Vamos falar sobre “The Fosters” e porque representatividade importa por Karina Costa

17:44

BOA TARDE! Vim só trazer a segunda participação especial do Mês Literário, dessa vez uma resenha! Sábado é dia de cultura pop, né, minha gente? Vou deixar as apresentações por parte de quem interessa:

Olá, pessoas da internet! Meu nome é Karina Costa, tenho 21 anos e sou estudante de jornalismo. Sou natural de Itabuna (BA), mas apareci aqui em Vitória da Conquista em 2015 quando comecei meu curso na Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). A minha relação com a escrita sempre foi de lugar seguro. Com as palavras no papel, eu consigo me expressar sem todos os olhares voltados diretamente para mim. Filmes e séries são duas grandes paixões, e por isso resolvi falar para vocês sobre uma dessas coisas. Espero que gostem!

Imagem: Freeform
“Não é de onde você vem, é onde você pertence”. Essa frase, que não por acaso, compõe o refrão da música-tema de “The Fosters”, consegue resumir o que eu vim falar sobre essa série: REPRESENTATIVIDADE. Em um mundo cheio de ódio e preconceito, a produção americana de Peter Paige e Bradley Bredeweg aparece como um sopro de esperança no amor e na empatia. Durante cinco temporadas e mais de cem episódios, “The Fosters” conseguiu abordar temas como homofobia, racismo, xenofobia, transfobia, questões de identidade cultural, estupro e muitas outras problemáticas sociais.
Sim, isso é tudo coisa muito séria, mas não achem que vocês vão ficar deprimidos o tempo inteiro. “The Fosters” tem sim sua dose de drama (às vezes parece que essa família nunca terá paz), mas o humor também não deixa de aparecer junto com o amor que parece pular para fora da tela. Stef e Lena são as matriarcas da família. Juntas, elas enfrentam a rotina caótica dentro de uma casa onde vivem cinco adolescentes, seus filhos: Brandon, Callie, Jesus, Mariana e Jude. É muita gente para apresentar, justamente por isso que não vou fazer, vocês vão ter que assistir a série para descobrir! HAHAHA.
O foco de “The Fosters” é justamente na rotina dessa família. Os dramas comuns de todo adolescente americano obviamente não podiam faltar na trama, mas o que importa mesmo é que essa série vai MUITO ALÉM DISSO. Um dos plots mais sensíveis e bem construídos da série gira em torno do Jude. Aos 13 anos de idade, o menino está descobrindo a sua sexualidade e por isso sofre bullying na escola. Com esse mesmo personagem, “The Fosters” mostrou o beijo entre pessoas do mesmo sexo mais jovens da história da Tv dos Estados Unidos. E o mais importante nessa história é que tudo foi mostrado de forma muito positiva, voltando à questão da REPRESENTATIVIDADE.
Então não, não é “mimimi” falar sobre representatividade. Eu tenho certeza que meninos de 13 anos que se identificam com o Jude e assistiram a essa cena, se sentiram menos sozinhos e mais acolhidos. É aqui que entra o “pertencer” da música-tema de “The Fosters”. A ficção cumpre sim o papel de te fazer sentir menos solitário, e acho que “The Fosters” é um abraço bem apertado para aqueles que precisam. Esse é só um pedaço bem pequeno do todo que essa série representa.
Personagens transgêneros são interpretados por atores transgêneros, um casamento entre pessoas do mesmo sexo acontece na mesma época em que é legalizado em Los Angeles e a questão da imigração é abordada ao mesmo tempo em que Donald Trump anuncia o fim do DACA (política de imigração criada por Obama em 2012 que autorizava temporariamente pessoas que entraram no país ilegalmente quando crianças a morar, trabalhar e dirigir nos Estados Unidos). Isso tudo só mostra a função social que “The Fosters” fez questão de cumprir.

Teri Polo e Sherri Saum. Imagem: Glaad
Se depois disso tudo, vocês ainda não entenderam porque deveriam estar assistindo “The Fosters”, dou a vocês mais dois motivos: TERI POLO E SHERRI SAUM. Assim como Stef e Lena na ficção, as atrizes que interpretam essas personagens se amam de verdade na vida real. Elas têm uma química incrível que ultrapassa o mundo de “The Fosters” e ganha vida aqui fora. E mais importante do que tudo isso, elas conseguem representar nas telas a comunidade LGBTQs sem cair em estereótipos normalmente vistos na televisão. Para finalizar essa resenha, queria apenas deixar vocês com esse diálogo maravilhoso.

Lena: Às vezes, quando andamos por uma vizinhança nova ou caminhamos até o nosso carro tarde da noite, nós não andamos de mãos dadas.
Jude: Por quê?
Lena: Algumas pessoas têm medo do que é diferente, e às vezes elas querem machucar pessoas como Stef e eu. Então, toda vez que estamos fora e eu quero segurar a mão da Stef, mas eu decido que não vou fazer isso, eu fico brava. Eu fico brava com as pessoas que podem querer nos machucar, mas também brava comigo mesma por não as enfrentar. Porque é o seguinte, se você é ensinado a esconder o que te faz diferente, você pode acabar sentindo muita vergonha sobre quem você é, e isso não é legal. Não há nada de errado com você por usar esmalte azul, assim como não há nada de errado comigo por segurar a mão da Stef. O que está errado são as pessoas lá fora que nos fazem sentir inseguras.
Fonte: “The Fosters” - S01E05

*“The Fosters” estreou nos Estados Unidos em 3 de junho de 2013 transmitida pela ABC Family e posteriormente FREEFORM. A série tem suas 4 primeiras temporadas disponíveis na Netflix Brasil. No dia 6 de junho de 2018, “The Fosters”  foi finalizada em sua 5ª temporada. Em 2019, será exibido pelo canal FREEFORM um spin-off focado na vida de Callie e Mariana, intitulado “Good Trouble”.

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