Será que a publicação independente é uma boa opção para você? Vamos debater

23:29

Amanhã faz dois meses da publicação de A Linha de Rumo e dois meses que eu prometo este post, mas finalmente EU CHEGUEEEEEEEEEEEI!!!!!!! Eu disse que hoje ia, não disse? Eu disse. E como eu disse no meu post do Raindrop duas semanas atrás, eu tive uma conversa com a minha psicóloga sobre os compromissos que eu estabeleço comigo mesma e como eu não os levo tão a sério quanto os compromissos que eu faço com outras pessoas. Vou poupar vocês dos detalhes, mas a questão é que eu ainda vejo os posts do blog como um compromisso comigo mesma e por isso às vezes posts que eu prometo levam meses para sair. Por isso e por questões de autossabotagem e ansiedade que eu também não vou entrar no mérito no momento, mas que eu precisava falar porque hoje foi um ~~daqueles dias~~. A maioria dois dias têm sido um ~~daqueles dias~~, mas eu continuo grata pela vida que eu estou vivendo. De qualquer forma, não foi isso que vocês vieram saber. AO POST:

bit.ly/aldrlivro
Eu queria decorar o post com um gif assim e não me dei conta de que eu ia ficar viciada no gif. CLICA NO GIF.

Pois bem. Como vocês sabem, no dia 11 de outubro, meu primeiro livro, A Linha de Rumo, foi publicado na Amazon, através da ferramenta de publicação da empresa chamada Kindle Direct Publishing. Eu tenho visto várias pessoas perguntando como criar conta, quais são as regras de publicação e etc, mas o KDP em si é extremamente intuitivo. Para criar uma conta você pode visitar, https://kdp.amazon.com/pt_BR/ e conectar sua conta da Amazon ao site ou criar uma conta nova. Logo no começo, você terá vários contratos e regras para ler e apesar de algumas coisas serem chatas, eu recomendo a leitura completa pelas seguintes razões:

1) Você estará disponibilizando sua propriedade intelectual em uma plataforma que não te pertence. Pense nisso como colocar uma casa à venda em uma imobiliária. Você precisa ler o contrato para entender se essa imobiliária é a melhor opção para você, para descobrir se você não está passando a casa de graça para outra pessoa e para descobrir se não é melhor continuar com a casa sem vender até surgir uma opção melhor.
2) Você estará fornecendo dados que são privados para a Amazon, que pode fazer o que bem entender com os dados. Muitas vezes não é tão útil para você fornecer esses dados.
3) Existem outras opções de publicação independente no país e você precisa conhecer todas amplamente e entender o impacto de cada uma sobre os leitores para compreender o que é melhor para o seu livro. Inclusive, por isso eu recomendo que antes de ser autor do Kindle, você seja leitor do Kindle e converse com outros autores do Kindle que pertencem a nichos literários próximos ao seu. Escritores de romance por exemplo, tem experiências diferentes com o KDP do que escritores de young adult ou escritores de auto-ajuda.

Levando isso tudo em consideração, quando eu compartilho minha experiência com vocês, eu compartilho a minha experiência como autora no KDP. Outros autores de outras plataformas terão experiências diferentes de publicação. Então, entra a pergunta de sempre "Por que você escolheu o KDP?" Eu, Giulia, escolhi o KDP para participar do Prêmio Kindle de Literatura. Essa é pura e simplesmente a única resposta possível. Como eu revisei A Linha de Rumo profissionalmente antes de participar do Prêmio Zélia Saldanha e logo em seguida coloquei ele no Prêmio Sesc de Literatura, eu tinha prometido a mim mesma que se perdesse esse segundo prêmio, colocaria o livro no Prêmio Kindle, assim que abrisse inscrições. O prêmio acontece todo ano entre agosto e novembro e normalmente envolve um contrato de publicação tradicional para o vencedor. No meu ritmo de entrar em vários prêmios literários, eu estabeleci esse plano B para mim. Como eu disse no post de lançamento, eu sabia que isso significava liberar o livro para o público e aí começou o trabalho de publicação.
Até hoje, a publicação independente é vista como alternativa para a publicação tradicional, mas se a gente pensar em um plano geral, toda publicação e todo autor começou como independente. Se você publica fanfics em uma plataforma online, você é um autor independente. Se você imprime contos e distribui para pessoas, você é um escritor independente. A diferença com plataformas como a Amazon é que você pode definir um preço no conteúdo que produz. Entendem onde eu quero chegar? Em um mundo em que todo mundo produz muito conteúdo constantemente, a publicação independente se propõe a tanto acompanhar necessidades mercadológicas quanto moldar o mercado. O Wattpad foi responsável por definir horizontes dramáticos ao mercado literário atual e da mesma forma, o KDP têm se mostrado grande influenciador mercadológico com a vantagem de que a partir do primeiro dia, os autores já recebem pelo que escreveram.
Você deve se perguntar: E onde eu, escritor independente de Pindamonhangaba entro nessa história? (Se existe mesmo um escritor independente de Pindamonhangaba lendo isso, favor comentar, porque eu preciso berrar com isso). Ao disponibilizar seus textos em uma plataforma de grande acesso dos leitores e onde o pagamento pelo seu trabalho é resolvido de forma simples, você pode entender melhor a relação profissional que você pretende ter com a escrita. Quer isso seja algo que você quer fazer para sempre e quer não seja. O mercado literário brasileiro é cheio de complexidades e entrar nele com o coração aberto, mas sem expectativas é a parte mais importante de tudo.

