27/04/2015

A verdade sobre minha vida amorosa.

Bom dia, mundo, universo, pessoas, animais, plantas!!! Sim, eu estou feliz assim às 6 da manhã de uma segunda-feira. QUEM SABE QUE DIA É HOJE??????? Eu acho que nem quem sabe se lembra já que ano passado eu não falei sobre isso aqui no blog, então eu vou dizer: hoje é o dia em que minha alma gêmea nasceu. E não, isso não será seguido de uma piada. Esse parágrafo é realmente para lembrar que 28 anos atrás esse ser maravilhoso aqui embaixo chegou para abençoar nosso mundo:

NÃO MORRAM ANTES DE COMENTAR O POST
Vocês podem o conhecer como o Peter/Pedro dos filmes de As Crônicas de Nárnia ou como o Liam da novíssima série do E!, The Royals, mas William Moseley tem sido meu celebrity crush mor desde que eu tinha 10 anos de idade. Quer dizer, eu tenho muitos celebrity crushs, mas ele é como se fosse o escolhido entre todos. Nós até temos um nome de ship (é Santmoseley, btw, porque meu primeiro nome é terrível para criar ships) e eu já escrevi não uma, mas duas fanfics com ele (alguém aqui já leu Songs ou NY Dream?). Agora eu meio que tenho que dividir ele com várias garotas desde que The Royals começou, mas nosso relacionamento é tão forte e verdadeiro que eu nem tenho ciúmes. Ok, eu tenho ciúmes. Mas eu fico lembrando a mim mesma de todas as coisas que eu tive durante esses 6 anos de crush por ele, e isso é algo que que o conheceu agora, infelizmente nunca terá. Eu estava aqui na época do cabelo bizarro, e quando ele foi atingindo por um raio na época das gravações de The Silent Mountain, gente, eu estava aqui desde antes dele começar a namorar a Kelsey Chow, o que já faz 3 anos. E se isso não fosse o suficiente, ele me enviou um tweet no meu aniversário ano passado, então CLARAMENTE nós vamos nos casar.

Eu sei que todos vocês estão me julgando pelo erro no primeiro tweet, MAS EU ESTAVA DESESPERADA E NERVOSA E ERA MEU ANIVERSÁRIO OKAY? Ele entendeu e isso é tudo que importa.

