31/07/2018

2º Write-In Conquista: O inimigo agora é outro

CHEGUEEEEEEEEEEEEEEEEEI. Não acredito que julho de 2018 está terminando hoje, um dos meses mais cheios e loucos da minha vida, de uma forma positiva. Eu preciso frisar isso, porque todo ano eu digo que estou passando pelo momento mais puxado de todos e no ano seguinte eu sempre me encontro em uma situação pior, mas este ano eu tenho que lembrar que eu estou fazendo as coisas que eu amo e as coisas que a Giulia de dois anos atrás nunca achou que pudesse fazer. É aquele ditado: trabalhe com o que você ama e você nunca vai parar de trabalhar. Eu amo, mas ter um dia de folga de seis em seis meses ainda vai me deixar DOIDA. Mas indo ao assunto, hoje é o último dia do Mês Literário 2018 e estamos reunidos aqui hoje porque no último sábado, 28, rolou a segunda edição do Write-In Conquista: Encontro de escritores profissionais estreantes e amadores, que eu organizo na minha cidade. Quer você seja conquistense ou leitor interessado de outra cidade, senta aí que eu vou contar como foi.

O momento das apresentações.
A primeira edição do evento aconteceu em novembro do ano passado e era fruto de pelo menos dois anos tentando motivar pessoas. Não é que não tivesse gente interessada, é que em uma cidade como Conquista os velhos vícios e preguiças são fortes demais, e convencer pessoas de que um evento que eles nunca ouviram falar daria certo era quase impossível. Então, ano passado, movida pelo poder que movimenta o brasileiro (o do ódio), eu decidi que era hora de eu começar a organizar os eventos que queria participar. Então eu mandei mensagem no grupo da faculdade, porque estudante de jornalismo tá aqui para todas e consegui reunir 15 pessoas interessadas. Depois de pesquisar todo necessário para organizar um evento e entrar em contato com a principal livraria daqui, a Nobel, eu consegui fechar o evento, ao qual 18 pessoas compareceram e que foi muito incrível, mas vocês podem ler mais sobre a primeira edição no post que eu escrevi sobre ele.
Para a segunda edição, eu já sabia que queria fazer algo maior e no mês de julho, para juntar com o Mês Literário e o dia nacional do escritor. Conforme 2018 foi passando o planejamento começou e em maio, eu já tinha o dia 28 de julho definido e estava tentando definir o local. Em junho, fechei com a Nobel de novo e comecei a divulgação. Depois do primeiro evento, eu criei um grupo no Facebook e eu fui atualizando o pessoal sobre a segunda edição. Eu queria mudar o local do primeiro evento para um maior porque eu queria mais gente e por algum motivo, na minha cabecinha, conseguir fechar uma das livrarias daqui fora do horário de funcionamento seria um êxito mágico e jamais alcançado. Conseguir o retorno de um número grande de pessoas para justificar isso seria incrível. E aconteceu! O evento no Facebook conseguiu 106 respostas! Conversando com a responsável pela livraria, ela combinou de fazer o evento na livraria do centro, maior, mas que não funciona no sábado à tarde. Como o primeiro evento foi um sucesso, ela tinha confiança em mim para isso, e nós fechamos, com uma funcionária em hora extra. Eu sempre vou ser grata à Nobel Conquista porque eles foram a única "entidade literária" da cidade que apoiou o evento. Salvaram demais minha vida.
O evento foi lindo. Minha ansiedade nos dias anteriores variava porque eu tinha medo de que fosse um número tão grande de pessoas quanto o que mostrou interesse no evento pelo Facebook e não desse comida para todo mundo, mas eu também tinha medo de que não fosse muita gente e o evento flopasse. Entre a organização das cadeiras, brindes e lanches e a chegada das pessoas, eu comecei a passar mal de verdade, pensando no que poderia acontecer de errado. E eu estava bem mais preparada que no último evento, com uma bagagem que eu não tinha anteriormente. Mas aos poucos as pessoas chegaram e a ansiedade logo foi embora. Eu tenho um lado cerimonialista poderosíssimo, que é o motivo de eu pedir para minhas amigas casarem logo. (Todo mundo que fez ensino médio junto comigo está casando, menos minhas amigas? Eu acho isso um absurdo).

Uma criança feliz durante o coffee break (claramente). Meu processo para fazer essa blusa foi: Eu queria personalizar uma blusa legal, mas não necessariamente sobre o evento, só uma que fosse engraçada e a minha cara. Aí eu lembrei que em maio eu brinquei sobre fazer uma blusa com essa frase e o pai da K curtiu, então eu fiz e passei duas semanas com a blusa pronta, me controlando para não mandar para ela. Foi difícil, esconder segredo dela é HORRÍVEL porque eu quero contar tudo pra ela o tempo inteiro. (Eu já contei pra ela o que vou dar pra ela de aniversário e o aniversário dela é em OUTUBRO). É mais difícil do que esconder segredos para ela... INCLUSIVE, cês estão sabendo que ela vai estar no spin-off de The Fosters? MEU BEBÊ, EU QUE CRIEI.
Começamos o encontro da mesma forma que no último, com apresentações e compartilhamento. Cada um contava um pouco da sua história e da trajetória com a escrita. Eu falei demais, mas ouvi cada história incrível também. Cada um tinha um relacionamento diferente com a escrita ali, e com pessoas de 15 aos 30 e poucos anos, tinha experiência diferente pra dar e vender. O momento acabou se prolongando bastante conforme as pessoas foram chegando e em seguida só deu tempo de eu apresentar algumas das minhas anotações sobre literatura-revisão-publicação-divulgação e algumas pessoas comentarem. Os desafios e a leitura dos textos precisaram ser cortados e redirecionados para a página do Facebook. Com os funcionários em hora extra, o evento tinha que ter horário para terminar e graças a isso eu não consegui fazer metade do que eu teria ter feito. O evento teve a mesma duração do último, cerca de três horas, mas com um número maior de pessoas, era natural que fosse preciso mais tempo para acontecer. Eu preciso manter isso em mente: Evento com horário para terminar acaba corrido.
Eu sei que soo como se o evento tivesse sido um fracasso, mas não foi! Era, afinal de contas, um encontro de escritores e a gente conseguiu se encontrar, se ouvir e se conectar e isso rolou muito. O evento me deixou com uma vontade desesperada de seguir em frente com os planos da feira literária em Conquista, mas é tão díficil pensar nisso sozinha. Eu quero motivar as pessoas a ajudar, dar uns sacodes, dar uns tapas mesmo. Lembrar que tem gente, sim, que ama literatura e lê muito em Conquista e que o cenário literário da cidade precisa ser mais inclusivo com urgência. Eu quero os adolescentes de 17 anos que amam Dostoiévski e os adultos que amam romance de banca no mesmo lugar, falando sobre como a literatura mudou sua vida. Eu quero escritor de YA falando com seu público, eu quero ouvir o que os leitores têm a contar e eu quero compartilhar um pouco do que sei. E eventos como o de sábado mostram que é possível, é renovador e definitivamente precisam existir mais eventos assim. Além disso, eu preciso que as papelarias, livrarias e todo mundo mais percebam o potencial comercial que o mercado conquistense tem. Tirem a ideia de que "jovem não lê livros de verdade" da cabeça e pensem que jovens estão comprando livros. Sem questionar que tipo de livros são. Enfim, vou deixar vocês com algumas fotos do evento ou eu vou falar para sempre sobre isso!

