Diário Artístico: O jogo da espera

21:32

Olá! Eu estou muito cansada, não consigo nem pensar direito e não escrevo nada para mim mesma há quatro semanas (à exceção de três cenas de um conto), então, chegueeeei! Este post é um pequeno update sobre a minha vida profissional no momento, então se você é amiga minha ou é a minha psicóloga, pode pular o post e seguir com a vida normal. (Várias pessoas resolveram dizer que eu só falo da minha vida acadêmica ou profissional, então em uma manobra normal de Giulia, parece que eu vou me fechar ainda mais e só compartilhar as coisas aqui no blog. Eu não acho que vocês entendem o tamanho da minha paranoia, agora eu estou me sentindo um lixo de ser humano. Eu tenho problemas em compartilhar as coisas com os outros e saber que ninguém aguenta mais ouvir sobre o mesmo assunto, mesmo quando eu ainda quero falar sobre o mesmo assunto é horrível!! E não me deixa com vontade de falar de outras coisas, só paranoica mesmo.). Além disso, este post será um pouco mais pessoal do que vocês esperavam, porque ele é um grande desabafo. APROVEITEM!

Gif obrigatório de Kira Kosarin aka a única constante nos meus dias.
As observações causadas pela minha fase de adaptação pós-estágio me fizeram perceber o quanto da vida de escritor é dedicado a horas de trabalho sem fim que ninguém vê, porque o resultado ainda vai levar tempo para sair. Estou tentando dedicar minha atenção aos dias de trabalho, ao invés do resultado final. É fácil demais me sentir derrotada por não conseguir alcançar o resultado final rápido. Me sentir um fracasso por não ser publicada ainda, ao invés de ficar feliz por ter conseguido escrever cinco livros.
Criei uma tabelinha de banco de horas semanal, para preencher com o tempo que eu passei trabalhando cada dia da semana. Assim, eu consigo ver cada dia mais concretamente, e não me sinto um fracasso em um dia sem trabalho, porque percebo que trabalhei dez horas seguidas em outro dia. Além disso, fiz um diário de escrita para lembrar dos bons dias e sempre reviso mentalmente o que está acontecendo. Depois da última semana e de ter descoberto que eu vou poder dedicar mais tempo do que pensava à famigerada "arte pela arte" (aka trabalho não remunerado), eu estou tentando me concentrar no meu próprio trabalho, ao invés de nos resultados (o que é inacreditavelmente difícil para o meu ascendente em Virgem).
Eu tive um bloqueio gigantesco depois que saí do estágio. Foi um mês inteiro onde escrever foi a coisa mais difícil do mundo inteiro. E considerando o quanto eu queria apenas sair do estágio para poder trabalhar em algo que eu realmente amasse, vocês devem imaginar como eu fiquei mal por não conseguir produzir. Eu não consegui sair da minha própria cabeça e só escrever, mas como eu precisava fazer algo para não me sentir um lixo, eu resolvi tomar algumas decisões impulsivas apenas para ter algo em que trabalhar e torcer para que as deadlines me levassem em algum lugar. Enviei um monte de pitches para veículos que estavam pedindo, de desconhecidos a lugares onde seria bem legal ser publicada. Parte de mim queria a recusa. Qualquer desculpa para uma festinha de autopiedade seria maravilhoso. Ao invés disso, eu ganhei aceites. O universo tem um senso de humor sacana.
Eu ainda passei por um período de autopiedade, mais bloqueio, desespero, insegurança, síndrome de impostor, uma vontade desesperada de falar com alguém sobre isso, mas medo do que me diriam (Eu só preciso de ouvidos, não de bocas. É por isso que eu uso o Twitter. É como falar com ninguém e com todo mundo ao mesmo tempo. Mas eu sei que nem todo mundo que me segue lá e que está na minha vida têm o meu bem em mente, então até no Twitter eu tenho que tomar cuidado extra.). No fim, tudo que eu precisei para desbloquear foi um bom fim de semana sem pensar sobre, mas sem pensar sobre de verdade. Eu precisei ficar o mais bêbada que eu já fiquei na noite da festa de uma amiga minha que envolveu de tudo desde uma ida à emergência do hospital e criar uma conta no Tinder, até conversas bêbadas com o Uber às duas da manhã, passando pela porteira do condomínio mandando a gente falar mais baixo (meu Deus, aquela noite foi doida DEMAIS). Eu não senti que estava fugindo de uma obrigação porque eu também tinha a obrigação de passar um tempo com a minha amiga no aniversário dela, então eu pude aproveitar sem culpa. E quando eu voltei ao trabalho, eu voltei completamente leve.
Depois de estabelecer uma nova rotina, um novo sistema de recompensas e me centrar no meu próprio trabalho, eu consegui o ritmo que eu queria. Mas é claro que ansiedade não foi embora. E muito menos a síndrome de impostor. O trabalho não para, a faculdade também não, mas quase dois meses depois de ter saído do estágio, eu só tenho uma coisa a mostrar para vocês, mesmo que eu esteja fazendo mil. Eu disse que queria ter uma base de posts prontos antes de voltar com tudo com posts semanais para o blog, mas ela está sendo montada devagar e sempre. Além disso, os meus textos que foram aceitos e recebidos estão esperando retornos das respectivas editoras há semanas e eu ainda tenho mais alguns a escrever. Quanto mais tempo a resposta leva a chegar, mais paranoica eu fico. No momento eu tenho certeza absoluta de que só tenho boas ideias, mas não sei executar nada (e por consequência, não sirvo para nada) e ontem eu estava pensando se não seria melhor apenas desistir da escrita e virar "vendedora de ideias".

Vende-se: Ideias interessantes para pessoas realmente talentosas.

Mas paranoias à parte, as coisas estão acontecendo. Eu tenho um livro sendo analisado, uma novela sendo planejada, um conto quase escrito, uma participação em uma antologia carregando. Tenho textos sendo trabalhados em alguns veículos, agora faço parte da equipe regular do LesB Out!, site lançado ontem de cultura pop para mulheres LGBTQIA+, e eu quero lançar algo para o meu público falante de inglês (meu Deus, eu tenho um publico falando em inglês. Não sei se agradeço ou xingo a Kira por isso) esta semana. Eu vou aprender a ver meus êxitos com contentamento um dia, ao invés de usá-los como consolação. Sei que o que tenho e o que sou agora é tudo que eu queria alguns anos atrás. Então, eventualmente, o que eu quero agora, vai acontecer. No jogo da espera, o importante é não parar.
Até breve,
G.

P.S.: CÊS NOTARAM A MUDANÇA TOTAL DO LAYOUT DO BLOG? Eu precisava disso, desculpa não ter divulgado mais, mas aqui estamos.

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