31/07/2016

Hiraeth

Olá, boa noite! Meu Deus, eu não acredito que o mês acabou. Parece que foi ontem que parecia que ele não chegava nunca e eu queria ele para simplesmente ter algo para escrever, um tema. E agora estamos aqui, dia 31 de julho, quase à meia noite. Foi um mês bem louco, especialmente por causa de todas as participações especiais incríveis e de todo o amor recebido por eles. Não tenho problema em admitir que se não fosse pelos contos da tatii, Annie, DaniLena esse Mês Literário não teria sido nem 10% do que foi. E olha que ele foi muita coisa com suas 1500 visualizações. Nunca vou me cansar de agradecer todo mundo por isso.
Amanhã começamos oficialmente o Agosto Aleatório (que é o título que eu dei ao mês de agosto já que eu normalmente prometo falar das coisas mais aleatórias possíveis no mês de agosto para compensar um mês inteiro de posts sobre literatura) e a divulgação pesada da segunda fase de As Crônicas de Kat. Quatro semanas, com algo novo todo dia de citações à playlists temáticas das personagens. Vocês estão prontos? Eu duvido muito.
Agora é hora de deixar vocês oficialmente com Hiraeth: um poema que eu vinha tentando escrever desde outubro, mas só consegui no mês passado depois do que eu chamei de "uma recaída de todas as doenças que eu já tive" na vida. Eu ainda fiquei frustrada quando peguei o poema hoje para editar, porque ele não era tão simples quanto eu pensei. Eu mal me lembro de quando escrever e editar poemas parecia fácil. É um poema sombrio sobre sentir e ser carregada por sentimentos. E especialmente sobre a personificação da saudade. Espero que não bagunce a cabeça de vocês:


HIRAETH [ri•ret]
Galês
Saudades de uma casa a qual não se pode retornar ou para a qual nunca se foi

Ela vem pálida como a lua
O vento castigando a pele nua
Mesmo que debaixo de vestes negras
salpicadas de estrelas

Ela te leva pela mão até o precipício
Lembrando que este é o fim, não o início
Dança contigo aos sons
das crianças da noite

Ela ri com vontade na cara da morte
Brinca com sangue; te lembra que é sorte
você ainda ter ar nos pulmões
respire; respire

Ela é sangue, ela é força, ela é vento
Não te mata, mas causa desalento
Te queima com as trevas
Piedade não é direito quando se está em seus braços 

29/07/2016

853km

OLÁ! Vocês estão sentados? Com suas caixas de lenço na mão? Chocolate por perto só para garantir? Porque hoje é o dia da última participação especial do Mês Literário de 2016 e o conto de hoje foi escrito por alguém que consegue destruir sua vida facinho em poucas palavras: Helena Guimarães. Os dois últimos contos que eu li dela acabaram com meu emocional de forma definitiva (Um deles é este aqui e o outro é Quarto Minguante, disponível no Watpad). Esse mês inteiro de participações especiais foi muito muito incrível. Quando eu pedi a algumas amigas que me ajudassem com o conteúdo daqui eu não esperava que tantas fossem aceitar o desafio e ainda fossem apresentar contos tão maravilhosos e que me fizessem fangirlar tanto (Sempre soube como elas são talentosas, mas este blog foi abençoado muito mais do que merece este mês). Eu acho que o conto da Lena é uma forma maravilhosa de terminar este mês e de resumir bem como ele foi incrível. Agora deixa ela falar:

Eu estava "viajando" com meus dois amigos e a ideia para essa história apareceu. Eu também estava sentindo demais naqueles dias - acho que a estrada faz isso comigo - e quando vi, tinha um caderno em mãos e escrevia a primeira cena! 
853km é uma história sobre querer estar perto e sobre como a vida foge do nosso controle e dificulta as coisas para que possamos fazer isso. É uma história de amor, pretensiosamente falando.
Espero que aproveitem a leitura!


Você precisa estar no aeroporto as 09:45, seu celular irá despertar as 04:10. Sabia que iria acordar cedo, mas ficamos conversando no escuro até pouco antes da meia noite. “Sou uma amiga para se sussurrar no escuro” dissera uma vez, agora também é uma amante.
O relógio no criado mudo ao seu lado marca 03:49 quando você começa a se mexer na cama. As 03:52 você já se virou duas vezes, mas ainda não despertou totalmente. Paro de me mexer para não te acordar e você se aquieta.
— Há quanto tempo você está acordado? – Sua voz rouca atravessa a escuridão.
— Desde as três e quarenta.
Você rola na cama e me abraça. Eu beijo o topo da sua cabeça, seu cabelo cheira ao meu shampoo. Você me aperta e meu coração dói.
— No que você está pensando?
— Tentando não pensar em nada.
— Eu te amo.
O meu mundo para um instante com as suas palavras.
— Vou no banheiro. — Avisa, mas não se mexe. Continua a me apertar e eu não quero que solte. — Quero ficar aqui... estou com preguiça – sua voz manhosa, ouço você sorrir e te faço um cafuné. Seu suspiro é alto.
Você senta na cama e se espreguiça. Observo o contorno do seu cabelo no escuro, a minha camiseta larga no seu corpo.
— Eu te amo tanto.
Você me olha daquela sua forma intensa, me dá um beijo e levanta.
Ouço os passos no corredor. A porta se fecha. A descarga no banheiro, a água no encanamento, a torneira sendo aberta. Quando você volta estou sentado na cama com a luz acessa. Seu rosto está molhado, os olhos vermelhos de sono de quem dormiu poucas horas, os cílios juntos por causa da água. Eu te acho a garota mais linda no mundo todo nesse momento, e é pequeno demais o instante que tenho para lhe apreciar, antes que você vire atrás da roupa que deixou separada na noite anterior.
— Vou no banheiro — não quero, mas você quer que eu saia.
Quando volto você colocou seus jeans gastados e ainda mais claros do que já eram quando você comprou. Não tirou minha camiseta. Está colocando suas meias, as rosas cintilantes.
— Você se importa? — Indica a camiseta. Eu reparo nos seus braços arrepiados por causa do frio.
— Pode levar o que quiser — inclusive eu.
Você veste seu moletom, o cinza com “wild” na frente e coloca seus tênis. Me encara. Quero me arrastar com você para debaixo das cobertas outra vez, e não te deixar me deixar, mas você diz que vai arrumar um copo de leite para gente e sai do quarto.
**
São vinte minutos até a rodoviária, mas você sempre gostou de usar as suas pernas para ir até os lugares. Carrego suas malas e você a minha mochila. O frio e a hora te fazem ficar quieta. É uma pena porque o som da sua voz me lembra porque eu gosto do mundo. Nós caminhamos no silêncio que parece encobrir todo o mundo e tudo que eu sinto é você.
As luzes do lugar deixam a sua pele com um tom amarelado. Deixa tudo assim, mas eu só reparo na sua pele. Você olha ao redor, está contente que há pouquíssimas pessoas aqui há essa hora. Foca seus olhos nos meus e pressiona os lábios no que deveria ser um sorriso. Olhar nos teus olhos é ser arrastado para sua imensidão profunda e escura, às vezes, não sei como emergir de volta.
— É tão cedo. Tudo é tão vazio e silencioso.
— O mundo está no mudo.
— Eu só escuto você.
Você segura a minha mão.
— Está preparado para mais de três horas de viagem?
— Para mim serão seis horas e vinte minutos.
Você me olha e parece que vai me dizer – outra vez – que não preciso ir. Mas não diz.
— Estou feliz por você estar aqui.
Você me abraça quando abro os braços para você. O seu corpo encaixa perfeitamente na curva do meu. Meu corpo esperou dezenove anos para encontrar o teu.
Seu ônibus sairá as 05:15, cinco minutos antes nós subimos. Você escolhe os assentos de número 15 e 16 no lado esquerdo. Guarda suas malas, mas continua com minha mochila, tem tudo que acha que pode precisar durante a viagem.
Deixo você com o assento da janela.
Quando o ônibus ganha a rodovia você vira-se para observar a linha do horizonte. Seus olhos só encontram a escuridão para olhar, mas sabe que isso mudará logo. Percebo que não vai dormir o que quer dizer que eu não irei dormir, para poder ver cada minuto que me resta com você passar até que um avião te leve para longe outra vez.
Você arranca seus tênis e coloca os pés em cima do banco, desdobra a coberta que trouxemos se cobre e me cobre no processo. Te trago para perto de mim, você apoia a cabeça no meu ombro e suspira. Beijo o topo da sua cabeça. Tudo é demasiado silencioso tão cedo.
— Quero ver o nascer do sol hoje. — Volta a olhar pela janela. — Quero ver com você. Não dorme, tá?
— Eu não ia.
Você acha minha mão debaixo das cobertas e começa a acaricia-la fazendo círculos lentos na pele do dorso.
Quantas vezes é possível que eu me apaixone por você?
O sol parece demorar tempo demais para nascer, mas você não parece notar ou se importar. Você continua encostada na lateral do meu corpo observando a linha do horizonte mudar de cor — da completa escuridão para o azul escuro para o azul claro para diferentes nuances de laranja e depois amarelo — só parando quando morros, montanhas ou serras escondem o horizonte, ou quando o ônibus atravessa uma cidade e as construções de cimento tomam conta de tudo que a vista alcança. O que quer dizer que você não fala direito comigo e toda conversa é apenas um ou dois comentários.
Hoje o teu silêncio me atormenta.

