31/12/2015

Retrospectiva 2015

BEM-VINDOS à Retrospectiva 2015 do Quebrei a máquina de escrever (eu não sei porque toda vez que eu digo "retrospectiva" eu ouço a música do Plantão da Globo. Nem é a da Retrospectiva, é a do Plantão)!! Eu normalmente posto retrospectivas depois das dez da noite no horário de Brasília (porque é quando o dia do Blogger muda e eu calculo quantas visualizações o blog teve no ano), mas vamos ser justos, nesse horário ninguém vai estar na internet pra ler post de blog. Antes de começar, eu provavelmente deveria avisar que esse post atinge níveis bem altos dos velhos clichês de fim de ano, então se você não está no clima, não recomendo a leitura.
É bem estranho finalmente publicar este post, porque eu venho trabalhando nele há meses. Este parágrafo mesmo, foi originalmente escrito em setembro. Durante o ano eu conseguia me sentir mudando de tantas formas diferentes que eu pensava "Deixa anotar isso aqui logo, pra lembrar depois". Eu disse isso para umas três ou quatro pessoas e soa meio viajado, mas eu senti que 2015 foi um ano em que as semanas se passaram como meses e que os meses se passaram como dias. Faz algum sentido? Eu me conheci de uma forma que eu nunca esperaria acontecer nem em mil anos, quanto mais em um só. Me sinto como uma pessoa completamente diferente e o estranho é que nada de significativo mudou no exterior. Eu realmente não acredito que hoje é o último dia do ano, acho que amanhã simplesmente acordarei em negação. Por toda a reclamação nas redes sociais (aliás, quase normais em fim de ano), eu me senti a única pessoa que gostou de 2015. Foi louco, cansativo e até triste algumas vezes, mas cada parte disso me ensinou alguma coisa. Se eu tivesse que resumir meu 2015 em um gif, provavelmente seria:

Esse gif evoca I Will Survive tocando no fundo.
Quer dizer, é claro que eu faria algumas coisas diferente se pudesse, mas eu não estou triste por não poder. Todas as coisas que eu fiz este ano acabaram valendo a pena, mesmo as mais ridículas. Em 2014, em meio a algumas das situações mais horríveis da minha vida, aconteceram muitas coisas boas, mas eu me sentia como se estivesse prendendo a respiração, esperando mais alguma coisa horrível acontecer. Em 2015, eu senti que tudo tinha voltado ao normal, com dias péssimos e dias maravilhosos que eu pude viver em seus extremos. Às vezes tudo que eu preciso é de normalidade. Mas chega desse blá, blá, blá. Vocês querem saber como foi meu ano né? Provavelmente não, mas vamos lá. As retrospectivas aqui geralmente são um pouco sobre como foi o ano no blog e como foi o ano na minha vida e este ano eu DEFINITIVAMENTE tenho muita coisa a contar. E como eu pareço estar viciada em tópicos, vai ser tudo em tópicos.
No primeiro post do ano, eu disse que não iria estabelecer nenhuma meta para o ano de 2015 e que ia parar de criar listas de "objetivos" porque "ao fim de 2015, eu não quero pensar em todas as coisas que eu não consegui fazer, eu quero pensar em todas as coisas que eu fiz.". Eu sempre tive essa mania de criar metas e ficar chateada por não conseguir cumprir todas quando o ano acabava porque "eu tive um ano inteiro e não consegui". Percebi que isso me fazia relevar várias outras coisas incríveis que aconteciam, mas eu não valorizava porque não eram tão importantes quanto as metas. Além disso, toda vez que eu digo que "vou fazer", eu acabo não fazendo. Ou eu faço sem dizer nada, ou não faço. Pois bem, aqui vai a lista de

Coisas incríveis que eu não esperava, e não eram metas, mas que aconteceram em 2015*:
*Em ordem de importância.
Escrevi outro livro
Escrever três livros anula a parte do ter um filho e plantar uma árvore? De qualquer forma, A Linha de Rumo continua sendo minha maior realização este ano. Eu já tinha escrito os dois primeiros livros da trilogia Sociedade Inglesa de Oposição, mas como eu disse mil vezes, escrever ALdR foi diferente porque eu nunca me senti tão conectada ou apaixonada por uma história. O texto fluiu e eu consegui escrever o primeiro rascunho do livro com todas as 88 mil palavras, em um mês durante o NaNoWriMo. Me senti muito mais como uma escritora do que das outras vezes - porque escrever significa sangue, suor, lágrimas e deadline e escrever esse livro teve muito disso tudo. Novembro também foi o mês em que eu voltei a ter crises de pânico, depois de muito tempo sem, e ainda assim eu consegui escrever um livro. Não posso subestimar a importância disso.

Um membro da minha banda preferida disse meu nome em vídeo
(E aí não conseguiu ler o resto do user)
AAAh, parem de me julgar por colocar isso como milestone, existem pessoas que passam a vida inteira desejando isso. Na verdade, essa é uma forma de colocar MisterWives como uma coisa incrível que aconteceu em meu 2015. Eles foram a trilha sonora dos meus momentos felizes e dos meus momentos tristes. Como eu disse no Instagram (esse post tem um monte de link do Instagram, já aviso), eles me tiraram de maus humores e dias ruins, me animaram quando eu precisei, fizeram com que passar por dias ruins fosse mais fácil, até me ajudaram durante crises de pânico. Eu os encontrei em na pior semana do ano e ficar completamente obcecada naquelas primeiras semanas me ajudou a me afastar de umas coisas bem terríveis. Por eles, eu sou a fã maluca que eu achei que tinha deixado de ser depois que "cresci". Mandy, Will, Etienne, Marc, Jesse & Murph definitivamente são uma das coisas mais incríveis que me aconteceram em 2015.

Adotei o gato mais dengoso do mundo
Eu estou me sentindo péssima por ele estar em terceiro lugar, mas vai de punição por causa de todos os arranhões que ele me causou. Tem um monte de coisa que eu não disse no post sobre ele e fiquei na cabeça que deveria ter dito. Uma delas é que ele me fez perceber que as únicas pessoas que dizem que gatos não se importam e são seres sem amor, são pessoas que são assim. É engraçado que uma criaturinha minúscula tenha me ensinado tanto sobre as pessoas e como eu não gosto delas, mas acontece.

Subi uma montanha
Falemos de coisas que eu achava que nunca fossem acontecer. Eu adoro o fato de ter sido algo simples, mas que todo mundo entendeu a importância que teve para mim. Esse dia basicamente resumiu o que era a ideia de não ter metas, apenas agarrar as chances de fazer coisas diferentes. E eu não esqueci o que tenho que fazer quando repetir a experiência. Sim, isso virou um quando.

Fui à XVII Bienal do Livro Rio
Levou um ano de preparação então eu não sei porque exatamente está aqui, mas considerando que eu estou morando há mais de 1000 quilômetros do Rio de Janeiro, era algo que tinha muito para não dar certo, mas deu. Consegui realizar meu sonho de não perder nenhuma Bienal do Rio depois da primeira que eu fui, em 2011, e ainda escrevi três posts longos sobre o assunto: Parte 1, Parte 2 e Parte 3. Em 2016 eu tenho planos sobre a Bienal do Livro de São Paulo, mas vamos manter isso por baixo dos panos por enquanto.

Passei no vestibular
Ainda não tenho certeza de como isso aconteceu, mas eu acabei passando em segundo lugar (da ampla concorrência) do vestibular para o qual eu menos me esforcei. E passei um bom tempo ouvindo como isso era incrível, considerando o ano que eu tive e como era raro ir da escola direto para a faculdade. Eu estou com bastante raiva da minha faculdade no momento, mas isso não anula o fato de que eu passei no vestibular, mesmo considerando o vestibular uma criação terrível da sociedade. Eu passei e talvez mereça créditos por isso, mesmo que não concorde com a própria existência do vestibular já que ele OK VOU CALAR A BOCA.

Aconteceu uma coisa extremamente irônica este ano, sobre a qual eu vou falar mais no próximo post do "É só uma fase": Se você acompanha o blog há um tempinho, sabe que todo aniversário meu eu falava sobre querer ter 13 anos outra vez. Sempre considerei meus 13 anos uma idade decisiva, onde eu aprendi muito, eu era autoconfiante, tinha muitas certezas. Foi quando decidir ser escritora como profissão principal, quando criei o blog (bem, tecnicamente foi 11 dias antes de fazer 13 anos), quando decidi cursar jornalismo. Os 13 foram o "meu ano". Pois bem, 2015 me fez descobrir uma coisa: EU ODEIO PESSOAS DE 13 ANOS. Não quero ofender ninguém e provavelmente existe muita gente de 13 anos que não é assim, mas eu descobri que pessoas de 13 anos são as mais metidas a besta, que se acreditam donas de si e guardadoras da sabedoria de todas as coisas do universo. E tipo, você tem 13 anos, não interessa o que você acha que sabe: você não sabe de nada. Isso vale principalmente para mim mesma quando tinha 13 anos: Se eu pudesse, voltaria no tempo, bateria naquela garotinha de 13 anos que estava de mimimi sobre fazer 14 anos porque "14 anos é muito clichê" e diria "NÃO QUERO SABER, VOCÊ VAI FAZER 14, 15, VAI ENFRENTAR PERDAS IRREPARÁVEIS AOS 16 E FAZER 17 depois eu não tenho certeza, MAS VOCÊ VAI MORRER UM DIA ENTÃO CALA A BOCA E APROVEITA A VIAGEM". Essa minha realização sobre pessoas de 13 anos veio porque aos 17 eu voltei a fazer todas as coisas ridículas que fazia quando tinha 13 anos, mas sem a desculpa de que eu só tinha 13 anos. E agora eu percebo que eu não tenho certeza de nada e que tudo bem não ter certeza de nada, porque eu sou uma hoje e amanhã posso ser outra. E essa nova lista está mais ou menos relacionada a isso:

Coisas que eu não sabia no início de 2015 e agora sei:
Eu sou pisciana
Eu descobri no meio do ano que apesar de ter acreditado desde criança que era do signo de Aquário, eu sou do signo de Peixes, porque o sol entrou em Peixes exatos 30 minutos antes de eu nascer. Por ter nascido na cúspide, eu tenho grande influência de Aquário na vida e tenho diversos mapas astrais discordantes - apesar de o que aparece com mais frequência ser o que diz Sol em Peixes, Ascendente em Virgem e Lua em Escorpião. Basicamente, eu sou um caos astral, o que é muito frustrante para mim porque eu via todo mundo dizendo "Nossa, como tem gente que não acredita em astrologia, meu mapa astral combina perfeitamente" e eu acabo frustrada porque mapa nenhum combina perfeitamente comigo. Essa pequena situação com meu mapa natal acabou me transformando na louca dos signos rapidinho, porque eu fiquei obcecada com o assunto. Mas até hoje eu não concordo com a maioria das coisas que leio sobre meus signos solar, ascendente e lua. A questão é que poder culpar outra coisa pelas coisas que eu faço é tão bom. "Eu sou pisciana" é desculpa para tanta coisa que vocês todos iriam querer ter nascido entre fevereiro e março.

