Entrevista comigo mesma: As Crônicas de Kat

FELIZ DIA MUNDIAL DO ESCRITORRRRRRR! Se você está lendo isso no dia 13 de outubro, você é moralmente obrigado a comentar que me ama.

Já que não teve Mês Literário em julho nos últimos dois anos, seria totalmente válido e aceitável fazer um Mês Literário em outubro este ano né? DIZ QUE SIM, DIZ QUE SIM, DIZ QUE SIM!! Não importa, vou fazer do mesmo jeito. Até porque esse mês eu tenho muita coisa legal pra contar, do NaNoWriMo 2020 a um evento literário virtual, passando, é claro, pela campanha de financiamento de Vozes e o tema deste post: As Crônicas de Kat no Wattys 2020.

Eu não planejava participar do Wattys (o concurso literário anual do Wattpad para premiar histórias populares na plataforma), mas depois da mudança das regras para 2020, o Wattpad me mandou uma notificação avisando que As Crônicas de Kat era elegível para o concurso, então eu pensei "claro, por que não?". Na pior das hipóteses, eu ganho leitores novos na história. Na melhor, eu venço e tenho ainda mais oportunidades com a literatura. Quer dizer, foi o Wattys que eventualmente levou Light as a Feather a ser adaptado. Light as a Feather!!! (Quem leu as regras pode estar se perguntando sobre a parte que pede que a história esteja disponível apenas no Wattpad. Mas não se preocupem, eu chequei e isso só vai ser um problema se eu vencer, e se eu vencer o fucking Wattys, tirar ACDK do ar aqui no blog não vai ser um problema.)

É claro que querer que pessoas novas redescubram As Crônicas de Kat quando eu não posto muito sobre desde que terminei de postar seria pedir demais. Então, depois de pensar no que eu poderia postar para atrair novos leitores, eu resolvi trazer de volta, exatamente dois anos depois, a Entrevista Comigo Mesma. Se você não leu a ECM sobre A Linha de Rumo, pare, volte e leia do começo. Mas a ideia é simples: Eu entrevisto a mim mesma, fazendo perguntas baseadas no que eu já queria dizer a vocês de qualquer forma. Essa ficou especialmente ridícula porque eu perdi o senso meses atrás. Ela contém spoilers, mas não spoilers de As Crônicas de Kat, só de As Bruxas Mayfair da Anne Rice (se não quiser saber, evite a pergunta sobre a Kat ser aroace). O caos é real.


Essa foto ficou meio assustadora, mas minha criatividade visual morreu, okay?


Vamos começar com perguntas para novos leitores e em seguida partimos para dúvidas que os fãs têm sobre a história, tudo bem?

A ideia foi minha, então sim.


Faz um resumo bem simplificado da história pra gente, sem spoilers:

As Crônicas de Kat é contada primeiramente pelos olhos de Katerina, uma vampira vitoriana que foi transformada pela mãe dela, uma bruxa que queria a vida eterna, mas não queria perder os poderes ao se tornar vampira ela mesma. Cada parte da vida de Kat foi arquitetada pela mãe que a sacrificou em seu aniversário de 10 anos em um pacto com o Inferno e a história começa em um momento que define muito bem o controle que sua mãe exercia sobre ela: Vampira, poderosa e independente, Kat deixa uma farra de sangue nos Balcãs para ir a Paris resolver um problema familiar.

Abandonar a vida mansa para salvar sua família, acaba mudando sua vida quando Kat conhece Ellie, a diretora de um orfanato de apenas 15 anos, e resolve transformá-la em vampira dando início a seu clã. Ao transformar Ellie, Kat precisa ensiná-la sobre o mundo vampírico e todo universo no qual ela se meteu. As duas começam a viajar juntas e conformem o fazem, Kat encontra novas meninas que quer transformar em vampiras e novas pessoas para ensinar tudo aquilo que sabe, o que eventualmente a faz questionar tudo aquilo que sabe. Suas viagens acabam a levando de volta a pessoas do seu passado e essas pessoas a trazem uma missão, escrita em profecias antigas: A de travar uma guerra contra o Inferno e recuperar as almas de todos os vampiros.


Isso não é demais para uma menina de 10 anos?

Nah, o universo de ACDK meio que quebra essa ideia de que vampiros ficam para sempre com a idade que tinham quando foram transformados. Claro que eles aparentam ter a idade que tinham quando foram transformados, mas a ideia de que se você for transformado aos 17 anos, você vai ter a mesma mentalidade 200 anos depois, foi inventada pela L.J. Smith pra vender livro pra adolescente que tem crush em professor. 


