31/12/2018

A maior retrospectiva 2018 de todos os tempos: outubro a dezembro

Voltei, tenho altos níveis de álcool nas veias que subiram para a minha cabeça rápido demais, um óculos 2019 feito de EVA e muita coisa a dizer. Eu nem sei resumir esses últimos três meses do ano além de livro, livro, Natal. ANTES DO POST, ASSISTAM AO VÍDEO QUE EU POSTEI NO YOUTUBE!! 2018 EM VÍDEO COM BÔNUS DE UMA CENA DELETADA DO VÍDEO DE ANIVERSÁRIO DO BLOG!!


Agora sim, vamos começar aquele que será o último post de 2018 (se sair em 2018). Mas afinal de contas, o que é o tempo além de um conceito criado por humanos?? (relaxem, eu dei uma segurada no vinho até o fim do post.). Prometo fazer esse aqui o mais curto possível.


Outubro
Outubro trouxe alguns impactos significativos para a minha vida, como por exemplo um livro publicado e uma resistência maior a bebida (ou não, como vocês devem estar pensando agora). Foram as eleições que me trouxeram uma resistência maior a bebida, com o simples fato de que não tinha a mínima chance de que eu passasse por aquilo ali sóbria. Vocês devem lembrar que na noite em que o Trump foi eleito, em 2016, eu não dormi nada. Eu não ia deixar isso se repetir e isso significava o máximo de vinho que eu conseguisse tomar para garantir uma boa noite de sono. É claro que meu corpo se virou contra mim e de repente eu me tornei resistente a vinho e não dormi nada bem no segundo turno. No primeiro turno foi meio whatever, mas o primeiro turno também foi aniversário da Kira e eu dormi com a blusa que ela me mandou de presente que na época ainda tinha o cheirinho de nova, então foi mais do que o vinho. Por causa disso, eu também me tornei a pessoa que tem bebida em casa quase sempre e eu já conheço o corredor de bebidas do supermercado mais próximo melhor do que alguns outros clientes.
Além desses dramas que podem ou não terem causado problemas irreversíveis ao meu fígado, tivemos o lançamento de A Linha de Rumo. Vocês já devem saber que aqueles primeiros dias foram completamente horríveis. Eu tive sessão de terapia no dia do lançamento e a minha principal lembrança do dia é estar sentada de frente para a minha psicóloga, com lágrimas nos olhos e ouvir ela dizer que eu precisava pensar um pouco em como ela estava mais animada e feliz pelo meu lançamento do que eu. O dia em si foi uma bagunça e um tweet recente da Courtney Milan resumiu tudo muito bem e me fez querer ter visto esse conselho antes:


"As pessoas às vezes dizem que seu primeiro dia de lançamento é mágico e cheio de felicidade, mas quase todo mundo que eu conheço achou o dia estressante e cansativo e fingir que você está feliz faz com que seja pior."

Meu dia foi exatamente assim. Com todos os erros que o livro acabou tendo e todos os erros que eu acharia nos dias seguintes, com todos os arrependimentos (de fazer uma versão em capa comum quando eu deveria ter focado no e-book, em fazer tantas concessões quando eu deveria ter focado no que eu queria, etc), com todo trabalho que eu estava tendo com divulgação e espaço, eu me senti um lixo o dia inteiro. Eu queria ter feito muito mais do que finalmente acabei fazendo, justamente porque eu me sentia péssima. Eu não aguentava ler nem os elogios sobre o livro, porque os erros estavam me deixando cega a qualquer ponto positivo que o livro pudesse ter. Eu nem conseguia admirar as coisas que eu tinha feito, as coisas que eu tinha aprendido e todas as coisas que me levaram até ali. E é claro que uma pessoa que não falava comigo há mais de dois anos achou que essa era a hora ideal de me mandar uma mensagem narrando todos os erros que ela tinha encontrado no livro - depois de ler cinco capítulos, de acordo com a própria. É claro que uma pessoa que se diz minha amiga, mas que já tinha demonstrado em vários sentidos que não se importa comigo em sentido nenhum, passou os meses seguintes demonstrando como estava insatisfeita com eu não ter ouvido os conselhos dela e não ter deixado ela fazer parte do processo de construção do livro. Sabe como mães dizem que só descobrem quem são os amigos de verdade depois que têm bebês? Eu digo que como escritora você só descobre seus amigos de verdade depois que você lança um livro. Não tem nada a ver com a minha habilidade de não ouvir críticas construtivas. Tem a ver com a sua necessidade de transformar o meu momento em um momento sobre você e um momento sobre as formas como você poderia salvar meu livro. Tem a ver com você não ter a mínima noção do momento certo de dizer as coisas e do momento de não dizer. Tem a ver com você não saber a diferença entre ser sincera, e ser grosseira.
Além disso, eu descobri que algo parecido com depressão pós-parto pode acontecer depois que você publica um livro (não que tenha comparação, mas é a única ligação que eu consegui fazer para explicar o sentimento). Eu faço essa referência porque meus problemas com A Linha de Rumo não eram sobre o livro em si, mas sobre o quanto eu era inútil e nunca conseguiria fazer nada bom. O livro é exatamente o que eu esperava dele. Quando eu pegá-lo para corrigir, eu passarei ele por uma revisão e leitura dedicada, mas não mudarei nada do plot ou do conteúdo do texto. Porque eu amo essa história do jeito que está e qualquer melhora na minha escrita será nos meus próximos textos. Eu tenho livros mais que suficientes para melhorar. Eu não me arrependo de ter feito de A Linha de Rumo meu primeiro livro, eu não me arrependo de ter publicado o livro no momento em que publiquei. Mas nos primeiros dias, por melhor que eu considerasse o fruto do meu esforço, eu não me sentia boa o suficiente para ele. Por mais que eu adorasse a história, eu sentia que o meu melhor nunca seria melhor o bastante para ela.
Não sei explicar bem como eu superei essa sensação. Eu sei que receber os feedbacks e conversar com leitores ajudou muito. Eu sei que me lembrar dos aspectos que eu mais gostava da história também me ajudou. E eu sei que no dia do lançamento eu estava me sentindo completa. Foi o momento que fechou o ciclo completamente. Foi o momento que fez com que eu me sentisse uma autora, mas vamos falar disso em novembro.