Escrever com outras pessoas pode ser de grande ajuda, sim
Ok, para entender isso aqui vocês precisam saber que eu sou a pessoa mais antissocial do mundo. Eu digo que mais de 3 pessoas para mim é multidão e as pessoas acham que eu estou brincando, mas é muito sério, eu não sei lidar com lugares com mais de 3 pessoas. Vou até contar uma coisa que faz cada introvertido amigo meu olhar pra mim com cara de "você é louca né?": Não consigo conversar com mais de duas pessoas ao mesmo tempo na internet. À exceção de quando tem um monte de gente conversando comigo no Twitter (porque aí eu posso fingir que sou famosa) (brincadeira, eu não faço isso) (não de forma que alguém possa provar pelo menos), eu fico completamente louca quando mais de duas pessoas querem manter uma conversa comigo no WhatsApp, Messenger, Direct, DMs, Snapchat, qualquer coisa que tenha aplicativo no celular. Não tenho forças ou concentração para manter três conversas, especialmente porque eu nunca estou "no tédio", eu estou sempre fazendo outra coisa. E notificações me tiram do sério, se eu perceber que recebi, respondo ou fico agoniada com algo no fundo da cabeça até a hora que responder (Inclusive, no momento, tem 20 notificações de 3 aplicativos diferentes no celular e eu estou ignorando todas porque é gente demais falando comigo, mas é a coisa mais difícil do mundo) (Eu fico doida quando estou saindo de casa, alguma notificação carrega e eu só vejo que recebi quando não tenho mais WiFi e não posso abrir). Grupos são difíceis, mas se eu consigo conversar com todo mundo de um grupo se eu ignorar todo o resto das pessoas que quer falar comigo. Além disso, é mais fácil quando tem mais de um assunto no grupo porque eu não preciso me concentrar em um só e... JESUS, ESSE PARÁGRAFO TÁ ENORME E EU NÃO ESTOU NEM PERTO DO PONTO. OK, vocês já entenderam, conversar com pessoas não é comigo, nem na internet. Pessoas são criaturas estranhas em geral.
Então, no que diz respeito a escrever, assim como em todos os outros aspectos da vida, eu sempre fui reservada. Tenho amigos escritores desde que comecei a usar a internet, mas qualquer "comunidade de escritores" à qual eu tenha tentado me integrar, acabou dando errado. Deletei a conta do Nyah!, não consegui chegar perto de usar o Wattpad e abandonei correndo o grupo de escritores brasileiros que faziam NaNoWriMo em 2013, porque aquilo ali definitivamente atrapalhava mais que ajudava. Neste NaNoWriMo, porém, eu acabei criando uma pequena comunidade de pessoas sem quem A Linha de Rumo nunca teria sido escrito tão tranquilamente. Não vou citar nome por nome (porque se eu falar de alguém, eu me sinto na obrigação de falar de todo mundo e eu tenho um medo paralisante de esquecer alguém), mas vocês sabem quem são e foram realmente muito importantes. Acho que elas são o motivo inclusive de eu ainda estar trabalhando, mesmo que devesse descansar em dezembro, nos meus dois projetos mais importantes: Mais Uma Vez (Bem, Sociedade Inglesa de Oposição como um todo) e As Crônicas de Kat e também o motivo de eu ter tanta esperança para 2016.

Eu consigo sobreviver mais de um mês sem celular
Primeiro, eu disse sem celular, não sem internet. Segundo, mais ou menos, eu sou viciada demais no Instagram e pedia o celular da minha irmã o tempo todo. Mas se a questão é sobreviver e não ir parar em um manicômio, eu sobrevivi bem aos 38 dias que passei sem meu celular este ano (de 21 de outubro a 28 de novembro). Não foi uma experiência de todo ruim, porque eu não tinha mais como surtar com notificações, mas por outro lado, eu tinha que stalkear todo mundo o tempo todo porque as notificações que eu realmente queria não tinham como chegar. A verdade é que eu fui muito mais produtiva no NaNoWriMo justamente por estar sem celular. Normalmente, se o Google Chrome trava, eu pego o celular e vejo alguma coisa. Sem celular, eu abria o Word e escrevia umas 200 palavras. Não estou dizendo que quero que meu celular quebre no próximo NaNo ou no Camp, mas acho que só deixar ativada as notificações que eu realmente quero é uma boa ideia.

Eu gosto de fazer exercício
Na verdade, o que eu gosto mesmo é de ter 30 minutos apenas comigo mesma e com a música e preferia que fossem duas horas. Mas, se você não me segue no Instagram, eu tenho muita coisa para explicar então aqui vai: Desde fevereiro eu estava prometendo que iria começar a me exercitar (eu realmente disse para todo mundo que ia começar a academia no mês seguinte), mas a questão é que eu não posso fazer qualquer coisa em uma academia porque eu tenho problema na coluna e nos joelhos, então ou eu achava a academia certa, com preparadores que se preocupassem com meus problemas na hora de passar exercícios ou eu voltava à natação. Mês vai, mês vem, entre faculdade, orçamento apertado, responsáveis rígidos e horários ruins eu nunca consegui começar nada. Em agosto (seis meses depois de eu dizer para todo mundo que entraria na academia no "mês que vem"), minha psiquiatra me deu um ultimato e sugeriu que eu fizesse caminhadas no (vamos chamar assim) Parque Lagoa que tem perto aqui de casa. Resolvi ir, mais porque geralmente custo a fazer o que minha psiquiatra pede e achei uma boa ideia fazer pelo menos isso, já que exercícios regulares reduzem as chances de recaída na depressão.
Eu comecei dia 4 de agosto e segui fielmente por quase 3 meses. Com chuva ou com sol (e teve muito dos dois), toda segunda, quarta e sexta eu estava maravilhosa na lagoa, caminhando meus 2,74km (uma volta inteira). Em muitas vezes eu queria não ir, mas me convenci de que não era uma boa ideia começar a arranjar desculpas tão cedo ou quando eu tivesse um bom motivo para não ir acabaria me enrolando toda. Bem, eu peguei o ritmo rápido e no fim de outubro já tinha aumentado o percurso e ido de meia hora para quarenta e cinco minutos. Aí aconteceu um desastre: Meu celular quebrou. Entendam, uma coisa é caminhar na chuva ou no sol. Outra completamente diferente é caminhar sem música. Eu faço 2,74km em meia hora de boas ouvindo música, sem música eu não faço esse percurso nem em dois anos.
Foi justamente nessa época em que minhas crises de pânico voltaram (Não, não foi uma coincidência. Eu sou tão irresponsável, que parei de caminhar na mesma época em que estava terminado o antidepressivo. Claro que minhas crises não foram causadas por não caminhar, mas eu tenho a forte impressão que elas teriam sido evitadas ou teriam acontecido em uma frequência bem menor se eu mantivesse os exercícios) e tendo duas por semana, eu sempre me sentia muito fraca para caminhar, o que me deixou quase 2 meses parada. Eu voltei nessa segunda, mas ontem acabei passando mal por outros motivos e não fui outra vez. Mas amanhã é certo.
Semana passada (? Não tenho certeza se foi, mas acho que sim), uma amiga do Rio esteve aqui e mostrando a cidade, eu fiz ela dar uma caminhada pela lagoa, o que deixou ela sem fôlego rápido, mas para mim foi surpreendentemente tranquilo. Ela me elogiou por isso e me fez perceber que eu gosto de fazer exercício e de ter certa resistência. É legal e de certa forma me ajuda a manter uma rotina. Além disso, é saudável e eu sou tão louca com a minha própria saúde (serio, meu corpo é um guerreiro por sempre voltar com exames normais) que preciso de qualquer hábito saudável que consiga manter.

Essa coisa de não ter metas ou resoluções para 2015 realmente fez diferença na forma como eu enxergo as coisas. Acho que todo ano eu faço coisas que nunca esperaria fazer no começo, mas eu nunca tinha percebido isso porque ficava me xingando por metas não alcançadas. Me dei conta de que um ano é um espaço de tempo estranho. 365 dias parecem ser um período longo demais para não se cumprir uma meta, mas como esses dias passam exatamente? Quando a gente percebe já é fim de ano outra vez e estamos enfiados nas mágoas antigas e cutucando dores que já havíamos esquecido. Acabamos esquecendo que tudo fez a gente aprender porque "foi outro ano de bosta assim como 2014, 2013, 2012...". Eu não quis deixar passar nada que aprendi, nem desprezar nada que eu mudei, por isso comecei a escrever a retrospectiva em março. Essa próxima lista já estava aqui desde o começo:

Coisas que antes de 2015 eu não entendia quem fazia e agora faço o tempo todo
Ler mais de um livro ao mesmo tempo
Eu sempre achei doido quando alguém dizia que estava lendo 3 livros ao mesmo tempo, porque se eu fizesse isso minha lista de leitura acabaria rápido demais. 2015, porém, veio para ser o primeiro ano em que minha lista de leitura acumulou. Eu nem tive muita opção além de ler mais de um livro ao mesmo tempo, afinal, se eu não começasse um livro no meio do outro, eu provavelmente ainda estaria lendo Dracula em inglês (que eu levei 2 meses para ler no fim de 2014/início de 2015). Fiquei enrolada com tantos livros que às vezes não eram ruins ou cansativos, mas simplesmente não me deixavam interessada que eu precisei ler mais de uma coisa ao mesmo tempo. Eu estou terminando 2015 com 36 livros (uma média de 3 por mês), em comparação a 70 lidos em 2014. Quantidade não quer dizer muita coisa, mas é extremamente frustrante porque eu simplesmente não conseguia ler - que sempre foi uma das minhas coisas preferidas. Vamos torcer para que em 2016 a situação mude, mesmo que eu tenha que mudar alguns hábitos.

Tirar cochilos de 15 minutos
A primeira vez que eu coloquei meu despertador para 15 minutos depois do horário em que eu estava eu pensei "É, agora eu oficialmente sou adulta". Eu sempre pensei que gente que dorme por 15 minutos é louca, porque se eu cochilasse por esse tempo acordaria com mais sono, mas graças à faculdade eu acabei tão cansada em algumas noites que não podia dormir, que me forcei a dormir só por 15 minutos, porque já era alguma coisa. Não é saudável, nem certo, mas foi necessário e eu sei que ainda vou fazer muitas outras vezes durante a faculdade. (E talvez depois também. Escritores fazem coisas bem loucas quando têm deadlines sérias).

Dormir no ônibus todo dia
Eu falei no Twitter ontem que apesar da minha resolução de não criar metas para os anos seguintes, eu tinha uma meta para 2016, sim: dormir. Simplesmente parar de gracinha e dormir. Por que se teve uma coisa que 2015 teve, essa coisa foi privação de sono e eu odeio ficar sem dormir direito. Não dá para contar com os dedos de todas as pessoas daqui de casa, os dias que eu passei com 4 horas de sono e considerando que eu sou bem ruim em ficar mal humorada para os outros, eu só faço mal a mim mesma.
Antes de 2015 eu nunca entendi quem dormia no ônibus todo santo dia, porque eu nunca fiquei no ônibus por tempo suficiente para transformá-lo em uma continuação da minha cama. Em 2015, com a minha rotina de ir de ponto final a ponto final no ônibus para ir para a faculdade (e perder 2 horas do meu dia), eu descobri que banco de ônibus é um lugar maravilhoso para dormir (inclusive, de boca aberta, chamando a atenção de todo mundo) e apesar de não fazer isso todo dia, porque as convenções sociais me impedem, de vez em quando eu não consigo evitar. (Mas se eu pudesse, eu até levava meu travesseirinho lindo).

Utilizar o Spotify
A história de como eu conheci o amor da minha vida: No dia 3 de fevereiro, saiu o Reflection, álbum de Fifth Harmony e como eu iria ganhar de presente de aniversário, não quis baixar, pois copiaria o CD depois. O problema é que ainda faltavam 15 dias para o meu aniversário e eu precisava ouvir o álbum em algum lugar. No mesmo dia eu vi alguém postando o link do álbum no Spotify explicando que 1500 streams equivaliam a uma compra. Baixei o App, criei uma conta e usei ele para ouvir. No dia 12/02 eu descobri meu amor por indie pop e percebi que eu me sentia mal em baixar músicas de artistas independentes, porque eles produziam tudo e recebiam apenas uma parcela em retorno (eu aprendi muito a respeito já que considero lançar meu primeiro livro independentemente). Juntou minha preguiça, com minha culpa, com o fato de que eu realmente não ligo tanto assim para propagandas e BOOM ME APAIXONEI PELO SPOTIFY. Eu ainda baixei música esse ano, mas foi bem menos e só álbuns que eu não conseguia viver sem offline (e como no meio do ano aconteceram os 3 meses de teste do AppleMusic, eu ainda passei um bom tempo ouvindo esses álbuns via stream), mas sempre que estou online, ouço esses álbuns pelo Spotify, acho até mais simples. Para vocês terem uma noção do meu vício nesse serviço de streaming, de acordo com o YearInMusic.Spotify.com, eu ouvi o álbum Our Own House, álbum de estreia de MisterWives 3.350 vezes em 2015 (entre a estreia em 24/02 e o dia 7/12). A banda como um todo foi ouvida 5.053 vezes.

