Um post para cada um dos dez anos do blog


Eu estava sentada aqui, ao vivo no YouTube e de repente bateu a realidade do fato de que faz 10 anos que o blog começou. 10 anos. Em tantos aspectos isso é uma vida inteira.

Eu me lembro do ano em que fez 10 anos do meu primeiro ataque de pânico, 10 anos desde que eu comecei a escrever, 10 anos desde que eu me mudei para o Rio de Janeiro, 10 anos desde que eu comecei a aprender em inglês. Eu me lembro quando eu fiz 12 anos e eu comecei a pensar que em breve eu me lembraria de coisas que aconteceram "10 anos atrás" e o quão louco era pensar que eu estava viva há mais de uma década. Pois agora aqui eu estou, viva há duas décadas e quase três anos e grande parte do tempo que eu estou viva foi passado compartilhando a minha vida aqui. 10 anos é muito tempo para estar investida em qualquer projeto.

Quanto mais um blog. Eu não paro de ver as pessoas dizendo que 2021 vai ser o ano que os blogs vão "voltar". No começo da década passada e no final da anterior, todo mundo tinha um blog pessoal e todo mundo estava compartilhando um pouco da vida na internet. Conforme as redes sociais começaram a crescer um pouco, os blogs perderam o protagonismo. Mas o Quebrei a máquina de escrever não foi pra lugar nenhum. Não me acostumei com newsletters porque não gosto de receber e-mails, o Instagram se tornou grande parte da minha vida profissional, mas foi paralelo ao blog, não o substituiu. E se os blogs forem voltar ao topo, saber que eu continuei aqui esse tempo todo e que agora tenho uma base para crescer me deixa muito orgulhosa.

Para celebrar a data, além da live que vocês devem ter visto o dia inteiro, eu resolvi separar uma postagem para cada ano dos últimos dez. De 2011 a 2020. Também fiz as colagens abaixo, de cada uma das eras do blog, que eu tinha planejado em desenhos e boards físicos e me apaixonei quando fiz pessoalmente:

PuccaSecrets: 2011-2012

2011: Haunted — Assombrada

O primeiro conto de ficção do blog, Haunted se tornou ponto de partida de As Crônicas de Kat dois anos depois. Haunted foi a introdução de Ellie ao mundo. Na época em que eu comecei a escrever a história, eu estava viciada em The Vampire Diaries, mas tinha resolvido que escrever sobre vampiros era fácil demais, então resolvi escrever sobre incubus. A próxima opção lógica.

A ironia de três anos depois eu ter transformado a Ellie em vampira não está perdida em mim. E foi de propósito. Não tem nada de fácil em escrever sobre vampiros. E foi ao ler Carmilla em 2013 que eu me dei conta de que vampiras são poderosas demais para não serem respeitadas da forma que merecem.

2012: Sobre não querer fazer 14 anos...

O post que deu começo à coluna mais popular do blog, a É só uma fase, essa postagem começou simplesmente como uma forma de dizer que eu não servia para ter 14 anos. Que 13 anos ainda era legal e interessante, mas que 14 anos era muito básico para mim. E conforme eu fui crescendo, a coluna cresceu e se tornou uma forma precisa de prever como meu ano vai ser, ao mesmo tempo que alguns meses depois (como eu fiz aquele ano em All About 14) eu conto como as coisas estão com aquela idade.

Semana passada mesmo eu recebi comentários incríveis em um post de 4 anos atrás e esta semana tem um dos posts mais importantes da coluna. O post sobre o que eu espero dos meus 23 anos vai ser especialmente especial (e o 500º post do blog).

2013: Carmilla, a primeira vampira fictícia moderna, por Sheridan le Fanu

Nenhum post descreve ou resume melhor 2013 do que a resenha de Carmilla, que eu escrevi depois de ler o livro todo em uma tarde. 2013 foi um ano muito particular da minha vida. Foi o ano que eu mais escrevi e um dos anos em que eu mais sofri. Escrever e ler era a minha vida naquela época. Foi um dos últimos anos em que eu escrevi daquela forma e o penúltimo que eu li daquela forma tão violenta.

2013 também foi o ano em que eu li meu livro preferido, Carmilla, e que eu comecei a escrever minha história preferida, As Crônicas de Kat. Foi o ano com mais posts do blog, a maior parte sobre literatura. Foi o ano em que eu me descobri escritora de verdade e o ano em que terminei de escrever um livro pela primeira vez. Nenhum ano foi como 2013.

Untitled: 2012

2014: Legado

Dizer que 2014 foi um dos anos mais difíceis da minha vida seria um eufemismo. Depois de perder minha mãe, foi difícil encontrar palavras que pudessem explicar o que eu estava sentindo e escrever sobre isso. Eu escrevi uma boa dezena de posts aqui do blog (de 499)  com os olhos cheios de lágrimas e um aperto no fundo do coração. Legado foi um deles.

Quase 7 anos depois, eu nem consigo explicar as formas como o peso desse legado deixado por minha mãe para mim foi mais do que eu poderia carregar. Me distanciar de quem ela era, respeitar como ela me criou e quem eu me tornei sem ela é um trabalho diário e pesado que até hoje me causa muita dor.

