma fraca, mas perceptível respiração e uma ação correspondente do coração. As pernas estavam perfeitamente flexível, a carne elástica. O plúmbeo caixão estava repleto de sangue, no qual, a uma profundidade de sete polegadas, o corpo jazia imerso.Carmilla. Joseph Sheridan  Le Fanu. A Casa do Mago das Letras. 2009.
Foi só no século XIX que a imagem do vampiro clássico foi criada: o ser elegante e pálido, que usava roupas escuras e capas, dormia em caixões durante o dia e tomava sangue - principalmente de mulheres - durante a noite, temia crucifixos, hóstias, água benta, e alho e morria ao queimar ou ter uma estaca cravada ao coração. Esse tipo de vampiro foi implantado como "o tipo normal de vampiro" na cultura com o livro Drácula (1897) de Bram Stoker, mas foi criado originalmente pelo médico John Polidori com seu conto The Vampyre (1819) que foi escrito na mesma noite em que Frankestein de Mary Shelley em 1816, quando Lord Byron propôs a seus convidados da casa que campo, que inventassem uma "história de fantasmas". Como primeira prosa em inglês sobre vampiros da era moderna, The Vampyre tem seu poder sobre as histórias futuras subestimado, afinal foi a criação dele que introduziu vampiros a literatura e criou a imagem dos vampiros byrônicos (que são todos os vampiros com as características já citadas, já que diz-se que o vampiro de Polidori, Lord Ruthven, foi inspirado em Lord Byron).
Suponha, de início, um território perfeitamente livre dessa praga. Como ela começa e como se multiplica? Eu vou dizer. Uma pessoa mais ou menos perversa põe um fim a si mesmo. Um suicida, sob certas circunstâncias, torna-se um vampiro. Esse espectro visita as pessoas que vivem em seus sonos. Elas morrem  e, quase invariavelmente, na sepultura transformam-se em vampiros. Isso aconteceu no caso da bela Mircalla, que era assombrada por um desses demônios.Carmilla. Joseph Sheridan  Le Fanu. A Casa do Mago das Letras. 2009.
Existe uma teoria, que eu vi em um vídeo há algum tempo, que relaciona o surgimento dos vampiros no folclore mundial a histerias coletivas. Quando um grupo de pessoas de um determinado mesmo lugar tem um comportamento anormal ao mesmo tempo e sem motivo aparente. Isso explicaria porque tantas pessoas afirmam ter visto vampiros e tantas morrem de forma semelhante quando isso acontece. Dois dos vampiros mais conhecidos são os sérvios Peter Plogojowitz e Arnold Paole, ambos do século XVIII. Enquanto Peter era um camponês que retornou da morte e conversou com familiares em busca de comida, Arnold era um soldado que contou a seus colegas sobre um encontro que teve com um vampiro quando estava voltando para a casa perto de Belgrado. Ele foi mordido e matou o vampiro, e, tentando evitar os efeitos do ataque comeu terra do túmulo e untou seu corpo com sangue da criatura. Pouco tempo depois, quando todo o vilarejo onde morava sabia do que havia acontecido, Paole morreu e correu um boato de que ele tinha voltado para assombrar a cidade. Paole foi exumado após quarenta dias (período que acreditavam que se levava para transformar em vampiro) e morto. Suas pretensas vítimas foram exumadas e mortas. E ainda por cima algumas vacas foram mortas por terem sido possivelmente "vampirizadas", e durante os três meses seguintes 17 pessoas morreram por uma doença por terem comido carne das vacas em questão. A história correu tanto que foi documentada e contada para o imperador da Áustria.
Entre vampiros da vida real e vampiros da ficção (literatura, cinema, TV e até música) existem milhares de faces descobertas dos vampiros. Mas são as não descobertas que intrigam mais.
G.

BÔNUS: Querem notícias da minhas vampirinhas? Hoje às 23 horas, no evento da volta de As Crônicas de Kat tem preview.

Fontes:
Carmilla, de In a Glass Darkly, Sheridan Le Fanu, 1872.
The Girl's Guide To Vampires - All you need to know about the originals bad boys, Barb Karg, 2009.

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