25/11/2017

Diário Artístico: Eu sou uma fraude

E a partir de agora eu declaro que semanas tenham 11 dias de duração. Ou 13, nesse caso. O que eu posso dizer, gente? Eu nem abandonei vocês, pela primeira vez em três anos nós tivemos posts em janeiro que não foram exatamente sobre o NaNoWriMo. E o motivo principal pelo qual eu esperei até agora para escrever essa atualização foi o fato de que eu precisava me sentir de volta ao NaNoWriMo e até a mim mesma antes de conseguir escrever ele. Tudo aconteceu nesse meio tempo. Eu chorei, eu passei mal, eu ri, eu gritei, eu pensei em desistir (várias e várias vezes), eu senti que amo literatura mais do que a mim mesma e eu lembrei porque amo essa história. E é por isso que eu não vou fazer essa atualização como eu costumo fazer as atualizações do NaNoWriMo, dia por dia. Eu vou atualizar vocês sobre todos os vais e vens dos últimos 13 dias, contar a vocês sobre o porque e o como de eu escrever e mostrar a vocês mais um pouquinho da história da Bri.
Logo depois de ter postado a última atualização do NaNo, eu quebrei. Eu basicamente me parti em um milhão de pedacinhos de todos os sentimentos possíveis. Saí do outro lado sentindo nada além de culpa. Eu me sentia inútil. Isso foi menos causado por algo (Não foi por causa NaNoWriMo, tenham certeza) e mais desencadeado. Eu já estava sentindo todas essas coisas, só precisava que algo puxasse o fio e o que quer que estivesse no topo cairia primeiro. Eu passei os primeiros dias me sentindo um lixo e era fisicamente impossível abrir o arquivo do livro sem que eu me sentisse enjoada. Eu não conseguia abrir o blog (que é o primeiro site que eu abro no computador, sempre) sem sentir vontade de chorar. Isso eventualmente levou ao post da quarta, dia 15. Naquele dia, eu não escrevia há três dias. Eu disse a vocês que eu queria muito o badge de ter escrito pelos 30 dias e vocês sabem que nem em 2015, quando minhas crises de pânico voltaram, eu deixei de escrever algum dia. Até no começo do mês, eu cheguei a escrever 17 palavras para não ficar sem escrever nenhum dia. Mas naqueles dias, eu apenas não podia.
Eu passei o feriado ainda me sentindo confusa e perdida. E então na quinta-feira, Bri estava em todo canto. Tinha uma loja de roupas chamada Mira no centro, um outdoor anunciando O Quebra-Nozes perto da faculdade e eu encontrei brincos idênticos aos que a Bri ganha de aniversário dos avós na sessão de bijuterias da Riachuelo. Ela estava me chamando de volta e eu me sentia melhor o suficiente para ouvir o chamado. Não foram pep talks, reflexão pessoal ou conselhos. Foi a lembrança repentina de que eu amo e sou obcecada o suficiente por essa história para ver ela em todo o canto como o rosto de um crush. Eu voltei a escrever naquele dia, mas não foi no ritmo de antes. Eu tirei os dias seguintes para voltar a história aos poucos. Não tinha mais o objetivo original de 100k, se eu chegasse a 50k, estava tudo bem. Eu só precisava contar a história de Bri.

Esse gif é tão dramático que eu nem consigo levar ele a sério
Enquanto eu voltava à Bri, eu trabalhava no Write-In que foi no sábado, dia 18. Foi aí que "Eu sou uma fraude" virou o título desse post. Eu estava me sentindo muito culpada por não ter escrito direito justo na semana em que eu organizava um evento para escritores. Além disso, naquela semana eu dei uma entrevista sobre jornalismo e como ser bem sucedida estudando jornalismo na faculdade - justo eu, que agora falo em trancar o curso pelo menos duas vezes ao dia. Eu me sentia uma fraude de verdade, mas enquanto a sensação de que eu sou uma fraude quando falo de jornalismo e sobre a faculdade ainda não foi embora, a sensação de que eu sou uma fraude por me sentir escritora foi embora naquele sábado. Eu sempre digo que estar cercada de pessoas que amam o que você ama faz bem - e é por isso que eu amo a Bienal do Livro. Naquele dia, nós compartilhamos experiências, medos e desafios. Eu me senti menos sozinha e menos errada. Senti que as minhas energias e o meu tempo estavam sendo depositados no lugar certo.
Essa última semana, então, foi maravilhosa - ou quase isso. No dia em que eu tive trabalho de casa, eu não consegui escrever e o trabalho tomou uma parte considerável do meu "tempo de escrita" (eu realmente odeio ser um ser humano adulto. E eu nem tenho uma jornada de trabalho de 40 horas semanais). Eu também tive eventos os quais eu queria que tivessem sido mais curtos, estresses que não deveriam ter acontecido e mais do que qualquer outra coisa, ódio completo pelo jornalismo, a faculdade e especialmente a maior parte das pessoas reais que existem no mundo (eu sei que meu relacionamento com a faculdade costuma ser de amor e ódio, mas eu realmente acho que logo logo darei fim a esse relacionamento tóxico. Aguardem os próximos capítulos). Mas eu voltei a escrever. E eu tive três dias seguidos de 2 mil palavras escritas e dois dias seguidos de 3 mil palavras escritas. E foi tão bom. Agora eu sinto que consigo acabar o livro nos próximos seis dias e que ele será bem mais curto do que eu tinha pensado. Eu até desativei a contagem de palavras do Word porque ela não estava ajudando em nada. Eu gosto do fato de que a literatura e a escrita voltaram a ser o lado bom da vida quando todas as coisas estão ruins. Escrever é aquilo que ninguém nunca poderia tirar de mim. Até quando eu morrer, eu provavelmente estarei escrevendo post longos em placas Ouija por aí.

Contagem de palavras ao fim da semana 3 (dia 24): 42,638 palavras

Salem é muito mood mesmo
Agora vamos às últimas coisas. A Lena do Luftmensch (que está fazendo aniversário hoje, MANDEM PARABÉNS PARA ELA) me marcou para responder à tag "Meus hábitos de escrita" feita pela Pam Gonçalves aqui no Brasil, e é baseada na tag americana criada por Kristen Martin. Nada mais apropriado do que eu responder ela aqui para tentar fazer algum sentido da forma maluca como eu escrevo meus livros. Aproveitem!

ONDE EU ESCREVO?
Normalmente no meu sofá, ou, se eu não estiver com vontade de ficar vendo TV enquanto escrevo, na minha cama (apesar da minha psiquiatra repetir mil vezes que não é para eu fazer isso). Eu já disse em algum lugar que eu preciso estar não-completamente-confortável e nem completamente-desconfortável para conseguir escrever. Isso varia, na verdade, eu posso precisar de três travesseiros para poder conseguir me concentrar na escrita ou posso ficar largada no chão por horas. Depende muito do momento. Mas quase invariavelmente eu escrevo em algum lugar que dê para ficar espalhada.

