27/02/2015

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 11: Coisas que ninguém te contou (e que, na verdade, você não queria saber) sobre a universidade

Olá, universo! Esse é um último post do Diário de Bordo 4 e é meio esquisito pensar que esse foi o Diário de Bordo com menos partes (o primeiro teve 17, o segundo, 27 e o terceiro, 14) porque eu sinto que foi o que eu escrevi mais e o que eu tive mais coisas interessantes para dizer (mas eu posso estar bem errada) (eu também estou consciente de que o último post não foi nenhum pouquinho interessante). Originalmente, eu acreditava que esse seria o último Diário de Bordo do blog. Parte de mim acreditava que eu não ia passar para a faculdade e este ano seria apenas sobre publicar meu livro e estudar para o vestibular, ou seja, nada de férias nesse sentido de três meses entre novembro e fevereiro, que é o tipo de férias que leva a um especial de férias no blog (que no caso é o Diário de Bordo). Mas eu acabei passando para a faculdade e estou de volta a esse ciclo de passar 5h por dia em uma sala de aula ouvindo os professores falarem, logo, no fim do ano eu estarei desesperada por férias (na verdade, eu já estou desesperada por férias, mal vejo a hora desse 1º semestre acabar), ou seja, eu preciso fazer um Diário de Bordo 5 e comemorar minhas férias ao fim do ano (que eu tenho certeza de que não durarão três meses).
De qualquer formaaaaaa, eu disse que tinha prometido para a Marcelha que ia fazer um post contando como foi meu primeiro dia de aula e depois acabei prometendo para várias outras pessoas que contaria como é a faculdade de jornalismo, então, resolvi que o último post do Diário de Bordo 4 seria sobre meu primeiro dia de aula. Depois deu tudo errado porque o post anterior atrasou e eu resolvi mudar o post para sobre minha primeira semana de aula, o que acabou sendo ótimo porque meu primeiro dia de aula não foi muito interessante (a menos que você seja o tipo de leitor que gosta de rir das besteiras que eu faço) (o que você provavelmente é). Finalmente, ontem, enquanto andava quase um quilômetro pela estrada que vai do módulo de Comunicação até o portão da frente da faculdade (mais sobre isso depois), eu tive uma ideia brilhante: transformar este último post do Diário de Bordo 4 em uma interessantíssima lista de:

Coisas que ninguém te contou (e que, na verdade, você não queria saber) sobre a universidade

Ainda é um post sobre minha primeira semana de aulas, mas de uma forma diferente. Eu estou fazendo uma lista de coisas que eu queria ter sabido antes de entrar na faculdade. E também de outras coisas muito nada a ver, mas que aconteceram e eu quero contar. Não vou organizar em ordem cronológica, mas vou explicar quando cada uma das coisas apresentadas aconteceram durante essa semana caótica. Aproveitem.

1. A diferença entre faculdade e universidade.
Terça-feira, 7h30 da madrugada, meu professor de sociologia, com tanto sono quanto eu, diz a seguinte frase "Essa é a diferença entre faculdade e universidade: para a faculdade você vai para pegar diploma, para a universidade você vai produzir conhecimento". Pronto, essa frase ficou na minha cabeça o resto da semana. Inicialmente, eu não entendi o que ele queria dizer. Eu não ia ter um diploma no final? E mesmo quem vai para faculdades particulares não produz projetos? Depois, conhecendo meus colegas mais a fundo, eu entendi exatamente o que ele queria dizer. 
Ir a faculdade, pelo que eu ouvi, é tipo ir para a escola só que melhor. Você vai recebe conteúdo, estuda em casa, socializa, cria projetos e todo mundo é feliz. Ir a universidade, é como ir para um novo universo (alguém notou o trocadilho?). É como se transformar em um novo ser pronto para observar e criar. Se você vai estudar em uma universidade, você não será um adulto com responsabilidades em 4 anos, você será um adulto com responsabilidades no momento em que a aula começar. Porque vocês acham que os principais estudos do mundo são feitos por universidades? Pois é, aspirante a universitário, VOCÊ será responsável por esses estudos lindos daqui pra frente. Não que eu já tenha produzido algum conhecimento, mas meus professores já passaram trabalhos e nos mandaram escolher o tema do conhecimento que eu quero produzir.
Ao dizer isso, eu não estou dizendo que universidade é melhor do que faculdade (até porque é a pessoa que se faz, não a instituição e blá, blá, blá) e várias vezes durante essa semana eu desejei estar numa faculdade. Esse negócio de produzir conhecimento é exaustivo. É uma outra coisa sobre a universidade: todo mundo parece ter energia, menos eu. 12h40, termina a aula, eu estou desesperada para entrar no ônibus, passar uma hora ouvindo MisterWives no ônibus, chegar em casa, passar duas horas ouvindo MisterWives no sofá e só depois disso pensar em fazer algo de útil com a minha vida. Meus colegas, por outro lado, estão todos felizes e animados marcando passeios pelo bandejão*, encontros para trocar música no CA**, maratonas pela cidade, entre outros passeios que ninguém que acordou 5h30 da madrugada normalmente estaria disposto a fazer. Tudo que eu consigo fazer é concordar com a cabeça, tentar acompanhar eles, engolir o grito mimado de "EU QUERO IR PRA CASA!!!" e escapar assim que todo mundo parar de prestar atenção em mim. Mas eu sei que não conseguirei escapar por muito tempo. A necessidade de produzir conhecimento urge e em breve eu serei uma estudante de jornalismo responsável, que gosta de ficar no campus até as 18h, mesmo nas sextas-feiras. (OK, eu até deixo vocês rirem depois disso aqui).
Só uma coisinha antes de mudar de item: mesmo agora sabendo a diferença entre faculdade e universidade (eu precisei ler esse artigo no site da UOL pra ter certeza de que não tava falando bosta, e ainda assim não tenho certeza absoluta), eu vou continuar ora dizendo universidade, ora dizendo faculdade para me referir a exatamente a mesma coisa: o conjunto de prédios acadêmicos onde um bando de infelizes estudantes vão para alcançar o nível superior de escolaridade.