Indo ao motivo do post agora, já que hoje é aniversário do homem que mais me causa sentimentos desconexos, eu pensei: porque não falar sobre minha vida amorosa outra vez?? Não que eu tenha uma, mas eu sempre estou ouvindo minhas amigas falarem de seus namoros e de garotos e de crushs e eu sou sempre aquela pessoa que está falando sobre livros. Ou famílias reais. Ou MisterWives. Então, hoje eu quero falar sobre isso, para esclarecer umas coisinhas. Não que eu me importe de todo mundo ficar perguntando se eu já peguei alguém, se eu me importo de falar sobre sexo ou sobre minha sexualidade. Podem perguntar! Eu adoro ver vocês confusos. Mas talvez vocês não gostem de ficarem confusos, então eu quero facilitar as coisas. DE NADA!
Eu sinto que todo mundo sabe, mas sempre existe um ser aleatório que fica chocado quando ouve, então aqui está: eu sou BV. Mas eu estou velha demais para usar esse termo (quem diz "bv" na faculdade, pelo amor de Deus?), então eu prefiro dizer para as pessoas que eu "nunca estive em um relacionamento". Isso dá classe a situação. E mesmo eu parecendo tão emocionalmente autossuficiente (é coisa do signo, aquarianos não precisam desses dramas), meus sentimentos podem ser bem bagunçados. Se amar alguém com amor romântico envolve todos os dramas que minhas amigas passaram, eu posso dizer que nunca amei ninguém desse jeito. O que não quer dizer que eu nunca me apaixonei por alguém. Ou desenvolvi crushs. Gaaaaaaaaaaaaah, crushs.
Crush é uma palavra da língua inglesa que eu e o resto da internet já nos acostumamos a usar o tempo todo que poderia ser traduzida para o português como uma quedinha, mas eu prefiro traduzir como AQUELE SENTIMENTO MASSACRANTE QUE VOCÊ SENTE POR PESSOAS ALEATÓRIAS SEM RAZÃO APARENTE ALÉM DO FATO DE QUE SEU CORAÇÃO QUER TE BOICOTAR. Eu tenho certeza de que todos mundo aqui conhece esse sentimento. Eu desenvolvo crushs com uma rapidez absurda, por um número chocante de pessoas e não consigo superar eles de jeito nenhum! Eu sempre acho que superei e me engano completamente. No meio do ano passado, eu tive um momento em que me senti livre de todos os meus crushs, que achei que finalmente poderia ser uma jovem solteira saudável. Aí eu vi o garoto que eu tinha certeza que seria responsável pelo meu primeiro beijo quando tinha 14 anos e por um momento, eu esqueci meu nome. Estava no Instagram e vi uma selfie de um ex-crush e gritei. O lado bom é que eu não sou o tipo de pessoa que não consegue dormir pensando no crush (mas eu admito que tenho um caso sério de sorriso incontrolável toda vez que saio da presença de um crush), ou que fica sem fome porque está apaixonada ou que tem crises de ciúmes quando dito crush começa a namorar, mas como uma pessoa que sempre fala bosta, eu posso afirmar sem via de dúvidas que o momento da vida em que eu falo mais bostas, é quando eu estou falando com um crush.
A diferença - para mim - entre ter um crush por alguém e me apaixonar está no desenvolvimento de uma amizade. Porque um crush é um sentimento platônico e meio que irreal, geralmente quando você mal conhece a pessoa, mas quando você se apaixona seu cérebro cria a necessidade de que aquele sentimento platônico se torne real, o que comigo só acontece depois que a pessoa faz tão parte da minha vida que chega a doer. E isso é tão exaustivo. É por isso que eu gosto tanto do termo Infatuation. Soa tão cansativo quanto todos esses sentimentos que eu tenho dentro de mim, por todas essas pessoas. Meeeeeh. Não que eu esteja apaixonada no momento. Eu nem consigo me lembrar a última vez que isso aconteceu. Isso é ótimo. Sério. Só seria melhor se eu não desenvolvesse crushs até por garotos que vejo em ônibus e atendentes de bancos.

Exatamente.
Tudo isso dito eu gostaria de dizer que não faço a mínima ideia de porque minhas amigas continuam contando comigo para pedir conselhos amorosos. Ok, tá, meu "Quem sou eu" aqui do lado tem "conselheira amorosa" como habilidades, mas também tem "matadora profissional" e eu nunca cometi um assassinato (que se possa provar). Eu amo vocês e continuarei tentando ajudar, mas eu tenho certeza de que não sou a pessoa mais qualificada a fazer isso.
Finalizando, eu queria esclarecer dois mitos. As pessoas sempre me perguntam duas coisas: se eu já estive próxima a beijar alguém em algum momento: a resposta é sim, mas nunca por vontade própria. Crescendo você passa por vários amigos que tentam te empurrar a fazer algo que você nem tem vontade só porque todo mundo está fazendo. Eu nunca estou em festas, geralmente sou a primeira a sair dos ambientes educacionais, nem sou muito de sair com amigos, e nunca, em hipóteses alguma, me declararia primeiro para ninguém (é uma regra geral pela qual eu vivo), logo as duas únicas vezes em que eu estive próxima a dar meu primeiro beijo foi por pressão de "amigas" entre os meus 10 e 12 anos (yep, nova assim, desvantagens de ser adiantada na escola). Não estou dizendo que sou frustrada por não ser uma garota que namora muito, ou que quero que vocês se sintam mal por mim. Estou dizendo porque todo mundo precisa parar com esse tipo de merda: todos nós temos nosso tempo certo para fazer cada coisa e pressionar uma garota de 11 anos a beijar alguém que ela nem gosta, é errado, e não interessa o que vocês digam: eu acredito que isso faz parte da cultura do estupro. A outra pergunta é se eu estou me guardando para a pessoa certa: nesse caso a resposta é um não. Para estar esperando a pessoa certa, eu precisaria acreditar que existe uma "pessoa certa" para mim. Eu acredito que relacionamentos são formados por duas pessoas dispostas a serem certas uma para a outra, ou seja, na prática. E eu nem posso dizer que estou me guardando para alguém especial, porque sei que beijaria literalmente qualquer um dos desconhecidos pelos quais eu já desenvolvi um crush. E isso é tipo, muita gente.

