29/12/2014

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 6: Porque o contrário de Natal Branco é Natal Azul

Antes deste post eu queria avisar às pessoas que não curtem a página do Facebook que eu liberei um pequeno presentinho no último Natal que, na verdade, é algo que algumas pessoas vinham esperando há um tempo: O PDF de As Crônicas de Kat. Você pode baixá-lo clicando aqui e seguindo as indicações do site (se precisar de ajuda, é só pedir). Agora você pode ler 234 páginas de uma história escrita por mim em qualquer equipamento eletrônico que aceite PDF. Desculpem. (Especialmente pela página de agradecimento. Eu queria que aquela página fosse um momento bonitinho onde eu mostrava minha gratidão aos meus leitores, mas quando eu escrevi aquilo eu estava com muita pressa de terminar o PDF logo e ir para a piscina então ficou muito estranho - mas, cada palavra escrita é verdade).

Eu sou um flamingo saltitante!
 (Mas sério, essa foto teve 76 curtidas no meu Instagram. E as fotos que dão o maior trabalho para tirar tem 30!)

É muito estranho pensar que no Natal do ano passado eu quase surtei porque não queriam ter um "Natal de verdade". Eu perturbei todo mundo até ter pelo menos algumas brincadeiras no lugar do amigo secreto, fiz a ceia de Natal acontecer independente do que os outros queriam, comprei um gorro de Papai Noel (depois de uma procura maluca em todo lugar da cidade - e esse ano estavam vendendo esses gorros até no semáforo, o que me deixou revoltada com a vida ), e ainda, quando achei que nossa árvore de Natal havia sido doada resolvi fazer uma árvore de livros (eu realmente queria saber como eu consegui fazer minhas espinhas desaparecerem nessa foto), sendo que eu sou péssima com esses trabalhos manuais artísticos ou não. Este ano, eu não tive nenhuma decoração de Natal, participei só de um amigo oculto superimprovisado (tipo, sorteio no dia anterior à troca de presentes e ainda assim quase ninguém conseguiu guardar o segredo de quem tinha tirado) e nem sabia o que faria na noite de Natal até 3 horas antes da ceia. E só reclamei disso umas 5 vezes!
Como viemos passar as férias no Rio de Janeiro, eu e minha irmã poderíamos até ter passado o Natal exatamente da mesma forma como passamos nos últimos 3 anos (na casa do meu tio que, na verdade, é filho da prima da minha bisavó e cunhado da minha tia-avó), mas antes mesmo que nós tivéssemos a chance de pensar nisso, meu tio que mora  em Araruama (cidade da região dos lagos do Rio de Janeiro, na qual eu morei por um ano) havia nos convidado a passar alguns dias lá (ou melhor, aqui, já que esse post começou a ser escrito em um documento do bloco de notas em Araruama mesmo) (eu tinha internet lá, mas só um roteador de 3G que era ligado dia sim, dia não e 50mb de internet da Vivo que acabava a cada 3 horas e que eu comprava de novo igual uma idiota, então vocês podem imaginar o sacrifício que foi conseguir fazer o upload do PDF de As Crônicas de Kat) e nós decidimos que esses dias seriam durante o Natal.
Isso foi fácil porque a amiga que está nos abrigando por enquanto tem família na cidade e sempre passa o Natal por aquelas bandas. Por isso, no dia 24 às 1h19 da manhã nós estávamos saindo de casa e tomando a estrada. Apesar de ter começado a viagem até com pique, depois que nós passamos a ponte Rio-Niterói eu já estava cheia de sono. Porém, não dormi. Eu tenho problemas sérios para dormir quando minha vida depende de outra pessoa e a sensação que eu tenho em uma viagem de carro a noite é que, se eu dormir, o motorista vai dormir também. De qualquer forma, chegamos na cidade às 3h30, mas ainda não fomos para a casa do meu tio. Dormimos na casa do pai da nossa carona e só às 14h finalmente fomos para a estação final.
A casa em questão fica em um distrito da cidade chamado Praia Seca que é a única parte da cidade que fica perto do mar de verdade (a "orla de Araruama" e as praias da cidade, na verdade, ficam em torno da lagoa que tem o mesmo nome da cidade). Foi só chegando que nós ficamos sabendo que a irmã da esposa do meu tio faria a ceia de Natal, então o Natal foi salvo. Mas antes disso, eu pude fazer uma coisa que vinha querendo fazer há alguns meses: arrumar meus livros.
Como nossa mudança de volta para a Bahia foi muito corrida e o apartamento em que morávamos precisava ser desocupado rapidamente, meu tio acabou pegando algumas caixas que sobraram e levou para a casa dele. A ideia original era que em alguns meses ele enviasse as caixas por frete, Correios ou algo do tipo, mas graças aos meus maravilhosos 101 livros (cujas caixas devem pesar uns 50 quilos cada), isso não foi possível. Como eu ainda estou sem saber se vou voltar a morar no Rio de Janeiro ou não (meu Deus, os resultados dos vestibulares estão tão perto de sair), nós resolvemos deixar as caixas aqui e esperar até eu ter certeza do que faria. Nisso, eu fiquei longe dos meus livros e mesmo que tenha comprado e ganhado outros 52 (em minha defesa, 5 deles são e-books) não faltaram momentos em que eu senti falta dos meus bebês. Na última véspera de Natal, eu finalmente pude matar essa saudade, abrindo as duas caixas deles e tendo um momento para abraçar, cheirar e fangrilar com eles. Separei alguns livros que eu tinha prometido vender para amigos, que eu ainda não tinha lido e nem tinha conseguido pegar da última vez e que eu vou precisar no futuro (como, por exemplo O Guia de Vampiros para Mulheres, que eu creio que precisaria até na minha tese de doutorado se eu fosse louca o suficiente para estudar tanto assim). Além disso, peguei meu gorro de vaquinha (como eu sobrevivi ao último inverno sem ele, Deus???) e minhas pantufas de vaquinha.
Depois disso tudo, nós nos arrumamos e às 21h fomos para a ceia de Natal. Foi bem simples, só com frango, salada de macarrão e carne de porco (todo mundo ficava dizendo para o meu primo de um ano que a gente ia comer a Peppa Pig). Comemos e depois de assistir um pedaço do filme especial de Natal (Enrolados - que foi o primeiro filme que eu vi em 3D e o primeiro filme que eu li no Rio de Janeiro, ironicamente), depois voltamos para a casa antes da meia-noite, na verdade. Depois assistimos o final do filme e fomos dormir. Nós também não tivemos trocas de presentes porque todo mundo já tinha ganhado seus presentes de Natal antes, então, tirando a ceia, nem parecia uma noite de Natal. (Não estou reclamando, apenas dizendo).

