30/01/2015

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 8: O Rio de Janeiro para turistas do meu ponto de vista

Esse post está tão atrasado que há alguns dias até tinha me esquecido sobre o que ele era. Eu queria postar ele na segunda semana do ano, enquanto eu ainda estava no Rio, mas acabei postando agora: faltando 1 dia para janeiro terminar e quando já estou em casa, quase de volta à minha rotina normal. Não posso dizer que muita coisa aconteceu nos últimos dias, mas posso dizer que essas duas últimas semanas foram um caos. Rolou muita procrastinação? Rolou. Mas eu também não tive tanto tempo assim. Só para vocês terem uma noção, eu terminei meu primeiro livro lido em 2015 no último sábado e eu já vinha lendo ele desde novembro (durante toda a viagem para o Rio eu não terminei de ler e nem comecei nenhum livro que tinha levado - exceto por Morte em Pemberley, que eu conto como se tivesse chegado lá lendo, já que eu terminei O Beijo das Sombras no avião a caminho do Rio).
Eu levei um tempo decidindo sobre o quê escreveria, já que depois que as Festas acabaram minhas férias se tornaram uma série de saídas sobre as quais ninguém quer ler, quando, logo depois de postar isso aqui na página, eu me dei conta de que eu nunca escrevi um post que compilasse tudo que eu sei sobre o Rio de Janeiro. E como, por algum motivo, eu acho que um ponto de vista de uma baiana que morou 3 anos no Rio seria interessante de ler, eu reuni as fotos que tinha guardado e todas as informações que eu sei sobre os lugares que eu já fui na cidade, além de informações básicas para saber se virar. Comecemos pelas dúvidas comuns:

O Rio é tão perigoso quanto aparenta?
A resposta é ambígua. Sim, o Rio é tão perigoso quanto parece, mas não o Rio não é tão perigoso quanto as pessoas dizem. Eu digo isso como alguém que entrou no ritmo de cidade pequena outra vez e quando voltou ao Rio começou a ouvir os papos desesperados dos moradores locais e ficou extremamente paranoica. Eu já estava ao ponto de não querer ir a ponto turístico nenhum e só sair com bolsas pequenas (e de identidade no bolso pra não morrer como indigente!). Quando fui ao centro do Rio no mês passado eu andei tremendo de medo porque minha bolsa está quebrada e eu tinha ouvido um papo de meia hora sobre como arrancam bolsas de mulheres naquela área. Vários amigos meus foram ao réveillon em Copacabana e eu fiquei chocada pelo fato de que nenhum deles teve seu celular roubado... Aí eu percebi que minha paranoia já estava em um ponto tão grande que eu já nem lembrava mais porque gostava de passear pelo Rio. Então resolvi que chega de ouvir esse papo fatalista. O Rio é perigoso? É! Tem assalto, arrastão, trombadinhas? Tem! Mas se a gente deixar o medo disso tomar conta, nós não vivemos mais. Nem ficar em casa é seguro hoje em dia, gente. O importante é prestar muita atenção e tomar algumas precauções básicas:

- De preferência, viaje com alguém que já conhece o Rio. Caso isso não seja possível, procure se informar sobre os lugares que você quer visitar. Saiba os meios de transportes mais seguros, leia sobre o policiamento no local, grave as direções a ferro e fogo em seu cérebro. Procure saber quais transportes passam por determinado ponto turístico. Não tome direções desconhecidas e não permita que um taxista as tome também.
- Nunca saia da casa/hotel/hostel que você esteja com todo seu dinheiro. Preferencialmente, use cartões de crédito/débito na rua e deixe um valor de reserva guardado.
- Evite lugares desertos, principalmente à noite. Quando andando pela cidade preste atenção no que está a sua volta, procure por policiamento e não chame atenção excessiva a nenhum objeto de valor que você possua em mãos.
- Dê preferência a tirar fotos com câmera ao invés do celular. Você pode transferir as fotos de um equipamento para o outro e postar quando estiver em casa. Também dê preferência a atender o celular em lugares fechados e seguros.
- Preste atenção em como a população age: os cariocas sabem o que fazer em caso de tiroteios e arrastões melhor do que os turistas.
- E por último, mas mais importante, em caso de assalto, não resista. Entregue o que foi pedido, porque sua vida é muito mais importante do que qualquer coisa que possam tirar. Depois, procure pela delegacia mais próxima ou por alguém de confiança, o que for mais fácil (com alguém de confiança eu quero dizer alguém que você já conhecia antes do assalto e não alguém que pareça confiável, ok?).

Talvez pareça estranho uma adolescente de 16 anos dando dicas sobre como se virar em uma cidade grande, mas se ajudar, eu morei no Rio por 3 anos e nunca fui assaltada (já estive próxima a um tiroteio, mas assaltada nunca).