G.

17/04/2015

Coisas sobre as quais nunca falamos: o luto.

Aviso: Este é um post superpessoal e honesto. Se procura rir um pouco, peço que volte semana que vem.

Eu decidi começar essa coluna por vários motivos. Eu geralmente sou bem aberta sobre minha vida aqui - até demais, para falar a verdade. Esse é um dos motivos pelos quais muitos dos meus leitores amam o blog e inclusive grande parte se sente livre para falar comigo também, então eu não me importo de continuar falando sobre minha vida. Talvez isso seja um problema um dia. Talvez eu consiga ser bem sucedida e este blog acabe cheio de haters dizendo coisas ruins sobre os meus textos mais sinceros e talvez aí eu pare de ser tão honesta sobre meus sentimentos na internet. Mas neste exato momento o blog só é lido por amigos e pessoas que admiram o que eu escrevo, então eu não me importo de me abrir aqui. Eu realmente gosto de ver como eu cresci com este blog nas coisas boas e nas ruins. Eu gosto de poder dividir - com as 5 ou 6 pessoas que entram aqui frequentemente e com as outras 10 que entram aqui de vez em quando - o que eu sinto. Ainda assim, existem coisas sobre as quais eu nunca falo, porque poderia ser um problema falar muito sobre esse lado de mim. Com essa coluna, eu quero quebrar isso. Quero falar de coisas que eu nunca falo. Não quero que ninguém me console ou fique sem palavras tentando me ajudar. Só quero desabafar, mesmo que ninguém acabe lendo isso tudo. Então aqui está: meu nome é Giulia. Eu completei 17 anos há algumas semanas. Um ano e uma semana atrás - e eu uso todas as palavras - minha mãe morreu.