2. Você e seus coleguinhas estão no mesmo barco.
Quando eu fui fazer a pré-matricula minha tia me mostrou alguns prédios importantes da university. Quando eu fui fazer a matrícula, isso me ajudou muito, mas minha tia falou para eu perguntar no colegiado*** (estou colocando essas estrelinhas nas coisas para explicar depois o que são essas coisas, porque eu até o início do ano não sabia) em qual dos prédios eu ia estudar. A idiota aqui não fez isso. Eu acredito que no dia eles ainda não sabiam, mas se a moça pelo menos dissesse onde os alunos de Comunicação estudavam ano passado, minha vida no primeiro dia de aula teria sido beeeeeem mais fácil.
Como eu sou naturalmente ansiosa (sou vários osa, ansiosa, preguiçosa, ociosa, etc), eu estava tentando me concentrar em uma coisa de cada vez enquanto pensava no primeiro dia de aula (o que não adiantou porcaria nenhuma já que entre o dia 17 e o dia 23 eu estava tão ansiosa que quase não comi): primeiro eu dormiria tranquilamente (foi a pior noite de sono de toda a minha vida), depois acordaria às 5h (acordei antes e levei um susto quando a droga do celular despertou), pegaria o segundo ônibus no ponto final às 6h15 (descobri que o site da prefeitura estava errado e na verdade terceiro ônibus sai as 6h35!) e finalmente chegaria à faculdade às 7h05 com 25 minutos para encontrar minha sala e estudar (cheguei 7h25 e tinha 5 minutos para rodar o campus inteiro atrás da maldita sala de Comunicação Social I). Lembrei então que o pessoal da segunda chamada estaria finalizando a matrícula naquela manhã, então eu ainda poderia ir ao colegiado do curso e perguntar onde era minha sala. Desci no ponto que conhecia (tem uns 5 pontos de ônibus dentro do campus) segui o caminho que conhecia até o colegiado. Eis o problema: aquela bagaça só abria às 8h30. Ou seja, eu teria que esperar uma hora inteira para saber onde seria minha aula (leia-se: eu perderia minha primeira aula).
Graças a Deus, o prédio estava cheio de outros alunos tão desesperados quanto eu e que também teriam que esperar uma hora. Uma menina do meu curso que estava exatamente na mesma situação que eu (matrícula feita, mas não sabia onde era a aula) falou comigo e depois falou com outra garota (que não tinha completado a matrícula), também do nosso curso. Elas conversaram e saíram para procurar a sala e aí eu fiz uma coisa que não foi nem de muito longe a coisa mais esquisita que eu fiz essa semana: eu comecei a seguir as duas. Pensando agora, eu consigo imaginar várias outras coisas que eu poderia ter feito para descobrir onde era a sala, mas eram 7h da madrugada, eu não tinha dormido bem e só tinha um pão com manteiga no estômago e quando eu vi aquelas duas calouras, tão perdidas naquela história quanto eu, eu me senti ligada a elas e fui atrás mesmo. Eu sabia que elas me achariam a pessoa mais esquisita do universo, mas fiquei me lembrando que uma delas sabia que eu era do mesmo curso que elas e que daqui até a formatura elas teriam esquecido o que eu fiz (eu duvido muito que elas esqueçam o que eu fiz) (só pra deixar claro, eu sou louca, mas não sou perigosa). No fim, nós três não achamos a aula, enrolamos até o colegiado abrir, descobrimos a sala, esperamos a menina que não tinha completado a matrícula completá-la, então enrolamos um pouco e finalmente fomos para a sala. Perdendo as três aulas de Português Instrumental no processo.
Agora deixa eu explicar porque eu contei essa história: enquanto fazia as bostas que eu fiz no primeiro dia de aula, eu notei uma coisa muito importante, todos nós, calouros desesperados e sofredores estávamos conectados. Todos nós fomos jogados em um universo novo (eu já disse isso, não disse?) e não conhecemos nenhuma das coisas que estão nos sendo apresentadas. Você pode se sentir muito estúpido no primeiro dia de aula, mas precisa lembrar que todos aqueles outros alunos estão se sentindo do mesmo jeito. Então se permita fazer bostas, ser zoado, socializar. Só faz o favor de aprender com meus erros e não seguir ninguém pela faculdade.

3. Independente do tamanho do campus, se você tiver que andar por ele, ele parecerá enorme.
Lembra que eu falei que tinha pensado nesse post quando estava andando do portão até o meu módulo? Deixa eu explicar tudo do começo. Na segunda, antes de eu encontrar minha sala, um dos integrantes da Associação de alguma coisa que eu esqueci o nome (qual é, existe umas 50 associações diferentes na faculdade, sem chance de eu conseguir lembrar o nome de todas e pra que elas servem antes do 3º semestre) entregou uma carta manifesto para mim a respeito das condições de repassagem de verba do governo para as universidades estaduais baianas. Mais tarde, outros representantes da mesma associação foram a minha sala explicar as coisas com mais detalhes. Na quarta, saíram boatos de que não teríamos aula na quinta porque os funcionários tercerizados planejavam fazer uma paralisação e bloquear os portões de entrada. Já que eu não tinha como saber o que ia acontecer até chegar lá, ontem eu acordei às 5h30 da manhã como sempre e tomei o caminho da roça até a faculdade (o que significa ficar uma hora no ônibus, de ponto final a ponto final, já que eu moro do outro lado da cidade). Chegando lá, os funcionários tercerizados realmente haviam bloqueado o portão, mas só para veículos automobilísticos, o que quer dizer que nós, alunos,  descer do ônibus e ir andando até nossos respectivos módulos.
O campus da minha universidade não é tão grande. Tem vários prédios, sim, e bastante espaço para viver, sim, mas uma pessoa saudável não levaria mais que 10 minutos correndo pela estrada que o ônibus percorre lá dentro. O caminho entre o portão que eu entrei (geralmente o que o ônibus sai) e o meu módulo é uma reta. Eu sou péssima com desenhos, então vou tentar descrever para vocês: é como se o campus fosse um semi círculo, com uma reta fechando ele (essa figura geométrica tem um nome?) nessa reta existem dois portões: o ônibus entra no portão de trás, da a volta no semi círculo e sai pelo portão da frente. Meu módulo é um pouquinho depois do zênite desse semi-círculo, ou seja, na curvinha que ele faz antes de pegar a reta que leva ao portão da frente. Deu para entender? Espero que sim. Enfim, eu entrei pelo portão da frente e fui pela reta (que é uma estrada cercada de bambus, tipo a do aeroporto de Salvador e com descidas e subidas) até o módulo de Comunicação Social.
Agora eu tenho outra imagem para formar na cabeça de vocês: eu moro na décima cidade mais fria do país, o que significa que às 5h30 da manhã, hora que eu acordo, a temperatura está em 19ºC com temperatura aparente de 14º, ou seja, frio pacaramba pra quem morou 4 anos no Rio de Janeiro. Naquele dia, também, os veteranos haviam exigido que nós fossemos de abadá (aquela camiseta que se usa para entrar em shows) e o que eu consegui pegar da minha amiga era superpequeno então eu usei uma blusa por baixo. Pra piorar a situação, naquela manhã eu fiquei com preguiça de tirar a legging que tinha ido dormir e vesti a calça jeans por cima dela. Resumindo: eu fui com duas blusas, casaco e duas calças, como se estivesse indo para uma faculdade no Canadá, não no Brasil. Agora imaginem a pessoa vestida com essa armadura, tendo que andar cerca de 500 metros subindo e descendo numa estrada? Pois é, coleguinhas, não foi legal! E eu nem tive aula ontem porque os professores chegavam de carro, viam o portão fechado e iam embora. A vida é linda. (O lado bom é que a gente inventou um piquinique/café da manhã).
Além disso, na quarta os veteranos fizeram uma tour com a gente, mostrando todos os prédios e dependências que os estudantes de jornalismo precisarão conhecer se quiserem sobreviver. Eu posso dizer que não andava tanto há uns bons 4 anos (aliás, essa semana eu andei pra caramba, e fiz várias coisas em casa. Acho que a energia da faculdade tá me afetando). Por isso que eu digo, o campus sempre é enorme de grande se você tem que andar por ele.