**

— Quando eu vou te ver de novo? – O sol já nasceu quando pergunto.
— Provavelmente esse aqui é o momento mais longe da próxima vez que você vai me ver.
— Você não sabe?
— Não. E não quero falar disso.
— Por quê?
— Porque você está aqui agora. Não quero pensar em como vou sofrer quando não estiver mais do meu lado, porque sei que vou sofrer. Que vai doer. Que eu vou sentir sua falta com tudo e precisar de uma semana para acostumar que estou de volta a minha vida e que não vou te abraçar no fim do dia...
Você morde o lábio e seus olhos ficam marejados. Não te peço desculpas por ter perguntando. Não falo nada. Você se recupera, e depois de um tempo apoia a cabeça no meu ombro e suspira. Mas eu sinto muito. Eu sinto muito toda vez que faço você sofrer. E sinto demais por não poder estar lá para você me abraçar no fim do dia. E eu sinto tudo antes, e já sinto tua falta mesmo que você ainda esteja aqui. Porque acordar no meio da madrugada, caminhar nas ruas vazias, pegar o ônibus na aurora é lugar nenhum. É só uma preparação para que você me deixe. De novo e de novo. Já estivemos aqui antes, eu e você, e sinto tudo que vou sentir quando você se for antes mesmo de ter ido.
— É difícil demais dar tchau para você toda vez e não saber se você vai voltar daqui dois meses ou daqui quatro.
— Por quanto tempo vamos conseguir manter isso?
— Por tanto tempo quanto você conseguir.
— Você não está me respondendo.
— Não tenho uma data de validada para você. Eu...
— Ninguém acredita na gente.
— Eu só quero que você acredite.
— Eu acredito.
Você tem mais a dizer. Você vai quebrar meu coração.
— É que eu não sei até quando eu vou continuar acreditando. E em alguns momentos como hoje você está tão fechado dentro de si que eu me pergunto se você não está perdendo a vontade.
— Eu só estou triste porque você vai embora.
— Prometa que você vai esperar por mim?
— Eu não tenho outra escolha. Meu coração não me deixa outra escolha, eu só tenho paz quando você está por aqui.
Você acaricia o meu rosto com as suas mãos, toca minha face, meu cabelo, minha boca.
— Eu vou estar lá para você sempre que você precisar.
Você acha que estou mentindo, mas me abraça forte.
De quantas formas eu posso dizer que te amo sem usar essas palavras?
Você cochila por alguns minutos nos meus braços, e se você soubesse como eu sou feliz por isso, como sou teu, e sou um homem feliz toda vez que você sorri não duvidaria. Depois quando você acorda, não está mais triste. O castanho dos teus olhos brilha outra vez.

**

Você me pediu para não ir até o aeroporto. A rodoviária é o último lugar em que irei te ver. Te perguntei por quê e você disse que em aeroportos as despedidas são ainda mais difíceis. Eu não sei, elas são mesmo para você?
Você coloca sua mala na calçada em frente a rodoviária, enquanto espera o Uber que chamou. Tira a mochila das costas e a encosta na mala. Você está se preparando para dizer adeus.
Eu não estou pronto.
Você vai me abraçar, me mandar ir tomar café e não perder o horário do ônibus. Vai entrar no carro e sumir na próxima esquina. Você vai chorar, e eu vou te ligar. Nossos corações vão se partir. Você vai dizer que sente muito e a motorista do táxi vai te oferecer um lenço. Você vai secar as lágrimas e agradecer constrangida. Você vai engolir o choro. Eu vou engolir a falta que você já vai me fazer e não deixar alguma lágrima inoportuna escorrer.
Na minha frente você suspira e eu paro de antecipar tudo. Você se aconchega no meu abraço. Eu te aperto tão forte e tão perto que fica difícil saber o que sou eu e o que é você. Tento segurar todos os nossos pedaços que estão se bagunçando agora. Eu tento segurar os meus pedaços que sempre vão embora com você, mas é em vão. Eles já são seus. Tudo é seu.
Você ainda cheira a minha cama, e minha cama está cheirando a você. Tudo cheira a você, até eu cheiro a você. Você transborda em mim.
— Eu não quero que você vá embora.
— Eu não quero ir embora.
— Se você apenas não morasse tão longe...
— Não vai ficar no nosso caminho.
Você me olha duro quando seguro seu rosto entre minhas mãos.
— Não vai ficar, confie em mim.
— Eu confio.
As pessoas não deveriam ver a forma como sou seu quando você beija a minha boca.
Depois te digo incontáveis eu te amo enquanto te beijo e te abraço, ainda que não use as palavras, e enquanto você se despede e vai embora levando tudo de mim.