COMIIIDA

BRINDEEES. O papel ali é uma cartela de adesivos que eu entreguei para os blogueiros e Instagramers literários que estavam lá. Vou fazer uma lista para vocês depois!









Olha quanta gente linda!! Se você quer uma cobertura mais profissional do evento, teve cobertura no Avoador! E também tem mais fotos na página do Facebook!
Antes que eu vá, eu só quero adicionar que uma coisa muito legal que aconteceu no encontro foi eu ter contado detalhes sobre os meus livros e minha participação na 3ª edição do Prêmio Kindle, para que eles me pressionassem a trabalhar e terminar o livro que vai pro prêmio logo. E eu estou sendo pressionada. Muito. A sorte de vocês é que eu tenho andado em contato com a minha maior fonte de inspiração constantemente e tenho trabalhado bastante (mesmo que nem sempre no livro).
Vejo vocês quando der. Obrigada de novo por esse Mês Literário lindo,
G.

30/07/2018

O Galante por Giselle Trindade


Eee chegamos à última participação especial do mês!! Dessa vez de uma das participantes do 2º Write-In Conquista, que foi maravilhoso demais e me deixou animada para fazer mais eventos ligados à literatura em Conquista. Inclusive, se você é escritor conquistense e não pode ir, entre no nosso grupo para se manter atualizado sobre os próximos! Amanhã eu conto tudo sobre o evento, no último post do Mês Literário. Por enquanto, fiquem com as palavras da Giselle.


O que falar de Giselle Trindade Rocha, com 22 anos é servidora pública por opção, publicitaria por destino e escritora por amor, escreve desde os 9 anos, seu amor pelos poemas nasceu de uma mistura de Clarice Lispector com Paulo Leminski tem um gosto musical muito amplo e literário também, não é atoa que seus textos sempre mistura os estilos artísticos.

Nasceu com o pé na estrada e a cabeça lá na lua. Papel e caneta em suas mãos vira arte. Amante da MPB, viciada em chá e fã de livros, lhes apresento Giselle.





Ele achegou assim como se nada tivesse ocorrido
Esperou- me que puxasse sua mão para bailar
Olhou-me com um olhar de reconhecido. E despontou elegantemente...
Os cabelos eram como pincelados bulicosas nos lábios um sorriso de exultação.
A gentileza estava no seu jeito,no seu olhar, olhou-me sereno e tranquilo
Seu olhar brilhante como um diamante, refletindo o brilho das estrelas
Esperou que eu dissesse a primeira palavra
Cada passo e compasso
Extinguia-se através daquele olhar
Perdi-me diante de tanta doçura
Compreendi que através dos olhos, via uma janela para alma,
Tocou minha mão suave e conduziu me ao salão
Permitiu-me sentir o seu doce perfume e olhar adiante de um belo conjugado de olhos, deixei de lado a minha consternação que não desaparecia do peito,Fechei meus olhos, me transportei para o paraíso, não sei quanto ali fiquei ao retornar aqueles olhos elegantes esperavam calmamente uma abordagem.
Era curta porem a mais perfeita conversa contive com ele
Eu me despedi como sempre faço desengonçadamente, virou-se e me abraçou intensamente e graciosamente.
Queria eu anjo ficar mais um pouco, não desejava ir embora naquele momento nem depois.
Queria ficar escutando o som da tua respiração.
Não sei exatamente com qual propósito, mas ao teu lado sentia emoção, uma grande pulsação.
Enfim meus olhos o acompanharam na multidão
E no meu sorriso pairou as marcas da sua imensa gentileza.

27/07/2018

Gosto de você, tchau por Bruna Fentanes

OLHA A NOVA PARTICIPAÇÃO ESPECIAL! Antes de eu deixar a palavra com Bruna (leitora do blog há mais de um ano e minha caloura), eu só queria dizer que: É AMANHÃ JDANJDNJNASD EU NÃO FAÇO IDEIA DO QUE ESPERAR E SÓ TENHO UMA LEVE NOÇÃO DO QUE VOU FAZER MAS YAY!! Amanhã, às 14h, na Livraria Nobel da Avenida Otávio Santos, tem a segunda edição do Write-In Conquista!! Vai ser lindo demais, não deixem de ir. Um cheiro!!

Bruna Fentanes, 21 anos, estudante de jornalismo e um pouco designer. Minha relação com a escrita tem mais a ver com a minha necessidade de me sentir representada e acolhida nas histórias, passei muitos anos lendo livros com histórias divertidas, romances clichês e algumas fantasias que raramente ou nunca traziam personagens LGBT (claro que hoje existem alguns livros sobre a temática, mas não acredito que ainda seja suficiente), então vi a oportunidade de levar histórias e contos para pessoas que assim como eu queriam se sentir amadas. 

