24/01/2018

Diário de Bordo 7 - Eu desisto - Parte 4: A Letra Escarlate

Olá, e bem-vindo ao meu mais amargurado post da história da humanidade, no qual eu supostamente estou falando do Ano Novo. Isso foi surpreendentemente difícil de escrever. E toda vez que eu escrevia algo, fechava o post e não queria nem editar. Eu já estava me sentindo mal sobre os sentimentos que eu vou discutir aqui, quando na madrugada do dia 16 para o dia 17, eu tive um sonho cheio de drama sobre o assunto e fiquei bem pior. Depois disso, eu tive uma consulta com minha nova psicóloga (porque se 2018 é O Ano do Self Care, eu realmente precisava voltar para a terapia com vontade) (minha nova terapeuta é maravilhosa) e finalmente consegui organizar todos os meus sentimentos sobre o tema. Este post é sobre me sentir inadequada quando pressionada sobre temas que normalmente não são os que me causam mais dor de cabeça. Isso será divertido.
Deve ter ficado claro nos últimos dois posts que o fim do ano causou um desmembramento mental dos meus relacionamentos familiares em pequenas bolhas desformes. Basicamente, aconteceu muita coisa e eu pensei muito sobre todas elas. Então, na sessão de terapia da semana passada eu pude falar um pouco sobre elas e acabei falando muito sobre elas. Eu não entendia porque algumas coisas que não me afetam no meu relacionamento com todas as outras pessoas me afetam tão profundamente no meu relacionamento com a minha família. E enquanto eu falava, falava e falava eu me dei conta de que: Elas me afetam porque é eu quero ser querida e ali dentro, eu sinto que estou falhando e decepcionando minha família.

*voz dramática* "Eu falhei com a minha família."
Em celebração à estreia da 2ª temporada de One Day at a Time na sexta-feira, todos os gifs deste post serão de One Day at a Time. Assistam na Netflix, É A MELHOR SÉRIE DO MUNDO.
Vamos por partes: Dois tipos de comentário me deixaram chateada este ano. O número um foi sobre minha aparência. E o número dois, sobre minha vida amorosa. Eu nunca recebi comentários de "E os namoradinhos?" de verdade (e tinha certeza de que todo mundo já tinha desistido de mim), mas este ano eu sabia que seria inevitável porque seria o Natal em que minha irmã apresentaria o namorado para a família. Minha irmã mais nova. Todo mundo sempre soube que minha irmã começaria a namorar antes de mim, mas vocês precisam entender que não é só isso. É mais do que minha irmã mais nova estar namorando. Por ser a menina mais velha da nova geração, assim que pessoas mais novas que eu começam a namorar é como se as pessoas *percebessem* que eu *deveria* estar namorando também. E então veio de todo canto, como um tiroteio em câmera lenta.
Mesmo que você esteja feliz sozinha e satisfeita sozinha, quando você vê todo mundo absolutamente concentrado na inexistência da sua vida amorosa, eventualmente você começa a se perguntar se não tem nada de errado com você. Eu sei exatamente porque eu estou solteira (e um dos motivos é o mesmo pelo qual eu não mandei o pitch perfeito para o diretor de conteúdo da revista para a qual eu sonhava trabalhar aos 15 anos, mesmo que ele me siga no Twitter: porque eu sou cagona), e também sei exatamente porque, mesmo que eu estivesse namorando, as chances de eu optar por não dizer nada à minha família seriam gigantescas. Ainda assim, parte de mim se perguntava, sob as luzes de Natal, se havia algo de errado comigo.
Não é como se eu não falasse da minha vida amorosa, porque eu falo. Pra cacete. Claro que não com a minha família, mas não é como se eu escondesse o blog e eu literalmente expliquei o processo de me apaixonar no ano passado. Eu falei sobre ter me apaixonado e eu me apaixonei, violentamente, por duas pessoas. Uma que eu conheço bastante e uma que eu me recuso a conhecer melhor, mesmo que me aproxime um pouco sempre que consigo, por causa do efeito rejuvenescedoramente destruidor que essa pessoa tem sobre mim. Seguindo minha filosofia de vida em 2017, eu pensei bastante sobre tudo, mas me recusei a tentar não-sentir algo. Eu tinha sentimentos por duas pessoas. Caramba, por um período de tempo, eu pensei que fossem três. São sentimentos completamente diferentes - um com um sentimento de conexão inegável e o outro uma atração inconsequente que se tornou mais sério depois que uma coisinha aconteceu - e eu quero sentir os dois. Eu senti muito ano passado. Foi doloroso, perturbador, agonizante, entre várias outras coisas, mas também foi criativamente produtivo. E é por gostar tanto de me sentir como eu me sinto que eu sei com toda plenitude que EU NÃO ESTOU PRONTA PARA UM RELACIONAMENTO. Disse em caps para as pessoas do fundo, mas eu posso repetir pausadamente: EU!!!! NÃO!!! ESTOU!!! PRONTA!!!! PARA!!!! UM!!!! RELACIONAMENTO!!!!! E mesmo que eu tenha prometido a mim mesma que vou ser sincera sobre meus sentimentos com uma das vítimas deles, eu só vou fazer isso porque sei que a pessoa em questão entende esse caos.

"Você deve estar partindo o coração de todos os garotos"
Eu tinha 15 anos (e estava voltando para casa da escola sob o sol escaldante do Rio de Janeiro), quando me dei conta de que se eu tivesse que escolher entre ser feliz no amor ou ter uma carreira bem sucedida, eu escolheria a carreira sem piscar. Muito disso ainda é verdade. Não é como se eu gostasse de ser solteira o tempo todo, mas grande parte do tempo eu não estou nem aí. Eu gosto de mim o suficiente para gostar de estar comigo mesma. Eu estava gritando (mentalmente) comigo sobre isso, dizendo coisas como "O que tem te dado dor de cabeça ultimamente? O que tem te causando insônia? O que te embrulha o estômago? Hein? NÃO É SUA VIDA AMOROSA!! É A SUA CARREIRA!! Imbecil.". Isso é bem a verdade, por diversos fatores. Um deles é que eu estou no controle da minha carreira, mas não no controle da minha vida amorosa (mesmo que eu conte para as pessoas sobre o que eu sinto, eu ainda posso levar um não). Outro deles é que no que diz respeito a parte romântica de mim, eu ainda tenho muito o que descobrir.
Eu sou uma grande defensora de que a metade da laranja é uma invenção do capitalismo para destruir nossas vidas. Minha alma gêmea (e a pessoa do outro lado da minha linha vermelha do destino) é uma atriz da Nickelodeon, que nunca se casaria comigo (mas se ela quiser, eu quero). Quem quer que eu eventualmente acabe namorando, vai encontrar uma pessoa inteira, preenchida e que não precisa ficar com ela, mas quer ficar. Eu não estou buscando alguém, mas eu gosto da ideia de que na trajetória da vida a gente esbarra com pessoas e quer que elas nos acompanhem por um longo espaço de tempo. Eu não me sinto uma pessoa completa ainda - tem muita coisa que eu quero descobrir sobre mim mesma antes de embarcar de cabeça em algo sério. E mesmo que eu não seja completamente oposta à ideia de "só curtir", eu também tenho grandes expectativas e coisas que eu quero, e eu ainda não me sinto frustrada o suficiente para abrir mão do que eu necessito de alguém.