Essa foi uma das milhares de fotos que eu tirei com minha irmã e meu primo naquela noite.  Nenhuma ficou boa o suficiente para o Instagram, aparentemente, então eu postei uma com meu primo de um ano PORQUE BEBÊS SEMPRE FICAM LINDOS NO INSTAGRAM.
Eu acordei às 10h com o lindo sol da manhã. Eu não disse isso, mas no dia anterior, estava supernublado, o que ninguém quer quando vai para uma cidade com praia. Na manhã de natal, como um presente divino, o céu estava azul (entenderam o nome do post agora?). Então meu primo tem uma piscina de 1,5 metro de profundidade e um pouco mais de 3 metros de largura e quando eu acordei meu tio estava a enchendo e limpando, o que me deixou saltitante. Eu sou só um pouquinho obcecada (porque eu não "gosto" de nada, eu sou "obcecada" por tudo) por piscinas e eu não ia em uma piscina desde o carnaval (e, por sinal, a piscina que eu fui no carnaval estava SUPERFRIA), então enquanto tomava café e me arrumava, piscina era a única coisa que eu pensava. Mas, claro, eu tinha coisas para fazer antes da piscina: e foi por isso que não só a página de agradecimentos do PDF ficou uma bosta, como eu não tive a capacidade de escolher uma fonte melhor para meu nome na página dois, MAS PORQUE EU ESTOU CRITICANDO ALGO QUE DEU TANTO TRABALHO PARA FAZER E QUE TODO MUNDO QUE FALOU COMIGO ELOGIOU???? Desculpem, minha personalidade autocrítica não pode ser controlada de vez em quando.
Anyway, o resto do dia de Natal foi piscina, almoço de resto de ceia (tradição natalina brasileira), praia e depois piscina de novo até o sol se pôr (o que aconteceu 20h). Não que eu quisesse passar tanto tempo na piscina (foram 6 horas no total), mas eu queria ficar na piscina até o sol se pôr para poder contar para todo mundo que eu fiquei na piscina até o sol se pôr (vamos combinar, é legal contar isso).
Ficamos lá outros 3 dias depois do Natal e voltei para casa só ontem (um dos motivos para esse post ter demorado). A casa do meu tio é uma casinha de três quartos fofa e confortável e é em um lugar tranquilo e caloroso, então foram bons 4 dias. É bom estar em um lugar tranquilo onde se pode comer pão com manteiga e deitar no tapete quentinho para ler um pouco. Mesmo que eu tenha sentido muita falta da internet. Muita falta mesmo.
Aqui vai a lista de presentes de Natal que eu ganhei (sendo que nenhum deles foi ganhado NO Natal):1. 150 reais. Que eu gastei tudo em - SURPRESA- livro.
2. O livro "O presente do meu grande amor". Da minha irmã.
3. Uma caneca de vidro com tampa e colher. Que é o tipo de presente que quem não quer me dar livros deveria me dar, já que está relacionado com uma das coisas que eu mais amo depois da literatura: cafééééééé. Obrigada Nalu.
4. Um colar com um pingente de estrela. Que é um amorzinho
5. Uma capinha para meu celular novo. Que na verdade eu ainda não ganhei, mas já foi prometido então estou contando com ela.
6. Um anel com uma pedrinha branca. Que eu até sinto falta quando não está no meu dedo.
7. O livro "Porque sou cristão". (No amigo oculto).
Eu também dei vários presentes de Natal e ainda estou devendo alguns. É o ciclo da vida.
G.

P.S.: Entãããããão, este foi o penúltimo post do ano. O próximo é o da retrospectiva, que esse ano será sobre o que eu escrevi e o que eu li durante 2014 e tradicionalmente será postado no dia 31, depois das 22h, horário de Brasília. E, ah, o próximo post também será o post de número 300. Ou seja, terminaremos esse ano com 300 posts, olhem que mágico??
P.P.S.: Simmmm, eu lembro que eu tinha me desafiado a fazer do meu 300º post o anúncio da data de lançamento de Mais uma vez, mas não rolou. Fazer o quê né?

19/12/2014

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 5: Através de países e de oceanos (exceto pelos oceanos) (e os países)

Ok, então dois meses atrás eu e minha irmã fomos até o aeroporto da cidade comprar nossas passagens para viajar nas férias. Íamos comprar no balcão da empresa, mas, chegando lá, disseram que a compra só podia ser feita no balcão da agência de viagens. Fizemos isso, mas não sem piadinhas a respeito de eu e minha irmã estarmos viajando e comprando as passagens sozinhas e como a gente devia estar fugindo de casa. A gente tinha juntado dinheiro para essa passagem por alguns meses (até porque viajar para o Rio de Janeiro em dezembro não é nada barato) e estávamos satisfeitas em encontrar uma passagem em um valor mais ou menos aceitável. Compra feita, estava tudo indo perfeitamente bem. Pediram que nós ligássemos uma semana antes da viagem (o que seria o último dia 9) e nós assim o fizemos, confirmando que tudo estava certo para nossa viagem... Até a segunda-feira, 15.
Minha irmã estava indo fazer o cabelo quando a moça da agência ligou, avisando que nosso voo havia sido cancelado, porque as duas empresas que nos levariam haviam acabado com a parceria que tinham e que, por isso, eles estariam nos realocando em outro voo, de outra empresa, no dia seguinte. Eles estariam enviando informações dentro de uma hora. A sementinha da dúvida foi plantada. Aquilo não fazia o mínimo sentido: como duas empresas aéreas importantes quebram uma parceria e deixam passageiros que voariam no dia seguinte sem poder viajar? 
Depois de reclamar muito no Twitter, eu comecei uma pesquisa detalhada sobre várias coisas. Primeiro, as empresas realmente quebraram a parceria? O Twitter de uma delas disse que não. Eu conseguia encontrar alguma coisa sobre a minha reserva no site da empresa? Não. A agência de viagens era confiável? Tinha um site com informações detalhadas, mas isso não quer dizer tanta coisa. Passamos o resto do dia ligando para a agência de viagens pedindo informações mais detalhadas do que havia acontecido com o nosso voo. Ligamos 11 vezes, e fomos atendidas 5. As informações sobre o nosso novo voo que seriam enviadas em uma hora, levaram 6 horas para chegar. Eu já estava com todos os documentos da compra em mãos e, na verdade, já tinha entrado em contato com uma advogada (ok, ela é meio que uma mãe adotiva com quem eu estava me abrindo, mas ela é advogada e me deixem fazer drama). Meu medo de tudo dar errado era enorme e mesmo depois que as informações do voo novo chegaram eu sabia que só ficaria calma quando tudo desse certo e eu estivesse pisando em solo carioca. Bem, deu tudo certo, mas antes de chegar a essa parte deixem-me dizer minhas teorias: ou as empresas barraram a agência de viagens por algum motivo e eles tiveram que mudar a empresa aérea na qual viajamos (a passagem da empresa que viemos custava só O DOBRO do que pagamos), ou eles cometeram algum erro na hora da compra e só perceberam isso tarde demais. Eu também tinha uma teoria de que eles iam dar um golpe na gente, mas a gente encheu tanto o saco que eles preferiram mandar a gente de uma vez, só que essa teoria é mais improvável.
De qualquer forma, dia 17, às 2h30 da manhã (após ter ido dormir à meia noite), eu e minha irmã estávamos de pé e prontas para ir ao aeroporto. O voo era às 4h, mas devíamos estar lá uma hora antes dele. Tomei só um copo de café descafeinado (pois é, a nutricionista da minha avó mandou que ela tomasse café descafeinado e por isso eu estou sendo submetida a essa tortura) (qual o ponto de tomar café se não tem cafeína?) e parti. Eu estava com muito medo de que alguma coisa desse errado: ou algum detalhe relacionado a compra da passagem ou que o voo fosse adiado, até porque quando eu acordei estava chovendo e muitas vezes quando chove o aeroporto da cidade fecha. Graças a Deus, não deu nada errado e às 4h em ponto o voo saiu.
Apesar de ser muito cedo, eu amo voar nesse horário. Primeiro, porque é o único período do dia em que a cidade que eu moro é linda. As luzes da cidade me encantam, e o céu também. Depois, porque a partir das 4h30 o sol começa a nascer a leste e, por estar no céu, parece que você faz parte daquele momento. Começa com uma linha amarela no céu que o deixa de três cores: amarelo, verde e um azul que vai se aprofundando até perto do preto. Eu estava sentada a oeste (parece que eu sempre fico a oeste nesses voos), mas não importa porque o nascer do sol toma conta de tudo. Sabe como dizem que é sempre mais escuro antes do amanhecer? É a mais pura verdade porque enquanto o sol vai surgindo de um lado, o céu está um breu de outro. Até as estrelas somem, em respeito a estrela maior que está surgindo. Aos poucos a luz do sol vai ficando mais intensa o que vai vai deixando o azul do céu mais suave e o céu mais claro. Finalmente, o sol desponta sobre as nuvens em uma explosão preguiçosa de amarelo, laranja e cor de rosa.