COMO VOCÊ SE ISOLA DO RESTO DO MUNDO ENQUANTO ESTÁ ESCREVENDO?
Eu só confiro se não tem ninguém atrás de mim ou perto demais da tela do meu computador e escrevo. Assim como ler, escrever não tem uma fórmula exata de distanciamento de pessoas. Se eu realmente estiver amando a história, eu vou estar cercada de pessoas e concentrada apenas nela. Às vezes eu preciso deixar a TV sem som porque quero muito me concentrar e não consigo, mas isso acontece justamente quando eu estou muito envolvida e não quero nada me atrapalhando.

COMO VOCÊ REVISA O QUE ESCREVEU NO DIA ANTERIOR?
Chorando e gemendo. Eu odeio revisar e editar. Escrever para mim é sempre a parte mais fácil e eu sei que edição faz parte do processo, mas é justamente a parte que eu mais odeio. Não por odiar ler o que eu escrevi, mas por odiar o processo de voltar atrás e encarar algo que tecnicamente está finalizado (Eu estou fazendo algum sentido?). Até revisar posts logo depois que eu escrevo é horrível, quanto mais ficção.

QUAL A SUA PRIMEIRA ESCOLHA DE MÚSICA QUANDO NÃO ESTÁ SE SENTINDO INSPIRADA?
MisterWives. Qualquer coisa MisterWives. Tem as playlists das histórias e música acústica é meu to-go para me acalmar, mas MisterWives é o primeiro lugar para onde eu corro quando tenho qualquer problema. Inclusive isso me lembrou que eu esqueci de colocar Band Camp em uma das playlists que estou ouvindo este mês. Obrigada, tag.

O QUE VOCÊ SEMPRE FAZ QUANDO ESTÁ LUTANDO CONTRA O BLOQUEIO DE ESCRITA?
Converso comigo mesma sobre a história. De preferência em voz alta, no banho. Eu tenho longos papos comigo mesma sobre o que estou escrevendo o tempo inteiro. Eu já sei que ninguém acha que eu sou normal mesmo.

QUAIS FERRAMENTAS VOCÊ USA ENQUANTO ESCREVE?
O Word. Eu nunca aprendi a me organizar de outra forma que não fosse com ele e por isso acabei gastando muito dinheiro para comprar uma assinatura permanente do Office 2013 quando mudei de computador.

QUAL A ÚNICA COISA QUE VOCÊ NÃO PODE VIVER SEM DURANTE A ESCRITA?
É clichê dizer café? Porque a resposta é café. Café e comida pesada. Eu sempre me presenteio com comida demais durante o NaNoWriMo. Eu tive overdose de cachorro-quente semana passada (comi quatro e não conseguia mais pensar nem no cheiro).

COMO VOCÊ SE ABASTECE/SE ALIMENTA DURANTE UMA SESSÃO DE ESCRITA?
Acho que já respondi isso, mas a verdade é que depender de quão envolvida ou perto da minha meta eu esteja, eu simplesmente não como durante uma "sessão de escrita". O número de vezes que eu tive que sair do computador porque estava tremendo de fome demais para escrever é aterrador. E também tem todas as vezes que eu digo que só vou fazer meu almoço quando terminar esse capítulo ou quando chegar a tal número de palavras. Meus hábitos alimentares não são nada saudáveis e é por isso que eu tenho gastrite desde os 16 anos.

COMO VOCÊ SABE QUANDO TERMINOU DE ESCREVER?
Depende de uma série de fatores. Eu não sou de planejar a história inteira, mas algumas eu começo já com um final na cabeça. Na maioria delas, o final muda várias vezes conforme eu vou escrevendo - é o que está acontecendo com Mirae -, mas algumas são completamente compostas pensando no final à vista. Outras histórias eu realmente não sei que final terão quando começo e vou descobrindo no caminho - foi o caso de A Linha de Rumo. Eu costumo ver o final antes de chegar nele e quando eu chego, eu simplesmente suspiro de alívio enquanto me preparo para os cinco estágios do luto que acontecem logo em seguida.

Finalmente, é hora da parte preferida de vocês. Eis o trecho da "semana":

- Salvar o mundo de uma ameaça imediata é fácil. – Victoria diz, brincando com a comida - Você destrói o inimigo, volta para casa vitorioso e finge que a ameaça não vai voltar. O problema é salvar o mundo de si mesmo.
As palavras dela me atingem diretamente no peito, deixando meu coração em um bolinho.
- E se... – Eu começo. – Você precisa salvar uma pessoa de si mesma?
Victoria não olha para mim, mas eu sei que ela entende o que eu estou falando. Ela pensa um pouco antes de responder.
- Vocês são os malucos por histórias de super-heróis, então me digam: Já pararam para pensar no que há em comum entre uma história de origem de um super-herói e a de um super-vilão?
- Eu sei lá, o trauma? – Madalena pergunta, levemente entediada pelo tom professoral.
- Exatamente. – Victoria concorda. - Normalmente o super-vilão enfrentou traumas muito parecidos com os do super-herói antes de se tornar quem é, e por isso é o nêmese. Seu inimigo só pode ser competição se entender suas fraquezas e o que define se você é o super-vilão ou o super-herói é o que você decide fazer com o que foi te dado, não a situação em si.
- Isso é bonito em teoria. – Eu digo, com meus amigos concordando com a cabeça ao meu redor. – Mas na prática, se uma pessoa causa mal, mesmo que não seja por vontade própria, ela precisa ser impedida. Vilania vai muito além de dilemas éticos e escolhas.
- Não significa que alguém que faz mal sem motivo esteja em um mesmo nível de vilania que alguém que causa mal com intenção.
- Isso não é homicídio culposo versus homicídio doloso. Isso é: Você tem superpoderes ruins e você veio com qualidades ruins ao mundo, o fato de que você causa mal ao mundo faz com que você precise ser impedido, não importa quão “boa pessoa” você seja.
Davi e Madalena se retesam na cadeira, notando o quanto isso está ficando pessoal. Para os policiais nas mesas ao lado, é só uma discussão ética de filmes de super-heróis como todos os nerds têm uma vez na vida.
- Você está dizendo que alguém merece ser punido pela forma como veio ao mundo? – Victoria pergunta, suave e didática.
Eu suspiro.
- Eu estou falando do bem maior.
- Surpresa: O bem maior não existe. – Victoria diz, uma rápida resposta que faz com que ela pareça ter nossa idade outra vez. – A humanidade caminha para o fim independente de quantas forças nós empenhemos em tentar salvá-la. Tudo que um herói pode fazer é impedir que o fim da humanidade seja amanhã. E garantir que ainda exista humanidade muitas vezes significa tomar a decisão egoísta de salvar uma pessoa que poderia matar milhões e dar a chance de que ela decida se fará isso ou não.