É estranho como você aprende a amar toda foto de quem não está por perto.
Uma das primeiras coisas que eu pensei quando eu descobri que tinha perdido minha mãe foi que aquilo não era real. Clichê - novidade: todas as partes do luto são clichê -, mas verdade. Eu pensei que aquilo não podia ser possível, porque eu não era o tipo de pessoa que perdia a mãe. Eu era "dramática demais" para ter um problema tão sério. Outro clichê: parece ser o tipo de coisa que acontece com os outros, não com você. Por outro lado, eu sempre senti que "estava pronta" para lidar com a morte. Bem, não de verdade. Eu simplesmente achei que já sabia que perderia todo mundo em algum momento. Que estava mais consciente disso que o resto do mundo e que não reagiria do mesmo jeito. Que a ideia de que tudo tem um fim estava tão incutida em mim que mesmo que ela fosse devastadora, ela não iria me causar a mesma coisa que causa nos outros. (Sim, eu sempre me senti muito mórbida). A novidade me surpreendeu: nós nunca realmente sabemos como a morte nos afetará.
As pessoas que amamos não são vistas por nós como corpos que terão um fim. São vistas como seres abstratos que durarão para sempre. Mesmo que não pareça, é algo completamente inconsciente. Perder alguém não é perder um corpo. É perder uma presença. Estou fazendo algum sentido? A questão é: por mais que eu soubesse que minha mãe não duraria para sempre, minha mente acreditava que eu sempre teria o cafuné dela. Eu inconscientemente tomei nossas orações antes de dormir como algo inerente a vida, que sempre estaria lá. A risada dela, a voz dela, a letra dela que eu sempre quis imitar. Eu nunca considerei, nem por um instante, que eu isso deixaria de existir. Todas estas coisas estavam lá desde a primeira vez que eu respirei. E foi exatamente isso que eu perdi.
De volta ao dia 10 de abril de 2014, depois do primeiro choque, eu estabeleci algumas regras para mim mesma: eu não me prenderia a arrependimentos, eu tinha o direito de passar por aquele momento da forma que eu quisesse e, mais importante, eu sempre me lembraria de como me senti naquele dia quando tivesse qualquer outro tipo de problema. Essas regras muitas vezes foram ignoradas por mim, mas naquele momento se eu não tivesse me apegado a elas, talvez não tivesse enfrentado aquilo tudo tão ferozmente. O engraçado era que eu ouvia o tempo todo que "a ficha ainda não caiu". Todo mundo me dizia isso, o tempo todo. Eu ouvi tanto isso que passei dias esperando por uma dor maior do que eu já estava sentindo. Eu achava que em algum momento "a ficha iria cair" e eu perceberia que não a veria mais. Mas faz um ano e a ficha ainda não caiu. Parte de mim ainda acredita que vai ouvir a voz dela a qualquer momento. Me deixa em pânico o fato de que eu não lembro da voz dela com tanta clareza quanto gostaria. Eu sempre me vejo quase pedindo um vídeo dela a alguém da família (os meus estão no hd do meu outro computador, perdido em meio a coisas que eu nem sei se existem mais), mas perco a coragem por achar que à simples menção vai trazer lágrimas e situações desconfortáveis.
Eu não exatamente sinto vontade de chorar ou uma dor no peito quando ouço o nome dela. É mais como uma grande onda de amor seguida por uma sensação de perda gigantesca. Não me faz chorar sempre, porque o amor é forte o suficiente (sim, eu deliberadamente citei essa música - ninguém consegue entender o quanto a letra dela significa para mim). Eu gosto quando pessoas começam a falar sobre ela, e contar histórias. Amo quando dizem que eu pareço com ela. O difícil é só lidar com todo o resto. Não gosto de escrever sobre ela, porque lembro que ela nunca lerá meu primeiro livro. Não gosto quando começam a chorar quando falam dela, porque eu não sei como ajudar, já que a dor também é minha. Eu me convenci de que em meu luto, deveria me importar mais comigo. Isso muitas vezes é ruim. Às vezes é difícil lembrar que a outra pessoa também está de luto por ela. Então eu me esforço para não ser egoísta. Semana passada, no dia do aniversário de morte, tudo que eu mais queria era berrar que todo mundo calasse a boca e me esconder debaixo dos lençóis pelo resto do dia inteiro. Não fiz isso, e na verdade, passei grande parte do dia ajudando uma amiga. Meio que me arrependo disso.
Toda essa coisa de tentar lidar com o luto dos outros enquanto lido com o meu ainda é complicado demais para mim. Eu realmente sinto que apenas minha irmã me entende. Apenas nós temos o mesmo conceito sobre nossa mãe. E uma das coisas que eu percebi é quando a gente morre, deixamos de ser uma pessoa e nos tornamos um conceito. O que nós queremos não nos pertence mais. O que nós gostamos agora são repassados por outras pessoas. Todas as nossas memórias deixam de possuir nosso ponto de vista e passam a ser contados por outros, que viram as coisas de uma forma diferente. Eu perdi as contas de quantas vezes a frase "sua mãe gostaria que você fizesse isso" durante este último ano. Gostaria? Gostaria mesmo? E se ela tivesse em um dia ruim e quisesse que eu fizesse de um jeito diferente? E se ela ouvisse meu ponto de vista e decidisse que daquela vez eu poderia fazer de um jeito diferente? Você não tem como saber não é? Porque quando fala, não fala por ela, fala baseado no conceito que formou sobre quem ela era. E eu não falo como se soubesse mais sobre ela que o resto do mundo. Falo lembrando que a única pessoa que pode dizer o que ela quereria não está aqui para fazer isso.
Foi um ano bem louco. Eu não tinha como deduzir no início de 2014 que minha vida daria uma guinada tão louca. Perdi tudo no que me baseava, todas as coisas que havia constituído minha vida. Precisei deixar de lado alguns dos meus sonhos, porque as novas pessoas responsáveis por mim não podem moldar sua vida ao meu entorno. Precisei crescer de uma hora para outra. Amadureci mais entre os 16 anos e 2 meses e os 17 do que amadureci entre os 9 e os 16. Arrumei um jeito de vencer a depressão no processo, me encontrar e criar mais confiança em mim mesma. Isso fez com que eu ouvisse que parecia que eu não me importei com a morte da minha mãe - uma das coisas mais dolorosas que eu já ouvi, vinda de alguém que deveria me suportar emocionalmente -, mas agora eu simplesmente já superei toda essa porcaria. Porque só eu sei o que eu senti e como me afetou. Só eu tive meus pesadelos, minhas noites de insonia, só eu lembro do som do desfibrilador além daquela porta. Mas eu preferir lutar contra isso tudo e dar o melhor de mim para ter a vida que minha mãe desejava que eu tivesse. E eu realmente acho que estou indo muito bem nisso.
G.

