Os 43 minutos em que o mundo se torna um lugar melhor

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Se você segue a mim ou ao blog no Instagram (se não segue, aqui vão o pessoal/o do blog) provavelmente acompanhou meu surto quando meu kit com o novo álbum da minha banda preferida finalmente chegou. Ao fim do spam de gritos eu disse que postaria a resenha do álbum no dia seguinte. Isso foi oito dias atrás. Eu vou ter que pedir para vocês nunca confiarem em mim quando eu prometer post e não específicar que o post já terminou de ser escrito. E também peço que tenham paciência comigo - estou tentando equilibrar tudo que eu preciso fazer e tudo que eu quero fazer sem sacrificar minha saúde mental no processo. Eu tenho muita coisa a escrever para vocês, acreditem, se eu não estou aqui todo santo dia é porque eu realmente não estou conseguido. Estou levemente frustrada por não ter conseguido escrever tudo que eu queria escrever antes do Mês Literário (que começa sábado), mas ei, melhor que passar três meses desaparecida. Agora, vamos ao post.
Boa noite e bem-vindos. Antes de começarmos esta viagem certifique-se de que você esteja em posse de seus fones de ouvido e que esteja em um local que permita a apreciação de um álbum musical cujo aproveitamento lembra uma experiência religiosa. Agora que você fez isso, BEM-VINDO À RESENHA DO MELHOR ÁLBUM DO BIÊNIO. É isso aí, MisterWives - também conhecidos como a melhor banda do mundo (você pode discordar de mim sobre eles serem os melhores, mas não sobre eles serem bons. Até porque quem não gosta de MisterWives nem é gente) - finalmente lançou seu segundo álbum, com onze músicas novas e ele é uma experiência espiritual profunda o bastante para fazer deste mundo ridículo um lugar onde a esperança ainda reina e existem motivos para sorrir. Eu não estou brincando. Dois anos de obsessão depois, eu não achava que fosse possível que minha banda preferida me surpreendesse e me fizesse me apaixonar novamente por músicas incríveis como foi na primeira vez que os ouvi, mas eles fizeram de novo. Eles se superaram e provaram que ainda conseguem melhorar.


Connect The Dots é o segundo álbum de estúdio da banda baseada em Nova Iorque, MisterWives. A banda é formada pela vocalista Mandy Lee, o guitarrista Marc Campbell, o baterista Etienne Bowler, o baixista William Hehir e os multi-instrumentalistas Jesse Blum e Michael Murphy. Eles se reuniram em 2012 (e você pode ler muito sobre isso aqui) e assinaram contrato com a gravadora Photo Finish no começo de 2013. Em 2014 a banda lançou seu primeiro EP, Reflections e em 2015, o primeiro álbum, Our Own House. Com videoclipes que reúnem milhões de visualizações no YouTube, a banda também lotou casas de show em algumas das suas turnês como artista principal - incluindo uma turnê européia em 2015. Em fevereiro de 2017, eles estiveram em sua primeira turnê de arenas abrindo para a banda Panic! at the Disco e tocando até mesmo no Madison Square Garden. A banda está em sua turnê de verão no momento e tem outra turnê marcada para o outono americano.
Connect The Dots foi lançado no dia 19 de maio de 2017 e possui onze faixas - com versões estendidas e trechos secretos nas cópias físicas. Todas foram compostas pela vocalista da banda, Mandy Lee - algumas juntamente com outros membros da banda -, no último ano e meio. A compositora foi inspirada pelos anos que passou em turnê viajando pelo mundo e começou a escrever assim que pode passar um tempo em casa. Algumas faixas também foram inspiradas por acontecimentos dos últimos dois anos, como a eleição presidencial norte-americana, alguns problemas enfrentados pela família da Mandy e até mesmo a própria gravação do álbum - mas eu vou falar de faixa por faixa, para que vocês entendam a extensão de tudo. O álbum foi produzido por Butch Walker e Todd Stopera, além do icônico Etienne Bowler. Você pode ouvir o álbum no Spotify enquanto lê a resenha faixa por faixa:

