Diário Artístico: You win some, you lose a lot

by - 16:06

Boooa tarde nesse estranhamente frio e esquisitamente chuvoso dia de novembro. Quer dizer, é normal chover e fazer menos de 20º aqui em novembro, mas depois de mais de uma semana de chuva eu estou me sentindo completamente esquisita e meio nojenta. Mas talvez seja mais meu estado de espírito do que o clima. A essa altura eu não sei mais onde uma coisa começa a outra termina. Estaria eu precisando de uma pausa e de alguns dias sem precisar pensar que eu sou uma falha completa ou pensar em qualquer coisa como um todo? Provavelmente. O problema é que eu não sinto que estou merecendo essa pausa. A coisa é muito mais profunda do que vocês imaginam. De qualquer forma, se essa introdução e esse título mostrou qualquer coisa é que essa semana de escrita não foi nada favorável. Na verdade, nem eu sei o que aconteceu direito. O NaNoWriMo é cheio de altos e baixos e assim como no ano passado, a terceira semana foi o meu maior baixo - e olha que semana passada foi bem puxado. Então se preparem, respirem fundo e leiam o post com carinho. Ah, e já que as aesthetics das três partes de Tóxico foram a coisa mais produtiva que eu fiz essa semana, são elas que vão dividir o post. Boa leitura!




Décimo sexto dia e eu comecei a enrolar feito doida. Vamos aceitar, minha mente estava uma bagunça depois de todo vai e vem de "agora a história parece real... NÃO PARECE MAIS.. agora parece.. NOPE". Era claro que eu ia chegar aos 50 mil naquele dia, mas não sabia nem como me sentir a respeito. Ainda bem que quando eu terminei o post sobre a segunda semana já era a hora de ir caminhar e eu pude tirar um tempinho para pensar sobre a história antes de chegar aos 50 mil. Voltei para a casa com a sugestão da Gih de completar em um sprint de 40 minutos. Tentei, mas tava meio distraída no começo. Ainda assim, dois sprints foram mais que suficientes para que eu pegasse ritmo e às 20h46 eu cheguei a 50,064 palavras. Comemorei, especialmente porque eu percebi que a história estava saindo, mesmo que da forma mais maluca do mundo. Me forçar a trabalhar, mesmo quando parece estranho e enrolado pode me ajudar num futuro profissional. Ainda assim, eu estava cansada pra caramba e só queria descansar a cabeça um pouquinho. Assim, eu escrevi só até terminar o capítulo e fechei o décimo sexto dia com 50,467 palavras, 2912 escritas no dia.
No décimo sétimo dia, o clima continuou o mesmo. Depois de passar três horas desligando ou adiando despertadores (sério, alguém me explica porque eu sempre fico assim quando não tenho aula? Faço de tudo para regular meu sono, mesmo que no mínimo, mas ainda assim fico das nove ao meio dia desligando despertadores), eu tinha que adiantar algumas coisas em casa e ir na rua resolver uns problemas. Fiz o favor de enrolar quando parei para almoçar no Subway e de pegar os ônibus que demoravam mais para poder adiantar a leitura do livro que eu estava lendo (O Sétimo Punhal do Victor Giudice. É meu segundo livro preferido na história e eu realmente queria reler ele antes de escrever Tóxico, mas não deu muito certo porque ele só chegou aqui no meio do mês passado. Depois que terminei de ler Carry On, eu queria continuar lendo livros que tivessem personagens LGBT entre os personagens principais, mas acontece que nenhum dos livros que estão na minha lista de leitura seguem esse critério - eu sei, que merda. Aí eu me lembrei de O Sétimo Punhal e sinceramente reler ele me fez perceber várias coisas sobre a influencia dele na minha escrita e até na minha vida como um todo. E ajudou a manter o clima para Tóxico, é claro. Ler livros do gênero que você está escrevendo, inclusive, é um dos itens na lista do BuzzFeed de dicas para continuar até o fim do NaNoWriMo.). A questão é que eu enrolei muito e a tarde inteira e quando cheguei em casa ainda precisei lavar o banheiro, o que me deixou indisponível para Tóxico até às 20h, quando eu tentei um sprint que não deu muito certo. As duas horas seguintes foram passadas de forma meio confusa, comigo mais conversando com pessoas no celular do que escrevendo. Aí quando deu 22h, eu comecei a escrever um monte... deste post, não de Tóxico. Faltava menos de uma hora para o fim do dia e eu - mil palavras abaixo da minha meta inicial de 52 mil - resolvi escrever sobre ficar enrolando, ao invés de escrever a bendita história. Quando eu cheguei a este exato ponto do post, eu finalmente abandonei ele e comecei a tentar escrever de verdade. E escrevi, entre algumas enrolações e distrações básicas (em minha defesa, minha amiga recebeu um presente que enviei para ela, então óbvio que a gente ficou conversando). Só realmente nos últimos dez minutos do dia eu escrevi em forma de sprint, o que me fez terminar o décimo sétimo dia com 1,276 palavras escritas e 51,743 palavras totais, mas continuar escrevendo até terminar o capítulo, já no dia dezoito.
E aí a parte lose a lot começou. Foram dias bem confusos e nem um pouquinho produtivos. Eu nem sei bem o que aconteceu - já que eu sou tão incrivelmente flop que nem fiz anotações naqueles dias, então eu não posso fazer nada além de tentar lembrar com muita força do que aconteceu (Em Tóxico, a Isabel tem uma memória incrível herdada da mãe e muito treinada pelo fato de que ela é o tipo de pessoa que sempre acaba acidentalmente acaba presa no passado, pensando muito sobre coisas que já aconteceram. Infelizmente, a criadora dela não tem a mesma memória e na verdade nunca tem certeza do que aconteceu de verdade e do que a imaginação sem controle dela inventou. Quanto mais eu penso sobre, mais eu invento). Meu ponto é, no décimo oitavo dia, eu sei que tinha vários motivos para procrastinar, pensar sobre outras coisas e me encher de arrependimentos aleatórios pelo simples fato de que era o aniversário do meu primeiro bebê e personagem principal de Mais Uma Vez, Heather. Eu pensei demais sobre ela naquele dia e vocês já sabem que esse é um caminho perigoso para tomar. E ainda era a sexta-feira entre as duas partes de Wild Ones, então eu também parei para pensar em As Crônicas de Kat, começando com uma tendência perigosa. Passei a tarde inteira na procrastinação e só comecei a escrever depois de ter ido caminhar. Voltei mais ou menos certa do que queria escrever, mas a noite inteira foi esquisita e as palavras saíram de uma forma meio estranha. Como eu defini no Twitter, eu "terminei o [décimo oitavo] dia com 1k abaixo da meta, 52,931 palavras totais e 1,188 escritas hoje. Sofregamente.". Sôfrego é a palavra-chave aí.