Vamos por tópicos

1. Você mesma editou e revisou seu livro?
Absolutamente não. Escritores tem formas diferentes de trabalhar, mas eu acredito que um livro é uma construção de outros profissionais também. Eu contratei uma editora e uma revisora profissional (a última delas que presta esse serviço na editora da minha universidade). O livro também passou por outros olhos críticos e foi lido por mim um milhão de vezes. É por isso que eu realmente considero ele um livro pronto. Ainda assim, o livro tem alguns erros que por muito tempo ficaram rodando na minha cabeça como imperdoáveis, mas dois meses depois eu já aceitei os erros como parte do processo, lembrei de todos os livros com erros que eu já li e estou esperando o prazo do prêmio terminar para corrigir ou passar pelo processo de outra edição com a editora tradicional.

2. Você tem o livro físico também, como funciona?
Quando eu vi a opção capa comum na Amazon e li sobre no edital do prêmio também, eu acreditei que a opção física do livro estaria disponível na mesma página do livro na Amazon,com.br. Isso foi um erro que eu teria notado se não tivesse lido o edital um milhão de vezes e lesse mais sobre a publicação. As cópias físicas da Amazon estão disponíveis apenas no site norte-americano e em alguns sites da Europa, já que as cópias são impressas nas gráficas de lá. Isso deixa o livro caro para quem quiser comprar direto, não pelo preço de produção do livro, mas pelo frete internacional, que dobra o preço da cópia única.
Depois de pesquisar, fazer conta e mandar meio milhão de e-mails para a Amazon, eu percebi que comprar cópias eu mesma para eu revender seria mais lucrativo, no sentido de que levaria o livro a mais pessoas, do que deixar que as pessoas comprem as cópias físicas por si só. Os livros saem mais baratos quando vendidos para o autor em grande quantidade: O custo é só o de produção mesmo. Cada cópia do livro sai em média a R$31 para mim (às vezes um pouco mais, às vezes um pouco menos, depende da cotação do dólar quando a cópia for compensada) e eu revendo o livro a R$35. "Nossa, Giulia, um lucro de um pouco mais de 10%?" Sim, meu jovem Padawan (segundo post com referência a Star Wars essa semana e eu ainda não tive a cara de ir ver os filmes), é isso mesmo que você leu. 10% é em média o que um autor recebe mesmo por direitos autorais na publicação tradicional, então quando eu fiz os cálculos e vi que esse seria meu lucro, eu fiquei feliz. E falando em lucros....

3. Por que você escolheu disponibilizar seu livro físico?
Como dito anteriormente, meu lucro em cima das cópias físicas é de cerca de 10%. Mas têm que ser levado em consideração que as cópias físicas exigem de mim um trabalho extra de distribuição e envio que inclui um cansaço maior e um gasto em transportes. Como regra geral, eu sempre marco de enviar os livros quando eu já tinha algo para fazer na rua porque se eu sair só para fazer isso, eu sinto que to tirando dinheiro dos meu mirrados lucros. Uma coisa que aconteceu também foi trinta cópias do livro ficarem presas em São Paulo porque a Amazon mudou a transportadora que normalmente envia os livros e a UPS é um pesadelo. Mas eles resolveram (depois de me fazer esperar 20 dias para ter certeza de que nos livros não viriam, por algum motivo) e já devolveram o dinheiro para que eu refizesse o pedido.
"Então vale a pena?" Vale! Eu escolhi disponibilizar as cópias físicas porque eu conheço meu público - eu escrevo aqui desde os 13 anos e eu sei bem quem me apoia e como a galera pensa. Eu sabia muito bem que muita gente não ia comprar e-book, e não comprou, e sabia muito bem que muita gente nem ia ler o livro, só queria a cópia física de decoração. Eu sabia que se tivesse o livro físico em mãos teria mais apoio e foi exatamente o que aconteceu. Sendo justa, eu dependo do resultado do prêmio para saber se continuarei nessa de comprar livro para revender (muito provavelmente não, a menos que me mostrem interesse antecipado).