Engana-se quem pensa que vou contar uma história de amor. Aqui, após anos te conhecer, você me decepcionou. Uma decepção que eu vi se infiltrar em todo meu corpo. Antes de te conhecer, tudo ao meu redor era bom e calmo, então você apareceu e tornou tudo melhor e elétrico. Você me fazia dançar mesmo sabendo que eu não iria acertar um passo. Mesmo sabendo que minha coordenação motora era péssima, você sabia que se me mandasse ir para direita eu acabaria indo pra esquerda.
Foi você que tirou meu foco dos livros e estudos, não que eu me orgulhe disso, mas foi você que apareceu em um dia qualquer e me contou o quanto a ficção era uma coisa engraçada, que eu poderia sair um pouco dos contos e histórias e conhecer o que era realmente viver. O que você não sabia era que eu gostava de viver através dos personagens e mundos alternativos e quando você mudou isso, eu já não sabia mais para onde ir.
Você foi se aproximando aos poucos, contando histórias suas que até hoje não sei se são reais. Você contava quantas bocas conseguia beijar em uma só noite ou quantos shots de bebida conseguia virar. Você me encontrava a cada fim de aula e se sentava na minha frente, mesmo que eu nunca tenha te convidado pra se juntar a mim, você ficava lá com seus olhos cinza me encarando, arrancando os livros da minha mão e me obrigando a prestar atenção. Nunca entendi o porquê você escolheu a mim.
Quando percebeu que eu estava começando a ceder e me acostumar com sua presença, você se arriscou e me chamou pra sair. Eu nem sabia se deveria considerar aquilo como um encontro ou algo mais casual. Encontros me deixavam nervosa, então considerei que nada mais era que uma das suas loucuras em tentar me incluir em seu mundo. Na verdade, eu não sabia nem se você tinha algum interesse amoroso em mim, do mesmo jeito que eu não sabia se eu tinha algum interesse em você. A timidez sempre foi um problema pra mim e acho que apesar de tudo, você entendia isso.
Nunca em seus relatos de ficadas de uma noite só, você citava nomes ou sexos, como se eu fosse me importar ou te julgar por alguma coisa. Como eu poderia? Eu não conseguia nem dizer se gostava de homens ou mulheres, só sabia dizer que pensar em determinados toques, sentia uma coisa estranha na barriga. O que você fazia nas suas noitadas era mais do que eu tinha coragem de fazer, então eu seguia me acostumando com sua presença e suas intromissões.
Mesmo que eu não te tenha respondido no ato, eu aceitei sair com você, ainda confusa quanto as suas intenções ou o que poderia se tornar as minhas. Você passou na minha casa pra me buscar às 19 horas em ponto, abriu a porta do carro pra mim e ainda riu da minha aparência. Minhas bochechas queimavam só em pensar que você poderia estar me analisando.
Era verão e o clima estava abafado, coloquei um short jeans e uma blusa folgadinha, quando te vi comecei a pensar que talvez eu não tivesse me arrumado o suficiente. Até no calor, você estava usando uma calça e uma blusa de manga preta, pelo menos seu cabelo estava enrolado em um coque no alto da cabeça, deixando amostra uma tatuagem do signo de aquário que eu nunca tinha reparado antes.
Você agia com leveza, mas eu podia ver seu nervosismo com a situação e que se esforçava para deixar um clima legal, tentando evitar que eu fugisse a qualquer momento. Eu poderia te dizer que não iria a lugar nenhum, mas estava apreciando seu esforço. Você seguiu com o carro, enquanto permanecíamos caladas ao som de Jão. Eu não conseguia conter a felicidade que aquelas músicas me transmitiam.
Quando parou o carro, estávamos em um barzinho aconchegante, com algumas luzes e diversas fotos espalhadas pelo ambiente. Tocava algumas músicas no fundo e no canto pude ver um quadro de giz, com várias frases engraçadas. Nós conversávamos, ríamos e nos divertíamos e eu não conseguia parar de pensar quando você me beijaria. Eu não estava desesperada, mas queria que você tentasse. Nós comemos e reparei que você não tinha pedido bebida alcoólica aquela noite, quando questionei o porquê você disse que gostaria de se lembrar de todos os detalhes e essa resposta me deixou ainda mais feliz.
A noite passou devagar, algumas vezes você fazia batuque na mesa enquanto eu comparava essa noite com tantas histórias bobas que já tinha lido e nas tantas vezes que gostaria que acontecesse comigo. Você tornou possível, você fez minha noite se tornar incrível. Depois de algumas poucas horas, quando estávamos indo embora, já havia desistido do nosso beijo, você se direcionou ao quadro, desenhou duas meninas de palito e um coração, você não tinha muito talento para desenhos, pude ver... Aproximei-me de você e escrevi um verso da música que escutamos no carro: “Gosto de ser imaturo com você. Gosto de me entregar e me perder...” No fim, você abaixou seus olhos até minha boca e começou a rir. Meu coração se amoleceu com aquele sorriso tão lindo e ao mesmo tempo tímido.  Você segurou calmamente minha mão e nos direcionou até o carro. Parece que a noite havia acabado. E eu me sentia feliz por ter aceitado seu convite.
No carro, você conversava sobre coisas aleatórias enquanto seguia nosso caminho, quando parou em frente minha casa, você ficou em silêncio, virou para mim e ficou me encarando, meu coração começou a bater mais forte, minha respiração começou a acelerar e você me perguntou: “Posso tentar uma coisa?”. Fiquei um pouco confusa com a pergunta, mas apenas assenti.
Você se aproximou meio sem jeito, sem saber o que fazer com as mãos e me beijou. Um beijo que eu jurava que nunca iria acontecer, mas aconteceu. Me acalmei na sua boca, meu coração parecia correr uma maratona, minhas mãos se posicionaram na sua nuca e tudo foi caminhando devagar. O beijo começou devagar e depois de alguns segundos, você me beijava como se eu fosse desaparecer ou talvez me afastar. O encaixe estava perfeito, eu não queria me afastar nunca de você. Tudo estava perfeito demais. Você era a coisa mais linda do mundo e eu não queria te largar mais nunca.
Os meses se passaram e tudo parecia aquele clichê que você tanto teimava em dizer que não existia. Mas então, um dia, quando tudo parecia incrível demais, você sumiu. Desapareceu com suas piadas, seus sorrisos bestas, suas intromissões e seus beijos. Eu parei de dançar com meus passos errados, voltei aos meus livros e a minha vida sem gracinha. E comecei a imaginar que tudo aquilo havia sido apenas um sonho ou algum livro que eu tinha lido de forma errada.
A decepção andou comigo para todos os lugares, do mesmo jeito que a saudade não ia embora. Eu só queria que voltasse um dia e me dissesse onde eu tinha errado, porque eu iria gostar de consertar. Você tinha transformado meus dias melhores e eu esperava ter transformado os seus.