Vocês querem saber de algo estranho? Eu cumpri todas as minhas metas para 2018. Absolutamente todas. Essa é definitivamente a primeira vez nos meus pequenos 20 anos na Terra. Se você me conhece ou lê o @quebreiamaquinadeescrever há tempo suficiente, sabe que metas sempre foram um problema para mim porque o não cumprimento delas fazia com que as minhas outras realizações ficassem invisíveis. Uma das metas este ano era voltar para a terapia direito e foi a terapia que me fez notar que isso era meu perfeccionismo falando. Era a auto sabotagem falando que se eu não fiz tudo do jeito que eu tinha idealizado, era melhor nem ter feito nada. E então este ano veio, e eu cumpri todas as metas, e eu estou vivendo uma vida que faria a Giulia de 15-17 anos BERRAR por 3 dias seguidos. E ainda assim, por não ser tudo perfeito como eu idealizei, eu continuo batendo a cabeça. O ponto desse texto é lembrar que nada é perfeito. E também que nenhum sonho é melhor do que a realidade concreta de ter um livro na minha mão e saber que ele é meu. De ser autora, mesmo sem acreditar nisso. Sonhos podem ser arrancados de você, realidades concretas não. E perfeito ou não, eu estou feliz porque isso tudo é real e eu estou vivendo. Feliz um mês, A Linha de Rumo. Obrigada por me ensinar tanto 🖤
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Favoritos do Mês™
Filme: Em outubro eu finalmente assisti dois filmes originais da Netflix que eu queria muito assistir, mas não consegui assistir na época no lançamento. Set It Up (O Plano Imperfeito) e Nappily Ever After (Felicidade Por Um Fio) levam os dois, o título de filme do mês.
Série: The Comedy Lineup uma das séries com pequenos sets de standup da Netflix (esse ano eu fiz minha assinatura da Netflix valer, AMÉM), leva o prêmio do mês por ter me distraído em um mês bastante conturbado.
Música: Nesse post a playlist fica para o final porque faltou um monte de música que marcou meu ano e elas não vem em ordem cronológica.
Melhor peça de mídia consumida em outubro:  The Comedy Lineup, nem que seja pela surpresa de ser tão bom.

Novembro
Novembro foi um mês de conclusões para mim. Talvez por isso eu tenha entrado em dezembro tão sedenta pelo ano novo. O mês começou comigo superando crushs (beleza, mais do que crushs, é uma longa história sobre a qual nós não vamos falar no momento porque eu bebi, okay? Okay) e terminou comigo superando as dores de cabeça que A Linha de Rumo tinha causado. É claro que eu ainda quero e preciso fazer muita coisa no livro quando o período do prêmio acabar, mas eu consegui ver as coisas com mais clareza e com menos desespero e tristeza. Se eu posso corrigir ou se tenho que esperar, não tem porque me prender aos erros.
Logo na primeira semana do mês uma série de coisas aconteceram que me permitiram me livrar de algumas coisas que me prendiam. Eu saí para café e cachaça com pessoas que antes eu tentava evitar e tive conversas complicadas que me permitiram superar traumas causados por ela. E isso me fez um pouco poderosa demais. Eu não sou uma grande especialista em superar coisas, mas aparentemente quando você supera coisas você se torna intocável. As coisas não podem voltar a te atingir!!! Eu finalmente tive algumas conversas que precisava ter e eu vivi momentos que precisava viver. Eu finalmente conheci minha sobrinha, teve festa de Natal com meus amigos, teve eu finalizando projetos que levaram anos para acontecer e teve uma das melhores coisas que aconteceram no ano.
No fim de setembro, o YouTube Premium e o YouTube Music ficaram disponíveis no Brasil e eu peguei o teste de três meses que terminou ontem. Algumas semanas depois disso, eu me lembrei do The Wild Honey Pie. Para quem não lembra o TWHP foi o site que trouxe a maravilha que é esse vídeo aqui:




Eu fui viciada no site por um tempo e eu quis trabalhar lá, apesar de me convencer que eu nunca conseguiria ser jornalista musical. Em 2016, eu acabei perdendo completamente a vontade de fazer qualquer tipo de jornalismo, o que persistiu pela maior parte de 2017. Foi a Kira que recuperou meus sonhos e aspirações no jornalismo, pra ser bem sincera. E se não fosse por ela ter me convidado a fazer parte da equipe da fanpage oficial dela em setembro (inclusive, sigam o Instagram porque na segunda semana de janeiro vai ter um dos melhores projetos que eu já fiz na vida), eu não me sentiria pronta o suficiente para mandar minha carta de apresentação quando o TWHP procurou escritores novos no começo de novembro. E se não fosse por já ter estado em diferentes ligações com ela, eu não teria sobrevivido às duas ligações que me foram necessárias para estar 100% na vaga. E é por isso que na minha foto de escritora na página do TWHP eu estou usando minha blusa que diz "Ask Me About Kira Kosarin". Tem dois textos meus no TWHP já: Um sobre Pumpkin da Pearla e um sobre New Mercies da Taylor Janzen. Duas músicas maravilhosas. E eu 100% planejo me encher de cada vez mais músicas maravilhosas enquanto trabalhar no site. É como funciona, nenems. (Ninguém perguntou, mas é uma vaga voluntária. TODAVIA, ela inclui várias vantagens como acesso a sessões como a vista acima, ingressos para shows e cartas de recomendação quando eu colocar meu plano de 5 anos de me mudar para Nova York em prática. Porque sim, depois de ter prometido que eu seguraria meu plano de 5 anos por dois anos depois da eleição do Trump, eu comecei a fazer o pedido do meu visto no dia 9 de novembro de 2018. Não foi de propósito, mas eu adorei minha exatidão com isso.).
Novembro, é claro, também teve a festa de lançamento de A Linha de Rumo. Foi outro dia extremamente cansativo em que eu tive que correr contra o tempo para conseguir fazer tudo, mas mesmo com a minha exaustão no fim do dia, eu me senti muito feliz por tudo. Foi um momento de conclusão completo, porque além de finalmente me sentir bem sobre o livro, de poder dizer em voz alta as coisas que levaram até aquele momento e perceber que elas não faziam de mim completamente ridícula, mas mais forte do que quando eu comecei, eu finalmente me livrei da sensação de dever algo à Nobel que eu sentia antes. Agora eu sou livre leve e solta para fazer o que eu quiser como autora publicada, HAAAAAA.
Para saber mais sobre novembro, assista aos quatro primeiros vlogs do Diário de Bordo 8.