Eu nem sei se essa cena fez sentido, mas ela está aí. Inclusive, enquanto a contagem de palavras de Mirae é de 42 mil palavras, a contagem de filmes de super-heróis citados na história até agora é oito (8). Isso inclui Zoom: Academia de Super Heróis. E eu também citei A Casa Monstro, então o número de filmes com Ryan Newman citados é dois (2).
É isso. Vejo vocês em algum momento que eu não tenho certeza de qual será. Eu tenho um livro a terminar, galera!
G.

20/11/2017

Eu organizei um evento! E ele não flopou!

BOM DIA, PESSOAS DA INTERNET! Eu sei, eu sei. O post atrasou de novo e eu não deveria prometer posts que não já estão escritos, mas eu pedi que vocês acompanhassem meu ritmo e meu ritmo é extremamente louco - inclusive foi por isso que houve um post a mais semana passada. Para o NaNoWriMo, eu quero transformar semanas de 11 dias em algo oficial. É a única forma que eu vejo dessas atualizações funcionarem. MAS AGORA ÀS COISAS BOAS!! Como eu anunciei na primeira atualização do NaNo, eu organizei um evento para escritores em Vitória da Conquista! E foi incrível! E todos os meus planos de B a Z não foram necessários!!!
A ideia era bem simples e foi completamente copiada. No NaNoWriMo existem vários eventos de escrita durante o mês para que os participantes possam escrever juntos, compartilhar dicas, tirar dúvidas e coisas assim - incluindo os Write-Ins. Os eventos oficiais aqui no Brasil acontecem em São Paulo e por muito tempo eu queria fazer um evento local, reunindo escritores daqui, mesmo que eles não estivessem participando do NaNoWriMo. Vitória da Conquista tem um cenário literário estranho: todo mundo ou escreve ou conhece alguém que escreve, muita gente lê por prazer, especialmente dentro das universidades, mas as livrarias grandes nunca vem para cá e as pessoas não parecem informadas sobre as possibilidades de interação aqui dentro. A minha ideia original - em 2014 - não teve tanta resposta, mas como em 2017 eu estava em um clima de "organize os eventos aos quais você quer ir", eu resolvi tentar de novo. Consegui uma resposta boa o suficiente à minha publicação original e resolvi tentar um projeto. Conversei com as livrarias locais e possíveis lugares que suportariam um evento assim e a Livraria Nobel acreditou em mim o suficiente para possibilitar que o evento acontecesse lá. Assim nasceu o 1º Write-In Conquista: Encontro de escritores profissionais, estreantes e amadores. Eu planejei o evento para 20 pessoas e estava esperando 15, pensando nas pessoas que entraram em contato comigo, e no máximo 10, considerando todo mundo que iria para me dar apoio moral. O total de participantes foi 18.
O evento começou 13h15, com duas pessoas - dois escritores que realmente tinham ouvido falar do evento nas redes sociais. Minhas amigas chegaram depois e eu estava surtando! - e as outras foram se juntando à roda de conversa na primeira hora e meia. Nós ficamos nos conhecendo, falando sobre escrever, o que escrevemos e o que gostamos de ler. Participaram do evento cronistas, romancistas, poetas, compositores, cartunistas, acadêmicos, pessoas com todo tipo de escrita e trabalhando em todo tipo de texto. Foi completamente maravilhoso. Por algum motivo a galera me deixou falar bastante, o que não foi nada ruim para o meu ego. Nós ouvimos experiências distintas e compartilhamos um pouco de cada coisa que fazia de nós escritores. Depois da pausa para o coffee break, teve desafio de escrita. Todo mundo foi desafiado a escrever sobre chuva por 20 minutos e depois compartilhar um pouco. Teve de tudo: Música, roteiro de websérie, crônica, poesia - e foram textos muito maravilhosos para serem escritos em 20 minutos. Até as cenas curtas ou os textos que foram apenas um parágrafo! Eu percebi que estava cercada de muita gente incrível e talentosa. E estar cercada de gente incrível e talentosa é a coisa mais inspiradora do mundo.
Então, naturalmente, nós criamos um pequeno grupo no Facebook para escritores de Vitória da Conquista. Se você escreve qualquer coisa, a nível profissional, amador ou só para equilibrar as energias e quer fazer parte do grupo, é só entrar clicando aqui. Nós vamos compartilhar dicas, divulgar trabalhos, só conversar e é claro, anunciar novos eventos lá. Óbvio que eu vou fazer mais eventos assim, galera, este foi incrível. É só uma questão de tempo. Eu também tenho pensado em eventos diferentes, para leitores e algumas colegas minhas já tem um projeto legal de evento literário na cidade. Por enquanto, eu deixo vocês com as fotos que provam porque este evento foi uma das melhores coisas que aconteceram este ano:


Fotos: Livraria Nobel

Fotos: Livraria Nobel

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

Foto: Victória Lôbo

É isso. Vejo vocês durante a semana,
G.

15/11/2017

Então, finalmente aconteceu

Eu quero escrever sobre depressão e sobre como eu tenho me sentido de verdade há um bom tempo. Talvez 13 ou 14 meses? Depois de ter perdido a minha mãe em 2014 e de ter me obrigado a me sentir melhor, ela voltou sorrateia em setembro do ano passado, em uma série de crises sobre as quais eu tive pouco controle. Eu sabia que eventualmente postaria algo direto demais aqui. Porque eu tenho escrito posts e mais posts durante todos esses meses, só para deletá-los no dia seguinte, quando eu me sentia uma completa idiota por ter me sentido tão mal. Alguns dos meus posts preferidos aqui são justamente sobre isso, sobre estar doente e sobre a dor, todos eles escrito às lágrimas. Talvez esse post também se torne um dos meus preferidos, ou talvez eu me arrependa de ter postado ele. Mas eu sei que preciso fazer isso agora porque, como a maioria dos posts do blog em 2017, este é um post que foi trabalhado por meses - mesmo que ele seja o mais caótico já escrito. A única coisa que eu peço é o que eu sempre peço toda vez que posto algo assim: Por favor, não comente para dizer que espera que eu fique bem ou me dar algum conselho. Eu sei de todas as pessoas que esperam que eu fique bem. Apenas não é assim que funciona. E eu não estou escrevendo isso para que alguém sinta pena de mim ou que comece a me tratar diferente ou para que em cada momento as pessoas ao meu redor pensem muito antes de falar comigo. As pessoas vivem pedindo para que eu fale. Aqui eu estou pedindo que vocês ouçam. Não tentem me consertar ou consertar o que está acontecendo, porque algumas coisas não podem ser consertadas.