Menina, eu sempre achei essa parte bizarra. E o pior é que tipo ele passou 200 anos agindo como um jovem de 17 anos, mas aí ele conhece a personagem principal e eles "crescem" juntos pelos próximos livros?? Quer que eu acredite que ele não amadureceu nada por 200 anos??

E eu não li todos os livros de The Vampire Diares, mas na série se a gente levar em consideração que 20 anos antes o Stefan era um estripador matando mulheres, achar que a mente dele era a igual a qualquer garoto de 17 anos em 2009 é absurdoo. Ele era um homem de quase 200 anos dormindo com uma menina de 17 nas duas primeiras temporadas (a Elena só faz 18 anos no S03E01).

Eu acho que a única parte da idade da Kat que realmente ficou nela, foi o fato dela nunca ter amado ou experimentado amor até a morte. E isso foi feito de propósito pela mãe dela, é claro. Aos 10 anos o que você conhece sobre sentimentos vem do que você observa em seus pais, mas talvez com 13 ou 16 ela já quisesse experimentar mais liberdade ou outras amizades e ela não seria tão leal à mãe e aos abusos psicológicos dela. Eu acho que esse é um dos motivos pelos quais ter conhecido Ellie mudou algo em Kat. Ainda assim, ela tinha sido convencida do fato de que não tinha sentimentos e esse é o tipo de coisa que te faz reprimir tudo.


Eu tenho perguntas diferentes para fazer a partir dessa resposta. A primeira é: Ainda assim, a Kat é aroace* né? (*arromântica e assexual)

Yep. Meu bebê e primeira personagem aroace. O trauma da Kat e a sexualidade (e orientação romântica) dela são coisas completamente diferentes. Existe uma série de motivos pelos quais eu escrevi a Kat aroace. A idade dela faz parte de um desses motivos, mas não faz ao mesmo tempo: Um dos motivos para a Kat ter 10 anos é o fato dela ser bastante inspirada pela Mona Mayfair, a bruxinha de 10 anos da Anne Rice que é apresentada em Lasher (o terceiro livro da série das Bruxas Mayfair). A Mona é extremamente inteligente, corajosa, poderosa e muito, muito traumatizada. Mas além disso, e talvez por isso, ela é infantilizada e sexualizada ao mesmo tempo. E enquanto eu sei que a literatura de terror tem um absurdo de abuso sexual infantil e de hipersexualização, eu não consigo superar o fato de que o homem, adulto, que engravida ela é nunca deixa de ser o herói da história. O Michael é tratado como o pobre marido abandonado que perdeu a esposa e o filho e foi conquistado por uma femme fatale. E ela tinha 10 anos!! A Mona, uma personagem incrível por si só, se torna apenas um portal para o nascimento de um novo Taltos e a Morrigan a substitui e se torna a bruxa mais poderosa da família Mayfair. O abuso sexual sequer é questionado pela família.

Meu ponto é, a hipersexualização da Mona era um ponto fraco em uma personagem que é uma das mais poderosas do terror. Eu queria que a Kat seguisse um caminho diferente do dela. Todas as qualidades da Mona: O poder, a força, a linhagem, o senso de família, a coragem, o sarcasmo, a liderança por trás dos panos. Sem que esse abuso extra fosse adicionado. Claro que, como eu disse, a Kat não tem 10 anos para sempre, mesmo tendo um corpo de 10 anos, mas eu acho que seria um recurso narrativo muito ultrapassado resolver que só porque ela cresceu emocionalmente e quebrou a ideia que a mãe dela tinha construído de um sacrifício puro e imaculado, ela precisava necessariamente fazer sexo. A Kat matou sozinha mais pessoas do que o coronavírus nos primeiros dois meses transformada. Ela não precisava de sexo pra deixar de ser vista como pura. Até porque não existe necessariamente mácula no sexo. Mas existe mácula em homicídio a sangue frio.

Eventualmente, se você ler a história com atenção, vai notar a Kat experimentando atração estética. Além disso, ela desenvolve um vínculo intenso que vai além de amizade, mas você consegue perceber (em uma das minhas cenas preferidas na história inteira que eu literalmente uso para explicar minha sexualidade para as pessoas), que atração sexual ou romântica não está ali.


Uau. Okay, a segunda pergunta é: Você nunca se limitou à ideia de que suas vampiras tinham que se sentir culpadas por matarem humanos quando elas começaram sua jornada. Isso faz dela heroínas ou anti-heroínas?