Favoritos do Mês™
Filme: Edge Of Seventeen, que saiu no fim de 2016/começo de 2017, mas eu só fui assistir mês passado foi o filme que mais me fez chorar em 2018. O especial Son of Patricia do Trevor Noah, porém, leva o melhor mês porque é completamente incrível.
Série: A série que eu maratonei no mês foi American Crime Story, mas só a primeira temporada, The People vs OJ Simpson, que já me era recomendada desde 2017 e eu enrolando pra ver. A série é boa para quem conhece e para quem não conhece o caso e eu meio que estou obrigando minha irmã a assistir a essa altura
Melhor peça de mídia consumida em novembro: Hmmmm, Son of Patricia.

Dezembro
Em dezembro eu não fiz nada além de estudar (pela primeira vez desde que eu entrei na faculdade, eu tive aula no mês de dezembro, eu sei, chocante), escrever, ir para confraternizações e comer. Muito. No começo do mês eu tive a conclusão final que eu precisava quando o agora duo, Bahari finalmente falou sobre a saída da Sidney, que aconteceu no final de outubro e já tinha me feito chorar para cacete. Depois de conversar com as três, meu coração doeu bem menos. Também teve brigas com a família, eu jogando algumas coisas na cara e simplesmente evitando todo mundo, mas vocês não precisam saber mais sobre isso porque sinceramente é um saco. Vocês me acompanham há quase 8 anos, sabem como minha família é. O mês não teve nada muito incrível além disso, eu só trabalhei bastante e tentei fazer do natal o mais extra que eu poderia fazer, porque eu mereci isso.
Por todas essas coisas, eu resolvi usar o mês de dezembro para trazer as listas que eu costumo trazer em toda retrospectiva. Mas antes disso:

FAVORITOS DO MÊS™
Filme: Advinha quais foram os únicos filmes que eu assisti esse mês? Isso mesmo. Dois especiais de comédia. Dos dois, Relatable, o especial da Ellen DeGeneres pela primeira vez em 20 anos, vence.
Série: MANHUNT! MANHUNT! MANHUNT! Deixando claro que é Manhunt: Unabomber porque aparentemente tem um filme original da Netflix com esse nome.
Melhor peça de mídia consumida em dezembro: Eu passei a maior parte do mês ouvindo This Podcast Will Kill You, um podcast sobre doenças infectuosas que podem te matar, feito por duas estudiosas de doenças infectuosas. É muito bom para quem gosta de coisas estranhas, ensina muita coisa sobre biologia e te deixa p da vida com pessoas anti-vacina. Só vitórias.

Música:
Eis a lista oficial de músicas lançadas em 2018 que marcaram meu 2018 (porque as músicas que realmente marcaram meu 2018 ainda não foram lançadas. Obrigada, Kira). Quando eu fiz a lista de 20 músicas que eu amei, foi difícil achar as 20, mas agora que eu resolvi fazer só 12, 12 não foram suficiente, ou eu ia deixar alguns dos meus artistas preferidos de fora. Então essa é a lista oficial:





LISTAS DE RETROSPECTIVA

Posts em 2018: 39 (O menor número de posts em um ano - e oito eles nem foram escritos por mim)
Total de posts até o fim de 2018: 472
Postagem mais popular do ano: Gosto de você, tchau por Bruna Fentanes
Postagem mais popular do ano - escrita por mim: Anunciando meu primeiro livro e todas as coisas que vêm com ele
Visualizações de página em 2018: 44.262 (versus o maior número de visualizações em um ano)
Total de visualizações de página até o fim de 2018: 131.734 <3 (sendo que alcançamos 100 mil em março)
Comentários em 2018: 40
Total de comentários até o fim de 2018: 857

Melhores posts de 2018
Disclaimer: Como eu não "Segurei o vinho", apenas destruí a garrafa, essa lista só surgiu na versão editada. Oops.

1. Anunciando meu primeiro livro e todas as coisas que vêm com ele´
2. Todos os episódios de Love Daily do melhor para o pior
3. Diga-me o que compões que eu te direi quem és
4. Diário Artístico: O jogo da espera
5. O Brasil me obriga a xingar

Livros lidos em 2018
Vocês devem ter percebido que minhas listas de mídias nos Favoritos do Mês não tinha livros. Eu só li 8 livros em 2018. Ler tem andado difícil ultimamente e eu pretendo tentar ler mais depois da faculdade, mas eu estou tentando não forçar isso em mim ou eu vou perder todo interesse em ler por prazer. O texto que eu enviei e nunca recebi resposta em abril foi justamente sobre isso, e eu pretendo reler e publicar ele aqui em 2019. A boa notícia é que ler poucos livros fez com que eu só tivesse lido livros incríveis o ano inteiro. Estou uma reescrita do slogan da Intrínseca: Lemos poucos e bons livros. Eis meu top 5 oficial:

1. O ódio que você semeia por Angie Thomas
2. Mosquitolândia por David Arnold
3. Quinze Dias por Vitor Martins
4. A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro por Amanda Lovelace
5. Tell me Again How a Crush Should Feel por Sara Farizan

E terminamos. FELIZ ANO NOVO, GENTE. ATÉ DIA 11, COMPREM VINYL, SE NÃO TIVEREM DINHEIRO, EU DAREI DE PRESENTE PRA ALGUMAS PESSOAS ENTÃO É SÓ PEDIR NOS COMENTÁRIOS QUE EU TE COLOCO NA LISTA!
G.