P.S.: Eu realmente sinto muito pelos 15 dias sem post e o atraso de uma semana que esse aqui teve. Eu poderia dizer que foi muito difícil escrever isso tudo, mas a verdade é que muito disso foi culpa minha. Foi uma semana de procrastinação ao extremo.

04/04/2015

Não sei, sou de Humanas.

Ok, então, como vocês são legais, eu fui salva de ter que continuar aquele post sobre Carmilla (eu juro que vou achar a inspiração que eu perdi em algum momento) pelo menos por agora, já que o assunto mais votado para post da semana foi: o que eu já aprendi na faculdade durante esse primeiro mês, ou para ser mais exata, durante essas 6 semanas (sim, eu estou contando). Esse post será muito pessoal, sincero (mas qual post meu não é essas duas coisas?) e menos animado que o post sobre minha primeira semana de aula, porque vocês sabem que chega aquele momento em que a magia de conseguir algo que você queria tanto acaba e você é confrontado com a realidade de estar na faculdade (e bem que eu queria que isso só começasse no segundo semestre).
Uma das coisas mais importantes que eu aprendi nesse primeiro mês, é que aquela história de que "quando você entra na faculdade você precisa esquecer tudo que aprendeu no ensino médio" é muito mais real do que você sequer imagina enquanto está no ensino médio. Uma das primeiras coisas que eu ouvi no primeiro ano do E.M. é que eu deveria esquecer tudo que eu aprendi no ensino fundamental - e meu professor de história ainda fez o favor de avisar que quando entrássemos na faculdade os professores diriam a mesma coisa sobre o ensino médio. E tipo, eu passei os 3 anos seguintes com isso na cabeça, sabendo que ia acontecer. Só que a coisa toda é muito mais tensa do que você imagina. Exemplo: eu passei os 3 anos de Ensino Médio aprendendo que redações são montadas com introdução, desenvolvimento e conclusão. Como eu tenho uma dificuldade tremenda em organizar meus pensamentos em uma ordem lógica e concisa eu literalmente levei os 3 anos aprendendo isso (e nem posso dizer que aprendi mesmo, eu só tirei 640 na redação do Enem). Minhas professoras de Redação Jornalistica e Comunicação e Filosofia mandaram a gente esquecer isso completamente. Não é assim que redações jornalisticas são montadas e muito menos como você argumentará na vida real. E isso é só um exemplo, existem vários outros dentro do meu curso e eu tenho certeza de que cada curso diferente possui momentos assim (e seria ótimo se vocês compartilhassem os momentos de vocês comigo). Agora eu pergunto: POOOOOOOOOOOOOOORQUEEEEEEEEEEEEEEEEEE? Como eu vou me livrar da sensação de que os últimos 3 anos da minha vida acadêmica foram jogados fora? Quer dizer, eu já sabia que não iria usar distribuição eletrônica na vida real, mas até regras básicas de redação?????? Muito obrigada por nada, Ensino Médio. De coração.