Qual o melhor meio de transporte público do Rio de Janeiro?
Depende de onde você está, para onde você vai e quantas pessoas vão. É tudo muito relativo. Por exemplo: se você está na Zona Sul ou na área rica da Zona Norte (Tijuca, etc), a melhor opção para viagens longas é o metrô, e para viagens curtas o ônibus. Se você está na Zona Oeste ou na parte pobre da Zona Norte (tipo MADUREEEEEEIRAAAAAAAA AAAAAH LAIÁ, etc) a coisa complica muitíssimo mais! A melhor opção para viagens até o centro da cidade e entre bairros distantes é o trem. Se quiser ir até a Zona Sul, pegue o trem até a Central do Brasil e de lá pegue o metrô até o bairro que quer visitar. Já se você quer visitar bairros que ficam na área que vai de Campo Grande até o Aeroporto do Galeão (Ilha do Governador) passando pela Barra da Tijuca e Jacarepaguá a melhor opção é o BRT (Bus Rapid Transit) que é basicamente um ônibus que funciona como trem (ou seja, é mais rápido e tem ar condicionado). Se você vai percorrer pequenas distâncias naquele maravilhoso local chamado Zona Oeste, também depende. Se você for em um grupo de mais de 2, vá de táxi. Sai mais barato e é muito mais seguro que o transporte público. Finalmente, se você vai sozinho ou em dupla, percorrer uma distância pequena, faça uma oração de fé e vá de ônibus.
Deixa eu explicar: a diferença entre os ônibus em diferentes áreas da cidade é absurda. É tão gritante que se você for sair da Rodoviária Novo Rio em direção à Zona Sul você pega o ônibus ao lado, em uma estação bem equipada e com ônibus a cada 5 minutos. Se você for em direção à Zona Oeste, você anda cerca de um quilômetro e pega o ônibus em frente a um boteco e precisa se virar para descobrir onde é o ponto do ônibus que você precisa pegar. A frota de ônibus com ar condicionado indo para a Zona Sul e a Zona Norte é pelo menos 3 vezes maior que a sentido Zona Oeste. Além disso, é raríssimo ter cobradores nos ônibus que passam na Zona Oeste, o que quer dizer que tem muito motorista que dirige contando dinheiro. Como se isso já não fosse o bastante, os ônibus que viajam sentido Zona Oeste nunca viajam a menos de 80km/h, inclusive em quebra molas e inclusive em ruas pequenas e cheias de curvas. Acreditem, eu passei por isso várias vezes antes e agora também, a sensação é de que o ônibus vai bater em algo e desmontar completamente, levando você junto.
Nessa última viagem, eu andei o máximo possível de trem e de táxi. Existem várias vantagens nisso: a maioria dos trens tem ar condicionado e viajam mais rápido. A passagem do trem está mais barata que a do ônibus - e quando o reajuste acontecer ela vai continuar mais barata que a do ônibus. Para distâncias pequenas, estamos fazíamos de tudo para sair de táxi em grupos de quatro. Por exemplo, o percurso da casa que estava até a igreja que frequentava e o centro comercial mais próximo não custa mais do que R$13 reais de táxi, nem em dias de muito trânsito. Se quatro pessoas fossem de ônibus o valor seria R$13,60. Mesmo em percursos mais longos, cujo o valor ultrapassa o do ônibus, as vantagens superam as desvantagens e ter 4 pessoas para dividir o valor com você ajuda MUITO. (Aviso: a bandeirada do táxi no Rio irá subir no início de fevereiro, para o valor abaixo e talvez seja necessário alguns cálculos antes de embarcar de cabeça nessa minha ideia).
Então, se você acabar indo parar na periferia (periferia é diferente de favela, periferia são bairros longe do centro e das áreas importantes da cidade, enquanto favela pode surgir em qualquer lugar) da cidade quando estiver viajando para o Rio, ouça minhas sábias palavras: faça tudo que puder e que não puder para escapar do ônibus. Aqui vai a relação de preços de transportes públicos para viajar dentro da cidade do Rio de Janeiro em 2015 (alguns desses preços ainda não entraram em vigor, mas é sobrar dinheiro do que faltar):

Ônibus municipal: R$ 3,40
Trens: R$3,30
Metrô: R$3,50
Bandeirada Táxi: R$5,20
BRT: R$3,40

Essa sou eu na primeira vez que andei de trem no Rio de Janeiro. Eu não faço ideia de porque estou desenterrando essa foto, mas olhem para essa carinha inocente e fofa que não fazia ideia do que era andar em um trem lotado?