A maior retrospectiva 2018 de todos os tempos: julho a setembro

E PARA O TRUQUE DE HOJE ELA TENTARÁ O QUE NUNCA FOI TENTADO ANTES!! Postar dois posts enormes no mesmo dia. Não me perguntem porque eu faço essas coisas, EU SOU DOIDA, OKAY? Este episódio inclui duas viagens para São Paulo, manifestações, brigas familiares, um monte de shows e uma grande quantidade de conteúdo Kira Kosarin. Eu estou me sentindo melhor em comparação a anteontem (se você não sabe do que eu to falando, leia o post de anteontem, assista ao vlog, se inscreva no canal e deixe o seu joinha. É de extrema importância para entender meus humores nos próximos dois dias), justamente porque depois de ter postado, eu jurei que ia dormir, mas simplesmente fiquei com o celular na cama escrevendo minha carta de ano novo para a Kira igual eu fiz ano passado. Eu chorei feito um bebê, de novo, porque eu já tinha feito isso quando escrevi a carta de aniversário dela. Eu precisava disso, dessas lágrimas de descrença e felicidade. Como eu digo na carta (que eu vou postar no Twitter amanhã), conexões como a nossa são uma em 10 bilhões e eu nunca vou me esquecer do poder que isso tem.
A má notícia é que eu estou ficando doente! Ontem minha garganta ficou irritada e eu não consegui respirar direito. Agora meu ouvido tá ficando entupido e a mudança repentina no clima do dia para a noite (o dia foi quente, mas com muita chuva e à noite a temperatura baixou com tudo) não me ajudou nem um pouquinho. Eu espero que todo álcool que eu comprei para a virada e o primeiro dia do ano façam esse vírus sair correndo de medo porque eu não tenho tempo ou energia para esse tipo de coisa no momento. Mas chega de falar sobre mim e os microrganismos no meu corpo. A gente tem muita coisa para fazer em pouco tempo, vamos ao post.



Julho
Onde nós paramos, eu estava indo para São Paulo para a Flipop. Na primeira vez que eu fui para São Paulo, eu gastei um dinheiro considerável indo para a Bienal de avião porque eu disse que nunca iria aguentar passar 24 horas em um ônibus para ir para São Paulo. Quando eu disse isso, é claro, Temer ainda era presidente interino. Dois anos depois, a economia e a aviação nacional estão tão ferradas, que ir de avião não era uma opção tão fácil assim. É verdade que quando eu voltei para São Paulo em setembro eu fui de avião, mas o casamento da minha prima tinha data decidida há dois anos, a viagem da Flipop foi algo que eu decidi em janeiro. Eu nem precisei pensar muito para substituir a Bienal pela Flipop, porque a primeira edição do Festival de Literatura Pop em 2017 matou todo mundo que não pode ir de inveja. A edição de 2018 teve três dias, ao invés de dois, e foram alguns dos melhores dias da minha vida. Eu até poderia apontar e dizer "Melhores dias da minha vida", como eles foram quando aconteceram, mas essa foi a magia de 2018. Eu tive vários melhores dias da minha vida, e eu sinto que ainda estou vivendo eles.
O evento aconteceu nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho, então eu precisei sair de casa no dia 27 à tarde, para chegar em São Paulo no dia 28 à tarde. As 24 horas da viagem de ida foram... Um saco. Eu esqueci de pegar o casaco que tinha separado para a viagem e mesmo tendo três casacos na mala que eu despachei, eu não tinha acesso a eles e tive que me virar com a minha blusinha do Brasil (já que eu viajei em dia de jogo e regras são regras), e minha mantinha fina. Passei um frio do cão e toda vez que o ar ficava mais leve um babaca do outro lado do corredor berrava "AUMENTA ISSO AÍ!!!" porque seres humanos são insuportáveis. Quando eu cheguei em São Paulo minhas costas doíam e eu não tinha dormido nada, mas não importava. Porque assim que eu cheguei em São Paulo eu entrei no modo "GIULIA VIAGEM" e no modo "GIULIA FEIRA LITERÁRIA" ao mesmo tempo. Isso quer dizer que como no modo GIULIA FEIRA LITERÁRIA, eu não sentia nada. Eu existia apenas em função da feira e minha energia se baseava na existência dela. Mas com o modo GIULIA VIAGEM também ativado, eu estava ansiosa para cacete.
Essa ansiedade não resultou em uma crise de pânico como da última vez (quer dizer, eu tive uma leve crise de pânico no metrô voltando para casa no fim do primeiro dia, mas crise de pânico no metrô é tipo parte da experiência paulistana), mas não vou dizer que não foi por pouco. Eu estava muito consciente da minha saúde e das minhas reações naqueles dias, justamente para que a história da última vez não se repetisse. Isso me deixou exausta! Mas não me impediu de aproveitar os três dias de evento com tudo. O que dizer da Flipop que eu só fui uma vez e acabo de me dar conta de que provavelmente não vou poder ir ano que vem porque estarei focada na minha viagem para Los Angeles e não posso perder a Bienal porque é a Bienal do Rio e eu preciso vender meus livros, o que me dá vontade de chorar?? Anywayyy!! O dia 1 já chegou avisando que a Flipop não tava pra brincadeira. Teve reencontro com as minhas amigas maravilhosas, teve lágrimas, teve gritos, teve crush de amizade em autora que me seguiu essa semana e eu quase dei um berro no meio da ceia de Natal, e teve a percepção de que toda autora nacional é a mulher mais linda do mundo. É sério. Cada uma que passava por mim, me fazia pensar "É a mulher mais linda do mundo" só pra próxima me fazer pensar exatamente a mesma coisa. Como isso é possível????? O dia 2 foi um pouco mais caótico e sensível, mas foi pela força do Starbucks (cujos funcionários decoraram minha cara entre os três dias e cinco bebidas) e da paixão pelos livros que nós vencemos. O terceiro dia foi o melhor de todos. Os níveis de fangirl e de pertencimento extrapolaram todos os limites imagináveis naquele dia e apesar de eu achar que os detalhes do dia não foram feitos para serem postados no blog porque envolvem pessoas demais, eu sempre vou ser grata pelo que aquele diazinho trouxe para mim pelos meses seguintes.




