"Uma série de livros que termina com 'gente" por Veronica Roth

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Distopias me dão ressacas literárias tão grandes que toda vez que eu termino uma eu repito a mim mesma que "nunca mais lerei uma distopia na minha vida". Já terminei Jogos Vorazes, Feios (não conto Extras, porque a história é meio que independente, uma espécie de "o que houve depois"), Divergente e estou no meio de A Seleção, então essa frase é basicamente eu repetitivamente em negação a respeito do meu amor por distopias. Mas, depois de terminar a trilogia Divergente, bem que eu queria que eu começasse a levar essa frase a sério para que eu pare de sofrer. Divergente destruiu meu coração, acabou com meus sentimentos e me deu o empurrãozinho para acabar de revisar o primeiro livro da minha trilogia (o que não significa que eu realmente já acabei).
Como sempre que eu to lendo uma distopia, um não-adolescente me pergunta o que é uma distopia, antes de começar a resenha, eu vou explicar: Distopia é o contrário de Utopia. Ao invés de uma sociedade ideal onde todos os seres humanos vivem em harmonia compartilhando dos mesmos direitos e obrigações (uma utopia), a distopia é uma sociedade controlada por governos opressores que privam as pessoas de direitos que deveriam ser básicos. Entenderam? Se não entenderam cliquem aqui.
A trilogia Divergente é uma dessas distopias, dividida em três livros (avá): Divergente (Divergent), Insurgente (Insurgent) e Convergente (Allegiant). O primeiro livro começa com Beatrice Prior em um momento decisivo de sua vida: o momento em que ela fará um teste de aptidão e baseado nele, finalmente escolherá a que facção quer seguir e viver de acordo. A sociedade que Beatrice conhece é dividida em cinco facções: a Abnegação (Abnegation), Amizade (Amity), Audácia (Dauntless), Erudição (Erudite) e Franqueza (Candor). Cada uma delas defende uma qualidade e forma de vida que acredita ser a que defende o ser humano de sua própria natureza e faz com que todos convivam em paz. Depois de conseguir um resultado inconclusivo no teste de aptidão e ver sua escolha se tornando cada vez mais difícil, Beatrice acaba escolhendo a facção que acredita que a dará mais liberdade... teoricamente.
Acho que uma das coisas mais legais do livro é o quanto ele vai se tornando cada vez mais distópico, mais distópico, ainda mais distópico até que você pense: "JESUS, ESSA É A DISTOPIA MAIS DISTÓPICA DA HISTÓRIA DAS DISTOPIAS DISTÓPICAS". Como quase sempre há criticas a crenças da sociedade atual intricadas nos livros de forma discreta, mas que te faz repensar alguns detalhes sobre si mesmo. Sem falar no casal principal....... Beatrice e Tobias (Ou Tris e Quatro, vocês decidem).
Todo mundo sabe que eu tenho um fraco por casais constituídos de duas pessoas desajustadas que se ajustam (afinal, meu OTP literário e a Janie e o Cabel da série DreamCatcher - publicado como trilogia Wake no Brasil, na verdade tia Lisa mudou o nome, mas isso é outra história, literalmente). Nada é idealizado, nem o homem, nem a mulher e muito menos o amor. Ninguém é considerado "lindo", "maravilhoso", "incrível" aos olhos de todos. Nada de amor a primeira vista - talvez só uma atração inegável. Insegurança sempre, mas nada de "aaah, sou muito pouco pra ele, vou morrer". Zilhões de erros são cometidos e nem sempre o perdão é automático. Não rola essa de "o amor verdadeiro vence tudo", às vezes o amor é deixado de lado para que outras coisas importantes sejam consideradas. Pessoas imperfeitas, com um relacionamento imperfeito, mas dispostas a aceitar todas essas imperfeições porque ficar um com o outro vale a pena... Eu quero um relacionamento assim *chora pelos próximos três anos*.
Do que é que eu tava falando mesmo? AH É, Divergente. A Tris e o Tobias são esse tipo de casal e acho que foi isso que me fez me apaixonar tanto por eles dois... E que me fez sofrer tanto no final.
Falando em final, lembra que eu disse que Divergente destruiu meu coração? Então, é porque no fim tem uma morte que acaba com as estruturas de qualquer castelo de pedras. Eu - a pessoa que não chorou com A Culpa é das Estrelas - chorei rios quando acabei Convergente. Eu não era afetada por uma morte de personagem desse jeito desde que eu matei uma personagem que eu amo muito em Sociedade Inglesa de Oposição (quando isso aconteceu eu chorei até dormir todos os dias por pelo menos uma semana). Mas eu não vou contar quem morre (como se todo mundo não já soubesse) - Nem em Convergente, nem em SIDO - porque eu to me esforçando muito pra não sair soltando spoiler, como eu sempre costumava fazer.
Anyways, Divergente foi uma das melhores trilogias que eu já li e deveria ser leitura obrigatória pra todo mundo. Porque eu quero.
G.

O título desse post foi inspirado na bio do Twitter da Veronica Roth.

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