25/07/2018

Diário Artístico: Ter medo de fracassar não te faz um fracasso

VOLTEEEI!! Não que eu ache que vocês tenham sentido falta de mim com tanto texto incrível de tanta gente maravilhosa nesse blog, mas eu precisava escrever algo este mês, por mais que me escorar no brilhantismo dos outros pareça tão divertido. Faltando uma semana para o fim do Mês Literário, faltam três posts: Duas participações especiais e o meu post sobre o 2º Write-In Conquista que acontece neste sábado, às 14h, na Nobel da Av. Otávio Santos em Vitória da Conquista. O número de pessoas esperado é 50 e eu quero que o evento seja como o último, com a mesma fluidez e comunicação e eu não faço a mínima ideia de como fazer isso acontecer. MAS EI, o importante é tentar. *repete isso até eu me convencer já que meu cérebro está 50% surtando porque eu tenho medo de que não dê metade dessas pessoas e 50% surtando porque eu tenho medo de ir mais gente ainda e eu enlouquecer*.
Falando no Write-In e no Mês Literário: FELIZ DIA NACIONAL DO ESCRITOR!! Se você escreve, seja como amador, como profissional ou alguma coisa no meio, por favor, se presenteie com algo hoje, nem que seja um doce de padaria. Você merece. Porque independente do que você escreva, onde você escreva e como você escreva, escrever é difícil pra cacete. E — eu não digo isso para desmotivar ninguém, mas para lembrar que tudo isso faz parte — escrever nunca fica mais fácil. Eu escrevo há mais da metade da minha vida (11 anos) e só fica cada vez mais difícil (beleza, isso foi desmotivador). Não se preocupe, todo mundo se sente assim. Eu tenho um professor que diz que "Escrever ou é fácil ou é impossível" e eu não vejo Choque de Cultura, mas essa é exatamente o tipo de situação profissional em que eu me vejo obrigada a agredir um idoso. Depois de ouvir ele dizer isso para uma outra professora no dia do lançamento do livro dela, eu me dei conta de que escrever só é fácil para ele porque ele não se importa tanto com o processo de escrever e com o resultado final quanto o resto de nós. Se a escrita é algo com o que você se importa, ao que você quer se dedicar, ou se o que você está escrevendo é importante para você, não é fácil, nunca vai ser fácil e quanto antes a gente aceitar isso melhor. (Mas se você sente que é fácil e que é a coisa mais fácil do mundo para você, não tem nada de errado também. Escrever às vezes é como respirar. Sai de uma vez e naturalmente. Mas ei, existem processos. Compartilhamento o que você escreveu, editar o que você escreveu, aprimorar a escrita. É um trabalho, mesmo que não seja no sentido comum de trabalho, exige energia de você. Logo, é difícil.).

De onde vem esse gif da minha pessoa?

Onde eu estou querendo chegar é que apesar de eu ter passado os últimos meses trabalhando como louca na minha escrita e construindo essa vida onde eu faço coisas que dois anos atrás eu considerava impossíveis, eu passo grande parte do meu tempo morrendo de medo. E a escrita é uma das coisas principais que me enchem de medo e me deixam com a sensação de que eu não sei o que eu estou fazendo. Que eu não pertenço a este lugar e que eu estou enganando todo mundo. É síndrome de impostor? É. Mas vai além disso. Porque eu ainda não consegui terminar um texto para o portal para o qual eu me comprometi a escrever dois meses atrás. Porque eu ainda não terminei o meu projeto com a Kira. Porque eu não tenho a coragem de dizer em voz alta todas as pautas incríveis que eu pensei nesses últimos meses e nas quais eu poderia estar trabalhando. Porque eu deveria estar editando um dos meus três livros com chance de publicação e eu nem consigo fazer isso sem sentir vontade de chorar. Porque eu meio que desisti de algo que eu realmente queria porque eu não queria enfrentar essa sensação de que nada que eu produzi até hoje foi bom o bastante. E todas essas coisas deixaram de ser feitas por medo. Porque eu não acho que meus textos são tão bons quanto os dos outros. Porque eu não acho que a minha formação é tão boa quanto a dos outros. Porque eu criei essas expectativas inalcançáveis de quem eu quero ser na minha cabeça e eu cheguei em um ponto de frustração em que eu não tento mais alcançá-las. Eu quero ser melhor e me dedicar mais a isso, mas eu tenho tanto medo de nunca ser melhor que eu fico paralisada.
Eu passo um tempo tentando me pressionar e mudar a forma como eu escrevia (muda a linguagem, o discurso), o que eu escrevia (ficção? não-ficção? poesia?), onde eu escrevia (este post foi metade escrito na minha mesa e metade escrito em uma cafeteria. Eu nunca tive o costume de trabalhar na minha mesa e escrever em público pode ser estressante, mas eu preciso tentar de tudo) e me ajuda como soluções temporárias, mas eu ainda não consegui trabalhar no que me faz não escrever. Eu tenho esse bloqueio sobre o bloqueio. São coisas que eu sei que eu preciso trabalhar comigo mesma e, na terapia na segunda, eu falei sobre como eu busco todas essas coisas para me convencer de que eu sou boa o suficiente, que eu estou tentando o suficiente, que eu estou lutando o suficiente. Eu aceito todo o trabalho que aparece na minha frente para dizer que eu estou fazendo algo. Para que eu possa dizer "Eu não consegui fazer isso, porque eu estou muito ocupada" e não "Eu não consegui fazer isso porque eu estou morrendo de medo".
Sei que normalmente termino posts assim com mensagens encorajadoras e frases fortes sobre como eu vou enfrentar este novo momento da minha vida, mas dessa vez eu vou ficar devendo. Eu não faço a mínima ideia do que fazer. Eu ainda não descobri como vencer o medo paralisante. O que eu sei é: Eu estou tentando o suficiente. E eu prometo que eu vou parar de pegar todos esses trabalhos para fazer quando eu nem mesmo sei o que fazer com os que eu já tenho. Parar de mentir para mim mesma talvez seja um bom passo a seguir. Mas eu sei que ter medo de fracassar não me faz um fracasso. E eu tenho evidências de que por mais que o medo me paralise, eu também enfrento ele quando estou forte o bastante. Minha mente funciona em etapas: Eu tenho um sentimento e eu preciso aceitar que é normal sentir esse sentimento antes de enfrentar o que esse sentimento significa. Então dane-se sua filosofia de que o medo cria perdedores. Ter medo é bom — quer dizer que você se importa.
Vejo vocês em breve,
G.


Galera de Vitória da Conquista, não esqueçam: Neste sábado!!! 14h!! Na Nobel da Av. Otávio Santos, no centro!! Vai ter café e brindes!!


23/07/2018

Magnólia por Arthur Maia

Segunda-feira é dia de conto! O Arthur é um dos meus afilhados honorários do 1º Write-In Conquista. Não esqueçam de ir ao segundo evento para eu poder adotar mais gente! Passo a palavra ao autor do texto:

Olá, eu sou Arthur. Sou também subjetividade e imperfeição, mas isso é outra história. Tenho 15 anos e curso o 2° ano do ensino médio. Sempre fui fascinado e maravilhado pela literatura, por essa expressão através da escrita. Minhas inspirações para os textos tendem a ser uma música, um filme, uma frase, uma manchete - qualquer coisa com o mínimo "teor artístico" que pode virar arte. Escrevo porque não quero mais hesitar diante de certas situações. Porque quero extrair o que há de bom (e de ruim) de dentro de mim. Porque sinto a necessidade de mergulhar em outra realidade de vez em quando. Esse sou eu.