                                 
 Machine
O primeiro single do álbum que saiu em 17 de fevereiro de 2017 é um grito de vai se ferrar para a indústria musical e cultural. E é um hino para artistas independentes, além de ser um grito de girl power. A Mandy sempre fala sobre como ela encontrou diversos empresários e produtores que quiseram mudar quem ela era e a música que ela fazia, mas ela seguiu em frente, até encontrar a banda onde ela se sentia confortável para fazer o que era preciso e continuar ali pela música. Machine vem justamente inspirada nessas situações, seguindo os passos do último single do Our Own House, Not Your Way. Quando a Mandy diz "Cause I'm a tough girl / I run my own world / And if you don't like it there's a door / If you haven't heard" (Porque eu sou uma garota forte / Eu comando meu próprio mundo / E se você não gosta tem uma porta / Caso você não tenha ouvido), o empoderamento é real.
Não que seja surpresa, mas a música é meu single preferido do ano e não interessa o que eu esteja fazendo ou como eu esteja me sentindo, eu vou começar a cantar assim que ouvir as primeiras frases. Ela também tem um clipe bem louco, inspirado em Mad Max: Fury Road, com mutantes em uma sociedade distópica, que saiu em abril. A música começou a ser tocada em shows nos Estados Unidos em maio do ano passado e por semanas eu saía escrevendo "We're not part of your machine" em todo canto. Foi a melhor coisa do mundo a música ter saído na véspera do meu aniversário.

 Chasing This
Aqui temos outro hino. A música é sobre sentir que a vida está passando por você enquanto você luta por algo que você quer muito. Mandy canta sobre chegar em casa com poeira sobre a cama e as plantas mortas, mas fala sobre como tinha buscado isso durante os anos e como isso é muito maior que todo sangue, suor e lágrimas. Ela fala sobre ter medo de quem seria se não tivesse a música e sobre desejar aquilo com tanta vontade que você encara todos os seus medos.
Chasing This foi a primeira música a ter um snippet divulgado, em março do ano passado. A música depois foi performada no festival South by Southwest e em festivais universitários pelos Estados Unidos, mas ninguém que foi aos shows postou vídeos inteiros da música e os pobres fãs que não puderam ir ficaram sem saber como era a música inteira até o dia em que o álbum saiu. Valeu a pena a espera porque a música é infernalmente perfeita. Ela vai ser minha música de formatura e quando eu for para minha primeira Bienal como escritora, eu farei um vlog sobre a experiência e usarei a música como a música de fundo. (Vocês já perceberam que as músicas dessa banda me fazem desejar coisas muito específicas e bastante complicadas? Vagabond me fazendo querer subir uma montanha, Chasing This me fazendo querer ser uma autora publicada na Bienal do Livro. Sinceramente, não sei se MisterWives me deixa muito confiante ou muito doida. Talvez os dois.).

 Only Human
Chegamos à faixa três e amor da minha vida. Only Human - como um dia Reflections fez - me conquistou nos dez primeiros segundos e me deixou louca no primeiro dia depois que o álbum saiu. A música é sobre brigas e erros que podem ser cometidos em um relacionamento mesmo quando ele é muito maravilhoso. Sobre ser magoada pela pessoa que você ama, mas ainda assim chegar a uma compreensão simples e sem palavras. A letra não possui distinção de gênero, o que eu sempre me gabei quando o assunto é minha banda favorita (a maioria absoluta das músicas são) porque às vezes você precisa de uma música como trilha sonora e as letras estão com o gênero errado. Acontece. (Eu tenho uma playlist com 150 músicas românticas sem distinção de gênero, caso alguém esteja precisando. Eu atualizo ela 50 músicas por vez e estou sempre aceitando recomendações).
Only Human é fofa, é melódica, é chiclete. É linda. Tem frases como "Mas nós somos humanos, apenas humanos. Lindos como o mar, brilhando tão perigoso. Mas nós somos humanos, apenas humanos. Como uma mariposa com uma chama, não podemos resistir ao jogo do amor.". É impossível não se apaixonar por ela e não dar a louca com a letra, escrevendo em todo canto. (Outro efeito MisterWives sobre mim: Eu começo a agir como uma garotinha apaixonada. Sempre.).