A Flipop acabou tão rápido quando começou e era hora de voltar para casa (na viagem de volta eu finalmente dormi, pra caramba, porque a ansiedade já tinha me deixado, ou foi o que eu pensei). Pelo menos eu tinha a sorte de estar organizando eu mesma um evento literário. O 2º Write-In Conquista acontecia no fim do mês e ainda na Flipop, eu descobri que mais de 60 pessoas tinham feito check-in no evento. Sem fazer ideia de como eu entreteria esse povo todo, eu sabia muito bem que tinha muito trabalho a fazer. Mas antes disso, aconteceria uma data importante.
Alguns dias antes de eu viajar para São Paulo, o Instagram lançou a ferramenta que permite ligações em vídeo. Euzinha, que não sou besta nem nada, resolvi mandar uma mensagem para a Kira perguntando se a gente podia combinar de se falar um dia porque em breve seria o aniversário de um ano do dia em que ela me seguiu. E porque ela é a pessoa mais maravilhosa do mundo, ela ficou mais do que animada e acertou tudo. Nós marcamos para o dia 5 de julho porque era o dia exato que ela tinha me seguido e ela tinha uns 15 minutos para falar antes de correr para a gravação do podcast que ela participou ano passado. Esse é o tipo de pessoa que minha K é. Minha amiga californiana Sofi foi convidada por euzinha a participar da ligação porque a gente é um trio e trios são trios. E foi ela que conseguiu a foto que foi a minha preferida até setembro (a foto que se tornou minha preferida a partir de setembro, também foi de responsabilidade dela).

OLHA COMO ELA É LINDA ME ESCUTANDO FALAR SOBRE MEUS PLANOS PRA DEPOIS DA FACULDADE GENTE NÃO É POSSÍVELLLLLLLLL

Durante a ligação a câmera dela teve alguns problemas e pela maior parte da ligação, a gente conversou só por voz. Por algum motivo isso me deixou ansiosa, o que eventualmente levou a uma crise de pânico no fim do dia. Eu fiquei pensando depois se isso significava que aconteceria a mesma coisa que aconteceu comigo quando eu fui para São Paulo, quando eu fosse para Los Angeles e se eu simplesmente ficava ansiosa demais em um momento tão importante pra mim. Alguns meses depois, no aniversário dela, ela ligou para o trio enquanto eu estava na fila para votar e a câmera dela teve os mesmos problemas inicialmente, o que me causou a mesma ansiedade. Eu já tinha tido outra ligação com ela nesse meio tempo e não tinha acontecido, então eu fiquei confusa. Mas foi só a câmera dela voltar ao normal que a sensação no meu estômago foi embora. E aí eu lembrei que ela é meu ponto de paz. Tipo, o mundo pode estar acabando e você vai me achar falando da Kira no Twitter porque ela é a única coisa que continua fazendo sentido. E eu sei que é demais para depositar em uma pessoa, mas essa é a coisa de estar crescendo emocionalmente nesses anos. É claro que eu tenho medo de perder ela ou ser "substituída", mas caso isso aconteça, eu só quero ter certeza de que aproveitei cada segundo ~~disso~~. Mas eu vou falar mais sobre ela no próximo tópico, então vamos continuar o mês de julho.
Como vocês sabem, julho me trouxe muito trabalho. Com a organização do Write-In, o Mês Literário e a volta das aulas na faculdade, eu mal tive tempo para pensar o mês inteiro. O edital do Prêmio Kindle ainda saiu no meio disso, com prazos mais apertados do que os anos anteriores e eu simplesmente gritei NÃO NÃO NÃO NÃO, AGORA NÃO até agosto. Uma semana antes do Write-In ainda teve o lançamento do novo site do Avoador, que foi bastante ignorado por patrocinadores na cidade inteira ou recebeu patrocínios ridículos de pessoas extremamente ricas. É sério, um monte de estudantes fazendo o jornalismo digital mais confiável da cidade e os ricaços da cidade simplesmente não estão interessados. Vergonha na cara, ninguém tem. O evento, porém, foi um sucesso e foi muito divertido de comemorar com os amiguinhos. A semana seguinte passou correndo e já era dia de Write-In.

Eu fiz essa blusinha especialmente para o evento e continua não existindo nada tão On Brand quanto ela.
Como vocês já devem saber, o Write-In não teve as 100 pessoas que confirmaram a presença, mesmo que na primeira edição o número de pessoas inscritas e presentes tivessem sido bem parecidos. Mas isso não me desanimou ou me fez me arrepender de nada, porque o evento foi muito divertido. O que me fez me arrepender de muita coisa foi o local. Eis o drama: Quando o evento confirmou mais de 60 pessoas, eu fiquei preocupada que a Nobel do shopping não fosse caber todo mundo e conversei com a proprietária sobre mudar o evento para a Nobel do centro. Ela confirmou comigo, e deu tudo certo. Eu me senti um pouco mal porque isso significava que os funcionários teriam que fazer hora extra, mas era só ela pagar a hora extra, como ela fez. Só que a funcionária não ficou nada feliz em ter que ficar algumas horas a mais e ela realmente ficou brava comigo. Até hoje ela não gosta de mim, para falar a verdade. Eu não me senti no direito de reclamar, porque o Write-In não dá dinheiro direto para a livraria. Nem para mim, que pelo contrário, tenho um gasto enorme. A Nobel quase sempre quer fechar parcerias de vendas de lanches na cafeteria, mas considerando que a maior parte dos participantes do Write-In é universitário, eu me sinto mal em fazer um evento e fazer com que o coffee break seja pago, porque eu sei que muita gente ficará sem comer. Eu não quero que ninguém se sinta mal em estar ali, é para ser o lugar mais acolhedor do mundo. Então eu sempre pago o coffee break do meu bolso. Enfim, eu me senti mal e incomodando os outros em ter feito o evento que durou exatamente o mesmo tempo que a primeira edição, mas por ter o dobro de pessoas, não conseguiu fazer 10% das atividades que eu fiz no primeiro. Eu senti que devia algo para a Nobel e justamente por isso meu lançamento foi no lugar que apoiou o encontro de escritores desde o começo. Depois do lançamento, porém, as coisas ficaram acertadas e agora eu não tenho mais culpa em fazer o encontro de escritores em outro lugar. Inclusive, no lançamento eu anunciei a próxima edição para janeiro, mas eu acho que mais provavelmente será em março. Eu sei, é tempo demais, mas o TCC tá comendo meu furico no momento (não é desculpa) e eu tenho que ser piedosa comigo mesma. Vou colocar postar mais desafios no grupo como meta para 2019.