Eu disse que poderia escrever um livro sobre isso.

Enfim, chegamos ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) - nossa escala oficial - 6h42. A viagem, na verdade, dura mais ou menos 1h30, mas ao ir da Bahia para Minas Gerais nós mudamos de fuso (já que MG tem horário de verão e a Bahia, não). Tínhamos duas horas de nada para fazer, então. A gente queria tirar fotos então nós fomos para a área do portão 1 (dica para quem passa muito tempo em escalas em Confins e gosta de privacidade: no andar do embarque normal, procure o portão 1; quase ninguém fica naquela área porque o acesso não é tão fácil. Só tome cuidado para não perder o voo) onde nós podíamos tirar foto sem pagar muito mico. Ali perto eu achei o California Coffee (cujo slogan eu ainda acho que deveria ser "Porque o Starbucks é muito mainstream") onde eu pedi um Caramel Latte (que é basicamente um pedacinho do céu) porque eu precisava de café de verdade.
Nosso voo até o Rio atrasou 20 minutos, porque graças ao fechamento do aeroporto de Brasília - que resolveu abrir uns minutos antes do nosso voo - a empresa precisou adiantar os outros voos que estavam atrasados. Foi isso que fez nosso piloto ultrapassar barreira do som, o que - já que eu sempre fico com medo quando estou voando sozinha e dessa vez colocaram minha irmã separada de mim (tenho quase certeza que foi vingança do cara do check-in, já que a gente não quis comprar as poltronas com mais espaço no avião) - me deixou bem nervosa. Chegamos no Rio com apenas 2 minutos de atraso em relação ao horário previsto - o serviço de bordo ainda estava acontecendo quando o piloto iniciou o procedimento de descida.
Resumindo o resto do dia: chegamos ao Rio 10h58. (Detalhe: no momento em que a gente chegou havia uma câmera da Globo, um carro dos bombeiros e um do esquadrão antibombas no aeroporto. Eu fiquei preocupada, e só soube duas horas depois que havia sido apenas uma suspeita de bomba - um objeto cilíndrico e suspeito foi deixado perto do achados e perdidos). Minha tia e minha prima, que foram nos buscar, ficaram presas em engarrafamentos então só chegaram para nos levar às 12h32. 15h38 nós chegamos a Realengo. O motivo é o fato da Avenida Brasil estar totalmente parada graças a obras da Vila Olímpica. QUALQUER PESSOA NO UNIVERSO ficaria estressada por levar três horas em um trajeto que nunca levou mais de 1h30, mas não eu. Primeiro porque, como eu já disse, eu não ligo tanto para engarrafamento (a menos que eu esteja de pé em um ônibus lotado e/ou indo para um compromisso inadiável). Segundo, porque eu até sentia falta de trânsito de verdade (sempre fico revoltada quando alguém reclama do trânsito da cidade que eu moro - ele só existe porque a infraestrutura da cidade é uma bosta e eu desconfio que a prefeitura não vai fazer nada sobre isso só para dar a cidade um status de "cidade grande". Além disso, NINGUÉM LEVA MAIS DE UMA HORA PARA IR A LUGAR NENHUM NAQUELA CIDADE INDEPENDENTE DO "TRÂNSITO" OU DO HORÁRIO DO DIA, PAREM DE RECLAMAR DE BESTEIRA). E terceiro, porque nós viemos o caminho todo rindo e brincando sobre tudo.
De qualquer forma, mal eu pisei na casa da minha tia (que não era minha estação final) (eu e minha irmã meio que vamos ficar migrando entre casas nessas férias - cada período a gente vai passar em um lugar diferente), já mandaram mensagem para a celular da minha irmã, marcando de sair às 17h. Nós tínhamos o amigo secreto dos adolescentes da igreja para ir. O sorteio havia acontecido no dia anterior, então precisávamos comprar o presente ainda. Eu tirei um garoto que eu tinha conhecido da última vez que vim aqui, mas graças a Deus, ele tinha pedido chocolate. Saímos cedo, encontramos nossas amigas no shopping e fomos fazer as compras. Nesse processo, eu achei o livro O Chamado do Cuco do Robert Galbraith (pseudonimo da J. K. Rowling) de R$14,90 nas Lojas Americanas. É esse o preço no site, mas nas lojas físicas o valor permanece R$39,90. O livro que eu comprei tinha duas etiquetas de preço, cada uma com um dos valores citados acima. Na hora em que o produto passou, o valor que apareceu foi 40 reais, então eu me dei conta de que o produto foi etiquetado erroneamente. Graças ao lindo do Procon, quando isso acontece o valor mais barato é o que vale, logo eu reclamei e levei esse livro maravilhoso - que eu quero ler desde a Bienal de 2013 - por um valor baratíssimo. (Não, eu não sei porque isso é relevante para esse post. Eu só estou afim de contar isso para todo mundo mesmo).
Enfim, o amigo secreto começou quase às 21h porque batista nunca chega na hora pra nada (piadinha interna da denominação). Nós organizamos o amigo secreto via este site e no dia anterior (quando aconteceu o sorteio), ficamos falando o dia todo sobre o que queríamos ganhar. Foi quando eu fiz um discurso sobre como eu queria um livro que mostrasse que a pessoa me conhece e como eu queria ser surpreendida e, no processo, disse onde ficava o sebo que eu amo. Nisso, uma das meninas me pediu mais informações sobre o lugar e eu dei a informação perfeitamente. Conversa vai, conversa vem todo mundo achou que ela tinha me tirado (até eu) (mais ou menos, eu percebi que ela não confirmou sequer uma vez que tinha me tirado, só deixou isso subentendido). Enfim, não foi ela, foi a líder dos adolescentes (a que eu chamei de mãe adotiva lá em cima): ela me deu o livro Porque Sou Cristão do John Stott. Antes do amigo secreto eu também havia ganhado da minha linda tia Núbia (minha ex-conselheira das Mensageiras do Rei e leitora assídua do blog) Desaparecida da Catherine McKenzie. Depois disso tudo e de 20 horas acordada sem quase nunca parar para descansar, finalmente fomos para a casa da nossa amiga, nos arrumar e dormir para os dias seguintes.