4. O trote, na verdade, não é constrangedor (Ou pelo menos o trote específico que sofri não foi constrangedor para mim, depois que eu contar o que foi vocês decidem se acham constrangedor ou não).
Eu não fazia ideia se teria trote ou não, já que é proibido na faculdade, mas todo mundo queria que tivesse, inclusive eu. Quando cheguei na segunda, os veteranos fizeram uma brincadeira colocando a gente na frente da turma inteira e fazendo perguntas e eu achei que aquilo fosse ser todo o trote. Oh, doce ilusão. (Abrindo um parêntese para contar que quando me perguntaram porque eu queria ser jornalista eu respondi "Porque a profissão me permitiria entrar nos bastidores do show da minha banda preferida". Eu não contei isso para ninguém, porque eu sinto que se eu disser MisterWives mais uma vez na frente dos meus amigos, eu vou acabar sendo morta. A verdade é que a resposta da pergunta "porque eu quero ser jornalista?" é muito complexa para mim.).
Os veteranos começaram a exigir que a gente fosse com um tipo de roupa por dia. Não sei se aconteceu alguma coisa com quem não foi, mas a busca por roupas que mandavam foi a parte divertida da história. Na terça, era para ir de roupa verde (fui com uma blusa da minha tia), na quarta, roupa amarela (fui com uma blusa da minha irmã) e na quinta, de abadá (fiz minha amiga vir de bicicleta até minha casa me trazendo os dela). Tinham dito para ir com roupa arrumada para entrevistarem professores hoje, mas claro que era zoeira porque todo mundo sabia que o trote aconteceria na sexta. E o trote, ah, o trote. Os veteranos chegaram e mandaram a gente tirar UM (isso é importante porque eu tirei os dois sapatos primeiro) dos pés dos sapatos e seguir eles para o lado de fora. É proibido trotes dentro da faculdade, então a gente teve que andar até o lado de fora da faculdade. Tradução: a gente teve que andar por aquela maldita estrada de bambus (sim, vou chamar de estrada de bambus) outra vez. E sem um sapato!!!!!!! Como eu sempre ando descalça e olhando para o chão, eu sofri menos do que muita gente, mas ainda assim eu acho que tem um corte invisível no meu pé.
Já lá fora, juntaram a gente, pegaram tinta, esmalte, farinha de trigo, perfumes supostamente fedorentos (eu não achei tão fedorentos, mas eu não sou normal mesmo) e pó de café e começaram a sujar a gente. Eu fiquei pensando se deveria prender o cabelo ou não, mas sabia que teria que limpar muita coisa quando chegasse em casa de qualquer jeito, então resolvi deixar solto e curtir a sujeirada. (O problema foi que eu esqueci que estava com um arquinho na cabeça e ele acabou todo sujo, mas deu para salvar). Depois, colocaram a gente em fila e jogaram uma mistura de Novex, possivelmente lama, folhas entre outras coisas que eu prefiro não saber o que são em nossos lindos cabelinhos. Então a gente ajoelhou, fez um juramento de fidelidade ao veterano, tirou umas fotinhas e fomos pedir dinheiro no sinal em uma das avenidas mais movimentadas da cidade.
Aí vocês perguntam: tá, e que parte disso não é constrangedora? A parte não-óbvia. Primeiro, enquanto a gente era sujo e zoado, eu ri muito e riram muito de mim. Depois, a gente foi para o ônibus ir até onde iríamos pedir dinheiro e os veteranos ficavam contando o que aconteceram com eles em seus trotes e falando sobre nossa sujeira. Ao chegar no cruzamento e ir pedir dinheiro eu passei por muita gente que ficava perguntando qual era o curso, desejando sucesso e berrando "bixo!!!" quando passava por nós. Um cara deu dez reais e disse que o trote em si era uma das melhores partes da faculdade. (Também teve algumas piadas idiotas para minha colega, da parte de alguns motoristas, mas não vamos entrar no assunto ou esse post mudará drásticamente).
E foi aí que eu percebi que era verdade. Depois do trote você percebe que aquilo ali - toda aquela situação - é de verdade. Que seu sofrimento de vestibulando acabou e que você está oficialmente dentro dos 4 anos que dizem ser os melhores anos das nossas vidas! Quando eu entrei no ônibus para ir pra casa e um monte de alunos do 3º ano (provavelmente alguns até mais velhos que eu) olhou para mim, encantados e perguntaram de que faculdade eu era e o curso. Respondi e pelo resto do caminho eu apenas sorri e deixei que todo mundo admirasse todo o meu esplendor caloural sujo de café, lama e outras substâncias não identificadas.

E acabou o Diário de Bordo 4!!! Eu realmente espero que vocês tenham achado minhas férias tão legais quanto eu achei, porque, caso contrário, eu realmente tenho que repensar meus métodos de escrita. Eu vejo vocês em dezembro. (Mentira, vejo vocês semana que vem com um post sobre as 5 frases que escritores não-publicados mais ouvem.). Beijo.

G.

Deixa só eu adicionar um PS.: Eu percebi que alguns dos meus professores não gostam de blogs. Eu já esperava por isso, mas o choque da minha professora de história por eu ter criado um blog aos 13 anos me chateou de um jeito, que eu resolvi que não vou mais falar para nenhum dos meus professores sobre este blog. Não é sobre jornalismo mesmo, então let it be.