Você tem voado tão alto, evitado a estrada. Fingindo não se sentir sozinho.
Eu tenho pensado muito no que significa ter depressão, ansiedade e síndrome do pânico durante a maior parte da minha vida. Eu tinha 9 anos quando minha primeira crise de pânico aconteceu e quando eu percebi que conseguia limpar meu vômito sozinha e me fazer me acalmar também. Dez anos se passaram depois disso e eu sou a maior especialista que você vai conhecer em disfarçar cara de choro e em esconder o som do meu vômito com a toneira do banheiro aberta. Eu saio de casa sem comer e enfio sacolas plásticas na minha mochila porque eu simplesmente sei quando eu vou vomitar. Eu sei diferenciar a dor no estômago por causa da gastrite nervosa, da dor no estômago por causa da ansiedade. Eu sei quando eu estou sendo preguiçosa e quando estou me sentindo deprimida. Eu percebo quando eu passo dez horas seguidas na cama porque não quero sair das cobertas, eu também digo a mim mesma que sou um lixo quando eu não quero sequer tenho vontade de tomar banho e eu sei que eu sou a pessoa mais distraída que já pisou nessa Terra. Eu não culpo ninguém por ser crítico comigo porque eu sou a maior crítica de mim mesma.
Quando eu recebo uma crítica pessoal, minha resposta é "Eu sei". Eu não posso dizer que "eu vou fazer melhor" porque amanhã eu posso acordar sentindo que eu não mereço nem estar viva e não conseguir me concentrar em nada. E eu não estou dizendo a você para ficar do meu lado e dizer que nunca vai me abandonar porque você não merece isso. Cada frase já escrita sobre se afastar de pessoas tóxicas ou pessoas que não conseguem melhorar é real. Eu não culpo as pessoas que se afastam de mim, até porque eu já me afastei de algumas pessoas. Eu sou responsável pelo meu próprio destino e pelo meu próprio eu e eu tenho plena consciência disso. Quando eu te digo que você pode ir embora se quiser, eu não estou desistindo de você ou não fazendo o mínimo esforço possível. Eu estou dizendo que eu não mereço você e que a única pessoa castigada a enfrentar meus problemas sou eu mesma.
Me enlouquece que as pessoas não estejam percebendo como cada aspecto da minha vida tem me deixado maluca ultimamente. Como eu tenho vivido em função da faculdade e do trabalho e como eu odeio isso mais do que eu poderia odiar qualquer coisa. Eu odeio meu estágio - não as pessoas com as quais eu trabalho ou o local, mas o trabalho e a área, que não é a minha. Eu odeio cada vez mais o jornalismo. E eu continuo me comprometendo a fazer coisas porque eu quero provar algo para alguém. Para as dezenas de pessoas que diziam que "queriam um estágio como o meu" porque eu não precisava cumprir horas todos os dias, eu agora estou estagiando em dois setores. Dois setores com os quais eu odeio trabalhar. Para as pessoas que diziam que eu passava 14 horas por dia na frente de um computador "então não estava fazendo nada", eu estou em uma rotina de seis reuniões semanais em grupos diferentes dos quais eu faço parte - em muitos dias eu nem ligo o computador, muito menos escrevo e por pior que eu me sinta sobre isso, eu simplesmente estou cansada demais. E eu ainda sinto que eu não estou me envolvendo em coisas o bastante porque todo mundo que eu conheço está envolvido em mais. E eu odeio cada parte do processo. E eu tenho gritado com as pessoas sem motivo e eu tenho chorado em pontos de ônibus. E eu sei que as pessoas sempre serão críticas de mim, mas eu só quero provar que eu sou boa o suficiente para estar aqui. Para ser uma adulta. Eu quero provar que eu tenho direito de ainda estar viva. E eu estou tão perto de não me matricular na faculdade semestre que vem e tentar encontrar um emprego de 30 horas que não me faça ter pensamentos suicidas como o meu de 20 faz - e absolutamente ninguém percebe isso. Quando eu digo que vou tentar outro estágio, a reação é choque. E quando eu perco uma aula, as pessoas assumem que é porque eu sou preguiçosa e desorganizada. E eu sei que eu sou boa em fingir, fingir é o que eu mais faço, mas eu sou tão boa assim?? 
E eu sei que os últimos parágrafos soam como vitimismo, mas como você conversa com alguém sobre depressão sem soar como uma vítima? Como você faz que elas entendam que quando você diz que não conseguiu fazer algo porque teve uma crise só de pensar na coisa é a mesma coisa de dizer que você ficou presa num quarto escuro porque tinha enxaqueca? A única coisa que eu desejava que as outras pessoas entendessem é que eu estou doente. Eu nunca estive curada. Eu preciso tentar todos os dias. E isso significa ter dias ruins. Eu faço terapia há cinco anos e a essa atura, eu desenvolvi a habilidade de me analisar completamente. Eu converso comigo mesma da mesma forma que a minha psiquiatra fala comigo. Eu digo: "Giulia, você tem cinco livros escritos. Você passou no vestibular e tem ido relativamente bem na faculdade. Giulia, você está estagiando. Você cuida da sua irmã. Você avançou tanto. Você está indo bem." e eu sei que a minha vida é incrível. Eu conheço tantos lugares, eu não preciso me preocupar com dinheiro ainda, eu estou segura. Todas as vezes que eu tenho um pensamento cruel, eu tenho imediatamente uma correção. Eu sei que eu não posso ser a pior pessoa do mundo se eu tenho amigas que são pessoas incríveis. Eu sei que existem pessoas lá fora que se sentem muito mais perdidas que eu e pessoas que não vivem com o mínimo conforto necessário para manter a humanidade. Mas saber de todas essas coisas não impedem os dias ruins. É como saber como um câncer funciona ou todos os sintomas da gripe. Não faz com que nada vá embora.
Alguns meses atrás eu ouvi como eu sempre estou passando mal. A pessoa não falava por mal, foi só um comentário e eu sei que a pessoa se importa comigo, mas isso não saiu da minha cabeça. Eu passo mal o tempo todo. E recentemente eu tenho estado doente o suficiente para que as pessoas percebam. Minhas faltas, meus ainda maiores atrasos, o quão mal eu tenho ido no que eu faço. E de repente vem uma gripe e ela dura semanas porque eu não tenho comido direito. E uma faringite porque eu usei o ventilador no rosto por muito tempo para abaixar minha temperatura. Eu perco peso e ganho peso e eu tenho parecido estranha nas minhas roupas. Isso tem incomodado as pessoas, mas eu não quero incomodar ninguém. Quando eu fico doente, não estou pedindo para que você cuide de mim. Ou quando eu vomito em público, que você me leve num hospital. E quando eu me atraso todos os dias durante um mês inteiro, eu sei que preocupo você, mas você não precisa ficar preocupado. No fim, eu volto a funcionar. Eu fico bem. Eu sei cuidar de mim mesma, eu tenho feito isso sozinha por tanto tempo. Eu não estou tentando empurrar o peso de mim sobre você. É isso que eu preciso que você entenda. Cobre de mim o quanto quiser. Exija de mim o quanto achar necessário. Mas toda vez que eu falhar, não ache que eu faço de propósito ou que quero atrapalhar você. Eu só estou tentando sobreviver.