Eu estou parecendo uma idiota nessa foto, mas estou com meus lindos abiguinhos, então.
Eu não tenho certeza absoluta de como serão os próximos dias porque eu ando decidindo o que vou fazer na noite anterior aos compromissos. Por exemplo, no exato momento em que eu escrevo esse parágrafo eu estou no trabalho da dona da casa em que eu me encontro hospedada (não sei se posso dizer onde é, mas digamos que é no centro da cidade - perto do Campo de Sant'anna, que independente do que digam, eu sempre vou considerar uma homenagem a mim. Quer dizer, gente, o lugar parece o Central Park [beleza, nem tanto, mas quase], fica no centro do Rio - que é um dos meus lugares preferidos no mundo inteiro - e ainda tem meu sobrenome [também foi inaugurado no ano da morte do meu escritor preferido, mas isso não é tão relevante]). Me convidaram para vir pra cá ontem e eu tive que aceitar porque centro do Rio né, colegas. Aliás, eu pretendo fazer um post do Diário de Bordo só sobre o centro do Rio.
Também já me convidaram para participar de um flashmob e para ir à praia tudo esse final de semana. Eu adiei esses compromissos porque o natal tá chegando e na próxima terça eu viajo para Araruama para passar o natal com meus tios, logo eu preciso terminar minhas compras de natal esse fim de semana. PORÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉM, eu não ia perder a chance de participar de um flashmob. Eu não sei dançar, mas eu sei coreografar (isso faz sentido?) e eu não faço isso há séculos. Me avisaram que haverão outras edições do flashmb e eu darei um jeito de participar de uma. Inclusive, aqui vai a atualização da lista do DDB4:

Lista de coisas que eu quero fazer antes de entrar na faculdade e me tornar oficialmente uma "jovem adulta".

1. Publicar meu livro. Bem, essa primeira não é bem uma obrigação, porque eu sei que se eu me pressionar para terminar esse livro logo eu só vou ficar frustrada e não vai ficar do jeito que eu queria, mas a verdade é que eu realmente queria terminar Mais Uma Vez nessas férias. Eu provavelmente não vou ter tanto tempo disponível para fazer isso, mas é bom ter uma meta assim estabelecida.
 2. Ir ao teatro. Todas as cidades em que eu morei tem teatro e todas elas tem peças pelo menos uma vez por ano e ainda assim eu nunca fui ao teatro. Eu sou uma vergonha aos artistas da minha geração.
3. Passar um dia na Biblioteca Nacional. Outro lugar que eu nunca fui, mesmo tendo morado 4 anos no Rio de Janeiro. Shame on me.
4. Participar de um flashmob. Já fui convidada mesmo.
5. Conversar com um gringo. Eu não sei que tipo de item é esse, mas eu realmente preciso superar minha vergonha e treinar minha pronuncia do inglês ou eu nunca vou conseguir ir para Nova York.
6.

Ainda estou aceitando sugestões para essa lista, folks.

Finalizando esse post maravilhoooooouuuuuuso, vamos falar sobre o fim do ano. Eu só planejo mais dois posts para esse ano: o de Natal (que provavelmente sairá dia 25 mesmo - se meu 3G ajudar) e o Retrospectiva 2014, que como eu disse no Facebook será uma espécie de balanço literário do ano, ou seja, um post com a lista de livros que eu li esse ano e algumas curiosidades e detalhes sobre alguns deles, incluindo o número de páginas. O motivo é: eu não estou muito afim de fazer aquele post meloso falando sobre o ano e agradecendo meus leitores que eu quase sempre faço. Esse ano foi muito confuso para mim e vocês sabem que eu amo vocês... Né?

G.

13/12/2014

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 4: Crônica de Vestibular

Então, no último dia 9 eu terminei a minha última prova de vestibular do ano, o que significa que, se eu passar, estou livre desse suplício para sempre. Eu estou preparada para o que quer que aconteça, já fiz planos para se eu passar para tudo e se eu passar para nada e para os meios termos também. Vocês saberão como eu fui assim que os resultados saírem em janeiro, mas enquanto isso e considerando que eu possa nunca mais precisar fazer um vestibular na minha vida (POR FAVOR MEU DEUS, POR FAVOOOOOOOOOOOOOOOOR) eu escrevi um textinho a respeito dessa obra do capeta chamada vestibular.

Esses foram os cadernos de prova que eu consegui pegar durante esse ano, entre vestibulares e simulados oficiais.
Ainda existiram outros NOVE, que eu não pude pegar, por diversos motivos.