Histórias de terror raramente são sobre o que as personagens são, mas sobre o que acontece a elas. Elas não são heroínas, nem anti-heroínas. Elas são meninas e mulheres desesperadoramente traumatizadas, literalmente causando uma guerra multidimensional para conquistar a própria liberdade na unha. A decisão delas não é baseada em fazer o bem ou fazer o mal, mas em conquistar a própria liberdade. Quando Kat fazia festins de sangue na Romênia, transformando cidades em cidades fantasma, ela queria a liberdade. E quando a Kat disse "Não destruir, não matar, é nossa primeira forma de revolta. Nos conter. Sobreviver por nós mesmas é nossa primeira forma de ataque. Não são regras, meninas. Foi uma ordem de guerra.", ela também estava buscando a própria liberdade. Ela não queria salvar o mundo, ela queria se livrar da expectativa que a trouxe ao mundo para poder começar a viver.



Vamos às perguntas favoritas dos fãs: A Kat foi pro Chile?

O final é aberto por um motivo. Se você acha que foi, então ela foi. 


Mas eu sou você, então isso quer dizer que ela foi?

Eu tenho minhas próprias ideias do que aconteceu depois daquela carta. Só que eu nunca escrevi e, muito menos publiquei essas ideias, então elas não fazem parte do cânone. 


Mas quais são as ideias que você tem do que aconteceu? Só pra gente teorizar daqui

Tá me achando com cara de Rowling? 


Beleza, beleza. Me conta em off depois.

Vai sonhando


A vampira que desapareceu morreu ou não morreu?

Você já ouviu falar no Gato de Schroedinger?


Eu sou você, então obviamente sim.

Então, você-sabe-quem morreu e não morreu ao mesmo tempo. Essa vai ser uma questão que eu nunca vou responder por completo. Mas eu pretendo lançar um conto no mesmo universo que vai explicar um pouco sobre o lugar para onde ela desertou originalmente.


Mas o Destino disse que ela morreu né....

A última morte da história vai justamente dizer que é possível fugir do Destino e quebrar coisas que já foram escritas. Então é possível que ela esteja viva, mesmo que seja provável que não. Por isso a Kat quis encontrá-la.


Você disse que queria Kira Kosarin como Tatiana Matrikov em uma série de As Crônicas de Kat. Tem outros atores que você vê em cada papel da história?

Chandler Kinney como Juliana Mayfair. Os outros personagens não tem ninguém que eu diga: "É ISTO". E eu quero que as gêmeas teriam que ser feitas por gêmeas. E eu adoro a ideia de que se a Kira fosse a Tatiana, o casting call pra Ellie teria que ser uma atriz parecida com a Kira só que com olhos azuis.


Você só adora porque a Ellie é sua personagem preferida.

Nada a ver.


Tem algo que você se arrepende de ter feito nessa história?

Algumas coisas. Mas é um arrependimento sábio: Eu sei que se eu estivesse escrevendo a história agora, faria de forma diferente. Mas eu sei muito bem que eu só sei que poderia fazer melhor agora, por ter passado por essa história quando era mais nova. ACDK me formou enquanto escritora. Eu tenho muito orgulho do universo que eu construí ali e se um dia eu escrever algo melhor é porque eu passei por As Crônicas de Kat primeiro.


Mas qual é uma coisa que você mudaria se pudesse?

"13 vampiras de 7 nacionalidades". Eu podia ter feito 13 vampiras, 7 ex-bruxas, como acabou coincidentemente sendo, mas nããããão, tinha que falar em nacionalidade. Apesar de que, sendo justa, ter ficado presa nesse conceito me ajudou a entender mais sobre nacionalidade, etnia e raça do que um americano com a mesma formação que eu.


Qual foi a morte mais dolorosa de escrever?

A última. Eu ainda choro sobre. Na verdade, eu escrevi aquele negócio sobre chorar pela morte dela ser um desrespeito à memória do que ela fez, justamente pra me convencer a parar de chorar. Mas até em Los Angeles eu chorei sobre a morte dela.


Era só não ter matado, sabe?

Não tinha final para ela além da morte e você sabe disso.


Tá, vamos terminar a entrevista ou eu vou chorar de novo. Algo mais que você quer que os fãs e os novos leitores saibam?

Se vocês gostarem da história no Wattpad, votem. Votem na história e votem em todos os capítulos preferidos, ou em todos os capítulos, se gostarem de todos. Mesmo que isso não afete diretamente os resultados do Wattys, afeta o acesso que as pessoas têm à história. E permite que mais pessoas cheguem à história. Comentem também e eu prometo que lerei com carinho. As Crônicas de Kat é uma ótima leitura de Dia das Bruxas.


E é isso. Leiam e vão me dizendo o que vocês vão achando da história. Lembrando que As Crônicas de Kat é uma história de terror e tem alguns gatilhos explicados na descrição da história.

Até a próxima,

G.

Postar um comentário

0 Comentários