*Bandeijão: Restaurante da universidade onde o almoço é barato. Eu ~acho~ que toda universidade tem.
**CA: Centro acadêmico. É uma sala, de responsabilidade dos alunos, com administração dos alunos, onde os alunos vão socializar, estudar, se reunir, etc.
***Colegiado: É tipo uma das muitas subdivisões de lugares onde você vai para procurar informações sobre seu curso, contato com os professores, etc.

23/02/2015

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 10: Como eu celebrei o melhor dia do ano (aka 18 de fevereiro) (aka meu aniversário)

Este ano eu notei muita gente me julgando por um fato que está incutido na minha vida desde que eu era um bebê: eu prefiro meu aniversário ao Natal. Ninguém - e eu repito ninguém - que eu conheço gosta de aniversários tanto quanto eu (na verdade, a maioria das pessoas que eu conheço nem gosta de fazer aniversário) e por isso ninguém entende e todo mundo se irrita quando eu começo a falar do meu aniversário três meses antes. Então antes de falar como eu comemorei o dia 18 de fevereiro (meu aniversário), eu quero falar sobre porque esse dia é o meu preferido do ano: é o único dia do ano em que tudo pode ser sobre mim. Ok, isso soou bem egoísta, mas é quase isso. 18 de fevereiro é o único dia do ano em que é socialmente aceitável ser egoísta. Agora parece que eu sou uma pessoa horrível... Como eu vou explicar? Eu sou desesperada por atenção e esse é o único dia que as pessoas me dão? AINDA NÃO É ISSO. Ok, voltando a primeira frase e explicando tudo de novo: meu aniversário é o único dia do ano em que tudo pode ser sobre mim. Mas não é que eu queira que tudo seja sobre mim. Nos aniversários das outras pessoas eu também quero que tudo seja sobre eles e que eles tenham os melhores dias. A questão é que o nosso aniversário é aquele dia do ano, aquela vez, aquela momento dedicado apenas a você. E eu acho isso incrível, sabe, ter 24 horas em um ano dedicado a existência de uma pessoa. Sim, eu acho que é isso. É por isso que eu gosto não só do meu aniversário, mas de aniversários em geral.

Minha irmã fez isso na parede do meu quarto, para mostrar algumas mensagens que mandaram para ela mostrar pra mim.. Já faz 4 dias, mas tirando os balões, ainda está tudo lá.
Então, cinco dias atrás foi meu grande dia. Eu fiz 17 anos e disse para todo que me perguntou como é que é tipo ter 18 anos, mas não necessariamente. Isso faz algum sentido? Bem, no exato momento em que escrevo isso eu estou usando meu gorro de vaquinha e nem está frio ou eu estou em um bad hair day é simplesmente porque eu encontrei ele no guarda-roupa e senti vontade de usar, então, claramente os 17 anos não me fizeram mais madura. As únicas mudanças que eu sinto que aconteceram desde que eu tinha 16 anos já haviam acontecido antes de eu fazer 17 e era isso que estava me deixando quase desesperada para fazer 17 anos de uma vez. Porque eu sinto que esse post não está fazendo o mínimo sentido? Vamos simplesmente pular para a parte em que eu falo sobre o que aconteceu no dia 18 e paro de filosofar sobre aniversários e idades, ok?
Eu sempre fico acordada até a virada do dia 17 para o dia 18, mesmo que saiba que ninguém vai me mandar mensagem à meia-noite e que eu não nasci à meia-noite. Este ano foi especialmente esquisito porque eu queria postar o vídeo exatamente à meia-noite, todo mundo já tinha ido dormir e no meu quarto o WiFi não pega, ou seja, precisei ficar no quintal com os mosquitos me comendo viva e morrendo de frio (meu aniversário foi um dia excepcionalmente frio na cidade em que eu moro). Eu postei o vídeo, aceitei que ninguém me mandaria mensagem a meia-noite e corri de volta para o meu quarto. Então eu achei um lugar onde o WiFi pegava no quarto (e ainda assim só pelo meu notebosta), passei algumas horas perturbando no Twitter, adiantei a leitura do livro que estava lendo (Anexos da Rainbow Rowell), aí desliguei o notebook passei algumas horas ouvindo MisterWives (abri esse parêntese para falar sobre MisterWives, mas eu não vou falar sobre MisterWives agora, quero fazer um post sobre eles depois - mas se você me conhece e ainda não ouviu falar deles, se considere com muita sorte), escrevi no meu diário, ajustei o despertador para as 7h e fui dormir. Às 4h da madrugada.
Eu sempre durmo pouco no meu aniversário, então eu realmente acordei às 7h (okay, 7h30) e fiquei lendo na cama até uma hora mais divina para acordar minha irmã para a gente sair antes do almoço com meu pai. Minha irmã teve a ideia de pedir para amigos e conhecidos para juntar dinheiro para comprar um notebook novo para mim de aniversário. Todo mundo doaria o que pudesse e a gente juntaria para comprar o notebook que estivesse de acordo com o preço doado. Não deu muito certo comprar no dia 18 porque nem todo mundo que prometeu havia enviado (desvantagens de fazer aniversário do carnaval, nada funciona nesse país) e porque todo notebook que a gente viu por menos de mil reais tinha algum defeito (o CCE, mais barato por ser do mostruário, faltava uma tecla e o Philco que me apaixonei vinha com Linux). Então agora nós estamos esperando juntar mais dinheiro para tentar comprar um notebook melhorzinho mês que vem (o que significa que meu plano oficial de estar com o livro todo organizado e pronto para a correção ortográfica até 15 de março foi pro beleléu).
De qualquer forma, eu saí com minha irmã de manhã e nós fomos ver os preços. Como a busca foi infrutífera, voltamos para casa cedo e esperamos meu pai chegar e me levar pra almoçar. Ele chegou lá pras 11h com meus dois primeiros presentes do dia: o estojo com os perfumes Day & Night da Capricho (presente do meu pai) e o livro Fugindo para a Liberdade (presente da namorada do meu pai - depois ela me disse que queria mesmo me dar a edição especial d'O Diário de Anne Frank, mas não achou em lugar nenhum). Então saímos para almoçar. Depois disso, eu fiz meu pai dirigir pela cidade até onde me disseram que tinha um outdoor com foto minha. 90% das escolas de Ensino Médio costumam fazer alguma propaganda quando um aluno é aprovado em uma faculdade - a escola em que me formei não foi diferente, mas como moro em uma cidade pequena, e estudei em uma escola popular, essa propaganda acabou sendo alguns outdoors pela cidade. São pelo menos uns vinte de todo mundo e de acordo com as fontes, eu estou em 3 ou 4, mas só vi dois até agora, um até perto da minha casa.

