Diário de Bordo 7 - Eu desisto - Parte 6: O Sol é para Todos

15:32

Olha só quem postou de novo em menos de uma semana! Isso só aconteceu porque ontem à noite eu me dei conta de que ontem era o meu dia mais livre na semana inteira. Então, enquanto eu esperava a resposta de um ou outro entrevistado e desejava que um ou outro problema se resolvesse sozinho, eu desliguei as notificações do WhatsApp e me dediquei a este post. Isso (desligar o WhatsApp), inclusive, é o tema do post - uma discussão recente na minha cabeça, mas que eu preferi escrever aqui antes de conversar com alguém, porque eu tenho a sensação de que é impossível conversar sobre isso sem ser interrompida: Eu subestimei minha necessidade de me desligar de telas. Essa é uma daquelas situações em que eu levo tempo demais para perceber que minha psiquiatra estava certa, mas só ela. Porque o motivo pelo qual eu acho que preciso me desligar de telas não tem nada a ver com as broncas que eu recebo de outras pessoas, ele é o mesmo motivo pelo qual a cada dia eu estou mais perto de me tornar um monstro: As pessoas.
Tudo começou nessa última sexta. Mais ou menos às 10h, eu me dei conta de uma coisa mágica: A semana tinha sido cheia, mas eu consegui fazer tudo que eu precisava e até adiantar as coisas da semana seguinte, então eu poderia passar o fim de semana na paz de Deus e até me oferecer para ajudar quem precisava. Claro que isso não durou 12 horas. Uma nova obrigação, uma reunião infernal e uma série de mensagens e ligações depois, eu terminei minha noite às 2 da manhã, me sentindo péssima porque e sabia que no dia seguinte eu não teria tempo para mim, já que as coisas continuavam se acumulando. Às 10 da manhã do dia seguinte, eu acordei com meu celular disparando. O número de notificações no WhatsApp? Oitenta e duas. Desde às 6 da manhã. Eram fotos e tarefas e pedidos e gritos e ligações. Oito horas depois do horário em que eu fui para a cama. Pelas duas horas seguintes, eu não consegui nem sair da cama. Fiquei em um estado ansioso, respondendo todo mundo, abrindo e fechando o aplicativo e tentando organizar meus pensamentos.
Eu não comia nada sólido há 17 horas, porque estava nesse nível de ansiedade desde o dia anterior. Eu percebi que não conseguiria fazer nada se ficasse assim, então eu precisava ao menos de uma hora para comer. Então eu saí, apenas para tomar café no shopping, uma das coisas que eu mais amo fazer. Meu celular não tinha crédito e mesmo que eu devesse colocar, resolvi não fazer isso naquele dia. Fui à minha lanchonete preferida, comi folhado doce e café com leite, bebendo a bebida quente bem devagar e fiquei lendo Anne Rice e fazendo anotações importantes na agenda. Nem peguei no celular. FOI INCRÍVEL.