Eu poderia me recuperar no sábado, certo? ERRADO. Eu tinha marcado de ir na casa de uma amiga durante porque ela tinha voltado da festa de aniversário da irmã com salgados e doces para as migas. Depois de ter acordado 13h, eu precisei sair logo, já que tinha marcado de ir para a casa dela às 15h. E acabei passando a tarde inteirinha lá, só saindo depois das 20h. O resultado foi ter só duas horas para escrever, nas quais eu não fazia a mínima ideia do que estava fazendo e ter terminado o décimo nono dia com a pior contagem do mês, 887 palavras (53,818 palavras totais). Mas eu não me arrependo de nada, como normalmente não me arrependo das coisas que envolvem amigos. (Na verdade, talvez eu me arrependa de não ter escrito uma palavra a mais e ter ficado com 888 palavras, já que 8 é meu número da sorte). Isso pode também ser o motivo pelo qual eu não me arrependo do lindo flop que aconteceu no domingo: Porque foi um flop geral que reuniu todas as amigas.
Nós do SA/Tertúlia começamos o dia bem, cada uma com uma meta e superdisposta a fazer o dia render muito. Sprints aconteceram, tiroteios de snippets também aconteceram. Estávamos todas bem e animadas. (Ok, eu posso estar generalizando para a minha vantagem, eu procrastinei pra caramba no domingo também. Uma hora eu não podia escrever porque eu estava com fome, na outra porque eu tinha comido demais. E falando em comida, aquela história de comer melhor no NaNoWriMo? Nem chegou a acontecer. Eu bebi mais café esse mês do que no resto ano inteiro). Enquanto o dia acontecia, a história se enrolou um pouco e eu fui perdendo a vontade de trabalhar naquilo, mesmo que ainda quisesse escrever. Para me controlar e não acabar indo escrever outra coisa, resolvi fazer edits da história, que são os aqui presentes e que eu também postei no Tumblr. Eu estava disposta a tentar a meta e sabia que tinha gente para me ajudar nela, como um grupo. Aí algo grande aconteceu e a gente ficou completamente desorientada. Eu não posso falar sobre ainda, até porque na verdade eu estou tão doida pelo que aconteceu que nem fiz a minha parte ainda. A questão é que foi algo grande. E a gente enlouqueceu e gritou por muito tempo. Todo mundo estava chorando, cada uma em sua cidade e não deu mais para escrever naquele dia. Eu acabei o vigésimo dia com 1,565 palavras no dia e 55,383 palavras totais, bem abaixo da meta de 6,2k/60k que eu tinha planejado para o domingo. E que pareceu aceitável e fácil quando eu planejei.