Este último tópico, antes de uma série de Tops 5 sobre o ano de 2015, é sobre algo que eu senti que deixei tão de lado este ano que preciso falar sobre minhas pequenas conquistas. Por algum motivo (que eu espero que fique em 2015), ler foi bem puxado para mim este ano. Escrever também teve seus momentos, porque ser produtiva como um todo foi complicado. Eu percebi que foi assim para muita gente que está passando pela mesma fase da vida que eu (entrada na faculdade, começo da "vida adulta", etc) e apesar de não entender como, pelo menos foi generalizado. Estou um pouquinho decepcionada, porque literatura sempre vai significar o mundo inteiro para mim, mas ao mesmo tempo, eu nem sei bem o que aconteceu com a minha produtividade, então não posso ficar me culpando. O que eu posso fazer é criar um cronograma de leitura louco para ler 3 livros em 10 dias e pelo menos chegar a 36 livros lidos em um ano. Que foi o que eu fiz. E deu certo! O último tópico se chama:

Pequenas vitórias literárias
Ter conseguido uma média de 3 livros por mês, mesmo tendo passado meses sem ler um livro inteiro
Eu tenho uma planilha no Google Drive com todas as informações sobre os livros que eu li em 2015 e ela me fez perceber os meses de janeiro, abril e novembro foram especialmente complicados para ler. Ainda assim eu consegui ler 36 livros e 10,676 páginas (2015 também foi o ano em que eu li o livro mais longo da vida: A Libélula do Âmbar, segundo livro da série Outlander com 944 páginas) nesses últimos 365 dias. Considero uma pequena vitória, porque foi realmente complicado. Além disso, pela primeira vez desde 2011, eu estou terminando o ano sem um livro incompleto nas mãos. (Meu ascendente em Virgem está contentíssimo). O primeiro livro que eu li em 2015 foi Dracula e o último foi O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Ter me apaixonado muito por alguns livros que li e ter sido mudada por eles
Uma lista dos 5 livros que eu li este ano e mais gostei está nos tops 5 aqui embaixo. Deles, o que mais me mudou foi The Sociopath Next Door (que foi trazido para o Brasil como Meu Vizinho é um Psicopata) da Dra. Martha Stout. É um livro psicológico, feito para te fazer repensar sua vida inteira, mas eu não esperava que um livro sobre como sociopatia é comum fosse me fazer pensar tanto em como eu ajo e como as pessoas à minha volta agem. É um livro que te muda todinho e eu preciso recomendar muito.
Ele, porém, não foi o melhor livro que eu li em 2015. Dadas as circunstâncias, eu considero o melhor livro que eu li o que mais me causou ressaca literária, que por sinal foi Oryx e Crake da Margaret Atwood. Eu ainda não me recuperei da ressaca completamente e sempre acabo pensando nele e falando comigo mesma sobre ele por horas. Preciso dos dois outros livros da trilogia, só para ver se minhas teorias estão certas.

Ter conseguido terminar Infelizmente, Rio, eu te amo e Mi Totentanz
Esses dois contos (Uma homenagem singela ao Rio de Janeiro e um conto especial de As Crônicas de Kat) vinham sendo prometidos aqui no blog desde 2013. Eram projetos tão enfiados no fundo da gaveta que eram quase como fantasmas na minha vida. Em junho, aconteceram algumas coisas que me deixaram inspirada a escrever Infelizmente, Rio, eu te amo e consegui escrever tudo de uma vez só no dia 01/07, para abrir o Mês Literário. Eu nunca planejei escrever Mi Totentanz de forma a fechar o mesmo Mês, mas foi exatamente o que aconteceu. Conseguir completar esses dois projetos me deixou muito feliz. A melhor parte é que eu não postava contos no blog há mais de um ano, então não criei expectativas para a resposta dos leitores - o que fez com que eu ficasse 10 mil vezes mais feliz quando essas respostas foram maravilhosas. Até hoje tem gente que fala da IRETA pedindo livro e gente que promete ler ACDK por causa de Mi Totentanz.

A Linha de Rumo
Acho que se eu continuar a falar sobre A Linha de Rumo eu vou começar a me repetir, mas preciso falar sobre como em um ano em que produtividade foi uma luta, eu tive a experiência mais maravilhosa do mundo escrevendo um livro. Se qualquer leitor amar ALdR 20% do tanto que eu amo, terei sido bem sucedida com a história.

FINALMENTE, finalizo este post enorme que nem sei como consegui que fizesse sentido (se é que ele faz mesmo), com uma série de Tops 5 que resumem bem o ano para mim. As listas não estão em nenhuma ordem específica e nem sempre são formados de coisas criadas em 2015, apenas quando especificado.

Meus 5 álbuns de 2015 favoritos
Our Own House (MisterWives)
Fools (Wild Child)
Every Open Eye (CHVRCHES)
The Fool (Ryn Weaver)
Not an Apology (Bea Miller)

Pequena parêntese para os EPs: SWAAY (DNCE), The Day I Died (Alex Winston) e Steps (Handsome Ghost), são completamente maravilhosos. 2015 foi um ano louco para a música. Queria só fazer menção honrosa aos álbuns, BADLANDS da Halsey e ao Kids In Love da The Mowgli's. Agora acabei.

Os 5 melhores livros que eu li
Oryx e Crake por Margaret Atwood
O Bicho-da-Seda por Robert Galbraith
Ligações por Rainbow Rowell
O Guia do Mochileiro das Galáxias por Douglas Adams
The Sociopath Next Door por Martha Stout

Os 5 melhores filmes que eu vi
Styria (aka The Curse Of Styria, aka Angels of Darkness) (no Brasil: A Maldição de Styria)
The Hunger (no Brasil: Fome de Viver)
Tudo Sobre Mi Madre (no Brasil: Tudo Sobre Minha Mãe)
All About Eve (no Brasil: A Malvada)
Jenny's Wedding (Não veio ao Brasil)

As 5 melhores séries que comecei em 2015
Jessica Jones
The Royals
Doctor Who
Unbreakable Kimmy Schmidt
Scream

No blog:
Minhas 5 "Palavras da Semana" preferidas em 2015

Sincronicidade
Coincidências ligadas não pelo acaso, mas por uma relação de significado.

Hiraeth
galês
Saudades de um lugar para o qual não se pode retornar.

Basorexia
Desejo incontrolável de beijar alguém

Pulchritudinous
inglês
Alguém extremamente atraente; De tirar o fôlego.

Riptide
inglês
Um trecho de águas turbulentas no mar causado pelo encontro das correntes ou mudanças buscas de profundidade.

Meus 5 posts preferidos em 2015
Como nasce uma obsessão: MisterWives
Coisas sobre as quais nunca falamos: o luto
Coisas sobre as quais nunca falamos: depressão
Porquê quero morrer sendo fangirl
Diário Artístico: Não sei, só sei que foi assim

É isso. Existe um resumo geral do blog no ano que eu sempre posto. Quando a retrospectiva é depois das 22h, eu geralmente coloco ele no post, porque o Blogger "fecha o dia" às 22h. Como este ano não foi, este resumo, assim como foi o de 2014, será no primeiro post do ano: um post do Diário de Bordo sobre a primeira semana de 2016.
Amo vocês, espero que a virada do ano seja divertida, independente do que estiverem fazendo.
E que 2016 seja um ano incrível, mesmo que não seja sempre bom.
G.

PS antes que eu me esqueça: Desde o começo do mês, a playlist do blog ouvido é retrospectiva também, com as músicas que mais me marcaram em 2015. Ela fica na aba Extras.

27/12/2015

Diário de Bordo 5 - Velha demais para isso - Parte 3: Natal em Giulialand

Calma, que dia da semana é hoje???? Por que essa semana teve 5 sábados e 2 domingos??? Eu estou muito confusa. (E isso faria mais sentido se eu postasse mais cedo, mas hoje foi um dia confuso). Bem-vindos a outro post que segue o estilo dos posts dos primeiros Diários de Bordo, uma narração completa de como foi meu Natal, que em poucas palavras foi uma montanha russa de sentimentos. Eu acho que esse post não vai ficar do jeito que eu queria que ele ficasse inicialmente, porque eu cometi o erro de não ir escrevendo conforme as coisas iam acontecendo. Lembram da segunda parte do Diário de Bordo 4, que acabou sendo influenciada pelo fato de eu já ter visto a entrevista e ter me decepcionado com ela? Foi mais ou menos isso. Mas vamos começar do início.

Não sei como eu me sinto sobre esse gif. Ou de onde ele é.
Eu coloquei o celular para despertar às 9h do dia 24 ao som de Boy do Ra Ra Riot, para acordar animada, mas juro pra vocês que depois disso minha cama nunca esteve tão confortável, então eu fiquei uma hora apertando o soneca. Finalmente levantei lá pras 10h, comi um pedacinho de panetone (eu passei uns 6 dias comendo esse mesmo panetone de café da manhã, até que hoje FINALMENTE acabou) porque o plano era comer algumas rabanadas no café (eu precisava saber se minha obra de arte tinha ficado boa né?) e fui preparar as rabanadas. Na receita que eu meio que improvisei, meio que achei na internet, eu misturei 3/4 de caixa de leite e 3/4 de leite condensado (tem que misturar até o leite condensado soltar do fundo, ou não fica doce o suficiente), bati 9 ovos e cortei 13 pães franceses dormidos em rodelas. Mergulhando o pão no leite e então nos ovos, fritei tudo no óleo bem quente. Coloquei todas em um prato com papel toalha, para escorrer o óleo e deixei descansar por quase uma hora, enquanto eu almoçava (passei tanto tempo fritando rabanada que a gordura toda acabou com minha vontade de comer rabanada), depois passei tudo em uma mistura de açúcar e canela. Esse foi o resultado final:

Agora deu vontade, mas eu não quero voltar a mexer com óleo tão cedo.
O DRAMA.
Quando eu finalmente deixei tudo pronto, eu fui terminar o livro que estava lendo, porque tenho um cronograma até o fim do ano (no post da Retrospectiva eu explico qual e porquê). Depois de terminar Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, eram 16h15, mas mesmo a festa sendo 20h, eu fui lavar o cabelo e começar a me arrumar. Porque é claro, a melhor parte de se arrumar para o Natal são aquelas 3 horas que eu passo fazendo nada, só de roupão, esperando o cabelo secar e eu começar a me vestir. Natal geralmente é a única ocasião do ano em que eu uso maquiagem (leia-se lápis de olho) sem ninguém me obrigar a isso, mas aparentemente lápis de olho tem menos de 3 anos de validade e o que eu ganhei no meu aniversário de 15 anos está péssimo, então não precisei nem me maquiar. Eu tinha decidido ir de rosa para a festa haviam semanas, mas no meio da arrumação decidi ir de preto preto e fui com um look bem gótico, indie, hipster, contemporâneo (igual minha agenda 2016).
Apesar de ter saído de casa bem depois do horário marcado, nós ainda fomos os primeiros a chegar na festa e até os donos da casa ainda estavam se arrumando. Estava tudo bem fofinho, em tons de verde, mas eu nem pensei em tirar fotos. Um pouco depois todo mundo foi chegando e até gente que eu pensei que não fosse, apareceu. Eu tava feliz que nem criança, porque estava dando tudo certo. A tia que eu sou mais próxima (ela é esposa do irmão da minha mãe, então tia direta) me levou um babydoll de presente e eu brinquei que era tradição ganhar isso nas festas da família, porque foi o que eu ganhei no último Natal que eu passei aqui (ignorem o quanto esse post era ridículo e foquem no fato de que eu só tinha 13 anos). Quando todo mundo, de todos os núcleos familiares apareceu, nós fomos comer. (Sim, normalmente esperam até depois da meia noite, mas reclamaram disso [não, não as crianças, foram os adultos que reclamaram] e no fim concordamos em jantar antes das brincadeiras e bem antes da meia noite).
Aí veio a decepção: nada de uva passa. Minha revolta por isso merece um parágrafo, porque que tipo de ceia de Natal não tem uva passa? Eu sei que rola um boato de que ninguém gosta de uva passa, mas eu gosto de uva passa e eu espero um ano inteiro para comer uva passa no arroz, na farofa, no salpicão, no sorvete, em tudo! E não tinha uva passa em nada! Eu me senti traída pelos meus próprios parentes. Foi horrível. Quer dizer, a comida tava ótima, eu consegui pegar metade da pele do peru (Isso não é saudável, mas é gostoso) e repeti tudo, mas a comida seria melhor ainda se tivesse uva passa né? Vou ter que passar 2016 inteiro comendo uva passa para compensar essa perda.
Todo mundo que comeu elogiou a rabanada e eu fiquei toda feliz, porque foi meio que um desafio para mim. Não só foi algo que eu cozinhei, mas pelo primeiro Natal, eu fiquei responsável por algo na ceia, o que dá certa sensação de independência, como se eu finalmente estivesse entrando na área dos adultos da família. Claro que não é verdade, eu ainda sou criança para todo mundo, mas eu me senti assim e se sentir assim é legal. Eu disse no Twitter que não é normal minhas tias me perguntarem dos namoradinhos, porque elas sabem que se eu tivesse namorando a cidade inteira já saberia (fofoca corre que não é pouco) e que eu não ligo de perguntarem da faculdade porque qualquer brecha que me deem eu já começo a falar mal da minha universidade, mas uma pergunta que sempre me fazem é "E o livro?". E eu realmente fui chamada para perguntarem sobre o livro e nem fiquei surpresa pelo fato de que todo mundo para de perguntar quando eu digo que meus primeiros livros são "fantasia". Não faço ideia do que os adultos acham que "livro de fantasia" significa, mas é o que eu digo quando eu não quero falar sobre Mais Uma Vez na frente de um deles (Eu sou tímida ok? E a sinopse do livro está aqui no blog por um motivo).

A mesa da ceia. Vocês notaram todas essas não-passas? Olha a brancura daquele arroz, pelo amor de Deus.
Depois do jantar e de uma tempinho para descansar, nós fomos à brincadeira. Não tinha ficado bem definido o que ia acontecer, só combinaram que cada um levaria um presente de até 10 reais e nós faríamos uma brincadeira. Não faço ideia de porque não quiseram fazer um amigo secreto, mas foi uma escolha democrática, então eu nem pude reclamar. Acabamos brincando de "Caiu no poço" (que eu nem sei se existe de verdade): Uma pessoa escolheria um presente lá na frente e todo mundo grita para quem essa pessoa deveria dar o presente. A pessoa escolhida para receber o presente poderia decidir entre o presente escolhido pela pessoa que foi lá na frente (que tinha recebido o presente antes) ou entre os outros presentes que já tinham sido abertos. Não sei se expliquei isso direito, mas como a pessoa lá na frente podia roubar os presentes dos outros, eu comecei com um perfume masculino e acabei com um kit de 5 sabonetes. Compraram 2 livros de atividades para a brincadeira: o Jardim Secreto (livro para colorir que eu brinco que só é antiestresse para quem não machuca o pulso direito com facilidade - o que não é o meu caso) e o Termine Este Livro (que eu já tenho porque sou Keri Smith junkie e comprei todos os livros dela [menos o Como ser um explorador do mundo, caso alguém queira saber], mesmo que esteja trabalhando no Destrua Este Diário há mais de 2 anos - eu preciso terminar isso logo), mas eu acabei não querendo, nem ficando com nenhum dos dois. Eu gostei de ficar com os sabonetes.
Assim que a brincadeira acabou (eu peguei no celular exatamente 23h59), minha carona entrou no modo ir para casa. Saímos 00h15, o que é extremamente cedo na noite de Natal, mas eu só bateria o pé para não ir embora se fosse antes da meia-noite. Quando cheguei em casa, queria fazer mais alguma coisa antes de dormir, porque não faria sentido ir dormir cedo, então resolvi abrir os presentes da árvore que não tinham sido comprados por mim. Eram só 2: a sacola de presentes da minha irmã (que estava parcialmente destruída pelo meu gato) e um pequeno pacote que a tatii me enviou, porque ela é uma pessoa maravilhosa e mais incrível do que eu mereço (ela sempre me manda cartinhas no Natal e eu não respondi nenhuma ainda, eu sou a pior pessoa do universo) (mas eu vou responder, não me matem). A sacola da minha irmã tinha uma caneca da Coleção Apaixonado Pelo que Faz, o Revival (CD da Selena Gomez) e o perfume Rock da linha da Capricho do O Boticário. O presente da tatii era o livro A menina que não sabia ler que por sinal foi uma das coisas que eu mais adorei ganhar. O livro é lindo, foi importante para ela e estava na minha lista de desejados do Skoob há um tempão. Depois de babar nesses presentes lindos, eu fui dormir e deixei os presentes de mim para mim mesma para abrir de dia.

Aqui está a árvore com todos os presentes, como prometido. Ignorem o buraco na parede.
Na manhã seguinte, eu me preparei da forma que tinha sonhado o mês inteiro. Trouxe todos os presentes para a sala, peguei café e mais panetone e finalmente fui abrir tudo que tinha guardado para aquele momento (fotos abaixo). Comecei pelo que eu estava mais desesperada para ver: merch de MisterWives. A loja oficial fez uma uma promoção no começo de novembro e eu resolvi que tudo que eu pudesse comprar seria meu presente de Natal (todo mundo compra pelo menos uma coisa que é presente de Natal para si mesmo, não mintam para mim). Eu consegui comprar a camisa que eu mais queria, um moletom (os dois maiores que o meu número, mas ALÔ, tava em promoção) e um kit de bottoms. Originalmente, era para tudo chegar dois dias antes do Natal, então eu realmente só teria como abrir no Natal, mas a entrega adiantou bastante e chegou no começo do mês, então eu já estava completamente louca para abrir aquilo de uma vez. É tudo tão lindo e confortável que me dá vontade de chorar. Eles são a melhor banda do mundo até na merch. E não interessa se o moletom é quase um vestido, eu vou passar o inverno inteiro enfiada nele. Já a blusa, é o que eu pretendo usar no ano novo. E quando as aulas voltarem. E no meu aniversário. E em qualquer dia que eu conseguir. E só não uma vez por semana, por medo de estragar.
Eu teoricamente tinha todo o tempo do mundo para curtir meus presentes, porque o almoço de "enterro dos ossos" não ia acontecer (eu perguntei para umas 5 pessoas e disseram que não tinha como) e meu pai tinha reagendado a visita que planejou. Então, eu pulei para os livros e saí atirando as embalagens para o meu gato, que destruiu tudo que já queria destruir desde o começo do mês. Eu tinha comprado 3 livros: O Castelo de Otranto, primeiro livro gótico (você que é novato aqui: literatura gótica = meu gênero preferido), que eu achei baratinho no Estante Virtual. Fake do Felipe Barrenco, que eu queria desde que foi lançado e eu comecei a acompanhar a página no Facebook, mas nunca tinha conseguido comprar. Ele estava imperdível na Black Friday a R$9,99 com frete grátis para o Brasil inteiro e pode ter sido a melhor compra que eu fiz esse ano. A pedido, veio autografado e com um autógrafo completamente amorzinho. Quase saí passando ele na frente de todos os outros da lista de leitura, mas consegui me controlar. Por último, comprei A Filha do Fazedor de Reis da Philippa Gregory, que é uma das escritoras mais amores da minha vida e que era um dos livros que eu mais queria no Brasil em 2015. Não sei qual dos três livros eu amei mais, mas eu descobri que sou muito boa nesse negócio de me presentear porque eu conheço meu gosto muito bem.
Finalmente, abri a caixinha de tampa vermelha que tinha minha agenda 2016 e o CD Don't Forget da Demi Lovato. (Ela também deveria conter o DVD do filme Dracula de 1931, mas ele não cabia na caixa, então estava junto com a sacola da minha irmã). A agenda 2016 é tão maravilhosa quanto eu queria. Como eu falei várias vezes durante este ano, minha agenda 2015 foi uma compra impulsiva na Livraria Cultura porque eu fiquei apaixonada pela agenda importada de 66 reais que encontrei lá. Dessa vez, eu liguei minha adulta responsável e prática e não dei tanto dinheiro assim em uma agenda só. Eu realmente me apaixonei pela agenda pequenininha, mas com funções que eu gosto, que eu encontrei nas Lojas Americanas. Além disso, ela é gótico, indie, hipster, contemporânea, ou seja, minha cara. Enfim, aqui está a foto de tudo que eu ganhei/me dei de presente:


Curti meus presentes por um bom tempo e depois fui almoçar o resto do frango da ceia, com farofa. Foi a tarde que meu Natal desmoronou um pouco, quando começaram a postar fotos do almoço de "enterro dos ossos" que eu perguntei várias vezes se ia acontecer. O pessoal se juntou espontaneamente e ninguém se importou em me avisar. Parece que houve um aviso para a representante do meu "núcleo familiar", mas nem essa pessoa se importou em falar comigo. Isso me deixou chateada em um nível que nem eu mesma esperava ficar. Era importante pra mim e eu estava fazendo de tudo para mostrar que era importante pra mim. Eu não sou a pessoa mais sociável da família e eu sou bem introspectiva, sim, mas eu dei meu melhor no jantar do dia 24. No último post, eu passei um bom tempo no último post falando sobre minhas lembranças de infância e as coisas que aconteciam em Natais aqui e como eles faziam com que algo que era imperfeito parecer feliz, mesmo que por pouco tempo. E eu estava passando o Natal sozinha pela primeira vez. Um monte de gente conhece o clima aqui de casa e sabe como é o último lugar no qual você quer ficar presa em uma data comemorativa. Eu fiquei toda animada fazendo as rabanadas e enviando mensagens para todo mundo e querendo ajudar todo mundo no que eu pudesse e ninguém lembrou de mim quando resolveram fazer o almoço! Isso doeu, ainda dói um pouco, eu acho. Gente que nem tem laço de sangue comigo me convidou para o Natal e se ofereceu até pra me buscar em casa porque sabia que eu passaria os dois dias sozinha, mas eu recusei porque eu tenho família aqui e eu priorizei eles. E minha própria família me esqueceu completamente na hora de se reunir dia 25. Foi a única parte das 48 horas que me deixou muito triste. No final, a foto em família que eu ia colocar aqui foi tirada quando eu não estava e eu só tive a foto da mesa para postar.
O resto do dia foi baseado em terminar de assistir Jessica Jones e comer hambúrguer como forma de intervenção "não-quero-que-meu-Natal-termine-de-uma-forma-tão-triste". Eu também resolvi me dedicar a um capítulo de Mais Uma Vez porque tinha pausado a edição no meio do meu capítulo preferido. Alguns leitores ficarão felizes em saber que no meio desse mês eu peguei meu primeiro livro para voltar a edição normal e se continuar desse jeito, agora vai. Mas eu não estou prometendo nada, nem para mim mesma.
Lista de Milagres de Natal1. Eu realmente conseguir cozinhar algo que deu certo, sem causar acidentes na cozinha.
2. Eu consegui cozinhar, com gente em casa, mas sem ninguém se intrometer no que eu estava fazendo. Ou seja, pela primeira vez na vida, cozinhar foi realmente terapêutico e tranquilo para mim.
3. Eu fiquei feliz em ganhar sabonetes na brincadeira da família, porque no começo do mês eu fiz o considerado impossível, ao usar um sabonete até o final, porque estava com muita preguiça de sair de casa só para comprar sabonete. Agora isso não será um problema, porque eu tenho 5 sabonetes reserva.
4. A menina que não sabia ler e a felicidade que eu fiquei quando descobri que o livro era ele.
5. Eu fiquei feliz com tudo que eu ganhei, até de mim mesma. Não foi deprimente abrir tanta coisa que eu mesma tinha comprado, muito pelo contrário, eu adorei. Ano que vem vou repetir essa ideia, apesar de não querer passar o Natal sozinha outra vez.
Atualmente, meus planos para o ano novo constituem-se em ficar em casa fazendo maratona de série, aí assistir ao stream do New Year's Eve nova-iorquino, para ver a bola descer às 2h. Na virada pretendo estar no Twitter, como estive em todos os anos desde 2012, exceto o último, já que não tinha luz. Parece deprimente, mas já que é para passar um feriado sozinha, eu quero fazer as minhas coisas preferidas sozinha. Tentar fazer algo em conjunto só porque é o normal e a tradição se provou um esforço decepcionante.
O próximo post é o de retrospectiva e o último do ano. Eu ainda nem processei o fato do ano acabar e aí BOOM. Preparem-se para um monte de nostalgia, blá, blá, blá de fim de ano e muito amor. Vai ser mais intenso que o post do fim do NaNoWriMo. E aquele post foi intenso.
G.

