Diário de Bordo 3 - Make it magical - Parte 12: O carnaval em que eu fui pra Nárnia.

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FINALMENTE ESSE BLOG TÁ PRONTO e aqui estou eu, sempre postando sobre os eventos da minha vida, depois que já acabou a graça da coisa toda. É claro que eu dei uma enrolada para ter demorado tanto, mas algumas coisas aconteceram também. Esse layout novo (aliás, gostaram?) tomou muito do meu tempo, e eu voltei de viagem com uma virose que ainda não foi totalmente embora (ainda tô tendo febre).
De qualquer jeito, eu tenho uma viagem a narrar: esse ano e pela segunda vez desde que eu vim morar no Rio, eu viajei no Carnaval. Ano passado eu fui pra Araruama e passei o feriado com ozamigos, e nesse ano eu fui para o retiro espiritual da igreja. Que não teve lá muita coisa de espiritual. Ou de retiro. Por isso eu sempre preferi o termo "acampamento da igreja" é tão mais prático, e é por isso que eu só vou usar esse termo. O caso é que independente de ser retiro, acampamento ou sei lá o que, levaram a gente para Nárnia.
Com isso eu quero dizer um sítio no meio do nada, com animais selvagens falantes, sem sinal de internet, TV ou telefone e com chuveiro quente em estado duvidoso. Mas eu também quero dizer que era um lugar lindo, com clima perfeito (Ou seria perfeito se eu tivesse levado roupas de frio. Aliás, parece que fazem de propósito, sempre que fazem acampamento aqui todo mundo leva roupa de calor, crente que vai curtir o verão e levam a gente pra serra pra tomar frio e vento na cara. Entendam, eu adooooro frio. Mas pra ficar quentinha na minha cama, vendo filme, lendo e escrevendo. Atividades de um acampamento deveriam ser feitas no calor. Claro que, no carnaval, cada metro quadrado do estado do Rio de Janeiro está tomado de viajantes querendo calor e piscina e que seria absurdamente caro alugar um local na região litorânea, eu só tô dizendo que não vale a pena pagar 300 reais pra ir para um lugar frio sendo que eu nem posso ficar na cama o dia todo) e coisas para fazer nesse meio tempo.
Saímos da igreja em dois ônibus na sexta-feira, dia 28, às 22h. Ainda tinha mais gente que ia de carro e tinha saído mais cedo, incluindo o pastor. Os ônibus estavam organizados em lugares e por isso eu fui na poltrona 20 ao lado da minha irmã. Seguimos direto para o Sítio Maanain que fica em Engenheiro Paulo de Frotin (fiz a propaganda direitinho?) e eu fui tentando dormir o caminho inteiro. Mas só tentei porque eu estava agoniada demais pra isso. Acontece que o remédio pra vômito que me dão tem um efeito colateral bizarro que me deixa paranoica e agoniada, já passou da hora de eu lembrar minha mãe de comprar outro remédio, mas eu sempre acabo esquecendo. De qualquer jeito, sobrevivi, e chegamos meia-noite em ponto (eu lembro porque fiquei berrando "Falta um minuto pra março!" dentro do ônibus), então fomos descarregar o ônibus, arrumar as coisas no quarto e dormir. Bem, eu fui dormir, porque o resto do mundo ficou lá embaixo até sei lá que horas.
Falando em "lá embaixo", deixa eu explicar a dinâmica do sítio antes de dizer o que eu fiz nele: é mais ou menos assim, tem a entrada, com um espaço pra carros e uma espécie de jardim, e então vem a casa grande, que na verdade são duas casas, ligadas por uma "varanda" coberta que no caso foi o nosso templo temporário. As casas tem entre 5 e 7 suítes cada, com um diferentes números de camas. Atrás dessas casas, vem o sítio na real. Refeitório, o lounge - tipo um quiosque fechado, onde ficava o sofá mais confortável do mundo - o parque infantil, a piscina, o campo de futebol e o lago de pesca. Além disso, uma escada no fundo levava a um chalé de madeira e vidro - porém com alicerces seguros, ou foi isso que me forcei a acreditar - com cinco suítes e um salão que virou quarto. O meu quarto ficava nesse chalé e eu o dividi com mais 9 meninas, incluindo a minha irmã, todas enfiadas em beliches.
No primeiro dia, todo mundo tava acordado 7 horas, já que o café era das 8h às 9h. Todo acampamento tem essas agendas, com horários certinhos que devem ser cumpridos... Teoricamente. Mas a fila pra tomar banho já tava enorme e como eu queria tomar banho enrolei na cama o máximo possível e depois fui me banhar. Banho quente tomado, eu desci pra tomar café quando metade das pessoas já tinha feito isso.
Logo no café eu fui decepcionada, estava esperando café da manhã de hotel, com várias opções de cardápio e variados. Mas o resumo daquele e de todo os cafés da manhã foram café e achocolatado, pão dia com mortadela, dia com queijo minas, bolo e uma fruta (mamão, melancia ou banana). A comida tava boa, mas uma coisa que eu gosto em hotéis, pousadas e acampamentos é o fato de ter MUITA comida, não só comida boa.