Apesar da coisa grande que aconteceu ter minado a escrita no dia vinte, naquela noite mesmo a euforia passou e eu fiquei meio para baixo. Depois de algumas broncas (Oi de novo, Vic) e de usar de algumas coisas para me animar, eu resolvi começar o dia vinte e um logo. Era Night Of Writing Dangerously (um evento do NaNoWriMo que envolve virar a noite escrevendo com vários outros autores em San Francisco) e eu teria virado a noite se não precisasse acordar antes dos bancos fecharem. Resolvi ir dormir só quando minha contagem de palavras superasse a contagem de visualizações aqui do blog, que naquela noite era de 56,877. Como nada nessa vida faz sentido, eu fiz o que não tinha feito no dias anteriores: consegui escrever bastante de uma vez só e só desliguei o computador quando já tinha 57,057 palavras. Acreditei que mesmo estando muito abaixo da meta que eu queria (a meta, na verdade, é manter a média de palavras por dia igual ou acima a 3 mil. Isso significa que eu deveria ter 63 mil palavras escritas até ontem, o que - SPOILER ALERT - não aconteceu), seria um bom dia de escrita porque ele tinha começado bem, com mais de 1,5k escrito de madrugada. Eu estava errada. Foi uma bagunça. E eu nem tive a desculpa de que não sabia o que escrever, desculpa que eu pude usar frequentemente esse mês. Eu procrastinei muito e tenho que admitir isso. Eu só estava com a mesma sensação estranha com a qual eu acordei hoje. A vontade de sumir e a sensação de que nada no universo valia a pena. (Vocês conseguem sentir quão mal eu estou no momento? Alguém me coloca para longe desse teclado antes que eu arruíne tudo?) Eu terminei o vigésimo primeiro dia com 2,530 palavras, terminando a terceira semana com 57,913 palavras. Em uma análise, eu escrevi 27,555 palavras nos primeiro sete dias do mês, exatas 20 mil palavras nos oito dias depois deles e em seguida 10,358 palavras nos seis dias depois destes. O diagnóstico é que eu vou ter que escrever MUITO nos nove dias restantes de NaNoWriMo já que ainda faltam dois capítulos da parte dois e todos os dez capítulos da parte três. (HEEEELP, EU NÃO TINHA PERCEBIDO QUE TINHA TANTOS CAPÍTULOS NA PARTE TRÊS). Se preparem para muito desespero no próximo diário artístico. Muito mesmo. Mas enquanto isso, fiquem com o trecho de Tóxico da semana, que eu nem acredito que consegui escolher. Lembram que eu falei sobre a votação do Impeachment no post de apresentação? Pois é:

