19/09/2015

XVII Bienal do Livro Rio: Parte 2

OLÁ, BRASIL! Como anunciado e prometido, este é o segundo da série de 3 posts sobre a Bienal do Livro de 2015 - primeiro pós-Bienal. A viagem toda foi tão maravilhosa que vocês podem esperar por dois posts cheios de felicidade e amor. Eu me encantei ainda mais pela Bienal do Rio este ano do que em 2011, primeira vez em que fui. O evento superou todas as minhas expectativas e olha que elas já eram bem altas. E aparentemente superou as expectativas da mídia também, já que houve certa surpresa com o número de visitantes e com o crescimento de 18% nas vendas em comparação a 2013. Como eu disse no pequeno resumo que postei no Instagram, foram 3 dias, 4 autógrafos, 13 livros, 16 ônibus, 50 marcadores (apesar de que olhando parecia ser um número bem maior) e 100 fotos (mesma coisa, eu senti que tinha tirado muito mais - mas isso é meio que bom, porque eu não poderia postar todas as fotos). Eu encontrei 3 autores, só entre os que eu leio, porque entre os que só tinha ouvido falar foram dezenas. Mas eu vou falar de tudo dia por dia, vamos começar em ordem cronológica.
No primeiro dia, ou seja, dia 10 (este post será no estilo dos do Diário de Bordo, então pode ficar um pouco descritivo) eu fui com minha prima e precisei acordar às 6h30 porque o lugar em que eu fiquei hospedada era beeem longe do Riocentro (centro de convenções onde acontece a Bienal do Rio todos os anos) e eu queria curtir desde o começo. Eram 3 ônibus na ida e 3 ônibus na volta, mas apesar de pegá-los cheios e ter enfrentado diversos engarrafamentos (rush matinal, etc), no primeiro dia eu estava animada e ansiosa demais para me importar. Cheguei ao evento às 10h20 (de segunda a sexta o evento começava às 9h) e como já tinha o os ingressos na internet, entrei e fiquei esperando por minha prima lá dentro. Tudo feito, eu comecei a explorar.

