Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 4: Crônica de Vestibular

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Então, no último dia 9 eu terminei a minha última prova de vestibular do ano, o que significa que, se eu passar, estou livre desse suplício para sempre. Eu estou preparada para o que quer que aconteça, já fiz planos para se eu passar para tudo e se eu passar para nada e para os meios termos também. Vocês saberão como eu fui assim que os resultados saírem em janeiro, mas enquanto isso e considerando que eu possa nunca mais precisar fazer um vestibular na minha vida (POR FAVOR MEU DEUS, POR FAVOOOOOOOOOOOOOOOOR) eu escrevi um textinho a respeito dessa obra do capeta chamada vestibular.

Esses foram os cadernos de prova que eu consegui pegar durante esse ano, entre vestibulares e simulados oficiais.
Ainda existiram outros NOVE, que eu não pude pegar, por diversos motivos.

Tudo começa quando o edital é divulgado. Às vezes te avisam na escola. Às vezes você vê a notícia na internet. Ás vezes é alguém da família que quer que você entre em determinada faculdade e por isso te forçam a ler. Às vezes você nem lê; é do tipo que pergunta o que quer saber para os outros, não que lê editais (nada contra, mas se você me perguntar alguma coisa que tenha no edital, minha resposta provavelmente será "Lê o edital"). Ás vezes você passa dias entrando no site pra ver se já saiu e quando sai você se desespera, super animada. Apenas lá você encontra todas as informações sobre o vestibular, as datas, o que vai cair, em quantas fases é dividido, o que é necessário levar, etc. E aí ou você acaba decorando tudo, ou fica voltando ao edital umas 50 vezes, checando as informações toda vez que fica em dúvida.
Depois do edital, vem as inscrições. Informações pessoais, checar 50 vezes se você digitou os números de seus documentos corretamente, informações escolares, não conseguir achar sua escola na lista, questionário socioeconômico cheio de perguntas que não dizem nada sobre nada, ter um infarte ao ver o preço da inscrição, entre outras coisas que todo vestibulando conhece bem. Ver o dia em que o boleto vence, pagar logo ou em cima da hora, conferir se seu pagamento foi confirmado. Você fez sua parte, agora é só esperar a próxima data do calendário do vestibulando: o dia em que sai o Cartão de Confirmação de Inscrição.
Não existe meio termo: o local de prova ou é ali do lado ou é na p... Deixa quieto. De qualquer forma, o recomendado é conhecer o local de prova antes, saber com antecedência como você fará para chegar lá e que horas sair de casa. Tem gente que faz isso, tem gente que não. É isso que leva aos atrasados, que conhecemos tão bem e dos quais gostamos tanto de rir. Na verdade, existe gente que nem sabe o que é CCI e que deduz que a prova deve ser na sede da faculdade - e se ferra quando aparece lá - o que novamente reafirma o que eu sempre digo: LÊ O EDITAL, SEUS BOSTA.
Depois disso vem a fase paranoica conhecida como Síndrome do AI-MEU-DEUS-O-VESTIBULAR-TÁ-CHEGANDO. O tipo mais normal da síndrome dura algumas semanas, mas em alguns casos ela pode durar meses e em outros, mais raros, dias. Ela se manifesta através de desespero, dor de cabeça e tensão. Gritos sem motivo, insônia e vontade de morrer também aparecem com frequência. Existem chances de você acabar fazendo coisas imperdoáveis que você nunca imaginaria fazer na vida como, por exemplo, passar a tarde inteira estudando química. Não existe tratamento conhecido para curar a síndrome, mas os portadores costumam usar de grandes doses de café para aliviar a agonia dos sintomas e às vezes terapia com analistas profissionais ou melhores amigos. A única forma de se curar dessa síndrome é prestar o vestibular e, de preferência, passar.

Mantra sagrado do vestibulando.

E finalmente chegou, o dia do vestibular. Alguns são de manhã e alguns são à tarde, mas independente do horário, os mais ansiosos (assim como eu) acordam cedo de qualquer jeito. Quem faz a prova longe tem que acordar cedo de qualquer jeito. E ainda existe gente que nem dorme em véspera de vestibular e que vai fazer a prova igual a um zumbi (eu quero dizer, mais como um zumbi do que o resto dos concorrentes, porque esse é um dos efeitos colaterais do vestibular: virar um zumbi).
O momento exato do vestibular pode ser resumido em uma frase: "Eu nunca vi tanto(a)...". Eu nunca vi tanta gente desesperada. Eu nunca vi tanto vendedor ambulante em uma escola só. Eu nunca vi tanta gente com o mesmo nome que eu. E, finalmente, eu nunca vi tanta questão demoníaca de uma vez só.
Depois de encontrar a sala de prova e da prova realmente começar, é hora de encarar o desafio do qual dependem apenas seu futuro por pelo menos quatro anos, sua vida profissional e provavelmente o amor de sua família. E é bem nessa hora que a pessoa que está atrás de você abre um pacote super barulhento de coloque-aqui-alguma-comida-cuja-embalagem-faça-barulho. Não que isso me incomode, até porque eu geralmente sou a pessoa com o pacote barulhento de qualquer coisa, mas eu sei que isso irrita muita gente. Em minha defesa, pessoas como eu são irritantes sem fazer muito esforço.
Prova feita, cada candidato toma um caminho diferente. Sei que alguns vão beber para afogar as mágoas, outros vão dormir, outros passam o resto do dia no sofá fazendo absolutamente nada. Eu tenho uma espécie de tradição que consiste em jogar o nome da prova que eu prestei no na busca do Twitter e ver como os concorrentes estão. Depois, se eu estiver no pique, eu corro atrás do gabarito e vou corrigir a prova, mas grande parte das vezes eu fico cansada demais para fazer isso ou opto por não pensar naquela prova até o resultado. E o resultado, aaah, o resultado aquele momento tão... Não faço a mínima ideia. Então, ahn, mais sobre isso depois.

G.

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4 comentários

  1. Excelente texto, Giulinha! Eu me diverti lendo (não sei se foi essa sua intenção ao escrevê-lo!) e, mesmo muito cansada em razão de um dia agitado, não consegui parar de ler. Você está com uma escrita ótima! Leve; dinâmica; interessante. Parabéns (independentemente do resultado das provas, embora eu tenha fé de que serão excelentes)! Super beijo, Tia Núbia.

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    1. O objetivo era divertir mesmo, tia Núbia. E que bom que você está gostando, e que acredita que eu esteja melhorando, isso faz com que eu me sinta mais tranquila. Vou continuar trabalhando para ficar cada vez melhor. Muito obrigada por tudo, viu? Beijo.

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  2. Olá, Giulia, venho acompanhando seu blog há algum tempo e posso dizer: é encantador. Adoro todos os seus posts, e atualmente seu blog acaba sendo bastante peculiar (ao menos para mim) já que poucos falam realmente de suas vidas em seus blogs.
    Admiro muito seu blog e você, virei sua fã e aguardo o seu primeiro livro.
    Beijos!

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    1. Olá! Obrigada pelo carinho. É muito bom ler que você tem gostado porque as vezes eu fico pensando "porque eu estou falando tanto da minha vida? não é como se fosse tão interessante assim", mas no fim eu vou e falo de qualquer jeito, porque é bom poder escrever e tal e é bom saber que tem gente que gosta. E aqui vou eu falando demais de novo, enfim, espero que eu continue a agradar. Obrigada por tudo ;)

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