Eu falei mais de uma vez sobre suicídio essa semana e como pensar sobre isso dessa vez é diferente de na última. Não me lembro de ter contato isso a ninguém porque a verdade é que eu neguei até à minha psicóloga, mas quando eu tinha 15 anos eu realmente senti que poderia me jogar da janela do prédio onde eu morava. Eu senti que minha vida não fazia sentido e que desde antes de eu nascer eu vinha atrapalhando todo mundo, especialmente minha mãe. Quer dizer, se eu não tivesse nascido ela não teria tido brigas com a família ou ter sido obrigada a se casar. E a única razão pela qual eu não fiz isso, pela qual eu apenas fiquei encarando a janela por horas e mais horas é porque eu tinha um pânico completo da morte. É assim que isso é diferente. Hoje em dia, eu consigo lidar com a morte. Eu a entendo com mais clareza. Eu poderia aceitá-la mais facilmente. Mas eu não quero ninguém preocupado, eu prometo por tudo no mundo que eu não vou me matar. O motivo pelo qual minha mãe estava tão estressada que teve um ataque cardíaco é porque ela queria que a gente estivesse segura e bem. Ela passou os últimos 16 anos da vida dela garantindo que eu estivesse bem e crescesse bem e eu não vou jogar nenhum segundo disso fora. Eu vou ter a vida que ela desejava para mim.
Mas eu não posso te olhar nos olhos e dizer "eu vou melhorar" ou "isso é apenas passageiro". Porque em 2013 eu achei que estava melhor e em 2014 eu jurava que tudo tinha ido embora e em 2015 eu achava que não ia mais precisar de antidepressivos e em 2016 eu pensei que eu só me sentisse mal nos meses próximos a datas que lembravam à minha mãe e no meio deste ano eu jurei que tinha chegado ao fundo do poço e que agora era só subir, mas eu não assisto aulas há duas semanas porque eu fico tendo insônia seguida de vontade de não acordar. Eu não posso dizer que vou melhorar porque a verdade é que eu já não acredito mais nisso. E eu sei que sou um peso porque quando uma pessoa te diz uma vez que não se sente bem, é preocupante, mas quando a pessoa diz isso 14 vezes no mesmo mês, não dá nem para acreditar. Então eu não estou pedindo que você fique, ou que acredite em mim, mas estou dizendo que talvez eu fique melhor sozinha e talvez eu seja a única pessoa no universo que pode entender o que eu sinto. E que isso é outra coisa à qual eu já me resignei.
Uma coisa que eu ouvi de mais de um psicólogo é que uma das coisas mais difíceis que alguém com depressão faz é pedir ajuda. Quando eu estou mal, eu não peço ajuda. Porque eu odeio me sentir um peso e porque eu odeio sentir que a outra pessoa está tentando consertar coisas que não podem ser consertadas. Quando eu estou mal, eu chego em casa, evito minhas obrigações e assisto três episódios seguidos de The Thundermans. Eu tomo o ônibus que roda mais porque eu quero ouvir música por alguns minutos. Eu abro e fecho o Instagram da Mandy Lee mesmo que eu já tenha visto e curtido todas as fotos um milhão de vezes. Quando eu estou mal, eu tento ficar bem das formas que eu conheço. E eu não me importo com quantas pessoas revirem os olhos por isso, mas a pessoa que mais tem me ajudado das formas como pode é a Kira. Porque as vezes eu digo para ela muito mais do que eu deveria dizer e ela só curte os tweets, para semanas depois fazer um comentário que mostra que ela se lembra. E nós não somos "melhores amigas que dividem tudo", mas ela faz com que eu me sinta menos sozinha. Porque me mandando DMs sobre meu nome no Twitter ser "Giulia está tendo um colapso nervoso", ela faz com que eu sinta que alguém está prestando atenção aos meus silêncios. A pessoa que está perto que mais me ajudou nos últimos tempos, não tinha obrigação nenhuma de me ajudar. E eu sabia disso, então quando ela se sentou do meu lado e nós ficamos falando sobre o quão ridículo era o que eu estava sentindo porque a sociedade molda a gente assim e sobre todas as outras coisas que não eram isso, eu me senti validada. Eu não me senti melhor e, na verdade, eu chorei várias outras vezes naquele dia, mas eu senti que tinha o direito de me sentir assim. Eu senti que meus sentimentos eram reais. Às vezes - e isso é a maior parte do tempo para alguém que tem depressão - não existe nada que você possa fazer para fazer com que alguém se sinta melhor, mas você pode fazer algo para que a pessoa se sinta menos sozinha. Ou menos louca.
E eu sei que não sou a melhor amiga nisso. Que às vezes eu sei que meus amigos não estão bem e que tento ajudar de formas que são completamente fracas. Que nem sempre eu ajudo nem que seja para ouvir ou que mando mensagens para o amigo que postou coisas autodestrutivas no Twitter. Eu sei que dizer que "eu estou aqui", não é a mesma coisa de estar aqui. E eu sei que sou toda pena e pouca compaixão. Mas se eu pudesse tirar a dor de cada um de vocês e colocar em mim, eu faria isso. E se você quiser vir à minha casa ou me mandar uma mensagem que simplesmente diga "Você pode me ouvir?", eu estou aqui. E eu vou fazer o meu melhor para prestar atenção aos silêncios de todo mundo. Isso, eu posso prometer.
Eu preciso que você acredite quando eu digo que eu estou bem. Mas eu preciso que você saiba que às vezes eu estou mentindo. Preciso que você entenda que eu sou muito mais sincera no Twitter do que eu sou com você, porque eu não sei falar. Eu não sei contar o que eu estou sentindo. Eu nunca aprendi. Eu nunca aprendi a sentir de verdade. E às vezes eu preciso contar tudo em threads no Twitter porque pelo menos lá eu organizo meus pensamentos e sei qual é o próximo passo a seguir. Eu posso prometer que vou atrás de você e contar sempre que eu não me sentir bem, mas às vezes não há nada a ser dito. Às vezes são só os dias que eu fico calada. E às vezes eu quero falar, e eu até falo, mas eu não acho que ninguém está ouvindo.
E eu não preciso que você pise em ovos comigo, ou que me trate diferente de como trata seus outros amigos. Qualquer crítica que você fizer ou coisa ruim que você disser a mim, eu já disse a mim mesma coisas dez vezes pior. Mas eu preciso que você entenda que às vezes eu vou ficar magoada com algo e eu vou precisar de mais tempo para lidar com isso do que os outros. Que a minha distração não é por mal e que se eu atrapalho você, eu pelo menos quero compensar de outras formas. Me diga como.
E eu preciso que você saiba que eu amo você. Eu nem sempre vou saber como demonstrar isso e às vezes vai parecer que eu não sei como amar. Mas eu preciso que você entenda que mesmo que eu não possa prometer que no ano que vem eu serei a melhor pessoa do mundo, eu posso prometer que eu estou tentando. Eu preciso aprender como amar, como sentir tristeza, como sentir felicidade, como perdoar e como compartilhar. E eu sei que isso vai levar meu próprio tempo e eu não estou pedindo para você esperar por mim.
Repito que isso não é um pedido de ajuda. É talvez uma autoanálise. E eu sei que vários de vocês ficarão preocupados comigo, mas eu repito: Eu vou ficar bem. Mesmo que a depressão fique voltando, eu aprendi a lidar comigo mesma. Eu sei ficar bem sozinha. Lembram dos truques? De disfarçar o som do vômito e de esconder as lágrimas? Eu sei que preciso abaixar a temperatura do meu corpo para parar de ter peristaltismos. Eu sei quando pedir licença para ir ao banheiro quando preciso de um momento para me recuperar. E eu sei que stalkear obsessivamente e teorizar sobre famosos desconhecidos faz com que eu me sinta melhor. Eu não quero que você venha para o meio do meu caos, porque ninguém além de mim tem a obrigação de lidar com a minha bagunça. Eu vou ficar bem. Eu preciso ficar.
Giulia