O Rio é tão quente quanto dizem?
Finalmente uma pergunta fácil. A resposta é: sim, é. Na verdade, chega a ser pior. A maior temperatura que eu já peguei aqui foi 46º graus em dezembro de 2012. A menor temperatura que eu já peguei aqui foi 14º em um inverno muito rigoroso. Em janeiro é normal que a sensação térmica ultrapasse 50º graus em quase todos os dias. Eu não necessariamente tenho dicas para sobreviver ao calor do Rio, além de: dê preferência a vir no inverno, mas se não der, faça tudo para ficar em lugares com ar condicionado. E beba água. Muita água mesmo.

Acho que é isso. Vocês podem deixar qualquer dúvida que vocês tiverem sobre o Rio nos comentários e eu farei de tudo para responder corretamente. Agora vamos aos pontos turísticos: eu falarei o que eu achei e o que me disseram sobre, além das informações básicas de preços. Os sites oficiais de cada lugar estarão no fim do post.

Cristo Redentor/Corcovado
Apesar de ser o ponto turístico mais conhecido e um dos mais visitados, o Cristo Redentor NÃO é meu ponto preferido da cidade. Eu poderia dizer que é porque a visitação é muito cara (51 reais a inteira na >baixa temporada< se você for de trem, 41 reais a inteira de >baixa temporada< se você for de van a partir do Largo do Machado, 22 reais a inteira de >baixa temporada< se você subir metade do morro e entrar a partir de onde particulares não sobem - e sim, na alta temporada os preços sobem), ou porque os preços dos produtos lá são exorbitantes (em 2009, quando fui pela primeira vez, o pão com ovo custava 7 reais - isso sem falar nos produtos oficiais da cidade), ou até mesmo poderia acusar o Cristo de ser um passeio só pela vista (não há nada para fazer lá, exceto, para quem quer, entrar na capelinha - que eu nunca peguei aberta), mas a verdade mesmo é muito boba: aquele negócio é MUITO ALTO e eu tenho MUITO MEDO DE ALTURA.
Isso não me impediu de ir ao Cristo Redentor três vezes - e passar mal nas duas últimas. A primeira vez que eu fui foi quando passei a virada do ano de 2008/09 no Rio de Janeiro, bem antes de me mudar para lá e na primeira vez que fui à cidade. A segunda vez foi em 2011 quando um primo distante (tipo, de sexto grau) casou e uma parte da família foi para o casamento e aproveitou para conhecer a cidade junto (não importa o quanto eu tente eu não consigo achar fotos minhas no Cristo nessa ocasião, os motivos podem ser dois: primeiro, eu estava com uma espinha enorme na bochecha e segundo eu estava dizendo para quem quisesse ouvir que tirar foto no Cristo com os braços abertos era muito clichê e que eu não faria isso - de qualquer forma eu tirei fotos do Cristo e inclusive as postei, nesse post de 2011). E a última vez foi em janeiro do ano passado, quando meus tios resolveram passar o mês com a gente e nós vimos na TV que o melhor dia para visitar o Cristo é dia 1º de janeiro porque todos os turistas estão de ressaca (e é verdade, enfrentamos pouquíssimas filas aquele dia, ainda mais considerando que da primeira vez que eu fui, fiquei 3 horas na fila para comprar a entrada) (Importante: dessa última vez nós fomos de van a partir do Largo do Machado - é uma boa opção para quem não tem carro, pois fica ao lado de uma estação de metrô. É só tomar cuidado com o horário de fechamento da estação durante feriados - o que nós não fizemos).

A primeira foto parece uma daquelas fotos policiais sobre a Ditadura e na segunda não da pra ver minha cara por causa do sol.
Mas é isso aí.
Apesar da minha natural aversão a passeios ao Cristo Redentor, eu recomendo para quem não tem medo de altura e quer ter uma vista do Rio inteiro em todo seu esplendor. Todo mundo sabe disso, mas eu acabo dizendo para todo mundo sempre: um dos braços do Cristo está apontado para a Zona Norte do Rio e o outro para a Zona Sul. Eu não me lembro de ter visto a Zona Oeste lá de cima.

Maracanã
Ao Maracanã eu fui duas vezes: uma antes e uma depois da reforma para a Copa - nenhuma delas para assistir jogo. Eu não sou uma grande fã de futebol (minha irmã ainda me zoa porque eu passei o primeiro jogo do Brasil na Copa lendo Divergente MAS O QUE EU PODIA FAZER?), mas ainda assim achei que o passeio vale muito a pena. Valia ainda mais antes da reforma, porque existia uma espécie de museu lá, com as pegadas de jogadores importantes e informações importantes sobre a história do futebol, o que quase todo brasileiro acabava gostando. A reforma para a Copa focou no conforto para os visitantes e por isso a nova tour pelo estádio consiste em conhecer os camarotes, a tribuna de honra, a área de entrevistas e uma pequena surpresa, que é até bem boba, mas eu não quero contar. Então, eu acredito que seja muito melhor para quem gosta de futebol assistir um jogo no Maracanã do que conhecer o estádio em uma tour.
Os valores para assistir jogos são de acordo com o jogo, mas os preços para o tour variam entre 24 reais e 72 reais (as inteiras) sendo que os ingressos mais caros dão mais direitos. Para saber tudo, visitem o Site Oficial que acabou de me fazer descobrir que é possível fazer um evento, tipo festa de 15 anos, no Maracanã. Se você for muuuuuuito rico, naturalmente.