"Oi. As proporções do meu corpo não são representativas de uma garota típica da minha idade."
Agora vamos à segunda parte do post, o que mais me afetou: Os comentários sobre minha aparência. Para isso, eu preciso contar uma história: Eu comecei 2017 decidida a comprar batons. Os motivos eram vários, nenhum deles muito bom. Eu, por muito tempo, andei com pelo menos um gloss na bolsa - mamãe comprava brilho labial para mim o tempo inteiro porque minha boca era muito seca quando eu era criança, e eu costumava ter uma coleção guardada e usava um de cada vez, até acabar. Eventualmente, os glosses acabaram e eu nunca comprei mais. Eu perdi o costume de passar gloss todo dia antes da aula e minha boca ficou bem seca de novo. Outra razão era o fato de que eu ficava colocando batons escuros na minha personagem do Kim Kardashian Hollywood e ela ficava maravilhosa, então eu pensei que talvez eu também ficasse. Além disso, tem uma coisinha que eu estou chamando de Efeito Sartini-Kosarin (E não só porque esses sobrenomes ficam lindos com o hífen - Vocês já viram a Sidney e a Kira de batom vermelho? Elas são o motivo de eu não terminar essa frase). De qualquer forma, eu quis comprar batom e como uma criança de 12 anos com poder aquisitivo foi exatamente o que eu fiz.
Eu usei mais maquiagem em 2017 do que em todos os 19 anos anteriores, isso é certo. Eu nunca fui e nem nunca vou ser - outra coisa que eu falei na terapia semana passada - o tipo de pessoa que acorda mais cedo para fazer maquiagem ou que não sai de casa sem nem que seja o rímel. Mas eu gostei de me maquiar para eventos e tirar uma quantidade absurda de fotos parecendo linda demais para ser verdade. Gostei o suficiente para considerar necessário comprar maquiagem do meu tom de pele. Gostei o suficiente para ter usado maquiagem demais nas últimas semanas (e como eu não comprei o demaquilante, minha pele tá uma bosta). Mas este é o ponto da coisa toda: Eu gostei! Giulia de 19 anos gostou de usar maquiagem oca-sio-nal-fuck-ing-mente e a Giulia de 20 anos deve levar este costume à frente. Mas você não conseguiria levar a Giulia de 16 anos a usar maquiagem além do Natal e forçar isso só me deixava brava.
Haverá um post inteiro sobre minha imagem corporal (no qual eu estou trabalhando há mais de um ano), mas a questão é que entre a maquiagem e minha grande limpeza do guarda-roupa em 2016, que me levou à regra geral de só comprar roupas que me levem a dizer "Que vadia poderosa", eu tive tempo de perceber qual é meu estilo. E o meu estilo é O QUE ME DER VONTADE. Eu tava pensando nisso semana passada: Tem dias em que eu levo um tempo para encontrar uma blusa que eu quero usar e busco minha melhor calça e tem dias em que se eu me olhar no espelho e pensar "Tudo bem, isso parece humano", eu saio de casa do jeito que estiver.
Me sentir confortável nas minhas roupas e na minha pele é importante para cacete para mim, porque meu corpo é um filho da panqueca e muda o tempo inteiro. Se eu ganho peso, meus peitos crescem e todos os meus sutiãs ficam ruins. Se eu perco peso, minhas calças ficam folgados e eu tenho que passar o dia puxando a calça para cima. E se eu tenho um período muito ansioso, eu perco muito peso porque não como e tenho crises. Se eu passo por um período muito depressivo, eu ganho peso porque eu como besteira demais e nem quero sair de casa. Eu estou atualmente com o maior peso que eu já tive na vida e meus bons sutiãs me incomodam, enquanto absolutamente todas as minhas calças jeans estão ruins em algum sentido. Então sim, Brasil, eu vou sair com a minha blusa esquisita e larga demais. E eu vou continuar comprando brusinhas GG enquanto meu corpo é um M forma grande. SUPEREM.