12/11/2017

Diário Artístico: Uma esfera mística de luz

Se não for para resumir minhas semanas com frases abstratas e sem sentido - como "uma esfera mística de luz" - eu nem quero. O post do Diário Artístico da primeira semana de NaNoWriMo tem este título porque mais do que nunca nestes 11 dias, eu desejei me libertar das fraquezas da minha casca humana e me tornar apenas o que minha alma é: uma esfera mística de luz que sobrevive apenas de arte e funciona durante todo o tempo em função dela. Resumindo: ESSA PRIMEIRA SEMANA DE NANOWRIMO FOI COMPLETAMENTE INSANA. E eu sei que 11 dias é mais perto de duas semanas que de uma só, mas eu precisei prolongar a semana o máximo que podia para conseguir escrever este post sem me sentir um fracasso completo, então acompanhem meu fluxo. Além disso, eu estou estagiando em dois setores, terminando um semestre e organizando um evento (QUE TODOS OS LEITORES DO BLOG EM VITÓRIA DA CONQUISTA SÃO OBRIGADOS A IR!!! INFORMAÇÕES NO FINAL DO POST), então eu preciso adaptar as agendas de escrita a todas essas coisas, infelizmente.
De qualquer forma, aqui estamos, depois de onze dias inteiros de NaNoWriMo e com mais ou menos 1/4 de livro escrito, além da menor contagem de palavras dos três últimos anos. Eu estou sendo forçadamente otimista a essa altura.

Eu, quando alguém começa a falar de assassinatos perto de mim agora que eu estou escrevendo um livro que gira em torno de dois assassinatos.
Como sempre, meu NaNoWriMo começou dia 31/10 às 23h - 1/11 às 00h, pelo horário de Brasília. Eu tinha chegado em casa duas horas antes, depois de ter passado outras duas horas no salão de beleza (pela primeira vez em dois anos) escovando o cabelo (pela primeira vez em quatro), para que a fantasia da festa de Halloween à qual eu iria no dia seguinte estivesse completa. Eu tinha planejado fazer um monte de coisas antes que o NaNoWriMo começasse, mas esse navio naufragou e a trouxa que vos fala ficou só sentada no chão esperando 23h para começar a escrever. E assim que começou, eu entrei no modo NaNo. Foram duas horas me adaptando ao Estar Escrevendo Um Livro e meu cérebro finalmente se encaixou no fluxo da história. As primeiras horas de NaNoWriMo são sempre boas e ter aquele tempo para me dedicar foi muito bom. Eu terminei a noite às 02:02 com 2,090 palavras escritas. Na manhã seguinte, depois de ter faltado aula por não ter conseguido acordar (típico), eu terminei outro capítulo e completei as 3,504 palavras do primeiro dia. (Já que a meta é escrever 100K, a meta diária é 3,334 palavras). Eu queria muito ter voltado a escrever, mas isso não foi possível. Porque foi aí que começaram as encrencas.
Durante os primeiros dias de NaNoWriMo, eu enfrentei algo que não tinha enfrentado nos últimos dois anos, mas que enfrentei quase todo o ano de 2017: Eu tinha o que escrever - um livro muito mais planejado com antecedência do que A Linha de Rumo e Tóxico - e sabia como escreveria, eu só não tinha tempo para escrever. O NaNo deste ano é o mais complexo, aquele ao qual eu mais preciso me dedicar e, ao invés disso, ele está sendo impedido pelas minhas outras obrigações. E eu fico culpando a quem? A mim mesma. Para escrever um livro de 100 mil palavras, eu preciso ter 50 mil escritas até quarta-feira que vem. É possível, mas sabe com quantas pessoas eu vou ter que gritar para isso acontecer? Muitas. Talvez eu termine novembro sem amigos e todos os meus colegas me odeiem.
No dia 1º de novembro eu fui a uma festa que acabou muito mal e mesmo que a minha fantasia de Halloween seja meu orgulho de 2017 e eu tenha conseguido alcançar tudo que eu queria dela, a festa flopou, em termos simples. Eu acabei tão cansada (de andar na rua procurando outra coisa para fazer) que perdi o dia seguinte inteiro, primeiro dormindo, depois na rua demorando para pegar ônibus e finalmente, em casa fazendo faxina. Tudo que eu consegui escrever no dia 2 foram 17 palavras, e ainda escrevi apenas porque quero o badge de 30 dias seguidos de escrita. (Eu sou competitiva, superem). Depois de dois dias com resultados MUITO inferiores aos dos anos anteriores e considerando o fato de que eu sou mais dedicada a escrever sempre no começo, exatamente no meio e no final, eu estava me sentindo estranha. Não parecia NaNoWriMo direito, não como os últimos anos foram e isso estava me enlouquecendo.
Um dos motivos pelo qual o capítulo 1 de Mirae é o meu primeiro capítulo preferido é o fato de eu ter me desafiado nele. Eu coloquei minha personagem principal em uma sala cercada de espelhos e obriguei ela a se descrever sem olhar para eles. Eu deixem as próprias paranoias e sentimentos profundos da personagem contarem a história da morte de seus pais e destacarem os primeiros sintomas dos seus poderes. No NaNoWriMo, dias bons são cercados de escrita assim, mas parte do desafio são os dias ruins, onde toda a sua escrita parece um lixo e você odeia o que escreve. O desafio é se forçar a escrever mesmo que você não queira. Colocar no papel palavras que não são perfeitas, incríveis e apaixonantes, mas são palavras da sua história. Os dias depois do segundo dia de NaNoWriMo tiveram muito, muito disso.