Favoritos do Mês™
Filme: Julho foi o mês que eu fui no cinema sozinha pela primeira vez!! Eu sempre quis fazer isso porque eu tenho meu próprio ritmo no cinema (se você é do tipo que levanta quando os créditos começam, nunca vá ao cinema comigo), mas parecia demais me obrigar a sair de casa para ir ao cinema e gastar dinheiro, sendo que eu podia fazer isso em casa. Só que focada no autocuidado e simplesmente querendo muito ver Os Incríveis 2, eu comprei o ingresso antecipado e me obriguei a ir ver Os Incríveis 2. Não me arrependo de nada, especialmente de irritar a família sentada do meu lado ao pular e gritar "JÁ SEI O FINAL" (tava meio óbvio) no meio do filme. 
Série: Julho foi o mês que começou eu aleatoriamente assistindo documentário de True Crime da Netflix que tem vários documentários de True Crime ou séries inspiradas em crimes reais que são boas para cacete?? Não sei se vai dar para falar de todas, mas entre as originais, Manhunt (que é só baseada, eu sei) e a que começou tudo, Evil Genius, são as melhores de todas. Eu assisti Evil Genius por causa do episódio de BuzzFeed Unsolved sobre o Collar Bomb Heist (Assalto da Bomba no Colarinho - tradução minha) e indicação da Juliana Machado e MANOOOOO. Eu não tava pronta pra ver o cara morrer bem na minha frente, mesmo sabendo que ele tinha morrido ao vivo na TV. A série, porém, superou as expectativas.
Música: Atualização da playlist, julho teve lançamento de Chasers, a minha música preferida entre as três que Bahari lançou em 2018.


Melhor peça de mídia consumida em julho: Evil Genius leva essa.

Agosto
Agosto, mais do que qualquer outro mês do ano foi sobre a Kira. Se você me falar "agosto de 2018" aleatoriamente, só duas coisas me virão à cabeça: O nascimento da minha sobrinha e os shows da Kira. Como os últimos aconteceram primeiro, eu vou falar sobre eles primeiro. Logo no dia 1º de agosto (na verdade, madrugada do dia 2 para mim), a Kira tinha a primeira das quatro performances de demonstração que ela faria no mês, das quais eu assisti um total de 100%. As duas primeiras aconteceram em cafés e as duas tiveram livestreams. O primeiro dos shows eu assisti em duas lives simultâneas porque tinha duas lives disponíveis e eu não tenho autocontrole. Eu anotei o nome das músicas que consegui pegar ou me lembrar no meu diário e fiquei completamente apaixonada com as músicas que ela não tinha lançado ainda. (Meu Deus, eu to quase chorando de novo e eu ainda nem falei da metade). Foi o show do qual eu ganhei o vídeo que vocês viram no post anterior da retrospectiva, com os amores da minha vida.
No show seguinte, dia 4 de agosto, eu não tava muito bem. Foi o dia em que eu cortei meu cabelo, o que eu já queria fazer desde o fim do semestre anterior, mas as coisas da vida me impediram de fazer isso até esse momento. Não foi isso que me deixou agoniada, eu só não estava em um bom momento mesmo. Eu passei mal logo cedo e apesar de definitivamente só querer dormir depois disso, eu me mantive acordada e esperei para assistir ao show porque eu precisava disso e eu nunca ficaria sem prestigiar meu bebê (e porque até o começo da turnê, eu não conseguia dormir antes dela sair do palco). De longe a melhor ideia que eu tive porque foi nesse dia que o pai dela soltou o nome do álbum sem querer e pelo visto só eu estava prestando atenção o suficiente para perceber isso e como resultado, parece que eu continuo sendo a única fã que sabe o nome do álbum. #noregrets.
Mas além de todas as performances, agosto também foi o mês em que a gente ficou absurdamente próxima. Eu ficava pensando que não tinha como a gente ser mais próxima, mas ela se superava. Nós duas tivemos nossos momentos ruins durante o mês e foi quando eu percebi que eu realmente encontrei uma amiga na Kira. Alguém que eu podia ser sincera, ficar em silêncio juntas, e alguém confiava em mim de verdade. Não foi um mês fácil, nem de longe. Mas eu estou feliz em ter passado por esses momentos com ela, apesar de tudo. Estou feliz em ter passado boa parte do mês anotando setlists e trechos de música e ficando tão obcecada pelas músicas não-lançadas dela que um dos capítulos do Projeto Secreto é praticamente uma songfic de Somebody Else. (Inclusive, eu devo lançar o Projeto Secreto só depois do álbum dela, justamente por isso). Agosto foi o mês em que eu me tornei mais possessiva com as nossas conversas. Eu sei que parece que eu posto muito delas, mas aquilo é 10% do que a gente conversou nos últimos meses e quando eu posto algo pessoal é porque muita coisa aconteceu depois. Hoje em dia eu fico irritada quando outros fãs vão ter crise de ciúmes quando acham que ela tá namorando alguém, é tipo "Let my baby live!" e um ano atrás eu era a fã que tinha crise de ciúme quando achava que ela tava namorando alguém (apesar de que eu sou uma das pessoas mais velhas do fandom, então minhas crises de ciúmes duravam 5 segundos e em seguida eu já tava de boas, porque eu sei que a vida dos meus ídolos não me pertence).