    No começo, parecia fim do campeonato brasileiro. Todo mundo gritava, dizia palavrões e xingava os deputados de todos os nomes imagináveis. Não era assim só na casa dos Torres, se você apurasse os ouvidos perceberia que a rua inteira estava em polvorosa, mais barulhenta do que em festa de rua no carnaval. Todo mundo agia como de Flamengo e Botafogo estivessem disputando o Brasileirão e o juiz estivesse roubando, mas ninguém tivesse certeza de para qual dos times. Depois de um tempo, virou piada. Nós começamos a brincar e tentar adivinhar a quem os votos do deputado fulano seriam dedicados. A gente caia na gargalhada caso alguém acertasse e caia na gargalhada quando era uma situação tão absurda que simplesmente era impossível adivinhar o que estava acontecendo. As pessoas faziam piadas como:
      - É claro que o voto é pela família! Ele precisa continuar pagando pelas bolsas de grife da esposa, pela faculdade do filho e pelas férias na Disney da segunda família. - E todo mundo ria com vontade.
      Mas, passadas algumas horas, a graça foi desaparecendo e a seriedade começou a tomar conta da sala. Nós percebemos que aquele circo estava prestes a definir a situação do país inteiro, no melhor dos casos, pelos próximos dois anos, e no pior dos casos, bem, a gente já viu o pior dos casos várias vezes na história do Brasil. Enquanto a contagem dos votos a favor subia velozmente, a sala foi se tornando cada vez mais silenciosa e solene, a ponto de Gabriel e Isabelita pararem de brincar e de Dorothy vir dormir no meu pé. Depois de algumas horas, o único som que se ouvia eram os palavrões ocasionais de tía Carolina e o som da própria TV. Quando chegaram aos deputados do Rio de Janeiro, os palavrões não vinham apenas da mãe de Lina, mas de todos os presentes. Quando o deputado em que ela votou, anunciou que votava “sim” - pela família! Pela população da Cidade Maravilhosa! Pela batata de Marechal! - eu ouvi minha mãe chamar alguém de filho de qualquer coisa pela primeira vez na vida.
      Sem paciência, tía Carolina foi buscar mais pudim para todo mundo e Eloísa e Sofia foram atrás ajudar. Lina encarava a TV, com a cabeça descansando em meu ombro, e quando a comida veio não encostou nela. Eu precisava comer ou ia começar a endoidar e fiz apenas isso, por horas. Finalmente, quando era tarde demais para que meu cérebro funcionasse o suficiente para que eu visse as horas, os votos a favor chegaram à maioria e enquanto a câmara comemorava, a sala da casa dos Torres se envolveu em um bufo geral e Lina desligou a TV, desanimada. Todo mundo se despediu e foi se preparar para dormir com cochichos e frases incompletas.

O que? Vocês acharam que eu incluiria a cena fofa? E os spoilers, como ficam?
É só isso por hoje. Nesta sexta, 25, às 22 horas no horário de Brasília e 21 horas no horário de Recife, sai a segunda parte de Wild Ones - o primeiro capítulo de duas partes de As Crônicas de Kat e o último capítulo da história em 2016. Estejam prontos para mudanças violentas e situações dramáticas. Possivelmente algumas lágrimas e - ahem - momentos de certos ships que foram pivôs de brigas familiares na primeira parte do capítulo. A segunda parte de Wild Ones vem com algumas das minhas cenas preferidas, mesmo que elas tenham me feito chorar e gritar junto com a história. E você ainda tem tempo de colocar a história em dia antes do fim de ano, com o menu de capítulos da página oficial da história.
Vejo vocês na sexta,
G.

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2 comentários

  1. Heey, Giulia!!
    Estava lendo os posts sobre o NaNoWriMo,apesar das dificuldades parece ter sido interessante e eu tô muuuito curiosa pro seu livro, quero muito ler. Acredito que vá ter um post sobre o fim do NaNoWriMo mas eu demorei muito pra ler os posts sobre, e tô comentando sobre já em dezembro.Você não tem noção de como eu adorei os trechos, e acho muito legal que se passe no Rio de Janeiro.
    Beijos!

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    1. Ooi Dany,
      Interessante parece ser a palavra certa para resumir o mês inteiro porque que loucura.
      Vai ter post sobre o fim, sim! Só não teve ainda porque meu notebook resolveu dar problema dia 29 e está no conserto desde então. Eu espero que ele fique pronto até amanhã no fim da tarde e aí eu devo postar o último Diário Artístico amanhã à noite ou na manhã seguinte.
      Fico bem feliz que você tenha gostado dos trechos e eu espero cumprir as metas de revisar Tóxico logo para todo mundo poder ler o mais rápido possível. Enquanto eu estava escrevendo a saudade do Rio foi bem real, quero visitar a cidade de novo.
      Beijo!

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