Todas as fotos deste post especificamente foram tirados pela minha talentosíssima prima, Larissa.
Eu sempre começo pelos lugares que eu considero mais importantes, antes de explorar tudo, porque não sou nada boa em conter ansiedade para ver tudo com calma. Os estandes mais populares da Bienal do Rio ficam no Pavilhão Azul (o que é algo que eles vão ter que mudar aos poucos se o público continuar a aumentar a cada ano) (o Riocentro tem 4 pavilhões, se eu não me engano, mas para a Bienal são usados 3: o Azul, o Verde e o Laranja) e são sempre os mais cheios, mas também os mais interessantes, então é óbvio que eu comecei por eles. Este ano a maioria das editoras estava com 20% de descontos nos livros em seus estandes oficiais e como comprar livros nos estandes das editoras é BEM mais legal, eu aproveitei que era meu dia de fazer pesquisas de preço e fui fuçar todas atrás dos melhores preços e das melhores promoções. Não fui decepcionada, com raras exceções os preços estavam muitos bons - não ótimos, mas dadas as circunstâncias já tava bom demais. Até o estande da Rocco, que foi minha frustração nos dois últimos anos de Bienal estava muito satisfatório. (Eu até tive uma ataque de fangirl porque tinha 3 livros da Margaret Atwood - autora de Oryx e Crake - lá e eu não estava esperando por isso).
Comecei a anotar valores e fazer comparações, porque já que tinha deixado minha wishlist em casa, precisava fazer uma nova de acordo com os preços e com o eu queria e podia comprar lá. Aproveitei também para pegar muitos marcadores já que tinha prometido que ia levar para quem ficou em casa. Eu não tinha muito além do conhecimento de território planejado para o dia 10, então o dia basicamente se resumiu em conhecer os estandes - e aproveitar para tirar fotos no Trono de Ferro e em outros espaços legais. Estava tudo muito cheio, principalmente com crianças nas visitas escolares, mas não de uma forma insuportável: uma coisa que me surpreendeu positivamente é que apesar de o público ser bem maior, não houveram os mesmos problemas da Bienal de 2013, que teve direito a pisoteamento no dia dos autógrafos com o Nicholas Sparks. A nova organização de alguns auditórios e salas de autógrafo, além da Central de Distribuição de Senhas ajudou e muito no que diz respeito à superlotação e organização (por isso eu disse que se o evento continuar crescendo, serão necessárias mais mudanças nas localizações, já que não existe um centro de convenções melhor para a Bienal que o Riocentro). A organização da Bienal do Rio merece todo respeito e parabenização do mundo por isso.
Fui com minha prima em quase todos os estandes dos três pavilhões e eu, particularmente, achei que os estandes estavam mais simples do que os dos últimos anos, com foco exclusivo nos livros e sem muito entretenimento. Ainda estavam lindos, mas por exemplo, em 2013, o estande da Companhia das Letras (grupo editorial da editora Seguinte) tinha uma arara de vestidos d'A Seleção disponíveis para quem quisesse tirar fotos (eu ainda não tinha lido A Seleção na época, então não tirei) e este ano nenhuma editora grande tinha nada do tipo, exceto a Leya, com o Trono de Ferro, que tinha filas enormes para foto. Porém, marcador de graça (porque em muitos estandes você tinha que comprar pelo menos um livro para ganhar marcador) era algo que teve em uma quantidade bem maior que nos últimos anos.
Eu sinto que é bem chato ir comigo a esse tipo de evento, porque eu sou ansiosa e apaixonada pelas coisas mais estranhas possíveis. Também to sempre fangirlando e apesar de não gritar de verdade aquele meme do *screams internally* resume minha existência. E falando em fangirlar, foi também no primeiro dia que eu acabei encontrando um autor e ilustrador que eu admiro pacas e completamente sem querer. Eu sabia que a editora dele estava lá e que ele provavelmente iria também, mas tinha esquecido completamente que existiam chances de ele estar lá até passar pelo pavilhão verde e reconhecê-lo no estande da Aquário Editorial. Estou falando do Estevão Ribeiro, escritor e criador da página Hector e Afonso - Os Passarinhos no Facebook. Eu venho admirando esse cara desde o começo de 2014 e tinha até alguns dos livros dele na wishlist, mas não consegui encontrar nenhum. Para quem não sabe, eu sou completamente apaixonada por páginas e blogs de tirinhas e uma que é sobre um passarinho que é escritor me encantou completamente logo de cara. Eu até já coloquei tirinhas dele em dois posts aqui do blog: O guilty pleasures (que é sobre fazer personagens e leitores sofrerem) e o 60 razões para escrever. Então, após reconhecê-lo, eu passei alguns minutos lutando contra meu próprio cérebro (porque, como ficou provado nesta Bienal, eu na frente de pessoas que eu admiro me torno basicamente uma batata, que não consegue nem dizer o próprio nome direito)(eu realmente preciso trabalhar isso) finalmente pedi uma foto explicando que seguia a página d'Os Passarinhos há algum tempo. Ele então procurou algum produto d'Os Passarinhos no estande, mas como não encontrou nenhum, fez o desenho abaixo, com um autógrafo:


Eu sinto que uma das melhores partes da Bienal do Livro é justamente a chance de conhecer vários autores que você gosta em um evento só e muitas vezes pessoas cujas chances de você conhecer em outras situações são bem pequenas. Este ano em especial eu senti que o contato entre escritor e leitor foi uma das partes mais importantes do evento. Os escritores nacionais estavam em todos os cantos, dando autógrafos, divulgando seus livros, tirando fotos. E os internacionais puderam se relacionar com os leitores de uma forma bem mais organizada. O fato de que as filas em um evento sobre livros só crescem e que as pessoas agora são tão frequentemente fãs de escritores quanto são de atores e cantores me deixa muito feliz mesmo. E eu não me importo nem um pouco com essa história de que "ler virou modinha". As pessoas estão lendo! E ler é uma das poucas coisas no mundo que sempre possui algum efeito positivo, independente dos motivos que levaram as pessoas a fazê-lo.
Eu ia falar de um pedaço do 2º dia (também conhecido como o dia das compras/guerra) ainda neste post, mas ele acabou saindo um pouco maior do que eu pensava, então eu vou juntar tudo na última parte - mas não se preocupem, não vou deixar de contar nada. Vejo vocês em algum momento da semana que vem, quando eu não estiver atolada com trabalhos da faculdade ou estiver procrastinando os mesmos.
G.