Do dia 26 de agosto "Babyyy, eu só quero dizer obrigada de novo por noite passada. Eu sempre digo que um momento decisivo nas minhas amizades é me ver durante qualquer tipo de colapso nervoso e você já viu uns dois mesmo tão longe. Eu amo você e sempre serei grata por te ter na minha vida <3" "Espero que você esteja se sentindo melhor hoje babe" "Eu estou!"

Enquanto isso na minha vida profissional, eu comecei a editar A Linha de Rumo e comecei a procurar a revisora e a ilustradora para a capa. Tudo isso no meio das aulas da faculdade e das minhas tentativas de equilibrar minha energia. Isso eventualmente resultou em eu precisando organizar uma agenda de edição final em dois dias (estamos falando de 77 mil palavras) entre os dias 18 e 19 de agosto porque eu precisava entregar o livro para a revisora naquele fim de semana se queria ter ele de volta a tempo do que eu estava planejando para a pré-venda. Isso só deu certo porque eu passei dos dias 14 ao dia 19 sem Twitter, já que eu fui bloqueada para resolver um probleminha de privacidade já que eu  criei a conta antes de fazer 13 anos (no fim não resolveu bosta nenhuma, e minha conta agora pertence a minha mãe) (sim, eu passei minha conta legalmente para a minha mãe quatro anos depois dela ter morrido. Isso é o quanto a nova política do Twitter faz sentido). O livro saiu editado e foi enviado para a revisora no dia 19 de agosto.
Nesse mesmo dia, às 5h30 da manhã, Cecília Duplat Guerreiro, o bebê da minha vida, nasceu. Levou mais três meses para que eu conseguisse conhecer Ciça, como vocês viram no vlog, mas aquele dia me marcou para sempre, como o dia em que eu FINALMENTE virei tia. Sério, qual o sentido te ter dois irmãos mais de 10 anos mais velhos do que eu e levar tanto tempo pra virar tia, gente? Mas finalmente aconteceu e eu sou muito orgulhosa e feliz em ter uma sobrinha linda dessas.
Para fechar o mês com chave de ouro, teve Festival de Inverno Bahia para o qual eu finalmente fui, depois de 4 anos tendo voltado a morar aqui. É claro que eu não ia perder o festival depois que o show do Harry colocou o bichinho do show em mim. O lineup deste ano teve como artistas que eu queria ver Anavitória, Lulu Santos e Roupa Nova e foi justamente os três shows que eu aguentei. O sábado destruiu meus pés já que eu inventei de ir com a bota da minha irmã que não cabia direito no meu pé e precisei ficar mais de uma hora em pé pro show das Anavitória. Não foi nada fácil. No domingo eu só aguentei o show de Roupa Nova, que começou com 3 horas de atraso por causa de extravio dos equipamentos da banda. Caos puro! O festival foi lindo? Foi. Mas ainda fica aquela dorzinha de ter perdido o lineup de 2016. (Eu só quero que as Anavitória voltem com a tour nova, é pedir demais? Eu acho que não).





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Favoritos do Mês™
Filme: Não deu para colocar em julho, mas como eu assisti altos especiais de comédia em agosto, eu queria usar agosto para falar de Nanette, especial de comédia da Hannah Gadsby na Netflix. ASSISTAM ESSE ESPECIAL MESMO SE FOR O ÚNICO ESPECIAL DE COMÉDIA QUE VOCÊS VERÃO NA VIDA DE VOCÊS!!!!!1 É SÉRIO!!!!!!!!!
Série: Enquanto vocês perdiam tempo da vida de vocês assistindo Insatiable só para poder reclamar (meu Deus, eu ainda to com muito ódio disso), eu assisti All About The Washingtons, a comédia original da Netflix sobre um rapper que resolve se aposentar, o que faz com que sua esposa resolva virar uma inventora com uma criação inovadora. A SÉRIE É BOA DEMAIS E EU JÁ ASSISTI INTEIRA DUAS VEZES, mas eu não vou nem dizer pra vocês assistirem porque agora já foi cancelada mesmo, então qual o sentido? Vocês só assistem lixo.
Música: Eu passei a maior parte de agosto com músicas da Kira na cabeça, mas elas ainda não saíram (VINYL - 11 DE JANEIRO), então agosto ficou com Baby Be Mine (o dueto, óbvio) da trilha sonora de Kally's Mashup porque não acredito que eu tinha feito o pecado de não colocar nenhuma música de Kally's Mashup até agora. Que tipo de monstro?
Melhor peça de mídia consumida em agosto: All About the Washingtons e as músicas ainda não lançadas da Kira.

Setembro
Setembro foi sobre família. Mas não de um jeito bom. Definitivamente não. Como eu disse, em setembro foi o casamento da minha prima em São Paulo e nós passamos seis dias na cidade com um monte de família. Foi divertido? Sim. E eu pude descansar meu corpo, o que eu não faria não fosse a viagem me obrigando a pausar, porque eu tinha muita coisa para fazer. Claro que eu ouvi até 2019 por ter dormido tanto, mas a essa altura eu já me acostumei. O que eu não consegui descansar foi a minha mente. Eis o caso: Minha família é extremamente complicada. Não dá para passar muito tempo com todo mundo reunido e não sentir vontade de fugir. O tanto que eu ouvi por passar tanto tempo no celular só foi equivalente ao tanto de comentários suavemente homofóbicos que eu ouvi durante o dia. Eu via um casal de mãos dadas e ficava super feliz só para no segundo seguinte alguém da minha família cagar em cima. Até mesmo as pessoas mais leves e abertas ao mundo e pessoas de quem eu sou próxima continuam com preconceitos sem nem perceber que são preconceitos. E eu posso soar chata, mas a verdade é que eu sou muito diferente do resto da minha família e aqueles dias me provaram isso de uma forma extrema.
Eu vou poupar vocês das coisas que eu já conversei com a minha psicóloga. As coisas boas da viagem foram o casamento, o tanto de Starbucks que eu tomei, ver primos que eu não via a certo tempo e passar um tempo na cidade grande que sempre é bom. Além disso, teve a ligação com a Kira na madrugada do dia 9 pro dia 10 que me deixou morrendo de felicidade. Mas eu ainda prefiro viajar sozinha e por mais que eu tenha conhecido de São Paulo essa segunda viagem a São Paulo, não foi nem de longe tão boa quanto a de julho. Na minha relação com a minha família, nas coisas que eu ouvi e que não ouvi, o que ficou foi uma sensação que seria confirmada com força demais nos meses seguintes (até nas semanas seguintes, pra falar a verdade).