"Magnólia se via mais uma vez no fundo daquela cozinha suja, sua única forma de conseguir o dinheiro para cuidar dos seus dois filhos, suas duas filhas, seu cachorro, sua calopsita e sua neta que estava a caminho.
Sempre que percebia aonde estava na vida, sentia uma dor no lado esquerdo do peito, talvez a lembrando do que ela poderia ter feito de diferente durante seus 49 anos de existência.
Aquilo não era digno dela; pensava consigo mesma, repetidas vezes ao dia. Tantos sonhos de construir a família perfeita, de viajar ao redor do mundo, de ter o trabalho que ela queria - cantar; cantar para quem pudesse ouvir, de onde ela estivesse - se perderam. Todos eles. Todos eles?
- Mas o que quer de mim... - Continuou - se o que eu quero de ti...
A cozinha barulhenta por conta dos inúmeros pedidos que iam e saiam pelas portas por onde entravam os garçons parou por um instante. Magnólia cantava, com um sorriso no rosto, sem perceber que todos aqueles olhos haviam voltado sua atenção a ela.
- ... Não podes me dar...
Por alguns segundos, aquela moça que corajosamente cantava não se deu conta de que era dela mesma que saia sua voz. Todos os sons soaram diferentes. Como se tudo houvesse se encaixado no lugar em que pertencia. Ao se ver lavando os pratos novamente, com todos aqueles rostos pairando sobre ela, corou.

Mais tarde, chegando em casa, ainda estava desnorteada pelo acontecimento. Olhava para a sua casa como se não a reconhecesse, como se tudo o que se desenrolou durante sua vida não passasse de um sonho ao qual ela estava fadada a acordar.
 - Maíra! Maíra, cheguei, minha filha!
Entrou em casa, mesmo sem resposta da garota. Pisou no tapete. Andou ao sofá. Soltou as sacolas de compras no chão. E se pôs a chorar, abraçada às almofadas.
Não era tristeza, não era alegria, não era dor, não era felicidade. Era algo além. Maíra desceu as escadas e, quando viu a mãe a se desaguar no chão, acelerou o passo. Desceram, então, Michel, Maria e Márcio. Todos abraçaram a mãe em perfeita sintonia. Um por um iam, desesperados, perguntando o que havia acontecido. Magnólia levantou a cabeça, abriu um sorriso radiante de alegria e se despediu.

Voltando ao hospital, os filhos de Magnólia se reuniam, em total angústia, na sala de espera. Havia quase três horas que a mãe fora admitida na ala de emergência, pela parada do miocárdio. Culpa subia na garganta de cada um deles, enquanto esperavam pela enfermeira para vir e revelar a condição de saúde da paciente. A verdade é que todos eles amavam Magnólia e não estavam prontos para perdê-la. Magnólia era gentil. Magnólia era humilde. Magnólia não se cansava de olhar para o lado bom da vida que ela levava. Magnólia podia cantar livremente na cozinha do restaurante, que o gerente não iria reclamar. Magnólia amava quando o sorriso de um dos seus filhos enchia o seu coração de vida e de motivos para continuar seguindo, a lembrando de que tudo havia valido a pena.
A enfermeira chegou na sala de espera, gesticulando para a família de Magnólia seguir.
19:37
19:37
19:37"

21/07/2018

Uma breve reflexão do clipe Indestrutível da Pabllo Vittar por Juliane Cajaíba

Senhoras, senhores e todo mundo de dentro e de fora da escala, CHEGUEI COM MAIS UMA PARTICIPAÇÃO. Dessa vez uma análise de Juliane Cajaíba sobre o clipe de Indestrutível da Pabllo Vittar. Abaixo, vocês veem uma pequena biografia da autora e o texto.

Estudante do curso de Publicidade e Propaganda, leonina, 28 anos, apaixonada pela área e disposta a sempre aprender. Fã das coisas simples, das miudezas. Intensa, criativa, dedicada, persistente e perfeccionista. Ser luz é uma questão de sobrevivência, não sei ser fria, nasci para ser amor, entendo o custo dos espinhos como uma bela flor. Possuo uma alma colorida, acredito na beleza que vem de dentro e ilumina tudo quando escapa pelo sorriso, mesmo aquele frouxo, de lado. Amante da leitura e escrita desde sempre. Dentre as minhas paixões, se destacam a fotografia e produção de eventos/artístico.




“Essa Coca é Fanta hein? Gayzão! Bixa!

73% dos jovens LGBTQ+ no Brasil são vítimas de bullying e violência nas escolas.”
Assim inicia o novo clip da Pabllo Vittar, Indestrutível.

Eu já assisti esse clipe várias vezes, e em todas elas eu juro que os meus olhos transbordaram de lágrimas. Que clipe foi esse? 

Esse é um tipo de clipe que eu digo com propriedade que todas as pessoas nesse mundo deveriam assistir e refletir. Eu sinceramente não consigo entender como algumas pessoas tem o poder de ferir outras dessa maneira (sejam física e/ou psicológicas), me dói no fundo da alma o mal que o ser humano causa a humanidade.  

Todos deveriam ser o porto seguro que aquela mãe retratou no clipe, todos deveriam ser só amor! Esse é o meu sonho! Mas infelizmente esse sonho está longe de se tornar real, está longe devido a pessoas que só incitam o ódio em seu coração, que o melhor que sabem fazer é causar mal ao outro, é arrancar sorrisos, sonhos, realizações e até mesmo a vida. Mas mesmo em meio a distância da realidade que eu sonho, eu vou lutar para que se torne real e vou começar com as pessoas que eu tenho a oportunidade de ter próximo a mim.

Aquele trecho da música que diz assim: O que me impede de sorrir é tudo que eu já perdi, eu fechei os olhos e pedi para quando abrir, a dor não estar aqui”, espero que essa música não tenha mais sentido daqui um tempo, e espero que esse tempo não demore muito de chegar. Espero que enquanto isso, tudo fique bem, que as lágrimas se sequem e as feridas se curem.”
E eu proponho a você, você mesmo que está lendo isso, seja o porto seguro de alguém e incentive mais pessoas a fazerem isso. O mundo melhorará, eu tenho certeza que você se sentirá bem. Afinal fazer o bem a alguém, é também fazer o bem a si mesmo.
E aí, o que me diz? Creio que um pouquinho de cada, possa se tornar muito em breve!
Afinal são milhares de pessoas que sofrem esse tipo de agressão. Tá na hora de transformar o preconceito em respeito, de aceitar as pessoas como elas são e querem ser, de olhar na cara da homofobia e dizer: ‘Eu sou assim, e daí?’

18/07/2018

Calma da Alma por Marília Santos Lemos

Eu volto com texto meu semana que vem hein? Preparem-se. Por enquanto, fiquem com mais uma participação especial.

Oi! Meu nome é Marília, sou graduada em Ciências Contábeis, e o meu estimado hobby é grafar sobre os intensos sentimentos que transbordam da minha alma. Comecei a escrever inspirando-me em paixões platônicas e em meu amor pela vida. Posso compor diversos poemas em um único dia, ou nenhum, por vários dias, tudo depende do inspirativo que me circunda. Se gosto disso? Sim, amo! Sinto grande contentamento quando posso externar minha arte. Confesso que é um prazer compartilhar uma amostra dessa paixão com vocês. Abraços! 


