Diário de NaNoWriMo: As vantagens de escrever livro triste

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Meu novo objetivo pessoal é fazer todos os updates este mês só com gifs de gatinhos digitando. Será que eu consigo?

Chegueeeei. Estou escrevendo esse post com sprints no canal do NaNoWriMo do Discord, depois de ter passado o dia com dor e sem vontade de viver, porque agora eu só consigo começar a escrever com ajuda de sprints. Para quem tá sofrendo com a escrita este ano, o grupo do Discord tá muito ativo e é uma mão na roda quando a gente tá precisando destravar. Eu começo e não consigo mais parar.

Eu sabia que o NaNoWriMo deste ano seria bem diferente dos últimos, mas nunca, até começar a escrever o livro, eu conseguiria entender o quanto ele seria diferente. Eu sou uma pessoa bem diferente de quem era em 2020. Nem sempre de uma forma positiva, mas esses últimos dias me fizeram perceber que saiu coisa positiva do último ano presa em casa enlouquecendo a mim mesma.

Até o dia 31 de outubro eu não sabia se eu queria começar o NaNoWriMo à meia noite ou no dia seguinte, já descansada. Porém, como eu sou ML este ano e ia rolar evento de kick-off eu resolvi já virar a noite escrevendo, com todo mundo. Foi bom para manter a tradição, eu sempre comecei a escrever à meia noite, mas o 1º dia de NaNoWriMo foi o único dia em que eu fiz isso. Na primeira noite, eu escrevi 1,155 palavras ou o primeiro capítulo. Foi gostoso e, como eu fiz isso acompanhada de um monte de gente fazendo a mesma coisa, fluiu bastante.

Quando eu acordei, tudo que eu queria era escrever. Eu só queria voltar pro livro e matar mais um capítulo. O problema é que eu tinha muita coisa para fazer e muito trabalho a terminar. Resolvi usar o livro como motivação para me forçar a terminar tudo o quanto antes e realmente trabalhei feito uma condenada. Só consegui terminar às 16h e corri para o livro. Escrevi mais um capítulo, terminando de escrever às 21h47, fechando o primeiro dia com 2,055 palavras. Aí fui fazer TikToks e depois ler.




Lembra que eu falei que este ano eu percebi o quanto rotina é importante? Ter sido diagnosticada com déficit de atenção me fez descobrir muito sobre como meu cérebro funciona e enquanto eu trabalhava em planos de contingência com minha psiquiatra e psicóloga, eu recebi várias broncas em relação à disciplina e a me forçar a trabalhar menos, porque eu não sabia parar. Quando eu precisei me parar de escrever durante os primeiros dias de NaNoWriMo, porque eu já tinha alcançado minha meta e como expliquei no post de anúncio, não quero simplesmente me matar, foi mais fácil do que era quando eu comecei a dizer "Não, chega de trabalho por hoje" para mim mesma no começo do ano.

Me adaptar a novas rotinas sempre foi uma dificuldade, porém, porque como grande parte das pessoas neurodivergentes, eu tenho muita resistência a mudanças. Então, imagina qual foi minha surpresa quando eu descobri que me adaptei facilmente a uma nova rotina com alguns dias de NaNoWriMo. Depois de ter trabalhado o dia todo no primeiro dia e ter conseguido escrever duas mil palavras, eu percebi que a escrita do livro seria acrescentada à minha rotina, não iria tomar conta dela completamente. Isso me ajudou, porque a sensação sempre é que eu não vou conseguir tempo suficiente para fazer tudo.

Agora, eu tinha uma rotina paralela no mês antes do NaNoWriMo começar. Era simples: Eu fazia o que tinha para fazer durante o dia e à noite eu ficava mandando currículo para todas as vagas que via na minha frente. Essa rotina estava me matando por dentro porque é completamente exaustivo enviar currículos e se inscrever em vagas de emprego sem saber o que pode acontecer se você sequer vai receber uma resposta. O começo do NaNoWriMo permitiu que eu mudasse isso. O tempo que eu passaria enviando currículos se tornou o tempo que eu dedico ao livro e quando eu termino mais cedo, eu uso o resto do tempo para ser criativa e fazer algo que eu amo.

Já no segundo dia de NaNoWriMo, a rotina já estava definida: Ou eu passo o dia todo escrevendo e vou trabalhar (o que grande parte dos dias significa escrever mais um pouco) depois das 18h ou eu passo dia trabalhando e vou escrever depois das 18h. Tem funcionado perfeitamente bem até agora. Inquestionavelmente bem. 2 mil palavras de meta diária, bem.

Eis minhas contagens para os próximos dias (palavras escritas no dia, não o total): Terça, dia 2: 3,126 palavras. Quarta, dia 3: 2,105 palavras. Quinta, dia 4: 1,695 palavras. A partir da sexta, eu quero fazer algumas tangentes.


Um aspecto muito importante deste NaNoWriMo é que eu estou reescrevendo o livro do zero. Isso não quer dizer que eu não aproveitei pequenos diálogos e cenas que eu tinha das 24 mil palavras que eu escrevi em 2019. É claro que mesmo essas cenas foram reescritas, repensadas então não, eu não estou roubando no desafio. A questão é que comparando os dois arquivos eu rapidamente percebi uma verdade absoluta: Eu sou uma escritora muito melhor hoje do que era em 2019.