09/09/2015

XVII Bienal do Livro Rio: Parte 1

Este post deveria ter saído antes da Bienal começar, mas tretas acontecem e aqui estamos. Eu já estou no Rio de Janeiro me preparando psicologicamente para o dia de amanhã, o primeiro dia dos 3 que passarei aproveitando a 17ª edição da Bienal do Livro do Rio. (Originalmente eram 4, mas eu abri mão de ir hoje para me livrar de qualquer coisa que tivesse para fazer e para poder curtir o evento completamente nos próximos dias). Eu não consigo começar a descrever como eu estou ansiosa para a Bienal - eu sou menos uma pessoa e mais uma bolha de ansiedade no momento. Eu tenho planejado essa viagem há um ano (primeiro como uma possibilidade, depois como uma certeza) e é justamente por isso que eu preciso aproveitar o evento inteiro ao máximo.
A "cobertura" da Bienal do Rio aqui no blog aconteceu em 2011 e em 2013 com posts correspondentes ao número de dias que fui ao evento em cada ano. Assim sendo, este ano ela será dividida em 3 posts: este, sobre o que eu pretendo fazer no evento e mais outros dois, cada um contando sobre o que aconteceu em partes. Eu não tenho certeza de quando cada post sai, mas provavelmente serão nas próximas duas semanas. Eu quero contar tudo, em detalhes e com muitas fotos (O máximo possível, já que em 2011 eu não tirei fotos e eu perdi todas as de 2013). Além disso, eu naturalmente estarei falando muito do evento no Twitter, Instagram (ambos giuliasntana - inclusive, esse é meu user no Spotify também, caso vocês queiram me seguir) (sim, acabo de fazer propaganda do meu Spotify - ME SIGAM LÁ) e no Snapchat (que é público e cujo user é hurtsjustright), até mesmo ao vivo, se Deus quiser e o 3G permitir.
Este então é o post sobre o que eu pretendo fazer na Bienal. Eu fiz uma lista explicando tudo. Eu estou no Rio há um pouco mais de 24 horas e até agora tudo que deu tempo de fazer foi perceber o quanto eu sentia falta das coisas daqui. Tirando a leve ansiedade que deu pra pegar ônibus (como se em algum momento eu tivesse parado de pegar ônibus), foi maravilhoso dar uma volta por lugares que eu já conhecia e ver o que mudou e o que continua o mesmo. Mas deixando meu amor imortal e imorrível pelo Rio de Janeiro de lado (ou eu vou ficar aqui falando para sempre), falemos sobre o que eu planejo fazer pelos próximos dias.



Quais dias eu estarei na Bienal:
Dos dias 10 a 12/09 eu irei todos os dias em diversos horários. Se alguém quiser me encontrar lá (porque vai que né), é só entrar em contato comigo pelo Twitter ou pelo Instagram (de preferência com várias horas de antecedência) pra gente marcar um ponto de encontro.

O que eu pretendo fazer:
Além de ir a palestras (em especial a sobre Jornalismo Cultural no dia 11 e a do Rio 450 anos com a Mary Del Priore no dia 12), sessões de autógrafo (Carolina Munhóz outra vez, também no dia 12), comprar livros e fuçar todo estande possível e impossível para ganhar qualquer brinde que esteja disponível, a tatii (e falando em tatii, ela fez um post com 4 coisas para fazer na semana da Bienal, para todo mundo que não vai na Bienal este ano) me deu indiretamente a ideia de imprimir um conto, colocar uma propaganda do blog no fundo e distribuir ao máximo de pessoas possível, tentando chamar atenção para o blog e para os meus textos. É algo bem simples e eu acabei me dando conta de que seria ótimo. Já passou muito da hora de tentar conseguir o máximo de visibilidade possível principalmente em preparação para a publicação de Mais Uma Vez. A questão é que eu não tenho certeza de se isso vai dar certo, porque eu até imprimi o conto (é Infelizmente, Rio, eu te amo, que inclusive, eu li em sala de aula na semana passada. Eu fiquei cheia de vergonha, mas no final eu nem lembrava o que estava fazendo, apenas foquei em ler o conto. E isso foi bem legal.) mas ia fazer 20 cópias aqui para distribuir no evento, só que meu orçamento da viagem sofreu um pequeno baque hoje cedo. Logo, eu não sei se vou conseguir levar. De qualquer forma, eu juro solenemente falar sobre o blog a qualquer pessoa que eu conhecer no evento. Até porque eu definitivamente vou falar com desconhecidos na Bienal. Aham. Com certeza.

Quais livros eu quero comprar:
Escutem só essa: Eu fiz uma wishlist com 14 livros, sendo 7 deles nacionais. Ela estava toda bonitinha, com os livros listados em ordem de prioridade, com os nomes das editoras e os grupos editoriais separados por cor. Só que aí eu deixei ela na Bahia. Eu sou muito esperta.
De qualquer forma, eu tenho na cabeça os livros que eu mais quero e ainda assim só vou comprar se estiverem com preços bons e/ou acompanhados por brindes. Afinal, esse é o sentido de ir para a Bienal, certo? Os brindes. Eu perdi vários nos últimos anos e neste eu não vou deixar isso acontecer. Os planos são ir amanhã para reconhecer território e fuçar estandes e ir na sexta para matar... Digo, para comprar os livros com as melhores condições possíveis. O único livro que eu tenho certeza absoluta que vou comprar é o Por Um Toque de Ouro da Carolina Munhóz, porque eu deixei ele separado na listinha pra poder comprar na Bienal.