Tudo começa quando o edital é divulgado. Às vezes te avisam na escola. Às vezes você vê a notícia na internet. Ás vezes é alguém da família que quer que você entre em determinada faculdade e por isso te forçam a ler. Às vezes você nem lê; é do tipo que pergunta o que quer saber para os outros, não que lê editais (nada contra, mas se você me perguntar alguma coisa que tenha no edital, minha resposta provavelmente será "Lê o edital"). Ás vezes você passa dias entrando no site pra ver se já saiu e quando sai você se desespera, super animada. Apenas lá você encontra todas as informações sobre o vestibular, as datas, o que vai cair, em quantas fases é dividido, o que é necessário levar, etc. E aí ou você acaba decorando tudo, ou fica voltando ao edital umas 50 vezes, checando as informações toda vez que fica em dúvida.
Depois do edital, vem as inscrições. Informações pessoais, checar 50 vezes se você digitou os números de seus documentos corretamente, informações escolares, não conseguir achar sua escola na lista, questionário socioeconômico cheio de perguntas que não dizem nada sobre nada, ter um infarte ao ver o preço da inscrição, entre outras coisas que todo vestibulando conhece bem. Ver o dia em que o boleto vence, pagar logo ou em cima da hora, conferir se seu pagamento foi confirmado. Você fez sua parte, agora é só esperar a próxima data do calendário do vestibulando: o dia em que sai o Cartão de Confirmação de Inscrição.
Não existe meio termo: o local de prova ou é ali do lado ou é na p... Deixa quieto. De qualquer forma, o recomendado é conhecer o local de prova antes, saber com antecedência como você fará para chegar lá e que horas sair de casa. Tem gente que faz isso, tem gente que não. É isso que leva aos atrasados, que conhecemos tão bem e dos quais gostamos tanto de rir. Na verdade, existe gente que nem sabe o que é CCI e que deduz que a prova deve ser na sede da faculdade - e se ferra quando aparece lá - o que novamente reafirma o que eu sempre digo: LÊ O EDITAL, SEUS BOSTA.
Depois disso vem a fase paranoica conhecida como Síndrome do AI-MEU-DEUS-O-VESTIBULAR-TÁ-CHEGANDO. O tipo mais normal da síndrome dura algumas semanas, mas em alguns casos ela pode durar meses e em outros, mais raros, dias. Ela se manifesta através de desespero, dor de cabeça e tensão. Gritos sem motivo, insônia e vontade de morrer também aparecem com frequência. Existem chances de você acabar fazendo coisas imperdoáveis que você nunca imaginaria fazer na vida como, por exemplo, passar a tarde inteira estudando química. Não existe tratamento conhecido para curar a síndrome, mas os portadores costumam usar de grandes doses de café para aliviar a agonia dos sintomas e às vezes terapia com analistas profissionais ou melhores amigos. A única forma de se curar dessa síndrome é prestar o vestibular e, de preferência, passar.

Mantra sagrado do vestibulando.

E finalmente chegou, o dia do vestibular. Alguns são de manhã e alguns são à tarde, mas independente do horário, os mais ansiosos (assim como eu) acordam cedo de qualquer jeito. Quem faz a prova longe tem que acordar cedo de qualquer jeito. E ainda existe gente que nem dorme em véspera de vestibular e que vai fazer a prova igual a um zumbi (eu quero dizer, mais como um zumbi do que o resto dos concorrentes, porque esse é um dos efeitos colaterais do vestibular: virar um zumbi).
O momento exato do vestibular pode ser resumido em uma frase: "Eu nunca vi tanto(a)...". Eu nunca vi tanta gente desesperada. Eu nunca vi tanto vendedor ambulante em uma escola só. Eu nunca vi tanta gente com o mesmo nome que eu. E, finalmente, eu nunca vi tanta questão demoníaca de uma vez só.
Depois de encontrar a sala de prova e da prova realmente começar, é hora de encarar o desafio do qual dependem apenas seu futuro por pelo menos quatro anos, sua vida profissional e provavelmente o amor de sua família. E é bem nessa hora que a pessoa que está atrás de você abre um pacote super barulhento de coloque-aqui-alguma-comida-cuja-embalagem-faça-barulho. Não que isso me incomode, até porque eu geralmente sou a pessoa com o pacote barulhento de qualquer coisa, mas eu sei que isso irrita muita gente. Em minha defesa, pessoas como eu são irritantes sem fazer muito esforço.
Prova feita, cada candidato toma um caminho diferente. Sei que alguns vão beber para afogar as mágoas, outros vão dormir, outros passam o resto do dia no sofá fazendo absolutamente nada. Eu tenho uma espécie de tradição que consiste em jogar o nome da prova que eu prestei no na busca do Twitter e ver como os concorrentes estão. Depois, se eu estiver no pique, eu corro atrás do gabarito e vou corrigir a prova, mas grande parte das vezes eu fico cansada demais para fazer isso ou opto por não pensar naquela prova até o resultado. E o resultado, aaah, o resultado aquele momento tão... Não faço a mínima ideia. Então, ahn, mais sobre isso depois.

G.

08/12/2014

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 3: Soteropolitana honorária


Todos os pontos turísticos de Salvador tem esses desenhos com o nome da cidade.
Esse aí fica no Farol da Barra (dã). Eu sei que a foto tá um lixo, mas é a melhor que eu consegui.
Ao contrário do que andam divulgando, eu não sou rica. Também não sou tão pobre quanto dramatizo, tá certo. Eu apenas estou naquele lugar do espectro financeiro onde todo e qualquer desconto é muito bem aceito, obrigada. E foi essa a razão de eu ir pra Salvador, em primeiro lugar.
Eu moro na terceira maior cidade da Bahia, que (de acordo com a prefeitura) está se adaptando para seu crescimento populacional. Estamos ganhando um aeroporto novo que vai poder receber aviões maiores que os aerohélices que o aeroporto atual recebe. Isso vai facilitar muito a vida de quem viaja para outros destinos que não sejam Belo Horizonte, Salvador ou São Paulo (únicos destinos dos voos que saem daqui). Mas, enquanto isso não acontece, continuaremos pagando caro e pegando 30 conexões. Quando eu fui comprar a passagem para a 2ª fase do vestibular da UERJ - que aconteceu no domingo, 30 - as passagens saindo de onde eu moro e pegando outros voos estavam por cerca de 700 reais e as diretamente de Salvador para o Rio, não chegavam aos 300. Como eu tenho família em Salvador, eu pensei em combinar de ir dormir lá na noite anterior à viagem. Contei para minha meio irmã  (eu sempre tenho que contar às pessoas que eu tenho irmãos mais velhos porque ninguém nunca lembra, então aqui está: eu tenho um casal de meio irmãos mais velhos) que morava lá e ela se animou e disse que arrumaria tudo para eu ir, e inclusive compraria minha passagem até Salvador. Era para eu ter ido dia 28, mas como era sexta eu sabia que seria mais caro, então eu pedi que ela comprasse dia 27, ela pesquisou dia 26 e comprou dia 25. Isso me deixou meio frustrada, porque significava que eu ficaria longe de casa por 8 dias e eu queria ter mais tempo para escrever, para que eu pudesse ter tempo a perder quando fosse para o Rio, mas como eu já estava de férias e não era a pessoa a pagar a viagem até Salvador, eu aceitei de qualquer forma. Quer dizer, seria uma aventura, certo? E eu amo viajar, de qualquer forma.
Eu cheguei às 06h da manhã e fui direto para casa da minha irmã, que é um sobrado em Itapuã. Tomei café da manhã, conversei - foi nessa hora que minha irmã disse a frase que dá nome esse post: "Avisa pras suas amigas do Rio, que essa semana você é soteropolitana". - recebi os livros que haviam me prometido (os três livros cujas adaptações eu assisti na supermaratona que fiz há dois meses e A Seleção primeiro livro e único que eu não tinha da trilogia homônima - Obrigada, Dai! Obrigada, Gi!) e depois tive um tempinho para ficar no computador e relaxar.  Eu poderia ter dormido (estava acordada desde as 3 da manhã), mas eu não queria fazer isso. O dia estava tão lindo e eu conseguia sentir o cheiro do mar que estava a apenas duas quadras de distância. Eu queria sair para dançar sob a luz do sol.
Isso aconteceu algumas horas depois e eu fui para o shopping em que a minha irmã trabalha. Era esse o plano mesmo: ir com ela para o shopping sempre que eu não tivesse nada pra fazer, porque a ideia de passar o dia inteiro no shopping sempre me anima muito. Eu não fiquei tanto tempo lá dessa vez, porque minha tia passou para me buscar e me levar para comprar presentes para mim e para minha irmã mais nova. Depois eu fiquei andando pra cima e pra baixo pela cidade com ela - eu fui até convidada para ir ao teatro (ao qual, como vocês descobriram no último post, eu nunca fui) para ver uma apresentação dos meus primos, mas eu estava cansada demais pra pensar nisso - e acabei chegando em casa exausta e com o tornozelo dolorido. Mas foi um dia bom e me deixou com muito a esperar.