Eu tentando escrever uma pauta no trabalho, quando minha cabeça está em Mirae
O dia 3 veio em outra onda confusa. Deveria ser o dia em que eu recuperaria tudo que não estava conseguindo escrever nos dias anteriores, mas eu não fiz nem de longe tanto quanto eu queria ter feito. Eu não consegui escrever de madrugada, porque estava exausta, e durante o dia eu não consegui entrar em um ritmo NaNoWriMo. Pensando em retrospectiva, talvez a culpa disso tenha sido o fato de que eu estava me pressionando a recuperar os dias anteriores e dar mais de mim do que eu conseguia (o que eu ainda estou fazendo), considerando que era o comecinho do NaNoWriMo e eu deveria me preocupar só com montar uma base para o livro. Eu escrevi 3,563 palavras no dia 3, o que elevou meu total para 7,808, mas eu precisava estar com 10,002 palavras se quisesse estar na meta. O dia 4 também não foi muito melhor que isso, com visita em casa e a perfeita distração da programação da Nickelodeon e mesmo que eu quisesse escrever 7,7 mil palavras em um dia só, meu resultado foram apenas um pouco mais que as palavras que eu escrevi de madrugada. 1,852 palavras no dia 4, aumentando o total para 9,660.
Então no dia 5, o mais absoluto desespero tomou conta de mim cedo de manhã. Isso e o fato de que eu tinha várias coisas do estágio e da faculdade para fazer e nada me faz ser mais produtiva na literatura do que não querer fazer coisas do jornalismo - um exemplo claro é este post (eu tenho a minha parte de uma análise de mercado a terminar. Por um lado, é o último trabalho teórico do semestre. Por outro, eu prefiro literalmente morrer). A meta para que eu ficasse em dia era 7 mil palavras para que eu alcançasse 16,070. Depois de um dia inteiro passado escrevendo em todos os cantos da minha sala, eu terminei o dia 5 com 5,833 palavras escritas e uma contagem total de 15,493. Eu terminei no meio de um capítulo e perto demais de dois capítulos que eu precisava reescrever para não continuar escrevendo, então eu só fui. Ainda naquela noite, eu escrevi cerca de duas mil palavras e reescrevi outras duas mil. O resultado é que ainda na madrugada do dia 6, eu subi minha contagem para 19,868 palavras e quando fui validá-las no contador do NaNoWriMo, essa contagem ainda subiu para 20,271. Não só eu me recuperei, como alcancei minha contagem do dia antes das três da manhã. Mesmo que parte daquelas palavras tenham sido reescritas, eu ainda escrevi umas boas 8 mil palavras em um espaço de 24 horas. Meu pulso queimava, minha cabeça doía, mas eu estava extremamente orgulhosa de mim mesma.
É claro que, na manhã seguinte, por já ter alcançado minha meta, eu tinha perdido as razões para procrastinar meu trabalho acadêmico e do estágio e precisei me envolver nele o dia quase inteiro. Eu terminei o dia 6 com 4,778 palavras escritas, aquelas 20,271 palavras totais. Então veio o dia 7. Queria poder dizer que foi o maior colapso nervoso do ano, mas este foi o ano do colapso nervoso, então provavelmente não é verdade. Eu basicamente tive um dos piores e mais cheios dias da minha vida, e justo quando eu jurava que estava tudo sob controle e que eu ia ficar bem no final, ter passado 40 minutos na chuva esperando ônibus na volta para casa, cortou o fio vermelho do meu cérebro e eu terminei o dia gritando e chorando. Literalmente. Ainda assim, entre uma reunião e outra (foram 3, apesar da última não ter acontecido), uma pauta e outra (foram 2, com todo esforço de marcar, falar com entrevistado, pesquisar e etc) e uma longa conversa sobre o estado da homepage que eu estou fazendo no outro setor em que estagio, eu acabei conseguindo enfiar 1,405 palavras no dia 7. Foi aí também que eu comecei a adiar escrever este post, porque, como dito anteriormente, eu estava tendo um colapso nervoso. E apesar de eu saber que as pessoas (eu inclusa) usam este termo levianamente eu gostaria de repetir: Gritando e chorando. Literalmente. Literalmente gritando e chorando.
E é claro que eu acordei no dia seguinte passando mal e não pude ir pra aula. Eu consegui enfiar algumas palavras antes da hora de ir para o trabalho, mas não consegui parar por tempo o suficiente no resto do dia. E eu não queria me punir por isso, porque eu não estava bem e eu me conheço quando eu não estou bem. Terminei o dia 8 com 1,418 palavras. Dia 9 foi feriado na cidade e mesmo que eu tenha passado a primeira metade dele sendo produtiva, no resto dele, nem tanto. Além disso, minha produtividade não foi focada no livro e eu terminei o dia 9 com a segunda menor contagem do mês, 20 palavras. Eu escrevi para o meu Projeto Secreto no dia, um capítulo inteiro. Vocês lembram dele? O projeto que eu digo que uso para equilibrar minhas energias? Eu usei ele naquele dia justamente para isso e funcionou como um encanto. Então no, dia 10, eu passei o dia resolvendo um milhão de coisas na rua, incluindo o local onde acontecerá o evento que eu citei e depois de divulgar o 1º Write-In Conquista no Facebook, eu voltei para Mirae com vontade, fechando o dia 10 com 508 palavras e fechando o total em 23,622 palavras. Mais ou menos 10 mil palavras a menos do que minha meta, mas eu não estava brava comigo mesma graças ao lixo de semana que tive. E eu continuei escrevendo até as duas da manhã, então não tinha motivo para ficar brava mesmo.
Finalmente, dia 11, também conhecido como ontem. Por uma coincidência da vida, eu estava no capítulo que se passava no dia de ontem. Inclusive, eu não faço a minima ideia de quantos capítulos Mirae tem no momento, porque os capítulos são marcados apenas pelo número de dias que faltam até fim do próximo ciclo de Mira - ou o dia em que a Bri vai mudar a realidade. Então cada capítulo é um dia, mas eles não são diários. Os últimos três capítulos que eu escrevi, por exemplo, foram 119 dias (11/11/17), 117 dias (13/11/2017) e 115 dias (15/11/2017). Os capítulos também variam muito de tamanho, alguns sendo um dia inteiro, enquanto outros são apenas uma cena. Mas por que eu comecei a contar isso tudo mesmo? Ah é, o meu dia de escrita ontem. Eu passei o dia quase inteiro (depois de ter ido na rua resolver coisas do Write-In) largada no sofá procrastinando o trabalho de Comunicação e Mercado e escrevendo sem tentar me forçar a trabalhar demais. Só parei quase 2 da manhã porque estava passando um especial no Investigação Discovery sobre o primeiro assassino em série dos Estados Unidos e eu queria saber o final... Mas isso é história para a semana que vem. A contagem de palavras do dia 11 foi 3,878 palavras.