Quando as pessoas realmente acham que você está e arrumando para homens, mas na verdade quando você usa maquiagem, vira a Elena dizendo "Todos esses meninos estavam falando comigo, o que é a última coisa que eu quero".
Eu não sou 100% com a minha aparência o tempo inteiro. Eu tenho dias ruins e dias péssimos, mas eu também sei que tem dias em que eu sou muito gata e, bicho, eu me namoraria pelos dias ruins e pelos dias maravilhosos. No dia em que eu machuquei o tornozelo graças a uma ave de Natal assassina, eu fiquei largada no sofá o dia inteiro parecendo um rato de ressaca. Mas no dia anterior eu tinha saído pela primeira vez desde que eu fizera minha tatuagem e MEU JESUS CRISTO, EU TAVA LINDA. Então eu fiquei fuçando minhas próprias fotos e me autoapreciando, porque se é para me comparar a alguém nos dias péssimos que seja a mim mesma. Meu ponto aqui é, eu não preciso ser linda, menininha e maquiada todos os dias. Eu preciso me sentir confortável (é uma palavra que eu tenho usado muito na terapia) (sim, eu vou falar muito sobre terapia. É efeito colateral de encontrar uma boa terapeuta, aceitem) comigo mesma. E o fato de que eu agora sei um pouco mais de maquiagem do que no ano de 2016 não quer dizer que eu me aperfeiçoei na arte de ser mulher, só que eu mudei um pouquinho.
Agora nós chegamos ao ponto onde eu queria chegar desde o princípio: Eu me senti sobrepujada nos dois eventos de fim de ano. Eu fui para o Natal uma deusa das ruas e para o Ano Novo uma princesa, isso é verdade, mas a forma efusiva como todo mundo focou nisso me deixou meio mal. Todo mundo tinha um comentário na ponta da língua sobre como agora eu uso maquiagem e eu me arrumo. Dava para ver nas entrelinhas o "você costumava ser tão largada". Sabe aquele episódio de One Day at a Time em que a Lydia tenta fazer a Elena usar maquiagem e diz que ela estava se tornando a neta que ela queria ter? (Se você não sabe, o que você está fazendo com a sua vida?) Foi basicamente isso. Eu não "comecei a usar maquiagem" para agradar ninguém. Nem a um garoto (eu não faço coisas para agradar homens, só para destruir a vida deles. Quer dizer, vocês me conhecem????????), nem a ninguém da minha família. Eu sei o quanto algumas mulheres da minha família passaram muito tempo querendo que eu "me arrumasse mais" e "ficasse mais menininha", mas eu nunca faço nada no tempo dos outros. Eu vou para a faculdade parecendo um hamster que levou um choque, enquanto minha irmã sempre foi para a escola de rímel. Ela nunca tentou me mudar porque ela me conhece e sabe que não adiantaria nada. Todas essas outras pessoas que tentaram me mudar me viram fazendo coisas que lembravam a elas delas mesmas e ao invés de me acolher, elas agiram de forma a aumentar o abismo, fazendo disso o ponto principal da conversa. POR QUE?
Em conclusão, minha grande Resolução de Ano Novo Pós-Festas é: Eu sei o meu próprio valor. E eu também sei que estou descobrindo quem eu sou e que talvez eu passe a vida toda fazendo isso. Eu só preciso lembrar a mim mesma que tudo bem.
G.

15/01/2018

Diário de Bordo 7 - Eu desisto - Parte 3: Anna Karenina

Eu amo o Natal. Na verdade, eu amo qualquer data comemorativa, mas o Natal é mais que uma data, é toda uma temporada. Talvez eu devesse dizer "Eu amo as festas de fim de ano" aqui já que quando penso em Natal, eu penso em semanas antes da data oficial. Em colocar a árvore de Natal no lugar, em ver as luzes de Natal em todo canto, em confraternizações, em comer panetone até dizer chega e finalmente no dia da ceia e nos presentes. Eu amo as festas de fim de ano, mas elas ainda vem carregada de sentimentos que não podem ser tão bons. Como eu disse antes, eu entrei em dezembro carregada de vários sentimentos e estava disposta a sentir todos eles independente de serem negativos ou positivos. Houve outra diferença entre esses Natais e os últimos: Eu não tinha muito o que "fazer", além das tradições típicas. Em todos os outros anos eu me pressionei para fazer do Natal o melhor possível, enquanto no último, as confraternizações apareceram naturalmente, minhas ideias de presentes foram surgindo sem que eu precisasse pensar muito e o mundo exterior tomou forma de Natal antes mesmo que eu pegasse o espírito. Eu até mesmo encontrei o vestido perfeito para o Natal, algo que não acontecia desde que minha mãe era viva. Com tudo acontecendo sem que eu precisasse forçar, eu tive tempo para pensar, avaliar e sentir. Terminar o Natal no chão do banheiro colocando para fora toda a ceia graças a uma crise de ansiedade me fez pensar mais ainda. E aqui vão as conclusões.