27/07/2016

E com vocês, Dani

BEEEEEEEEEM-VINDOS AO SEGUNDO POST DESTA SEMANA E À TERCEIRA E PENÚLTIMA PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DO MÊS LITERÁRIO 2016. Hoje eu trago para vocês uma das melhores pessoas que eu conheço, a mais nova entre as integrantes da Tertúlia e uma das minhas sagitarianas preferidas: Danielle Soares, SENHORAS E SENHORES. O conto de hoje é maravilhoso e é do tipo que te faz querer sair correndo para uma aventura imediatamente. Parece até repetitivo dizer que ele é uma benção para os olhos de vocês, mas ele é. Não é minha culpa se eu só tenho amigas maravilhosas e talentosas. De qualquer forma, eu estou exausta enquanto escrevo isso então eu provavelmente deveria deixar a dona do conto falar agora antes que eu comece a soltar coisas sem sentido:

Fico muito feliz de poder compartilhar a minha ideia aqui no blog. É a primeira vez que faço isso, to meio tensa, mas vamos lá né? Eu tive a ideia do conto no meio de um banho (?) ou talvez tenha sido ouvido aquela música, ou no ônibus pensando na cena de um filme, ou quando a minha amiga me perguntou se eu gostaria de ter uma cena da minha vida sendo gravada. Na verdade, a ideia veio crescendo, mas só me lembro de quando ela surgiu. Acho que a verdade seja dita todo mundo já imaginou como seria se a vida fosse um filme - ou pelo menos desejou - mas é legal pensar que as vezes a realidade tem seus momentos cinematográficos, que são mais especias porque é algo de exclusividade nossa.


– Você lembra? – O garoto perguntou pegando o violão que estava encostado em uma arvore para dar mais espaço para eles.

 Os acordes doces se misturaram a voz afinada numa melodia que Lívia conhecia bem. A música marcava a história deles, fora por causa dela que eles se conheceram, ela nunca esqueceria. Sua voz se juntou a dele, nem de longe ela era tão boa, mas ele não se importava, nada era melhor que o sorriso que ela dava a cada vez que ele tocava a canção.

 – Está ficando escuro – disse a menina com um sorriso abafado – acho melhor irmos Murilo.

Ela levantando e bateu a calça onde pequenas folhas estavam grudadas enquanto deixava um sorriso evidente.

 O sol já havia se posto há horas atrás, eles estavam no ponto mais alto da cidade justamente para ver o céu se transformar com cores vibrantes de laranja, vermelho, rosa e por fim roxo que aos poucos fora dando lugar ao azul pálido que ficava mais escuro a cada minuto até se transformar em escuridão. Abaixo deles agora estava uma cidade acessa com milhares de luzes que do alto não passavam de pontinhos luminosos.

– Tudo bem – respondeu fazendo um biquinho charmoso.

 Ele colocou o violão do lado e levantou. Olhou de relance para a garota ao seu lado enquanto ela dobrava a toalha que forrava o chão que eles estavam sentados, o cabelo longo caído como uma cortina cobrindo o rosto de feições delicadas que lhe pertenciam. Mesmo com o cabelo na frente ele podia ver que um sorriso se formava no rosto dela, num impulso ele a puxou pela cintura fazendo com que ela se virasse pra ele.

– Dança comigo antes da gente ir embora? – sussurrou ao seu ouvido.

– Dançar com você? –perguntou entretida – Isso não é um filme.

– Então imagina que é. – Ele começou a se mexer devagar – Imagina que tem uma câmera aqui e que somos o mais novo casal de Hollywood fazendo milhares de pessoas suspirarem com nossa cena romântica.

– E qual seria o enredo desse filme romântico? – ela deixou ser conduzida por ele em passos vagarosos.

– O garoto quebrado encontra a garota quebrada e eles concertam seus corações juntando suas mentes malucas. – sussurrou. –Dançando depois do por do sol, longe de todos os problemas, criando um universo próprio exclusivamente para eles.

 Eles se gostavam e isso era evidente para qualquer um que reparasse na maneira em como se olhavam. Eram melhores amigos antes de qualquer coisa e a confiança que um tinha no outro era vista nos gestos que entregavam que eram também amantes.

– Ah, mas esse filme nunca seria vendido por Hollywood! – ela contra propôs entrando na brincadeira – Apesar desse enredo ser realmente ótimo.

– Baseado em fatos reais. Hollywood adora historias baseadas em fatos reais.

–Mas ninguém gosta de gente problemática. –Ela parou de dançar, se lembrando de que na vida real nada era igual ao cinema ou aos livros que ela gostava.

 Lívia tentava esquecer todos os dias, mas os problemas eram como pesos presos no calcanhar que a acompanhavam para onde quer que ela fosse sempre sussurrando sobre as separações dos pais, sobre a solidão, sobre se sentir diferente e não ter ninguém capaz de entendê-la, nem mesmo Murilo. Ele tinha os próprios problemas para lidar. 

– Quer saber? – Perguntou ele, quase como se pudesse saber o que ela estava pensando e completou falando bem baixinho ao seu ouvido – Que se foda toda essa gente.

 Os olhos dele brilharam como se tivesse descoberto algo maravilhoso naquele instante. Se soltando dela ele foi mai perto de onde o morro terminava e gritou o mais alto que pode.

– Que se foda toda essa gente!

O eco repetiu as palavras e ele as gritou mais altas, puxou a garota pela mão segurando firme e a incentivou fazer a mesma coisa.

– Isso é loucura. – respondeu insegura.

–Não seja o tipo de pessoa que rotula como loucura algo que ela não tem coragem de fazer. Você é melhor que isso Liv. – Seu tom mudou como se pitadas de raivas fossem adicionadas enquanto falava – pense em todos aqueles hipócritas, em todas aquelas pessoas desprezíveis que nos rotulam dia a pós dia só para...

Ele não precisou nem terminar a frase e a garota já havia gritado com toda a força que tinha. Ele gritou mais uma vez e ela também. Aquilo era como tirar todo um peso, que nenhum dos dois sabia que estava carregando, nas costas.

Ela finalmente estava gritando o que não tinha coragem pra sussurrar. Ela gritou mais forte e outras coisas e se sentiu mais leve, ninguém podia ter ouvido, mas ter falado já era o suficiente.

– Temos que ir. – ela lembrou desconfortável.

 – Eu não quero ir embora. – ele soltou devagar.

 Ela também não queria, quando os dois estavam juntos nada no mundo importava além das suas bocas se encontrando. Eles podiam falar o que queriam ser o que queriam e lá no alto nenhum problema os alcançava.

– Eu não quero ficar longe de você. – ela também desabafou. – E se a gente não for pra casa agora é isso que vai acontecer.

 Murilo observou de perto as pequenas sardas que Lívia tinha na pele morena, completamente imperceptível de longe e incrivelmente encantadoras de perto. Passou a mão pelo cabelo cacheado dela e olhou em seus olhos amendoados a puxando para mais um beijo doce.

– A gente sempre pode pegar o caminho mais longo pra casa. – falou ele e com um sorriso ela concordou.

Ela nunca tinha se encontrando tanto em um lugar como nos olhos castanhos dele, que brilhavam rebeldia e paixão. Passando a mão pela nunca dele de um jeito delicado o beijou como nunca. Naquele momento Lívia não só entendeu, mas sentiu que não importava se eles não eram personagens estereotipados de histórias que se preocupam apenas com o dinheiro. Se a vida não era perfeita ou se os problemas rondavam como lobos a espreita. Eles eram de verdade, eles tinham verdade e isso era melhor do que qualquer filme, porque estava acontecendo e nada nem ninguém podia pará-los.