Escritores sempre falam que a gente melhora todos os dias. Nós nos tornamos escritores melhores a cada livro que lemos, a cada experiência que vivemos, a cada palavra escrita. Mas mesmo sabendo disso e mesmo sabendo que eu serei melhor em dois anos do que sou hoje, eu não estava preparada para o QUANTO eu escrevo melhor aos 23 do que escrevia aos 21. No começo eu pensei que isso fosse um efeito colateral da pandemia, de todas as crises e todo crescimento emocional causado pelo trauma e nossas formas de sobrevivência.

Só que no sábado, quando eu voltei ao cinema depois de 21 meses para assistir Eternos e me peguei observando todos os aspectos do storytelling da clássico da Marvel de uma forma analítica que eu me dei conta de que não tem nada a ver com trauma: Eu sou uma escritora melhor aos 23 do que aos 21 porque nos últimos dois anos eu estudei PRA CARALHO. Eu fiz dois cursos de storytelling com escritores brilhantes. Enquanto eu criava a Oficina de Escrita Criativa e Quero Terminar Meu Livro — a Mentoria (sem link porque eu estou reformulando a mentoria) eu li livros completos e estudei muito todos os aspectos da escrita e publicação de um livro.

Sem continuar muito nessa tangente e sem querer transformar esse post em uma Estratégia de Venda™, a verdade é que a Oficina de Escrita Criativa está somente R$55 (CINQUENTA E CINCO REAIS) no momento e nos módulos eu falo sobre minhas experiências, apresento a bibliografia do curso e ofereço exercícios com feedback e certificado. Então, se você tiver interesse e quiser saber mais é só vir neste link e se já quiser ir comprar (em até 12x no cartão, ou por PIX, boleto e várias outras opções de pagamento) é só vir neste link aqui.


A última coisa a observar sobre essa reescrita, é algo que eu já falei no post de anúncio também: Quando eu resolvi reescrever o livro, eu resolvi reescrevê-lo como um livro triste. Ele sempre foi sobre luto e sobre se encontrar (e sobre algo que minha psiquiatra mencionou uma vez: como o primeiro ano após o luto era o mais difícil), mas a negação da protagonista deixava o livro leve e cheio de piadas na versão original. Nessa reescrita, a Mia está sombria e não revela muita coisa quando fala, mas o livro tem o tom mais triste. Além disso, eu cheguei em um capítulo do livro que eu gosto de chamar de Vamos Fazer a Mia Chorar.

Eu escolhi deixar o livro triste porque eu sabia que não conseguiria escrever qualquer livro que não fosse triste. Posso ir tão longe em dizer que eu precisava escrever um livro triste, para extravasar e processar todos os meus sentimentos recentes. O luto me atingiu de diversas formas em 2021, com perdas de familiares, de pessoas próximas e de figuras importantes na minha vida e eu sabia que estava no momento certo para escrever um livro triste que me ajudasse a processar tudo. Eu sabia que precisava deste livro e que ele me ajudaria a seguir em frente.

Na sexta, dia 5, eu tive uma sessão de terapia às 16h45. Na sessão, falei bastante sobre a sensação de que tudo pode mudar de um dia pro outro e de como essa falta de controle me afeta às vezes e sobre fazer coisas que estão sob meu controle enquanto isso. Falei sobre paciência, esperar e sobre luto e viver a vida. Terminei um pouco antes de 17h30. Assim que abri o Twitter, as notícias sobre a queda do avião da Marília Mendonça estavam disparadas na timeline. Abri a CNN ao vivo no YouTube para entender o que estava acontecendo e alguns minutos depois, a notícia de que ela morreu chegou.

Luto generalizado é uma coisa complicada. Figuras culturais significativas e poderosas são uma coisa complicada. Mesmo não sendo fã, você cria um respeito e admiração por alguém que muda um gênero cultural com seu talento e seu trabalho. Ainda não parece real a ideia de que nunca mais vai ter música nova de Marília Mendonça pra me fazer cantar junto com meus amigos na mesa de bar. Além disso, nos últimos dois anos, houveram diversos momentos de luto generalizado. Eu já conheço a sensação: é como ter o oxigênio dos seus pulmões substituídos por hélio e se sentir suspenso no ar. Algumas pessoas não morrem nunca, mas saber que elas não estão mais aqui causa uma confusão tão grande.

Eu ainda não tinha escrito quando as notícias chegaram e pelas primeiras duas horas depois disso, não consegui. Não tinha clima, não tinha concentração. Depois de alguns momentos, minha irmã veio assistir aula no meu quarto pra gente não ficar sozinha e eu resolvi ir escrever. E aí eu escrevi. Tudo de uma vez. Vômitos de palavras que estavam presas na garganta. Escrevi até a suspensão diminuir e eu voltar a sentir o mundo novamente, mesmo que com luvas de feltro. Foram 1,719 palavras na sexta.

No sábado, a mesma coisa aconteceu. A galera do Write-In (que tá rolando todo sábado lá no Discord) ficou surpreso comigo soltando 90 palavras por minuto. O sábado foi meu melhor dia e quando eu já tinha chegado a quase 4 mil palavras (3,467 pra ser mais precisa) e minha melhor amiga me chamou pro cinema eu disse OPA. E parti para analisar o storytelling de Eternos.

O domingo foi outro dia mais relaxado de um pouco de trabalho, um pouco de escrita. Foi o único dia que eu escrevi sem sprint porque queria rever alguns pontos do livro. Terminei o 7º dia com 1,478 palavras, mais ou menos o que o site indicava que eu precisava para terminar o desafio até o fim do mês. No total, fechei a primeira semana do NaNoWriMo com 15,645 palavras.

E é isso. Isso que rolou e isso que aconteceu. Vejo vocês no mesmo canal e (talvez) no mesmo horário (provavelmente) semana que vem?

Até lá,
G.


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