Noite na Taverna, por Álvares de Azevedo.

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Antes de começar a resenha eu vou deixar vocês tirarem um momento para ficar chocados por eu escrever uma resenha de um livro que já foi meu paradidático e que estava na minha lista de abandonados no Skoob... ... ... ... Pronto? Ok. O caso é que não é um livro qualquer, é o maior clássico gótico brasileiro: Noite na Taverna. E eu só fiquei sabendo disso quando achei a página do Brasil Escola falando sobre literatura gótica. Eu fiquei meio frustrada em saber que o principal livro gótico do meu país era um livro do qual eu só tinha lido um capítulo porque tudo que eu tinha ouvido sobre ele era chato. Só que como eu tenho uma reputação a zelar, eu aproveitei que tava sem livros novos para ler e peguei ele na estante. E ler foi o que bastou pra perceber que a culpa é toda do meu professor de literatura e eu vou explicar porque, agindo como se o livro não fosse um clássico da literatura (vocês sabem que eu tenho aquilo de respeitar clássicos góticos e tal, mas nessa resenha, eu não vou fazer) e sim um livro nacional lançado ontem.
Noite na Taverna conta a história de 4 homens envolvidos numa noite de bebedeira que ficam tão envolvidos pelo álcool que começam a conta histórias assustadoras do seu passado. E é aí a parte gótica da coisa toda: A primeira história é de Solfieri: Em uma noite chuvosa em Roma, ele se depara com uma mulher chorando em uma janela. Ela sai de casa e vai até um cemitério e Solfieri no encanto do momento a segue até lá. Ela chora ajoelhada em uma lápide e ele a observa por tanto tempo que acaba dormindo e acorda se vê-la por perto. Um ano (de muita obsessão da parte dele) se passa e Solfieri entra em uma igreja durante a noite, encontrando lá um caixão pronto para velório: era a mulher que tinha visto e seguido. E qual é a primeira coisa que ele faz? HÃÃÃÃ? ELE (perdoem-me os termos chulos) MANTEM RELAÇÕES SEXUAIS COM ELA! Na verdade, ele não dormiu com um cadáver. Ela estava viva, porém naquele estado em que a vida é quase imperceptível (esqueci o nome) só que ele não sabia disso até depois de dormir com ela! Eu achei isso legal pra caramba. Mas parei antes que liguem pro hospício ou estendam crucifixos diante da tela.
A segunda história é de Bertram, uma história cheia de mortes malditas, amores estranhos e até canibalismo. Em seguida vem Gennaro, que quando jovem era apaixonado pela esposa de seu mestre, mas teve um romance com a filha dele, que acaba grávida. Quando Laura (que nome mais lindo gente), a filha do mestre, pede que ele se case ele nega, então ela toma veneno para matar a criança e acaba causando sua própria morte. Enquanto o mestre cuida de Laura, Gennaro aproveita para ter um caso com sua esposa... Até que o mestre descobre tudo...
Claudius Herrman é o quarto a contar sua história. Ele se apaixonou pela duquesa Eleonora (ô nomezinho recorrente na minha vida, nossa) depois que a viu pela primeira vez. Depois de meses de obsessão (homens obcecados, outra coisa recorrente em livros góticos), ele finalmente sequestra a duquesa e a convence a ficar com ele. Mas é óbvio que essa não seria uma história com um final feliz né.. O marido da duquesa a encontra e aí...
E quando você acha que o livro não pode piorar, vem o incesto, com a história de Johann que depois de vencer um homem em um duelo mortal, dormiu com sua amante, antes que descobrisse que a amante do morto era a sua própria irmã. A história termina com a vingança de uma moça que teve sua vida destruída por um dos presentes e com um beijo e um punhal enfiado em dois corações que nunca deixaram de se amar. Seria uma história linda se não fosse uma das mais perturbadoras já escritas.
O ponto que eu quero provar aqui é: Noite na Taverna é um livro romântico gótico tão bom quanto qualquer um escrito por tipo... O Polidori (hehehe piadinha interna. Mas vocês fiquem apenas com a parte que John Polidori foi o primeiro a escrever uma história de vampiro). Ele tem tudo: O drama, a arte, a languidez (*o*). É uma nota 8,5.
O único problema, não do livro, mas meu, foi eu ter tido que ler ele antes com olhos avaliadores: Ao invés de aproveitar uma boa história com tons macabros, eu tinha que ler como um clássico romântico e avaliar cada parte de sua estrutura. O fato de eu ter aproveitado muito mais o livro, comprova a minha teoria de que se alguns professores dessem aulas se baseando em páginas na Wikipédia, a aula na verdade seria muito mais interessante.
G.

P.S.: Obviamente eu não peguei esse livro na Bienal, mas como eu estava com a resenha dele semi-escrita aqui há um tempão, eu resolvi postar antes das resenhas da Bienal. Aproveitem.
P.S. 2: O blog chegou a 15 mil visualizações. Isso significa que o total de views aumentou 200% em 9 meses. Eu nem preciso dizer o quanto eu amo cada um de vocês por isso. Obrigada por tudo.
P.S. 3: Não se assustem com as mudanças frequentes no design do blog, eu estou adaptando ele a um site que vai ser veinculado a ele em breve: o hotsite da minha trilogia :p

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