A contagem final da minha semana de 11 dias é: Exatas 27,500 palavras.
O que é menos do que as semanas de 7 dias do NaNo 2015 e do NaNo 2016, mas a gente finge que tudo está sob controle.


Falando do livro em si, entre as surpresas positivas na primeira semana nós temos: Nicole e balé. A Nicole era para ser apenas uma personagem secundária, que quase não apareceria no livro direito. Uma cena com Nicole depois, o Golden Trio - trio de três personagens principais - virou o Quarteto Fantástico. Eu tive que reescrever boa parte das cenas que já tinha escrito graças a isso, inclusive, porque agora eu estou muito apegada a ela. Outra coisa é o balé, que deveria ser uma parte relativa da vida e da personalidade da Bri, mas se tornou algo absurdo de grande na história. Existem essas quatro storylines grandes borbulhando na história: O assassinato, os poderes da Bri e de outros personagens, os universos paralelos e o balé. A cena do recital de Dia das Bruxas era para ser um ponto de passagem entre um momento da história e outro e acabou se tornando um dos meus capítulos preferidos. Além disso, apesar do que eu disse sobre palavras que não são perfeitas ou incríveis, eu estou mais do que animada com alguns capítulos sobre os quais eu pensei muito durante os últimos meses. Como a cena em que a Bri entra na sala infinita e uma estrela conta para ela o que as marcas de nascença no seu pulso direito significam. Não olhem pra mim assim! É um livro estranho.
E AGORA É CHEGADO O MOMENTO EM QUE VOCÊS ESPERAVAM. Como vocês viram lá em cima, eu já postei um trecho de Mirae no Facebook no dia 3 de novembro, como eu faço todo ano. Mas também é tradição postar um trecho do livro nas atualizações semanais, então aqui vamos nós:

- Brigitte Etoile Santos de Bragança. – A mulher chama novamente.
Eu nunca a vi na vida. Ela tem sotaque de longe, mas eu não consigo identificar de onde exatamente. Também tem o cabelo louro queimado e os olhos marcados de alguém que passou muito tempo da vida no sol, mas não parece ter mais que 30 anos.
- Presente? – Digo, mais uma pergunta do que uma resposta, tamanha é minha confusão.
Os olhos da mulher se voltam para mim e ela abre um sorriso discreto antes de seguir com a chamada. Ela escreveu seu nome no quadro em algum momento: Victoria Tate. Eu nem tenho certeza de como pronunciar esse sobrenome, mas parece ativar o canto do meu cérebro que avisa que é horário de aula de inglês. Mudaram a professora faltando um mês e meio para o fim do semestre e no meio de um feriadão.
Tento voltar ao meu desenho, mas algo me deixa inquieta quase que imediatamente e eu me pego prestando atenção na aula. Victoria apresenta seus planos para os últimos meses de aula, dizendo que não pretende aplicar provas escritas – o que anima todo mundo -, mas pretende testar nossa pronuncia e nossa habilidade de escuta. A voz dela é suave e sua própria pronuncia tem algo de perfeito, cristalino e intocável. Eu me pego sorrindo em vários momentos da aula, o que é algo que só Madalena costuma conseguir arrancar de mim.
Quando a aula termina é intervalo e quando a turma toda sai, eu me pego sozinha na sala com Victoria. Ela fica fazendo anotações em um caderno e eu pego uma maçã na mochila e o livro que estou lendo. Também não consigo me concentrar no livro e me pego observando seus movimentos. Depois de um tempo a professora percebe o que estou fazendo e olha de volta para mim.
- Tudo bem, Brigitte? – Ela pergunta.
- Bri. – Corrijo, quase que automaticamente. – Brigitte é muito atriz francesa do século XX. – Explico.


O que acharam? Não é o melhor trecho, mas é do comecinho e esse livro fica cada vez mais maluco conforme os capítulos passam, então é melhor eu guardar as estranhezas para as semanas seguintes. Finalmente atingimos a última parte do post. Eu apresento a vocês o primeiro evento organizado pelo Quebrei a máquina de escrever e pelo Azul Turquesa Jornalismo - ou seja, por euzinha - o 1º Write-In Conquista:



É isso aí! Com o apoio da franquia da Livraria Nobel em Vitória da Conquista, eu estou organizando um encontro de escritores no próximo sábado às 13h, no Shopping Conquista Sul. Vai ter comida, roda de conversa, espaço de compartilhamento de projetos e eu já disse comida? É para escritores estreantes, profissionais e amadores, de todos os gêneros, estilos e inspirações, então mesmo que você só tenha escrito um poema em 2005, está mais do que convidado a ir. Vai ser uma tarde divertida e além de estar distribuindo marcadores de As Crônicas de Kat, eu posso ter outras surpresas para os leitores do blog lá no evento. Eu estou implorando para você que está lendo ir. Nem que seja pela comida! Vai ser divertido, prometo. Mesanino da Livraria Nobel do Shopping Conquista Sul. Sábado dia 18/11, 13h. Confirmem presença no evento do Facebook!
E foi isso. Eu volto no domingo que vem com a atualização da segunda semana de NaNoWriMo (vou fazer todo domingo, porque é o dia que fica melhor para mim) e com informações sobre como foi o Write-In (a parte estranha é que eu tenho quase certeza de que não vou escrever nada nessa tarde, mas eu não ligo. Eu só estou no clima de organizar os eventos aos quais eu quero ir e meu currículo vai ficar lindo). Agora eu preciso ir porque eu tenho uma análise para terminar. Deus me defenda.
G.