Eu sendo o *adicione o nome de um muppet laranja aqui*
O resto do meu aniversário foi o mais legal: voltei pra casa, terminei o livro que estava lendo e então me arrumei para o passeio com meus amigos. Eu passo meus aniversários passeando por shoppings desde 2011, é uma tradição que eu não quero quebrar jamais. Dessa vez eu chamei 5 colegas meus para o passeio, mas só 3 puderam ir. Como o shopping daqui não é o mais cheio de entretenimentos do universo, sugerimos que nós fôssemos ao cinema, mas também não estava passando nenhum filme interessante e nem eu estava muito afim de ir, ou seja, acabamos não indo. Fomos no parque, andamos, procuramos garrafas de Coca-Cola com nossos nomes no supermercado, fomos na livraria e comemos no Subway. Minha amiga fez um cupcake com letrinhas de granulado e quando deu exatamente 20h todos nós gritamos e eles cantaram parabéns pra mim no meio da praça de alimentação. Eu também ganhei uma nova máscara de dormir (o que foi ótimo porque a minha antiga está com o elástico relaxado) e um porta-retrato cor de rosa - ambos da mesma amiga que fez o cupcake. E ainda tenho presentes para receber (tem uma caixa de coisas vindo de Salvador *_*).
No fim, a única coisa que me deixou chateada sobre meu aniversário foi o fato de eu estar com o apetite péssimo e meio ansiosa aquele dia. Não sei porque, mas essas mudanças de humor são bem frustrantes pra mim. De qualquer forma, foi um dia incrível e nada pode mudar isso.
G.

P.S.: Eu sinto muito pela demora em postar. Expliquei na página como pretendo postar essa semana e espero conseguir compensar vocês. O próximo post é o último do Diário de Bordo 4 e será sobre minha primeira semana de aula na faculdade.

13/02/2015

16 anos: mitos e verdades. E mais: sobre fazer 17 anos

Então, faltam 5 dias para o meu aniversário de 17 anos e eu não poderia deixar de fazer algo que sempre faço, mas que acabei não fazendo na época certa: o post sobre como foi a idade que eu imaginei como ia ser antes de completar. Ficou confuso? Deixa eu explicar: Todo ano, desde 2012, perto do meu aniversário, eu faço um post sobre como eu acho que será a idade que eu farei. Alguns meses depois eu escrevo outro post falando sobre como está sendo essa idade. É basicamente uma tradição aqui que começou porque eu estava sem nenhuma vontade de fazer 14 anos. (Eu adorei tanto meus 13 que eu simplesmente não queria que eles acabassem. E acreditem, 4 anos depois eu continuo ainda querendo ter 13.). Os posts nesse estilo faziam parte da coluna "Sobre", mas eu os mudei para um novo tipo de coluna, chamada "É só uma fase" - cliquem nela aqui do lado (>) para ler os posts antigos, mas eu desde já aviso que tem muita besteira lá (no dos 14 eu disse que não gostava da Meg Cabot e o dos 15 é basicamente sobre namorar - eu não sei que tipo de demência eu tinha na época).
Eu poderia totalmente ignorar essa história de como foram os 16 e simplesmente dizer o que eu espero dos 17, mas eu não quero fazer isso porque eu sei que muita gente aí que ainda não fez 16 está louco para saber como é ter essa idade. Eu sei porque eu tenho várias amigas que eram loucas para fazer 16 e brilhar (a maioria delas nasceu no mesmo ano que eu e descobriu como são os 16 junto comigo) e porque eu mesma tinha sérias esperanças que muitas coisas se tornariam mais mágicas quando eu fizesse 16 (tudo culpa de Hollywood). Então eu preciso falar sobre como são os 16 para guiar as garotas mais novas que eu. (Mas sério, jamais me usem como guia para nada).
Mesmo não tendo feito planos para os 16 anos, essa idade acabou sendo uma idade muito movimentada para mim. Muita coisa que eu não podia esperar aconteceu e eu fui forçada a amadurecer de formas que ninguém esperava. Eu me sinto uma pessoa totalmente diferente de quem eu era aos 15 anos, por diversos motivos, e apesar de grande parte deles não serem causados pela idade, eu sei que se eu fosse mais nova, tudo que aconteceu comigo me atingiria de uma forma diferente. Mas vamos por partes.

Vocês lembram desse filme? Eu lembro.
Uma coisa que eu ouvi muito quando estava para completar 16 foi sobre o milagre dos 16 anos, ou seja, como você magicamente fica mais bonita quando completa 16. Tudo que posso fazer para mostrar se isso é verdade ou não é contar o que aconteceu comigo: eu fiquei bem mais confiante sobre mim mesma. Muita coisa mudou. A diferença entre o peso que eu tinha quando completei 16 anos e agora que estou prestes a deixar essa idade, é de 26 quilos para mais e isso não é uma coisa ruim. Eu tenho depressão desde os 9 anos e como tinha crises de pânico envolvendo vômito com muita frequência, eu tinha certos problemas para comer, o que me impediu de ter um IMC maior que 18 entre os 14 e os 16 anos. Depois que eu me mudei de volta para a Bahia eu comecei o tratamento com a equipe (psicóloga e a psiquiatra) mais maravilhosa do universo e comecei a ganhar peso até chegar aos 25 de IMC que tenho atualmente.
Mas mesmo com a consciência de que isso não foi coisa ruim, ir dos 43 quilos aos 69 em alguns meses pode ser algo extremamente traumático para uma adolescente. De repente, eu perdi todas as minhas roupas e como não tinha dinheiro, precisei começar a usar roupas de outras pessoas. Eu comecei a ter problemas que eu não tinha antes como assaduras por andar muito, roupas machucando por estarem apertadas e até mesmo conhecidos dizendo que acharam que eu estava grávida! Como pouquíssimas pessoas nesse mundo conseguem ser positivas sobre ganho de peso, eu ouvi muitas besteiras e muitas piadinhas depois de engordar. Graças a Deus eu tinha crenças definidas sobre isso há muito tempo e me mantive presas a ela. Eu li muito - porque no meu caso só ler funciona - sobre autoconfiança e pessoas que aprenderam a amar seu exterior. Eu aprendi a gostar de coisas sobre mim. Eu aprendi a amar meu cabelo e cada dia mais uso ele solto. Eu sempre quis ser gordinha, porque ser gordinha para mim sempre foi sinônimo de ser saudável. Claro que tem muita gente que fala bosta até hoje, mas eu não me importo tanto assim. Eu já entendi que quem não passou os primeiros anos da adolescência doente não quer entender como quem passou se sente.
É basicamente isso mesmo: eu não magicamente fiquei mais bonita, eu aprendi a gostar mais de mim. Isso não vem com a idade, apesar de exigir maturidade. Você pode ter 40 e ser inseguro e ter 13 e extremamente ser confiante. É uma jornada própria, mas como ter ajuda é muito bom eu quero deixar o link do Não Sou Exposição para quem está passando por um momento de insegurança sobre a própria aparência e para quem apenas quer ler sobre. Eu tenho outros links também, mas esses outros sites são muito fortes então não quero colocá-los aqui, prefiro enviar para quem me pedir.