2014 também foi o ano em que o Quebrei a máquina de escrever se tornou Quebrei a máquina de escrever. E a sensação era de que esse blog sempre foi quem ele é hoje, mas eu penso em todo crescimento que me trouxe a encontrar esse nome perfeito para o blog de uma pessoa tão imperfeita.

2015: Como nasce uma obsessão: MisterWives

Em 2015 eu comecei a faculdade, eu comecei a planejar minha saída de casa, eu me descobri como pessoa não-hétero. Apesar disso tudo, nada foi tão significativo para a minha personalidade quanto descobrir MisterWives. A banda mudou não só se tornou minha banda preferida, eles mudaram completamente meu gosto musical, me tornaram mais confiante em não deixar que as pessoas o questionem e foram decisivos para que eu eventualmente me tornasse jornalista musical.

Coincidentemente, eu descobri Bahari naquele ano, graças ao Descobertas da Semana do Spotify. Também foi o ano em que eu voltei a ter TV a cabo e enquanto precisava de uma série de fundo para escrever A Linha de Rumo me apaixonei pela voz e o nome de uma atriz da Nickelodeon que aparecia o tempo todo na TV — e acabou se tornando minha alma gêmea. 2015 trouxe para mim as melhores coisas e pessoas do mundo.

my melodie: 2012-2013

2016: Amigas, livros e experiências quase-morte

2016 foi outro ano difícil. Politicamente, historicamente, mundialmente e pessoalmente. 2016 não foi fácil. Foi até mesmo difícil escolher um post para colocar aqui. Mas essa viagem, descrita no post, é algo que até hoje eu uso para incentivar a mim mesma quando eu hesito em fazer algo. "Se eu sobrevivi a São Paulo em 2016, eu sobrevivo a qualquer coisa". Eu usei isso em Los Angeles e além.

Também foi um momento muito importante de conhecer pessoas que se importam comigo, que cresceram comigo e que mudaram minha vida. Nada pode substituir isso. Então esse foi o post que eu escolhi para representar 2016.

2017: Sobre obsessões, conexões e bons acidentes de percurso

Não que eu precise, mas para explicar a escolha desse post, eu vou citar um outro post, publicado em janeiro de 2020: "2017 foi todo sobre a Kira e sobre me apaixonar pela Kira e então me apaixonar por mim mesma quando eu percebi que a Kira me amava de volta. Porque se eu mereço o amor da Kira eu não vou me submeter a coisas medíocres. E ninguém é perfeito, mas a Kira me ensinou muito sobre o que esperar das pessoas com quem eu tenho contato. Ninguém nunca vai ser ela e eu não espero que sejam (ela é minha alma gêmea, o resto de vocês são resto), mas eu também não aceito qualquer bosta quando eu tenho ela."

Preciso dizer mais alguma coisa?

2018: Será que a publicação independente é uma boa opção para você? Vamos debater

O marco de 2018 definitivamente é A Linha de Rumo e seu inacreditável lançamento como parte do 3º Prêmio Kindle de Literatura. Depois disso, eu lancei um post justamente discutindo publicação independente. E foi ele que eu escolhi para representar 2018. Mesmo que a publicação independente tenha se tornado um tema mais relevante e pesado na minha vida em 2019 e 2020, foi 2018 que mudou tudo.

Mas talvez eu precise atualizar essa discussão agora.

as crônicas de g: 2013-2014

2019: Sobre momentos, expectativas de vida e outras (dores) crônicas de Los Angeles

Escrito enquanto eu estava a caminho de Los Angeles, o post acabou se tornando o único que eu fiz sobre a minha viagem até hoje (eu pretendo voltar a esse tema e escrever os posts que eu prometi, mas até agora continua sendo o único). Ele também é um marco especial do momento que eu passei naquele ano, atravessando o ano da formatura e chegando à viagem e ao momento mais cinematográfico da minha vida.

2019 foi sobre isso. E ainda é sobre isso na minha cabeça.

2020: Segurar a minha própria mão e outras coisas difíceis de fazer

Antigamente, eu poderia usar posts mais antigos para explicar o blog para as pessoas ou até mesmo usar a página "Sobre" daqui. Mas a página está desatualizada e com tudo que aconteceu no último ano, nenhum post explica melhor o blog do que Segurar a minha própria mão e outras coisas difíceis de fazer.

Quando alguém pergunta sobre o quê o blog é, e como ele funciona, é desse post o link que eu envio. Porque as coisas começam a fazer sentido quando você lê a forma como eu me abri e me desafiei com esse post.

E só podia fazer sentido que ele fosse o último post escolhido para representar os 10 anos de blog.

Quebrei a máquina de escrever: 2014 - ∞

Obrigada pelos últimos 10 anos. Enquanto eu não seria quem eu sou sem o blog, eu também não seria quem eu sou sem cada pessoa que leu cada um dos 499 posts dos últimos 10 anos.

Obrigada por tudo,

G.

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