Depois disso, nos juntamos no templo improvisado, para um mini-culto. Cantamos, recebemos algumas instruções sobre o acampamento e então estávamos liberados para fazer o que quiséssemos. A maioria das pessoas foi para a piscina, mas eu não sou como a maioria das pessoas! Eu peguei Fallen, livro que eu estava lendo no momento, peguei meu celular, coloquei Demi Lovato para tocar e fui... dormir. Minha intenção era ler, claro, mas quando eu me deitei, enrolada como um gato, no sofá mais confortável no mundo - apelidado carinhosamente pelos presentes de sonífero - eu dormi feito pedra, até a hora do almoço. Quando eu fui para a suíte escovar os dentes depois do almoço, o banheiro estava ocupado, então eu deitei na minha cama para ler enquanto esperava, acabei ficando com preguiça enquanto adiantava a leitura e só fui levantar da cama umas duas horas depois. Então vesti um biquíni e fui pra piscina, quando ninguém mais estava na piscina. Quase não tinha sol e a água tava meio fria, mas ainda assim eu entrei de cabeça e fiquei lá por cerca de meia hora. Depois subi e tomei outro banho quentinho. Aí eu comi, coloquei o celular pra carregar e desci de novo para ler, mas acabei dormindo outra vez e só acordei 18h.
O jantar foi outra decepção. A comida até era legal e tudo, mas não é esse o caso, o caso é que nem todo mundo janta. Deixa eu explicar, apesar de nos estados do sul e sudeste todo mundo janta (comida mesmo, arroz, feijão e tals) assim como nos Estados Unidos, nos estados do norte e nordeste (pelo menos não onde eu morei) isso não é tão frequente. Eu cresci só tomando café a noite, com pão com queijo, banana cozida essas coisas. O máximo que tinha de jantar era sopa. Então a noite, eu geralmente como coisas mais leves. Eu esperava que no jantar do Sítio tivesse pelo menos um cafezinho pra quem não jantava. Mas tinha? Claro que não! Resultado: tive que comer o restinho do lanche que eu tinha levado para a viagem. Depois do outro culto (sempre tem um culto de manhã e outro a noite), eu fiquei lá embaixo até umas 23h. Eles começaram a vender lanches, e eu comprei um cafezinho. E depois fui dormir, antes de todo mundo. Toda noite eu era a primeira a dormir, e toda manhã a última a levantar.
Os dias seguintes foram quase iguais a esse. Eu acordava de manhã, ia pro culto, ficava a manhã toda lendo, almoçava, ficava a tarde toda lendo, lanchava alguma coisa (eu tinha levado dinheiro), ia pro culto a noite e depois ia dormir antes de todo mundo.
Eu li 3 livros nesse feriado (Fallen, Feérica, e Morte Súbita). É claro que todo mundo ficava falando que eu lia demais e tal. Quando é que vão entender o quanto isso é chato? Sério, todo mundo deduz que eu só gosto de ler porque eu não tenho nada de mais interessante pra fazer e então puxa papo comigo. O pastor fez uma mensagem em que disse que não tem nada de bom da TV e viraram pra mim pra dizer "é por isso que você gosta tanto de ler né? porque não tem nada de bom na TV". Pior ainda é quando começam a falar de mim do meu lado "nossa, ela lê tanto né?" como se isso fosse uma coisa ruim. Uma das mulheres do retiro, que nem é lá da igreja, me mandou parar de ler depois do almoço porque uma cliente dela tinha lido depois de comer e tinha ficado cega dos dois olhos. Enquanto isso a filha dela de 9 anos que também tinha acabado de almoçar tava na gangorra do parquinho e ela não disse nada.
No segundo dia de retiro, faltou água quente no nosso quarto. E de novo no quarto dia. Eu tive que tomar banho correndo porque tava muito muito frio, e eu odeio banho frio mais que tudo e quando o clima já tá frio eu só falto morrer. Isso só aconteceu em mais dois quartos além do nosso, e nenhum deles foi o dos meninos.
Outra coisa que rolou foi que no segundo dia eu consegui sinal de 3G e por causa disso virei uma espécie de heroína entre os adolescentes do acampamento que já estavam quase decidindo nunca mais ir numa viagem da igreja por causa dessa falta de sinal. O sinal tava horrível, só funcionava na minha cama e eu só usei ele pra falar com a minha melhor amiga, mas ainda assim quando todo mundo tava desesperado por um pouco de WhatsApp, o fato de eu ter conseguido despertou admiração das pessoas. O engraçado é que quando o ônibus saiu de lá, o sinal voltou menos de 2 quilômetros depois. Parece que o sítio tem um bloqueador de sinal, porque não é possível.
É isso, lá se foi mais um feriado e o Diário de Bordo já está acabando. Na verdade, o último post já é semana que vem. E eu meio que mal vejo a hora. É estranho escrever Diário de Bordo quando eu já estou tendo aulas '-'
G.

P.S.: ACDK está programado para essa semana, mas eu não tenho como dar certeza de que vai estar pronto até lá. De qualquer jeito fiquem de olho no evento.
P.S.2: To morrendo de preguiça de revisar esse post, se tiver algo errado me avisem nos comentários.

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