 Drummer Boy
MÚSICA MAIS FOFA DO ÁLBUM. Quando a vocalista/compositora da banda e o baterista de uma banda namoram e são extremamente fofos, músicas completamente aaaww são um resultado normal. Drummer Boy é linda e foi inspirada em uma história de amor muito literária. A Mandy e o Etienne se conheceram quando ambos trabalhavam como garçons em restaurantes veganos em Nova York, eles se tornaram bons amigos que tinham em comum o amor pela música, mas na época, Etienne namorava. Não tenho certeza de quanto tempo se passou, mas várias bandas montadas e separadas depois, alguns términos e mudanças, entre outros eventos da vida, a Mandy convidou o Etienne para fazer parte da banda dela, ele descobriu que, apesar do que sempre acreditou, ela não era lésbica e eles saíram juntos e estão junto há quase cinco anos. Na verdade, vai fazer cinco anos dia 28 de agosto, mesmo dia que As Crônicas de Kat faz quatro anos (eu não acredito em coincidências). Anyway, eles noivaram em janeiro e apesar de não fazerem ideia de quando vão se casar, eu já sei que se Drummer Boy não for tocada em algum momento, não faz sentido.
Drummer Boy também tem o melhor refrão a ser gritada para a banda, afinal, o que eu fiz para te merecer, MisterWives? O que eu fiz para merecer vocês?

• Revolution
"Queria que houvessem palavras a serem ditas que fizessem alguma diferença. Palavras para cantar para acabar com esse sofrimento.", vence frase que descreve mais perfeitamente como eu me sinto sobre dezenas de eventos que se desenrolaram nos últimos dois anos. Revolution fala sobre a insônia causada pela preocupação com o mundo (os japoneses tem uma palavra para isso: Yūgen 幽玄), a obsessão em acompanhar as notícias horríveis sem saber o que fazer. Fala sobre desejar sem fazer nada para mudar. E no fim, fala que precisamos ser a geração que trabalha em uma solução, que precisa mudar para criar um mundo novo. É desespero seguido de inspiração, tristeza com um grito de mudanças. É distópico pra caramba, 2016 pra caramba, versão madura de MisterWives pra caramba. E pelo que eu vi dos vídeos gravados na turnê de verão, tem uma das melhores apresentações ao vivo da banda.

 My Brother
Eu sabia que eu ia chorar com essa música desde que soube que ela existia em uma entrevista da Mandy ano passado, mas eu não sabia que ia chorar em público toda vez que ela começasse a tocar nas três primeiras semanas depois do lançamento do álbum. My Brother foi escrita para o irmão da Mandy que foi diagnosticado com transtorno bipolar há alguns anos e enfrentou alguns momentos complicados por causa da doença, inclusive sendo internado diversas vezes. My Brother, assim, é uma carta de amor da irmã que acompanhou os melhores e os piores momentos dele, desejando que ele fique bom, mostrando que está sempre do lado dele e dizendo que eles verão isso acabar. A música assim, fala muito sobre transtornos psicológicos e retrata a tristeza profunda de uma forma inacreditávelmente linda. É sinceramente uma das minhas preferidas para sempre.

 Out of Tune Piano
Okay, eu sempre digo que absolutamente todas as composições da Mandy tem uma frase que eu queria tatuada no corpo e é a mais pura verdade. Se eu tivesse coragem, eu pareceria um livro no momento. Mas Out Of Tune Piano tem o refrão que eu realmente tatuaria e, na verdade, eu juntei coragem para pedir à compositora que escrevesse a frase "love yourself, my dear" em um papel para que eu tatuasse com a caligrafia dela. (Ela ainda não respondeu e mesmo que responda, vai levar um tempo até eu realmente resolver tatuar). Out of Tune Piano é sobre autoestima. Sobre amar a si mesma nos piores momentos e nos melhores momentos e em todos os momentos entre uma e outra. Sobre continuar se amando mesmo quando a vida parece um piano desafinado e quando um simples objeto ou metáfora parece apresentar todas as dúvidas e problemas bem diante de você e te pressionam contra o chão frio. Apenas ouça seu coração quando ele começar a soar como: ame você mesma, minha querida. (Eu estou ficando muito filosófica? Faltam quatro faixas, acompanhem minha lógica).