23/12/2015

Diário de Bordo 5 - Velha demais para isso - Parte 2: Como fazer o Natal ser sobre você

É estranho que eu saiba que o Natal está chegando quando eu começo a desejar bengalas de açúcar (apesar de nunca ter comido bengalas de açúcar) ou é apenas estranho que eu tenha começado o post assim? OLÁ, CRIANÇAS. Bem, hoje é 23 de dezembro o que significa que estamos na véspera da minha celebração de 48 horas preferida: o Natal (para a galerinha que reclama que "Natal é só no dia 25" aceitem: o Natal é uma celebração de 48 horas, ninguém comemora só o dia 25). Eu finalmente terminei de comprar tudo que precisava, apesar de ter esquecido o presente do meu gato (Mas tem sachê e um monte de caixas e embalagens para ele destruir, então acho que ele ficará bem) e estou completamente pronta para enfrentar a maratona natalina dos próximos dois dias.
Caso você não me conheça tão bem, provavelmente deveria saber que entre meu pequeno grupo de amigas na faculdade eu sou conhecida como "a louca das datas" (Eu também sou "a louca dos signos", "a louca das famílias reais" e "a louca de MisterWives", mas isso é outra história). O título me foi concedido porque eu sou realmente muito boa com datas. Eu normalmente me lembro do aniversário de todo mundo, eu sei que dia da semana um dia que é daqui a 3 meses vai cair, eu me lembro o dia exato que tal ou tal coisa aconteceu... E, eu também levo datas comemorativas muito a sério. Eu comemoro tudo desde o Natal e a Páscoa até o Dia da Árvore e o Dia do Fico. É frustrante quando eu não consigo fazer nada para comemorar um dia, mesmo que seja só uma foto no Instagram ou uma menção no Twitter. Eu levo todos os dias muito a sério.
Foi essa a razão para o Surto de Natal de 2013 ter acontecido quando parecia que nada daria certo para o Natal e que a data passaria em branco e de o Natal de 2014 ter sido tão triste por eu só ter passado a ceia e não feito mais nada. O Natal de 2015 também tinha tudo para ser incompleto e chato principalmente porque eu passaria ele sozinha. Bem, não completamente sozinha, minha família estaria aqui na maior parte, mas minha irmã não (Ela viajou para as férias e eu não pude - obrigada, entidades da faculdade, por fazer um calendário que me faria ter aula até hoje e depois arruiná-lo completamente) e foi com ela que eu cresci, passando todos os Natais juntas. Mas como eu nunca liguei tanto de passar muito tempo sozinha (sério, vocês precisam ver meus planos para o Ano Novo), poder fazer o Natal do jeito que eu quero não é tão ruim assim. 
Esse é realmente o primeiro Natal que está sendo bem do jeito que eu quero, com todas as tradições que eu gosto. Claro que Natal (meu Deus, quantas vezes eu já disse essa palavra? E ainda vou dizer muito mais) é época de compartilhar e de comunhão com a família e com os amigos o que significa que eu tive que coagir algumas pessoas a fazer o Natal do jeito que eu queria, MAS DETALHES. Eu decidi fazer dois posts para o Natal justamente porque este tem sido mais importante que os últimos e merece mais atenção. Esse post aqui é a explicação de como eu estou fazendo o meu primeiro Natal "sozinha" ser sobre mim. O próximo será se essa minha animação toda fez o Natal dar certo e como eu passei as 48 horas de Natal. Esse post aqui também será em tópicos porque eu achei essa Lista de Natal de três Diários de Bordo atrás e resolvi fazer uma nova versão dela:

Pooh me representa em muitas situações

Decoração
A parte mais fácil de todas. Durante o Surto de Natal de 2013, nós achamos que a árvore de Natal de casa tinha sido doada e quase ficamos sem uma naquele ano (Depois descobrimos a árvore perdida em cima do guarda-roupa, mas logo depois ela foi doada mesmo). Eu que não sou besta nem nada aprendi como fazer uma árvore de livos e decorei a casa com aquilo mesmo (foto abaixo). Este ano, eu resolvi repetir a ideia da árvore de livros e comprar decorações novas (até porque as antigas se perderam na mudança). O único problema é que eu tive que estudar a forma de montar a árvore de uma forma que o gato não destruísse tudo, já que ele adora morder livro (claramente, esse gato é meu carma) e fica hipnotizado pelas luzinhas de Natal. Acabei montando a árvore no meu quarto, porque quando saio posso fechar a porta. O gato ainda assim destruiu algumas embalagens de presentes, porque ele também ama sacolas, mas os danos podiam ter sido piores.
Também compramos guirlandas fofinhas para as portas do quarto, uma miniárvore dourada para o painel da TV e para a sala minha irmã fez uma arvore de luzes, que o gato já derrubou várias vezes, mas eu sempre coloco no lugar outra vez. Eu vou postar fotos dessas decorações no decorrer do post, já que o Blogger ainda não aceitou minha sugestão de criar minigalerias que a gente possa colocar no meio do blog para que as pessoas decidam se querem ou não ver as fotos e clicar nelas para ampliar. O Blogger seria tão melhor se eu mandasse nisso aqui.

Tem muito mais presentes embaixo da árvore de 2015, mas vou postar uma foto disso no outro post.
Presentes
Com exceção dos presentes que são para ela, a maioria dos presentes foi comprado em parceria com a minha irmã. Eu não comprei tanta coisa assim para a família, porque estranhamente não existe essa tradição de se presentear entre a família daqui. "E como é que você é louca por presentes desse jeito, Giulia?" eu devo ter puxado isso da família do meu pai, porque minha mãe também não se importava tanto com ganhar presentes e tinha o mesmo problema que eu com dar presentes (eu sempre quero algo que eu ache que combina com a pessoa e que faça a pessoa muito feliz, o que, eu sendo pobre, quase nunca acaba saindo exatamente do jeito que eu queria - e me deixa frustrada, mesmo que a pessoa não saiba de nada), mas eu e minha irmã sempre fomos as loucas por presentes da família. Se existem datas em que você troca presentes, eu não posso ignorar elas né? Resumindo o que eu precisava comprar de presentes era só o presente da brincadeira da festa da família (a gente vai fazer uma espécie de "pescaria" de presentes. Por algum motivo, ninguém quis amigo secreto, o que me deixa triste, porque eu adoro a expectativa de um amigo secreto), os presentes da minha irmã e mais alguma coisa que por algum motivo eu resolvesse dar para alguém por impulso. Além de, é claro, os presentes para mim.
Eu não normalmente ganho muita coisa de Natal: ano passado, se eu não estou esquecendo de nada, eu ganhei um livro, um anel e dinheiro. Eu também não ganho nada que "só pode ser aberto na manhã de Natal" desde que eu tinha 9 anos (e ganhei os meus primeiros livros que não eram originalmente paradidáticos!). Logo, como eu estou tentando fazer deste Natal o Melhor Natal de Todos Os Tempos, eu tive a louca ideia de embalar para presente tudo que eu comprasse para mim mesma e só abrir na manhã de Natal. Eu sei o que vocês estão pensando: "não tem graça se você sabe qual é o presente", mas tem sim! No momento, só dois presentes na árvore não são de mim para eu mesma, mas a maioria são compras que eu fiz na internet e ainda não abri, ou seja, eu reuni toda aquela emoção de receber algo em casa e abrir para um dia só. Além disso, eu sei que tem todo tipo de coisa que eu gosto embaixo (bem, teoricamente, é em volta) da árvore e isso me deixa bem animada para abrir tudo sexta-feira de manhã.

Confraternizações
Eu não sei o que é isso há uns bons 5 anos. Ok, eu tive uma confraternização ano passado com o grupo de adolescentes da igreja do Rio e foi ótimo porque foi com algumas das minhas pessoas preferidas do mundo, mas aquilo foi uma exceção à uma regra que vem me acompanhando há alguns anos: eu sempre sou a única pessoa do meu círculo social que nunca tem confraternização nenhuma para ir. Sim, eu sou anti-social, introvertida e tímida e poderia ter participado de alguns grupos que tiveram confraternizações, mas não é só isso. Nem mesmo quando eu estava na escola ninguém queria fazer amigos secretos. Na faculdade eu teria uma confraternização organizada por uma professora e cancelada pelas paralisações. Depois que as aulas foram canceladas de vez, as pessoas que quiseram fazer alguma coisa com a turma inteira tiveram as vozes abafadas pelo fato de que todo mundo queria ir para casa (a maioria dos meus colegas tem família fora). Eu não tenho necessariamente um "grupo de amigos" fixo. Eu tenho 3 grupos de WhatsApp (e Telegram) com amigos que eu conheci em lugares diferentes, mas se tudo que a gente tenta marcar durante o ano acaba dando errado porque ninguém tem tempo, imagina em dezembro? Basicamente, confraternizações não acontecem para mim. Minha tia queria me levar em uma dela no começo do mês, mas justo naquele fim de semana eu tive a maior crise de pânico que tinha em 2 anos e não tinha forças para sair de casa. Depois disso, eu decidi que é uma maldição. Confraternizações não são para mim e eu nunca mais vou participar de um amigo secreto na vida. É ridículo que isso LITERALMENTE me dê vontade de chorar?


A árvore de luzes.