25/07/2016

A incrível saga de não saber o que escrever

Oi. OK OK, EU SEI. Mais de uma semana sem escrever sendo que vários projetos do Mês Literário estão esperando continuação. O plano era postar algo no dia do amigo e aí outra participação especial no sábado, mas eu tive várias crises a respeito do post do dia 20. Era algo que eu realmente queria escrever, mas depois não quis mais, porque envolvia outras pessoas. Aí eu voltei a querer, mas uma parte enorme de mim já tinha se convencido de que não daria certo justamente por causa dessas pessoas, então mesmo quando eu continuei tentando escrever o post pelos dias seguintes, simplesmente não saia e quando saía, eu ficava frustrada com cada palavra. E eu odeio muito quando a vida inteira está frustrante e a escrita acaba frustrante também. No sábado, eu desisti do post de dia do amigo e deixei para postar hoje - uma data muito importante que eu vou deixar vocês lembrarem qual é antes de dizer no próprio parágrafo. Antes disso já tinha ficado definido no meu cronograma de final de mês que esta semana nós teremos um post a cada 2 dias. Eu odeio isso porque sinto que fica muito conteúdo ao mesmo tempo e acaba enchendo vocês, mas eu ainda tenho três posts além deste aqui para o Mês Literário e dois deles são participações especiais tão maravilhosas que vocês precisam delas na vida de vocês. Eu sei que digo isso de todas as participações especiais, mas por acaso alguma das participações já postadas foram qualquer coisa além de perfeitas? Então. Apenas acreditem em mim.
Agora vamos ao post. Primeiramente, FELIZ DIA NACIONAL DO ESCRITOR. Se você me tem em qualquer rede social ou é tão louco das datas quanto eu, provavelmente já tinha sido lembrado de que dia é hoje, mas não sendo, eu sempre estou aqui para lembrar das datas mais aleatórias e hoje é dia (NACIONAL - o mundial é dia 13 de outubro) da profissão que reúne as pessoas mais malucas, psicóticas e masoquistas que você encontraria no mundo. É incrível a quantidade de gente diferente e maravilhosa que você encontra que tem a escrita como maldição... digo, vocação... e me deixa tão feliz o fato de que eu tenho conseguido me cercar de tantas pessoas talentosas nesse sentido e suas criações maravilhosas que fazem do mundo um lugar menos pior para se viver. Para todas essas pessoas, um dia feliz e muitos personagens fáceis de lidar. E para todos os meus leitores maravilhosos que fazem de escrever algo muito melhor do que já é normal: Obrigada. Muito obrigada. E para comemorar esse dia maravilhoso, eu quero falar sobre o atual maior problema da minha vida: Não saber o que escrever. E mais importante: Não saber o que escrever para o blog.

"Eu estou fingindo que estou escrevend.o"
Eu tinha todos estes planos para a escrita em 2016. Eu trabalharia em Mais Uma Vez e em As Crônicas de Kat ao mesmo tempo, do meu próprio jeito e tentaria terminar os dois até o meio do ano, para no segundo semestre começar a reescrita do segundo livro de Sociedade Inglesa de Oposição. A deadline não deu certo, por causa de um monte de fatores aleatórios (fa-cul-da-de), mas por serem projetos antigos, que eu já conhecia ou estava reescrevendo, trabalhar nos dois tem sido muito tranquilo. Eu passo grandes períodos de tempo sem escrever, mas aí quando volto às minhas histórias as coisas fluem, porque a história esteve comigo por muito tempo e os personagens são velhos amigos. O problema então não é com esses projetos: São com conteúdos novos.
A inspiração para projetos novos me abandonou e não tem intenção de voltar tão cedo. Tudo de trabalhos de tema livre da faculdade, a projetos que amigas pedem ajuda, passando por contos e especialmente ES-PE-CI-AL-MEN-TE posts do blog tem saído com todo sacrifício do mundo, porque eu simplesmente não sei o que escrever. Pode ser porque minha vida tem parecido uma infinidade de dias iguais que terminam antes que eu me dê conta do que está acontecendo, então escrever sobre o que está acontecendo na minha vida parece algo sem sentido e sem graça (É assim que a vida adulta parece, crianças, corram enquanto ainda há tempo). Toda semana eu me esbarro com o debate "o que escrever para o blog?", o que me conduz aos rascunhos, às anotações malucas que eu faço em literalmente todo lugar e à uma avaliação da minha vida no momento. Aí eu entro em crise e simplesmente não quero escrever sobre nada. E foi assim que alguns meses de 2016 acabaram com um post só.
Eu já fui perguntada algumas vezes sobre de onde eu tiro inspiração para escrever no blog e eu sempre respondo que escrevo sobre coisas que acontecem na minha vida. E agora eu me pergunto: POR QUEEEEEEEEEEEE? Por que isso aqui é um blog pessoal e não um blog completamente literário?? Por que eu não posto só ensaios?? Eu falei antes sobre como a vida anda maluca e eu prefiro me refugiar na ficção. É bastante difícil voltar e pensar nas coisas que aconteceram comigo e transformar elas em palavras. Eu acredito que todo tipo de escrita, ficção ou não, acaba transbordando as experiências do autor. Direta ou indiretamente a vida e as aventuras de um escritor acabam escorrendo para as suas palavras. Mas é tão - tão tão tããããããããão - mais fácil escrever através de metáforas ou criar cenas que eu não percebo que são indiretamente coisas que aconteceram comigo até tarde demais. Ok, deixa eu me explicar: Eu não escrevo exatamente coisas que aconteceram comigo, mas vamos dizer que alguém disse algo que me deixou chateada para caramba e eu nunca tive a chance de responder a altura. Depois alguém diz algo diferente para uma personagem minha, mas que deixa ela chateada e ela responde a altura, criando uma forma de lidar com a situação. Mas nem sempre é algo tão direto, às vezes, eu simplesmente escrevo uma cena violenta ou uma cena romântica e desconto todos os meus sentimentos malucos causados pela vida na história. Só que não é isso o que eu mais gosto, eu realmente gosto de ser tão dominada pela história que eu simplesmente esqueço do mundo aqui e meus sentimentos são guiados pelo que está acontecendo naquele universo que eu criei. E ultimamente, especialmente com As Crônicas de Kat, tem sido assim. Eu escrevo e esqueço quem sou, onde eu estou e qualquer coisa que tenha acontecido. E é simplesmente muito difícil sair dessa atmosfera mágica e onírica para focar na minha própria vida e escrever sobre a realidade que parece tudo, menos mágica. Eu estou fazendo algum sentido? Vamos fazer uma pausa e voltar para o verdadeiro tema do post. Bebam uma água.