"Entre no espírito de Natal ou eu mato você."
Saudades Melissa & Joey. Vocês tietes do Nick Robinson deveria assistir minha série.
Não me entendam mal, eu amo minha família. Individualmente. Eu poderia te contar porque eu gosto de cada uma das minhas tias, primos, avós e todo outro tipo de parente que eu pensar. E eu amo cada um deles tanto. Mas a verdade é que se levarmos em consideração a família num todo, enquanto unidade, nós somos um lixo. É claro que eu me refiro à minha família estendida e ao lado da família que eu cresci conhecendo, não às pessoas que eu vejo de 5 em 5 anos e que não sabem nada sobre mim enquanto pessoa (minha vida acadêmica, profissional e amorosa - tema do próximo post - é de conhecimento geral, ao que tudo indica). Essa família específica fica cada vez mais longe daquela unidade perfeita que faz de uma família uma família. Eu não estou exigindo perfeição de ninguém, é claro, famílias perfeitas não existem. Mas não é sobre as imperfeições da família, é sobre a falta da sensação do que faz da família uma família.
No fim de semana do velório da minha mãe, como tinha muita gente da família em casa, nós fizemos um almoço na casa de uma tia, onde a família se reúne desde antes de eu nascer. Minha bisavó ainda era viva e como o velório trouxe o maior número de pessoas para a cidade desde o aniversário de 80 anos dela, parecia lógico reunir todo mundo em uma ocasião mais feliz. Isso foi antes que fosse decretado que eu ficaria em Vitória da Conquista e ainda existia uma onda de surrealidade na situação que eu estava enfrentando. Mas eu me lembro de me sentir bem naquele dia. De estar cercada das minhas lembranças de infância e me sentir acolhida, protegida. Depois disso e quando eu fui obrigada a continuar na cidade que eu mais odeio nesse mundo, eu me lembro de pensar que pelo menos poderia ser como era quando eu era criança e vinha passar férias aqui. Nós teríamos reuniões divertidas e alguém faria piadinhas de tio e depois pegaria um violão e nós conversaríamos a tarde inteira se entupindo de alguma sobremesa. Foi por essa ilusão que eu lutei por mais ou menos um ano e oito meses. Então, o Natal de 2015 aconteceu.
Pensando em retrospecto, era óbvio que minha família não era a mesma desde que a minha bisa morreu. O que aconteceu de verdade - de verdade mesmo, várias pessoas da família disseram isso - é que a gente perdeu o motivo de se reunir. Nossa primeira reunião de família em 2015 foi no dia 1º de novembro, depois que eu perguntei se a gente não faria nada no Natal, já que em 2014 não houve nada no Natal. Depois disso, eu me ofereci para qualquer coisa que envolvesse a ceia de Natal e comecei o que eu achava que seria uma tradição de ser aquela que levava rabanada para as festas da família. Eu adorei aquilo. Fiz por amor ao Natal mesmo. E aí no dia 25, resolveram fazer o almoço de enterro dos ossos e ninguém pensou em me mandar uma mensagem dizendo "Você vem?". Eu conto essa história todo santo ano, mas eu nem me importo em ser chata. Eu chorei tanto naquele dia. Eu me senti humilhada, porque eu tinha perguntado na ceia se teria almoço no dia seguinte, e negaram. Eu disse em mensagem para o pessoal do Rio que não haveria almoço. Então, do nada, começaram a surgir fotos do almoço no grupo da família. Eu chorei de raiva e mágoa por horas. Me recusei a ver qualquer pessoa da família durante o resto do dia e fui assistir ao final de Jessica Jones.
Eu não consigo superar isso, porque eu nunca consegui falar com ninguém sobre isso. Quando eu pressionava, todo mundo mudava de assunto e agora parece que faz tempo demais para que isso seja conversado. Mas a minha mágoa voltou à tona com tudo em 2017 e eu me percebi frustrada em um nível completamente novo. Para começo de conversa, ninguém nem queria fazer o Natal. Eu tinha resolvido que não faria nada para o Natal acontecer e levou literais semanas até que alguém se movesse para o Natal acontecer. Depois disso, alguém ligou para a minha irmã e pediu que nós levássemos uma ave. Me magoou um pouco porque todo ano eu acordo cedo para fazer rabanada para a festa da família. Todo ano. Mas àquela altura eu estava sendo a garota mimada que deixa coisas pequenas a abalarem e eu não deixaria que minha raiva estragasse o Natal. 
Na ceia, eu me dei conta de uma coisa na qual eu estava evitando pensar. Nenhum de nós queria estar ali. Não era a reunião de família bonita que acontece no Natal. Não era aquela coisa real e tangível. Todo mundo estava bravo por algum motivo ou magoado por outro. Mal era um evento. Quando minha bisa era viva, as reuniões de Natal eram a coisa lógica. A família se reúne em um lugar no Natal. Nós perdemos parte do nosso dia cozinhando para uma festa, compramos roupas e gastamos dinheiro com presentes bobos para o amigo secreto. Agora, a maior parte da família não vê lógica em se reunir. Nós não temos esse amor bonito que nos unia ali. E isso é uma droga, mas é a verdade. Eu acabei em um Natal por obrigação, ao invés do Natal por amor. E por mais que eu tenha lutado para fazer dois natais acontecerem, eu não tenho mais forças para isso.
Família é quem ama e quem quer estar com você. É mais do que as pessoas que são ligadas por sangue a você. Eu sinto falta de estar cercada de pessoas que eu sinto que se amam muito e querem estar ali. Eu sinto falta das tradições e reuniões que aconteciam porque eram certas. Não estou dizendo que minha família não se ama, só que eu não sinto amor em nossas reuniões. Existe um tipo de amor que você reconhece nas pequenas coisas e eu quero isso de novo. Tudo que eu sei é que nós temos muito o que trabalhar, pensar e conversar para voltar a ser uma unidade. E eu me incluo muito nisso.
Talvez eu só esteja vendo algo que não via quando era criança. Eu sinto falta de todas as pessoas que não foram para a ceia de Natal pelos mais diversos motivos. E eu sinto falta de quando as pessoas queriam estar ali. E de querer estar lá. E de não me sentir tão mal com os comentários que ouvi, que acabei a noite em um banheiro.
Minhas "Festas de Fim de Ano" foram boas. A confraternização do trabalho foi divertida, a confraternização dos meus amigos foi melhor ainda. Eu assisti meus especiais de Natal preferidos na Nick. E eu fiz rabanada, levei para meus colegas de trabalho e na festa dos amigos, e vou continuar fazendo todo ano. Fazer rabanada para um grupo grande de pessoas é uma das minhas coisas preferidas sobre o fim do ano. Eu abri presentes que comprei para mim mesma, embaixo da árvore no dia 25. E eu assisti The Hauted Thundermans na madrugada do dia 25 porque é o que eu faço quando eu termino um feriado não me sentindo muito bem. Eu criei tradições só minhas e elas fazem muito bem para mim. São algo que ninguém pode tirar de mim.
Os planos para o ano que vem são bem claros. Eu e minha irmã faremos nossa própria ceia em casa. Todo mundo está convidado. Vai ter comida, sobremesa, bebida, decoração, brincadeiras, tudo. Talvez uma galera precise se sentar no chão, mas vai ter espaço para todo mundo. Eu quero pessoas que queiram estar aqui e que queiram estar com a gente. E se eu terminar a noite de Natal sozinha, que seja. Terminarei e ainda vou assistir um monte de filmes de Natal se eu quiser. O que eu não quero é me forçar a fazer nada. Eu quero devotar minhas energias ao que eu amo. E eu amo minha família, quero que estejam aqui. O que eu não quero é me sentir sozinha cercada de pessoas que eu amo e que eu sei que também me amam.
G.

11/01/2018

Retrospectiva 2017

E AE, INTERNET. Voltamos pós-"férias de tudo" para falar sobre 2017, já que não deu nada certo terminar a retrospectiva antes das férias ou escrever ela aos poucos durante a semana antes de eu viajar. Eu quase não descansei na primeira semana de férias preocupada com as coisas que eu tinha para fazer antes de viajar no ano novo, e na viagem do ano novo, eu fiz o favor de esquecer meus remédios em casa e passei mal basicamente todos os dias. A primeira semana do ano, porém, foi ótima e eu consegui descansar feito um bebê. Meu trabalho voltava com tudo na segunda dia 8, exceto pelo fato de que eu quebrei o dedo mindinho do pé direito no domingo. 15 dias de atestado, baby! (O plano é nem cumprir isso tudo, e voltar a trabalhar assim que parar de doer muito para eu andar. Quatro dias depois meu pé ainda dói demais para que eu desça a escada de casa todo santo dia).
No assunto do post, este aqui foi difícil de escrever. Sendo sincera, eu simplesmente não queria pensar sobre 2017 em retrospecto. O que é estranho porque eu não achei 2017 pior do que 2016 e 2015 (só mais cansativo) e eu escrevi várias retrospectivas nesses dois anos. O caso aqui é que a simples ideia de pensar e escrever sobre tudo que aconteceu em 2017 me deixa cansada e derrotada. Foi um ano bom, mas eu também passei 99,999% dele doente. Depois de muito pensar e de escrever partes diferentes do post entre crises de ansiedade e momentos sãos, eu finalmente consegui escrever tudo. É recomendável a leitura deste post com chocolates ou qualquer coisa que aumente a endorfina.
Em toda a retrospectiva eu tento resumir o ano inteiro em um gif. O deste ano obviamente precisava ser de Kira Kosarin, já que pelo menos 90% dos posts do ano tiveram gifs dela:

Este gif resume como eu me senti em qualquer mês de 2017
E agora vamos começar esta retrospectiva em seções:

SEÇÃO 1: VIDA PESSOAL
Todos os itens desta seção tem um link para um post que explica tudo sobre como cada fato aconteceu. Os textinhos que acompanham são só comentários extras.

Consegui meu primeiro emprego

O fim do ano foi superpesado porque eu percebi que eu não consigo expressar para Adultos Mais Adultos, o quanto eu odeio meu estágio. E nem pessoas da minha idade entendem. Não é sobre eu não conseguir fazer o que eu preciso ou não conseguir lidar com a minha rotina, eu só... odeio. E mesmo que exista esse fator Pessoas Horríveis em um dos setores em que eu trabalho, no outro, eu gosto das pessoas, mas eu ainda odeio o que eu faço. Eu odeio cada aspecto do telejornalismo. Odeio a sensação de que eu nunca vou ser boa o suficiente para o telejornalismo. Odeio a sensação de que nunca estou fazendo o bastante. De que sou distraída demais. De que não mereço estar ali. De que não fui feita para isso. De que sou um lixo humano. De que tudo que eu estou fazendo está errado. De que o site está um lixo e que eu joguei meses e meses do meu trabalho fora. Que eu não tenho escrito o suficiente. Ou me esforçado o suficiente ou que os meus textos estão um lixo e não merecem estar ali. Que eu não mereço colocar meu nome no e-mail da imprensa do projeto, mesmo que eu seja a única pessoa responsável pela imprensa do projeto. Eu odeio cada aspecto do meu estágio.
Isso não tira de mim o mérito de ter conseguido um estágio remunerado quando estava no quarto semestre ou de ser responsável por toda a parte de jornalismo de um site e de já ter feito muita coisa nele. Eu sei disso. Eu acho. Então é uma das coisas que aconteceu em 2017 que eu tenho orgulho de ter feito. Mas tudo que eu quero de 2018 é que eu consiga trabalhar em algo que eu goste que possa substituir a renda que eu tenho do estágio (eu tentei outro estágio e fui o 3º lugar. De 3 concorrentes. E era em uma editora. E eu tinha certeza de que meu currículo era bom o bastante para eu conseguir um segundo lugar. Basicamente, eu mal vejo a hora de receber o não do último concurso literário que eu estou participando, para que eu simplesmente me odeie tudo que eu posso odiar de uma vez.) ou outubro chegue logo para que meu estágio acabe de uma vez, sem poder ser renovado.

Fiz uma tatuagem
Plot twist para alguém que passou boa parte da vida dizendo que nunca faria tatuagens porque tem problemas de compromisso. Eu ainda tenho problemas de compromisso, mas de alguma forma eu fui de começar o ano dizendo "nunca" para "MEU DEUS ESSA TATUAGEM SERIA MARAVILHOSA" que evoluiu para "eu quero fazer uma tatuagem, mas só se for ESTA tatuagem" para eventualmente chegar a "EU PRECISO FAZER UMA TATUAGEM PRA COMEMORAR O FIM DO SEMESTRE". Então minha primeira tatuagem não foi o que eu planejava originalmente, mas ainda é muito importante e muito a minha cara. Eu amo a lua e amo o fato de ter nascido numa meia lua e minha mãe ter nascido na mesma lua astrológica que eu. Além disso, agora eu quero MUITO outras tatuagens e eu pretendo fazer a da ideia original, assim que convencer Mandy Lee a escrever ela.

ENTREI NA BIENAL CREDENCIADA
Os caps se devem ao fato de que ESSA FOI A MELHOR COISA QUE ACONTECEU EM 2017. A Bienal me lembrou do que é importante para mim na literatura. Este ano foi muito fácil sentir que o que eu faço não é importante para ninguém e muito menos faz sentido. Exceto na Bienal. Aqueles três dias foram os melhores dias da minha vida inteirinha. Eu lembrei porque eu faço o que faço. Eu estive cercada de pessoas que amam e que querem isso tanto quanto eu. A síndrome de impostor me atingiu no meio da cara, mas não importava. Era o tipo mais lindo de amor que eu senti em toda a minha vida. Não tinha como eu ficar triste ou pensar em desistir ali, porque é essa alegria que eu quero, constantemente. E é por isso que a ideia de perder no concurso literário me assusta - não pelo não, acho que já disse isso aqui: Eu sempre romantizei receber nãos de editoras. -, mas pela ideia de que eu nunca vou conseguir fugir de trabalhos que eu odeie para conseguir me sustentar com algo que eu amo tanto.

Organizei um evento
Segundo melhor momento de 2017. Gente. Estar reunida com pessoas que amam escrever em um local cercado de livros é a minha ideia de paraíso. É tudo que eu quero nessa vida. Então, tenham certeza de que haverá outro Write-In em 2018. Eu só não sei dizer quando, porque o primeiro foi completamente organizado por mim e não foi nada fácil. Existem pessoas em Vitória da Conquista querendo organizar uma feira literária aqui e convidar pessoas, e quem sabe em grupo tudo flua mais rápido? Veremos em breve.
Aaah, e se eu realmente for publicada em 2018 (*cruza os dedos*), vai ter evento de lançamento em algum canto, com certeza. Eu tenho outros planos de publicação para 2018, além do concurso literário, mas eu estou em pausa de escrever literatura até a última semana de fevereiro, então não posso nem pensar nisso agora (e pensar nisso agora me dá dor de cabeça).

Me apaixonei (por mais de uma pessoa?)