4. Como funcionam os lucros?
O das cópias físicas vocês já entenderam, então vamos ao e-book. A Amazon fornece duas opções de serviço, nas quais você lucra 70% ou 35%. Eu ACHO que ALdR está na opção de 35% porque ela possibilita acesso a serviços da Amazon. Eu considero o lucro em cima dos livros bom porque com o livro a R$6,50 eu recebo R$2,27 por cópia vendida. Escritores lucram pouco, aceitem desde já. Além disso, tem a opção de adicionar seu livro ao KindleUnlimited, onde você recebe por páginas lidas. O lucro depende de quantas pessoas lerem livros pelo KU no mundo inteiro. É muita matemática, mas suponhamos que em novembro 80 mil pessoas tenham lido um total de 2 milhões de páginas (números bem nada a ver), resultando em R$5.000.000 (o valor real é em dólar). Foram lidas 2 mil páginas de A Linha de Rumo, ou seja, 0,1% das páginas lidas foram de A Linha de Rumo, então eu lucro 0,1% dos 5 milhões que é igual a 5 mil reais. Claro que esses números são super soltos, mas a matemática aplicada é essa aí. Os valores de cópias vendidas são aplicadas ao relatório assim que a compra é processada e as páginas do KindleUnlimited levam até 60 dias para serem processadas. O valor é adicionado aos relatórios da Amazon até que atinja no mínimo 100 dólares (na cotação de hoje R$392,38) e possa ser sacado em cheque ou por transferência bancária (se o seu banco aceitar envio de valores por câmbio) (os meus não aceitam).

5. Então monetariamente, não compensa?
Deixa eu ser sincera com vocês: Não. (Ninguém vive da venda de livros no Brasil, nem as editoras e nem as livrarias!). Quer dizer, depende. Como eu disse anteriormente, existem nichos literários diferentes. Existem histórias de pessoas que conseguem tirar um bom dinheiro da Amazon porque seus livros pertencem a um nicho que tradicionalmente vende muito (romance e erótica por exemplo), (ainda assim os autores não vivem das vendas, só conseguem uma grana extra). Não é o caso da literatura young adult. Quer dizer, a gente ainda tá preso nas discussões sobre pirataria ser ou não ético. Um dos maiores influencers do nosso nicho no Twitter manda PDF em grupo fechado e luta contra a pirataria publicamente. Então, se você quer dinheiro publicando young adult, eu considero que você mude de profissão. Em alguns lugares do mundo, você consegue um salário anual no fechamento de um contrato, o que te permite trabalhar por um tempo sem preocupações. No Brasil, o máximo que você vai ser conseguir tirar de um livro é um salário de um mês - no total!
Eu amo assustar algumas pessoas quando eu falo isso, mas meus cálculos dizem que eu vou terminar de pagar o custo de produção de A Linha de Rumo lá em 202,  mais ou menos. Eu gastei cerca de R$1400 desde edição e revisão até o material promocional (que eu ainda vou ter que encomendar mais até a Bienal de 2019) e até agora eu lucrei cerca de R$199 (eu não tinha feito esse cálculo depois do lançamento e agora que eu fiz, eu berrei FOI ISSO TUDO??? Chocada). Vai levar um tempinho, considerando que eu continue vendendo, para meu lucro começar a ser lucro mesmo.

Eu ia adicionar as perguntas do Instagram aqui, mas eu me dei conta de que respondi tudo no texto! Alguém me perguntou sobre o processo de revisão e edição também e basicamente, eu fiz minhas edições e reescritas e passei primeiro para a editora, que me sugeriu edições e mudanças, e em seguida, depois de fazer novas mudanças, eu passei o texto para a revisora, que fez poucas mudanças textuais e foi mais focada em correções. Depois eu fiz mais uma releitura e liberei o livro.
Caso tenha restado alguma dúvida, vocês podem deixar um comentário aqui, enviar um e-mail para qamde@giuliasantana.com ou ler os dois posts sobre A Linha de Rumo (Anunciando meu primeiro livro e todas as coisas que vêm com ele e Entrevista comigo mesma: A Linha de Rumo) que eu fiz este ano para conferir se faltou algo. Eu estou sempre aberta a conversar (só não esperem respostas rápidas) e nenhuma pergunta é besta demais. É isso! Até sexta,
G.

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