Pão de açúcar e Jardim botânico
Ao Pão de Açúcar, eu nunca fui. Na verdade, passei de ônibus pela entrada do bondinho, mas só isso. O mesmo vale para o Jardim Botânico: só passei perto. Todo mundo diz que são passeios incríveis (o Bondinho vale pela vista, o Jardim, pela calmaria e beleza do lugar), mas eu não posso afirmar que é tão maravilhoso quanto dizem. Eu posso, porém, deixar aqui com vocês os sites e as informações sobre os preços destes lugares e uma foto minha superdiva também.

Essa sou eu, fazendo pose de diva, com o Pão de Açúcar ao fundo. Essa foto foi tirada do lado de fora do restaurante Porcão, que aparentemente também é um ponto turístico. porque nesse dia eu nem comi lá, mas pude entrar para tirar fotos. (Eu também gritei "A SELENA COMEU AQUI" várias vezes).
Pão de Açúcar - Bondinho: Site oficial. Preços: Adultos – R$ 62,00,  para pessoas de 6 a 21 anos – R$ 31,00, crianças menores de 6 anos – grátis, idosos acima de 60 anos, portadores de necessidades especiais e estudantes da rede pública ou particular de ensino - R$31,00. Em caso de descontos é necessária a apresentação de documentos.
Jardim Botânico: Site oficial. Preços: do jardim: R$7,00 reais (somente em dinheiro). Gratuidade para idosos residentes no Brasil e para crianças até 7 anos. Museu do Meio: entrada gratuita. Estacionamento: grátis para visitantes do Jardim, mediante a apresentação do ingresso.


Quinta da Boa Vista
Ou meu segundo ponto turístico preferido. E sim, a razão maior disso é porque aquele lugar maravilhoso foi residência da Família Imperial Brasileira. Eu ouvi a história da Quinta da Boa Vista durante a aula de campo que fiz no segundo ano (60 reais mais bem gastos da minha vida e única coisa boa que aconteceu no segundo ano): o palácio de São Cristóvão e seus jardins eram propriedade de um homem rico que ficou sabendo que, com a chegada da família real portuguesa em  1808 várias casas seriam tomadas de seus donos para abrigar D. João e sua corte. O homem, então, deu de presente a Quinta para o príncipe regente, recebendo vários presentes por essas consideração, naturalmente. Naquela propriedade nasceram D. Pedro II, D. Maria II de Portugal e a Princesa Isabel.

Essa sou eu juntamente com D. Maria Leopoldina, a futura D. Maria II de Portugal e o bebê futuro D. Pedro II. Estou parecendo um grilo, mas "to com eles". Essa estátua fica de frente ao museu.
Hoje em dia a propriedade é um parque municipal onde ficam o Museu Nacional de Arqueologia e Antropologia (no antigo Paço da Imperial Quinta de São Cristóvão) e Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. O primeiro é de responsabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o preço da visitação é R$6 a inteira. A entrada grátis para crianças até 5 anos, funcionários e alunos da UFRJ e idosos acima de 60 anos. No zoológico o preço é o mesmo, mas apenas crianças de até um metro e deficientes físicos com até um acompanhante possuem gratuidade.
O Museu Nacional é o maior e mais antigo museu do Brasil. Ele possui um acervo com pesquisas científicas em diversas áreas e a visita nos leva a conhecer informações importantes sobre o cenário científico nacional. Por exemplo, quando eu fui lá eu descobri que existe uma espécie dinossauro chamada Santanaraptor placidus cuja ossada foi descoberta no Ceará. E, como tudo que tem meu nome ou meu sobrenome, eu gosto de acreditar que isso liga o dinossauro a mim. Quanto ao Zoológico, como eu posso colocar? É um zoológico. Tem animais lá.