Eu quando reeeealmente não quero escrever alguma coisa..
Parafraseando um sábio (eu realmente não lembro quem disse isso ou se essa foi a frase exata): O antagonista de um escritor é uma página vazia. Se você vai se forçar a escrever sobre um tema e não tem ideia nenhuma, a branquidão de uma página do Word ou de uma nova postagem no blog pode ser completamente aterradora. Mas todo mundo enfrenta bloqueio de escritor em algum momento, então nós acabamos criando táticas para evitar ficar sem escrever nada, especialmente quando precisamos escrever com regularidade para algum veículo. Eu tenho anotações. Centenas delas - sem exagero nenhum. Você as encontra nos meus cadernos (o da faculdade, o diário, minha agenda, o famigerado caderno de ideias), no meu celular (normalmente escrito de forma que só eu entenda o que eu quero dizer), nos post-its do meu quadro de post-its, às vezes na mão ou em papeis soltos que eu acho na rua. Em qualquer lugar pelo qual eu passei, você pode encontrar anotações minhas. Eu nunca tenho menos de 8 rascunhos aqui no blog (mesmo que antigamente isso me desse nos nervos, porque eu achava que não ter rascunho nenhum seria mais organizado). Exatamente para momentos em que eu não sei o que escrever. Este post - sim, este post sobre não saber o que escrever - começou com um rascunho para eu colocar no planejamento no Mês Literário. Eu preciso de uma base em rascunho de um momento em que eu tive uma ideia realmente inspirada para depois colocar ela em prática.
Você poderia perguntar porque todas essas anotações não me ajudam a escrever quando eu realmente não sei o que escrever. Mas ter muitas anotações te deixa sem saber sobre o que escrever outra vez, porque, bem, você não sabe o que escrever entre todas aquelas coisas. "Eu deveria escrever sobre a faculdade agora ou esperar aquele seminário que vai me dar uma dor de cabeça enorme passar? Talvez eu devesse escrever sobre a vida como um todo e o que eu ando fazendo. Mas o que eu ando fazendo? AAH, teve aquele momento legal na semana passada em que eu me dei conta sobre a origem do universo. Mas será que as pessoas vão querer ler sobre isso?? Talvez seja melhor falar sobre a situação atual do mundo. Mas isso é tão pesado! Eu não conseguiria escrever disso sem chorar e eu não quero que as pessoas acabem se sentindo piores sobre a situação inteira. Vou escrever algo animado! Mas a vida anda tão chata ultimamente... *e continua infinitamente*" Entenderam? É um pesadelo. E tem sido a minha vida em 2016. Pray for me.
G.

16/07/2016

E ela está de volta

OLÁ!!! Bem-vindos à segunda participação especial do Mês Literário. Esta semana, eu trago uma das minhas pessoas preferidas do universo e que foi a primeira a aparecer aqui no blog em participações especiais. Vocês devem te-la visto em  "O dia em que eu resolvi falar sobre amor, paixão e outras coisas que machucam" e "E no dia do amigo, eu apresento uma nova escritora" e em breve de prováveis muitas histórias ótimas: ANNIE SCIGO, SENHORAS E SENHORES. Ela chega hoje com um conto que sinceramente me deixou toda gritando e que eu ainda estou tentando superar. (Como minhas amigas são tão talentosas, Deus?). Mas não vou falar muito, não quero atrapalhada a chegada de vocês até o conto. Vamos deixá-la apresentar o conto:

Olá! Queria compartilhar com vocês uma historia que já estava na minha cabeça fazia um tempo, mas foi a G que me impulsionou a passar para o papel quando falou de eu participar do mês literário desse ano - Thanks G, sua linda. 
A historia é muito importante, porque é baseada em uma musica que eu amo muito, e também contém sentimentos demais, e eu fico feliz que posso compartilhar com vocês.
Obrigada G, por me deixar participar mais uma vez do mês literário, e obrigada a você que vai ler.
Eu espero que você goste de ler o tanto quanto eu gostei de escrever, boa leitura!

Marianas Trench - By now

Às vezes, quando seus olhos veem algo que seu coração não consegue explicar, sua mente inventa uma nova história, para tudo fazer sentido. Você faz uma nova história; uma com o final que você merece.
Você se senta e diz para si mesmo “Era uma vez, eu acordei em um lugar estranho...”
*
Meus olhos se abriram.
O suor escorria pelo meu corpo e eu não sabia muito bem o que fazer. Tentei de todo jeito não acorda-la. Queria sair dali, mas qualquer movimento brusco ela acordaria e me perguntaria novamente porque eu acordara naquele estado, e eu não aguentaria mentir mais uma vez.
O teto branco ao qual eu encarava agora não me dizia o que vinha a seguir, e eu queria saber. Queria levantar daquela cama e saber o que fazer a partir dali, mas a única coisa que eu tinha certeza era sobre o sonho.
A certeza de que ele viria novamente assim que eu fechasse os olhos, e eu não sabia se conseguiria viver aquilo novamente.
*
23 de julho, sábado, 17h30
- Como você está? – Perguntei, depois que ela abriu a porta para mim. – Posso entrar? – Disse sem jeito, ajeitando o casaco que eu usava, enquanto ela me olhava de um jeito estranho. – Eu só vim pegar minhas coisas e então acho que vou embora. – Conclui.
Ela me olhou com mais intensidade e saiu do caminho para eu passar. Eu queria conseguir falar o que ela gostaria de ouvir. Um sussurro em seu ouvido, enquanto estaríamos na cama, eu diria que era apenas temporário, eu voltaria. Mas ela começara a achar que eu estaria ali para tudo, mesmo que ela não fizesse esforço nenhum para eu ficar.
E depois de pegar minhas coisas, saí dali. Ela não abrira a boca, e nem eu. Tudo estava acabado.

27 de maio, sexta-feira, 23h07
- Eu pensei que você sentisse o mesmo que eu! – Ela gritou.
Eu a olhei com um ar de incredulidade, as lagrimas já queriam teimar em correr por meu rosto. Não entendia onde que a briga começara, e não sabia onde iria terminar, mas quando sua frase foi dita, rapidamente toda a minha mente gritava outras milhões de frases em resposta, as quais eu queria conseguir colocar para fora.
- Está na hora de esclarecer tudo isso. – Disse, sem delongas.
Nossa conversa fora curta. Eu falei que ela deveria continuar com o apartamento. Entreguei minhas chaves, e disse que voltaria para pegar minhas coisas.

08 de junho, quarta-feira, 06h13
Acordei e olhei para o lado.
Ela dormia de maneira serena, sua mão apoiava seu rosto no travesseiro. Estava encolhida e com uma expressão de paz em seu rosto.
Levantei-me e fui para o banheiro tomar um longo banho. Tirei minha roupa, escovei os dentes rapidamente e entrei no chuveiro. Escutei um barulho vindo do quarto e então a porta se abriu. A torneira fora ligada e eu podia ouvir o som dela escovando seus dentes.
Assim que não ouvi mais barulho nenhum, vi sua sombra na frente do box cheio de vapor, e antes que eu pudesse impedir, ela já estava lá dentro, de pijama, me beijando, me fazendo rir entre o beijo.
- Fico feliz que voltou. – Ela disse, enquanto eu tirava sua regata do pijama.
- Fico feliz que você me desculpou. – Eu disse, tornando a beija-la.
- Penso em todos os momentos que vivemos nesses dois anos, e eu não quero que isso acabe. – Ela disse, me olhando.
- Você queria que eu ficasse enquanto você não fazia esforço nenhum para eu ficar. – Falei, fitando-a séria.
Ela apenas deu de ombros e sorriu de canto, me beijando logo em seguida, e eu instantaneamente me perdi em seus lábios.