Ceia
Eu estava morrendo de medo de que a família resolvesse viajar outra vez (como aconteceu no ano passado) e eu ficasse aqui, sozinha e sem ceia em plena véspera de Natal. PORÉM, convocaram um almoço geral no dia primeiro de novembro (e eu fui, mesmo sendo primeiro dia de NaNoWriMo. Isso era o quanto eu queria uma ceia de Natal) e nós começamos a decidir o que faríamos para a ceia. Eu quis me envolver no máximo de coisas possível e depois de implorar que tivéssemos rabanada no cardápio (não é muito tradicional ter rabanada nas ceias de Natal aqui da Bahia, mas é um dos meus pratos preferidos), fiquei responsável por fazer isso também. Amanhã eu vou acordar cedo para preparar tudo e pretendo ir mais cedo para ajudar na decoração também.
Eu não sou de socializar normalmente e nem gosto tanto de festa, mas ceias de Natal são importantes para mim, principalmente com a família toda. Quando eu era criança e morava em uma cidade perto daqui, eu costumava vir para cá nas férias e a gente passava momentos bem legais no Natal. Eu tenho lembranças de dormir no quarto da minha biza porque eu não aguentava ficar acordada até a meia noite e depois que o horário chegava, comer a ceia sentada na frente da TV vendo os especiais de Natal da Globo. E no dia seguinte, no famoso "enterro dos ossos" a gente fazia as brincadeiras. Eu me lembro de um bingo em que eu ganhei uma boneca que tinha cheirinho (se eu não me engano). Era geralmente quando os Santana que tem talento para música se juntavam para cantar e falar da infância deles. Minha vida não era perfeita na época, mas esses momentos me deixavam feliz e me fazem sorrir até hoje. Minha vida não é perfeita hoje, mas ela pode ser feliz no Natal. Por isso é tão importante.

Meu quarto é o do lado direito. Eu e minha irmã somos fofas né?
Christmas shopping
Ah, você quer dizer aquele dinheiro que eu guardei para o meu aniversário? Deixa eu explicar: quando eu digo "Christmas shopping" eu quero dizer, além da decoração e da comida, as roupas e sapatos novos que você normalmente compra para o Natal e para o Ano Novo. A questão é: esse ano eu não comprei nada disso. Eu moro em uma cidade onde preço de roupa é completamente absurdo! É uma boutique a cada esquina, cada uma querendo cobrar preços horrendos por roupas que eu compraria por 10% do preço em outro estado. Depois que eu vi um vestido de malha desses que a tinta sai na primeira lavagem (imagem meramente ilustrativa) por 80 reais, eu simplesmente decidi que nunca mais compro roupa fora de loja de departamentos nessa cidade. As lojas de departamento pelo menos tem preço tabelado, apesar de as melhores peças nunca chegarem aqui (eu ainda estou esperando uma blusa que eu vi na C&A do Rio em setembro chegar na C&A daqui, mas a daqui ainda tem peças de São João). E só para piorar em dezembro, preço de roupa sobe demais. Desta forma, pasmem, eu vou usar o mesmo vestido que usei no Natal (vocês vão descobrir o que eu vou usar no Ano Novo no próximo post) do ano passado e guardar o dinheiro que usaria em roupa para o meu aniversário, que é em 57 dias. É uma questão de inteligência que não tem nada a ver com o fato de que eu não gosto tanto assim de comprar roupas.

Pequenas tradições que me fazem feliz
Eu fiz uma pequena playlist no Spotify apenas com minhas músicas de Natal preferidas: All I Want For Christmas is You, Santa Claus is Coming to Town e a minha preferida de todas Rockin' Around The Christmas Tree que eu quase morri ao achar na minha versão preferida, na voz da Miley Cyrus (Tantas lembranças do Natal de 2009). Não tenho um filme de Natal preferido e nem nunca assisti os clássicos, porque eu sou péssima, mas eu amo ver os especiais de Natal na TV. Meu conto preferido de Natal é A Pequena Vendedora de Fósforos, mas meu livro que tem ele não está comigo (metade dos meus livros ainda estão no meio do caminho da mudança, na casa do meu tio. Uma das metas para 2016 é trazer esses livros para cá de uma vez), então eu simplesmente vou reler meus dois contos preferidos da antologia organizada pela Stephanie Perkins, O Presente do Meu Grande Amor, que eu ganhei da minha irmã ano passado: É um milagre de Yule, Charlie Brown da própria Stephanie e Baldes de Cerveja e Menino Jesus da Myra McEntire.
Também existe a tradição de ir ver as luzes da cidade, cumprida ontem. Foi completamente decepcionante porque a praça que eu sempre visitava quando era criança foi negligenciada pela prefeitura este ano. Eles não fizeram muito esforço em decorar aquela praça, já que gastaram muito mais dinheiro em trazer as atrações dos shows do Natal da Cidade. A programação de shows ficou legal, mas minha infância foi destruída ao ver um lugar que eu cresci na expectativa de ver decorado todo ano ser decorado de qualquer jeito. Por outro lado, eu realizei o sonho de infância de poder comer um monte de besteira vendida nas barraquinhas da praça, ao invés de ter que escolher uma coisa só, como acontecia quando eu ia ver a decoração quando era criança.
Eu também tenho a tradição de ver as decorações de vários shoppings e tirar foto de tudo. Como eu não vou viajar, eu só vi a decoração de um shopping, o daqui e não ficou tão legal assim. O tema é floresta encantada ou algo assim e eu realmente gostaria mais se não estivesse lá desde outubro! Sério, a chegada do Papai Noel foi no dia 31/10 e o shopping já estava tocando jingles natalinos há mais de uma semana. Eu fiquei irritada porque colocaram a decoração tão cedo e quando finalmente entrei no clima de Natal, já tinha enjoado dela. De qualquer forma, postei uma foto fofa no Instagram e talvez acabe postando outra.

É isso. Esse foi um post bem tradicional de Diário de Bordo comigo falando sobre minha vida. Por favor, não cansem de mim, ainda faltam muitas partes.
G.

19/12/2015

Diário de Bordo 5 - Velha demais para isso - Parte 1: Começa assim

Considerando o fato de que meus professores são mais indecisos que geminianos com ascendente em libra (OOh, eu já comecei o especial falando em signo. Isso será interessante), eu me declarei de férias e aqui estou, pelo quinto ano consecutivo com o especial que tem a fama de ser o mais popular do blog: o Diário de Bordo. Para os leitores novos que não conhecem: o DdB é o especial (coluna?) de férias do blog que começou em 2011 quando eu viajei para a cidade onde eu nasci (que depois de muitas tretas é onde eu moro agora) e quis falar sobre detalhes da viagem. Nos anos seguintes, o especialvoltou para falar sobre o que eu ando fazendo nas férias, quer eu viaje, quer não. Possivelmente porque todo mundo está de férias e online, o Diário de Bordo normalmente é o especial mais lido do blog, mas recentemente tem sido alcançado pelo Mês Literário. O desempate definitivo acontece nesta edição.
Mas chega de falar sobre o especial e vamos ao especial. Para dar início ao fim do ano e tudo que vem junto com ele vamos começar colocando para fora algo que eu guardei durante 2015: minha amargura em relação à faculdade. O último post do Diário de Bordo 4 foi sobre minha primeira semana de aulas e era uma lista de "Coisas que ninguém te contou (e que, na verdade, você não queria saber) sobre a universidade", depois disso eu escrevi 4 outros posts sobre a faculdade: Não sei, sou de Humanas (o post mais lido do ano, a menos que um milagre aconteça até dia 31), Porque eu não sinto falta (nenhuma) do ensino médio, Aqui jaz o primeiro período e "Deu tudo certo", afirma paciente de clínica psiquiátrica (que combinava a primeira semana do segundo período da faculdade com a primeira semana de NaNoWriMo). Todos esses posts são sinceros, mas tem um tom animado e positivista que deixa 50% da realidade de fora.
Sim, eu ainda amo ser universitária (não a universidade em si, o ser universitária) e continuo sem sentir falta nenhuma do ensino médio (porque só gente louca sente falta do ensino médio), mas eu preciso ser completamente sincera com vocês e mostrar as partes completamente frustrantes e extremamente enervantes da universidade. Tradução: Meu fim de ano letivo foi tão horrivelmente irritante que mesmo que faça 15 dias que eu não tenho aula, eu preciso descontar essa raiva e vocês vão ter que me engolir. Se você veio para um post feliz e contente, eu sinto muito. Preciso avisar antes que eu nunca fui tão agressiva em um texto em toda a minha vida. Sem mais delongas, comecemos o Diário de Bordo 5 com uma nova a lista:

Coisas que você precisa deixar para trás por definitivo quando entra na universidade*

*Guia direcionado para alunos de universidades públicas. Vocês das particulares gastam uns 30 mil por ano, mas não passam pela maior parte das frustrações que eu vou listar. Sortudos malditos.

1. Planos a longo prazo
Todos nós sabemos que eu só usei esse gif porque Toby Regbo com cara de bebê.
Me chamem de maluca, mas por ter pulado o primeiro ano do ensino fundamental, eu tinha essa ideia completamente louca de que terminaria a faculdade antes dos 21. Pelos meus cálculos, seria no fim de 2018, quando eu teria 20 aninhos. Isso combinava com a minha ideia de procurar um emprego lá fora em 2019 e me mudar para New York antes de 2021. Além disso, eu e uma amiga tínhamos um combinado: 2 anos depois do nosso primeiro dia na faculdade nós iríamos viajar para qualquer lugar e fazer tipo um mochilão. Então acontece que justo no meu primeiro semestre de jornalismo eu pego uma greve de 3 meses.
Agora eu estou estimando minha formatura para 2020. 2021 se eu reprovar em alguma matéria que seja pré-requisito. Se a segunda greve sobre a qual corre um rumor acontecer no ano que vem, eu me agarro a 10% de esperança de conseguir me formar antes dos meus netos. E como a faculdade da minha amiga também teve greve em datas diferentes das da minha, os calendários estão completamente fora de sincronia. (E a realidade bateu: aluno universitário fazendo mochilão no meio do curso? AHAM, ATÉ PARECE QUE DÁ). 
Basicamente, não planeje nada pelos próximos... 10 anos. No mínimo. Você, sua vida e seus calendários pertencem à faculdade. Você não tem como saber quando vai ter aula, se vai ter aula, como vai ter aula, onde vai ter aula, nada do tipo. Então apenas reserve sua vida para a faculdade e quando não tiver aula, durma. É o único conselho que eu posso dar a todos vocês.
Obs.: O primeiro que vier comentar que não passou por greve durante a faculdade, morre. :)

2. Auto-respeito
Ainda me restam mais de 6 semestres de faculdade e eu já fiz muita coisa da qual não me orgulho. Eu dormi em lugares, eu estudei em lugares, eu sofri em lugares que vocês nem poderiam imaginar. Sorri quando eu queria socar a professora no meio da cara. Engoli em seco, quando não queria ir contra o que todo mundo pensava. Sorri amarelo ao ouvir a frase "Aah, mas estudante de universidade pública tem que saber aguentar isso mesmo" porque não quis arrancar os dentes de quem me dizia aquilo. Fiquei calada quando sentia que expressar minha opinião não valia a pena... Mas eu posso expressar ela aqui.
Todo mundo é tããão revolucionário, mas ninguém quer mesmo mudar a situação atual e fazer com que "uma greve por ano" deixe de ser "o normal". Eu sempre achei que o fato de o Brasil ter um ensino de qualidade em universidades públicas (ou seja, estar no sentido contrário de países cujo ensino superior é caríssimo) fosse algo que nós pudéssemos nos orgulhar, mas claramente não é, porque aparentemente a única forma de conseguirmos o que precisamos é ninguém ir para a faculdade por 3 meses - algo que vem dado tão certo durante todos estes anos, que precisa acontecer o tempo todo! Mas claro que eu não devo ter uma opinião sobre isso porque eu nunca fui a nenhuma assembléia, já que a maioria termina depois das 18h e eu moro outro lado da cidade, em um bairro perigoso e tenho responsáveis legais rígidos. LOGO, eu engulo minhas opiniões, sorrio amarelo e vivo mais um dia de aula - se é que vai ter aula mesmo.

