Com nossas mãos sobre nossos corações

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Vamos todos tirar um momento para apreciar o fato de que eu consegui um tema para post relativamente interessante em menos de uma semana. Vocês não tem noção de quão perto estiveram de ter que aguentar um post de 15 parágrafos sobre meus ships da vida real que são apenas ilusão da minha cabeça. Ou algo sobre meus crushs. Com este post eu começo uma nova "coluna" do blog que por algum motivo dramático e filosófico se chama "Passos e Tropeços". É sobre eu, fazendo coisas que adultos fazem, falhando miseravelmente e então percebendo que todo mundo também falha porque ninguém está pronto para ser adulto na atual conjectura das coisas. Provavelmente vai ser legal. Este primeiro post é sobre morar sozinha e ter minha própria casa, mas eu gosto de pensar que essa explicação é redundante porque todo mundo que me conhece captou a referência no título.
Caso você ainda não tenha me visto surtar a respeito, eu me mudei para um apartamento sozinha com a minha irmã no começo de abril. Nós estávamos planejando isso há um tempinho e tínhamos um monte de ideias na cabeça, mas nada te prepara para a situação real, olho no olho, cara na cara. Mas eu preciso dizer: Eu não voltaria atrás nem a pau. Me mudar provavelmente foi a melhor escolha que eu fiz em 2016. Mesmo que o apartamento tenha vários problemas hidráulicos e que eu odeie lavar a área de serviço e que eu continue levando bronca da minha irmã por não manter a casa arrumada. Pode ser parte da minha necessidade constante de movimento, provavelmente algo a ver com independência, impaciência e introvertimento, mas me mudar para uma casa minha foi a melhor coisa que eu fiz nos últimos anos, sim.

Isso é da parede do meu quarto. Eu transformei minha inabilidade em cortar letras em cartolina em uma fonte própria. #Winning
O apartamento alugado é térreo, tem dois quartos, uma cozinha grande o suficiente para duas adolescentes, área de serviço, um banheiro claro e espaçoso, varanda e uma garagem enorme que originalmente era só nossa, mas agora nós dividimos com o apartamento de cima - em troca de uma diminuição no valor do aluguel. A sala também é bem grande e tem uma área de luz com a janela dos dois quartos e uma das janelas da sala (ela tem outra que dá para a área de serviço) - meu gato ama entrar lá por uma janela e sair por outra, mesmo que isso signifique ficar miando até alguém abrir a outra janela. O apartamento também é bem frio, porque fica tão no fundo que o sol só chega até o meio da varanda, mas isso é uma coisa boa. O piso é meio irregular e as paredes foram mal pintadas pelo último morador, a porta da frente só fecha se for na chave e o portão precisa de vários truques para abrir e para fechar (O que deixa a casa mais segura?). Também tem bastante formiga aqui e eu já consegui identificar dois formigueiros dentro da casa. Não fica em um dos bairros principais da cidade, mas fica do outro lado da zona da cidade onde eu morava. A falta d'água é constante: Desde o feriadão de Tiradentes, ainda não houve uma semana em que não faltasse água (Mas nas últimas 3 a cidade inteira entrou em racionamento, então não estamos sozinhas nessa). É um lugar confortável de morar, mesmo sendo perigoso em alguns momentos, mas que parte da cidade não anda perigosa ultimamente? A parte assustadora, a que faz com que eu tenha um momento de choque de vez em quando, é o fato da casa inteira ser de responsabilidade minha.
Não estou falando de limpeza, de manutenção, de abastecimento, porque eu ainda moro com a minha irmã. A gente divide essa parte, muitas vezes inclusive ela fazendo mais do que eu faço. Além disso, eu não fico sozinha sempre e tenho alguém para me ajudar caso algum tipo de emergência aconteça. A questão é que qualquer coisa que aconteça com a casa e que quebre uma das 26 clausuras do contrato é culpa única e exclusivamente minha. Não que eu esteja fazendo algo que possa descumprir as mesmas, mas eu sou jovem e paranoica. E se eu quebrar o blindex do box e tiver que pagar por um novo? Eu lembro do peso bizarro que caiu sobre as minhas costas quando eu assinei o contrato de aluguel e como eu precisei repetir para mim mesma várias vezes que muitas pessoas fazem isso diariamente e que só dá errado se a pessoa for muito infeliz. Minha mãe mesmo assinou contratos de aluguel pelo menos 10 vezes só pelo tempo que eu estou viva e nunca deu errado. Ainda assim, uma parte do meu cérebro berrava em um clamor que só alguém com um caso grave de torschlusspanik e ecdemomania faria: UM ANO É MUITO TEMPO PARA SE MANTER PRESA A UM LUGAR. Estranhamente, depois que eu me mudei, duas semanas depois de ter assinado o contrato, essa sensação já tinha ido embora. Eu ainda sentia que muita coisa poderia dar errado, mas eu sempre sinto isso, sobre todas as coisas - pelo menos eu tinha parado de pensar que daria errado simplesmente porque eu tinha assinado um papel. Tive uma pequena recaída quando a primeira conta de luz com meu nome chegou aqui em casa, mas passou rápido e eu pude arquivar essa crise junto com as outras crises diárias de AI-MEU-DEUS-EU-SOU-UMA-ADULTA-AGORA-E-TUDO-QUE-EU-FAÇO-É-DE-RESPONSABILIDADE-ÚNICA-E-EXCLUSIVAMENTE-MINHA (Não sei se vocês notaram, mas eu tenho uma dificuldade absurda em assumir responsabilidade pelas coisas e lidar com essas responsabilidades depois).