Copacabana, Ipanema, Arpoador e a Pedra da Gávea
A razão de eu ter colocado esses quatro lugares juntos é porque eu sei pouco deles para poder falar. Sendo bem sincera com vocês, a primeira vez que eu fui para uma praia do Rio que não fosse só de passagem, foi no dia 2 de janeiro deste ano quando fui com minhas primas assistir o pôr-do-sol em Ipanema. Antes disso eu só ia às praias cariocas quando por algum motivo eu acabava no meio de uma city tour como quando a família vinha aqui ou durante minha aula de campo . Inclusive, quando meus tios estiveram no Rio (dessa última vez que eu fui ao Cristo), minha família toda passou um dia na praia e eu fiquei em casa porque não estava afim de sair. E alguns domingos atrás, os donos da casa onde eu estava passaram o dia na praia também e minha irmã foi, mas eu fiquei dormindo. Resumindo: minha experiência com as praias cariocas é bem limitada.
Eu fui a Copacabana pela primeira vez quando vim à cidade pela primeira vez em 2008/9. A gente foi dar uma volta pela praia e eu enchi o saco de todo mundo porque queria pelo menos pisar no mar carioca (sim, eu também era insuportável aos 10 anos). Mal sabia eu que iria morar 3 anos nessa cidade e ir a Copacabana outras 3 vezes. Claro que nenhuma delas foi para passar o dia lá, mas ao menos eu cheguei a pisar na areia e no mar outras vezes. Ironicamente, a única vez em que eu cheguei perto da estátua de Drummond eu estava no ônibus da city tour, ou seja eu não tenho fotos lá. Eu tenho, entretanto, um milhão de fotos do Copacabana Palace.
Ipanema eu também visitei em city tours, mas fiquei na areia pela primeira vez no início do ano. Eu achei praia exatamente o esperado. É legal, é interessante, é linda e é um passeio divertido. Mas passa longe de ser o tipo de praia que você vai para relaxar. Apesar da mistura entre a natureza e o caos da cidade grande ser o charme do Rio de Janeiro, não é tão charmoso assim pisar em bituca de cigarro, objetos desconhecidos e gosmentos e poças de líquidos estranhos que acabam indo parando naquele pequeno recanto tropical. A praia é linda e mostra todo luxo carioca, maaaaaasss se é para aproveitar a praia em todo seu potencial, eu prefiro praias mais vazias, com menos gente para jogar lixo no chão.

Como diria minha prima, se a foto for da praia é "Ipanema beach", se a foto for para os prédios é "Ipanema, bitch".
Eu já passei pela praia e pela pedra do Arpoador algumas vezes também, mas nunca fui lá também. Entretanto, eu já fiquei consideravelmente perto e já vi e ouvi o pessoal lotar a pedra do Arpoador e bater palmas para o pôr-do-sol, ou seja, a história que corre na boca do povo é verdadeira. 
Quanto à Pedra da Gávea, eu só visitei uma única vez, mas de baixo mesmo. Não subi, muito menos andei de parapente (meu medo de altura me fez criar uma regra contra me atirar de rochedos tendo apenas um pedaço de lona para diminuir o impacto da minha queda). Para quem gosta, entretanto, eu garanto que a vista de lá é linda e que é um passeio que vale muito a pena.

Centro do Rio
Como eu ainda não fui a Nova York, nem a Viena acho que posso dizer que o centro do Rio de Janeiro é meu lugar favorito de todos que eu já conheci. Com suas ruas minúsculas, casas antigas e histórias bizarras, eu acredito que aquele lugar seja onde a gente realmente encontra a alma carioca.

Essa pintura simplesmente surgiu na Travessa do Comércio em uma manhã do século XIX. O autor é desconhecido, mas ela claramente reflete a realidade do dia-a-dia carioca naquela época.
Os principais pontos turísticos do centro são o Theatro Municipal (ao qual eu nunca fui), as dezenas de igrejas algumas bem escondidas, outras bem destacadas, mas todas com uma história única, o Paço Imperial (primeira residencia da família real portuguesa no Brasil e onde a lei Áurea foi assinada. Atualmente acontecem exposições de arte moderna lá, além de haver uma sala com informações informatizadas sobre a história do Brasil.), o Campo de Santana (aquele que eu falei que é tipo o Central Park), a Central do Brasil, onde o filme de mesmo nome foi gravado, entre outras coisas. Até mesmo as ruas da cidade tem seu próprio valor turístico. Se você quer se apaixonar pelo Rio, comece pelo centro.

Sites oficiais:
Corcovado (o site do Parque Nacional da Tijuca possui informações mais completas)

É isso. Desculpem pela demora. Pretendo voltar muito em breve para falar sobre os resultados dos vestibulares. Além disso, semana que vem é o aniversário de 4 anos do blog e eu já comecei a trabalhar no post sobre.
G.

06/01/2015

[Post nº 300] Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 7: Virada à luz de fogos e primeiros dias do ano.