Calma da Alma

Basta o teu sorriso reluzente, basta! 
Basta o conforto do teu abraço, sim, me abriga.
O teu olhar plácido no meu olhar comprido.
Teu gesto de amor, no meu querer amar. 
Viva! Aplausos para o sentimento vívido.
Tim-tim! Brindemos a alma em calma.


Marília Santos Lemos

16/07/2018

Serena despertou para a vida por Andressa Oliveira

A essa altura vocês já sabem como funciona né? Este texto é de uma nova escritora que merece muito carinho, então comentem! Vou deixar ela se apresentar:

Meu nome é Andressa, tenho 19 anos e escrever para mim é exercer a minha liberdade, é quando deixo meus pensamentos ganharem vida e se materializar em forma de palavras, carregada com os meus sentimentos. Preciso escrever com a caneta no papel, preciso ver a tinta, a forma da minha letra e as vezes voltar e reler as minhas pequenas loucuras escritas em algum diário. Na minha escrivaninha cabe sempre livros e uma xícara de café e na minha vida sempre haverá espaço para sonhos, histórias e claro, folhas de papel em branco para continuar encontrando minha liberdade!



Serena acordou ás 05h30 da manhã, como nos velhos tempos em que acontecia o primeiro dia de aula depois das férias. Aquele era o seu momento! Não sentiu preguiça ao saltar da cama, fez yoga, tomou banho e foi para o espelho. Ansiosa, atônita, sorridente, mal conseguia conter a respiração. Estava ali de relance buscando entender aquele turbilhão de emoções e tentando compreender o próprio vulto refletido do outro lado do espelho.
Não sentia nem o frio causado pela temperatura que beirava os oito graus. Foi congelada pela emoção de estar indo para o seu primeiro dia de aula na universidade. Saiu da frente do espelho e colocou a melhor roupa que tinha, quer dizer, a única roupa que ela tinha para ir. Seu guarda-roupa quase não recebia peças novas. Colecionava apenas algumas calças surradas pelo dia a dia, umas blusas com furinhos e alguns casacos de frio que recebera de doação. Era um momento difícil para ela, mas a roupa não poderia lhe tirar o brilho nos olhos. Estava plena, flutuante.
Colocou uma calça jeans azul clara, um body com listras de zebra, um casaco de frio velho que ela esquecera de reparar na cor e, nos pés, uma sandália meio alta que ela ganhou da irmã. Esse era o look da mais nova estudante de Jornalismo. Outra vez olhou no espelho e se sentiu infinitamente grata por estar vivendo aquele momento. Decidiu levar uma bolsa, pois tinha certeza que haveria aula e o professor daria informações importantes que mereciam ser escritas. Colocou dentro dela um caderno velho do cursinho que havia feito e um estojo de canetas que tinha há dois anos, porque não tinha dinheiro para comprar um novo, afinal, para ela eram apenas canetas e talvez ninguém calcule o tempo em que estava usando elas.
Tomou café, deu um beijo na mãe e repetiu quase engasgando a frase “eu te amo” para ela. Sabia que estava ganhando o mundo. Seus pais estavam deixando ela partir. No trajeto até a universidade o pai lhe fez companhia. Levou ela em um carro gol de cor azul, ano 96, até o módulo de seu curso. Com todos os problemas e circunstâncias que os cercavam, aquele era um momento único para os dois. Ele parou o carro. Houve um silêncio e, por algum tempo, ambos compartilharam o mesmo sonho: ele, o pai, estava ali imaginando ver a filha na televisão daqui algum tempo; ela repetia para si “seja você mesma”, mas na verdade, sabia que estava perdida, que as coisas se tornariam difíceis, que apanharia da vida e estava com medo de encarar o mundo... Mas resistiu aos pensamentos ridículos, se despediu do pai com um leve abraço e desceu do carro. Eufórica, seu coração dizia que seu pai estava olhando do retrovisor se despedindo da criança que ele educou, embalou canções e fez ninar.... Sua garotinha estava ganhando o mundo e a confiança da vida.
Demorou alguns minutos até ela de fato resolver a burocracia da matrícula e ir para a sala. Para sua decepção, não teve aula. Conheceu professores, pessoas e escutou uma ou duas palestras. Não entendia a lógica, nem a linguagem do discurso. Passou quatro horas tentando se adaptar ao ambiente cheio de pessoas desconhecidas, com cheiros e atitudes diferentes. Ela suspeita de que nesse dia ouviu alguém perguntar: “O que você está fazendo aqui? ”. Distraída, não soube a resposta, mas sabia que naquele dia se deu a chance de encarar o desconhecido, sobreviver com os próprios medos e aceitar que a vida é mesmo fascinante e não corre em linha reta.
Às 11h45 saiu da universidade, entrou no ônibus amarelo B 45 e se sentou- na cadeira do lado da janela. Queria olhar para o céu e tentar compreender quem ela era e o que poderia se tornar depois daquele dia. Respirou fundo e disse para si mesma: “posso ser tudo”! Esperou um pouco até perceber que estava falando a frase em voz alta em um ônibus lotado de pessoas. Recostou a cabeça na janela e reafirmou a certeza de que seu pai ainda poderá vê-la na televisão. Fechou os olhos e cochilou profundo, sabendo que faria aquele trajeto pelos próximos quatros anos de sua vida. Serena estava aprendendo sobre a vida.

14/07/2018

Vamos falar sobre “The Fosters” e porque representatividade importa por Karina Costa

BOA TARDE! Vim só trazer a segunda participação especial do Mês Literário, dessa vez uma resenha! Sábado é dia de cultura pop, né, minha gente? Vou deixar as apresentações por parte de quem interessa:

Olá, pessoas da internet! Meu nome é Karina Costa, tenho 21 anos e sou estudante de jornalismo. Sou natural de Itabuna (BA), mas apareci aqui em Vitória da Conquista em 2015 quando comecei meu curso na Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). A minha relação com a escrita sempre foi de lugar seguro. Com as palavras no papel, eu consigo me expressar sem todos os olhares voltados diretamente para mim. Filmes e séries são duas grandes paixões, e por isso resolvi falar para vocês sobre uma dessas coisas. Espero que gostem!