05 de agosto, sexta-feira, 10h30
Olhava o mundo da varanda de meu novo apartamento. Um lápis na mão e um caderno em meu colo. Me permiti passar a tarde toda ali, desenhando, colocando os pensamentos para fora, como tanto gostava.
“Nós apenas somos construídos para nos derramarmos e nos perguntarmos para onde que o coração foi.”
Era o que eu lia naquela pagina.
Sorri instantaneamente.
De algum jeito eu sabia que eu lembrava um pouco ela, e sabia que ela lembrava um pouco a mim também, mas como um de nós poderia se sentir satisfeito enquanto o outro estava tão perdido?

21 de julho, quinta-feira, 21h47
- Você precisa sentir a mudança! – Eu gritei. – Só fica pior se continuar a mesma coisa. – Disse não querendo mais falar sobre aquilo.
- Eu só não entendo o que você vê de tão errado, eu só queria entender. – Ela rebateu.
Eu não sabia desde quando eu havia percebido que eu estava em um relacionamento onde a pessoa ao meu lado era manipuladora, mas eu apenas não conseguia mais continuar com tudo aquilo.
Do mesmo jeito que tudo havia começado, dois anos atrás, terminou.
*
Acordei assustada pela segunda vez aquela noite, e me sentei na cama por impulso. O sonho mudara dessa vez, minha mente inventara um final feliz para mim, e eu não sabia se eu levaria aquilo como um sinal, mas quando olhei para o lado, soltei um suspiro.
- Podemos fingir dormir por agora? – Ela disse baixinho. – Só por agora?
Às vezes a pessoa que você quer, não é a pessoa que você precisa, e o que vai embora, não tem, necessariamente, que voltar, só se você permitir.
Ela deveria me conhecer há essa altura.
E eu deveria conhece-la também.
Porém nada mudaria o que sentíamos, nem mesmo a vontade de deixar tudo para trás.
*
Eu costumava ser outra pessoa... Até ela. Então tudo mudou. Tudo o que ela queria, eu queria, e nada mais importava, porque estávamos apaixonados. Mas, eu não me lembrava quanto tempo fazia desde que perdi o controle. Você se perde. Você perde a si mesmo por um sonho. E então, um dia, você não consegue dizer quando o sonho termina e a vida real começa... Mas de qualquer jeito você sabe de uma única coisa:
Isso vai acabar.

13/07/2016

Como realmente é trabalhar no mesmo livro por 6 anos

OLÁ!! Primeiramente: Cadê todo mundo? Eu to acostumada com sumiços repentinos em fins de semestre de escola, mas eu estou com saudades de vocês. Apareçam para dizer um oizinho. Para dizer o que estão achando do Mês Literário até agora. Ou só para gritar comigo porque nos últimos meses eu fiquei tempo demais sem postar e agora estou postando mais de uma vez por semana - o que é um bom motivo para todo mundo ter sumido. POR FAVOR, VOLTEM. O post de hoje é um Diário Artístico onde eu planejo contar os pormenores de como é trabalhar no mesmo livro por 6 anos. Vocês tem o ponto de vista dos leitores - apesar de eu só ter começado a falar sobre Mais Uma Vez de verdade depois que eu terminei de escrever, em 2013 (o que significa que faz 3 anos que as pessoas estão esperando para ter um livro meu em mãos) - agora eu quero apresentar o ponto de vista dos autores. Quer dizer, eu sei que até George R. R. Martin que eu xingo o tempo todo por estar me enrolando há 4 anos por um livro novo, merece a chance de poder se abrir e reclamar das coisas que ele enfrenta enquanto escrevendo um livro. Então, pegue uma cadeira (expressão estranha considerando que a maioria das pessoas lê blogs sentadas) e se sente porque isso será uma viagem a uma mente obscura.

Lembra desse episódio? Ele explica tudo
Definitivamente, o maior problema são as pessoas. Não pela pressão, pelos pedidos incessantes que eu termine o livro logo, o que eu entendo, mas pelo fato de que quando as pessoas ouvem que eu tenho um livro escrito e em fase de edição, elas automaticamente desenvolvem aquela que é a maldição de todos os seres humanos: A expectativa. Sendo como eu sou, eu falo muito sobre meu livro e pelos últimos 3 anos comigo mudando o tempo todo a data planejada para a publicação, eu criei uma espécie de hype do qual perdi completamente o controle. Eu já sei que vai ter gente que vai pegar Mais Uma Vez, ler inteiro e quando terminar pensar "Ela passou 6 anos trabalhando NISSO?" então eu tenho me preparado psicologicamente para não me importar com isso quando o livro sair. Eu acho complicado para quem está de fora entender, mas a questão é que eu não passei esses 3 anos de edição melhorando uma história já pronta; foram 3 anos descobrindo como eu queria contar aquela história. Quando eu terminei de escrever a história - coloquei toda a ideia no papel e vi que ela era real e possível - eu tinha 15 anos e não tinha escrito metade do que eu tenho produzido hoje. Esses anos foram passados encontrando meu estilo, descobrindo meus personagens, esse tipo de coisa. É uma jornada doida e cada fase da edição diferente eu descubro uma coisa nova que eu quero implantar no livro. Agora eu sou mais velha do que meus personagens são na história (PAUSA PRA CRISE EMOCIONAL) e eu consigo entender eles melhor do que poderia quando eu tinha 12 anos e comecei a escrever o livro ou até quando tinha 15 e terminei. Eu também sou uma pessoa completamente diferente e essa pessoa tem muito mais segurança com o que escreve e sabe o tipo de coisa que quer assinar (Isso eu posso agradecer a As Crônicas de Kat, sem via de dúvidas). Eu não estou trabalhando no mesmo livro há 6 anos porque eu queria escrever o melhor livro do mundo, eu estou trabalhando no mesmo livro há 6 anos porque queria escrever algo que fosse completamente eu. E eu não tenho certeza sobre quem eu sou ainda.
E falando em pessoas, eu disse que entendo ser pressionada a lançar o livro logo, mas só quando as intenções são boas. Se você se interessou pela história e quer conhecer o livro logo, eu sinto muito por te fazer esperar tanto, de verdade. Pode me encher e me forçar de todas as formas a terminar isso logo. Mas se você nem faz a mínima ideia do que seja o livro, nunca se interessou por nada que eu escrevo e ainda assim sente a necessidade de pedir que eu lance logo o livro o tempo todo: eu não preciso de você. Muito menos preciso dos sorrisinhos quando surge alguém de 14/12/10/5 anos que lançou um livro seguido de um "E o seu, quando sai?". Isso é outra coisa: As pessoas próximas, quando conhecem algum adolescente que lançou um livro, vem direto falar comigo sobre esse livro. Uma vez eu tive que ouvir por um tempão sobre um livro lançado por uma conhecida de uma tia minha, incluindo uma lista de todos os defeitos que esse livro tinha. Isso cria uma espécie de paranoia que quase nada pode matar. Por que você está dizendo isso? Para me aconselhar a não cometer os mesmos erros? O que te faz pensar que eu vou cometer os mesmos erros? Ou é porque você acredita que eu não cometeria os mesmos erros e tem certeza absoluta que meu livro vai ser muito melhor? O que te dá essa certeza? Eu sei que não é lendo o que eu escrevo, porque eu posso contar nos dedos de uma mão o número de pessoas da minha família que lê o QaMdE. Eu não sei porque, mas muita gente - obviamente sem nenhuma ideia do tipo de literatura que eu escrevo, mesmo com todo conteúdo daqui - simplesmente acredita que eu escreverei livros estilo Sidney Sheldon. Alguns anos atrás, eu me sentia mal de desiludir as pessoas a esse respeito. Como se young adult e fantasia fosse algo menor, menos importante. Hoje em dia se alguém disser qualquer coisa quando eu anuncio que escrevo fantasia com protagonistas adolescentes, eu luto de volta. A literatura young adult é um dos principais motivos para nossa geração ser menos pior do que a de vocês.
Aí vem outra parte sobre escrever e pessoas: Uma das minhas coisas preferidas sobre avaliar o começo da história com a história está agora é perceber como eu fui gradativamente me importando menos com o que as pessoas pensariam, conforme fui escrevendo cada uma das novas versões. E a parte mais louca é que antes eu não queria que todo mundo pudesse ler, eu preferia que adultos não soubessem sobre MUV. Agora eu quero que todo mundo leia e absorva o máximo possível do livro e não me importo mais com as opiniões das pessoas antes que elas leiam. Eu mudei tanta coisa nas primeiras versões porque eu ficava vendo dicas de "pessoas mais experientes" ou outros escritores e eu queria escrever algo que fosse... bem, não bom, adequado. As pessoas amam dar opinião sobre o tipo de livro que gostariam de ler. Eu levei um tempinho para me dar conta de que o que elas querem ler, não é necessariamente o que eu preciso escrever. Lembram da citação de Fake que eu coloquei de título da resenha? "Um escritor aprende desde pequeno que não deve mimar seus leitores. Não escreve para fazer suas vontades." É basicamente isso. Mas chega de falar sobre pessoas, vamos às partes amorzinho, falemos sobre o escrever em si.