Olá! Feliz 2015! Como sempre, o primeiro post do ano acontece alguns dias depois do ano novo, mas para ser sincera o ano só começou de verdade para mim hoje: nos últimos 5 dias eu ainda estava em clima de festas. Enfim, como foram os primeiros dias do ano de vocês? Eu fiz um monte de coisas do dia 31 até agora, e é mais ou menos para isso que serve este post. Nele também, falarei das minhas resoluções de ano novo (não coisas que eu quero fazer, muito pelo contrário). SÓ QUE ANTES DISSO, deixa eu explicar uma coisinha:
No dia 31, o post de retrospectiva - que seria apenas um resumo dos meus livros lidos em 2014 - deveria ter sido postado depois das 22h e antes das 00h como é tradição. Isso não aconteceu porque, como eu vou explicar melhor neste post, eu fiquei sem energia elétrica grande parte da tarde e praticamente a noite toda daquele dia, logo, o post não terminou de ser escrito. No dia 1º, eu perguntei qual post vocês preferiam ter primeiro: a retrospectiva, ou o post sobre o ano novo. Apenas a Mar respondeu e pela resposta dela, eu me senti livre para postar isto primeiro e a retrospectiva depois. Depois de alguns dias, entretanto, eu percebi que estava com muita má vontade em relação a terminar o post da retrospectiva. Eu prefiro mil vezes seguir falando do ano de 2015 que já começou lindamente. Mas antes disso, não deixarei vocês no escuro e postarei aquele pequeno resumo do ano no blog, que tivemos nas edições retrospectivas de 2012 e 2013:

Posts em 2014: 51
Total de posts até o fim de 2014: 299
Visualizações de página em 2014: 7.536
Recorde de visualizações em um dia (ainda de 2013): 678
Total de visualizações de página até o fim de 2014: 27.556
Comentários em 2014: 121
Total de comentários: 291

Como vocês podem ver, apesar de ter tido praticamente um terço do número de views de 2013, 2014 foi o ano com o maior número de comentários - o primeiro ano em que o número dos comentários chegou aos 3 dígitos. Claramente, isso é um caso de qualidade acima de quantidade. Ah, se vocês queriam saber quais livros eu li em 2014, podem encontrar na minha conta no Skoob. Foram 70 livros no total (o Skoob diz 68, mas é porque 2 deles foram vira-viras), e, apesar de não ter meta para este ano, eu espero ler pelo menos o mesmo número de livros, apesar de achar que aos poucos o tempo para mim se tornará artigo de luxo. - no momento, eu estou presa a dois livros que já estou lendo há um tempinho e desde o início do ano, não parei para lê-los sequer uma vez.

Auto-explicativa.

Como, aparentemente, minha vida agora é vida de nômade, eu também não sabia o que faria na virada do ano até o dia 30. Só que dessa vez eu tinha mais de uma opção: a dona da casa que eu estou faria uma festa e alguns membros da minha família, que antes estavam em São Paulo, estariam aqui no Rio e fariam a ceia de Ano Novo tradicional. Escolhi ficar com a família, porque o pessoal de fora estaria aqui e seria legal se nós passássemos todos juntos.
Então, no dia 31, eu precisava muito escrever o post da retrospectiva. O plano era fazer isso o dia inteiro, me arrumar e ir para a igreja às 19h e como o culto de lá termina às 22h, terminar de escrever o post na ceia e passar a virada com a família. Só que me chamaram para sair no meio da tarde e a superconfiante aqui, achou que já tinha escrito o suficiente e conseguiria continuar depois. Voltei do shopping às 15h e fui direto escrever, mas antes que pudesse começou uma tempestade e a energia caiu, levando junto a internet.
A chuva durou mais 30 minutos, mas a luz não voltou. Eu fui arrumar minha mala para a noite fora e em seguida terminar o livro Staying Strong da Demi Lovato para chegar a 70 livros. Fiquei sabendo que várias árvores haviam sido derrubadas em Bangu, bairro onde eu estou e por isso o bairro inteiro estava sem luz, incluindo minha igreja. Fui tomar banho e me arrumar, então. Vocês tem noção do que é depilar suas pernas usando apenas a lanterna do celular? Eu levei pelo menos uma hora e meia só nesse serviço. Depois eu tive que lavar e desembaraçar o cabelo e fazer a maquiagem (ok, foi apenas lápis de olho, mas o Ano Novo é uma das únicas ocasiões em que eu uso lápis de olho, então considerem isso uma superprodução), apenas com a lanterna do celular também. Fiquei pronta 10 minutos antes do culto, mas nossa carona demorou e como táxi também leva anos para passar no dia 31, nós acabamos indo direto para a casa do meu tio (aquele que, na verdade, é filho da prima da minha bisavó e cunhado da minha tia-avó).
Chegando lá, também não tinha energia, apesar da casa do meu outro tio, onde eu dormi, que fica a um quilômetro dali, ter. Era cedo, então eu tinha fé de que a luz podia voltar antes da meia noite. Depois de um tempo, foi necessário que fossem até a casa que tinha luz e eu fui junto para poder entrar na internet e avisar às pessoas porque eu estava desaparecida desde às 3 da tarde (e todo adolescente sabe como é, quando a gente some da internet, é como e tivesse sumido da vida). Ficamos lá até depois das 22h e a luz ainda não tinha voltado na casa onde aconteceria a ceia, então eu avisei pelo Facebook que não teria post. Lá pelas 23h, finalmente fomos para a ceia.