Eu sei que as pessoas normalmente só falam disso quando estão em um relacionamento sério, mas aqui estou eu, BV como no dia em que eu nasci, falando de ter me apaixonado em uma retrospectiva. O que eu posso dizer? A explosão de sentimentos que eu tive este ano foi algo que só se experimenta uma vez na vida. E o momento em que eu notei que estava lascada é mais romântico que 75% dos livros do Nicholas Sparks. Pena que eu não posso falar disso aqui, porque não é recíproco (até onde eu sei). De vez em quando eu falo sobre no Tumblr, então se vocês quiserem saber, vão lá. (Existe uma tag inteira de posts fofinhos com Giulia falando de crushes, mas vocês terão que bancar OS STALKERs para descobrir qual é).

Encontrei minha alma gêmea
Não, não estou me referindo à mesma pessoa, mas a Kira Kosarin, óbvio. Eu ainda estou tentando explicar a conexão toda que rola com essa criatura, mas eu sei que tá todo mundo entediado com isso já, então qual o sentido? Apenas leiam: "Sobre obsessões, conexões e bons acidentes de percurso".

Consegui cumprir minha meta de experimentar, fazer e não me arrepender
Enquanto eu digitava isso eu me dei conta de que essa é a meta mais "garota de faculdade tentando se descobrir" da história. Eu só não reviro os olhos para mim mesma porque eu não fiz isso para me descobrir, só para sentir que eu estava fazendo algo. E funcionou. Eu me sinto bem mais conhecedora do mundo do que eu me sentia no começo do ano passado. E me sinto muito mais da minha idade também. Eu tenho quase 20 e tenho uma tatuagem, descobri que tipo de bêbada eu sou, trabalho, comprei um cacto (que está quase morrendo, porque meu gato tentou matá-lo três vezes e eu não sei cuidar de cactos direito), montei o quarto dos meus sonhos com o mínimo de dinheiro possível, tenho minha minibiblioteca, aprendi a ler e-books, consegui me sentir mais confiante com o inglês, aprendi a fazer mais receitas para mim mesma e me tornei o tipo de pessoa que cozinha para os outros,  etc. Sinceramente, eu estou a "beber mais água" e "me exercitar mais" de alcançar o Nirvana da vida pessoal. Sério, tudo que eu preciso é de mais saúde e eu vou ficar suave na nave. (Sim, eu disse isso).


SEÇÃO 2: BLOG
2017 não foi exatamente o melhor ano para o blog, já que em muitos momentos eu precisei colocar o blog em segundo lugar. Mas ainda foi um ano muito bom, com posts que eu amei escrever e dos quais eu tenho bastante orgulho. É louco como todo ano eu sempre penso que não teve nada e que não dá para fazer uma retrospectiva legal e então eu vou dar uma olhada geral nos posts e morro de felicidade com tudo que escrevi. Vamos aos dados para que vocês tenham uma ideia:

Posts em 2017:
40
Total de posts até o fim de 2017: 433
Postagem mais popular do ano: Como nasce um crush: um guia não-oficial (é claro)
Visualizações de página em 2017: 34.124*
Total de visualizações de página até o fim de 2017: 87.472**
Comentários em 2017: 89
Total de comentários: 817

Melhores posts de escrever em 2017
1. Sobre obsessões, conexões e bons acidentes de percurso
2. Diário Artístico: Vampiras, almas, a lua e o inferno
3. As forças motoras do universo e o efeito borboleta
4. Como nasce um crush: um guia não-oficial
5. Diário Artístico: Querida Giulia de 9 anos

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4. A lista de 101 coisas em 1001 dias: Listas em listas em listas
5. XVIII Bienal do Livro Rio: Todas as lágrimas de felicidade

Nós não tivemos Palavras da Semana o suficiente para que eu esteja disposta a escolher cinco melhores, mas tivemos playlists o suficiente para que eu faça as 5 melhores playlists do ano:
1. XIX
2. you're only young once
3. Gender Neutral Love Songs
4. 2017

Os 5 melhores momentos do ano no blog
1. Nós temos um Instagram agora
Não é exatamente o Instagram mais movimentado do mundo, mas desde o último aniversário do blog, ele existe! O usuário é quebreiamaquinadeescrever e de vez em quando eu surjo lá com algumas postagens repentinas. Nas próximas semanas eu planejo fazer sorteios no Instagram, levando até o próximo aniversário do blog, dia 7 de fevereiro. Só não posso prometer datas, então é melhor vocês seguirem o Instagram. E se você tem um perfil literário ou profissional, eu sigo de volta!

2. Nosso primeiro sorteio
Queria que sorteios não acabassem saindo caros ou que eu ganhasse altos mimos para sortear, porque aí eu faria um por semana. Mas sorteios custam dinheiro então eu preciso fazer eles com um intervalo de tempo considerável. Como o primeiro sorteio foi em setembro, eu tenho coragem de fazer pequenos sorteios em janeiro e fevereiro, mas apenas por isso mesmo. O primeiro sorteio foi de edições especiais em capa dura do e-book da primeira fase de As Crônicas de Kat e resultou em três ganhadores da Bahia, Rio de Janeiro e Alagoas. É louco pensar que existe uma comunidade de pessoas do norte ao sul do país que leem o blog. Espero que vocês continuem acompanhando.

3. Terminando "As Crônicas de Kat"
Um momento agridoce, mas um momento importante. Como eu estava trabalhando no e-book até muito recentemente e como até hoje eu fico teorizando sobre a história (pensando no que deve ter acontecido com ~~aquela~~ pessoa cujo destino ficou em aberto, ou se tal pessoa fez o que aquela outra pessoa pediu que ela fizesse no epílogo, onde estão minhas Sobreviventes, coisas assim), eu ainda não permiti que a ficha caísse e eu aceitasse que depois de quatro longos anos, eu disse adeus às minhas vampiras. O que eu disse ainda é verdade, é provável que elas voltem a aparecer em alguma história no futuro, mas a história delas, a história que elas estavam escrevendo através de mim, acabou. E a única coisa que fica é a saudade das minhas salvadoras.