AAAh, escrever.
Com 6 anos (na verdade, 5 anos e 10 meses. Os 6 anos chegam oficialmente em setembro) e 9 versões é claro que Mais Uma Vez já passou por um número absurdo de mudanças. No começo a Sociedade Inglesa de Oposição, que dá nome à trilogia, nem existia (A trilogia era Trilogia Mais Uma Vez). Na ideia original, o poder de Heather não era controlar o sistema nervoso: Ela podia controlar seus sentimentos. (Como vocês podem notar, eu desde nova era obcecada na história de não ser controlada por seus sentimentos/de poder controlá-los). O poder dela era basicamente o controle do que ela sentia em toda situação, podendo controlar a raiva em momentos em que ela poderia se tornar danosa, acabar com a tristeza assim que ela chegasse, fazer qualquer coisa sem se preocupar com o arrependimento e até mesmo não cometer o erro de principiante de se apaixonar por quem não corresponde. Claro que para ferrar com tudo tinha que surgir uma pessoa que quando estava por perto bloqueava esses poderes e tirava de Heather todo autocontrole: Na primeira versão de Mais Uma Vez, depois de passar 2 anos estudando nos Estados Unidos, o melhor amigo de infância de Heather, Mike, voltava para Londres e chocava uma Heather que tinha acabado de se acostumar aos próprios poderes loucos. A história mudou tanto depois disso que na versão atual a única coisa que a Heather não controla dentro do próprio corpo são seus sentimentos (ela pode retardar seu envelhecimento em séculos, continuar viva com o coração parado, regenerar qualquer parte do corpo, mas não pode controlar nada do que sente). E ela precisa manter a saúde mental para que esses sentimentos não acabem controlando os poderes dela. Tem uma cena no livro 2 em que a Heather desmaia pela primeira vez na vida inteira depois de receber uma notícia devastadora, depois de ter passado a noite sem dormir. Faz com que ela se dê conta de que mesmo sendo fisicamente perigosa, ela poderia sofrer tortura psicológica e ser neutralizada.
Não só a trama mudou, mas as personagens definitivamente mudaram e muito. Eu sempre preciso ter muitos personagens principais então Mais Uma Vez funciona oficialmente com cinco e mais alguns antagonistas. Nós temos (baseado em um texto que eu li sobre os 7 tipos de personagem que você tem em uma história): A protagonista e narradora, Heather Richards. A confidente, Layla Banks. O interesse amoroso, Mike Leonards. A personagem misteriosa, Karina Sky. E a personagem "guia espiritual", Oma Sky. Eu poderia apresentar cada um deles, mas duas sofreram mudanças violentas nos últimos dois meses e eu não sei quantas outras vezes eu vou acabar mudando todo mundo. Eu sempre acabo tendo que voltar em todas as cenas que eu já editei para mudar alguns detalhes porque eu quero que a personagem soe mais viva ou não seja repetitiva ou passe mais a impressão que eu tenho dela. Eu tenho essa ideia de como uma personagem é na cabeça e eu gosto de pensar que com quase seis anos de convivência eu conheço ela muito bem, mas nem sempre eu consigo representá-la da forma certa. E se eu não representá-la da forma certa eu tenho quase certeza que ela lança uma ofensiva contra mim que vai me deixar maluca rapidinho.
Existem também todas as complexidades da história em si. Tem coisas que eu inventei e que eu me odeio até hoje por ter inventado. Por exemplo, localizar a história na Inglaterra. Depois, colocar ela no mesmo universo que As Crônicas de Kat (aconteceu quando eu inventei de colocar a Ellie de Haunted como a primeira vampira do Exército. Os padrinhos dela, que aparecem em Haunted, são personagens importantes de SIDO e como eu escrevi Haunted muito antes de ACDK eu não me importei de usar eles na história. Mas é claro que eu resolvi transformar a Ellie em vampira e misturar os dois universos. Claro que eu fiz isso.). São as coisas que mais me dão dor de cabeça na face da Terra. A segunda coisa é meio irremediável, agora que já foi feita, e tudo que eu posso fazer é me controlar para não fazer 3923893289238923832 crossovers. (Eu até estava considerando ressuscitar uma personagem de Sociedade Inglesa de Oposição na segunda fase de As Crônicas de Kat, mas como o fim de ACDK sai antes do fim de SIDO eu não posso fazer isso sem soltar spoilers). Já a questão da história na Inglaterra, eu já pensei em mudar mil vezes, mas não tenho coragem. Eu sou estranha, mas a questão é que eu sou apaixonada demais pela história da Inglaterra. Eu precisei criar um texto de um documento escrito na época da Guerra dos 100 anos e tudo que eu pudia fazer era surtar internamente. E eu sei que isso não faz exatamente do livro o mais simples do mundo, mas sendo sincera entre todos os aspectos da história que eu considero mudar, esse não é um deles. E só o primeiro livro se passa exclusivamente na Inglaterra. O segundo começa na França e passa um período na Irlanda. O terceiro começa na Itália, viaja por alguns países ainda não definidos e termina na África - era a África do Sul, mas eu achava muito clichê, então eu mudei para uma ilha na costa do Quênia. Também já postei aqui um conto que é no universo de Sociedade Inglesa de Oposição que se passa no Chile e escrevi um que se passa no Brasil - esse último é uma espécie de "Onde estão os personagens agora?" então eu não posso divulgar ele antes do fim da saga. Essa é outra coisa: A história de passa de outubro de 2011 a janeiro de 2013. Que são anos desta década que parecem 15 anos atrás. (2013 parece mais distante que 2012, como isso é possível?).
Nossa, esse post ficou enorme e confuso. Eu estava precisando escrever algo assim.
Vejo vocês em breve,
G.