Outro filme sobre fazer 16 anos. E ele é mais realista que grande parte dos outros.
Outra coisa sobre antes dos 16 anos, foi o fato de eu estar me sentido supervelha. Isso passou bem rápido depois que completei essa idade porque eu comecei a lidar com responsabilidades para as quais não me sentia pronta. Por exemplo: eu precisei decidir o que faria da vida e de que formas eu faria. Apesar de querer fazer jornalismo desde os 13 anos, em vários momentos outras escolhas passaram pela minha cabeça. E mesmo sendo uma defensora fiel do fim dessa ideia de que a faculdade que você faz define o resto da sua vida (você sempre pode começar outra vez, sempre, e não há nada de errado em tentar várias opções antes de decidir o que você realmente quer), eu realmente fiquei morrendo de medo.
E mesmo que você esteja no 2º ano quando fizer 16 (como é normal), eu acredito que continue a ser assustador. O segundo ano é uma selva, é justamente quando as pessoas começam a enlouquecer a respeito do futuro que terão. Então eu acho que os 16 anos fazem com que você deixe de sentir uma criança velha e comece a se sentir um adulto infantil. Afinal de contas, com 16 você já está oficialmente na outra metade da adolescência: mais perto de ser legalmente adulta do que de ser legalmente criança (o simples pensamento é assustador). Mas é totalmente normal e aceitável ter medo não estar pronta aos 16 - e aparentemente 16 anos é só a primeira das muitas idades que você se sentirá assim.

Eu também estou mais próxima dos 30 do que dos 0. Shit.
Ano passado eu disse que 13 é uma idade fofinha, 14 é uma idade problemática, 15 é clichê e 16 é jovem adulto. Os 17 por sua vez são a idade das últimas chances. Geralmente, é a idade em que você está no terceiro ano e é sua última chance de curtir o clima de escola. Para muita gente, é o último ano na casa em que cresceram, o que significa que é a última chance de aproveitar as mordomias de morar com gente que cuida de você. É o ano das últimas chances.
Eu tenho ouvido muito que eu só vou poder fazer o que eu sonho quando eu tiver 18 (porque aparentemente muita gente acredita que ter 18 anos te faz magicamente mais maduro) e ao invés de continuar ficando irritada sobre isso, eu vou utilizar isso ao meu favor. Esse é o ano de fazer idiotices pela última vez (o que no meu caso significa não ter hora para dormir, porque eu sou superrebelde), de tentar coisas que eu não faria normalmente e se der tudo errado usar o fato de ainda não ser maior de idade para me defender. Eu disse que acredito que 16, 17 e 18 são as melhores idades que alguém pode ter. Eu ainda acredito totalmente nisso e mal vejo a hora de fazer 17. 5 dias e contando.
G.

P.S.: Esse post não era para ser um post com imagens, mas eu senti que deveria colocar porque eu sinto que o post precisa de pausas para quem está lendo respirar. Me digam o que acham.

07/02/2015

Os 4 anos de blog, por seus leitores

4 anos atrás eu finalmente resolvi publicar o primeiro post de um blog com título em homenagem a Pucca, no qual eu vinha trabalhando há alguns dias. Eu levei isso, este blog tão bobo, que já mudou de nome tantas vezes, tão a sério que foi ele que me fez desejar ser uma escritora publicada (eu já vinha escrevendo ficção havia algum tempo nessa época - eu comecei a trabalhar no meu livro meses antes de começar o blog) e decidir que queria cursar jornalismo, o que finalmente poderei fazer daqui a alguns dias. Esse blog cresceu comigo. Foi um retrato fiel de mim nos meus melhores e piores momentos. E é por isso que o dia de hoje, 7 de fevereiro, é tão importante para mim, ele marca o dia em que eu tomei uma decisão que dirigiu toda a minha vida nos anos seguintes.
Eu sei que, para 4 anos inteiros, este blog não é nem de longe tão popular quanto se esperaria, mas eu não me importo. Graças a ele, eu fiz amigos que eu nunca faria de outra forma (alguns deles estão aqui desde 2011 - por exemplo Amalia, Marcelha) , eu encontrei uma forma de me abrir, de me conectar com o mundo. Não é o blog mais acessado do universo, mas o fato de saber que algumas pessoas tiraram alguns momentos de suas vidas para ler o que eu escrevi aqui já aquece meu coração de uma forma tão incrível.
Mas mais do que as mudanças e a importância do blog na minha vida - sobre o quê eu já falo todo ano - eu queria, neste aniversário, mostrar o blog do ponto de vista de vocês, meus leitores. A forma mais simples que encontrei de fazer isso foi essa a compilação dos posts mais populares. Os mais visualizados e comentados. E como um extra, eu encontrei e tirei algumas fotos para completar meus posts preferidos. Espero que curtam.

10º: Legado
Para mim é muito importante que esse post esteja na lista dos mais acessados, porque esse post é muitíssimo importante para mim. Nele eu me abri e pela primeira vez falei livremente sobre a morte da minha mãe e as circunstâncias da minha mudança de volta para a Bahia. Ter esse pedacinho da minha alma nos posts mais populares é incrível.

"Quando me disseram que mais de mil pessoas mandaram textos falando sobre as marcas que ela deixou na vida deles, eu finalmente pude sorrir. "


9º: Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 2: 1ª entrevista para a TV, o jantar de despedida e outras milhas a percorrer...
Eu fiquei surpresa em ver um post do Diário de Bordo, e mais importante, do Diário de Bordo 4 na lista de mais acessados (e, como vocês poderão ver não foi só um, mas dois). Eu sei que o Diário de Bordo é o especial/coluna mais popular, mas eu não achava que nenhum post especifico teria visualizações suficientes para aparecer nessa lista. Esse post fala sobre minha primeira entrevista para a TV então é legal que ele esteja nessa lista.

"Eu disse que escrevia desde os 9 anos (quando eu comecei a fazer poesia - sim, eu comecei com poesia e só escrevi fanfic depois de 6 anos), e ele pediu para contar isso na entrevista."