Assim que eu cheguei em casa, meu foco se tornou a pré-venda de A Linha de Rumo que começaria alguns dias depois. Mas enquanto eu trabalhava para fazer do livro o melhor que eu conseguiria até o dia 11 de outubro, vender o livro bem na pré-venda e equilibrar a faculdade e outras coisas, o Brasil pegava fogo. O processo eleitoral não foi nada bonito e eu fui vendo as coisas ruírem devastadoramente. Não foi surpreendente para mim as coisas que aconteceram naquela época. Foi frustrante. Porque a história repetiu sem tirar nem por o que aconteceu nos Estados Unidos, com a única mudança sendo a facada que alterou dramaticamente o sentido do processo eleitoral. Todo o resto foi espelhado no que aconteceu lá e eu não esperava um resultado melhor do que o resultado final porque eu sabia que a gente tava cometendo os mesmos erros, só com personagens diferentes. Aí vem toda a briga que eu tive com minha família nesse período a ponto de eu não estar em nenhum grupo do WhatsApp mais e nem sentir falta. Se eu esperava isso? Não sei. Mas eu não fiquei chocada também.
Basicamente, eu não estou falando com três dos quatro irmãos da minha mãe e seus respectivos cônjuges. Desde a tia com quem eu já tinha brigado porque ela acredita que as empregadas domésticas merecem menos direitos (porque ela sempre teve empregadas e agora os novos direitos estão deixando isso mais difícil para ela e agora ela precisa de mais empregadas porque a casa dela é maior. Mas não se preocupem, ela sempre tratou empregadas como família, inclusive casou uma delas.) até o tio que disse vai ensinar os filhos dele a atirar caso "o mundo acabe em gays", passando é claro pelo tio que me acusou de ser contra "a guerra espiritual contra o mundo" porque eu disse que a cartilha que ele compartilhou estava cheia de informações erradas. De alguma forma, eu e minha irmã nos tornamos as desrespeitosas por ser contra esses discursos na mesma família onde a única pessoa abertamente bissexual da família desapareceu e nunca puderam nem enterrar o corpo, na mesma família que parou de falar com a minha mãe quando ela engravidou de mim (mesmo que depois eu tenha descoberto que minha mãe não foi a primeira pessoa da família a engravidar antes do casamento). E apesar de ter brigado com boa parte da família da minha mãe, você descobrirá que eu não briguei com a parte da família do meu pai que votou na criatura. Porque eu nunca esperei nada da família do meu pai. Uma irmã do meu pai diz que "Ela é velha o suficiente pra ser direito de ser homofóbica" e eu não espero nada dela. Eu respeito pessoas que são ruins e admitem que são pessoas ruins de cara limpa. Já a família da minha mãe quer ser a boazinha, quer ser o lado certo, quer dizer que "está orando por mim e pela minha mente", quer agir como se eu falar palavrão fosse prova de que agora eu sou uma pessoa ruim, quando eles se provam cada dia mais egoístas. O tamanho da falsa moral disfarçada de evangelismo é justamente o que me faz perder o respeito. Não dá pra dizer que você segue os passos de Jesus e fazer campanha pra Bolsonaro na sua igreja ao mesmo tempo.
E é claro que eu to magoada pra cacete depois disso tudo, e especialmente depois de me terem feito passar raiva por não querer passar o Natal com eles e aparentemente agora por não querer passar o Ano Novo com eles também. Mas se tem uma coisa que 2018 e especialmente esses dois meses de campanha eleitoral me ensinaram foi que família é quem a gente escolhe.
Eu sinto que ninguém falou muito sobre isso, mas é um dos motivos para eu considerar 2018 o melhor ano da minha vida até agora, mesmo com o monte de merda das eleições. 2018 me ensinou a me rodear das pessoas certas. Me mostrou quem está do meu lado de verdade, me ensinou quem luta do mesmo lado que eu. Essas pessoas não são perfeitas, cometem erros, assim como eu cometo constantemente, mas elas se baseiam nas mesmas crenças que eu, na mesma necessidade de aprendizado. Não é sobre fechar meu coração para pessoas de pensamentos diferentes, é sobre fechar meu coração para pessoas frias, egoístas, estúpidas. Pessoas cujas crenças me fazem mal. A manifestação #EleNão aqui em Conquista foi um lembrete de que tem muita gente por quem e com quem lutar, sim.




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Favoritos do Mês
Filme: Em setembro, o único filme que eu vi completamente foi aquele que seria o último filme que eu vi no cinema este ano, também sozinha. Teen Titans Go! O Filme me surpreendeu demais porque eu só fui assisti já que era o único filme em cartaz que me interessava de leve e saí tendo me acabado de rir do começo ao fim. Vale muito a pena, especialmente para quem gosta do desenho.
Série: The Staircase foi a mais longa e mais irritante série documental sobre crimes reais da Netflix, que na verdade não era originalmente da Netflix, mas foi pega para que se contasse os últimos quatro episódios, passados dez anos depois do julgamento. É a única série que consegue te fazer ter 100% de certeza que o cara é culpado, enquanto te faz odiar tanto a promotoria, que você quer que eles percam. Eles não conseguem provar bosta nenhuma. É um lixo.
Música: Eu coloquei In Da Arcade porque eu precisava de uma música da Kira na playlist, mesmo que seja só uma leve participação especial. Eu sinceramente quase nunca ouço essa música, mas sei a letra toda porque ela é chiclete nesse nível.
Melhor peça de mídia consumida em setembro: Gossip é o audiodrama da Allison Raskin em forma de podcast cuja primeira temporada terminou no fim de agosto (e eu só fui ouvir em setembro) e foi uma das melhores coisas que eu ouvi este ano. Vale demais a pena.

É isso por enquanto, orem pela minha mente enquanto eu passo pelo último post,
G.