 Coloring Outside The Lines
Coloring Outside The Lines foi a música que eu esperei com mais vontade. Durante o Band Camp em setembro do ano passado (explicação sobre o que é Band Camp na resenha da próxima faixa, Band Camp), o Instagram da banda liberou um snippet do refrão da música e desde aquela época eu tinha certeza de que Coloring seria o equivalente a Box Around The Sun (minha música da sorte) do segundo álbum. Eu entrei em campanha para que a música fosse a faixa título, mas eu gostei do título que ficou e a forma como ele se mostra no álbum.
A música é novamente uma música romântica sem distinção de gênero, mas muito obviamente sobre o Etienne. Ela já começa falando sobre está em turnê viajando e não conseguir ficar longe da pessoa e confiar nela para dizer se a letra está errada e se sentir invencível ao receber um sorriso de volta. A música é linda e é definitivamente a Box Around The Sun (que também foi escrita para o Etienne) do Connect The Dots.

 Band Camp
O MW Band Camp foi um "evento" promovido pela banda no ano passado, para que eles pudessem se emergir em música e focar em gravar o álbum. Na real, eles apenas aproveitaram que os pais do Etienne viajaram e invadiram a casa deles, que tem um estúdio, para passar dias gravando. Eu faria qualquer coisa - qualquer coisa - para ter estado lá durante esses dias. Parece ter sido incrível, porque além de tocar dia e noite, desligados do mundo, eles fizeram brincadeiras, comeram e se divertiram muito, como se fosse um acampamento mesmo. Vários momentos do camp estão integrados a partes do álbum, na versão digital também, mas especialmente na física, onde a maioria das músicas se integra umas às outras. E, é claro, o Band Camp ganhou uma própria música, sobre escapar do mundo lá fora e tocar na floresta onde você pode afastar os monstros. É uma música tão boa, uma versão mais feliz e tranquila de Vagabond. Eu amo ouvir essa música no frio, tomando uma xícara de chá. Ela é tão calminha que a versão ao vivo dela ficou mais animada do que de estúdio.

10  Oh Love
Oh Love entrou na playlist da Kat (as playlists de ACDK saem no mês que vem, juro) (elas já estão prontas), pela letra maravilhosa dela. Foi escrita no dia seguinte à eleição norte-americana (um dos dias mais confusos do ano passado, com toda certeza) quando a Mandy tinha muito a dizer. Com jogos de palavras e críticas claras a coisas que foram ditas durante a maior parte de 2016, a música pergunta onde foi parar o amor. Lembra que tudo bem se sentir triste e tudo bem se sentir pessimista quando as coisas dão errado de uma forma tão tremenda. A letra inteira provavelmente é uma das minhas preferidas do álbum, mas eu digo isso de quase toda letra. Não é culpa minha se Mandy Lee é um gênio, mesmo ela dizendo que não é.




11  Let The Light In
Let The Light In foi a música que a própria banda mais comentou durante as gravações. Era a música que o Etienne mais gostava de tocar, a música que era citada em um milhão de vezes no Instagram, a música cujos solos de guitarra e refrão estavam sempre aparecendo no fundo de vídeos. Assim sendo, eu achava que sabia o que esperar. Eu estava errada, como eu estava errada. A versão final da música ficou inacreditavelmente boa. Estamos falando de uma música de cinco minutos de duração que quando eu estou ouvindo no ônibus parece ter dois. Quando ela está tocando no ônibus também é quase impossível não levantar e sair dançando e berrando a letra, mas eu tenho conseguido até agora. De qualquer forma, orem por mim.

Caso alguém esteja se perguntando se eu comprei o Connect The Dots três vezes igual eu fiz com o Our Own House, eu queria dizer que não, eu comprei apenas duas. Até agora. Por algum motivo maluco, eu queria outra cópia física, então tudo ainda pode acontecer.
É isso! Vejo vocês sábado às 21h com a batalha final em As Crônicas de Kat: Lullaby (sim, esse capítulo tem o nome do primeiro single de MisterWives - ouçam a música e vejam o clipe para saber o que esperar) e o Mês Literário.
G.

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