Foi assim que nós iluminamos a ceia.

Primeiramente, eu queria dizer que esse foi o melhor ano novo da minha vida. Não algum motivo específico, apenas porque eu pude perceber o tipo de pessoa que eu sou agora. Eu ficava fazendo comparações com o réveillon de 2014 e eu estava tããão chata. Eu estava irritada pelos motivos errados, acabando com a virada de todo mundo e para piorar a situação, logo depois que o ano virou eu passei mal e fiz todo mundo voltar cedo para a casa. E ainda achava que podia reclamar por não ter visto a bola descer no ano novo de NY - eu sempre fico extremamente brava comigo mesma quando lembro disso, quer dizer, eu sei que eu estava bem no meio da depressão, mas não justifica. Por isso eu peço as mais sinceras desculpas a todo mundo que eu fiz me aguentar no réveillon de 2014.
Enfim, este ano eu não me importei tanto ao saber que passaria a virada do ano sem luz. Quer dizer, seria uma experiência nova e única. E eu até poderia perder o momento do ano novo em NY outra vez, mas isso não seria um problema tão grande. Temos réveillon todos os anos então eu não preciso fazer as mesmas coisas todos os anos, certo? Passar o ano novo com a minha família já era tradição o suficiente. E foi justamente a família que compôs a magia da noite. Minha prima (em segundo grau) que mora em São Paulo veio passar alguns dias aqui e junto com minha prima aqui do Rio, a família daqui e uma parte da família da Bahia, nós passamos a noite inteira contando piadas, histórias antigas, coisas que ninguém sabia e rindo de besteiras. Foi perfeito. Oramos na virada e depois fomos ver os fogos. Eu coloquei meu celular para despertar à meia noite já que não tínhamos noção do tempo sem a TV ligada e ele tocou New Romantics da Taylor Swift assim que o ano virou.
Fomos para onde íamos dormir às 2h30 e a luz ainda não tinha voltado (mas ela voltou às 3h e o pessoal daquela casa pode dormir em paz - se você mora no Rio sabe o quanto energia elétrica é importante para dormir no verão). E eu acabei vendo a bola descer no ano novo em NY, graças ao Snapchat (o meu é hurtsjustright, btw), que junta vídeos postados pelos usuários em ocasiões especiais.
Eu só fui dormir às 4h, em um colchão na sala, que era o único espaço disponível na casa. Meu tio me encontrou quatro horas depois, deitada totalmente no chão, que estava mais fresco, e isso acabou virando a piada do dia. Ele arranjou um lugar para mim no quarto e eu arrumei um espaço, onde dormi mais quatro horas e acordei às 12h. Resumo do dia 1º: comemos o resto da ceia (tradição nacional né), conversamos bastante e então fomos à Lagoa Rodrigo de Freitas ver a árvore de Natal da cidade. Foi lá que minha prima de SP tirou fotos desse calibre de sua câmera semi-profissional e eu roubei quase todas:

Isso tem zoom. Eu preciso de uma câmera assim.
Depois eu passei na casa onde minhas coisas estão para pegar mais roupas e nós voltamos para casa às 23h. Eu fui a primeira dormir, mas só depois da meia noite, naturalmente (não sei se sou só eu, mas nos primeiros dias do ano, eu só consigo dormir depois da meia noite).
Dia 2 eu esperava ter tempo para escrever, mas eu dormi demais e quando acordei nós começamos os planos para que pudéssemos sair. A ideia era ir para o Arpoador passar algumas horas na praia e talvez ver o sol se pôr junto com metade da cidade, aparentemente. Apesar de ter carro, nós preferimos ir de trem e metrô porque não sabíamos direito como chegar lá e de transporte público na verdade é mais fácil. Nós levamos mais tempo na viagem de trem do que passamos na praia e inclusive passamos pelo trem que ficou parado na estação de São Cristóvão graças ao calor e tinha muita gente passando mal lá.
Passamos a viagem toda rindo e falando alto e irritando todo mundo na condução, mas ser o grupo mais feliz do trem não diz muita coisa, porque se você quiser ver o lado não-caloroso, não-animado ou não-gentil do carioca, tudo que você precisa fazer é andar de trem no Rio de Janeiro. Não existe nenhum lugar no universo com mais gente depressiva por metro quadrado, literalmente. Todo mundo parece meio morto. Mas, enfim, nós chegamos a Ipanema. O Arpoador estava meio longe e nenhuma de nós quatro estava disposta a ir andando, então paramos na praia de Ipanema mesmo e ficamos na areia aproveitando o sol. Ficamos lá até um pouco depois do sol se pôr, e depois de ir ao shopping comer (nessa noite eu, pela primeira vez na vida, comi um sanduíche do Subway de livre e espontânea vontade - eu já tinha comido antes, mas foi a força), nós voltamos pra casa e ficamos acordadas até às 3h.