Sim, muuuuuuuuito a esperar.

No dia seguinte, eu precisava relaxar: coloquei meu sono em dia, comi direitinho e finalmente fiquei no shopping até a noite (o que para mim é sinônimo de relaxar). Mas o dia, que foi até paradinho, teve seu ponto máximo em algo que eu estava esperando havia cerca de um ano: eu comprei meu celular novo.
Eu nunca passei menos de 2 anos com um celular. Isso reafirma o que eu disse no início sobre não ser rica (Vamos combinar, se eu fosse rica eu faria um monte de sorteio de livros, até esse blog ficar popular, como muito blogueiro aí faz né? Mas como eu não sou rica, eu dependo apenas do meu talento para aumentar a popularidade disso aqui - tadinha de mim), já que eu não tenho dinheiro para trocar de celular sempre que eu preciso (quem na minha idade fica com o mesmo celular por mais de 2 anos?). O meu último era um iPhone 3GS que eu ganhei de presente de 15 anos (8 meses antes de realmente fazer 15 anos - em junho de 2012). Na época, o iPhone mais novo era o 4S, e ter um produto da Apple era tão raro que as pessoas automaticamente me tachavam de riquinha (não interessa quantas vezes eu dissesse que ele era mais barato do que todo mundo geralmente gasta em festas de 15 anos). O celular custou R$850 o que na época era demais pra se gastar em um celular, mas hoje em dia é uma barganha (é muito bizarro pensar que isso só faz 2 anos). Meu celular anterior havia sido o Nokia 7100 Supernova dos Jonas Brothers, o que significa que pela primeira vez eu tinha um celular com internet e que tinha memória para mais de três músicas. Nos próximos 2 anos, 4 meses e 28 dias eu quebrei a tela dele 4 vezes - sendo que da primeira vez a tela foi completamente destruída e o touch screen ficou funcionando normalmente e da terceira ele só ficou com cortes pequenos, mas a parte de baixo do touch parou de funcionar - e, por fim, ele levou uma queda tão feia que até o software parou de funcionar. Eu já vinha pedindo por um iPhone 5C há meses e inclusive estava super disposta a comprar um dividido em 54 vezes, mas, em resumo, isso não deu muito certo. Então, quando eu marquei de ir em Salvador minha irmã mais velha - que já havia dado um celular igual para minha irmã mais nova (que estava precisando mais na época) - disse que se organizaria e a gente compraria juntas.
Isso aconteceu naquela quarta. Eu aprendi que o bom de trabalhar em um shopping é que você mantem uma rede de contatos com pessoas que trabalham em lojas diferentes vendendo todos os tipos de produtos. Minha irmã tinha contatos em determinada loja que a informaram de que um novo carregamento do iPhone 5C com todas as cinco cores chegaria no dia 26. Pequeno problema: a Apple está acabando com os 5c de 16Gb de memória do mercado, o que significa que o carregamento novo teria apenas 8Gb de memória. Eu não estava exatamente feliz com aquilo, mas melhor isso que nada, então no dia informado lá íamos nós comprarmos o produto esperado.
Chegando na loja em questão, não só o produto não tinha chegado, como o gerente com quem minha irmã havia conversado sobre um desconto não estava, o que significa que eu teria que esperar mais um ou dois dias para ter meu celular novo em mãos... Ou ir na outra loja do shopping que vendia Apple e torcer para que a diferença de preço não tivesse tão absurda. Não estava. O problema era só que só havia mais um 5C na loja e ele era amarelo. Eu não me importaria, mas minha irmã mais nova e personal stylist disse que eu poderia comprar meu celular de qualquer cor, exceto amarelo e verde. Eu fiquei indecisa ao ouvir isso, mas aí eu perguntei sobre a memória e o cara me disse algo que me deixou satisfeitíssima: o celular tinha 16Gb, por ser o último do estoque antigo. Então eu disse para mim mesma que o que importava era o interior e comprei o celular assim mesmo. Eu não tinha exatamente preferência de cor e fiquei meio satisfeita por o destino - ou, mais provavelmente, Deus - ter escolhido a cor do meu lindo celular novo por mim (e hoje eu vi uma menina no ônibus com um igualzinho).
O resto do dia foi para configurar o celular e deixar ele a minha carinha. (Uma coisa chata sobre comprar smartphone - porque o iPhone é nada mais, nada menos que o smartphone da Apple - novo em shopping é que na cabeça dos vendedores aquele é seu primeiro smartphone da vida e fica todo mundo em cima de você para configurar, não interessa quantas vezes você diga que sabe como configurar o celular sozinha porque já teve um produto Apple. Eu consegui escapar do cara da loja autorizada da Apple, mas quando fui mudar meu chip para o nano chip o cara fez o favor de "terminar de configurar" para mim antes que eu percebesse o que ele estava fazendo). Eu ainda consegui recuperar todas as fotos que achei que tinha perdido quando meu antigo celular quebrou. Fiquei tão feliz com isso, que além de estar fazendo propaganda da Apple para todo mundo, eu prometi que a partir de agora só terei iPhones (mesmo que eu só troque de 2 em 2 anos ou mais), mas eu não consigo achar o tweet onde eu disse isso porque o Twitter, assim como o Facebook fez está filtrando as pesquisas que eu faço para "o que eles querem que eu veja" e não "o que eu quero ver".
E já que eu entrei nesse assunto ("o que eles querem que eu veja" e não "o que eu quero ver"), no dia seguinte me levaram para um passeio que todo mundo dizia que eu precisava fazer: conhecer a Livraria Cultura do Salvador Shopping. Inicialmente, a quinta seria o dia de turistar pela cidade desde de manhã cedinho, já que eu já estaria com o celular e pronta para tirar fotos, porém eu desliguei meu despertador e minha irmã não quis me acordar cedo (o que, na verdade, é um grande problema - eu não acordo nem quando tentam me acordar, imagina quando não querem me acordar), então nós simplesmente fomos almoçar com meu pai, que estava na cidade, e depois me levaram para a casa da minha tia já que estava marcado de que minha prima me levasse ao Salvador Shopping.
