Então hoje eu não escrevi o dia todo. Menos agora, porque tipo, eu estou escrevendo nesse exato minuto, então vamos começar de novo: Essa é a primeira coisa que eu escrevo hoje.
Eu tenho meio zilhão de coisas pra escrever? Tenho, mas eu não estou sendo negligente dessa vez. Alguém me disse que está tudo bem tirar "férias", um bom tempo pra mim, pra pensar, pra me organizar, pra me reorganizar de outro jeito e pra depois bagunçar tudo de novo (porque eu não sou organizada né).
Tá, ela não disse tudo isso, mas a mais simples das frases tem um sentido muito completo pra mim. Ela foi a única pessoa que me disse isso. Todas as outras continuam dizendo pra que eu aprenda a agir sobre pressão, pra eu aprender a parar de ter medo de mudanças, pra parar de querer que as coisas sejam do meu jeito, pra eu parar de ficar vomitando por aí (humor negro depressivo, desculpa). Mas ela não, ela disse que tava tudo bem eu ter "férias". Mesmo. E como ela também tem um blog, não me levem a mal se eu ouvir o que ela disse no lugar de todas as outras pessoas.
O fato é que as vezes parece que o mundo resume-se em pessoas tentando provar que são alguém. Gente se matando pra ter o corpo perfeito, o amor perfeito, o emprego perfeito. Eu sei que isso é clichê pra caramba, mas eu não estou falando sobre isso porque fui ou a tentar ser alguém diferente (essa semana) (e hoje ainda é terça), e até porque pressão comigo não funciona em nada, lamento informar.
Eu tô falando isso porque em um ambiente de ensino médio você vê pessoas se matando de estudar, fazendo 50 cursos pré-vestibular, e querendo ser médicos, advogados, engenheiros sem talento nenhum simplesmente pra mostrar que conseguem ser alguma coisa da vida. E se sentindo um lixo quando tiram >nota >baixa.
E sabe o que é pior? Eu quero ser artista. Ser escritora e jornalista e mesmo que antes eu quisesse muito ser editora chefe de uma revista, ultimamente eu tenho pensado que ser só colunista e talvez me dedicar bem mais só aos meus livros (tipo a Carrie Bradshaw). E é óbvio que as pessoas julgam por isso (sim, até hoje julgam pessoas que sonham com arte. Pode perguntar até pra alguém que quer fazer ou faz curso de moda. É como "hmm, ela se diz inteligente, mas ela não quer tentar uma profissão desafiadora". Eu vi o olhar que a pedagoga da escola lançou pra quem escolheu "artes" quando a gente falou sobre as profissões que íamos escolher e ela queria que a gente fizesse mais testes. Para e pensa "Fulano de Tal aprovado em  5º em medicina" ainda soa muito melhor na propaganda da escola do que "Giulia Santana aprovada em 1º lugar em jornalismo" - não que eu vá realmente ficar em primeiro. Só um exemplo aleatório) Essa supostamente é uma profissão simples e sem pressões, certo? ERRADO. Todo santo dia eu só escuto o blá, blá, blá maldito de "você precisa começar a escrever pras pessoas", "achar um editor", "se matar de escrever", "não pode parar" e eu realmente me pergunto se passa pela cabeça das pessoas que eu tenho 15 anos!
Alôô, vocês conhecem minhas paranoias? OMT (One More Time, eu meio que voltei ao título original porque me dei conta de que todo mundo só conhece o livro por ele, e a editora ainda pode se intrometer nisso, então eu não sei) teve 8 versões antes dessa última e eu ainda vou mudar muita coisa na revisão. E eu não consigo tirar da cabeça que 90% dos meus contos tem uma ideia melhor pra um romance, do que meu romance real. E eu preciso me esforçar muito pra manter o foco em tudo e não fazer com que a Kat morda a Heather (pra quem não entendeu - hmmm, todo mundo? - eu estou falando sobre misturar histórias diferentes.),
Claro que eu quero ser uma escritora reconhecida (não famosa, nem rica, reconhecida. Mesmo que as pessoas me reconheçam pra dizer: "FOI VOCÊ QUE ESCREVEU AQUELE LIVRO! Conseguir que aquela merda fosse publicada é o que pode ser considerado um belo prodígio") um dia, e claro que eu realmente queria publicar meu livro o quanto antes, mas eu não preciso sair com ele embaixo do braço batendo na porta de cada editora agora. Um dia talvez, mas não agora. Sabe como é complicado pensar que você não está se esforçando o suficiente pra uma coisa que você realmente quer? Eu nunca saio, nunca estou em baladas ou festas e eu tenho tipo 43894834 histórias em andamento e ah é, UM LIVRO EM FASE DE REVISÃO. E todo mundo só me deixa mais complexada dizendo que eu não me esforço o suficiente. Eu me esforço sim!
E eu só tô escrevendo tudo isso porque eu passei o fim da tarde/inicio da noite lendo blogs de outros autores, lendo sobre a bienal (aliás, já já eu começo a falar da bienal feito de uma maluca aqui no blog - em casa eu já faço -, porque todo mundo está começando a fazer isso) e descobrindo coisas sobre as editoras que eu nunca imaginaria, mas ainda assim eu estou me sentindo mais do que culpada, porque eu deveria estar escrevendo. Alguma coisa além disso aqui.
G.

P.S.: A única coisa pra qual você pode dizer que eu não me esforço o suficiente é pra escola. Mas existem chances enormes de que eu não dê a mínima.