EU ESCREVENDO SEMPRE
Quando eu efetivamente me mudei, eu tinha outras preocupações insanas na cabeça, como por exemplo a mudança, efetivamente. Eu estava me mudando para um bairro completamente diferente e longe de tudo que eu conhecia. Apesar de ter morado na cidade por um tempo relativamente pequeno (3 anos e alguns meses no total), eu cresci passando verões na casa dos meus avós e conhecia o bairro que eles moravam muito bem, o que quer dizer que quando eu me mudei para cá em 2014, a adaptação foi até fácil. Ir para um bairro desconhecido era outra história. Mesmo sendo na mesma cidade, o dia-a-dia é bem diferente. Estamos falando de mercados diferentes, lugares diferentes para lazer, ter que reaprender onde eu posso ir em determinados horários do dia ou não, onde é perigoso e especialmente - ESPECIALMENTE - os horários de ônibus. Para começar, as duas empresas de ônibus que circulam pela cidade dividem as zonas que circulam, então aqui a empresa de ônibus que mais circula é diferente da empresa de ônibus que mais circula na zona que eu morava. Por algum motivo louco, isso pareceu como mudar de identidade para mim. Meus ônibus para ir para a faculdade não eram mais meus ônibus. Pareceu muito estranho por um instante, como se eu tivesse que desapegar de algo, mas então eu me dei conta de que os novos ônibus são realmente meus. Eles são as linhas que passam na minha casa, um sinal claro de independência. E agora eu sou super apegada às linhas de ônibus que pego da minha casa porque elas são realmente minhas, não algo que eu herdei de quem veio antes de mim. (Sério, quão doida a pessoa precisa ter para ter essas crises pessoais por causa de linhas de ônibus?).
É engraçado lembrar sobre como eu odiava mudanças quando era mais nova e elas aconteciam com frequência e agora eu sinto uma necessidade absurda delas. Eu ainda odeio perder coisas e preciso de pelo menos um ponto de estabilidade na vida, mas cada dia mais eu ando deixando certezas irem embora e abraçando as mudanças como se elas fossem minhas melhores amigas. Por causa disso que eu me sinto feliz com essa mudança de casa, com esse algo novo que começa a surgir. E ao mesmo tempo eu me sinto estranha com como eu esperava que algumas coisas mudassem mais. Queria me sentir vivendo o que todo mundo chama de "a experiência de morar sozinha", vendo tudo mudar, podendo escrever textos sobre morar sozinha no Tumblr e vendo todo mundo se identificar. Mas nada disso aconteceu. O motivo principal é eu continuar na mesma cidade, claro, mas existe também o fato de que eu morava na casa dos fundos da casa dos meus avós e mesmo sendo a mesma casa, era como morar sozinha, com outras pessoas te observando, então eu tive tempo para me adaptar a isso. A alimentação (bem, os lanches. Almoço e café a gente tomava com eles. Além do fato de que se nossos lanches acabassem, óbvio que a gente poderia ir comer na casa da frente), a limpeza da casa e coisas como lavar roupa eram de responsabilidade nossa. Além disso, a gente pagava contas, tinha que resolver uns perrengues... Enfim, como eu disse uma vez sobre a vida entre 2014 e 2016: Eram todas as responsabilidades, sem independência. Morar na minha própria casa, me trouxe essa independência.

(Próximo parágrafo) Eu realmente tenho comido tanto pão ultimamente que meu último exame de sangue veio com uma alteraçãozinha discreta.
Eu também evolui nesse meio tempo. Mas não da forma como vocês estão pensando - Minhas habilidades de fazer comidas que são lanches aumentou em 300%. Eu desenvolvi formas infalíveis de fazer sanduíches com diversos tipos de pão e de fazer de queijo e presunto muito mais que queijo e presunto. Mês que vem eu também pretendo comprar alguns diferentes tipos de molho para aumentar a diversidade da condimentação dos mesmos sanduíches. Meu café também anda uns 50% melhor e se até aprendi a melhorar lanches com cream craker. Comidas de almoço é uma história completamente diferente. Primeiro porque eu não sei cozinhar, segundo porque eu chego em casa com fome demais para pensar em algo legal para fazer. Eu sou levada a acreditar que existem dois tipos de pessoas que moram sozinhas: As que não sabem cozinhar e as que não tem tempo de cozinhar. De uma forma ou de outra se você mora sozinha, haverá comidas prontas ou de fácil preparo na sua geladeira. Eu também tenho comido fora provavelmente mais do que deveria. O vício na sala de frango teriyaki o Subway anda bem real.
Por hoje é isso. Eu esperava que esse post fosse sair muito mais clichê do que ele acabou saindo. Eu amo como eu acabo saindo cheia de amor quando escrevo sobre isso. Imagina quando eu finalmente tiver minha estante de livros e receber todos os meus livros da mudança que ficaram no meio do caminho? Se preparem, porque eu provavelmente vou dedicar um post inteiro só para a emoção de ter uma estante - especialmente porque ela também vai ter uma mesinha.
G.

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