Se você é de fora da Bahia não vai entender, mas essa livraria é uma espécie de santuário para quem gosta de ler, de café ou simplesmente de ficar quieto. As Livrarias Cultura - e as Saraiva, e as Fnac, etc - são padronizadas o que quer dizer que todas são quase iguais, mas essa é a maior livraria da capital o que significa que provavelmente é a maior livraria do estado. Amigos, colegas, conhecidos e parentes de vários ramos familiares já haviam me falado sobre ela e como eu precisava a conhecer. Logo, lá fui eu... ser frustrada.
Não me entendam mal, é um lugar legal, com muitos livros bons e tudo... A questão é, eu estava lá com pessoas com quem eu não tinha intimidade o suficiente para, por exemplo, dar um ataque de fangirl. Eu podia escolher um livro para comprar, mas eu estava tímida para escolher (o que é irônico, considerando o valor do livro que eu acabei pegando). Então eu não pude exatamente aproveitar o máximo potencial da livraria. Além disso, livrarias como a Cultura me cansam. Não existe organização específica ou clara entre os livros: eles destacam os populares e mais vendidos (o que eles acham que eu quero ver) e os não tão queridos assim (o que eu quero ver) são basicamente impossíveis de achar (e eu só peço ajuda para vendedor em última instância). Eu fucei literalmente a livraria inteira, mas só achei um livro que eu simplesmente precisava (eu sempre acho pelo menos dois livros que eu PRECISO e algumas dezenas de livros que eu QUERO) e uma agenda 2015 que custou 66 reais (Se você não me viu surtando no Twitter pelo preço dessa agenda, dê graças a Deus por não me seguir. Eu fui de "EU AMEI ESSA AGENDA TANTO, MAS QUEM DÁ 66 REAIS EM UMA AGENDA? EU NÃO POSSO COMPRAR" até "Ok. Se existem mulheres que dão 200 reais em um sapato podem existir mulheres que dão 66 reais em uma agenda.". Acabei comprando e pagando por ela. Em minha defesa ela é delicada, com ilustrações originais, capa dura, espaço para organização do ano, a fitinha de marcar página e é escrita em inglês, francês e alemão. Possui feriados importantes na Europa, espaço para destacar notas, que dia a lua muda de ciclo, entre outras coisas que só eu consideraria importante. Além disso é a primeira agenda que eu tenho na vida que é mesmo do ano atual: eu sempre compro agendas de anos que já passaram que geralmente são mais baratas - minha agenda desse ano era de 2010 e custou 5 reais - e isso meio que prova que eu sou tão pobre quanto afirmo).
Uma vantagem da Cultura, no entanto, além da cafeteria (na qual, eu não fui dessa vez, mas por falta de vontade mesmo) é que a livraria é bem bonita e legal de tirar fotos. Enquanto eu andava, eu vi uma menina deitada na escada que levava a cafeteria (que tem várias almofadas coloridas, justamente para quem quer fazer isso) e eu achei aquilo tão legal que eu resolvi que eu precisava tirar uma foto ali. Eu cheguei a pedir que meus primos fizessem isso, mas eu não tinha intimidade o suficiente com eles para tirar uma foto fazendo uma pose estranha e também sou socialmente ansiosa demais para dizer algo como "você pode tirar com a câmera de lado, por favor?" ou então "sem zoom" e por isso as fotos ficaram ruins. Mas a boa notícia é que eu vou voltar em Salvador ainda nessas férias e com a minha irmã mais nova/fotógrafa oficial e posso pedir que ela tire uma foto dessas pra mim.
Mais tarde naquele mesmo dia, eu pedi para ir até o shopping (da minha irmã) ao invés de ir para casa e fiquei lá até que o shopping fechasse. Enquanto eu voltava para casa naquela noite, recebi uma ligação da minha irmã mais nova, avisando que minha bisavó havia falecido naquela noite. Ela tinha 84 anos e estava sofrendo muito, então eu não fiquei exatamente revoltada. Fiquei triste, porque estava perdendo um ente querido outra vez, mas eu sabia que agora não havia mais sofrimento para ela. O que me deixou realmente mal foi o fato de eu não estar com a minha família em uma hora dessas. Todo mundo havia estado lá pra mim quando minha mãe faleceu, e a gente se juntou e todo mundo se apoiou. Eu comecei a pensar como eu poderia ir para casa e voltar a tempo de pegar o avião e ir fazer o vestibular domingo, mas era totalmente inviável. Então eu basicamente fiquei agoniada do outro lado, pensando em tudo que poderia fazer para ajudar mesmo de longe. Quando minha irmã disse isso (foto) foi um alívio, mas ainda assim minha culpa condensou meu humor por todo dia seguinte.
Eu realmente estava de mau humor naquela Black Friday, mas acho que quem estava comigo não percebeu (se você me viu na sexta, 28, e percebeu que eu estava de mau humor, me avise, por favor, para que eu possa pedir desculpas). Foi o dia em que eu saí para conhecer os pontos turísticos principais da cidade, finalmente. Acordei um pouco tarde, umas 10h, mas eu bem falei que era um problema não ter coragem de me acordar. Tomamos café, saímos e depois de muito esperar pelo ônibus, fomos direto para a Lapa. Paramos perto do Elevador Lacerda, de onde eu tirei fotos assim:

Minha irmã realmente queria tirar fotos de mim, com a paisagem ao fundo, mas eu não queria fotos normais daquelas de álbuns de 1992. Eu queria fotos exóticas, bobas e tals. mas eu estava tão nervosa esse dia que nem valeu a pena pensar nisso. Saibam porque aqui abaixo.

Deixa eu explicar porque eu fiquei tão nervosa, antes de explicar o que a gente fez: em dias anteriores eu já tinha ouvido pedidos estranhos tipo "guarda seu celular no sutiã" ao passar em lugares perigosos. Eu estava OK com isso, porque eu morei 4 anos no Rio de Janeiro e sei como são lugares perigosos. Mas ao ir para o centro histórico isso simplesmente me irritou - não a precaução da minha irmã, é claro, o fato de eu ter que me preocupar em ficar segurando a bolsa firme e olhar torto para todo mundo que passasse por mim em um dos lugares mais lindos do Brasil. Quem consegue aproveitar um passeio desse jeito? Além disso, o centro histórico de Salvador é cheio de pessoas tentando prender fitinhas do Senhor do Bonfim em todo mundo que passa. Eu entendo que a maioria das pessoas gosta disso, mas existem muitas pessoas que não gostam por motivos religiosos, então podem oferecer à vontade, mas quando a pessoa disser não NÃO INSISTAM, CARAMBA! Enfim, eu estava muito irritada por não poder andar em segurança ao conhecer em um lugar lindo e isso me levou a xingar mentalmente todo mundo desde a atual presidente até os faraós egípcios - que com certeza tem algo a ver com a situação da sociedade atual.