Eu ainda odeio esse filme, mas o gif pareceu apropriado
Então, eu decidi que no domingo, eu deletaria o WhatsApp e manteria o uso do notebook no mínimo possível. O uso do notebook é algo que eu já estou fazendo desde o começo do ano (Uma das metas de auto cuidado). Regra simples: Se eu não tenho nada para fazer ou não consigo fazer o que eu preciso, ficar diante do computador ou ter o computador ligado clamando por mim me faz mais mal do que bem. Melhor só ligar o computador em momentos produtivos. Eu somei isso ao desligamento do WhatsApp, avisando antes que ia sair e se alguém precisasse de mim, que me encontrasse no Twitter. (Além disso, eu não sou uma médica, ninguém vai morrer se ficar sem me contatar por 24 horas). É claro que eu ainda passei o dia inteiro no celular e assisti série e fiz edits de fotos e assisti ao Oscar, mas por 24 horas (na verdade, 19 horas), não tinha mensagens. Não tinha a obrigação de manter contato com pessoas, não tinha pessoas me imputando obrigações. Eu precisava disso.
Se você me conhece há algum tempo, já me ouviu falar que eu não consigo conversar com mais de duas pessoas ao mesmo tempo. Se chegam mensagens de duas pessoas e um grupo ao mesmo tempo, eu me sinto perdida e coloco o celular de lado até as mensagens pararem. É demais!! Eu sou uma pessoa péssima para conversar online porque eu também esqueço completamente de responder, ignoro por horas, mesmo estando online e às vezes dois dias depois lembro que estava em uma conversa. E tem gente que realmente fica chateada comigo, mas isso não tem nada a ver com vocês, é algo única e exclusivamente meu. Eu gosto de conversar por mensagens porque elas permitem que eu tenha um tempo para organizar meus pensamentos antes da resposta e quanto mais louca eu estiver me sentindo, mais tempo isso vai levar. E se você precisa de mais provas de que isso não tem nada a ver com você (sim, o momento chegou), eu trago uma história: No sábado eu estava falando com a Kira e levei um total de oito horas para respondê-la. Oito horas. E enquanto eu realmente fiz isso porque sabia que ela estava dormindo no horário em que eu vi a mensagem, eu realmente tirei esse tempo para pensar no que ia responder. Então, basicamente, se você precisa de alguém que seja bom em mandar mensagens, eu sou uma péssima amiga.

Thread que eu escrevi no sábado e explica tudo que aconteceu

Isso tudo me fez pensar bastante, sobre como eu me sinto exausta graças ao WhatsApp. Sobre como eu sempre organizo e limpo meus contatos do celular e deleto todas as mensagens. Sobre como eu comprei um caderno de telefones para não precisar manter os contatos das minhas fontes no celular. Sobre como eu acho que ligações via WhatsApp foi a pior ideia que Mark Zuckerberg teve na vida dele. E como isso tudo reflete na minha necessidade de ficar sozinha. Eu sou introvertida (de acordo com meu teste de personalidade do 16tipos, 74% introvertida) e com esse conceito sendo melhor compreendido hoje em dia, é fácil de entender quando eu digo que preciso ficar sozinha com meus próprios pensamentos. E eu amo isso. Amo ficar em casa só com meu gato. Amo assistir TV e escrever sentada no chão. Amo ouvir música e fazer festas de dança sozinhas. Amo meu diário, meus livros, o blog, escrever, inventar meus próprios universos, conversar sozinha em inglês por horas. Isso tudo me renova. Especialmente viajar sozinha. CARA. EU AMO MUITO VIAJAR SOZINHA.
Essa necessidade de precisar ficar sem contato com humanos para me sentir renovada se estende até mensagens virtuais. Eu fico muito perdida quando tem muita gente falando comigo ao mesmo tempo, e o WhatsApp é o aplicativo mais exaustivo da história. Eu não entendo a cultura dos grupos de conversa com desconhecidos. Grupos do Facebook? Minha primeira ação é tirar todas as notificações. Minha caixa de e-mail é organizada de uma forma quase psicótica - e falando nisso, eu odeio enviar e-mails. Eu não sou a pessoa a ter um milhão de amigos, só alguns. E mesmo que muitas vezes eu sinta que perco a chance de criar ligações profundas por ser mais solitária, a parte racional de mim sabe que é o meu jeito. E que está tudo bem ficar sozinha. E eu quero me conectar mais com as pessoas, só não com todas as pessoas do mundo, o tempo inteiro.
Meu ponto é, eu não estou dizendo que eu odeio pessoas, só que elas são exaustivas. E o meu tempo para me recarregar depois de passar muito tempo lidando com pessoas é interrompido quando eu recebo 99 mensagens por segundo. Além disso, eu tenho quase certeza de que existem leis contra atender seu chefe fora do horário comercial. Ou existiam, hoje em dia trabalhador não tem direito, estagiário muito menos.
Então, de vez em quando, eu vou colocar o meu celular de lado ou vou ignorar todo mundo e desativar o WhatsApp por 24 horas. E não é pessoal. É a única forma de eu conseguir descansar.
G.

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