Eu sou parte de um grupo de mais ou menos 3 calouros da faculdade inteira que não foram para nenhuma festa esse ano.
Existem também os materiais escritos. Eu sempre soube que na faculdade eu teria que lidar com muitos textos e xerox saindo pelas ventas, mas eu não fazia a mínima ideia de que não ia ter saco para lê-los. Eu via todo mundo falando "não, mas na faculdade você lê muito" e pensava "eu sempre li muito, não acho que isso será um problema" e "prefiro ler muito a ter que decorar formas de física". HA. HAHA. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Eu não poderia estar mais enganada. Nessas seis semanas de aula eu devo ter lido no máximo umas duas apostilas (e só redação já teve umas 6) e só porque se eu não lesse eu estaria muito ferrada e ainda assim só li nos 49min30s do segundo tempo. Sério. Não sei o que acontece, mas meu cérebro simplesmente entra em pane no que diz respeito a ler apostilas. A questão é que - sendo bem sincera - eu nunca fui uma pessoa de estudar em casa. Se eu não aprendesse na escola, eu não aprenderia. As poucas vezes que eu estudei em casa foi quando eu estava em muito desespero e só em matérias que eu tinha muita dificuldade. Estudar história em casa? Puf. Filosofia? Pelo amor de Deus. Uma coisa que me salva, em partes, é que grande parte dos meus professores tem aulas fáceis de entender e provas em que tudo que você precisa fazer é pensar para desenvolver o raciocínio. O problema é só outra coisa que eu aprendi, que será exposta no próximo parágrafo.
Concentração é Giuliamente impossível. Eu já deveria saber disso desde o ensino médio, mas eu sou meio tapada e achei que as coisas podiam melhorar com física e química fora da equação. Mas nããããããããão. Em plena aula de história, minha professora está lá na frente falando sobre a formação de Salvador e eu na minha cadeira filosofando sobre a existência de arco-íris na superfície solar. Literalmente qualquer coisa pode me fazer me distrair. Um risco na cadeira, a forma diferente que o sol bate na janela, a cor do tênis de alguém. Isso tudo gera conversas mentais que podem perfeitamente ir das 7h30 à 12h40 direto. Sabem quais são os dias em que eu sei que não prestarei atenção em nenhum pedaço da aula? Quando alguém aparece com uma blusa de estampa de elefante (eu juro que pelo menos 3 pessoas na minha turma tem blusas com estampas de elefantes e nós já chegamos àquele parte do semestre em que todo mundo começa a repetir roupa, porque nós somos universitários, pobres e não somos obrigados). Eu posso estar superpronta para assisti a aula, focada e tudo o mais, se entra alguém com elefantes na estampa da blusa, eu sei que passarei o resto do dia pensando na Mandy Lee. Dane-se o que Dukheim disse, você já viu o cabelo daquela mulher? Não é culpa minha, é a forma como meu cérebro funciona. Especialmente considerando o fato de que eu acordei às 5h30 da manhã e estou a base de  nada além de uma caneca de café. (Durante o processo de revisão eu me dei conta de que essa parte sobre as blusas com estampa de elefantes é totalmente irrelevante para o desenvolvimento do post. Em seguida me dei conta de que eu não estou nem aí).
Outro fato sobre mim que é problema na minha vida acadêmica: a procrastinação (tema do último post). Meu professor de metodologia científica (que, aliás, reapareceu! Eu provavelmente já deveria ter atualizado meu blog da matéria, porém ainda não o fim porque razões) diz que a pior coisa que um universitário pode fazer é procrastinar. O que ele quer? Que eu desista da faculdade? Deixa eu contar uma coisinha para vocês: na semana que vem, eu tenho dois seminários (filosofia e história - dias 6 e 7) e uma prova (sociologia - dia 10 - e como vocês podem notar pela referência a Dukheim ali em cima, sociologia não é exatamente uma das aulas em que eu sou mais focada). Eu sou a única pessoa da turma inteira que ficou nos grupos "1" dos seminários de filosofia e de história e por isso tenho apresentação na segunda e na terça. Eu também sou a responsável por organizar os slides dos dois trabalhos e preciso estudar minhas partes para não fazer merda. Também preciso atualizar meu blog de metodologia e ler algumas entrevistas para a aula de redação e deixar um comentário crítico e dedicado no grupo da matéria. E o que eu estou fazendo nesse exato minuto? Exatamente! NENHUMA DESSAS COISAS. Essa coisa de "não poder procrastinar" não funciona comigo. Eu tento muito me focar no que preciso fazer, mas eu só consigo fazer de verdade nas últimas horas antes da entrega. Quer dizer, até que os seminário estão bem adiantados, mas poderiam estar tão mais se o YouTube não existisse. É triste.