Imagem: Freeform
“Não é de onde você vem, é onde você pertence”. Essa frase, que não por acaso, compõe o refrão da música-tema de “The Fosters”, consegue resumir o que eu vim falar sobre essa série: REPRESENTATIVIDADE. Em um mundo cheio de ódio e preconceito, a produção americana de Peter Paige e Bradley Bredeweg aparece como um sopro de esperança no amor e na empatia. Durante cinco temporadas e mais de cem episódios, “The Fosters” conseguiu abordar temas como homofobia, racismo, xenofobia, transfobia, questões de identidade cultural, estupro e muitas outras problemáticas sociais.
Sim, isso é tudo coisa muito séria, mas não achem que vocês vão ficar deprimidos o tempo inteiro. “The Fosters” tem sim sua dose de drama (às vezes parece que essa família nunca terá paz), mas o humor também não deixa de aparecer junto com o amor que parece pular para fora da tela. Stef e Lena são as matriarcas da família. Juntas, elas enfrentam a rotina caótica dentro de uma casa onde vivem cinco adolescentes, seus filhos: Brandon, Callie, Jesus, Mariana e Jude. É muita gente para apresentar, justamente por isso que não vou fazer, vocês vão ter que assistir a série para descobrir! HAHAHA.
O foco de “The Fosters” é justamente na rotina dessa família. Os dramas comuns de todo adolescente americano obviamente não podiam faltar na trama, mas o que importa mesmo é que essa série vai MUITO ALÉM DISSO. Um dos plots mais sensíveis e bem construídos da série gira em torno do Jude. Aos 13 anos de idade, o menino está descobrindo a sua sexualidade e por isso sofre bullying na escola. Com esse mesmo personagem, “The Fosters” mostrou o beijo entre pessoas do mesmo sexo mais jovens da história da Tv dos Estados Unidos. E o mais importante nessa história é que tudo foi mostrado de forma muito positiva, voltando à questão da REPRESENTATIVIDADE.
Então não, não é “mimimi” falar sobre representatividade. Eu tenho certeza que meninos de 13 anos que se identificam com o Jude e assistiram a essa cena, se sentiram menos sozinhos e mais acolhidos. É aqui que entra o “pertencer” da música-tema de “The Fosters”. A ficção cumpre sim o papel de te fazer sentir menos solitário, e acho que “The Fosters” é um abraço bem apertado para aqueles que precisam. Esse é só um pedaço bem pequeno do todo que essa série representa.
Personagens transgêneros são interpretados por atores transgêneros, um casamento entre pessoas do mesmo sexo acontece na mesma época em que é legalizado em Los Angeles e a questão da imigração é abordada ao mesmo tempo em que Donald Trump anuncia o fim do DACA (política de imigração criada por Obama em 2012 que autorizava temporariamente pessoas que entraram no país ilegalmente quando crianças a morar, trabalhar e dirigir nos Estados Unidos). Isso tudo só mostra a função social que “The Fosters” fez questão de cumprir.

Teri Polo e Sherri Saum. Imagem: Glaad
Se depois disso tudo, vocês ainda não entenderam porque deveriam estar assistindo “The Fosters”, dou a vocês mais dois motivos: TERI POLO E SHERRI SAUM. Assim como Stef e Lena na ficção, as atrizes que interpretam essas personagens se amam de verdade na vida real. Elas têm uma química incrível que ultrapassa o mundo de “The Fosters” e ganha vida aqui fora. E mais importante do que tudo isso, elas conseguem representar nas telas a comunidade LGBTQs sem cair em estereótipos normalmente vistos na televisão. Para finalizar essa resenha, queria apenas deixar vocês com esse diálogo maravilhoso.

Lena: Às vezes, quando andamos por uma vizinhança nova ou caminhamos até o nosso carro tarde da noite, nós não andamos de mãos dadas.
Jude: Por quê?
Lena: Algumas pessoas têm medo do que é diferente, e às vezes elas querem machucar pessoas como Stef e eu. Então, toda vez que estamos fora e eu quero segurar a mão da Stef, mas eu decido que não vou fazer isso, eu fico brava. Eu fico brava com as pessoas que podem querer nos machucar, mas também brava comigo mesma por não as enfrentar. Porque é o seguinte, se você é ensinado a esconder o que te faz diferente, você pode acabar sentindo muita vergonha sobre quem você é, e isso não é legal. Não há nada de errado com você por usar esmalte azul, assim como não há nada de errado comigo por segurar a mão da Stef. O que está errado são as pessoas lá fora que nos fazem sentir inseguras.
Fonte: “The Fosters” - S01E05

*“The Fosters” estreou nos Estados Unidos em 3 de junho de 2013 transmitida pela ABC Family e posteriormente FREEFORM. A série tem suas 4 primeiras temporadas disponíveis na Netflix Brasil. No dia 6 de junho de 2018, “The Fosters”  foi finalizada em sua 5ª temporada. Em 2019, será exibido pelo canal FREEFORM um spin-off focado na vida de Callie e Mariana, intitulado “Good Trouble”.

09/07/2018

Interpretação por Vinicius Augusto

Boa noite, pessoas da internet! Hoje é dia de participação especial aqui no QaMdE e como eu já disse tudo que eu tinha para dizer no post de ontem, vou deixar as apresentações de hoje por conta do próprio autor. Aproveitem!

Sou Vinicius Augusto, vivo a materialidades da vida, o presente, mergulhado no agora. Tenho o blog Xadrezelivros que é a extensão de uma livraria, a qual tem o cunho social bem característico. A própria visa proporcionar para a comunidade de Barra do Choça, gratuitamente, cursos de Xadrez. Os livros são vendidos para manter as despesas do local. Alguns textos, reflexivos são postados, sem nenhuma intenção, são lampejos, desabafos, entre os poucos, resolvi enviar o "Interpretação".  Sou graduando em História, um ser utópico diante dias cinzas, mas atento aos arco-íris da vida.


Interpretação

Analiso.

Imprecisamente.

O quanto faço parte da tua vida?

O nada faz-se presente. Nada de mim.

Do joguinho amoroso, dos teus anúncios,
não passei perto.
Abre-se entre nós o deserto.

Game over, quando achei que estava perto.

08/07/2018

Porque eu faço o que eu faço #Flipop — Mês Literário 2018

É tão esquisito pensar sobre uma semana atrás e o fato de que foi apenas uma semana atrás quando tudo já aconteceu depois disso. Só minha viagem de volta levou dois anos e você está me dizendo que uma semana atrás eu estava saindo da Flipop com o coração cheio de amor e os olhos cheios de lágrimas? Até parece. OI, GENTE!!!!!!!!!! FELIZ MÊS LITERÁRIO!!! Se você é novo aqui, o que eu acho que muita gente aqui é: Olá! O "Quebrei a máquina de escrever" é um blog pessoal, mas no mês de julho todos os posts são sobre literatura. Resenhas, diários de escrita, análises, participações especiais de escritores convidados, contos, crônicas e poemas - tem de tudo e tem muito!
Este ano, como no último fim de semana do mês tem o 2º Write-In Conquista, o encontro de escritores que eu organizo na minha cidade, eu convoquei escritores conquistenses a enviarem seus textos!! Se você é da região e tem interesse em mandar seu texto, tem até hoje no fim da noite (envie a submissão para qamde@giuliasantana.com). Se você não marcou presença no evento, o que você está fazendo com a sua vida? É de graça, é maravilhoso e já tem tanta gente interessada que a gente conseguiu o que só eventos muito grandes conseguem aqui em Conquista: Vamos fazer evento em livraria fora do horário de funcionamento. Além disso, vai ter café (e eu preciso ter alguma noção de quantas pessoas vão, para poder fechar o café) e brindes, e quem não gosta de café e brindes? Mas antes de falar sobre o Write-In e sobre o que está vindo por aí durante o Mês Literário, eu preciso falar de outro evento.