09/07/2016

Satélites

OLÁ, PESSOAS. Eu meio que flopei postando menos do que eu queria postar esta semana, mas hoje eu vim com post importantíssimo: a primeira participação especial do Mês Literário em 2016, da melhor pessoa para dividir momentos de fangirl e escrita, tatii alves. Não vou me prolongar muito antes de deixar vocês com o conto de hoje, mas eu não posso deixar de dizer o quanto eu estou feliz por poder trazer um texto da tatii para vocês e mais importante, ESTE CONTO. Caso vocês queiram continuar acompanhando ela, como eu sei que vão, eu vou lembrar que ela é dona do com a sua licença poética e uma das integrantes da Tertúlia. Agora vamos deixar ela introduzir o próprio conto:

Satélite é algo que pode ser natural ou artificial. A Lua, por exemplo, é um satélite natural da Terra. Satélites giram em torno da orbita de algo. Eu tenho a teoria de que algumas pessoas são satélites, querendo ou não, nós sempre vamos viver em torno de alguém ou algo. Algo que nos fascina tanto que somos sempre atraídos a ela; algo que fazemos força para ir embora, mas sempre estamos voltando; algo que não temos coragem que ir embora de tão belo que é.
Julho é o segundo mês da escrita - depois de novembro - e eu estou escrevendo o meu segundo romance, Kaia & Valentina. Eu decidi que o Quebrei a máquina de escrever seria o lugar perfeito para meu dar o primeiro sneak peak ever da minha história que eu aprendi a amar tanto. Então, com vocês: Satélites, um conto.


Ela era linda. Seu cabelo acobreado se movimentava ao redor do seu rosto, dançando junto com o vento – talvez ela não se entendesse muito bem como ele, pois sempre estava amarrando-o ou fazendo tranças. Eu era apaixonada pelo seu cabelo. E seus olhos. E o formato redondo de seu rosto. Ela era a pessoa mais linda que eu já havia visto em toda a minha vida.
Já fazia um ano que eu prestava atenção nela; não que eu fosse uma stalker ou coisa assim, mas quando o destino te ajuda a observar alguém: você observa. Todos os dias, ela entrava na livraria e passava as tardes na sessão de livros contemporâneos, ela sempre ia sozinha e nunca parava um minuto para conversar com alguém no celular.
Todos os dias eu fazia a mesma promessa para a minha imagem no espelho:
- Hoje nós vamos falar com ela.
Todos os dias, eu respirava fundo quando ela entrava. Todos os dias, eu falhava e me escondia na sessão de clássicos. O meu coração palpitava como se quisesse correr para fora do meu corpo e para o mais longe possível daquela situação.
*
A primeira vez em que eu me apaixonei por alguém, eu tinha doze anos. Você pode achar que doze anos é cedo demais para saber o que é se apaixonar, mas eu sabia muito bem o que eu sentia. Seu nome era Molly e ela tinha o cabelo mais louro que eu havia visto que contratavam com seus olhos negros e grandes.
Eu não sabia se aquilo que eu sentia era correto, mas eu sabia o que eu sentia por Molly. Eu dava metade do meu sanduiche para ela no intervalo, eu esperava ela todos os dias na porta de sua sala, eu a acompanhava até a sua casa e fazíamos festas do pijama na casa da outra. Eu estava caidinha por Molly.
Até Molly ser a primeira menina do sétimo ano a ter um namorado.
*
Meu coração voltou a palpitar quando eu senti o seu perfume antes mesmo dela aparecer. O claro sinal que tudo aquilo já havia passado de todos os limites possível. Era o cheiro amadeirado com um toque suave.
Assim que o sino da porta da livraria anunciou a sua chegada, o meu corpo inteiro tremeu e as minhas mãos começaram a suar. Aqueles cinco segundos passaram na minha mente como cinco horas lentamente: ela entra e me vê, seus lábios se abrem em um sorriso gentil e ela segue lindamente para a sessão de contemporâneos. E o seu aroma permanece eternamente no meu coração.
Eu não me importava de não ter trocado nenhuma palavra com ela até o dia de hoje, eu só queria ser capaz de vê-la todos os dias. Eu queria ser capaz de imaginar um diálogo diferente entre nós todos os dias, onde eu faria alguma piada boa e ela iria gargalhar com vontade. Eu queria ser capaz de observar todos os livros que ela estiver lendo e procurar tudo sobre ele para eu poder montar os nossos diálogos na minha mente durante a noite.
Naquele dia, ela estava usando um macacão jeans com uma camiseta branca com mangas pretas e seu cabelo está preso com uma bandana. “Drive”, de Glades, começou a tocar suavemente nas caixas de sons espalhadas pela livraria e já era tarde demais quando eu percebi que ela estava vindo na minha direção.
Aquela era a hora.
- Ótima escolha – foi a primeira coisa que passou pela minha mente quando eu vi que ela havia se aventurado na sessão de clássicos.
- Obrigada – ela sorriu e o som da sua vez fez meus ouvidos se arrepiarem. Era exatamente como eu havia imaginado. Talvez eu estivesse encarando demais, pois ela corou e desviou o olhar mesmo sem tirar o sorriso. – Eu venho aqui quase todos os dias e como é a primeira vez que sou atendida por você?
Meu coração palpitou. Minhas mãos focadas em embrulhar tudo o mais rápido possível, mas minha mente estava gritando com todas as possibilidades que os meus diálogos mentais me proporcionavam naquele momento.
- Hoje é o meu primeiro dia trabalhando aqui – volto meus olhos para ela, sorrindo. – Eu ficava lá no mezanino com as obras de segunda mão e clássicos até que o dono me deu esse emprego para que talvez eu começasse a comprar os livros ao invés de apenas passar os dias lendo eles de graça na loja.
Ela riu e a sua risada me dava vontade de abraçá-la ali mesmo – ela jogava sua cabeça para trás levemente como se estivesse aproveitando o máximo aquela risada.
- E você vai usar o seu salário para comprar livros? – Ela perguntou ao mesmo tempo em que me entregou o dinheiro dos livros.
- Bom - eu entrego seu troco e a sacola, - eu gosto de pensar em que agora eu estou sendo paga para ler os livros.
Aquele momento se classificava como um dos melhores momentos da minha vida, eu pensava. Eu sentia o meu corpo todo entorpecido de ansiedade, excitação e medo ao mesmo tempo. Eu precisava saber mais sobre ela. Eu precisava conhecê-la.
- Eu sou Kaia.
Ela olha nos meus olhos e eles formam um sorriso junto com os seus lábios, como se ela tivesse acabado de descobrir um baú de tesouro.
- Valentina.