Se eu não ficar em nenhum provão - E EU NÃO VOU, EM NOME DE JESUS - minhas férias de inverno começam em exatos 3 meses. Alguém conhece uma máquina do tempo que me faça adiantar 3 meses? Cadê o controle do Click quando eu preciso dele?
A última coisa que eu aprendi é a mais importante e é o fato que nomeia esse post: Eu não me sinto mentalmente preparada para estar cursando Humanas. Ou pelo menos percebi que a minha relação com curso de Humanas sempre será de amor e ódio. Quer dizer, as matérias que eu estudo ainda são as que eu mais gosto e com as quais eu lido mais facilmente, mas a questão não é o que eu estou aprendendo. O clima da universidade em si é completamente exaustivo. Eu sei que eu já tinha dito que achava que todo mundo na faculdade tinha mais energia que eu, mas a questão não é mais essa. Não é sobre ficar na faculdade até mais tarde. É sobre as discussões e debates. Uma grande parte de cursar Humanas em uma universidade resume-se a debater e mostrar suas opiniões a respeito do mundo. Comunicação é pior ainda porque existem todas essas notícias sobre as quais você precisa opinar. Para mim é como se eu estivesse presa no status do Facebook de alguém que eu odeio ouvindo ele falar de tudo que acreditar estar errado no mundo. Eu geralmente não me envolvo com debates políticos, sociológicos ou ideológicos no Facebook ou na vida por 2 motivos:
1) Eu não consigo me concentrar em nada ou ter raiva de nada o suficiente para passar 36 horas falando sobre essa coisa. É verdade que de vez em quando eu posto alguma coisa polêmica e deixo um monte de gente que não se conhece brigar nos comentários, mas eu mesma depois de um tempo só curto os comentários porque minha vontade de falar desse assunto polêmico em questão já passou.
2)  99,99999% das pessoas que participam desses debates já tem uma opinião formada sobre o que acreditam e esse debate em si só levará um dos participantes a odiar ao outro. Eu acredito que debates envolvem manter sua mente aberta para o que o outro está falando e, se não aceitar a crença do outro, ao menos entender porque aquela pessoa acredita no que acredita. Mas é claro que ninguém concorda comigo. Um debate hoje em dia envolve uma pessoa ou um grupo de pessoas contra outra pessoa ou outro grupo de pessoas, ambas acreditando que seu opositor não sabe de nada e deveria morrer. Em todo "debate" acaba chegando um momento em que um só fica desdenhando do outro e chamando de burro, alienado e etc. E eu me recuso a impor as minhas crenças a outras pessoas, eu me recuso a desdenhar da inteligência de outra pessoa, eu me recuso a ser orgulhosa demais para perceber que a opinião da outra pessoa faz mais sentido e eu me recuso a transformar um debate ideológico entre duas pessoas bem informadas em uma briga de bêbados. É por isso que eu não participo de debates: porque se eu for eu mesma e colocar o que eu acredito em prática, o outro participante do debate me achará uma idiota. (E nem venham dizer que isso é desculpa, ok? Eu realmente fujo de confrontos e admito que não gosto deles. Me desculpem se eu prefiro ser a fangirl irritante que todo mundo tolera - porque gostar fica meio complicado - ao invés do supergênio conhecedor de todas as soluções para os problemas da sociedade atual que ninguém suporta).
O que me levou mais perto de desistir do curso foi justamente debates assim. Eu até criei uma lista de cursos que eu faria se desistisse de Humanas. Em uma aula, em plena segunda de manhã, minha professora começou um debate sobre preconceitos. O que seria totalmente lógico e interessante se ela mesma não fosse tão cheia deles. A agressividade dela era tão patente e parecia que todo mundo concordava com tudo que ela estava dizendo (depois eu percebi que não, todo mundo acha ela uma péssima professora e uma pessoa pior ainda, mas muita gente não tem coragem de se impor a opinião dela por ela ser uma professora). Foi exaustivo. Uma aula completamente exaustiva. E eu não culpo ela, porque eu sei que deveria ter me envolvido no debate e falado sobre o que acredito, mas eu não tenho forças porque sei que tudo que ela faria era dar uma risadinha e continuar com as opiniões dela.
Mas eu não vou desistir do curso. Primeiro, porque deu trabalho demais para entrar. Segundo, porque acreditem, eu já tentei conseguir um emprego e não consegui por causa da burocracia que envolve o fato de eu ser menor de idade. E terceiro, porque eu sou de Humanas mesmo. E eu sei disso porque eu estudo com muita gente que pensa muito como eu. Tá aí algo que não mudou, eu ainda admiro pra caramba as pessoas com quem eu estudo.

G.