Da esquerda para a direita: Tati, eu, Gih, Dani e Lena. Por favor, sigam os perfis delas para acompanhar os projetos que elas fazem parte porque tem muita newsletter maravilhosa nesse grupinho. Foto: Anne Karr
A segunda edição da Flipop - Festival de Literatura Pop aconteceu nos dias 29, 30 de junho e 1º de julho no Centro de Convenções Frei Caneca em São Paulo. O evento é produzido pela Editora Seguinte, normalmente conta com a participação de outras editoras (neste ano foram as editoras Hoo, Plataforma21, D'Plácido, Morro Branco, Globo Alt, Duplo Sentido Editorial, Universo dos Livros e Planeta de Livros) e tem patrocínio do Papel Pólen. O evento conta com escritores nacionais e internacionais, além de editores, agentes, tradutores, pesquisadores, professores e todo tipo de pessoa envolvida com literatura reunido em um só lugar para apresentar, debater, conhecer e viver literatura young adult. O evento foi tão intenso que eu acho que meu cérebro finalmente parou de ler a sigla "ya" como "iá" depois de ter ouvido "uai-ei" com tanta frequência.
Se você acompanha o QaMdE há um tempinho provavelmente leu o post sobre a Bienal do Livro Rio do ano passado e se é uma pessoa corajosa, talvez tenha visto o vlog de 30 minutos que eu fiz sobre os três dias que eu passei lá (e que ainda não terminei de legendar porque eu sou horrível). Eu chamei os dias de os melhores dias da minha vida, e eles foram, antes da Flipop. Eis a questão: Eu amo literatura em todas as suas vertentes e seus problemas, mas se você cresceu com YA, é no YA que você encontra seu lugar e se você, como eu, quer viver de YA um dia, a Flipop é a manifestação do Nirvana. Vocês lembram de eu falando o quanto foi incrível poder entrar na Bienal com a credencial de profissional do livro e poder conversar com escritores de YA nacional sobre banalidades da vida e me sentir parte de algo incrível? Teve tudo isso na Flipop (menos a credencial de profissional, porque ela era para palestrantes e organizadores).
Eu quase morri de ansiedade nos dias anteriores ao evento. Eu não conseguia dormir direito, dormi mal no ônibus, eu tava ganhando espinhas de estresse, o pacote completo. Tinha também o fato de que da última vez que eu tinha ido a São Paulo, eu tive um ataque de pânico de proporções históricas e eu estava preocupada que isso pudesse acontecer de novo. 24 horas em um ônibus ajudaram bastante a fazer com que a preocupação tomasse raiz, mas no final, eu não precisava me preocupar tanto assim (especialmente não a ponto de não conseguir dormir) (eu ainda não descansei o suficiente depois disso, gente). No momento em que eu cheguei lá, eu sabia que ia ficar bem. Eu estava com minhas amigas, em um lugar onde eu podia ser eu mesma - até se eu mesma fosse ter crises de pânico no meio do evento (não tive, mas tive no metrô depois). É nesse nível que a Flipop é um lugar seguro, porque a gente conversou até sobre o que eu tinha medo ali dentro - como a depressão e os traumas emocionais afetam um escritor, como representar isso na literatura... Um monte de gente incrível indo lá na frente e falando: eu tenho depressão, eu tenho transtorno de ansiedade, eu passei por essas coisas. Essa é a minha trajetória. Empoderador é pouco para descrever a experiência.


Minha credencial antes de eu fazer arte com ela. 

Uma das tatuagens temporárias que a Hoo editora estava fazendo em quem preenchesse o questionário que terminava na pergunta mais difícil do mundo: Qual o último livro LGBT+ que você leu? Minha resposta é "Tell Me Again How a Crush Should Feel", mas na hora deu branco e eu coloquei Quinze Dias porque era o último que eu lembrava.

Considerando que a Flipop trouxe o maior encontro do SA/Tertúlia (lembram delas? Minhas amigas das fotos lá de cima que nos tornamos um grupinho graças ao NaNoWriMo 2015) até hoje, eu sabia que estava indo para encontrar amigas e para falar com gente que eu gostava. O que eu não achava era que eu ia encontrar o meu povo. A maior parte do fim de semana foi passado com vontade de levantar os braços e dizer "MY PEOPLE!!". A coisa era tão séria que não só eu fui no Starbucks cinco vezes naquele fim de semana, mas toda vez que eu ia lá alguém dizia que outras duas Giulias, também da Flipop, tinham passado lá. Eu estava cercada por pessoas como eu, que amam a mesma coisa que eu e que me fizeram voltar a acreditar no que eu estou fazendo - e acreditem, eu precisava bastante disso.
Eu quis aproveitar a Flipop como leitora, como fangirl. Eu tive medo de que se eu me colocasse dentro da minha mente como escritora, eu fosse descobrir que não pertencia àquele lugar - mas o evento fez com que eu me sentisse querida, aceita, desejada. Me motivou a querer mais e a trabalhar para fazer parte daquilo ali com mais certeza. Existe algo poderoso em saber o que você quer e saber o que está esperando por você. A Flipop me lembrou disso. E que venha a Flipop 2019! Aqui vão algumas fotos minhas e das meninas com alguns autores:

Vitor Martins

Bárbara Morais - nossa madrinha!

Olha que princesinhas, meu Deus. 

Jana Bianchi

Iris Figueiredo


Olívia Pilar

Laura Pohl

Sofia Soter
A Íris do Cores Literárias que eu conheci por causa de MisterWives e é uma rainha!

Falando um pouco sobre o evento que eu estou organizando, apesar de não fazer a mínima ideia de como eu vou manter 60 pessoas interessadas por uma tarde, eu estou muito animada. Se o evento conseguir ser bom o bastante para manter as pessoas ativas, talvez a gente finalmente consiga fazer aquela festa literária que tentam fazer em Conquista desde 3022 a.c.? Eu vou embora daqui em um pouco mais de um ano e eu não vou embora sem ter minha vingança contra as instâncias ligadas à literatura nessa cidade, então se você é escritor conquistense, é bom você ir para o 2º Write-In Conquista no próximo dia 28, às 14h, na Livraria Nobel da Avenida Otávio Santos e levar sua criatividade com você. Isso aqui é a capital do interior da Bahia ou não, caramba? É sério, gente, não deixem de ir!
Vejo vocês amanhã com a primeira participação especial,
G.