Diário de Bordo 3 - Make it magical - Parte 10: Primeiro VESTIBULAR dia VESTIBULAR do VESTIBULAR terceiro VESTIBULAR ano VESTIBULAR!!!!!!

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Ok, eu inventei o título desse post antes de ir pra escola porque todo mundo me dizia que primeiro dia de aula do terceiro ano se resume em vestibular, mas na verdade o título não faz jus ao meu primeiro dia de aula até porque o único professor que citou o vestibular foi o de história, que marcou meu dia com a frase "Sem trabalho, em janeiro de 2014, você era um estudante. Em janeiro de 2015, você é um desempregado.". Ou seja ele basicamente atirou na minha cara a noção de que agora eu sou uma adulta, completamente responsável pelas escolhas que vou tomar este ano, que vão definir todo o meu futuro. Sem pressão.
Já comecei o ano com aulas de duas matérias que eu adoro - inglês e história - e a que eu mais abomino na face da terra - química. Eu estou confusa a respeito dos mus sentimentos sobre o professor desta última. De verdade, eu achei ele meio... desinteressante, mas por outro lado ele deu uma olhada no livro que eu estou lendo - Sussurro da Becca Fitzpatrick, sim, ainda, mas eu acho que acabo essa noite - e não deduziu que era um romance idiota de adolescentes (como todos os meus professores deduzem e me perguntam), ele disse "Terror?" e eu com um maior prazer abri um sorriso e disse "É, mais ou menos". Mas uns 20 minutos depois ele me mandou guardar o livro! Já no primeiro dia de aula tinha professor me mandando guardar livro! Tá, ele tinha passado um exercício, mas eu já tinha feito! E o pior de tudo é que na hora em que ele mandou eu guardar o livro eu tava com o celular na mão, mandando mensagem, mas ele nem se importou com este detalhe. Não mandou guardar o celular, mas guardar o livro! Eu guardei, e fiquei até o fim da aula cutucando minhas unhas, mas eu fiquei com uma raiva meio mortal dele. Vou precisar de mais tempo para decidir se minhas aulas de química vão ser boas ou não.
Eu preciso explicar uma coisa que eu tive a maior preguiça de explicar pra quase todo mundo: a escola para a qual me mudei esse ano é a mesma em que eu fiz o 9º ano do fundamental, assim que cheguei no Rio. "MAS GIULIAAAAAAAAA, VOCÊ NÃO VIVIA FALANDO MAL DESSA ESCOLA?" Não, eu não vivia. Eu simplesmente achava o ensino fraco e detestava o número de trabalhos em grupo e o fato de não ter sabonete no banheiro, mas eu tô pronta para aguentar tudo isso pelo último ano, só pra poder estudar sem vontade de arrancar meus olhos. Eu costumava achar minha escola dos últimos dois anos bem melhor do que essa, mas depois do que eu passei ano passado? Eu tava pronta pra ir até para uma pública.
É tão bom, depois de passar pela tortura psicológica que eu passei, estar em uma escola cujo ritmo eu consigo acompanhar. Eu acho que foi assim que os escravos se sentiram quando a escravidão foi abolida e eles partiram para trabalho assalariado... exceto que eles tiveram que trabalhar mais para conseguir se manter, hmmm, tá esquece a analogia. A questão é que ao invés de estar na escola até as 18h, passando por momentos completamente estressantes, hoje eu cheguei em casa 45 minutos mais cedo (última aula foi vaga. Tive duas aulas vagas hoje, por causa do calendário da escola. Há ANOS eu não sabia o que era uma aula vaga.), já tendo feito todas a tarefas em sala (inclusive a de química, que eu acertei, apesar de precisar dar uma revisada em camadas eletrônicas - sério, eu achei que tivesse me livrado disso no primeiro ano) e completamente despreocupada sobre o resto da semana. Ok, hoje é tipo o primeiro dia de aula e muitas coisas podem acontecer com o passar do tempo, mas eu estou supertranquila sobre o meu futuro na escola porque eu sei que consigo enfrentar, sem prejudicar minhas outras atividades.
As pessoas estão tipo "Mas é terceiro ano, você tem que estudar muito e pensar só em estudo mesmo", uma menina mais nova que eu e que acabou de começar o ensino médio, disse pra mim que "é melhor eu me dedicar mais porque é ano de Enem" e eu tô meio "tá, mas e daí?". E é aí que o desespero começa com todo mundo arregalando os olhos e dizendo "E se você não passar no vestibular?" e a linda resposta é "Eu tento de novo até conseguir!"
Não é como se estivesse andando e cagando pra coisa toda. Desde criança o trato sempre foi que eu iria para uma faculdade pública e trabalharia para cobrir os gastos desse período, porque minha mãe fez isso e se saiu muito bem. Por um momento, eu realmente pensei em desistir do diploma de ensino superior de tão esgotante que o segundo ano foi pra mim, mas cheguei à conclusão de que fazer faculdade é importante para ser escritora também, e talvez uma parte de mim realmente queira ser jornalista, então eu vou prestar vestibular esse ano e vou me esforçar para passar pra a faculdade que eu quero. Mas entendam eu sou uma das poucas pessoas que eu conheço que aos 15 - quase 16 - anos já sabe o que quer fazer da vida e eu quero escrever e quero muito publicar meu livro esse ano. Quais as chances de conseguir publicar e vender um livro independente estudando das 7h às 18h? A escrita é a prioridade máxima na minha vida e é ÓBVIO que eu preciso estudar para ir bem nisso também, mas publicar um livro é mais do que só escrever.
Como não é o meu sonho passar em um curso concorrido em uma faculdade difícil de entrar, certas coisas, como estudar 60,5 horas por semana não valem a pena (!!!). Tem gente que realmente sonha em passar para uma faculdade extremamente concorrida ou que quer ser militar, e esse estudo maluco pode ser a última chance. Se seu sonho é esse, vai fundo, mas passar tanto tempo com a cabeça em fórmulas e estudo não é bem a minha praia. Eu só acho que isso tudo só adianta se for realmente o seu sonho, se você está se dedicando porque quando você conseguir o que tanto deseja e terminar a faculdade dos seus sonhos, você vai ser feliz. Porque eu vejo o tempo todo gente se matando de estudar, pra passar pra faculdade pra se matar mais de estudar e depois se matar de trabalhar e ganhar rios de dinheiro, mas não poder gastar por causa do trabalho. Simplesmente não vale a pena passar a vida toda nessa. Acho que qualquer tipo de esforço só compensa se for trazer felicidade, caso contrário, melhor dormir.
G.

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