8º: As Crônicas de Kat - Capítulo I
Me fez feliz em tantos níveis diferentes saber que o primeiro capítulo de As Crônicas de Kat é um dos posts mais acessados do blog. Pensem assim: são 4 anos e 303 posts e ainda assim o capítulo um de ACDK (que a parte onde a felicidade não bate do meu cérebro sempre diz que ninguém lê) entrou na lista de 10 posts mais acessados.

7º: Não é que eu não goste de pessoas, mas.. Ah não, é, é isso mesmo.
Esse post foi polêmico na época que saiu. Era para ser um post super sociológico do tipo que eu mostraria para o meu professor na faculdade, mas deu muito errado e acabou sendo sobre minhas opiniões políticas. Depois disso eu resolvi que nunca mais falaria sobre política no blog. Por isso eu não entendo porque ele está na lista dos mais populares. Podem ler ele e criar suas teorias sobre isso.

6º: I WANT YOU TO JOIN IN THE ARMY!
Lembra que eu disse que os posts mais populares são um reflexo do próprio blog? Então, esse post é um exemplo maravilhoso disso, ele é um clássico: um dos muitos projetos que nunca deram certo. Foram vários os projetos e ideias que eu comecei, mas não continuei. Esse post era parte do Make Some Noise, um projeto que pretendia divulgar o talento de pessoas que tinham medo de "aparecer". Era uma ideia legal, que eu queria continuar, mas nunca tive a chance. O post está nos mais populares provavelmente porque eu divulguei muito naquela época. Graças a esse post eu conheci alguns leitores que estão aqui até hoje também, por exemplo, a Lívya.

5º: ♡♡♡♡♡♡ 3 anos ♡♡♡♡♡♡
Quando eu tive a ideia de colocar os posts mais populares no post de aniversário e vi que o post do último aniversário estava na lista, eu ri. Eu me dediquei tanto a esse post de 3 anos que eu nem me lembro direito o que fiz nos anos anteriores. Apesar de sempre pensar em fazer sorteios ou algo do tipo para o aniversário do blog, eu sempre acabo fazendo a mesma coisa sempre: falando dos melhores momentos e destacando as coisas que eu mais gosto. Eu acho que a coisa do sorteio só vai dar certo quando meu livro for o prêmio.

4º: Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 3: Soteropolitana honorária
O segundo post do Diário de Bordo 4 na lista. Provavelmente porque minha irmã de Salvador divulgou o link e ele acabou se tornando uma corrente? Eu não sei.


Eu amo tanto esse post que se dependesse de mim ele seria o primeiro da lista de mais acessados. É um post leve, cheio de gifs e sobre um assunto que eu quase nunca falo, mas adoro escrever sobre: amor. E se isso não fosse suficiente, ele ainda tem participação especial de uma das pessoas que eu mais amo no universo: minha amiga Annie. Não há nada para não gostar nesse post, e fico feliz em saber que as estatísticas dele concordam com isso.

"Ou seja, só vale apena abrir mão da segurança da solteirice e colocar meu coração em perigo por alguém que sinta exatamente a mesma coisa que eu. "

2º: you shouldn't be here tonight..
De todos os meus contos, eu não imaginei que you shouldn't be here tonight fosse ser o conto mais acessado - e ainda por cima o segundo post mais lido! Eu escrevi esse conto na fase inicial do meu amor por literatura gótica e queria escrever um conto gótico que se passasse na única catedral gótica que eu conhecia (A Catedral de São Pedro de Alcântara em Petrópolis - não é tão óbvio, mas a história se passa lá). Ele ficou bom, mas eu sempre achei que as pessoas me achassem totalmente maluca por escrever esse tipo de coisa então nunca esperaria que de todos os meus contos justo o gótico, que introduziu Kat ao blog e a minha vida, seria o mais acessado.

"Então Olívia assente. Fecha os olhos. Espera. Não consegue ver o sorriso de Kat. Se concentra no som da chuva. Sente duas agulhas perfurando sua pele. Implora pra que termine logo."

E o vencedor absoluto e disparado (a diferença entre as views desse post e as de you shouldn't be tonight é de 380 visualizações - 380!!!) não é surpresa nenhuma, afinal, a própria Carolina Munhóz compartilhou o post em setembro de 2013, trazendo mais leitores do que eu jamais poderia esperar. Foi muito legal porque foi um post meu que chamou atenção de uma das escritoras mais populares do cenário brasileiro atual. Alguns dos leitores que conheceram o QaMdE (que naquela época se chamava as crônicas de g - tudo minúsculo mesmo) nessa ocasião também ainda leem o blog até hoje.

E é isso. São dez posts importantes por motivos diferentes. Como vocês viram, muitos me surpreenderam por causa da minha natural insegurança, mas todos me deixaram feliz por estar nas colocações que estão.
Foram 4 anos maravilhosos, que só foram como foram porque meus leitores estão aqui. Obrigada por aguentar minhas manias, minha procrastinação, os cinco nomes diferentes e as seis urls diferentes. Obrigada por cada comentário, por cada visualização. Não tem nada mais importante para mim do que o fato de meus leitores serem meus amigos e meus amigos serem meus leitores. Espero que as coisas continuem assim mesmo depois que eu for uma autora publicada. Finalizando, deixo a nota que a Annie mandou para vocês mais cedo:

Podem responder, eu deixo.
G.

03/02/2015

Diário de Bordo 4 - Me descobrindo - Parte 9: Eu realmente tenho faculdades para estar na faculdade?