Essa sou eu, descendo o Pelourinho, tomando sorvete de Cupuaçu. Eu não sei porque  eu gostei dessa foto.

Descemos o Elevador Lacerda, fomos para o Mercado Modelo onde a gente comprou camiseta, chaveiros (para levar de presente pro pessoal do Rio), um caderno com capa de madeira, um apanhador de sonhos, uma bolsa para minha irmã mais nova e um porta-retrato para minha avó... É, foi só isso. Depois nós subimos o Elevador outra vez e fomos para o Pelô. A coisa com Centros Históricos é que eu ando pelos lugares imaginando como era há uns duzentos anos. Eu pedi para minha irmã tirar fotos minhas andando na rua e ela tirou várias que ficaram legais (como essa acima), além dessas e as das paisagens, as únicas fotos que ficaram boas foram as da praia da Barra (logo abaixo).
A gente foi direto para lá depois que saímos do Pelô porque já passava de meio dia e a gente precisava chegar cedo no trabalho dela. Eu tirei várias fotos lá (como a do início do post), e tirei até uma com meus pés na água, porque o mar estava azulzinho e quente (o do Rio é só), mas ela não ficou muito boa. Tiramos muitas fotos que ficaram boas, mas nem todas estão no padrão blog, então só vou postaras que estão.

Eu estou mais do que estranha nessa foto, porém a  paisagem é linda, então dane-se.

Depois disso, fomos para o shopping. Eu estava com um compromisso marcado com uma amiga virtual minha, a Victória - ou Vic, pros íntimos (eu sou íntima, vocês não) -  que eu conheci no Nyah!Fanfiction no ano passado e cuja fic é uma das que eu mais  falta depois de ter saído do site (e ela ainda me disse que não vai continuá-la por causa de falta tempo - ah, falta de tempo, sua maldita). A gente marcou de se encontrar lá, mas quase se desencontrou porque ela viu que eu havia mudado de status para falar sobre a morte da minha bisa e nem sabia se eu ainda estava em Salvador. Mas, graças a Deus, eu consegui avisá-la que estava tudo de pé (eu precisava me distrair mesmo - a culpa estava me matando) e a gente se encontrou no Shopping. Eu não estava menos nervosa que da última vez que conheci uma amiga virtual, muito pelo contrário, parecia até que eu estava mais. Mas, a conversa com a Vic fluiu normalmente, e apesar de eu ter certeza de que disse algumas besteiras, acho que nada foi MUITO constrangedor (só acho né). A gente foi ver A Esperança - Parte 1 (3º e penúltimo filme da saga Jogos Vorazes) no cinema do shopping mesmo. O filme é maravilhoso. Eu quase chorei, fiquei com um bolo da garganta nas cenas mais tensas. Eu comprei o combo de pipoca, refrigerante e chocolate do UCI que vem com um chaveiro do Tordo, porque eu estava necessitando de alguma coisa com o símbolo de uma saga que eu goste... E de comida. Depois do filme, Vic e eu fomos tomar uma casquinha no Burger King e então ela teve que ir, mas não antes de tirar essa foto:

Eu realmente não queria estar com cara de tão morta nessa foto, mas é o que temos para hoje.

Depois disso, eu fiquei aproveitando meu último dia em Salvador. Eu fui procurar umas encomendas que tinham me feito. Comprei uma caixinha de joias de presente pra minha irmã que me abrigou e um short que minha outra irmã tinha pedido. Aí fiquei vagando pelo shopping procurando por promoções suficientemente boas de Black Friday, e até tinha umas legais, mas nada que eu quisesse muuuito, então para mim eu só comprei comida nas Americanas mesmo. Fiquei até o shopping fechar, e ele fechou às 23h aquele dia, e depois fui para casa dormir. (Detalhe: quando eu saí do shopping estava tocando Santa Claus Is Coming To Town que é uma das minhas músicas de Natal preferidas. É MUITO maneiro você sair de um shopping todo decorado, mas já com as lojas fechadas e estar tocando essa música de fundo. Parece uma das cenas de O Expresso Polar, quando eles estão tentando achar os presentes).
No dia seguinte, eu viajei para o Rio para o vestibular no dia 30. Não quero escrever sobre isso porque em 8 dias eu volto para lá e vou ter muitas oportunidades para falar sobre a Cidade Maravilhosa, além disso, nada aconteceu demais. O ponto máximo, além do vestibular, foi eu ter ido ver A Esperança outra vez na segunda, porque minha amiga de lá ainda não tinha visto. Dessa vez eu fiquei até o final do filme para tirar foto do Tordo que aparece no final. Eu e minha amiga não fomos as únicas a fazer isso, mas não impediu o lanterninha de ficar P da vida.

fu-fu-fu-fuu!

Depois eu voltei para Salvador na terça, 02, passei algumas horas lá e voltei para a minha cidade em uma viagem de 9 horas que eu nem vi passar porque vim o caminho todo dormindo. No avião até Salvador, eu encontrei uma atriz da Globo (cujo nome eu prefiro não citar, mas meus amigos já sabem) e sem querer fiz ela olhar feio para mim porque passei por ela ao entrar naquele corredor que leva ao avião e ao fazer isso descobri que o ar estava desligado então berrei "JESUS AMADO" fazendo ela achar que eu havia me surpreendido ao vê-la. Na verdade, eu nem percebi que era ela, até me sentar na poltrona e as mulheres sentadas atrás de mim começarem a falar mal dela. Quanto a viagem de ônibus, não houve nada demais, só me levou a pensar o quanto é bizarro que uma viagem dentro do mesmo estado da Bahia dure 3 horas a mais que a viagem entre o Rio de Janeiro e São Paulo. 
Então, eu cheguei em casa e tive uma semana bem cheia tentando organizar as coisas, quando tive tempo para escrever, escrevi, mas juntando tudo, inclusive o vestibular daqui da Bahia - do qual ainda falta uma prova amanhã - que me deixou com um bloqueio criativo maravilhoso (acham que escrever sobre fatos que já aconteceram não envolve criatividade? pois acharam errado), eu só pude postar agora. Isso foi meu pedido formal de desculpas pela demora e também meu aviso de que vou falar sobre vestibulares depois.
Vocês são demais,
G.


P.S. (19h depois): Eu esqueci de dizer que quando eu estava na loja em que minha irmã trabalha eu passei muito tempo com as garotas que trabalham lá e elas são muito divertidas e eu adorei. Enfim, eu precisava falar delas ou ficaria mal.