Para o quê eu estou mais animada:
A palavra certa seria ansiosa, mas definitivamente as palestras do Café Literário. Eu nunca fui a nenhuma, mas neste ano os temas delas me interessavam tanto que minha vontade de ir superou qualquer coisa.

Pode ser a dor de cabeça, mas não consigo lembrar mais de nada que eu queria dizer sobre a Bienal agora. Qualquer dúvida que vocês ainda tenham, podem deixar nos comentários que eu tentarei responder assim que tiver tempo. Os próximos dias serão bem cheios, mas eu não desejaria nada além disso.
G.

P.S.: Já que tinham me perguntando sobre a faculdade: Olha, eu estou completamente ferrada semana que vem, mas não desistiria da Bienal de jeito nenhum, assim como não pretendo desistir do NaNoWriMo (mais sobre isso depois).

06/09/2015

Coisas sobre as quais nunca falamos: depressão

Bem-vindos a um outro post sem meu bizarro senso de humor. Outra vez este é um post que está com uma semana de atraso, mas eu estava com tanta coisa para fazer e os posts do "Coisas sobre as quais nunca falamos" são tão difíceis de escrever que eu realmente espero que vocês me perdoem. Como eu disse da última vez, se você quiser um post normal do blog, tem sempre a semana que vem. Eu pensei muito a esse respeito e precisava escrever sobre isso agora. Antes de começar eu tenho dois avisos: este post não busca ajudar pessoas passando por esta situação, é apenas um relato da minha história, sem aquele clichê de que "tudo fica melhor", mesmo que no fim, tudo fique melhor. O segundo aviso, na verdade, é um pedido - e não é a primeira vez que eu peço isso: apesar de estar super animada com a ideia de receber comentários compartilhando histórias e dizendo o que acharam do post, eu realmente peço que ninguém me envie mensagens do tipo conselho ou consolo. Isso não é um pedido de ajuda e eu estou indo muito bem, eu só quero mostrar uma outra parte da minha alma que eu nem sempre mostro.
Apesar de meu eu de 14 anos não considerar isso nunca, hoje em dia eu não me importo muito em falar sobre depressão. Falo até com pessoas que mal me conhecem. Várias pessoas nem acreditam em mim quando eu digo que tenho, o que é até fácil tendo me conhecido recentemente. Um pouquinho mais difícil se você me conheceu ou até mesmo começou a ler o blog dois ou três anos atrás. Eu só fui diagnosticada aos 14 anos e não posso ter certeza, mas que eu me lembre os primeiros sintomas da depressão surgiram aos 9 anos. Quando eles surgem, geralmente a gente associa a outras coisas: existe sempre uma ou outra situação que possa explicar a tristeza profunda, ou uma ou outra doença que pode ser culpada pelas crises de pânico que levam a enjoo. Quando se torna muito frequente, porém, se qualquer pessoa estiver prestando atenção nota que tem algo errado e que não é de origem orgânica.
Essa história de "origem orgânica" foi algo que eu ouvi muito nas 5 vezes que eu fui internada em 2012. Entrava com desidratação, enjoando e sem comer há mais de 12 horas, fazia um exame de sangue e ouvia de volta: "Você não tem nada de origem orgânica". Era um código para com certeza é algo de origem psicológica. Se você bate o olho em uma garota de 14 anos, 1,65 metro e 42 quilos com sintomas de problemas psicológicos, a primeira coisa que você pensa é: anorexia. Mas eu não tinha nenhuma distorção na forma como via o meu corpo, nem provocava vômito, nem queria emagrecer, pelo contrário, ser tão magra me irritava e eu queria ganhar peso e odiava não conseguir terminar uma refeição simples. Por outro lado, eu tinha crises de pânico longas que me faziam vomitar por horas consecutivas e até só ter saliva pra pôr para fora e isso me levava a evitar comer muito, então minha relação com a comida passava longe de ser saudável. Por isso hoje em dia eu levo comida e meu corpo tão a sério. Também é por isso que eu odeio que qualquer pessoa venha dar suas opiniões sobre o assunto. Se você não está na minha pele e nem é um especialista que eu consultei pessoalmente, não é da sua conta.