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4. O vlog da Bienal
Eu tive essa ideia em um dia maluco na faculdade por causa dessa coisa toda de "você precisa se sentir confortável diante das câmeras" das aulas de Telejornalismo. Apesar de odiar telejornalismo, eu não odeio alguns aspectos dele que foram justamente o motivo para eu ter optado por entrar na faculdade. Então eu fui e fiz o vídeo e apesar de ter resultado em 30 FUCKING MINUTOS de nada além de Giulia falando, teve gente que pediu para fazer mais. Então, eu estou pensando. Não sei ainda o que vou fazer e muito menos vai ser regular, mas farei. (Está na lista de 101 em 1001 afinal de contas.)


5. O 1º Write-In Conquista e o grupo de escritores de Vitória da Conquista
Finalmente o primeiro evento organizado pelo blog, ou seja, por mim. Eu ainda preciso pegar os blogs de todo mundo que participou do evento e tem blog, para compartilhar aqui (a ideia era já terem postado no grupo, mas acho que terei que pressionar todo mundo). O evento foi incrível e só deu gente talentosa. E se você escreve e mora em Vitória da Conquista e região, pode participar do nosso grupo para dicas, dúvidas, divulgação e etc.

**Eu coloquei esses asteriscos para explicar porque essas visualizações não contam como o recorde do ano. Se você não for familiar com a interface do Blogger, provavelmente não sabe que ela é uma droga e extremamente bugada. Fácil de usar, é claro, mas tem uma série de problemas que o Google não faz o mínimo esforço para corrigir. Um desses problemas é a invasão de alguns sites que, ao tentar redirecionar tráfego para seu próprio site, criam visualizações falsas em blogs com pouco movimento. Como em 2017 tivemos espaços muito longos entre alguns posts e a divulgação dos posts sofreu impactos graças às mudanças do Twitter Ads, o movimento do blog diminuiu e ele sofreu o impacto dessas visualizações falsas. É muito óbvio quando acontece e já tinha acontecido esporadicamente em anos anteriores: O blog normalmente tem entre 100 e 200 visualizações por dia e de repente, tem 3000 em um dia só. As visualizações não tem origem e nenhum post em particular é clicado (ou apenas um post recebe todas essas visualizações). Como isso aconteceu VÁRIAS VEZES durante 2017 é óbvio que grande parte dessas 34 mil visualizações não aconteceram de verdade. Isso foi muito desmotivador, mas se eu mudasse o blog de plataforma depois de 6 anos, eu podia perder bastante coisa (mesmo com a importação). Eu quero trabalhar em uma forma de mudar de plataforma e estou usando o site do projeto em que estagio de cobaia. Até lá, a única coisa que os sites recomendam é postar naturalmente e tentar chamar atenção para o blog, então estou tentando voltar ao ritmo.


SEÇÃO 3: CULTURA POP E AFINS
Chegando à última seção eu preciso preparar vocês para uma coisa: Eu não consumi cultura pop e entretenimento em 2017. A ponto de ficar louca só de pensar. Eu já comecei 2018 tentando trabalhar em uma forma mais saudável de lidar com como eu consumo ou não consumo entretenimento, porque sinceramente, não adianta tentar ficar me pressionando a ver/ler/ouvir nada. O máximo que acontece é o efeito contrário e é o que aconteceu nos últimos dois anos. Eu não ouvi tanta música nova fora da minha zona de conforto (Kira Kosarin levou 11 meses para me convencer a ouvir Kehlani, crianças. Imagina o resto de vocês, pobres mortais), eu não li nenhum livro lançado em 2017 (0/20), eu assisti a um total 16 filmes no ano inteiro (DEZESSEIS FILMES) (ainda estou abalada)... Basicamente, eu não posso comentar nada de entretenimento em 2017, porque eu não estive ligada em nada. Ou seja, meus comentários e tops serão bem pessoais. À exceção dos livros (por motivos óbvios), eu resolvi que os tops seriam constituídos apenas de obras lançadas em 2017. A eles:

  • SEÇÃO 3.1: MÚSICA
Meu relacionamento com a música em 2017 envergonha completamente a Giulia de 2015. Eu não ouvi os principais álbuns que saíram e nem tentei, para falar a verdade. Dos artistas que eu realmente acompanho, tivemos um álbum (MisterWives) e um projeto musical em três partes (Bea Miller). Vários álbuns que me foram prometidos (BAHARI, Wild Child, ALEX WINSTON, Dove Cameron, KIRA KOSARIN, Hayley Kiyoko) acabaram sendo adiados para 2018 (desses só Wild Child e Hayley Kyioko deram confirmações oficiais: Ambos os álbuns se chamam Expectations, o de WC sai dia 09/02 e o da Hayley 30/03). E vocês precisam entender que eu sou preguiçosa então não, eu não ouvi o álbum novo da Halsey, nem o da Demi e nem o da Taylor Swift. Esses são os tipos de álbum que eu ouço quando outras pessoas estão ouvido e salvo no Spotify quando percebo que uma das músicas ficou na minha cabeça. Em conclusão, eu não vou nem fingir ser justa aqui. Eis meu top 5 álbuns de 2017:

1. MisterWives - Connect The Dots
2. MisterWives - Connect The Dots
3. MisterWives - Connect The Dots
4. MisterWives - Connect The Dots
5. Bea Miller - chapter one: blue, chapter two: red, chapter three: yellow

Meu top 5 singles é um pouco mais diversificado, porque os artistas que eu gosto lançaram músicas únicas, olha só:

1. MisterWives - Coloring Outside The Lines
2. Grey - I Miss You (feat. Bahari)
3. Timeflies - Raincoat (feat. Kira Kosarin) [Acoustic]
4. Charlotte Lawrence - Sleep Talking
5. Post Precious - Timebomb

Agora a coisa fica interessante quando eu chego aos 5 melhores clipes de 2017. Aah, o clipes.

1. GAY, DIGO, GREY - I MISS YOU (FEAT. BAHARI)
2. SELENA GOMEZ - BAD LIAR
3. HAYLEY KYIOKO - SLEEPOVER
4. MisterWives - Machine
5. Bea Miller - buy me diamonds

Este ano a vida me força a listar também os 5 melhores covers do ano:

1. MisterWives - Ride [Twenty One Pilots cover]
2. Kira Kosarin - May I Have This Dance [Francis and the Lights ft. Chance the Rapper]
3. Kira Kosarin - Girls on Boys [Galantis + ROZES cover]
4. Bahari - Get Together [The Youngbloods cover]
5. Charlotte Lawrence - You're The One That I Want [Grease cover]

Já nos artistas que eu comecei a ouvir este ano, excluindo todos os que eu já conhecia, mas nunca tinha ouvido e os que eu comecei a ouvir por causa da Kira, nós temos apenas uma cantora: Rainsford foi a descobertinha do ano. EU AMO MUITO A VOZ DELA. E ela tem clipes estranhos para músicas ótimas, assim como minha primeira esposa, Alex Winston, então foi fácil ela me ganhar.