3. Expectativas a respeito de melhoras no relacionamento com o corpo docente*
*Nossa, o nome de esse item ficou grande.
E como é que você quer que eu deduza exatamente o que você quer??
Eu já tive até agora 10 professores, dos quais eu só tive aulas mesmo de 9 e só 4 corresponderam às minhas expectativas sobre o que é um professor universitário. Eu esperava pelos professores "leia isso, fiche isso, faça um seminário sobre isso", mas se eu quisesse professores que estão lá apenas para fazer pressão psicológica e depois não se dar ao trabalho de prestar atenção no que foi produzido por mim e por meus colegas de turma EU CONTINUAVA NO ENSINO MÉDIO. Mesma coisa para os professores que tem a incrível capacidade de ser mais desorganizados que eu. (Gente, não é fácil. Eu arrumo meu guarda-roupa de 3 em 3 meses. Eu estudo para a prova no ônibus. Eu trabalho com deadlines fazendo o trabalho de 2 meses em 6 horas e ainda assim tenho professores que conseguem ser mais desorganizados que eu!) E notas padronizadas para a turma inteira, vocês estão brincando né? Eu prefiro reprovar na matéria 4 vezes porque não fui boa o suficiente em um trabalho do que tirar 8 porque a professora ficou com preguiça e deu 8 para todo mundo. Não é mais o ensino médio onde a gente aprendia coisas que só vai usar no vestibular! É a universidade! Vocês estão formando profissionais que precisam de orientação!! Não adianta passar a aula reclamando da mídia, se a sua chance de mudá-la no futuro, formando melhores profissionais está sendo jogada pela janela com o seu completo descaso.
Além disso, eu conheço gente que cursa jornalismo em universidades particulares e públicas espalhadas pelo Brasil. Todas as vezes que eu vejo essas pessoas falando sobre o curso e sobre o que aprenderam, eu sinto um déficit absurdo no meu aprendizado. E eu não posso fazer nada a respeito, porque isso não parece ser algo que mobilize muita gente a lutar. Ou que depois de 30 anos a universidade vá querer mudar.

4. A vontade de ler

Ok, eu posso estar exagerando, minha vontade de ler não foi COMPLETAMENTE assassinada pela faculdade, mas ela foi bastante agredida e se encontra na UTI não passando nada bem. Eu posso contar nos dedos o número de apostilas que eu realmente li este ano e todas elas foram apenas por causa de seminários. Como depois tudo vira debate, eu acabo conseguindo acompanhar o assunto e aprender na sala de aula, como acontecia nas aulas das matérias de Ciências Humanas no ensino médio. Eu realmente seria capaz de produzir textos melhores em artigos e avaliações se eu lesse as apostilas, mas eu simplesmente não consigo. A ideia de ler as apostilas até o final me causa uma agonia profunda. Não, não é sono, é agonia. É como se eu fosse ficar trancada em uma sala vazia com apenas uma voz irritante repetindo a mesma coisa por horas.
E é exatamente assim que eu me sinto: a maioria dos textos teóricos são 200 páginas, sendo que as últimas 195 repetem de forma mais longa o que já foi dito nas primeiras 5. E é claro que eu sei que o teórico está tentando expor sua ideia e demonstrar como está certo através de diversas provas e referências a pensadores que vieram antes deles, mas pelo amor de tudo que há de mais sagrado CALA A BOCA. Eu já entendi e já tive como saber se concordo contigo ou não na página 5. Os maravilhosos teóricos também tem a capacidade de transformar uma frase pequena em 20 linhas. Foi algo que eu notei fazendo os slides do meu primeiro seminário no começo do ano: tudo que o cara dizia em 3 parágrafos podia ser resumido em um tópico e entendido perfeitamente bem. ENTÃO PORQUEEEEEEEEEEEE LEVAR TANTA LINHA PARA DIZER ALGO CURTO? Vocês parecem escritores desesperados no meio do NaNoWriMo. E até nós escritores de NaNoWriMo editamos e cortamos as partes desnecessárias. (O que me lembra: acho que vou tirar um novembro para escrever meu TCC - que se tudo der certo, será um livro-reportagem. Mas eu posso mudar de ideia, eu só estou no segundo semestre).
E é claro que isso afetou minha vontade de ler livros que eu realmente quero ler. Principalmente porque, presa com um livro teórico por 5 meses, eu não tenho como começar os livros que eu tenho na lista de leitura. Além disso, meu cérebro está começando a associar a ideia de ler com cansaço e agonia. Eu vou acabar 2015 tendo lido menos da metade dos livros que eu li em 2014, não porque eu estudei mais (eu tive 4 meses a menos de aulas em 2015 do que em 2014), mas porque fiquei presa com livros por meses, já que eu tenho essa regra de ler o livro que eu estou em mãos até o final. Eu sei que um monte de gente adora livros acadêmicos, amam a forma de aprender e que precisam das repetições e dos detalhes para aprender a teoria. Tenho amigos que querem seguir a carreira acadêmica e superaprovo, porque nós precisamos de professores e teóricos, mas sinceramente, no momento, minha ideia de inferno é eu, uma sala vazia e um livro teórico de mais de 50 páginas.

E esse foi de longe, o post mais sarcástico e amargo que eu já escrevi em toda a minha vida. Um pouco infantil, também, minha professora de Gêneros Jornalísticos ficaria envergonhada. Mas eu nunca me senti tão aliviada de ter posto isso tudo pra fora. Desculpas para quem está acostumado comigo sendo feliz. E esse post não deveria ter saído agora, mas sim no começo do mês, e é por isso que eu acho (eu ACHO, vai saber se vai dar certo) que teremos 3 posts esta semana. A partir da meia noite é oficialmente semana de Natal e eu estarei em modo comemorativo, já que quero fazer desse Natal um dos melhores de todos. Mas falarei disso em outros posts do Diário de Bordo.
G.

11/12/2015

Diário Artístico: Tomando controle dos meus demônios internos

Ok, então as duas últimas semanas foram uma bagunça. Eu disse no PS do último post que o Diário de Bordo 5 só começaria dia 23 de dezembro porque é quando minhas aulas acabariam. Na quinta (3), foi anunciado que a universidade estaria paralisada de 7 a 11 de dezembro, em protesto contra algumas leis do novo governador. Depois de irmos para a faculdade para nada na sexta (4), e considerando que não teríamos aula dias 14 e 15, todo mundo resolveu que pedir para cancelar as últimas 5 aulas do ano (16, 17, 18, 21 e 22) era a coisa mais lógica a ser feita, principalmente para quem mora fora. Eu me declarei de férias, então, e avisei na página que o post seguinte seria o primeiro do Diário de Bordo 5. No começo da semana, depois que eu decidi o nome do DdB 5 (que inclusive será "Velha demais para isso"), decidi o tema da primeira parte e comecei a escrever, descobri que o professor de Crítica Cinematográfica tinha deixado um aviso no portal dizendo que precisaríamos ter aula na semana que vem, sim. Depois, ele disse que não sabia se ia dar certo e até o presente momento, eu não faço ideia se estou mesmo de férias ou não. Faculdade é ótimo, gente, vocês deviam tentar.
A questão é, como eu fui obrigada a cancelar abruptamente o post que já tinha planejado, eu passei o resto da semana tentando decidir sobre o quê escreveria e procrastinando muito. Depois de pensar muito a respeito, fuçar todos os 21 posts que eu tinha salvo nos rascunhos e achar todos um lixo, procrastinar um pouco criando a playlist de retrospectiva 2015, eu finalmente resolvi escrever sobre... Escrever. Sim, de novo. E eu sei que esse é o 6º post consecutivo sobre o assunto e que não é o Mês Literário, mas é isso que vocês ganham ao ler o blog de uma escritora. Especialmente de uma que ainda está com ressaca do NaNoWriMo. Eu vou parar de falar disso em algum momento.

Eu nos raros momentos em que saio de casa.
Tá, aqui vai: No post sobre a terceira semana de NaNoWriMo eu comentei a respeito de uma ideia de conto que eu tive "que está parecendo um vírus no meu corpo agora e precisa ser colocado para fora de mim imediatamente". Eu me senti bem vitoriosa por ter mantido essa história no fundo da mente durante todos os dias de novembro e nesta semana, em dois dias, eu acabei escrevendo o conto inteiro. Ele, na verdade, é uma continuação de um conto que eu escrevi como oneshot em 2013, postei no Nyah! e que acabou guardado na gaveta depois que eu deletei minha conta. Até o começo do mês passado, só uma pessoa além de mim havia lido esse primeiro conto, mas eu acabei cometendo o erro de comentar na faculdade sobre ele e enviei para duas amigas que insistiram até que eu fizesse isso. Depois de ter recebido reviews positivas das duas, eu acabei percebendo que queria trazer uma das personagens do conto original de volta e acabar com a vida dela completamente. Resolvi enviar o conto original para mais gente e de repente a personagem em questão resolveu abrir a boca e não parar de falar mais até que eu escrevesse. Era uma história que eu sentia uma necessidade absurda de escrever por diversos motivos internos e externos, então não foi exatamente difícil de escrever. Eu sinto que se não tivesse de ressaca do NaNoWriMo ainda, o conto teria ficado muito melhor, mas as críticas que eu recebi foram apenas pelo segundo conto ir no caminho oposto do final feliz que a personagem teve no primeiro conto. Eu tive uma ideia para um terceiro conto, para fechar uma trilogia, mas eu não posso deixar essa ideia tomar conta agora, porque eu acabo de voltar ao universo de Mais Uma Vez e vocês querem que eu termine meu primeiro livro ou não?
Eu só estou contando isso porque ultimamente minha vontade de escrever tem me dominado de uma forma que nunca me dominou. E o que eu tenho escrito, como eu tenho escrito e o que tem me levado a escrever tem me feito pensar em porquê eu escrevo. A resposta está no título do post: Eu escrevo para controlar meus demônios internos. Querendo ou não, tudo que eu escrevo possui pedaços gigantescos de mim. Nenhum personagem é completamente eu, mas todos os personagens tem características minhas. Nenhuma situação escrita é exatamente o que eu vivi, mas muitas delas são metáforas ou estão bem relacionadas. Eu disse em algum momento que o final de A Linha de Rumo foi definido porque muita gente que eu amo passou por situações horríveis na época, e é basicamente isso mesmo, o que eu escrevo depende muito das situações que eu estou vivendo, que são absorvidas, caso eu queira ou não. É um dos motivos para eu querer experimentar o máximo possível e vivenciar tudo que eu puder vivenciar. Eu quero viver todas as situações boas e todas as situações ruins ao máximo e fazer o que puder para transformar tudo em palavras e mudar pelo menos uma vida com isso, mesmo que seja a minha.
Quanto a meus demônios internos, aquelas vozes malditas e os impulsos que me fazem cometer erros sequencialmente, bem, eles são a piada, porque como escritora, eu posso transformar inseguranças e erros em algo que é muito maior que eu. Então, não, vocês não estão me controlando, eu estou fazendo de vocês algo muito melhor. E ao contrário do que muita gente pensa, isso não é maturidade ou foco, é apenas algo sobre o qual eu nem tenho controle. Por que eu escrevo? Porque eu não tenho opção. Eu escrevo porque quando falo, eu quero que alguém escute e quando eu escrevo, ninguém precisa escutar. Sou eu, o teclado (se eu fosse ambidestra ou não sentisse dor no pulso tão rápido, poderia ser uma caneta), uma história ou um post de blog e as vozes na minha cabeça que não estão falando comigo. É claro que eu quero alcançar pessoas com o que eu tenho a dizer e encho o saco de todo mundo para ler o que eu escrevi, porque eu amo tanto escrever, que eu quero trabalhar com isso e sobreviver disso. Mas ainda que absolutamente ninguém lesse nada que eu escrevo, escrever ainda me faria bem. Ainda seria a coisa mais importante do mundo para mim. Por causa do controle sobre os demônios e de poder passar por minhas experiências de uma forma que a maioria das pessoas não passa, além de outras coisas que só quem escreve entende.
É isso. Eu nem sei o que eu quis dizer com esse post, mas eu precisava escrever?? Desculpa, eu nem posso prometer que vou voltar a fazer sentido um dia, porque eu nunca fiz. Eu voltarei em breve.
G.