Ok, então eu acabei de voltar de um dia supercheio que selou de vez o mesmo destino que alguns meses atrás eu não tinha certeza de como seria. Tradução: EU FIZ MINHA MATRICULA NO PRIMEIRO PERÍODO DA FACULDADE DE JORNALISMO!!!!111!!! Mesmo que as coisas não tenham saído do jeito que eu queria inicialmente, eu estou muito feliz com como elas estão no momento. Deixa eu explicar: eu ainda não vou morar no Rio este ano. Não passei na primeira chamada das universidades de lá e como minhas colocações foram mais ou menos 252º de 13, 96º de 27 e 316º de 16, eu duvido muito que passe nas próximas. Isso não quer dizer que eu desisti, naturalmente, mas que eu vou ter que estudar pelo menos um ano na Bahia ainda porque eu pelo menos PASSEI EM SEGUNDO LUGAR NO VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA!! Mas deixa eu contar tudo do início.
Como quase todo mundo sabe eu sou baiana, mas morei por 4 anos no Rio de Janeiro (um ano no interior e três na capital). Quando a minha mãe morreu, em abril do ano passado, eu precisei voltar para a Bahia para morar com meus avós, a contragosto, mas não pude fazer muita coisa a respeito. Ficou combinado que isso seria apenas uma ação emergencial durante 2014 e que se eu passasse no vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, fariam de tudo para que eu pudesse voltar a morar no Rio em 2015. Muita confusão depois eu prestei o Enem, fiz as três provas da Uerj e me inscrevi também no vestibular daqui para ter um plano B. No post em que expliquei as mudanças que aconteceram, deixei claro o que queria para o meu futuro:
"Mês que vem eu volto no Rio, para fazer o vestibular da UERJ. Vou fazer o ENEM também e tentar para a UFRJ e talvez até a UFF. Se não der certo, a Rural. Também vou fazer dois vestibulares daqui (um deles já é dia 18!!!), mas é mais como uma garantia. De verdade, se eu perder nas de lá e passar nas daqui, eu entro aqui, mas tento pra lá ano que vem pra de novo e no ano seguinte e no seguinte até terminar a faculdade aqui ou passar para lá.
Eu amo a Bahia. Tenho muito orgulho de ser baiana, amo esse povo lindo demais, nunca quis nem perder o sotaque. Mas acredito que algumas coisas são feitas para permanecerem apenas na memória, sendo lembradas com saudade ou com a certeza de que foi tudo uma boa lição. Vitória da Conquista é uma dessas coisas. Por isso tento me adaptar, mas faço isso com a certeza de que isso tudo é temporário."
Como não passei para o Rio, mas passei para cá, o plano segue o mesmo: passarei os próximos anos tentando voltar. Eu ouvi algumas coisas sobre transferências entre universidades públicas e pretendo tentar isso ano que vem, até porque já terei 18 anos, o que deixará as coisas mais fáceis. Mas, por enquanto, eu começarei a faculdade de Jornalismo aqui, na mesma universidade que minha mãe estudou. Mesmo estando feliz com isso, eu fico um pouquinho revoltada em pensar que eu fiquei em 2º lugar para uma faculdade cujo vestibular eu quase não fiz e fiquei em 252º lugar em uma faculdade para qual eu me esforcei muito (e gastei uma grana preta em passagem para prestar vestibular), mas a vida tem dessas coisas mesmo.
Como todo mundo sabe que eu chutei boa parte da prova eu fico com medo das pessoas acharem que eu estava nem aí para o vestibular da UESB, mas não é bem verdade. Realmente a UESB não era a minha primeira opção de faculdade e eu estava exausta quando fiz a prova, mas eu me esforcei nela também (ninguém tira 9 em uma redação de vestibular sem se esforçar, né amiguinhos?) e eu acho meu 2º lugar, de certa forma merecido, apesar de não saber como ele aconteceu.

Gif aleatório para quebrar a tensão porque eu realmente não tenho imagens para usar nesse post.
Hoje eu finalmente fui fazer minha matrícula e posso ser considerada oficialmente uma estudante de jornalismo (*sussurra gritando* AIMEUDEUS). O processo da matricula é complicado e cada faculdade lida com isso de um jeito. Minha própria faculdade tem uns três jeitos diferentes para os aprovados no vestibular, no Sisu, transferidos, etc. Deixa eu explicar o processo da minha matrícula, como estudante aprovada no vestibular: é foi dividida em duas partes a pré-matricula, onde a gente leva os documentos básicos para fazer o requerimento e para a faculdade saber se está tudo em ordem, e a matrícula definitiva, onde a gente assina os documentos, organiza os últimos detalhes, é colocado na turma definitivamente, pega a grade e etc.
Quando eu fui fazer a pré-matrícula, dia 27, minha tia e minha irmã foram comigo. Minha tia tinha estudado lá e foi me mostrando onde ficava cada coisa, o que me ajudou muito hoje. Nesse dia nós inclusive passamos pela creche da faculdade, que é para os filhos dos alunos, onde eu passei boa parte dos meus 2 primeiros anos de vida. Não foi necessariamente naquela creche, mas em uma mesma instituição de outro campus. Ainda assim é bizarro demais pensar que eu frequentei aquela creche quando era bebê e agora frequentarei a faculdade responsável por ela.
Hoje eu fui finalizar a matrícula cedinho. Quase não cheguei, porque hoje aconteceram três paralisações das linhas de ônibus, o que vem acontecendo aqui ha alguns dias. Mas cheguei e fiquei maravilhada por ter me virado muito bem sozinha no campus. Eu fiquei encantada com aquele lugar, mas parando para pensar não tem nada lá que não tenha em todos os outros campus de universidades do mundo. Eu andei para caramba, porque um erro no meu nome fez eu ter que repetir um dos processos da matrícula. Conheci o professor de Oficina de Radiojornalismo (matéria do 5º semestre) que instruiu a gente a não faltar a primeira semana de aulas por causa do mito de que primeira semana de aula não tem aulas de verdade e ainda deu a mim especificamente as boas vindas à faculdade e também conheci umas 5 pessoas da minha turma. Minha primeira impressão foi legal porque puxaram papo comigo a gente conversou um pouquinho, descobri inclusive que apesar de ser adiantada, eu (como em todos os meus anos de estudo exceto o 8º ano) não sou a mais nova da turma (sempre tem gente que é mais nova por causa de meses) Mas, depois de alguns minutos, eles se fecharam em um grupinho, ficaram conversando apenas entre si e eu até descobri que já existe um grupo no WhatsApp da turma de caluros de jornalismo da faculdade do qual eu não faço parte porque sou excluída. Mas OK, sem depressão, isso foi só o um dia, não posso taxar as pessoas definitivamente, ou achar que serei excluída eternamente. Além disso 5 pessoas são, o quê, 1/10 da turma? 
De qualquer forma, minhas aulas começam no dia 23, ou seja, eu ainda tenho 20 dias de férias, meu aniversário no meio deles. No 1º período, eu terei aula de português instrumental, sociologia geral e da comunicação, história da comunicação, metodologia científica, redação jornalística e comunicação e filosofia. Minhas aulas serão de manhã e no horário de 7h30 a 12h40, mas na maioria dos dias eu não terei todas as aulas. A faculdade é do outro lado da cidade o que quer dizer que, na hora do rush, eu levarei uma hora até lá. Eu estou animada, ansiosa até. Quando as aulas começarem, o último post do Diário de Bordo 4 será sobre meu primeiro dia de aula, como eu tinha prometido à Mar.
Mas, até lá, ainda existe muito chão para caminhar.
G.

P.S.: O próximo post é o de aniversário do blog (que é neste sábado!!!!!). QUEM TÁ ANIMADO AE? EU TO.