  • SEÇÃO 3.2: LITERATURA
Pode não ter sido um ano com muitos livros ou muitos livros diferentes, mas foi um ano muito bom para a leitura. Eu li alguns dos livros que mais me marcaram, chorei, gritei, desenvolvi crushes em personagens, criei novas referências que eu falo o tempo todo e aprendi a ler e-books e a usar meu tablet direito.
Teve muita discussão sobre ler e escrever em 2017 e eu acompanhei todas à distância, me sentindo mal. Também teve todos os threads no Twitter, gente dizendo "Meu Deus, como vocês conseguem ler SÓ 50 livros em um ano" e coisas assim. O meu caso não é sobre não querer ler, não gostar de ler ou ter preguiça de ler. Às vezes eu tiro um tempo do meu dia para ler, mas simplesmente não consigo. Seja por crises de ansiedade, por estar muito cansada ou porque às vezes as palavras simplesmente escapam de mim, mesmo o livro estando diante dos meus olhos. Eu tenho tentado explicar isso para as pessoas desde que eu entrei na faculdade, mas acho que não obtive sucesso ainda. Eu apenas não consigo ler. Na faculdade, a maior parte dos textos me faz chorar porque eu preciso me forçar a ler e é simplesmente exaustivo mentalmente. Muitos (normalmente quando é uma leitura individual) eu só não consigo. É difícil encontrar algo que me interesse e me absorva hoje em dia. Eu tentei ser mais compreensiva comigo mesma em 2017 e não me forçar a ler se eu não conseguia, mas não teve como não me sentir culpada com todos os "Como você quer escrever se você não lê?". Eu quero ler. Eu quero mais que tudo meu ritmo de leitura de 2014 de volta, mas não acho que ele vá voltar tão cedo.
Outra coisa que me fez me sentir culpada é o fato de eu não ter lido praticamente nada de literatura nacional. Eu nem pude aproveitar ter lido tantos livros em inglês por cima dessa culpa. Mas eu comprei muitos livros nacionais e pretendo ler todos em breve. De novo, não foi por não querer, mas por não conseguir. Em 2018, o plano é ler mais por prazer. Na minha planilha de livros lidos, eu tirei as datas de começo e final da leitura, para que eu não fique me lembrando disso. Eu silenciei todos os threads de leitura da minha timeline. Quando eu quero ler, eu me sento e leio por várias horas (eu praticamente maratonei o livro que eu estou lendo anteontem e foi incrível), se eu não quero ler, tudo bem. Eu sinto que é cedo demais para que eu já me sinta tão mal em fazer algo que eu sempre amei. Então, eu preciso me afastar um pouco dessa bagunça toda e me encontrar. De qualquer forma, eis o top 5, constituído de 80% de livros em inglês:

Os 5 melhores livros do ano
1. Colorblind - Siera Maley
2. Lies My Girlfriend Told Me - Julie Anne Peters
3. Keeping Long Island - Courtney Peppernell
4. Dating Sarah Cooper - Siera Maley
5. Kaia e Valentina - Tati Alves [Ainda não publicado porque a indústria literária deste país é burra]

Livros em números
Livros lidos: 20
Livros escritos por mulheres: 18
Livros LGBTQIA+: 15
E-books: 14

  • SEÇÃO 3.3: CINEMA & TV
Eu estou em campanha para convencer meus amigos de que não adianta mais esperar que eu veja os filmes que eles querem que eu veja. Tanto que meu primeiro filme de 2018 foi "Um Cruzeiro Muito Louco" e eu adorei (exceto toda a storyline do Cody Simpson, que foi extremamente desnecessária). Em 2017 eu assisti um total de 16 filmes que eu não tinha visto anteriormente, dos quais apenas 7 eram lançamentos do ano. Desses 7, eu dormi durante boa parte de Logan (o filme é bom, mas eu estava com infecção intestinal e tinha antibiótico até a alma), achei It superfraco e odiei Liga da Justiça. Isso quer dizer que: EU NÃO TENHO UM TOP 5. Eu realmente gostei muito dos quatro filmes que eu listei, o que é uma coisa boa. Eu espero ver mais filmes este ano porque eu pretendo ir ao cinema com mais frequência, mAS EU DEPENDO DOS FILMES VIREM PARA O CINEMA DAQUI PARA ISSO ACONTECER. (Viva! A vida é uma festa! já não veio por causa do boicote dos cinemas à Disney e eu queria que vocês entendessem a minha revolta).

Os 5 melhores filmes do ano
1. Moana
2. Wonder Woman (Mulher-Maravilha)
3. Wonder (Extraordinário)
4. Descendants 2 (Descendentes 2)
5. ERROR 404 NOT FOUND

Eu comecei o ano vendo várias séries - mesma coisa já está acontecendo em 2018. É tão mais fácil quando eu não estou tendo aulas -, mas depois que comecei a trabalhar e estudar a coisa desandou muito. Eu realmente estou trabalhando na ideia de fazer as pessoas desistirem de mim quando o assunto é ver séries, porque eu até gosto de ver muitos meses depois, quando o hype já passou (eu assisti a segunda metade da segunda temporada de Master Of None semana passada e foi como se eu estivesse aproveitando a série sozinha. TÃO BOM). Eu funciono no meu próprio tempo.

As 5 melhores séries do ano
1. One Day At a Time
2. A Series Of Unfortunate Events (Desventuras em Série)
3. The White Princess
4. Raven's Home (A Casa da Raven)
5. Ride

Eu ainda não terminei as duas séries desse top que só tiveram uma temporada. Eu sou um ser humano consumidor de entretenimento horrível.

EEE terminamos. Preciso dizer que estou feliz em deixar 2017 para trás, mesmo que no próximo post eu ainda precise falar do Natal e do Ano Novo e que o ano não comece de verdade até o carnaval......... Eu nunca vou deixar 2017 para trás, vou? *suspiro*
Vejo vocês em breve,
G.