No último semestre de 2012, minhas crises de pânico começaram a ficar mais frequentes. As crises de choro também. Eu fiz todo tipo de exame possível e impossível. Nenhum dava nada. Mesmo muito abaixo do peso, eu não cheguei a ter nem anemia. Os exames psiquiátricos, por outro lado, eram adiados. Eu me recusava a acreditar que tinha depressão, porque para mim isso significava ser fraca. Graças a Deus, minha resistência foi quebrada aos poucos: eu queria tentar qualquer coisa que me impedisse de ir ao hospital fazer exames de sangue que não dariam em nada todo mês. Os motivos para que me sentisse fraca por ter depressão desapareceram na primeira sessão de terapia. Muito do que eu sentia e do que acontecia comigo há muito tempo começou a fazer sentido e eu pude corrigir muita coisa. Fui encaminhada a um psiquiatria e comecei o tratamento com antidepressivos logo depois.
Eu realmente queria poder dizer que o tratamento deu certo e eu deixei tudo para trás em 2012, mas não foi tão fácil assim. Eu fiz quase 6 meses de terapia e 4 de tratamento com remédio, mas não saí disso de forma correta. O psiquiatra acabou saindo caro demais para o orçamento da família e depois que a psicóloga me deu alta rápido demais, eu acabei parando de tomar os dois remédios que tomava abruptamente. Eu realmente acreditava que estava bem e não tinha motivos para voltar lá. Apesar de ter gostado muito da minha primeira psicóloga, hoje em dia eu fico chateada em pensar em como ela foi irresponsável. Ela me deu alta simplesmente porque "se eu não tinha tempo para a terapia, não era mais prioridade, então eu estava bem", nas palavras da própria.


A princípio parecia tudo normal, mas depois de um tempo eu voltei a ficar profundamente triste com frequência. Meus pensamentos também estavam meio fora de controle. Eu sempre digo que chorei durante o 2º ano do ensino médio inteiro e é uma verdade muito mais verdadeira do que qualquer pessoa acredita. Foram raros os dias letivos do 2º ano em que eu não chorei durante boa parte da aula, apesar de só me lembrar de alguém na sala ter percebido isso duas vezes (as vantagens [???] de ser a aluna quietinha da sala). A situação inteira era horrível e agravada por várias coisas, mas pelo menos eu não tive nenhuma crise de pânico séria (ou seja, a ponto de me levar ao hospital) em 2013, então parecia algum tipo de avanço.
Só que em janeiro de 2014, eu tive a pior das crises de pânico de todas. Fui ao hospital e não adiantou nada. Geralmente quando eu ia ao hospital vomitando me davam Bromoprida na veia, só que um dos efeitos colaterais da Bromoprida é deixar a pessoa que toma agitada, o que sempre deixava minha crise de pânico pior. Voltei pra casa e passei muito tempo na cama, com as mãos dormentes e o coração disparado. Eu ficava fazendo o exercício respiratório que me ensinaram (inspira, conta até três, respira), mas nem isso funcionava. Fiquei assim até a noite, e levei muito tempo para dormir. Passei cerca de 3 dias só comendo uvas, porque qualquer coisa maior me fazia enjoar e eu ficava morrendo de medo de vomitar tudo e ficar com a pressão baixa outra vez. Depois disso, a gente decidiu que eu precisava voltar ao psiquiatra imediatamente. Conseguimos achar só um coberto por nosso plano, bem longe de onde eu morava, mas fomos mesmo assim. Só fiz dois meses de tratamento com esse psiquiatra antes de me mudar de volta para a Bahia.
A última crise de pânico séria que eu tive foi no dia em que minha mãe morreu - depois disso, só algumas que conseguiram ser controladas com os exercícios respiratórios. Eu sinto que a morte dela foi o que me empurrou para sair da depressão de uma vez por todas - e parte muito meu coração que ela nunca tenha podido me ver bem outra vez. Quando eu me mudei para cá, eu acabei conhecendo as melhores psicóloga e psiquiatra do mundo. Elas são o lado bom da minha mudança pra cá, porque é tão difícil encontrar a equipe perfeita para te ajudar a melhorar de uma depressão. Estou em tratamento há um ano e meio e fazendo tudo direitinho dessa vez. Já comecei o descontinuamento do remédio, aos pouquinhos, como tem que ser, mas ainda não estou totalmente livre.
Eu ainda fico triste, mas não é nada que me domina e me tira a vontade de fazer qualquer coisa. Eu continuo me observando e lutando contra certos pensamentos ruins. Às vezes eu até tenho crises de pânico, quando confrontada com coisas que me deixam nervosa, mas elas são tão raras e fáceis de controlar que eu acho que pode-se dizer que não são muito importantes. O mesmo é válido para os dias ruins.
G.