Essas somos nós aquele dia. Só eu e minha irmã não estávamos de biquíni. Eu sou a mais esquisita da foto, naturalmente.
No dia 3, nós fomos ao meu shopping preferido passear um pouco. Chegamos cedo e mesmo que eu tivesse certeza de que ficaríamos lá até o shopping fechar, ninguém acreditava em mim. Nós passeamos, fizemos compras, nos frustramos por não ter dinheiro para comprar o que queríamos, tomamos café gelado, entre outras coisas. Eu estava certa, entretanto, e depois de andar muito, de comer muito e de ficar com MUITA dor nos tornozelos, nós fomos embora depois do shopping fechar e alguns minutos antes que a praça de alimentação fechasse.
Dia 4, eu finalmente voltei para casa que eu estou oficialmente (eu realmente preciso criar códigos de nomes para as casas nas quais eu ando me movendo, chamemos esta de Casa Matriz porque é onde tudo que eu trouxe para a viagem está), e comecei a escrever esse post, mas não consegui terminar. Ontem, dia 5, eu o terminaria, mas me chamaram para ir para o shopping e eu corri para a oportunidade, mesmo que não tivesse mais dinheiro. Depois fomos para a igreja curtir o culto dos jovens. Hoje, eu finalmente sinto como se meu ano tivesse finalmente começado. Passei o dia inteiro escrevendo isso, terminando a temporada de uma série e pensando o quanto eu quero passar a noite de hoje e o dia de amanhã inteiro lendo (quinta-feira eu já tenho compromisso outra vez e não posso planejar fazer nada em casa).

Gif aleatório porque eu não tenho fotos boas para colocar aqui, mas sentia que esse post precisava de uma pausa.
Desculpem, foi o Bing que achou esse gif.
Antes de ir relaxar, entretanto, eu quero falar sobre minhas resoluções de Ano Novo. Eu não queria ter resoluções de ano novo. Em 2013-2014 eu disse que não faria metas para o ano novo, porque aí o que viria seria lucro, e o que eu perdesse não me decepcionaria. Eu perdi partes importantes da minha vida em 2014 (incluindo, minha mãe), mas ainda assim eu admito não foi o pior ano de todos, porque eu aprendi muito com as perdas que sofri, soube lidar com uma situação complicada e ainda por cima tive muitas coisas que eu considero bençãos (fui ao primeiro show da minha vida, viajei muito para cidades diferentes, estreitei meu relacionamento com meus amigos, superei a depressão). Então eu resolvi que em 2015 seguiria a mesma filosofia: nada de planos. Ao contrário de estabelecer metas malucas que só vão me fazer me sentir um fracasso quando eu não consegui completá-las, eu pretendo apenas agarrar toda e qualquer oportunidade possível de fazer coisas que me façam bem. Porque ao fim de 2015, eu não quero pensar em todas as coisas que eu não consegui fazer, eu quero pensar em todas as coisas que eu fiz. Aí eu percebi que resolver não fazer planos É uma resolução de ano novo.
E depois de pensar um pouco nisso, eu cheguei a conclusão de que seria um pouco hipócrita continuar com a Lista de coisas que eu quero fazer antes de entrar na faculdade e me tornar oficialmente uma "jovem adulta" que eu inventei na Parte 2 do Diário de Bordo 4. Quer dizer, eu já volto de viagem dia 20 (passarei outros quatro dias em Salvador, by the way) e ainda não fui na Biblioteca Municipal, mas e daí? Eu vi o sol se por em Ipanema, e inclusive consegui ouvir as palmas do pessoal que estava em cima da pedra do Arpoador. Então essa lista está extinta. Menos listas de coisas a fazer e mais listas de coisas feitas, certo?
Outra coisa, chega de projetos novos para o blog antes de completar os já começados. Eu sei que já tinha dito isso antes, mas sério, agora eu só vou divulgar qualquer coisa que eu inventar para o blog depois que estiver completamente pronto. Isso quer dizer que chega dos "contos que nunca foram postados", como Infelizmente, Rio, eu te amo e Mi Totentanz que eu prometi em 2014 e 2013, respectivamente, e acabei nunca conseguindo escrever. Eu andei lendo os posts que tinham projetos e ideias para 2013 e para 2014 e fiquei meio deprimida com como 90% dos meus planos deram certo. Por isso chega, vamos começar 2015 de uma forma completamente diferente. Alguém ansioso aí?

G.