P.S.: Eu não vou postar a duologia de contos em lugar nenhum, porque razões, mas eu estou disposta a enviar a qualquer um que quiser por e-mail, desde que me deem um feedback sincero. Se for a pior coisa que vocês leram, pode dizer na minha cara. Eu vou sobreviver.

01/12/2015

Diário Artístico: Não sei, só sei que foi assim

Comecemos o post com a frase que eu tenho repetido muito para mim mesma nas últimas quase 24 horas porque ainda não aceitei nem absorvi a situação completamente: EU ESCREVI UM LIVRO INTEIRO DE 88 MIL PALAVRAS EM 30 DIAS. O QUEEEeeeEEEE? Aquele projeto que era inicialmente uma frase anotada no meu caderno roxo de ideias agora é um manuscrito inteiro com 144 páginas de um monte e altos e baixos e muita dor e sofrimento envolvidos. O QUEEEeeeEEEE? Aquela vozinha irritante de narradora na minha cabeça agora é uma personagem completamente formada, com história de vida, vontades e diálogos. O QUEEEeeeEEEE? Ok, parei. Eu só estou muito chocada por tudo em novembro ter dado tão certo. E por A Linha de Rumo existir de verdade agora e não só na minha cabeça.
De alguma forma, a história que deveria ser sobre duas melhores amigas e sobre se descobrir aos 17 anos acabou envolvendo vários aspectos da vida real que eu não estava esperando. Leigh foi de apenas uma garota com uma melhor amiga e vivia em uma família em guerra para uma escritora com dificuldades em lidar com os próprios problemas e com os problemas dos outros. Enquanto isso Marlena foi do mesmo lugar que Leigh para a pessoa com a vida amorosa mais bem resolvida do mundo, com a habilidade de ser bem sucedida em qualquer coisa que fizesse. Eu me apaixonei tanto por essas personagens e pelas histórias que elas tinham para contar - e eu também as odiei muito por as amar tanto. Foi maravilhoso ver isso acontecer diante dos meus olhos, às vezes como se eu nem tivesse controle do que estava acontecendo. E meu coração está tão, tão partido por ter que deixar essas personagens de lado, mesmo que seja só por um tempo.
Esse post teoricamente é um diário e eu até poderia fazer como fiz nos outros e falar sobre cada dia, mas na verdade a quarta semana foi bem parecida com a segunda: eu tive crises de pânico e dias em que eu não escrevi quase nada, mas no final eu consegui me virar e alcancei a meta de terminar o livro em 30 dias. Minha contagem total de palavras ficou 88088 no Word e 88,255 no site do NaNo, porque para vencer você precisa passar pelo contador deles e o contador do NaNoWriMo funciona um pouco diferente do contador do Word. Eu estabeleci que a contagem que eu queria era de 88 mil palavras anteontem, porque 8 é o número da sorte das meninas (que nasceram em 08/08/98) e o meu também (E do Etienne Bowler também, mas não vamos colocar MisterWives no meio dessa história).
Então, ao invés de simplesmente narrar como foi minha semana e considerando que eu ainda estou em negação sobre esse fim e sobre dizer até logo às minhas personagens, eu vou pedir licença à tatii por meio que pegar a ideia dela e apresentar minhas personagens mais importantes.

Nos dois sentidos de "my books"
Eu acabei trabalhando com 6 personagens que foram indispensáveis para a história: as duas principais, Iris, Lucy, Delilah e Dr. Anna Maria. (Além dos quatro pais das duas, que são quase uma história à parte). Iris é uma amiga de escola das meninas que está um ano à frente e que se intitula assessora e assistente de Leigh pelo tempo que ela precisar. Iris é uma das personagens mais confusas, porque ela tem uma mente extremamente lógica, mas é viciada em horóscopo - o que significa que ela tem toda essa teoria científica que prova que a posição dos astros realmente influencia na personalidade da pessoa. Ela também tem um alterego que ela chama de "Sherlock Chanstain" que acaba solucionando muitas tretas na história. Ela foi adotada quanto tinha 3 meses por Charlie e Sam Chanstain os dois pais mais compreensivos do mundo e tem uma irmã mais nova chamada Helena. Lucy é filha da irmã dos pais de Marlena e Leigh, ou seja, uma prima. Ela é dois anos mais velha que as meninas e como ela mesma cresceu em um ambiente tóxico no próprio núcleo familiar, ela acabou meio que criando Marlena e Leigh no aspecto emocional da coisa. Ela estuda psicologia a algumas horas da cidade da família, mas tira uma semana de folga e consegue passar um tempo na cidade ajudando qualquer membro da família que precise, mesmo que ela mesma esteja triste e com medo por causa do acidente. Acho que Lucy tem uma das minhas personalidades preferidas porque ela usa cuidar dos outros para não se preocupar consigo mesma. Marlena também tem um pouco disso, mas ela é mais do tipo "tenta focar em qualquer outra coisa" quando está triste. Delilah é a irmã de 8 anos de Marlena e absolutamente a única pessoa na família Reech disposta a dizer a verdade a respeito de qualquer coisa, o que pode ou não ser bom para a família no fim das contas. Ela não deveria saber sobre tudo que está acontecendo no hospital, mas ela acaba descobrindo por si só e resolve soltar umas bombas nas cabeças das pessoas. Finalmente, Dra. Anna Maria é a médica traumatologista de Marlena e a única pessoa que consegue entender perfeitamente o laço que Leigh e Marlena possuem. Elas são todas os amores da minha vida que eu quero proteger de qualquer coisa ruim, mesmo que às vezes não consiga. Eu ia postar um trechinho do livro aqui para provar a preciosidade dos meus bebês, mas o Office deu um bug que só é resolvido se eu reiniciar meu computador e eu não quero fazer isso agora, então eu fico devendo??? Natal tá chegando.

Falando em Natal, vou deixar essa sugestão gráfica aqui.
Para finalizar o post e dizer adeus definitivo ao NaNoWriMo (O QUE? COMO ASSIM? NOVEMBRO COMEÇOU ONTEM!!!), eu preciso naturalmente agradecer a cada pessoa que me ajudou nesse mês inteiro, porque esse mês foi repleto de um apoio que eu não esperava de um monte de gente que estava passando pelos mesmos perrengues que eu. Esse parágrafo quase todo é pra essas pessoas e pode ficar bem pessoal, então os não interessados podem pulá-lo se quiserem. A começar por dona tatii (eu sempre escrevo o apelido dela com letra minúscula, mas é porque ela disse em algum momento que não gosta de letra maiúscula, só é obrigada a usar e eu fiquei com isso na cabeça, então me deem licença) que escreveu o livro mais esperado do NaNoWriMo: Eu fiquei tão feliz por você ter terminado outro livro e ainda ter escrito mais 26 mil palavras, que assim, a gente vai ter que ler, dentro ou fora do livro, porque é uma questão de necessidade ler o pov da Kaia. Você tem sido tipo uma das minhas maior apoiadoras (essa palavra existe?) nesses últimos dois anos, com seus textões nos comentários que eu amo muito ler e nossas conversas sobre um monte de aspectos da vida. Você é maravilhosa, sério, não esquece disso. Tem também a Gih que me achou no Twitter e que basicamente trouxe as outras meninas: Você é incrível, de verdade. Você realmente venceu o NaNoWriMo no meio do mês, não subestime a importância disso. E ainda vai voltar agora em dezembro! Eu não estava brincando com o que falei depois de ler Jardins, é uma história maravilhosa e promissora, mas eu realmente acho que você precisa escrever o que você sente que deve no momento. Uma vez eu vi a Melissa de la Cruz dizendo que ela geralmente escreve pelo menos dois livros ao mesmo tempo porque sempre que ela se sente bloqueada ou insegura sobre um, ela muda para o outro e assim nunca parece trabalho. Então, não, não se sinta culpada por abandonar um projeto e ir para outro e repetir o loop 50 vezes. Você escreve o que precisa escrever no momento. E você é uma boa escritora, mulher, olha aquele primeiro capítulo de Jardins!! Tem também Laís, que se as propagandas estão certas ainda vai destruir minha vida com algo que escreveu (seja OMAM, CQ ou com qualquer outra história): se um dia eu te vir falando que o dia em que você completar alguma coisa o mundo acaba eu vou atrás de você em Gravataí. Ninguém mandou escrever 20 mil palavras em um dia, agora eu realmente acredito que você pode fazer qualquer coisa e vou te ver como heroína pra sempre. Isadora, minha futura agente: Eu fiquei bem animada com Hibridos e com seus personagens e espero que esse NaNo em dezembro seja maravilhoso. Precisando de apoio, estaremos lá o mês inteiro, tenha certeza. Annie, meu amorzinho que fez o NaNo pela primeira vez e venceu, mesmo estando escrevendo o TCC do curso junto: SUA LOCA, EU QUERO O LIVRO NA MINHA MESA ASSIM QUE POSSÍVEL. Sério, eu li dois trechos e já achei uma das melhores coisas que você escreveu, meu bem, olha só pra aquilo. Te amo, mas termina o livro. Obrigada. Tem também Juliana, Dani e Helena, com quem eu não falei tanto assim, mas me ajudaram muito me parabenizando e incentivando pacas: Ju (olha eu fazendo a íntima), eu ainda tenho que dar uma olhada no seu blog e no que você escreveu porque eu te vejo falando e não fiz isso ainda (Eu sou a louca que vê tudo na timeline). Dani, eu fiquei bem feliz por você ter vencido e seus comentários sobre o que você está escrevendo me deixaram bem animada para saber mais sobre. Quero detalhes. E Helena, você não escreveu em novembro, mas ainda assim ajudou pacas não só a mim como a um monte de gente. Você é demais, sério. Ah, Yara também. Eu nem vi como você terminou, mas sei que você foi muito bem. E também espero saber mais da sua história. Todas vocês foram importantes demais esse mês, ajudando, incentivando, falando sobre a história. Eu não esperava conhecer e falar com tanta gente esse mês e ter tanto apoio em relação a ALdR, mas vocês estavam lá e foram completamente incríveis. Agora é sempre né? Todo livro, cada projeto novo, cada ideia maluca. Vocês vão ter que me aguentar e podem contar comigo para apoiar em tudo.
Eu não vou esquecer de falar da galera da faculdade também, que não participaram do desafio porque eu estudo com gente normal (não, mentira, vocês são piores que eu): Caren Babi que tavam lá me ameaçando e me chamando de louca quando eu batia as metas malucas. "Só trabalha" é o novo bordão de Caren, porque sim. Tem Vic também que tava sempre perguntando das metas e já prometeu me ajudar na divulgação e se precisar na revisão. Promessa é dívida e eu cobro tá? Teve mais gente que estava sempre perguntando da contagem de palavras e vocês são demais. E a galera que já lê o que eu escrevo e me acompanha há um tempão, que talvez tenha ficado bem cansada de me aguentar surtando com esse desafio. Agora acabou. E se vocês me dão licença, eu vou ali no canto chorar em posição fetal.
G.

P.S.: Um leitor mais antigo do blog pode perguntar onde está o especial de férias do blog, que a essa altura já tinha começado nos últimos anos. Elementarmente, o Diário de Bordo 5 começa assim que eu entrar em recesso da faculdade, ou seja, dia 23 de dezembro (HEEEELP MEEEEEEEE). Eu só ainda não tenho certeza de qual nome ele terá.